Sobre o Autor: Flavio Lobo Cordeiro

No início era a mais pura diversão.

Tudo começou mesmo em 2001 quando o Dinho Valladares e a Aline Bourseau da Cia de Teatro Contemporâneo foram para Buenos Aires e assistiram a um espetáculo muito louco, onde a platéia votava nas histórias, preenchiam uma ficha, e as cenas eram criadas na hora. Assim entraram em contato com a LPI – Liga de Professional de improvisación Teatral. Quando voltaram começaram, ainda de uma forma muito experimental, a trabalhar jogos na sede da companhia.

Em 2005 nasce então o 1º Campeonato Carioca de Improvisação, o show era bem improvisado. Jogaram 6 times. Claudio Amado trabalhava como um apresentador/juiz, e a platéia votava na melhor cena. Quem se sagrou campeão aquele ano foi “Os Improváveis” formado por Rafael Chasse, Charles Paraventi, Talita Werneck, Ary Aguiar jr.e Fábio Nunes. Somente a platéia escolhia a melhor cena e participava ativamente votando com palmas e gritos.

Em 2006, a Cia de Teatro Contemporâneo resolveu realizar dois Campeonatos, o I Campeonato de Outono de Improvisação no primeiro semestre e o II Campeonato Carioca de Improvisação no 2º semestre entre outubro e novembro.

O I Campeonato de Outono teve a presença de jogadores do Jogando no Quintal, com a equipe “Laranja Mecânica” – Márcio Ballas, Alan Benatti, Mariana Muniz e Paola Musatti e teve uma final emocionante com os “Improváveis” e “Armacena” chegando ao empate na final e com platéia pedindo uma cena desempate. Os vencedores foram Os Improváveis de Charles Paraventi, Tatá Werneck e Fábio Nunes.

Para o II Campeonato Carioca de Improvisação 2006, no segundo semestre, a Cia de Teatro Contemporâneo trouxe pela primeira vez o diretor da LPI da Argentina Ricardo Behrens que então trabalhava com a técnica de match de impro. Ele ministrou uma oficina para vários interessados e muita gente envolvida com o Impro participou entre eles : Talita Werneck, Flavio Lobo, Fábio Nunes, Ary Aguiar Jr., Aline Bourseau, Dinho Valladares, Cláudio Amado, Ana Paula Novellino, Alessandro Valéryo e Alberto Goyena. Esse ano de 2006 foi bastante importante, um divisor de águas, pois o Campeonato foi todo produzido em cima da técnica de match. A final aconteceu no Teatro Gláucio Gil que ficou lotado e foi apitada pelo próprio Behrens. Flavio Lobo e Cláudio Amado fizeram assistência de arbitragem. Aline Bourseau foi a mestre de cerimônias.

Os 10 melhores improvisadores desse campeonato entraram em cartaz na Sede da Cia. com um show chamado “Jogo das Estrelas” que estreou em 2007 com o seguinte elenco: Ary Aguiar Jr. (Cia Armacena Ilimitada), Rodrigo Amem (Improvinsanos), Amanda Leal (Cia Armacena Ilimitada), Adriano Pellegrini (Os Imaturos), Alberto Goyena (Os Imaturos), Pedro Figueiredo (Os Imaturos), Mariana Arruda (LPI-BH), Alessandro Valeryo (Metzlers), Ana Luisa Leite (Os Imaturos) e André Luiz Rocha (Metzlers).

O Campeão desse ano foi “Os Imaturos” no qual se destacavam os improvisadores Adriano Pellegrini, Pedro Ribamar e Alberto Goyena.

Enfim um bocado de Luz

Em 2007, o Campeonato volta ao formato anterior, o modelo de Match era muito legal, mas engessava demais a improvisação pelo excesso de regras.

No III Campeonato Carioca de Improvisação os Juizes técnicos eram Flávio Lobo e Cláudio Amado, que aplicavam as regras do Match, mas agora com mais flexibilidade. Para esse campeonato Cláudio tinha inscrito suas turmas de impro, havia os meninos do Ziembinsky treinados por Ana Paula Novellino, “Qs Metzlers” do Alessandro Valéryo e vários outros times. A final foi no Teatro Gláucio Gil que estava lotado. Quem apitou foi o próprio Ricardo Behrens auxiliado por Flávio Lobo e Cláudio Amado. Nesse ano o campeão foi  “Os Parmalat” formado por: Rodrigo Amém, Renata Azzam, Karina e Luiz “Fofo” Perez Jr.

O Formato amadurece.

No quarto em 2008, a Cia de Teatro Contemporâneo reúne os capitães dos times para uma assembleia que resulta em mudanças radicais nas regras e no formato, decide – se então colocar um juiz técnico que pode pontuar, ou não, as duas equipes de acordo com as faltas técnicas cometidas. Um juiz cênico que vota em apenas uma das equipes e julga o aspecto cênico em geral e a platéia que continua votando na melhor cena.

Nesse ano Flávio Lobo foi apresentador e treinador do Alcatéia que participou pela primeira vez do campeonato alcançando um honroso terceiro lugar.

Os vencedores de 2008 foi os “Improsêniors” (Ary Aguiar Jr., Pedro Ribamar e Rodigo Amém). A final foi disputada com um time de fora, os “Anônimos da Silva” (Fernando Booyou, Edson Duavy, Lucas Moll e Saulo Pinheiro) de Brasília-DF, que ficaram em segundo lugar.

No ano seguinte, 2009, o Alcateia do treinador Flávio Lobo já estava mais maduro e entrou em cartaz com o espetáculo “TV Lobo de Improvisação” que rodou os palcos da zona norte do Rio e viajou ao Espírito Santo. Os meninos ganharam confiança em seu jogo e montaram dois times para o V campeonato Carioca de Improvisação: “Os Japoneses” (Alessandro Valeryo, Fabiola Mozine, Kastello e Sergio Stern) e “O Outro Grupo” (Rafael Mattos, Susana Soares, Danilo Maroja e Guti Rocha). Ganharam o V campeonato com “Os Japoneses” e levaram o vice com “O Outro Grupo”.

A novidade esse ano era a I edição do Brasileirão. Os quatro primeiros lugares do carioca disputariam jogos com dois times de fora: Os “Anônimos da Silva” de Brasília e a “Imprópria Cia Teatral”, galera de Minas que estava residindo em São Paulo. Essa edição do Brasileirão consagrou a “Imprópria” (Bruno Campelo, Eduardo Miele, Mateus Bianchim, Juliana Martins e Leandro Alves) como campeã, “Anônimos da Silva” (Fernando Booyou, Edson Duavy, Lucas Moll e Saulo Pinheiro) como vice, seguidos pelos “Japoneses” e “O Outro Grupo”.

Um campeonato de respeito

Em 2010 o Campeonato amadureceu bastante. E cresceu. Oito times se inscreveram para o VI Carioca e 16 times de fora requisitaram a participação no II Brasileirão. Desses foram selecionados seis times: quatro times de São Paulo – “Sustentáculos”, “Protótipos”, “Impronozes” e “Imprópria Cia Teatral”, um time de Minas Gerais – “Uma Companhia” e um time do Paraná – os “Risologistas”. Eles disputaram com os dois primeiros colocados do Carioca: os campeões – “Alcateia” e os vice-campeões – os “Ilimitada”.
O nível do Campeonato Brasileiro organizado pela Cia. de Teatro Contemporâneo este ano foi altíssimo e os jogos muito divertidos.
A disputa da terceira colocação entre “Protótipos” (Rafael Lohn, Leandro Costa, Daniel Zanella e Gustavo Gerard) de São Paulo e “Risologistas” (Adriano S. Brandão – Propício Alfredo Cruz – Santa Rita, Jhonatan Mazzo – Tupisco e Alan César – Pitucho) do Paraná foi de arrepiar. Os dois times jogaram muito bem e terminaram empatando na terceira colocação, em um jogo de puro cavalheirismo, onde as duas companhias sob aplausos da plateia dividiram a cena e depois a taça (literalmente) ao meio.
A final foi entre a excelente “Uma Companhia” (Diogo Horta, Fred Bottrel, Débora Vieira e Bella Marcatti) de Minas Gerais e o “Alcatéia” (Alessandro Valéryo, Ary Aguiar Jr., Danilo Maroja, Flávio Lobo,  Susana Soares e Kastello) do Rio de Janeiro. Um jogaço disputado ponto a ponto e conquistado pelo “Alcatéia” com um placar apertado (5 X 4).
Este ano tivemos ainda as apresentações de Leandro Alves com seu excelente solo de improvisação – “Estória de Ninguém” e dos “Risologistas” que fizeram um maravilhoso espetáculo de palhaçaria improvisado, satirizando muito do que havia ocorrido de marcante no campeonato.
O Campeonato de Improvisação organizado pela Cia de Teatro Contemporâneo já está mais maduro, claro que sempre existem pontos que poderiam e vão melhorar. Mas uma coisa é consenso entre participantes e organização. A marca registrada do campeonato 2010 foi a intensa troca de informações, entre os grupos e os laços de amizade e respeito pelo trabalho que aqui foram consolidados. Quem ganha com essa colaboração é o movimento do Impro no Brasil. Os times de fora já saíram com idéias de organizarem campeonatos regionais por estados, a exemplo do Carioca, e a promessa de voltarem para o Brasileirão de 2011 a fim de continuar trocando e crescendo juntos.
Um viva para o Impro!

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