Quando pedi a Mari Armellini uma entrevista sobre Improvisação Teatral, através de email, ela decidiu responder-me de forma bem particular.
Ela disse: “Vou ser bem sincera: eu engatinho na improvisação. Vou resumir a minha história com a impro e você veja o que dá pra fazer!”
Criativa e genial, essa que diz tão jovem improvisadora, mas com um histórico de anciã, me concedeu praticamente um artigo, que publico na íntegra, não querendo perder nenhum detalhe do seu raciocínio “palitante”. Lembro que quando concedeu a entrevista, Mari ainda não havia estreiado na televisão. Portanto, atualizando seu atual currículo, Mariana Armellini está em temporada com suas colegas As Olívias no espetáculo As Olivias Palitam e nas telas da rede Bandeirantes com o programa É Tudo Improviso. Também se mantém como uma das principais convidadas do espetáculo de Improvisação Improvável da Cia. Barbixas de Humor. Pode-se também segui-la no Twitter.
“Eu sou atriz, formada pela Escola de Arte Dramática (EAD/ECA – USP).
Antes disso, fiz teatro amador por 8 anos (desde 1993).  Nesse período, os exercícios de improvisação da Viola Spolin eram muito utilizados, mas como exercícios para a atuação propriamente dita.
Dentro da EAD, tive aulas com a  Cristiane Paoli Quito, que trabalhava a improvisação dentro dos espetáculos, como um exercício coletivo – nós ensaiávamos as cenas, criávamos os personagens, mas as “costuras”, a dramaturgia do espetáculo era criado na hora, pelos atores. Com essa técnica, fizemos “Hamlet” (de William Shakespeare), em 2002 e “O Inspetor Geral”  (de Nikolai Gógol), em 2003. A Quito é uma profissional muito reconhecida por seu trabalho com palhaços e também com a improvisação. Cheguei a fazer 6 meses do curso dela de palhaço – muito difícil mas extremamente importante.
Ainda na EAD, tive um professor – que depois dirigiu meu espetáculo de formatura – chamado Antônio Januzelli, o Janô. Ele é considerado um mestre de improvisação, mas não como você conhece – exercícios de cena. As aulas dele priorizavam as relações, nós criávamos relações por horas, sem falas, só trabalhando sensações e corpo. O trabalho dele consiste em levar o ator a chegar em um “estado”, a partir do qual ele seria capaz de realizar qualquer coisa. Esse “estado” é a base da pesquisa dele, e acabou gerando em minha turma um desejo enorme de continuar esse estudo – o que nos levou ao espetáculo “Oito”, dirigido pelo Janô e pela Juliana Jardim, que foi, como eu disse, nosso espetáculo de formatura na EAD.
Depois disso, a improvisação só existia para mim para criar as cenas das Olívias, grupo que formei ainda dentro da EAD. Dentro de nosso espetáculo, As Olívias Palitam, temos um momento de improviso diferente: nós conversamos com o público a partir de temas da atualidade dados por eles.
Quando os meninos dos Barbixas me chamaram para fazer o primeiro Improvável, em novembro de 2007, tudo o que eu tinha era essa formação e a referência do Whose Line, que eu assistia e admirava.
Não fiz nenhum treinamento extra para fazer o primeiro Improvável.
Depois disso, quando conversamos sobre a possibilidade deles continuarem com esse espetáculo e formarem um grupo de convidados preparados para esse tipo de improvisação, comecei a ter treinamentos com o Marcio Ballas – que hoje considero meu mestre dentro da impro.
Fiz workshops com Gustavo Miranda,   (do Acción Impro) da Colombia, e Shawn Kinley, (do  Loose Moose) do Canadá. E sigo treinando com o grupo que acabou se formando a partir do Improvável – que seriam os Barbixas, o Marcio Ballas, o Marco Gonçalves, a Cristiane Wersom, a Marcela Leal e Alan Benatti.
Portanto, não sei dizer quais são os melhores grupos do mundo, não sei dizer o que me inspira (além dos espetáculos Jogando no Quintal e do Caleidoscópio) e não sei definir as bases da improvisação! Apesar de estar nessa há 2 anos, eu engatinho!
O que posso dizer é que o treinamento de impro tem refletido de maneira muito positiva no meu trabalho como atriz – nos longas que eu fiz, em outros espetáculos e mesmo dentro das Olívias.
Por enquanto, ainda estou debruçada no estudo das cenas curtas e jogos de “tiro”, mas adoraria um dia estudar e ser capaz de realizar um long form.
Para terminar, só para te situar no que ando fazendo: continuo com As Olívias – realizando nosso espetáculo As Olívias Palitam e fazendo vídeos curtos para a intenet (uma websérie chamada As Olívias Queimam o Filme). Faço o Improvável como convidada. Em 2009, fui atriz convidada do Grupo XIX de Teatro, para realizar viagens com o espetáculo Hysteria. Na TV, fiz alguns comerciais e participações em programas e no cinema, participei de alguns longa-metragens.”
Seguem dois vídeos: um da websérie das  Olívias, no seu canal do You Tube e mais uma de suas muitas participações geniais no Improvável.
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