Omar Galván estreia aquilo que vou chamar no meu blog de coluna de Artigos de Improvisação.

Já inúmeras vezes citado nesse blog, um dos maiores inspiradores de grande parte dessa geração de improvisadores brilhantes, Omar acumula mais de 16 anos de pesquisa e ensino na Improvisação Teatral, e já percorre todo o mundo com o seu Solo de Impro há 10 anos.

Trato aqui de expor minha opinião pessoal. Sua forma de perceber a Improvisação, ensiná-la e fazê-la enquanto arte, não somente humorística mas poética, crítica, onírica e filosófica, fazem dele certamente o mais impressionante improvisador que já vi em cena e em sala de aula.

Falaremos dele mais a frente, quando gentilmente concede uma entrevista, contando suas experiências pelo mundo da Improvisação e pelo mundo todo em si, conhecendo ainda mais pessoas, mais culturas, mais visões da Improvisação, engrandecendo ainda mais seu já tão vasto currículo e repertório.

Abaixo o link diretamente para seu site, com sua “Nota de Improtour”, para que possam lê-la e mais ainda ler as suas demais notas que eu sempre cito e recomendo.

Nota de Improtour: La Excepción Paulista

E logo a seguir, minha tradução na íntegra sobre um pedido que fiz de uma nota sobre sua recente passagem no Brasil, em que fez seu Solo de Impro, acompanhou a gravação do Programa É Tudo Improviso, deu workshops a alunos e aos atores do Jogando no Quintal, Barbixas e É Tudo Improviso e ainda jogou com os Barbixas, Marco Gonçalves e Marcio Ballas o espetáculo Improvável. Passou também pelo Rio de Janeiro, onde também deu workshops e fez seu solo de Impro na Cia. Teatro Contemporâneo.

Nesse artigo, traça um panorama da Improvisação paulista.

Mais uma vez, por essas e tantas coisas que pude aprender, muito, muito obrigada, muchas gracias, mestre Omar Argentino.

A exceção paulista

Existe uma regra jamais escrita no mundo da Impro, em algum ou alguns momentos (meses, anos, décadas) os grupos de uma mesma cidade, devem se dar mal ou muito mal entre si.

Seja por divisões conflitivas, por usurpação de “direitos de autor”, por somas de mal entendidos, por dinheiro desviado, por encontro de egos, ou pela razão que seja, é uma constante em ambas as costas do Atlântico.
Às regras correspondem exceções, e nesse microcosmos de Improvisadores, São Paulo parece ser a exceção. Jogando no Quintal e Barbixas são duas das companhias de improvisação mais exitosas na atualidade latinoamericana, convivem em uma cidade populosa e podem ser exemplo de amizade entre grupos que longe de competir, se complementam. Situação semelhante soubem alcançar o Impromadrid e Jamming na capital da Espanha.
O resultado dessa relação fraternal beneficia o trabalho de um e de outro, o trabalho se multiplica, o que não causa estranheza em ver um Jogando jogar Improvável, dos Barbixas, ou vice-versa.
Com esse ambiente me encontrei na última vez em São Paulo, em minha visita anterior (2008) os Barbixas ainda estavam mais próximos do laboratório que do sucesso atual. No final desse ano, os vídeos dos Barbixas superam as cento e cinquenta milhões de visualizações no youtube. Sim, cento e cinquenta milhões.
Eu tive o prazer de treinar e jogar com os dois grupos paulistas, em todas as oportunidades com mais de quatrocentos espectadores em sala. Inclusive meu Solo de Impro, produzido duas vezes pelo Jogando, encheu pequenas salas com uma divulgação quase exclusivemente virtual.
Os precursores Jogando eram exclusivamente Impro em forma de “clown”; com “Caleidoscopio” deixam o código do nariz vermelho e compõem um dos espetáculos mais belos da Improvisação deste continente. Barbixas é uma potência, precisa e preciosa máquina de “one liners”, se divertem e divertem com um produto cuidadíssimo; produto que é base e apoio para que, ainda portas adentro, investigar outras formas.

Talentosos improvisadores e gente sensível ao mesmo tempo. Não vão por ai se gabando de sua popularidade altíssima, de seus êxitos televisivos, nem de quem teria sido o primeiro esse ou aquele. Contagiam, somam, giram, aprendem, compartilham.

Como o crescimento implica bifurcação, outros grupos e subgrupos em São Paulo dão seus primeiros passos, aproveitando com alegreia e legitimidade a luz as duas companhias fortes vão dando à difusão da técnica.
Prometi a Lala, produtora, fã de Impro, amiga, investigadora incansável, uma nota sobre a atualidade da Impro no Brasil; sirvam essas linhas como minha impressão pessoal sobre a atualidade da Impro em São Paulo.
Em algumas horas, me fará uma reportagem para outro Blog de Impro. Está aqui, no Festival Los Improvisadores do Chile, junto aos Jogando… os Barbixas, por sua vez, terminam o ano de avião em avião fazendo espetáculos por todo Brasil, e em pouco mais de um mês improvisarão em Amsterdã, talvez com algum Jogando de convidado.
Aviões, gente e companhias cruzando-se, cada um com seu estilo, busca e preferência. A Impro vai, e os colegas brasileiros são exemplo acima e abaixo desse cenário, presumo tranquilo de sua amizade.

Omar no Jogando no Quintal

Omar antes de jogar o Improvável

Em seu Solo de Impro

Omar, Panqueque e Monica Moya (ambos do Colectivo Mamut) em divulgação do Festival Los Improvisadores

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