Category: Entrevistas


Tive a felicidade de conhecer Débora Vieira há poucos dias.  Vi pessoalmente, a mesma atriz que imaginava tão apaixonada pelas artes, em particular pela Improvisação Teatral. E é com essa mesma paixão, que ela relata aqui suas impressões sobre esse mundo da Improvisação Teatral e a luta para erguer seu espetáculo Dos Gardenias.

1)      Gostaria que vc começasse resumindo os trabalhos com os quais vc está envolvida hoje.

Eu faço parte da UMA Companhia, de Belo Horizonte, de cuja formação fiz parte. Trabalhamos com improvisação desde 2006, e temos 3 espetáculos em repertório, o Match de Improvisação, no qual eu atuo como jogadora e como juíza, e o Sobre Nós, do qual eu não faço parte, porque, quando da montagem, eu estava montando um outro trabalho de teatro, o espetáculo Cortiços, junto à Companhia de Teatro Luna Lunera, de Belo Horizonte. E, também, nosso último trabalho, que acabou de estrear, o Dos Gardenias Social Club (clipping), trabalho de minha concepção e direção, e no qual também atuo.

Além disso, também ajudo a coordenar as atividades da UMA Escola de Impro, aqui em Belo Horizonte. Oferecemos cursos regulares para pessoas com e sem experiência em teatro, e realizamos, com os alunos, aulas abertas e o espetáculo Mister Impro, na conclusão do semestre.

Minha dissertação de mestrado, em desenvolvimento no Poslit da UFMG, também é sobre improvisação. Eu estudo a dramaturgia da improvisação, propondo um estudo comparativo entre a comédia dell’arte e os espetáculos improvisados na atualidade, mais especificamente o Humor Mierda, do grupo mexicano Complot Escena, e também o Caleidoscópio, do Jogando no Quintal.

2) O que é Improvisação Teatral? Quais são os princípios em que se embasa?
Acho que a improvisação é um banquete composto de comida para todos os gostos… e eu ainda estou desfrutando a entrada. Há todo um mundo a ser descoberto no campo da impro, mas o que mais me instiga é a certeza de que, mesmo quando já estivermos saboreando a sobremesa, isso deve ser feito com os mesmos princípios do começo: a tranqüilidade, a generosidade com o que se experimenta e também com aqueles que compartilham da mesma mesa, a capacidade de degustar cada pedaço de cada prato. Vendo os grupos mais experientes, que muito me inspiram, percebo que toda a perícia e virtuose deles só é possível porque eles se aprofundaram nas premissas básicas da impro: a cumplicidade com o companheiro de cena, a sinceridade consigo mesmo e a disposição para desfrutar do trabalho que se realiza. A partir disso, o que mudam são os desejos artísticos de cada grupo, de cada artista, e é o que vai dar o tom de cada trabalho…


3) Como surgiu a Improvisação na sua carreira?

Surgiu em 2006, sem eu ter necessariamente escolhido isso. A Mariana Muniz, que há pouco havia voltado da Espanha, onde trabalhou durante anos com o Impromadrid, postulou uma vaga para dirigir a montagem do curso profissionalizante de teatro que eu fazia, no Centro de Formação Artística (CEFAR), do Palácio das Artes. Ela nos apresentou a linguagem, o treinamento, e dirigiu o Match de Improvisação. No meu caso, foi uma experiência cheia de altos e baixos, já que eu de cara me defrontei com muitos bloqueios. Mas eu resolvi agarrar o boi pelo chifre, já que tem muitas coisas que me atraem na impro. A impro vicia, não? A sensação de que se pode tudo (ainda que saibamos que não é bem assim…), de que se pode celebrar um encontro a cada cena… Isso é mágico!
Considero, também, que em 2009 a impro surgiu na minha vida por uma segunda vez, quando eu fiz uma oficina com o canadense Shawn Kinley. Na época eu morava no Chile, estudava a impro junto ao Colectivo Mamut, e acho que o encontro com o Shawn mudou todas as minhas perspectivas a respeito dessa linguagem.

4) Recentemente Allan Benatti comentava comigo a dúvida que tinha com relação à escassez de mulheres no Improviso. A que você acha que se deve essa constatação? Quais as contribuições diferentes que a mulher pode trazer para a Impro?

Bom, é uma pergunta curiosa, porque no começo do nosso grupo, éramos 10 atores, dos quais 7 eram mulheres. Quando participamos do nosso primeiro festival internacional, a convite do Jogando no Quintal, vários grupos comentavam o quão feminino era o nosso grupo! No Fimpro, que realizamos em 2008, e depois no Improfestin (Chile), tive contato com inúmeros outros grupos, e pude perceber que, de fato, a impro ainda é uma linguagem predominantemente masculina, e eu penso muito sobre isso. A questão de gênero é algo que me toca profundamente, tenho inclusive uma simpatia muito forte por algumas pensadores e artistas que atuam no campo do feminismo. E, nesse sentido, me coloco sempre a pergunta sobre qual seria uma expressão feminina na impro. Às vezes eu acho que, puxa, temos toda uma história do teatro construída por homens… os diretores, dramaturgos, encenadores, atores… Daí me questiono até que ponto a inserção das mulheres na produção cênica não se fez, também, por uma via masculina. Como se nós tivéssemos entrado para um jogo com as regras já mais ou menos estabelecidas, e não nos restasse muito a não ser seguir essas regras. Claro que falando assim a coisa parece muito rígida, e eu sei que os processos, sobretudo os artísticos, são mais dinâmicos…

Mas nesse campo entra a impro… a maioria imensa das cenas que eu assisto e que tratam, por exemplo, dos padrões de comportamento sexual, o fazem sob uma ótica masculina. E, quando há uma inversão, sinto que trata-se simplesmente de uma inversão que tem como ponto de partida o discurso anterior, ou seja, é uma inversão apenas caricatural, ilustrativa.

E isso me inquieta muito… No primeiro semestre de 2010, inclusive, comecei a desenvolver um trabalho de investigação nesse sentido, aqui em Belo Horizonte, com várias meninas interessadas no tema… 4 atrizes improvisadoras, dentre as quais 2 são palhaças, e uma bailarina. Os encontros foram poucos (a famosa agenda…), mas a vontade de ver qual é ainda é muita.
5) Quem são os improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?
Todos os meninos da UMA Companhia, por seguirmos juntos apesar da falta de recursos; o Assis Vidigal, parceiro na UMA, pela inteligência e generosidade; a Angélica Rogel, do Complot Escena, pela delicadeza forte, pela inteligência dramatúrgica; O Marcio Ballas, do Jogando, e o Panqueque, do Colectivo Mamut, pela eterna capacidade de me surpreender e me fazer sorrir; o Gustavo Miranda, do Acción Impro, pela versatilidade; o Marcelo Savignone, pela inteligência e pela técnica e, finalmente, o Shawn Kinley, mestre em todos os sentidos!
6) Quais companhias no mundo você acredita que hoje fazem os trabalhos mais incríveis?
Atualmente eu ando muito encantada com o trabalho do grupo Complot Escena. Acho que eles têm um domínio técnico incrível, e utilizam essa potencialidade sem abrir mão da diversão e da subversão da própria técnica. Poderia também citar grupos como Loose Moose e Second City, mas acho que prefiro escolher uma inspiração mais acessível, rs.
7) O que mais tem te trazido interesse na Improvisação hoje? Jogos de Improvisação ou Espetáculos mais LongForm?

Long Form. Os espetáculos de jogo – que ainda são a maioria nos repertórios dos grupos da América Latina – me cansaram um pouco, fico com a sensação de que é quase tudo muito igual. Acho que há muitos grupos acomodados com a grande receptividade do público para com essa modalidade. Eu até acho positivo, gosto muito do trabalho de diversos grupos, continuo achando um fenômeno muito significativo para o teatro. Mas no meu caso, já estou a fim de investigar outros matizes da impro…

8) Pra onde vai a Impro? (o futuro)

Acho que ela já está num caminho muito bacana… vejo muita gente se apropriando da técnica e fazendo dela um ponto de partida para investigações de outra ordem, e eu acho que é isso que vai manter essa linguagem viva e sempre interessante!

9) Quais são as dificuldades executivas de um grupo no mercado da  Improvisação? Como a UMA Companhia tem conseguido se estabelecer nesse mercado? Quais são as perspectivas e projetos do seu grupo?

No caso de Belo Horizonte, somos o único grupo que realiza uma pesquisa contínua no campo da improvisação. E acho que, pela nossa formação, e também por nossos anseios artísticos, sempre tentamos nos inserir no mercado teatral em sentido amplo. Nunca pensamos em criar um mercado (de produção ou de público) específico para a impro, o que tem suas vantagens e desvantagens, porque nos vemos num não-lugar criativo e também mercadológico: não realizamos um teatro “comercial” o bastante para termos sempre casa cheia e vivermos de bilheteria, tampouco um teatro “experimental” o suficiente para conseguirmos manter o trabalho do grupo via leis de incentivo.

De qualquer forma, o que eu posso dizer a respeito da realidade do mercado relaciona-se mais com o cenário das artes cênicas do que especificamente da improvisação teatral.

Acho que as políticas públicas para a cultura no Brasil ainda engatinham. No caso de Minas Gerais, engatinham usando patinete: são tímidas e inconstantes. Acho que falta conscientização da classe artística a respeito do potencial mercadológico da produção cultural, e falta também competência aos gestores públicos para perceber que o investimento na cultura gera empregos, circulação de capital, além de uma imensa gama de valores agregados, tudo isso com um baixo impacto ambiental. Paralelamente à escassez de recursos, a demanda por financiamento tem crescido muito… Tudo isso dificulta bastante o nosso trabalho.

No caso específico da impro, eu não disponho de dados concretos para fazer uma análise do mercado da improvisação no Brasil. Acho que poucos grupos conseguem sobreviver do trabalho com a impro atualmente no Brasil.

Nós temos quatro anos de trajetória, e até hoje, posso afirmar que pagamos para fazer o que fazemos. Fizemos neste segundo semestre uma temporada de um mês [sexta a domingo] em um teatro daqui de BH, começamos com uma média super pequena de público e encerramos a temporada com casa lotada. No fim das contas, só conseguimos cobrir as despesas com teatro, divulgação, direção, produção…

Além disso, custeamos um investimento constante em nossa formação: oficinas, participação em festivais nacionais e internacionais (ressalte-se que 4 membros do grupo realizam pesquisas acadêmicas a respeito da impro).

E ainda pagamos aluguel de espaço para ensaiar e financiamos com nosso próprio esforço e dinheiro nossos dois longforms.

A realização do Dos Gardenias Social Club só foi possível porque fomos aprovados em um edital da Cia Clara, de BH, que nos ofereceu local de ensaio e de apresentação, além do material de divulgação.

Conseguimos um apoio de R$2.000,00 e realizamos, na cara de pau, uma vaquinha virtual, pedindo aos amigos que contribuíssem. A vaquinha nos rendeu a grata surpresa de R$1000,00, e com isso pagamos o cenário. Então, com R$3000,00, somados à imensurável dedicação de improvisadores, professores de dança, iluminadores e músicos (que também trabalharam sem receber nada, nem ajuda de custos), conseguimos erguer um trabalho do qual eu tenho muito orgulho… não apenas pelo resultado, mas pelo que significa, hoje, trabalhar com teatro e com impro no Brasil.

Estamos trabalhando incessantemente para reverter este quadro, e temos ótimas perspectivas para o ano de 2011. Evoé, impro!

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Mateus Bianchim é um ser livre. Dotado de uma capacidade de desprendimento e de busca pelos seus sonhos, acompanhei desde que o conheci, suas diversas decisões de mudanças corajosas em busca do seu sonho de aprendizado e de trabalhar com excelência no universo da Improvisação Teatral. Muitas pessoas podem falar de desejar serem livres, mas creio que tive a oportunidade real de conhecer quem de fato vai buscá-la além de todos os limites. Nessa entrevista também livre e polêmica, expõe seus pensamentos sobre a improvisação sob seu olhar bastante crítico.

1) Gostaria que vc começasse resumindo os trabalhos nos quais vc está envolvido hoje. Farei um pequeno resumo para te apresentar.

Moro em Belo Horizonte e agora faço parte de projetos da UMA Companhia, respeitada como poucas no cenário da impro Brasileiro. Acabamos de estreiar o espetáculo “Dos Gardenias Social Club” que é um long-form inspirado no Bolero, na casa de baile e nas relações possíveis nesse lugar.

Fora isso, participarei da temporada do Match de Improvisação, também da UMA e estou na direção do IMPROLIVRE, baseado na oficina que tive com Frank Totino, e que apresentamos em bares de belô.
2) O que é Improvisação Teatral? Quais são os princípios em que se embasa?

A Impro é um solo fértil e amplo. Ela se trata de teatro; e o teatro, e a arte, estão além dos limites que a tevê ou o mercado infelizmente impõe. A impro pode dar minas de ouro e ali se projetarem várias pessoas em busca do que já está pronto; uma Serra Pelada. Mas também tem outros lugares onde se pode plantar, arando e fertilizando o solo, jogando sementes e errando a época da colheita, até achar um fruto bom e duradouro pra se deliciar e se vender. Acima de tudo se deliciar e fazer deliciar.
3) Como surgiu a Improvisação na sua carreira?

Fui integrante da Imprópria Cia Teatral, éramos todos (ou quase) formados em Artes Cênicas na Universidade Federal de Ouro Preto/MG. Lá tivemos contato com a Mariana Muniz, que é a fundadora da LPI em BH, que agora é a UMA. Ela desviou nosso caminho pra sempre em direção à Impro!
4) Quem são os Improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?

Minha improvisação se inspira no cotidiano. Procuro não mais me espelhar no trabalho que os outros fazem, mas também não me preocupo se isso acontecer. Acho que o Brasil tem bons improvisadores, mas que ainda estão engatinhando e descobrindo o que estão fazendo.

5) Quais companhias no mundo você acredita que hoje fazem os trabalhos mais incríveis?

Acho que os que estão há algum tempo na estrada, e que não precisaram mais se vender, nos apresentam uma maturidade que vai além da virtuose. Mas o mundo é grande.

6) O que mais tem te trazido interesse em Improvisação hoje? Jogos de Improvisação ou espetáculos mais long form?

Pra mim os jogos estão mostrando cada vez mais que se limitam a jogos mesmo, onde o privilégio é mostrar o quanto se é esperto e rápido, coisa que acho dispensável até no processo de educação infantil.
Eu busco poesia em cena, nas minhas oficinas eu procuro trabalhar isso, a sensibilidade das relações, uma obra completa e interessante de se ver com a vantagem da espontaneidade do improviso, da verdade de cada ator aberta em flor, exposta.
E quando falo de espontaneidade, falo da questão mais animalesca da coisa e não dessa “primeira idéia” que vem sido utilizada na impro brasileira.
7) Qual é o princípio da Improvisação que é hoje mais motivo de investimento e pesquisa hoje no mundo?
O mercado exige que você venda. O que mais vende são espetáculos de impro-cômica, explorando a rapidez da piada e a satisfação de desejos sádicos de uma platéia burguesa. Eu não vendo mais improvisação.

O que pesquiso e se pesquisa a fundo no vasto mundo, é a emancipação do ser-ator e do ser-público através de uma metodologia libertária que é a do Keith Johnstone. Mas essa liberdade permite que o sistema a subverta, como ele faz com movimentos sociais desde sempre (transformar o punk em moda, por exemplo), e que vem tendo a complacência de “atores” que desejam o poder da fama e do dinheiro.

8) Quais são as dificuldades executivas de um grupo no mercado da  Improvisação? Como o UMA Companhia tem conseguido se estabelecer nesse mercado? Quais são as perspectivas e projetos do seu grupo?

Nenhum grupo que fiz parte teve facilidade em ganhar dinheiro com teatro. Eu fui dirigido pelo Chico de Assis do Arena e ele me disse uma vez que ator pra ter dinheiro precisa ter um três oitão na cintura dentro de um banco. Existe um consumo, mas você tem que se submeter ao desejo do consumidor. E me submeter não é coisa que quero fazer se puder não fazer. Existem leis e editais, mas são poucos e privilegiam poucos. Eu gosto muito de usar o exemplo do Simioni, do LUME. Eu tive aulas com ele e vi uma apresentação de um espetáculo belíssimo solo dele em Ouro Preto. No final, quando perguntado se ele poderia fazer aquele espetáculo, que pesquisava uma coisa muito íntima, difícil de ser entendida, sem ele ser “o” Simioni, ele disse que com certeza não. Ou seja, a pesquisa só é viável para quem tem nome: ou quem se submeteu e cansou de se submeter (mas esse perderá seu público em pouco tempo) ou para os que não desistiram de seus sonhos e agora tem público cativo.

9) Para onde vai a Impro (o futuro)?
Cada vez mais e mais pessoas vão se interessar e fazer Impro, assistir, pesquisar. Somos muito novos no conhecimento dessa linguagem, vejo grandes nomes que estão aí há 30 anos!!! É um território muito amplo para se fazer, para se buscar, quem tem verdade e gosta do que faz durará.

Nesse final de semana, Mateus dará uma oficina de Improvisação em São Paulo. Informações seguem no cartaz abaixo.

Abaixo a participação de Mateus no Mr. Impro (Micetro), espetáculo de Improvisação formato de Keith Johnstone, promovido no Improfestin do Chile en 2009, jogando Irmãos Siameses. Com participação de David Sanin Gaviria do Acción Impro, Angélica Rogel do Complot/ Escena e Monica Moya do Colectivo Teatral Mamut. Apresentação de Mario Escobar Olea do Bassusseder/ Soloy Simple Teatro  e direção de Shawn Kinley do Loose Moose.

Continuando meu overview pelas novas safras da Improvisação Brasileira, entrevisto hoje Rafael Lohn. Diretor do terceiro colocado do Campeonato Brasileiro de Improvisação, o Grupo Protótipo, Rafa Lohn é outro polivalente na improvisação.

Abaixo, permito que ele próprio conte de sua trajetória na Improvisação e a história do seu grupo.

BIOGRAFIA

Minha veia racional e minha veia artística sempre andaram juntas e foi praticamente natural sair do colégio para cursar simultaneamente Cinema (FAAP) e Matemática Aplicada (USP).
O caminho da matemática me levou para o mundo da lógica, informática e cultura nerd. Sempre enxerguei a matemática, assim como o cinema, como uma linguagem. Uma linguagem elegante, bela e que também tem espaço para a criatividade e inspiração.
O caminho do Cinema incluiu muitos filmes e também muito trabalho com fotografia. Participei de exposições e festivais e estudei com grandes fotógrafos como o René Burri e  o Ralph Gibson.
Além da minha formação na FAAP, estudei na Academia de Cinema de Praga (FAMU). Lá me aprofundei na cinematografia da Europa Oriental, análise de roteiro, estrutura narrativa e direção. Pude trabalhar com diversos diretores e tive oficinas fenomenais como a de direção de atores com a Lenore DeKoven. Também lá dei uma série de aulas de Cinema Brasileiro.
O engraçado é que eu rapidamente virei o ‘louco’ entre os matemáticos e o ‘nerd’ entre os cineastas. Tal qual o ditado ‘em terra de cego quem tem um olho é rei’, sempre que encontrava um emprego de um ‘lado’ o meu ‘outro lado’ chamava a atenção. É o caso do Cineboteco aonde fui contratado cuidar do conteúdo e acabei diretor de tecnologia. Enfim, abri minha própria empresa de desenvolvimento de software para atender tanto o Cineboteco como outros clientes.
Uma outra frente foi trabalhar com adolescentes. Passei muitos anos com o CISV, fui monitor de acampamentos em diversos países do mundo e, aqui no Brasil, dou aulas de cinema em colégios.
Minha vida de improviso começou por acaso, em um curso de Clown com o Márcio Ballas. Depois de dois anos com ele veio o curso do Ricardo Behrens e foi então que decidi montar meu próprio grupo de Improviso. Daí começou a jornada de aprender buscando diversas oficinas (Marcio Ballas, Rhena de Faria, Mariana Muniz, Ricardo Behrens, Bete Dorgam, Patch Adams, Pablo Pundik, Gustavo Ángel, Catalina Hincapie, Hacho Badaracco, Ariel Frost, Leandro Calado, Omar Galvan, Mario Escobar, Luis Louie, Frank Totino …) assistir tudo quanto é espetáculo, devorar toda literatura que encontrava e passar tudo isto para toda gente que foi aparecendo no grupo! De brinde, naquele ano fui contratado para filmar o trabalho do Jogando no Quintal e pude estudar o trabalho deles.
Depois deste um ano, o grupo estabilizou com a cara que temos hoje e, com algum conhecimento acumulado, começamos a trilhar o nosso caminho do Prótotipo. Desde 2007 nos apresentamos mensalmente e para este ano queremos mais!
Improvisando:  Gostaria que vc começasse resumindo os trabalhos nos quais vc está envolvido hoje.
Eu dirijo e me apresento com o Grupo Protótipo de Improvisação. Ainda no improviso, dou oficinas para grupos e empresas e estou pesquisando um novo espetáculo para o grupo.
Também tenho uma empresa de  desenvolvimento de software, Partisan e sou professor de Cinema no colégio Móbile.
Improvisando: O que é Improvisação Teatral? Quais são os princípios em que se embasa?
Improvisação Teatral é o desenvolvimento espontâneo de histórias. Os fundamentos da Impro são a escuta e a aceitação. Escuta e aceitação do outro, do ambiente e de si. Que é uma forma de dizer que a criação é natural, basta que você a perceba e não a bloqueie. Com isso em mãos, o resto é refinamento.
Improvisando:  Como surgiu a Improvisação na sua carreira?
Em 2004 minha irmã estava tendo aula de trapézio no Galpão do Circo. Ela ficou sabendo de um workshop de Clown que o Marcio Ballas ia dar e fez minha ficha de inscrição de brincadeira, ela sempre brincou que eu era palhaço.
Eu fiz o tal workshop e adorei. Emendei na turma regular do Marcio e fiquei um tempão. Aliás, fiquei até ele me expulsar! Chegou um dia que ele me falou que eu já conhecia todo repertório dele que tava na hora de eu ir embora. Aproveitei a deixa para ir atrás de outros cursos. Não lembro, mas deve ter sido nesta época que estudei com a Bete Dorgam.
Em 2006 o Jogando no Quintal trouxe para o Brasil o Ricardo Behrens da LPI. Eu fiz uma oficina com ele e foi a revelação. Quero fazer improviso! Juntamos os interessados que fizeram a oficina, outros alunos do Marcio, alguns amigos e, com a vontade de montar uma LPI no Brasil, começamos a nos reunir.
Simultaneamente, ou seja, quando o Ricardo Behrens estava no Brasil, eu dei uma baita sorte que eu tinha recém terminado minha graduação em Cinema e o Márcio me ligou pedindo que eu filmasse o treino que o Ricardo daria para o Jogando. Quando entreguei o DVD do workshop para o Jogando eles gostaram e me pediram para filmá-los todo mês. Topei! Além de assistir a pencas de apresentações do Jogando, acompanhei alguns treinos, aquecimentos, discussões, camarins.. E, tendo que preparar os DVDs, vi e revi todo o material diversas vezes. Foi uma época em que aprendi muito, Um privilégio mesmo. Passei um ano inteiro gravando.
Este mesmo ano que passei gravando, comecei o processo de pesquisa e aprendizado do grupo. Começamos nos reunindo em um salão de festas, logo depois migramos para a, gentilmente cedida, sede do Jogando. Quando resolvemos aumentar o número de encontros passamos a alugar um espaço na Vila Madalena e, depois de um ano, inauguramos nossa própria sede.
Foi um período bem louco. Eu tinha minha experiência de Clown e um workshop do Ricardo e logo estava dando treino para os diversos sub-grupos da nossa turma. Eram 5 treinos por semana! Tinha muita gente. Devem ter passado umas 40 e tantas pessoas pelo grupo.
Por sorte, o Jogando no Quintal trouxe muita gente bacana para dar treino para eles e eles foram muito generosos conosco. Aproveitamos todo mundo que apareceu em SP e treinamos com gente do Accion Impro, do ImproMadrid, da LPI Argentina, a Mariana Muniz.. Também treinamos com o Marcio e com a Rhena.
Com a bagagem de acompanhar o Jogando, este monte de oficinas, diversos livros e muita tentativa e erro, em março de 2007 começamos a nos apresentar em público. Aí o nosso NEI (Núcleo de Estudos de Improviso) deu luz ao Grupo Protótipo.
Improvisando: A sua trajetória profissional é bastante polivalente. De que forma o cinema, a informática e as exatas influenciam seu exercício como Improvisador? De que forma a Improvisação o influencia nas demais carreiras?
Depois de tantas apresentações e tantos treinos, me sinto muito tranqüilo em situações novas. O trabalho de escuta, foco no presente, memória.. está cada vez mais internalizado e passei a confiar de que minha mente vai prestar atenção e irá resgatar a informação necessária na hora certa. E, incrível, funciona. O humor também ficou mais refinado e ágil, o que ajuda com os clientes e alunos. Mas a principal influência hoje da Impro na minha vida é que dedico cada vez mais tempo a ela e, portanto, menos as outras coisas.
O mundo das exatas trouxe para o Protótipo (temos mais membros de exatas no grupo) um grande enfoque em entender tudo o que fazemos. O que funciona, o que faz com que funcione, o que podemos variar e ainda manter funcionando.. Nós teorizamos muito! Lembro que láááá no comecinho do grupo, quando a Rhena veio nos ver, ela achou curioso que nós entendíamos muito e isto era um problema. Pois entender o que funciona, não é o suficiente, tem de praticar, e nossa prática estava muito aquém da nossa compreensão. Ela falou algo como ‘é como se vocês já entendessem tudo de jazz e agora querem começar tocando Miles Davis ao invés de praticar marchinhas’. Ela tinha razão. Mas nossa cabeçudice ajudou bastante a traçar o caminho dos  treinos, ajudou a descobrir o que precisamos desenvolver e como fazê-lo.
O Cinema contribuiu de diversas formas. A principal foi um bom conhecimento de estrutura narrativa. É algo que me ajuda muito em cena e é onde contribuo mais. É também algo que trabalho bastante com o Protótipo pois na minha visão a história e como ela é contada é a medida do sucesso de uma cena. Também estudei direção, e ainda especificamente direção de atores, o que sem dúvida ajudou a dirigir o grupo e construir o espetáculo.
Por fim, eu valorizo cenas que tenham repertório e o Cinema foi algo que aprofundou muito o meu. Obviamente já era um apreciador do ‘cult’ antes de entrar na faculdade.. Hoje o grupo me alopra: estudei cinema em Praga e conheço cinema Tcheco, Polonês, Húngaro, Estoniano… Claro que não adianta citá-los em cena, mas conhecer tanta diversidade de histórias e pessoas me ajuda a enriquecer as cenas que participo.
Improvisando:  Quem são os Improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?
O Ricardo Behrens além de ser o padrinho do grupo, é um improvisador fenomenal. Sem dúvida um mestre que nos estimula bastante.
Mesmo anos depois, continuo impressionado com a qualidade das cenas que vi do ImproMadrid. O Omar Argentino me deixou boquiaberto com sua apresentação solo as duas vezes que vi. O Colectivo Teatral Mamut também foi deslumbrante.
O Jogando no Quintal inspira a poder viver de Improviso no Brasil.
Também volta e meia volto a fonte e re-devoro o Impro do Keith Johnstone.
Improvisando:  Quais companhias no mundo você acredita que hoje fazem os trabalhos mais incríveis?
Além dos excelentes ImproMadrid e Mamut tenho que destacar o Acción Impro. Eles não apenas dominam os jogos como fazem um incrível long form dramático, o Triptico.
Eu também admiro como o Jogando no Quintal, além de conseguir juntar Clown e Impro, desenvolveu um espetáculo que vai além dos jogos e é extremamente envolvente.
Improvisando:  O que mais tem te trazido interesse em Improvisação hoje? Jogos de Improvisação ou espetáculos mais long form?
Long form! No momento é mais desafiador e permite resultados magníficos. É um reflexo da minha paixão por histórias. Os jogos são divertidos mas muitas vezes sacrificam a história. Na verdade, nesta comparação, o importante é que prefiro histórias à jogos independemente da duração das cenas. O nosso começo de trabalho com long form no Protótipo me deixou muito animado. Temos uma criação nascendo…
Improvisando:  Quais princípios em que se embasa a Improvisação que é hoje são mais motivos de investigação e pesquisa?
Nosso grupo é muito verbal e devemos trabalhar mais o uso do nosso corpo, composição do espaço e uma maior sutileza no que desenvolvemos. Me fascina o quanto podemos transmitir com olhares, gestos ou mesmo um texto que é cotidiano mas expõe toda uma dinâmica entre os personagens. Também, com o long form em mente, pesquisamos um novo ritmo de cena e maior profundidade nos personagens e suas relações.
Improvisando: Para onde vai a Impro (o futuro)?
Meu palpite é que atual onda que tornou o improviso bastante popular ainda deve continuar um pouco. O que é ótimo. Temos cada vez mais gente brincando e aprendendo. Assim a tendência é que tanto o público quanto os grupos se tornem cada vez mais exigentes e, em um círculo virtuoso, tenhamos cada vez mais espetáculos novos, diferentes e melhores!
Improvisando:  Quais são as dificuldades executivas de um grupo novo no mercado da Improvisação? Como o Protótipo tem conseguido se estabelecer nesse mercado? Quais são as perspectivas e projetos do seu grupo?
A maior dificuldade é atrair o público. Divulgar teatro me parece difícil como um todo, divulgar sem verba um elenco de desconhecidos então…é dureza. O boca-a-boca para grupos de improviso é algo que funciona bem: normalmente quem gosta volta com novos amigos, mas, sozinho, é relativamente lento. Um detalhe que ainda me impressiona é a quantidade de gente que não arrisca assistir nenhum espetáculo de improviso com medo de ser obrigado a se expor.
Acho um mérito incrível do Improvável como eles conseguiram romper a barreira da divulgação com vídeos semanais de alta qualidade, convidados e um belo site.
O Protótipo nos primeiros anos foi cautelosamente se apresentando uma vez por mês e com uma produção caseira. Este ano resolvemos nos dedicar e aparecer ainda mais. Fizemos no 1o semestre uma temporada semanal e agora estamos no 2o semestre de volta em cartaz com mais apresentações semanais. Além do aumento do número de apresentações buscamos e realizamos mais oficinas e eventos corporativos. Também participamos do Campeonato Brasileiro de Impro que foi uma ótima oportunidade de conhecer, conviver e jogar com muita gente muito boa e gente muito boa gente (e trazer o bronze!). Enfim um ano em que tivemos uma maior visibilidade o que ajudou a consolidar e divulgar a nossa imagem.
Também investimos em novo cenário, figurino, site… Para o próximo ano pretendemos melhorar ainda mais toda produção e, creio, não escaparemos de um investimento real em divulgação. Certamente aumentaremos o número de oficinas e eventos e, além de continuar com o nosso espetáculo, há uma vontade de estrear um novo!
Começar a buscar leis de incentivo e patrocinadores também está nos planos, alguém aí está interessado?
O Grupo Protótipo está em cartaz no Teatro Bella, na rua Rui Barbosa, 399 , São Paulo, todas às sextas feiras 22h até dia 17/12.
Abaixo uma intervenção do grupo na semana de recepção do IME/ USP.
Flávio Lobo é polivalente. Além de professor de biologia é professor de Improvisação na Cia. do Teatro Contemporâneo e está à frente do Grupo Alcatéia de Improvisação, bicampeão carioca e atual campeão brasileiro, título esse recentemente conquistado no Campeonato Brasileiro de Improvisação que ocorreu no último fim de semana no Rio de Janeiro. Flávio também é responsável pela notícia de improvisação com o resumo desse campeonato exclusivo para esse blog.
1) Improvisando: Gostaria que vc começasse resumindo os trabalhos nos quais vc está envolvido hoje.
Atualmente ministro aulas de improvisação no curso livre e no curso profissionalizante da Cia de Teatro Contemporâneo. Também trabalho no Colégio Eduardo Guimarães como professor de ciências, biologia e improvisação teatral onde ministro aulas de improvisação para as classes especiais (O EG é uma escola inclusiva) e realizo uma pesquisa sobre como a improvisação pode auxiliar no ensino formal. 

Estou a frente do Grupo Alcateia de Improvisação, atual campeão Carioca e Brasileiro de improvisação onde trabalho como ator e treinador e é produzido por Fabiola Mozine. O Grupo está preparando dois espetáculos um de cenas curtas e outro no formato de cenas longas improvisadas. Ambos para estreiar em 2011 na cena carioca.

2) Improvisando:  O que é Improvisação Teatral? Quais são os princípios em que se embasa?
Para  mim a improvisação teatral é um ótimo treinamento para qualquer ator, e até mesmo para qualquer pessoa, pois seus fundamentos como a escuta, o cavalheirismo e a aceitação são princípios básicos para que se construa boas relações em cena e na vida. Criar cenas, assim como conviver em grupo é algo muito difícil e requer muita conexão entre seus componentes para que tudo ocorra bem.
3) Improvisando: Como surgiu a Improvisação na sua carreira?
A improvisação vai surgir na minha vida na década de 90 onde eu fazia uma peça chamada Terror na Praia. A ideia desse espetáculo surgiu quando a produtora Mariah Martinez assistiu a um show de impro na França e , mesmo sem entender nada, achou bacana uma disputa teatral onde a platéia atirava chinelinhos de borracha nos atores (na verdade era nos juízes) em uma disputa teatral.
No Terror, que tinha como base o teatro circo da década de 50, tinhamos uma peça principal com o gênero terror seguido de um ato variado com esquetes, mágicos e malabaristas. O espetáculo era quase todo improvisado a partir de um roteiro básico, pois tanto a peça, quanto o ato variado mudava a cada semana. Durante o ato variado, o ápice era uma disputa do “pior esquete”. Dois grupos de atores disputavam uma cena onde o público jogava chinelos de espuma naquelas que achavam a pior. Esta seria a escolhida da semana e encenada na íntegra na semana seguinte. O Terror foi uma grande escola embora não tivesse quase nada do Impro de verdade.
Em 2003 a atriz e diretora Gabriela Duvivier veio da Europa trazendo em sua bagagem as técnicas de Keith Johnstone. Ela ofereceu uma oficina e formou um grupo de atores. Foi meu primeiro contato real com teatroesporte e dessa oficina surgiu o “Teatro do Nada” uma das primeiras companhias cariocas de improvisação, que está na cena até hoje. Quando o “Nada” se formou eu estáva envolvido em pesquisas sobre o impro, tinha acabado de ler o “Impro for Storytellers” e muito empolgado. Assim resolvi fazer encontros, com auxílio da produtora Fabiola Mozine,  onde divulgávamos e treinávamos as técnicas, gratuitamente para quem quisesse participar. Nessa época fui convidado a fazer parte do espetáculo “Nada Contra” do “Teatro do Nada”, como Juiz Técnico e comecei a trabalhar na Cia de Teatro Contemporâneo, onde Iniciamos as primeiras versões do Campeonato Carioca de Improvisação.
Nesse meio tempo, até hoje, participei de inúmeras oficinas e workshops de improvisadores que passaram por aqui como Ana Paula Novellino (Teatro do Nada), Ricardo Behrens (LPI Argentina), Fernando Caruso (Z.E. Zenas Emprovisadas), Matheus Bianchim (Imprópria Cia Teatral), Omar Argentino (Improtour), Edson Duavy (Anônimos da Silva), Pedro Borges ( Improváveis – Portugal) e Bobbi Block (Groove and Tongue – Philadelphia)  e também ministrei oficinas no Rio, São João del Rey – MG e Villa Velha – ES.
4) Improvisando: A sua trajetória profissional é diversificada. Se bem compreendi você vem da área das ciências (biologia). Como sua formação influenciou na sua atuação. E quanto da improvisação contribuiu na sua carreira?
A improvisação no geral e o impro em particular é uma técnica onde o ator deve trabalhar com o máximo de conhecimento que possa contribuir com a cena. Adoro estudar. Sou formado em biologia, professor, ator, jogador de RPG, colecionador de quadrinhos desde adolescente e um devorador de livros e filmes, em suma, o típico “NERD”. Logo o Impro, para mim é uma evolução natural. Tento levar para os jogos de impro os detalhes adquiridos por minha vivência, assim como tento levar o Impro para a sala de aula. Acho que é uma boa troca e os resultados em ambas as áreas de atuação é extremamente satisfatório.
5) Improvisando: Quem são os Improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?
São muitos. Hoje em dia eu citaria Keith Johnstone (que eu conheço apenas pela obra), Ricardo Behrens, Omar Argentino, Allan Benatti e Edson Duavy.
6) Improvisando: Quais companhias no mundo você acredita que hoje fazem os trabalhos mais incríveis?
Não saberia lhe responder sobre as melhores companhias do mundo. Pois as conheço apenas pela literatura e alguns vídeos do youtube. Porém no Brasil, daquelas que eu vi atuando, as melhores companhias que estão na cena hoje em dia na minha opinião são, independente da ordem: “Uma Companhia” (MG), “Jogando no Quintal” (SP),  e claro o “Grupo Alcateia” (RJ). No campeonato Brasileiro de improvisação me impressionaram também o jogo dos “Protótipos” e do Sustentáculos (SP) e dos “Risologistas” (PR).
7) Improvisando: O que mais tem te trazido interesse em Improvisação hoje? Jogos de Improvisação ou espetáculos mais long form?
Estou trabalhando com o Alcateia as duas vertentes.Gosto muito dos jogos de improviso. Mas acho que eles acabam limitando a improvisação pelo excesso de regras (que é bom para iniciantes). A tendência natural dos improvisadores mais experientes é buscar formatos mais longos e livre de amarras onde se prioriza a dramaturgia e o aprofundamento das relações entre os personagens.
8.) Improvisando: Quais princípios em que se embasa a Improvisação que é hoje são mais motivos de investigação e pesquisa?
A noção de ciclo de espectativas, que está relacionada diretamente com o conhecimento no assunto sobre o qual se fala durante a improvisação. A escuta e a aceitação – fundamentais para a construção de cenas em grupo e as noções teatrais de memória emotiva, memória afetiva e construção de personagem. Fundamentais para uma cena mais longa.

9) Improvisando: Para onde vai a Impro (o futuro)?

A impro é uma fonte inesgotável de pesquisa. Acredito que pode se originar inúmeros formatos de espetáculos e no futuro acho que muitas empresas utilizarão as técnicas para o treinamento de seus funcionários e professores as utilizarão para facilitar a aquisição de conhecimento por parte dos alunos. Além do mais é um formato teatral totalmente aberto e muitos grupos a utilizarão para formatar seus espetáculos. E é claro surgirão os campeonatos, encontros e festivais de improvisação, fonte permanente de troca de conhecimento entre os entendidos e os neófitos.

Na seqüência, vídeos do Alcatéia em ação, contra o Anônimos da Silva no Brasileiro do último ano e contra o Ilimitada no Campeonato Carioca de Improvisação.

Andrei Moscheto, antes de tudo, é um sujeito excepcional. Na feliz oportunidade que tive de conviver com ele quase uma semana, conhecendo de perto pessoa e trabalho, posso dizer que a qualidade do que se vê em cena, não é mais do que reflexo de um ser humano talentoso, dedicado, humilde e doce como poucos. Deixarei que ele mesmo possa aqui contar sobre a sua trajetória até esse momento e a trajetória da sua companhia teatral Antropofocus™, que comemora dia 28 de outubro, dez anos de um trabalho incrível.
Improvisando: Gostaria que você fizesse uma pequena introdução autobiográfica e situasse seu trabalho desse momento. Fale também um pouquinho da origem e do atual momento do Antropofocus?
Vamos improvisar aqui a difícil tarefa de escrever respostas e tentar parecer natural, como se eu estivesse respondendo essa pergunta oralmente ao vivo e a cores.
Sou natural da cidade de Joinville-SC, onde comecei a fazer uma oficina de musicalização num lugar chamado Casa da Cultura. Diz a lenda – ou seja, minha mãe – que as vezes eu sumia da aula e era encontrado assistindo aulas de teatro pela janela.
Me mudei em 86 para Curitiba. O teatro continuou a ser um “coisa de escola”, até que virou coisa séria no ensino médio. Comecei a trabalhar com bicos para companhias profissionais, e ao mesmo tempo cursava oficinas de teatro. Em 94, fui fazer um intercâmbio no Japão, onde morei um ano com uma família japonesa, experiência incrível que deixou boas marcas na minha vida. Quando voltei a decisão de fazer teatro como profissão era certa.
Em casa nunca houve pressão para não fazer teatro. Meus pais só exigiam que eu não abrisse mão de uma educação formal. Em 96 comecei a cursar um bacharelado em Interpretação na UNICAMP, que não concluí. Apesar das boas aulas, era difícil trabalhar com teatro em Campinas. O trabalho em teatro estava em São Paulo e eu não tinha os meios de ficar indo e voltando pra lá. No ano seguinte, quando houve uma oportunidade de fazer uma peça em Curitiba, voltei para casa – para total desespero dos meus pais, que não viam com bom olhos o fato de seu filho abrir mão de um diploma de uma instituição tão prestigiada quanto a UNICAMP.
Antes de parar de falar de Campinas, é bom lembrar que foi lá que trabalhei na montagem de formatura da turma de 96, que foi dirigida pelo Hugo Possolo dos Parlapatões. Conhecer o trabalho dos Parlapatões abriu os olhos para a possibilidade da pesquisa em humor no Brasil.
Em Curitiba, entrei na FAP – Faculdade de Artes do Paraná – em 1999, depois de ser obrigado a refazer o vestibular por uma dessas imbecilidades técnicas que protocolos de faculdades públicas tem. Foi na faculdade que encontrei todos os atuais integrantes do Antropofocus™, pois eramos quase todos colegas de sala. A faculdade tinha (têm!) uma séria deficiência no trabalho com a comédia. Tanto a experiência na UNICAMP, como a experiência na FAP (onde, anos depois, eu seria professor por um período curto de um ano e meio) deixaram a forte impressão de que o mundo teatral rejeita a priori trabalhos cômicos, por serem considerados um gênero “menor “. Sempre comentamos que, na nossa experiência do Antropofocus™, lembramos de ter tido algumas aulas com jogos de improvisação e aulas teóricas sobre Comedia Dell’Arte. Fora isso, em quatro anos de estudo, mais nada.
Foi no segundo ano que tivemos a idéia de fazer um evento de cenas cômicas. Nosso sonoplasta, o Célio Savi, que era meu amigo antes da FAP, teve a iniciativa de convidar alguns colegas para fazer isso na cidade natal dele, Castro, bem próxima a Curitiba. Isso foi o ponto de partida para ir para a sala de ensaio com alguns dos nossos colegas que queriam fazer um trabalho cômico, mas não sabiam por onde começar. Levamos duas cenas para o evento em Castro, que fizeram sucesso imediato. Sabíamos que tínhamos algo precioso em nossas mãos, só não sabiamos que duraria por mais de 10 anos.
O grupo surgiu dentro da faculdade e na cidade de Curitiba, dois contextos que moldaram seu futuro. Na cidade o que imperava – impera ainda – eram produções de comédia com nomes bastante sugestivos e gosto duvidoso, recheadas de palavrões para agradar facilmente o público. Principalmente: quando assistíamos a essas produções, não achavamos nada engraçado. Começamos a pensar se o palavrão era um recurso tão extremamente necessário a comédia quanto faziam parecer as produções locais. Foi um desafio lançado na criação do grupo, e ainda hoje, de produzir espetáculos que não usem desse recurso para fazer a platéia rir. Tomamos bastante cuidado ao falar disso para não parecer que essa foi uma decisão religiosa, que algum de nós tem problemas com isso. Sempre buscamos novos desafios a cada projeto, porque… Gostamos de problemas! hehehehe
Sempre, a cada novo projeto, o objetivo é nos desafiarmos a fazer algo novo e difícil. Consideramos que o Antropofocus™ é o oásis onde podemos fazer a nossa pesquisa com cuidado e levar para o público no tempo certo. Tudo isso sempre levando em conta que haverá um público, no final do processo, para ver essa pesquisa.
Improvisando: O que você entende por Improvisação Teatral? Quais são os princípios base que você considera importantes?
Entendo por improvisação Teatral o processo dinâmico que é usado para estabelecer relações e conexões entre atores + Platéia, sem o uso de um comando em comum (texto). O principal princípio base que nunca cansamos de lembrar é a escuta, especialmente quando estamos improvisando para criar uma história.
Improvisando: Como surgiu a Improvisação na sua carreira?
Surgiu através dos jogos de improvisação de Viola (Spolin), que sempre encontrava nas oficinas de teatro em Curitiba. Eu me saia bem nos jogos e isso me animava. Era um magrelo nerd que não conseguia fazer nenhum esporte, já tinha tentado instrumentos musicais e descoberto sua inaptidão. Era bacana saber que, pelo menos nas aulas de teatro, eu era da turma dos “artilheiros”. Com as ideias do jogos sempre davam base para ir além e começar a criar cenas, entender coisas de jogos de cena e estar pronto para tudo. Lembro da clara sensação de estar jogando e ser muito divertido.
Depois, ao passar de ator para diretor, sempre lembro que a minha maneira favorita de trabalhar era improvisar com os atores, para inspirar ideias novas neles e encontrar ideias novas e não pré-concebidas para as movimentações de palco.
Improvisando: De que forma a improvisação contribui no trabalho do ator? De que forma e qual a importância dela como ferramenta de ensino?
Quando passei para o lado negro da força e comecei a dar aulas, entendi que improvisações abriam as possibilidades de interpretação do ator, porque o artista se via obrigado a reagir em pleno uso do corpo, da voz, da criatividade, em dinâmica, em vez de parado ao redor de uma mesa elocubrando sobre qual seria a sua reação possível para a uma ação qualquer. Criar personagens, textos e ações sem estar em cena tornou-se algo tão bizarro quanto um cantor que, na hora de ensaiar, fica falando assim em vez de cantar:
– Certo, certo… Nesta parte aqui, eu vou soltar a voz de maneira mais sussurrada. Aí, na sequência, eu vou soltar a voz lá em cima. Vai ficar lindo! Ótimo… Bom, acho que vou ler esse roteiro de como vou usar a minha voz mais uma vez.
Acho que, depois de muito cantar, ele pode olhar para trás e perceber quais foram as dificuldades, quais foram os pontos falhos, e voltar a trabalhar neles.
Improvisando: De que forma a improvisação contribui no trabalho de humor do Antropofocus?
Ela É o trabalho de humor do Antropofocus™. Nosso grupo é formado por atores cuja principal vocação é trabalhar em dinâmica. Nenhum dos integrantes tem uma ligação com a criação de texto fora de sala de ensaio.
Vou contar para você o que acontece no mundo de Antropofocus™. Primeiro, há um ZIGOTO, que é a premissa inicial da ideia. Esse zigoto pode ser qualquer coisa: uma cena surgida de um jogo de improvisação, uma frase engraçada que ouviu na rua, uma imagem que surgiu no chuveiro, a cara de um dos integrantes do grupo. Quando os zigotos aparecem, eles são atacados de todos os ângulos pelos integrantes do grupo. É como se testássemos a resistência da cena. Daí ela tem três caminhos:
– a geladeira, onde se espera mais um pouco – porque tá faltando alguma coisa pra fecundar a idéia que a gente não sabe o que é;
– o lixo, de onde raramente sai;
– o público, onde a gente testa ideias e nos sentimos livres para descartá-las se não derem certo.
Temos um dos espetáculos, o PEQUENAS CAQUINHAS, que é todo feito de micro-cenas de comédia. Então os zigotos são testados dentro desse espetáculo com facilidade.
Improvisando: Quem são os improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?
Lembro que o primeiro artista improvisador que me deu vontade de imitar era o Robin Willians, porque ele parecia uma fonte inesgotável de recursos múltiplos de voz, ideias, corpo. Eu era bem novo quando saiu o filme “Aladdin” da Disney, onde ele fazia o Gênio, e aquilo parecia um demonstração de um artista marcial faixa preta na sua melhor forma.
Depois eu envelheci e comecei a achar que,as vezes, o Robin Willians deveria tomar remédios faixa preta. Mas ainda é a minha primeira lembrança de um ator que usava seus recursos naturais sem medo. Sem medo de errar.

Improvisando: Alguma companhia de improvisação se destaca a seu ver na realização do seu trabalho?
As companhias paulistas que trabalham com improvisação me animam muito. Tanto com a longevidade do Jogando no Quintal – especialmente agora que começam a sair outros espetáculos de improviso da companhia – quanto a abrangência nacional dos Barbixas.
Acho sensacional o fato das conquistas de espaço na televisão, o que atrai uma atenção diferente ao nosso trabalho.


Improvisando:
Conhecendo os diversos formatos de improvisação, qual deles te proporciona maior interesse nesse momento?

Tem um livro chamado “Blink“, que fala sobre o desenvolvimento da intuição de cada um. Nele falava-se desse grupo Nova Iorquino, o Mother, que recebia um tema e conseguia improvisar por uma hora ou mais. Pra mim isso sempre soou impossível, e por isso dá muita vontade de fazer.
Eu gosto de jogos, gosto de fazer as pessoas rirem de uma maneira lúdica, inventam histórias rápidas pra elas que tenham saído magicamente do ar. Mas artisticamente pendo para a vontade de fazer longforms e, pra piorar o desafio, criando um longform do Antropofocus™.
Improvisando: Pra onde vai a Impro? (o futuro)
Vai pra todo lugar, nas mais diferentes formas possíveis.
Seguem dois vídeos do Andrei: o primeiro no espetáculo Pequenas Caquinhas e o outro da sua participação no Programa É Tudo Improviso da Band.

Ricardo Behrens é ator, diretor e mestre formado pelo Conservatório Nacional de Arte Dramática de Buenos Aires em 1990. Tem também formação profissional como músico, estudando teoria e solfejo, clarinete e piano no Conservatório Nacional de Música, e tendo uma extensa carreira como cantor lírico naquele país.

Desde o começo da sua atividade teatral se dedicou a técnicas de Improvisação Teatral Contemporânea e de Gêneros Puros (escola de Jacques Lecoq). Foi selecionado como clown pelo ‘Cirque du Soleil‘.

Teve como mestres:
Escola Lecoq: Cristina Moreira
Clown: Raquel Solcolowicz, Hernan Gené e Guillermo Landin.
Tango: Dinzel y Rivarola
Mímica: Lerchundi-Escobar
Rítmo Musical: Rubén Ramos.
Improvisação Teatral: Silvie Potvin, Joane (de Lamirande) Bloom, Silviel Gagnon (da Ligue Nationale d’Improvisation do Canadá) e com o mestre francês Claude Bazin (da LIFI – Ligue d’Improvisation Francaise).
Na Europa estudou na Alemanha, Espanha, Estados Uidos, França, Eslovênia e Itália.

Tem trabalhado como ator e diretor em mais de 30 obras de teatro de texto em vários países e diversos programas de televisão argentinos.

É pioneiro na investigação da Improvisação Teatral e das técnicas de Keith Johnstone, Robert Gravel e Viola Spolin no idioma espanhol. Se especializou na investigação e na prática dessas técnicas desde 1988. Cria uma metodologia própria e desde 1998 começa a realizar trabalhos em empresas e instituições, aprimorando a capacidade do trabalho em equipe. É fundador da Liga Profisssional de Improvisação Internacional (LPI) e do Match de Improvisação em lingua espanhola (1988).

No âmbito teatral tem dado cursos de improvisação teatral, match de impro e clown na Alemanha, Espanha, Argentina, México, Colômbia, Peru, Equador, Chile e Brasil. A partir de seu trabalho e da fundação da Escola Internacionalde Improvisação LPI se criaram as Ligas Profissionais de Improvisação nesses países. Por sua trajetória é reconhecido internacionalmente por Yvon Leduc (autor do Match de Improvisação®) e corrdena a disciplina na  América Latina através da LPI Internacional.

Com um currículo impressionante desses, tivemos o prazer recentemente em recebê-lo ao Brasil para uma participação da gravação do É Tudo Improviso, na rede Bandeirantes. Nessa oportunidade também participou como jogador convidado do espetáculo Improvável da Cia. Barbixas de Humor e também ministrou workshops para alguns grupos de improvisação.

Nessa passagem relâmpago pelo Brasil, Ricardo Behrens gentilmente concedeu alguns minutos entre suas inúmeras atividades, para responder algumas perguntas para esse blog.

Improvisando: Eu gostaria de saber um pouquinho de como foi seu contato com a improvisação.

Ricardo Behrens: Então, no ano de 1988, na Argentina, começaram minhas primeiras experiências com teatro. Eu tinha uma experiência de dois anos com clown e aí soube de um casting, uma audição para um espetáculo que se chamava Match de Improvisação, que era um espetáculo dirigido por Claude Bazin, que é um diretor francês. Ele teve contato lá na França com o Match de Improvisação, e ele havia dado algumas aulas na Argentina e havia selecionado alguns alunos e faltava completar o elenco. Então, entrei por meio dessa audição, sem saber muito o que era e nem o que ia acontecer.
Então ele nos treinou durante um tempo, muito intensivo, mostrou para gente vídeos da França, porque era a primeira coisa de improvisação que se fazia na Argentina, com certeza, e em espanhol eu acho que era também uma das primeiras experiências, então não havia muitas referências sobre como era um trabalho com improvisação. Para nós o Match era a improvisação, não separávamos o que era Match do que era improvisação.
Então, eu entrei pela audição, fiquei treinando com ele e depois uns jogadores do Canadá foram para a Argentina e treinaram a gente também, e fizemos as primeiras quatro apresentações com a sala muito cheia e foi um grande sucesso naquele momento, como um início do improviso, de algo novo que não era conhecido lá.
Havia algumas experiências com improviso na Argentina, eu mesmo já tinha feito num lugar chamado Paracultural. O Centro Paracultural era um centro alternativo durante a ditadura militar. Mas não eram muitas as experiências, e essas estavam mais ligadas à técnica do clown, de alguma maneira com improvisações, mas não como técnica de improvisação sozinha. Então, a partir daí comecei a trabalhar, mas estava trabalhando como ator e aprendendo muito e conhecendo muito sobre o tema. Segundo meu ponto de vista, aquele era um grupo um pouco heterogêneo, então no ano seguinte se desfez e se formou um outro grupo, e assim foram duas temporadas. Depois de um break, retomamos as atividades em 92 e aí eu já estava dirigindo. Durante alguns anos tive uma sociedade como co-diretores, aí depois disso por uma série de  algumas divergências artísticas, sobretudo com respeito à estética de improvisação e à estética do Match também, cada um seguiu seu próprio caminho.
Aí já entro no que acredito em improvisação. Eu acredito que um espetáculo de improvisação parece algo óbvio, mas às vezes não é algo óbvio. A improvisação é o mais importante, nem os indivíduos nem os egos, eu acho que tem que deixar tudo isso de lado para fazer uma boa improvisação, colocar-se a serviço da improvisação. Então, um pouco essa foi a divergência. Eu ponho a improvisação em primeiro plano, priorizo fazer boas histórias e fazer uma boa improvisação em qualquer formato. Todo o restante pode ser algo que contribua para esta idéia principal, que ajude esta idéia principal a existir. Se o foco se transforma, vai para outro lado, a improvisação fica relegada, perde-se a essência.   A gente tem que apostar em fazer boas improvisações, boas histórias, isso sim deve ser o protagonista.
O que mais? Bem, depois continuei com a formação da LPI (Liga Profissional de Improvisação).  A partir daí comecei a desenvolver o Match, com os critérios dos criadores do show. Sempre com relação ao Match há amor e ódio entre os jogadores, improvisadores.  Eu tenho uma teoria de que o Match não transitou muito como formato, muitas vezes as regras são amenizadas um pouco para que os improvisadores se sintam melhor, então se transforma em algo menos exigente para o improvisador. Para improvisar, por exemplo, os clichês são permitidos, as provocações de riso, os árbitros não cobram muitas faltas. Ou seja, os árbitros assim como se fala no futebol (não sei como se fala aqui) mas lá na Argentina se diz que os árbitros “sacan los partidos”.  Muitas vezes se fala também que isso está a serviço do espetáculo, que as faltas não são cobradas a serviço do espetáculo. Mas eu acredito que no Match as faltas fazem parte do espetáculo e têm, o que é muito importante, um conceito pedagógico para o público. O público vai entendendo a mecânica do improviso através das faltas, através do gesto, do que o árbitro fala, através do que aconteceu na improvisação em relação a falta que o árbitro cobra. Então se isso é menos rigoroso, o público sabe menos da improvisação, se perde um pouco o critério pedagógico do Match.
Também há outro conceito dentro Match, que todo esporte tem, que é o conceito de justiça que, muitas vezes, também é deixado de lado. É, finalmente, não sei se você teve a oportunidade de ver algum torneio de Match?

Improvisando: A gente teve a oportunidade de brincar um pouco num torneio amador de Match como conclusão do curso extensivo do Allan Benatti

Ricardo Behrens: Ah, você experimentou um pouco de match? Ah, legal. Então, a competição existe, e em níveis internacionais existe muito, mas há um discurso dúbio: por um lado existe a competição de “ah, eu quero ganhar de qualquer jeito”, por outro, falam para o árbitro “ei, não cobra tanta falta!” porque o principal é isso do espetáculo. E, por outro lado também, as equipes querem ganhar e levar o troféu para casa, então se o árbitro não cobra falta, o critério de justiça perde um pouco o sentido. O jogo se transforma em um vale-tudo, eu falo que se transforma em Match-Catch. O Catch é sem regra, cada um faz o que quer: se quer bloquear o adversário, bloqueia, se quer fazer faltas técnicas, pode fazer, pois o formato permite. Mas o formato do Match se preocupa mais em fazer com que a técnica do improviso esteja presente no jogo, não permitindo fazer qualquer coisa para vencer. Eu participei em muitos torneios que os árbitros não cobravam nada, que as regras não importavam muito, inclusive que não contava com uma regra consensual entre todas as companhias, então isso se transforma em um terreno que ninguém sabe o que vai acontecer lá e assim começam a fazer qualquer coisa para ganhar. Então, é nesse sentido que eu considero complicada a coisa do árbitro não cobrar nada, para entre aspas “privilegiar o espetáculo”.  O árbitro tem que administrar o espetáculo, mas também tem que ser justo com as equipes. Eu arbitrei, por exemplo, uma partida em que um time, era um disputa de terceiro lugar, e o time quase não pôde falar na última improvisação, porque o outro time falava e depois falava um outro e falava outro e outro, então se aí o árbitro não cobrar falta, ele está sendo cúmplice dessa situação, e vai ser uma atuação injusta que leva ao terceiro lugar. Porque o público também muitas vezes vota, tem um outro critério de votação. Então, o árbitro é um pouco o termômetro, equilibra um pouco as coisas. Eu acho legal que o árbitro esteja presente e marque a linha para os jogadores.  Inclusive muitos profissionais na hora de competir e levar o troféu esquecem das regras éticas da improvisação. Todo mundo fala das regras, mas na hora do Match, de uma etapa decisiva, todo mundo esquece. Então, eu acho bom que o árbitro marque a linha.

Improvisando: Em termos gerais, depois de bastante tempo e experiência, o que você hoje entende por improvisação? O que significa para você hoje?

Ricardo Behrens: Hoje, improvisação, primeiro tem a ver com uma visão sobre a vida, eu acho, uma visão filosófica, que tem a ver com a técnica, de aceitação de propostas, de conexão positiva com as propostas, de avançar na história. Eu acho que esses são elementos que são aplicáveis em muitos âmbitos da vida, então vira algo filosófico, eu acho. Também comprovo isso com meus alunos na Argentina, vejo como eles começam o ano e como terminam o ano e sua evolução como jogadores e como pessoas também… Então, mudam muitas, muitas coisas. Muitos são jovens, de 18, 19 ,20 anos, então também vejo como esse crescimento da idade é acompanhado também com a técnica e também com o próprio desenvolvimento. Então, em primeiro lugar eu acho que tem uma ligação direta com a vida, sem que seja uma religião, não? (risos). Mas eu acho muito, muito ligado.
Também em meu trabalho em empresas, eu posso ver como as pessoas gostam de incorporar isso a diversas atividades.
Depois, por outro lado, vejo o que é o espetáculo, o que é a improvisação como espetáculo, que eu acho que já a esta altura deve ser considerado como um gênero, que em quase todos os países da América Latina e América Ibérica ainda estão lutando por um lugar. Felizmente em vários países estão surgindo programas de televisão, isso ajuda a legitimar o gênero, como se populariza, então, todo mundo fica sabendo do que se trata, ainda que não conheça, digamos, as sutilezas do gênero, coisas que são menos populares. Mas eu acho que é bom porque ajuda com que todo mundo saiba do que se trata quando se fala de improvisação.
Então, vejo esta outra possibilidade, que é a possibilidade de espetáculo, da arte em si mesma. E, depois o interior disso tudo, isso que conhecemos somente nós, os improvisadores.
Os diferentes formatos. Eu estou há vários anos pesquisando muito o que é o  Long form, já há vários espetáculos de Long Form na Argentina e vários que já percorreram vários países, como por exemplo, “Improluchas”, como “El Círculo”, um espetáculo que eu dirigi na Argentina. Com “ El Círculo” estivemos no último Festival Iberoamericano, depois estivemos aqui, no Brasil. Com “Improluchas” estivemos na Espanha, em 2005. ” Improluchas” tem um formato que não é um catch, porque é um long form, mas são personagens que estão vestidos com seus figurinos, que têm sua personalidade, sua forma de pensar e, além disso, são quatro personagens e um árbitro, que também é um personagem, e eles mantêm os personagens durante todo o espetáculo, com seu figurino e com seu comportamento, e aí é construída toda uma história com uma hora de duração, depois no final um público vota em um ganhador. Este formato eu fiz em 2004, em 2005 estivemos com ele em Madrid. Bem, long form é um gênero, dentro do gênero, digamos que é algo que é menos popular, mas que é muito interessante para nós, improvisadores, porque nos sentimos com outro tempo, com outra relação, com outra profundidade na construção do personagem,  com outra possibilidade de aprofundar a relação com os outros personagens, muito mais teatral para os atores de formação que nos sentimos mais dentro de um espetáculo de teatro. A improvisação em geral tem essa coisa de rapidez e de velocidade, que às vezes complica e se transforma em algo superficial, tem que ter cuidado para não se transformar em algo superficial, mas para isso existem os diferentes formatos.

Improvisando: Dentro disso que você está me falando, te agrada mais hoje em dia os longforms? Pergunto isso porque você vem de uma formação de Match …

Ricardo Behrens: Eu gosto muito porque como ator me permite colocar para fora mais o ator e menos o improvisador, o improvisador rápido, a rapidez mental, vai por outro caminho, por uma coisa mais literal, mais comprometida nesse sentido também…  A minha pesquisa vai muito a partir de Harold, a partir do livro Truth in Comedy, de (Charna) Halpern, que fala muito de Harold, da maneira como o usam nos Estados Unidos. Os formatos que fiz partem disso, mas depois já vou para outro lado, para a dramaturgia fragmentada, a união de várias histórias, que tem um pouco de Harold. Mas o Harold tem mais monólogo, canções, segue por seus códigos. Acredito que todos os long form têm algo de Harold, é parte do que todos usamos.

Improvisando: A improvisação como técnica tem vários princípios em que se baseia. Pensando inclusive na possibilidade de um público mais leigo, para que conheçam melhor os fundamentos desse gênero, tenho perguntado para cada improvisador o que ele acredita que é fundamental na improvisação. Quais conceitos são os fundamentais na sua visão?

Ricardo Behrens: O fundamental que todos nós improvisadores conhecemos é a aceitação de uma proposta, a construção de uma história coletiva, a construção a partir da aceitação, a adaptação a partir da proposta do outro. Isto significa pegar a proposta do outro de uma maneira positiva, como se fosse própria, defendê-la como se fosse própria e adicionar-lhe coisas como se fosse própria. O trabalho em equipe, o trabalho coletivo passa a ser fundamental. Acredito que se torna fundamental também afastar-se do ego também: se a pessoa aceita proposta do outro como se fosse sua própria, aí a pessoa já está se afastando do ego, é a construção.
Que outro princípio básico? Acho que é isso aí basicamente, a idéia de que não há erro, isso de que todo erro pode ser ressignificado e ser aproveitado para algo, acho que é basicamente isso.

Improvisando: Sei que você é um dos precursores da improvisação na América Latina, mas algum improvisador ou companhia de improvisação te influenciou? Quem hoje você acredita que faz um trabalho parecido com o que você gosta?

Ricardo Behrens: Olha, eu sou muito velinho (risos), fui um dos primeiros improvisadores…

Improvisando: Sim, certamente você é um pioneiro…  Então, quem hoje faz um trabalho de que você gosta…

Ricardo Behrens: Sim, então muitos dos improvisadores que agora estão fazendo coisas foram alunos meus, então… Claro que há gente que eu gosto como trabalha, como o Oski Guzmán na Argentina, ele trabalhou comigo, fomos colegas já. Bem, vejamos de cada país, que eu acho que são mais. No Chile, está o “Panqueque” (do Colectivo Teatral Mamut e do los Improvisadores), também Claudio Espinosa (do LosPleimovil). Bem no Brasil, Márcio BallasCésar (Gouvêa) (do  É Tudo Improviso e do Jogando no Quintal). Agora tenho mais contato com Barbixas, que é muito bom, com códigos muito interessantes, uma busca muito interessante, com um entendimento muito forte entre eles, o que é importante para o grupo. Vejamos, que outro país? Colômbia, Gustavo Miranda (do Accion Impro) e há também o grupo La Gata. Na Espanha, em Madrid tem o Jorge Rueda (do Impromadrid) e também tem o pessoal do Jamming, o pessoal de Por Casualidad. No Uruguai há o pessoal da LPI Uruguai, que também está fazendo algumas coisas. No Peru há o Pataclaun e o Ketó. No Equador um grupo está fazendo match com Hugo Espinoza e também tem Raquel Rodriguez. No México também tem a LIMI, Liga de Mexicana de Improvisação (de Juan Carlos Vives e Ricardo Esquerra) . Acho que tem muitos grupos e novos grupos que estão em formação e que também prometem muito… E é bom que haja jovens que estejam aí montando seus grupos. Um pouco nossa escola na Argentina promove isso, promove que depois de dois anos conosco, os alunos se juntem e formem seus grupos, façam suas apresentações, se deparem com a coisa da produção e de ver o que acontece. Acho interessante essa ideia, que haja muita gente fazendo improviso e vai surgir, como em todos os gêneros, coisas que são excelentes, coisas que são mais ou menos, e coisas ruins. Mas isso acontece também no teatro e em qualquer arte e, então, falamos de um gênero que está em movimento e que está vivo.

Improvisando: Falando no movimento da improvisação… Você estava falando um pouco da TV, da importância da televisão para a improvisação na América Latina. Vários países começaram a ter um espaço de televisão. Qual a dificuldade de transferir um espetáculo, e essa linguagem do espetáculo de teatro, para a televisão? Onde está esta dificuldade e de que forma a improvisação na televisão pode ser boa ou não para o desenvolvimento do gênero?

Ricardo Behrens: A maior dificuldade, eu acredito, pelo que estou vendo, é comunicar ao pessoal de televisão do que se trata, ou seja, a comunicação. Porque o pessoal de televisão está acostumado a outra coisa, então não entende qual é o jogo. Porque a televisão, pelo menos na Argentina, tem bastante improvisação, mas improvisação ruim, ou seja improvisação de coisas feitas assim de qualquer jeito, então não entendem como a improvisação pode ser uma arte. Porque eles estão improvisando todo o tempo, mas de uma maneira horrível. Então aí está a dificuldade: como comunicar que a improvisação é algo em si mesmo? Como explicar a questão da construção da história, dos jogos? Como fazer com que tanto o diretor como a produção e o canal entendam do que se trata? Ao conseguir isso, então, na minha opinião, as coisas começam a ficar mais fáceis. Acho muito interessante o que está acontecendo agora, porque acho que estão encontrando aí a chave da comunicação. Não sei se eu cheguei num momento já avançado da coisa, não sei como foi a princípio, mas evidentemente há um entendimento aí. Isso gera algo muito interessante que tem a ver quase com o teatro. É gerado um clima teatral e isso eu acho fundamental. O fato de o público estar ali ao vivo é gerado o clima teatral… Participando do programa de improviso pude ver que não está tão distante de uma apresentação de teatro. Entretanto, depois é preciso ver também o que acontece com o improvisador na televisão. Eu na Argentina trabalhei em vários programas de televisão e entrei em contato com a câmera e essas coisas. Mas, claro, às vezes os códigos do teatro não são os códigos da TV. É preciso ver como fazer para transferi-los para a televisão e que fiquem bons.

Improvisando: Como o grande propagador do Match na América Latina gostaria que você falasse um pouco sobre esse trabalho. Como se difundiu e surgiram vários grupos? Até me lembrei de mais um grupo de que você não falou, que é o do Match de Improvisação na Venezuela. Como tem se dado essa integração entre os grupos de Match? Como é gerenciado?

Ricardo Behrens: Não, na verdade, nós começamos com uma idéia de difusão de Match a partir da LPI para que o Match chegasse a outros lugares, porque muitas vezes havia entraves, não sabiam como era a questão legal para fazer isso, então a partir do registro autoral que temos na Argentina, posso passar por este registro e isso facilitar as coisas, somente por isso. O que vejo na América Latina é que não há muitos grupos que sustentem o Match como um espetáculo. Na América Latina não tem. Na França e nos países de língua francesa (na Bélgica, Suíça, Canadá) há ligas que funcionam. Mas na América Latina o que acontece é que a dificuldade de fazer teatro leva a reduzir os grupos, a ter grupos menores. Porque é mais fácil de administrar e de divulgar. Então, é difícil sustentar o Match porque demanda uma estrutura maior. Bem, o trabalho que eu fiz foi o de formação na Argentina, depois dei aula no Chile, comecei o primeiro grupo de improvisação no Chile que é o Lospleimovil. Depois também dei aulas na Colômbia, eles também tinham uma experiência prévia com Gigio Giraldo, tanto o pessoal do Acción Impro como o do La Gata. Então depois fui dar aulas no Teatro Nacional, e se formou a partir dessas aulas o primeiro Campeonato Nacional na Colômbia, depois foi realizado no Primeiro Iberoamericano que foi em 2004, aí participamos como companhia. No Equador também, fui o primeiro a dar cursos e foi a primeira experiência com improvisação no Equador. Também dei aulas no Peru para dois grupos já vinham trabalhando, a princípio juntos e naquele momento estavam trabalhando separados, que são o Ketó e o Pataclaun, eu dei aulas na escola do Ketó. Bem, aqui no Brasil, eu tive a primeira experiência no ano de 2001, em Marília e Bauru, dei aulas lá, e nessa época não havia nada de improvisação. Depois em 2005, estive trabalhando com Jogando no Quintal que foi um dos primeiros grupos junto com o Teatro do Nada (de Claudio Amado) do Rio. Bem no México trabalhei dando aulas durante três meses viajando por todo o país, lá trabalhei para empresas e com workshop para particulares também. Enfim, circulei em vários países, deixando a sementinha para que continuem o movimento.

Improvisando: Queria aproveitar então esse comentário que você estava falando anteriormente sobre os movimentos da Improvisação na França, para fazer uma colocação de um improvisador (Ian Parizot)  de um grupo francês (Eux – Compagnie d’ Improvisation). Ele comentou algo curioso a respeito do Catch, que é a essência da improvisação francesa, porque o catch foi fundado lá. E ele acha que houve um prejuízo na formação dos improvisadores franceses como contadores de estórias, com a questão do jogo. E ele tinha essa dúvida com relação aos grupos da América Latina porque ele conhece pouco a improvisação na América Latina. E como o Match é uma coisa bem difundida na América Latina, os festivais latino americanos tem normalmente os campeonatos de Match (recentemente está havendo mais espetáculos de longform) ele teve essa impressão de que talvez a América Latina também tivesse prejuízo na formação dos improvisadores que constroem mais estórias por causa da questão do jogo, do tiro… Entretanto, eu talvez acha que houve uma certa confusão entre formato de jogo e formato de match…

Ricardo Behrens: Ele diz que constroem mais estória ou que não constroem?

Improvisando: A questão dele estava relacionada ao fato de que nos formatos desportivos se constrói menos estórias e que ele acha que o formato de Match como o carro chefe da improvisação latino americana, talvez trouxesse a mesma problemática que ele vê na França, de haver bons jogadores de tiro, mas não muito bons improvisadores contadores de estórias…

Ricardo Behrens: Ah, de jogos… Mas uma coisa é o formato de jogos e outra é o formato de Match. O Match justamente é voltado para a estória. Ou seja, totalmente. Os formatos de jogos não, os formatos de jogos podem ir para outros lados, em que não se constroem histórias e está tudo bem. O Match (e por isso eu acho que é bom como começo, como uma escola de improviso fazer o Match) obriga o jogador a construir uma estória, mesmo livre, sem gênero, totalmente livre e aí vemos realmente a improvisação pura porque não há nenhuma sinalização para a plateia, por exemplo, vamos fazer uma estória de telenovela. No Match você tem a improvisação livre, a improvisação sem gênero, sem pauta de jogo, sem nada, há liberdade total. Então, eu acho que é bom para a formação do improvisador porque adquire a técnica pura, depois a partir daí pode passar para o long form, pode ir a jogos, pode ir aonde quiser.

Improvisando: Então, por fim, respondendo à pergunta do Ian: você acha que houve essa interferência? A base de difusão da Improvisação na América Latina com o Match, acabou gerando mais jogadores, que fazem mais tiro do que improvisadores?

Ricardo Behrens: Não, não acho não. Acho que tem jogadores, em geral tem jogadores contadores de estória. Todos os grupos que citei aqui, são todos grupos que contam histórias, então não acho isso. E o Match justamente, mais uma vez, não é um formato de jogos…

Improvisando: Acho que há aí uma confusão entre o Match ser realizado em formato de torneio, com disputa de jogos. Na verdade ele incentiva a criação de história…

Ricardo Behrens: Incentiva, certo?

Improvisando: Sim acho que é o que eu entendi. Na verdade, na pequena convivência que tive com a base teórica do Match, também tive essa compreensão. Que os jogos no Match exigem muito a capacidade de contar uma boa estória…

Ricardo Behrens: E eu volto à questão do árbitro também. Quando o árbitro vê que não é construída uma estória, ele cobra uma falta, ele cobra a conclusão, se a improvisação é conjunta, se o jogo é demorado, se não se define, se não se avança na história, então…promove a estória.

Improvisando: Por fim, a última coisa que eu gostaria de conversar é sobre o futuro da improvisação. Porque eu acho que está tendo uma difusão maior, está tendo mais intercâmbio, inclusive com os Festivais e os Campeonatos de Match. Então daqui pra frente o que você acha que vai acontecer com a Improvisação? Você estava falando que a improvisação está tendendo a ser um gênero na América Latina…

Ricardo Behrens: Eu acho muito o bom o futuro, mas também acho que os grupos têm que pesquisar, têm que ir além do conhecido e testar, experimentar e arriscar. Aí nesse sentido está também o crescimento do gênero. Se ficamos fazendo as mesmas coisas que funcionam porque o público vai, eu acho que pode ficar medíocre. Tem que pensar em avançar na pesquisa.

Seguem alguns vídeos de Ricardo Behrens. Em entrevista ao  Canal 7 da Argentina, durante o Mundial de Match em Buenos Aires,  no programa É Tudo Improviso e no Improvável com os Barbixas.

Essa provavelmente deve ser a  biografia dos Barbixas .Vou me ater à informações contidas em um longo bate papo concedido à UOL e entrevistas. Outra entrevista interessante foi concedida ao Vírgula.

Daniel Nascimento já era amigo de Anderson Bizzocchi. Por gostarem do mesmo tipo de humor, começaram a se apresentar em bares. Em uma viagem à Paris, Andy teria conhecido Elidio Sanna, que estudou física na USP e dava aulas de física, matemática e desenho geométrico (Chat do UOL). Entre eles havia uma grande afinidade pelo gosto no mesmo estilo de humor e resolveram fazer pesquisas em torno de trabalhos como Umbilical Brothers, Rowan Atkinson (e seu personagem Mr. Bean),  Monty Phyton, Gato Fedorento entre outros.

A estréia dos Barbixas teria ocorrido em 01/07/2004 no Teatro Jardim São Paulo com o espetáculo Onde Está o Riso?

Em novembro do mesmo ano, se apresentaram com o espetáculo Em Lata. Seria o primeiro espetáculo integralmente de sua própria autoria.

Em junho de 2005, se apresentaram com o espetáculo 3, na qual havia também vídeos. Nesse momento a trupe se tornou a Cia. Barbixas de Humor, em que não só faziam textos de teatro como esquetes de vídeo e áudio, disponíveis no site.

Em 2008, estrelam o espetáculo Em Breves que também é um espetáculo de esquetes de humor. No mesmo ano, estréiam o absoluto sucesso que é o espetáculo de jogos de improvisação, o Improvável.

Em 2009, os Barbixas levam para a TV, o mesmo formato do espetáculo Improvável, no programa Quinta Categoria, junto com Marcos Mion.

Em 2010, durante os meses de janeiro e fevereiro, apresentaram o programa  É Tudo Improviso, na Band. O programa de jogos de improvisação teatral teve apresentação de Marcio Ballas e contava com os Barbixas e ainda com Marco Gonçalves  (ambos do Jogando no Quintal) e as Olívias Cris Wersom e Mari Armellini. O sucesso do programa acabou por fazer com que houvesse uma renovação desse contrato para uma nova temporada, na qual os Barbixas  não estarão mais fazendo parte do elenco fixo, mas estarão participando do rodízio de convidados muito especiais preparados para o programa que reestreia essa terça feira às 23h15. Mais informações poderão ser conhecidas no seu blog.

Isso porque  a Cia. Barbixas encontra-se em um uma fase de novos e diversos desafios. Segundo também conta o seu blog, há novos projetos com o lançamento do DVD e uma nova websérie. Também estão em cartaz com a terceira temporada no teatro TUCA em São Paulo e em viagens com a Turnê Improvável, percorrendo todo o Brasil.

Nessa entrevista gentilmente concedida por email, Andy fala sobre suas opiniões sobre Impro, mas também discorre sobre seus profundos conhecimentos sobre modalidades esportivas da terceira idade.

Improvisando:  Gostaria que nos desse um resumo das atividades em que está envolvido hoje (teatro, tv, música, tráfico de drogas…)
Anderson: Atualmente é trabalhar com a Cia. Barbixas de Humor. E com isso, eu me envolvo praticamente com várias mídias, TV, teatro, internet. Fora o que todo mundo já sabe, atualmente faço também traduções de manuais sobre curling, um esporte que agora com as Olímpiadas de Inverno. As confusões com a bocha tem que acabar e já!

Improvisando: O que é, no seu entendimento, a Improvisação Teatral? Quais são os conceitos em que se baseia?
Anderson: É você se jogar de paraquedas. É uma das melhores sensações do mundo e na verdade gostaria que ela fosse maior no Brasil. Para mim e muitos outros artistas envolvidos na impro, os principais conceitos são escuta e aceitação. Com eles, uma boa cena é consequência.

Improvisando: Em que momento a improvisação passou a se tornar uma ferramenta de trabalho para você? Como ela entrou em sua carreira?
Anderson: Foi por acaso mesmo. Na tentativa de divulgar nosso trabalho, ele ficou conhecido além do nosso controle na internet. Portanto tivemos que dar um carinho especial para ela, assumir novamente o controle e trabalhar com isso. E como todo trabalho, cada vez mais inovar e buscar estudar mais. Minha avó sempre dizia “Quem espera o pássaro, jamais vai mexer com o estilingue”. Ok, ela não dizia isso, mas seria uma frase boa.

Improvisando:  Segundo reza a lenda, você tinha uma formação absolutamente fora da carreira artística/ teatral. De que forma sua formação influenciou na sua atuação?
Anderson: Não sabia que a lenda era tão religiosa. Não é tão distante assim minha formação. Sou formado em Rádio e TV, assim como Dani, portanto isso ajudou a fazer do Improvável uma websérie.

Improvisando: A Cia. Barbixas de Humor vem de um humor de esquetes, fortemente influenciado pelo Humor britânico e americano. De que forma isso influenciou seu trabalho como improvisador? Como ocorreu essa transição de humor de esquetes para a improvisação?
Anderson: As cenas que a gente faz se tornam naturalmente engraçadas pois nós temos esse sangue correndo. Somos acima de tudo pessoas que trabalham com comédia. Não consigo imaginar um espetáculo de improviso feito pelos Barbixas com uma temática séria. Pelo menos por enquanto. A transição na verdade não houve. Tivemos que nos preocupar com o sucesso que estava surgindo. Por isso chamamos o Marcio Ballas, empurramos ele na parede e falamos “E aí, palhacinho, qualé essa de coisa de improviso aí mermão?” (o sotaque carioca fica por minha conta)

Improvisando:  Quem são os improvisadores que o inspiram na forma de realizar seu trabalho?
Anderson: Vou ganhar uma estrelinha de bom menino. Marcio Ballas, Gustavo Miranda da Colômbia, Ryan Stiles, Omar Argentino. Mudei o modo de ver impro depois de ver o espetáculo solo dele. Sim, isso existe!

Improvisando: Que companhias teatrais fazem trabalhos inspiradores na sua opinião?
Anderson: Seria injustiça não marcar a importância que o Jogando no Quintal teve no espetáculo Improvável. Mas uma companhia que todos falam e que eu ainda não assisti ao vivo e tenho muita vontade é o Impro Madrid. Quem sabe um dia.

Improvisando: O que mais traz interesse a você hoje? Jogos de Improvisação ou formatos long form?
Anderson: Por enquanto acredito que há diversos jogos de Improvisação que eu gostaria de experimentar um dia. Acredito que seja um caminha natural uma vontade posterior de querer fazer um long form.

Improvisando: Que rumos você acredita que deverá tomar a improvisação teatral? No Brasil e em termos mundiais?
Anderson: Vai crescer e torço por isso. Quanto mais gente tentando, aprendendo e experimentando, melhor. Assim, fica mais natural que o Brasil possua mais grupos estudando Improviso. Ele está bem representado com o Jogando, mas acredito que tem espaço para todo mundo. A não ser para o  Dani que não vai caber. (inevitável)

A seguir, vídeos de Anderson em dois momentos: no espetáculo de Improvisação Improvável e na esquete não improvisada Santa Ceia do espetáculo Em Breves.

Florencia Infante  es actriz egresada de la Escuela de Actuacion de Montevideo en el año 2004.  Desde el año 2005 comienza a trabajar intensivamente en la improvisación.

Es fundadora de Improvisacion Teatro Club del Uruguay, grupo que integra desde el 2005, actualmente llamado Impronta.

Ha participado de diferentes festivales internacionales de improvisación.

Es una de las directoras de la EIU, primera Escuela de Improvisacion Uruguay.

Desde el año 2005 integra Improvisación Teatro Club del Uruguay, con el que realiza por 2 años el espectaculo Sopa Instantanea (al estilo de Harold). Luego de esto, el grupo comienza a investigar las tecnicas deportivas, como Match de Improvisación, teniendo la oportunidad de participar en el Mundial de Impro de Buenos Aires 2007. En esa epoca la compañía cambia su nombre a IMPRONTA Teatro.

En el 2007 dirigió IMPROCALYPSIS un formato de foro, con el que la compañía realiza 3 temporadas en Montevideo.

El el 2008 se estrena en Uruguay Match, generando un éxito imposible de imaginar, y el Espectáculo continua hasta finales del 2009.

Actualmente el grupo esta investigando nuevamente en el Long Form, con el nuevo espectaculo, llamado Sinapsis, que se estrenara en junio en Montevideo.

En el 2010, se estrenaran en total 3 espectaculos nuevos de la compañía, de los cuales 2 son bajo su direccion.

Florencia Infante é atriz formada na Escuela de Actuacion de Montevideo em 2004. Desde o ano de 2005 começa a trabalhar intensamente com a Improvisação.

É fundadora do Improvisacion Teatro Club del Uruguay, grupo o qual integra desde 2005, e que atualmente se chama Impronta.

Tem participado de diferentes festivais internacionais de Improvisação.

É uma das diretoras do EIU primeira (Escuela de Improvisacion del Uruguay).

Com o Improvisación Teatro Clube del Uruguay realiza por 2 anos o espetáculo Sopa Instantânea (no estilo Harold). Após, o grupo começa a investigar as técnicas desportivas, como Match de Improvisação, tendo a oportunidade de participar do Mundial de Impro de Buenos Aires em 2007. Nessa época a companhia muda seu nome para Impronta Teatro.

Em 2007 dirigiu Improcalypsis, um formato de fórum, com o qual a companhia realiza e temporadas em Montevideo.

Em 2008 estréia o Match no Uruguai, com um êxito impossível de imaginar e o espetáculo continua até o final de 2009.

Atualmente o grupo está investigando novamente o LongForm, com o novo espetáculo chamado Sinapsis, que estreia em junho em Montevideo.

Em 2010, estreiam um total de 3 espetáculos novos da companhia, dos quais 2 são de sua direção.

1) Improvisando: ¿Qué es para usted la Improvisación Teatral? ¿Cuáles son sus conceptos más importantes?

Improvisando: O que é para você a Improvisação Teatral? Quais são seus conceitos mais importantes?

Florencia: Cuando comencé con la improvisación, simplemente la consideraba una herramienta. Un plus a lo que uno es como actor. Hoy por hoy la improvisación para mi ha pasado a ser un modo de vida. Ademas de formar parte de una compañía que ensaya de lunes a viernes soy  docente de improvisación para niños, adolescentes y adultos, lo cual hace que mi vida este abocada a esta actividad casi al 100%.

Los conceptos mas importantes me parecen los de el trabajo en equipo, la valorizacion del individuo pero como parte de un colectivo, rescatando al ser humano, dentro y fuera del salon de clases; esto me parece que lo hace sano: no debo ser como en la vida que tengo que destacarme SOLO yo para poder obtener un buen trabajo, etc; aca con este concepto creo que se rescata la  conciencia por el otro.

La escucha y la aceptación, que si bien son conceptos basicos de la impro, nunca dejan de sorprenderme. Tengo alumnos que me dicen que dia a dia se sorprenden con el poder de la acepatacion y la escucha. Y lo mejor es que a veces, sin darnos cuenta, empezamos a aplicar estos conceptos en la vida, y los maestros dejamos de ser maestros para ser terapeutas.

Pienso que no hay conceptos únicos y que dia a dia se siguen construyendo más.

Veo al improvisador como alguien que se tira en paracaídas al vacio,  y a la vez, es el propio paracaídas. Es un salto al vacio permanente.

Florencia: Quando comecei com a Improvisação, simplesmente a considerava uma ferramenta. Um ponto positivo para um ator. Hoje Improvisação para mim passou a ser um modo de vida. Além de fazer parte de uma companhia que ensaia de segunda a sexta feira, eu sou docente de Improvisação para crianças, adolescentes e adultos, o qual fazem que a minha vida esteja condenada a essa atividade quase a 100%.

Os conceitos que considero mais importantes são o trabalho em equipe, a valorização do indivíduo mas como parte de um coletivo, resgatando o ser humano, dentro e fora da sala de aula; e acho isso saudável: não devo ser como na vida em que  tenho que me destacar SOZINHO para obter um bom trabalho, etc; aqui esse conceito acredito que recupera a consciência do outro.

A escuta e a aceitação, apesar de serem conceitos básicos da Impro, nunca deixam de me surpreender. Yenho alunos que me dizem que dia a dia se surpreendem com o poder da aceitação e da escuta. E o melhor é que, às vezes, sem nos darmos conta, começamos a aplicar esses conceitos na vida, e os mestres deixamos de ser mestres para ser terapeutas.

Penso que não existam conceitos únicos e que dia a dia se constróem mais.

Vejo o improvisador como alguém que se atira de paraquedas no vazio, e no entanto, é seu próprio paraquedas. É um salto ao vazio permanente.

2) Improvisando: ¿Cuando la improvisación comenzó en su carrera?

Improvisando: Quando a Improvisação começou na sua carreira?

Florencia: Yo hago teatro desde los 14 años, y realmente nunca habia tenido contacto con la improvisación de manera profunda hasta el año 2005 en mi formación como actriz.

Y la verdad, fue una experiencia muy interesante, hacer una carrera en las artes dramaticas, y por el otro lado hacer improvisación todos los dias después de esas clases de tragedia griega o Shakespeare. Era muy raro!

En esos tiempos creo que fue cuando mi cabeza exploto, ya que realemente empezamos a trabajar con el grupo en improvisación pero integrando las otras areas. Y ese trabajo fue muy rico. A la inversa no suele suceder.

Desde ese momento hasta ahora ha sido el motor de mi carrera, incluso la docente, ya que creo que todos los seres humanos deberian poder probar el poder liberador y sanador de la improvisación; el abanico infinito de posibilidades que brinda.

Creo que los actores que hacemos esto de forma profesional somos unos verdaderos afortunados…

Florencia: Faço teatro desde os 14 anos, e realmente nunca havia tido contato com a improvisação de maneira profunda desde o ano de 2005 em minha formação como atriz.

E realmente foi uma experiência muito interessante fazer uma carreira nas artes dramáticas, e por outro lado fazer improvisação todos os dias depois de todas essas aulas de tragédia grega ou Shakespeare. Era muito estranho!

Naquela época eu acho que foi quando minha cabeça explodiu, já que realmente começamos a trabalhar com o grupo em improvisação, mas integrando as outras áreas. E esse trabalho foi muito rico. Por outro lado raramente acontece.

Desde então até agora tem sido o motor da minha carreira, inclusive a docência, ja que acredito que todos os seres humanos deveria poder provar o poder libertador e curador da improvisação; a infinita gama de possibilidades que proporciona.

Creio que nós atores que fazemos fazemos isso de forma profissional somos uns verdadeiros afortunados…

3) Improvisando:  Su espectáculo más conoscido (Sinapsis) se basa en Harold. ¿Quién vio me dijo que el espectáculo tiene un lenguaje muy poético y la inspiración en la contacto-improvisación. ¿De dónde surgio la elección del formato? Es una peculiaridad del grupo El Teatro Físico?

Improvisando: Seu espetáculo mas conhecido (Sinapsis) se baseia em Harold. Quem vio me disse que o espetáculo tem uma linguagem muito poética e inspirada no contato-improvisação. De onde surgiu a escolha do formato? É uma peculiaridade do seu grupo o teatro físico?

Florencia: Sinapsis es fruto de una investigación grupal que aun esta en permanente cambio. Veniamos de largas temporadas de improvisaciones deportivas, y queriamos enfrentarnos a algo mas poetico, a poner el cuerpo y no solo la palabra en la escena.

Asi fue que bajo la direccion de Danna Liberman, empezamos a investigar sobre lo sonoro, lo espacial… pasabamos horas con instrumentos o con mascaras, sin saber bien que era lo que iba a suceder. Fue un espectaculo muy cuidado. Hoy por hoy seguimos trabajando en el.

Creo que todos los grupos reflejan un proceso de lo que sea, en sus espectáculos; y Sinapsis es sin duda, una suma de necesidades de un colectivo.

Buscamos sin ser pretenciosos, la verdad, la escucha, el cuerpo presente, seguir los verdaderos impulsos, tener sonoridad como grupo.. la verdad es un trabajo riquisimo. No pretendemos que eso se vea, que seamos maravillosos, pero si buscamos ser fieles a este momento y entregarnos al cien porciento a este nuevo viaje.

La eleccion del formato creo que fue lo unico poco estudiado. Habiamos empezado nuestra carrera como improvisadores con ese estilo, y como era todo un volver al origen, rapidamente surgio esa opcion.

Si bien el teatro fisico no es una peculiaridad del grupo, si lo trabajamos con rigor y seguimos mucho al teatro de Lecoq.

Florencia: Sinapsis é fruto de uma investigação do grupo que ainda está em permanente mudança. Vínhamos de longas temporadas de improvisações desportivas e queríamos enfrentar algo mais poético, a por o corpo e não somente a palavea no palco.

Foi assim que, sob a direção de Danna Liberman, começamos a investigar o sonoro, o espacial… passávamos horas com  instrumentos ou com máscaras, sem saber bem que era que ia acontecer. Foi um espetáculo muito cuidado. Hoje ainda trabalhando nele.

Acredito que todos os grupos refletam um processo do que é, em seus espetáculos; e Sinapsis é, sem dúvida, uma soma de necessidades de um coletivo.

Buscamos sem ser pretenciosos, a verdade, a escuta, o corpo presente, seguir os verdadeiros impulsos, ter a sonoridade como grupo… a verdade é um trabalho riquíssimo. Não pretendemos que isso se veja, que sejamos maravilhosos, mas sim buscamos ser fiéis a esse momento e nos entregamos em cem por cento a essa nova viagem.

A escolha do formato acredito que foi o único pouco estudado. Havíamos começado nossa carreira como improvisadores com esse estilo, e como era toda uma volta à origem, rapidamente surgiu essa opção.

Apesar do teatro físico não ser uma peculiaridade do grupo, trabalhamos com rigor e seguimos muito o teatro Lecoq.


4) Improvisando: ¿Cómo esta la improvisación en el Uruguay?

Improvisando: Como está a Improvisação no Uruguai?

Florencia: Es sin lugar a dudas un fenomeno. Es un movimiento que esta surgiendo muy fuerte, y nosotros tenemos una responsabilidad muy grande porque somos pocos lo que improvisamos aca .

El ideal para mi seria que en un furturo no muy lejano, la red de personas que estan en esto, fuera mucho mas grande, para poder tambien, generar cosas mas grandes, como festivales o mundiales.

Tambien hay que entrenar a la gente. Aquí el publico era muy tradicional, pero desde hace un tiempo, esta recibiendo muy bien las nuevas propuestas teatrales, entre ellas, la impro.

Creo que va muy bien.

Espero que ponto aparezcan mas compañias para retroalimentarnos!

Florencia: É sem dúvida um fenômenos. É um movimento que está surgindo muito forte, e nós temos uma responsabilidade muito grande porque somos poucos que improvisamos aqui.

O ideal para mim seria que em um futuro muito distante, a rede de pessoas que estão nisso, se torne muito maior, para poder também gerar coisas maiores, como festivais ou mundiais.

Também tem que treinar as pessoas. Aqui o público era muito tradicional, mas faz um tempo que tem recebido muito bem as novas propostas teatrais, entre elas, a impro.

Acredito que vá muito bem.

Espero que rapidamente apareçam mais companhias para retroalimentarmos!

5) Improvisando: ¿Quiénes son los Improvisadores que inspiran usted a llevar a cabo su trabajo?

Improvisando: Quem são os improvisadores que a inspiram na realização de seu trabalho?

Florencia: Por suerte desde que comenzamos esta aventura tuvimos grandes maestros.

El grupo en si mismo se basa mucho en Lecoq, lo leemos mucho y nos identificamos con el concepto de individuo autonomo creador; ser un colectivo de artistas completos y cada uno diferente del otro.

En lo personal seria difícil nombrar a un solo improvisador, porque por suerte estamos rodeados de grandes genios que todo el tiempo nos enriquecen con sus trabajos.

Marcio Ballas es un pilar importantisimo en mi vida, como amigo y como gran profesional que es. Ya que nombre a Brasil, no puedo dejar de nombrar a César Gouvêa, al que admiro profundamente.

Pero las compañias de Colombia, Acción Impro; de Mexico, Complot Escena, Jogando no Quintal de Brasil; Mamut de Chile,  siempre estan inspirando a que uno quiera hacer lo que ellos hacen.

Florencia: Por sorte, desde que começamos essa aventura tivemos grandes mestres.

O grupo em sim mesmo se baseia muito em Lecoq, lemos muito e nos identificamos com o conceito do indivíduo criador autônomo; ser um coletivo de artistas completos e cada um diferente do outro.

Pessoalmente seria difícil nomear somente um improvisador, porque por sorte estamos rodeados de grandes gênios que todo o tempo nos enriquecem com seus trabalhos.

Marcio Ballas é um pilar importantíssimo em minha vida, como amigo e grande profissional que é. Já que falei de Brasil, não posso deixar de nomear César Gouvêa, que admiro profundamente.

Mas as companhias da Colômbia, Acción Impro; do México, Complot Escena; Jogando no Quintal do Brasil; Mamut do Chile, sempre estão inspirando a que alguém queira fazer o que eles fazem.

6) Improvisando: ¿Qué más ha traído su interés en la improvisación de hoy? Juegos de improvisación o los LongForm?

Improvisando: O quem mais tem atraído seu interesse na improvisação de hoje? Jogos de improvisação ou longform?

Florencia: Los dos formatos son iguales de ricos e interesantes. En este momento, por ejemplo, se da que estamos en simultaneo investigando las dos a fondo.

Con el long form, me permito mas la busqueda de la verdad, de la honestidad como actriz. Lo encuentro hasta mas poetico si se quiere,mas curativo, mas mio,  aunque hagamos comedia. Es como la sensación de construir una pintura entre todos, en una hora de espectaculo.

Con el sport es diferente, porque si bien uno lo entrena la velocidad y plasticidad que requiere,  es en otro carril de ritmo. Estas mas exigido y jugando mas al limite. Siempre con alegria. Pero mas al limite. O al menos yo juego asi, jajaja, realmente lo vivo como la palabra lo indica: deportivo.

Florencia: Os formatos são igualmente ricos e interessantes. Nesse momento, por exemplo, estamos investigando simultaneamente os dois a fundo.

Com o longform, me permito mais a busca da verdade, da honestidade como atriz. Encontro algo mais poético se quero, mais curativo, mais meu, ainda que façamos comédia. É como a sensação de construir uma pintura, entre todos, na hora do espetáculo.

Com o esporte é diferente, porque enquanto ele treina a velocidade e a plasticidade que exige, está em outra pista de ritmo. Está mais exigido e jogando mais ao limite. Sempre com alegria. Mas no limite. Ao menos eu jogo assim, hahaha, realmente vivo como a palavra o indica: desportivo.

7) Improvisando: ¿Cuál es el principio de la improvisación que ahora más se está estudiando e investigando?

Improvisando: Qual é o princípio da improvisação que agora mais está se estudando e investigando?

Florencia: La verdad en escena.

Shawn Kinley nos hablo de eso, y la verdad hizo un click importante.

Florencia: A verdade em cena.

Shawn Kinley nos falou disso, e realmente foi um click importante.

8) Improvisando: ¿Dónde estará el impro? (el futuro)?

Improvisando: Para onde vai a Impro? (o futuro)

Florencia: Yo creo que esto es como una bola de nieve que crece y crece. En Uruguay nosotros fuimos los primeros en hacer esto y nadie entendia nada, nadie creia que era improvisación, fue muy loco. Ahora aca hay mucha gente interesada en esto. Incluso en Abril comenzamos con la EIU, que es la primera escuela de improvisación del uruguay, la cual dirijo con Danna Liberman y Enrico Greco.

A nivel mundial tambien es impresionante, es un fenomeno. Puedo nombrar el caso de los Barbixas, que por medio de Internet llegaron al mundo entero, todos los que hacemos impro sabemos quienes son.

La verdad, antes en el inicio todo era el caos, pero del caos sale la creación. Y creo que ahora estamos en la generacion que va a introducir, al menos en mi pais, otra forma de hacer teatro. Bien distinta, pero igual de poderosa.

Florencia: Acredito que isso é como uma bola de neve que cresce e cresce. No Uruguai nós fomos os primeiros a fazer isso e ninguém entendia nada, ninguém acreditava que era improvisação, foi muito louco. Agora aqui tem muita gente interessada nisso. Aliás em Abril começamos com a EIU, que é a primeira escola de improvisação do Uruguai, a qual dirijo com Danna Liberman e Enrico Greco.

A nível mundial, também é impressionante, é um fenômeno.Posso nomear o caso dos Barbixas, que por meio da Internet chegaram ao mundo inteiro, todos os que fazemos impro sabemos quem são.

A verdade, antes no início todos era o caos, mas do caos sai a criação. E acredito que agora estamos na geração que vai introduzir, ao menos em meu país, outra forma de fazer teatro. Bem diferente, mas igualmente poderosa.

Com mucho gusto, soy grata a Florencia por su amabilidad en participar de ese blog e la felicito por su nuevo espectaculo Imprevisto e su recien nominación al premio Florencio como actriz de reparto por la obra “Romeo y Julieta Mutantes”. Sigue el video de Florencia en release de “Imprevisto“.

Muito feliz, sou grata a Florencia por sua gentileza em participar desse blog e a cumprimento por seu novo espetáculo Imprevisto e sua recém nominação ao prêmio Florencio como atriz coadjuvante pela obra “Romeu e Julieta Mutantes”. Segue o vídeo de Florencia no release de “Imprevisto.

Marco Gonçalves é plural. Músico, palhaço e improvisador. Atualmente é o palhaço atleta Fonseca do Jogando no Quintal, acabou de cumprir a primeira temporada do programa É Tudo Improviso da Band (aguardando resoluções para uma continuação do programa na grade horária da emissora) e faz parte do elenco rotativo do espetáculo Improvável da Cia. Barbixas de Humor. Nessa entrevista, gentilmente concedida entre suas correrias de apresentações, treinamentos e reuniões, Marco Gonçalves fala um pouco de suas filosóficas impressões a respeito da Improvisação e da vida.

Pode-se saber mais de Marco através do seu twitter. Também, para quem tem uma formação básica de improvisação ou clown, ele iniciará um curso extensivo de Impro no Quintal de Criação às segundas feiras a partir de 12 de abril.

Improvisando: Gostaria que você iniciasse contando um pouco dos caminhos que o trouxeram para a Improvisação Teatral. Sua biografia.

Marco Gonçalves: A verdade é que tenho alguns curriculuns espalhados por aí. Eu digo isso realmente pela lista de coisas que eu fiz. Como estudei pouco o teatro, eu muitas vezes  inventei coisas que eu fiz para conseguir pegar um emprego, para pagar aulas de música. Na verdade minha formação qual é: eu estudo música desde pré adolescente, com professor particular. Na pré adolescência e adolescência eu estudei música de uma forma bem firme na sina de ser um músico mesmo. Daí fiz publicidade mas parei no primeiro semestre. Tinha aquele desejo de ser um criador e tinha a ilusão de que a faculdade de publicidade ia propiciar isso. Descobri na faculdade que não era essa a pegada da publicidade que nela a criação era uma coisa bem pontual e direcionada. Aí me dediquei a ser músico profissional. Saí do Rio Grande do Sul para vir estudar música aqui em São Paulo no Conservatório e não passei. A verdade é que não tava bem preparado, tecnicamente não estava preparado. Bem próximo das provas pro Conservatório descobri que (esse é um dado importante lá na frente eu acho)  não era isso o que eu queria fazer, porque eu não tinha prazer em estudar aquilo. Tinha prazer em trampar em tocar, mas ir pra casa e ficar treinando a parte técnica era uma coisa que não gostava.

Com relação ao palhaço e a Improvisação, entre meus primeiros professores, eu já encontrei meu mestre que é o Marcio Ballas.  Comecei a fazer aula no Galpão do Circo, com uma bolsa conseguida com muita cara de pau. Disse: “Quero muito estudar palhaço, você me dá uma bolsa?” E o Marcio, muito generoso, me deu uma bolsa. Comecei a fazer bastante aula de palhaço com o Marcio e tinha, nos momentos da aula, meus momentos mais bonitos da minha semana em São Paulo. Esperava a semana inteira para vivenciar a aula de palhaço. Sinceramente tinha um pouco de confiança de que aquilo era meu assunto. Fui fazendo outras coisas na vida porque precisava de dinheiro: trabalhei com música para ganhar dinheiro, dava aula em escolhinha para criança de música. Descobri que seria palhaço pela necessidade, precisava fazer grana com isso, o que é bem pouco romântico. Essa é  a parte pouco romântica. Também não tinha família aqui, então entrei numa imersão: andava de palhaço pela Vila Madalena, levava meu nariz no bolso achando que a qualquer momento poderia sacar, como se fosse uma arma.

Eu já tinha uma admiração pelo Jogando no Quintal, eu já tinha assistido e pensava: é isso que eu quero fazer. Aí trabalhei num grupo amador, que por coincidência foi onde conheci a Rhena (de Faria) e a Lu Lopes, que passaram por lá, já profissionais.  Era o Sarau do Charles.

Eu tinha muitos sonhos. Quando me tornei palhaço eu pensava: eu quero ser do Doutores da Alegria para brincar com as criancinhas ou quero ser do Cirque de Soleil. Era o que eu queria muito, muito, muito. E o Marcio sacando minha vontade e usando da sua generosidade, começou a me convidar para acompanhá-lo como músico-palhaço. Tinha uma participação bem pequena, ia lá e tocava, era bem músico mesmo. Pra um músico eu era ruim, mas pra palhaço eu era pior ainda.

A verdade é que os palhaços não sabem fazer nada direito no Brasil. É uma coisa bem brasileira. O prazer de fazer as coisas que é bom para um palhaço, às vezes podem impedir que você se desenvolva. Você sabe mesmo usar sua habilidade? Às vezes não. Mas num palhaço isso cabe. Os palhaços gringos eles tem essa coisa da técnica, os americanos e os europeus, a gente não. A gente não sabe fazer nada. E somos palhaços incríveis.

Eu fui aprendendo a tocar sendo palhaço, não maduro. Aí fui ganhando espaço. E o Marcio (eu vou falar muitas vezes do Marcio porque na verdade ele é minha escola) tinha uma coisa muito legal comigo.  Ele me chamava para as apresentações e dizia assim: Rouba a cena, hein? Quero ver você roubar sua cena. Eu vivia também essa generosidade com o Alessandro (o Charles).

Aí entrei no Jogando, quando o Manjericão (Eugênio La Salvia) foi gravar um curta. Eu fui lá, entrei e nunca mais saí. E achei uma família, uma coisa maior até que o trabalho. É a família que não tinha aqui presente.

Mas falando de sala, e minhas primeiras vivências foi de palhaço, um dos  primeiros palhaços que admirei foi  o Paulo (Federal). E via os treinamentos de  improvisação dele. E eu achava que  eu não consegueria fazer isso. Até porque quando se está do lado dos heróis, você pensa: não serei um herói.

Com o tempo a banda, dentro do espetáculo, começou a ganhar  um tamanho muito grande, e a gente começou a fazer palhaço fora do Jogando. Com a Banda Gigante, que é a banda do Jogando no Quintal, que começou a ter um espetáculo paralelo. Daí comecei a experimentar o que é ser um palhaço e ter o foco, porque no Jogando eu só apoiava. Daí vem a segunda grande pessoa na minha vida que é a Lu Lopes: a gente passou a fazer música como palhaço, o que era incrível. E eu ainda namorava  a coisa de jogar.

Pra encurtar a estória, fiz a banda Gigante alguns anos, e aí num determinado momento, a banda começou a ganhar um caráter de  não ser exatamente o que eu queria. Tocar na banda do Jogando não era mais exatamente o que eu queria. Eu comecei a ter uma demanda de criação. Que pra mim é o assunto do improvisador. A escola de improvisação gera ferramentas para algumas coisas. E eu comecei a ter uma demanda de criação: comecei a não dormir para escrever, comecei a querer mais espaço na Banda, no Jogando, queria mais, queria mais. E era uma coisa que não era vaidade batendo, era uma demanda. Aí decidi que ia ser um ator.

Comecei a estudar improvisação e descobri que é uma coisa que me leva pra sala. Eu vou pra uma sala estudar improvisação e fico horas, sem problemas, amo fazer isso. Estudei com toda essa turma aí, com o Ricardo Behrens, com a Mariana Muniz. Estudei com todo mundo que o Marcio e o Jogando trouxe, recentemente o Shawn (Kinley).

Veio então o Caleidoscópio, e foi aí que experimentei minha primeira criação de um espetáculo. Isso tudo é o que está aos olhos do mundo.

Internamente, que pra mim é o mais importante. Aquilo que sempre me encantou e que o palhaço sempre me propôs que é a busca da liberdade, estou vivendo agora num momento de profunda paixão e amor por essa ferramenta que é pedir um tema, escutar e mandar ver.

A minha escola se confunde com a estória com o Jogando. E hoje com os Barbixas. Eu sou um cara muito da espiritualidade. Eu tive alguns mestres de uma outra área, que falavam muito pra mim: você tem que enxergar o mestre nas coisas do mundo. Eu enxergo nos Barbixas grandes mestres mas não porque eles tem essa postura, ou porque a gente estabeleceu uma relação, mas porque eles criaram uma coisa importante que é o Improvável. Eles trouxeram a mim isso e a um grande público. E eu vivo com eles também hoje essa coisa a que sou grato eternamente.

Falar do meu curriculo, que já tá acabando, é falar de gratidão. Gratidão por onde eu passei, a um monte de gente.

Improvisando: O que para você significa a Improvisação Teatral?

Marco Gonçalves: O que é Improvisação teatral é uma pergunta profunda e difícil. Eu considero uma coisa que me rege, é uma linguagem que consegue colocar a espontaneidade na frente. A espontaneidade é o que rege esse trabalho. Estou dizendo muito mais de sensação. Enfim, mas é algo que tenho prazer em fazer. Vou falar uma frase feita que traduz o que é a improvisação para mim: “Produzir vibrações, rotações, girações, danças, palcos, gravitações, inventar novas metas, e setas que vão disparar novos corações”. Isso pra mim me fala da improvisação hoje.

E também outra coisa que me fala do que é improvisação é o sentido que as mandalas tem. É um trabalho muito preparado e termina no desapego para abrir espaço para outra coisa. E enxergar nesse movimento o sentido da coisa e não o produto em si. A gente produz um número de cenas muito grande e a maioria são geniais e elas se vão.

Enfim, improvisação teatral pra mim é uma coisa que toca os mistérios da vida.

Improvisando: E quais são os princípios da Improvisação que você considera importantes?

Marco Gonçalves: Fundamental são alguns. Como diz a Rhena, escuta, aceitação são coisas profundas. Sou obrigado a repetir. Mas uma coisa que a própria Rhena me trouxe na relação próxima que a gente tem, é que quando a gente fica tratando da improvisação como ferramenta e como jogo, talvez a gente siga estritamente o que as escolas falam (escuta, aceitação). Fica uma coisa puramente técnica. Pra mim o buraco é mais embaixo e a Rhena me chama a atenção pra isso. Ela tem uma imaginação muito grande para a loucura, não a patologia, a doença, mas aquele olhar que é capaz de traduzir de uma forma muito diferente uma coisa que é lugar comum. Eu sempre tento ver a improvisação muito mais como uma arte que como uma linguagem técnica.  Nesse sentido, isso é uma coisa fundamental para o palhaço: o que você está falando para o mundo, aí?

Acho que estou querendo aliar um conceito que é a aceitação, escuta e um desejo de voar, uma certa loucura.

Lembrei agora do Chacovachi, que não foi um mestre, foi um dos professores que passou por aqui. Ele é um mestre para todo mundo, mas pessoal não. Ele diz: “El Payaso tiene que ter hambre”. O palhaço tem que ter sangue “nozoio”, que não necessariamente é ter uma agressividade, pode ser uma coisa bem infantil, ingênua, inocente. Mas é quente, potente, uma combustão.

É isso: escuta, aceitação e combustão.

Mas também tem outra coisa que é: “Quem está improvisando?”

A real é que escutar, aceitar, estar com o corpo pronto, saber jogar os jogos, saber a proposta coletiva de cada grupo e de cada espetáculo é fundamental mas são FERRAMENTAS. O conteúdo que você trará para a cena é uma coisa importante e ao mesmo tempo só pode ser gerado com organicidade, ou seja: quem você é, o que pensa, o que sente e como sente constrói sua fantasia. O que você lê, assiste ou o que te inspira como espectador geram bagagem para criar. O formato Improvável dá espaço para os comediantes, o Jogando para os palhaços, o Tríptico da Colômbia dá espaço a excelentes atores .

Improvisando: Gostaria que você falasse um pouco dessa conexão entre o clown e o improviso. E também da relação entre improviso e a música, que é a sua origem.

Marco Gonçalves: A música me ajudou muito. Conceitos que a música tem como muito fundamentais como linguagem, como ferramentas muito conhecidas, são fundamentais no improviso. Por exemplo, você não enaltece a escuta, ela é uma ferramenta tão básica na música: você não aprecia música sem escuta, você não dança sem escuta e não toca bem com um colega sem escuta, você não aprende a tocar um instrumento sem escuta. A escuta na música é uma perna para um jogador de futebol. Por isso, escutar os colegas era uma coisa muito orgânica pra mim. Quando entrei na escola da improvisação, a escuta já estava ali comigo.

Uma outra coisa que considero importante, a qual o Marcio é bem cuidadoso com esse aspecto na cena é o timing. O Marcio tem muito controle sobre o gráfico da cena: um começo que deixa ela clara, uma apresentação da situação e dos personagens, uma inclinação, um problema, e de repente uma aceleração, uma virada e um fim. A música respeita, seja improvisada ou ensaiada, um gráfico. A música tem uma parte A, B, refrão, AB e um refrão no final.

A música me ajudou no improviso, na escuta e no timing.

O palhaço já me ajuda um pouco a viver, mais que a trabalhar. Fica um pouco fácil fazer uma criação excêntrica, interessante aos olhos do público, quando você vivenciou isso. Só o palhaço tem essa levada, ele é a loucura, ele é o personagem. A gente não faz o palhaço a gente é o palhaço. A gente não é melhor ou pior que nada, a gente simplesmente é.

Quando eu estou fazendo, por exemplo, o Improvável (que é um espetáculo de tiro, de piada), muitas vezes estou fazendo essa piada com o lugar comum. Mas quando estou em cena eu invariavelmente uso o palhaço, mexo no dimer da intensidade mais ou menos.

Por exemplo: O que não fazer numa sorveteria? Eu me reporto a aquele lugar e penso no que espontaneamente seria gostoso fazer. Aí eu junto um pouco com a estória dos meninos que é elaborar uma piada com isso e mato. Pego a matéria prima e coloco o olhar de palhaço em tudo.

O que eu não deveria fazer está casado com o que eu poderia fazer e é proibido. Que é a base do Cenas Improváveis e no programa (É Tudo Improviso) é o Cenas Absurdas.

Outro exemplo: O que não se fazer num velório? Uma mente livre, uma mente não ressentida, que é a mente de um palhaço, uma mente desapegada de padrões e regras,  não faz muita força para  pensar o que não fazer. Ele simplesmente vai lá e faz. Ele cumprimenta o morto, vai lá tira uma com o morto. É como já falei com minha mãe e com meu pai. Na ocasião a gente vai se divertir na brincadeira, vamos beber o morto.

Improvisando: Quem são os Improvisadores que o inspiram na realização do seu trabalho?

Marco Gonçalves: Poxa, aí vem muitas coisas na cabeca. E vem um desejo de ser político…

Improvisando: Eu penso em termos de referência…

Marco Gonçalves: Hum… Paulo Federal, Marcelo Savignone, Marcio Ballas (sempre), Rhena de Faria. Fora do improviso, esses dias vi o Pedro Cardoso, achei arrebatador. Dos mexicanos, o José (Luis Saldaña), acho sensacional. Mas de todos, o último que me impressionou mais foi o Marcelo Savignone porque ele é o cara que toca, canta. Ele é desesperador, ele é multi, você conversa o cara, ele conta que  estuda diariamente horas, e é um maluco.

Enfim, eu deixaria essas pessoas, mas isso vale pra hoje. Respeitando o agora.

Improvisando: E com relação às companhias teatrais?

Marco Gonçalves: Todas. De improvisação, eu gosto de todas. Das ruins e das boas.

Pode parecer uma prepotência, mas tenho muito respeito por quem trabalha. Gosto dos Barbixas, Jogando no Quintal, . Em termos de Brasil ainda tem o pessoal de Belo Horizonte, o Imprópria, o Protótipo. Eu tenho muito respeito por você.

Improvisando: Eu não pertenço a nenhuma companhia…

Marco Gonçalves: Mas não digo em termos institucionais, eu tenho respeito por quem tá dando um gás pelo assunto. Quem tá afirmando a Improvisação.

Falando do programa, por exemplo,tentar pegar essa linguagem e torná-la mais popular. Deixar mais gente afim de fazer. Isso poderia ficar como um desejo individual do Marcio, que quer a improvisação no Brasil, ou os Barbixas. Mas é um desejo de muitos, uma força que se espalha.

Fora isso  Impromadrid, Complot/Escena, Loose Moose, LPI Argentina.Vou acabar esquecendo alguém, enfim…

Improvisando: Gostaria que você falasse um pouco com relação a seu interesse em formatos de improvisação. Você hoje tem uma preferência entre formatos longos ou formatos desportivos de improvisação?

Marco Gonçalves: Eu acho tudo importante. Os espetáculos que tem como base jogos de improviso e espetáculos de long form que tenha uma premissa e a improvisação. É que em termos de jogos já existe o Improvável, o Jogando, outras trupes, o programa e acaba meio que virando lugar comum.

O long form acaba virando um desafio hoje em dia. A gente tem pretensões muito altas: não quer ter uma estória boa porque é improvisada, mas uma estória que seja digna de ser encenada várias vezes.

Fora de cena é bacana você ser bem pé no chão, mostrar que o que estou fazendo qualquer um que queira muito poderia fazer. Mas quando digo muito, queira muito mesmo, se dedique.

Em cena acho essa coisa da pretensão bem legal. Às vezes a gente tem uma coisa no long form, em que a gente desafia um ao outro, causando uma sensação ímpar na platéia. Imagina criar uma atmosfera, uma estória que tenha uma trama que de repente possa ser sensual para a platéia. Uma arte transformadora que pode te levar a outro lugar.

Hoje os espetáculos de jogos buscam a piada, um lirismo e na verdade, já tem bastante missão só nisso.

O horizonte do long form é outro. Talvez ele me seja mais atraente, mas ele nao é melhor que o curto, talvez ele até seja um pouco pior. Pro grande público ele talvez seja menos divertido. O público tá afim de ver um desafio mais cirúrgico.

O long form só está mais atraente, mais sedutor pra mim hoje em dia.

Improvisando: Em termos futuros, o que você espera da Improvisação?

Marco Gonçalves: De forma prática,  um número maior de grupos fazendo, uma disseminação mesmo. Eu acho que vai acabar acontecendo, tomara a Deus. Com isso, irão surgir novas formas de fazer, grupos com identidade cada vez mais única, com trabalhos cada vez mais autorais. Isso do ponto de vista comercial.

Do ponto de vista filosófico, que é o que me pega mesmo.  Eu sinto que tem uma coisa que amarga a vida um pouco que é a própria diversão que é trocada pela obrigação. E a vida cheia de obrigações é dificil . Ela é dificil para qualquer um. Mesmo para aquele que gosta, que faz determinadas coisas porque gosta de cumprir aquela obrigação.  Mas tem outras possibilidades e é esse que é o barato.

Não estou falando que a improvisação tenha a ver com descompromisso. A improvisação tem a ver com dar vazão a espontaneidade. E a espontaneidade é o contrário da obrigação. E quando você gera mais espaço para dar vazão a essa espontaneidade, você tem uma ferramenta prática, potente e verdadeira e não uma falácia. Você ouve: temos que melhorar o mundo. Mas como se faz isso?

Mas respondendo à sua pergunta, quando eu vejo meu pai altamente envolvido com a piada, não porque riu, pelo interesse na piada em si…  As pessoas me ligam, me procuram, projetando um desejo de fazer a mesma coisa. Tenho recebido muito email,  muito twitter dizendo: você poderia ter feito aquilo tal hora. Eu procuro responder: então vamos fazer, eu quero fazer isso com você. Esse convite tem a ver com um chamado: vamos brincar!  Isso pra mim tem a ver com a missão da improvisação. Que passe a trazer essa força da espontaneidade com o tempo.

A seguir, Marco Gonçalves em 3 momentos incríveis: Improvável, É Tudo Improviso e Jogando no Quintal.

Sergio Dominguez Molina, conhecido como Panqueque, nasceu em Santiago, e passou a infância na Comuna de Reina. Logo depois foi para Nuñoa, onde estudou no The Angels School. Seu primeiro contato com os palcos viveu em uma oficina de teatro na escola, aos 8 anos. Cometeu um erro, que não deseja comentar, mas a punição foi a proibição de voltar ao curso, marcando sua saída da disciplina assim que saiu do quarto ano médio.

Desde o primeiro ano médio, depois de aulas, tinha aulas de canto em Projazz, e quando saiu, tentou estudar de forma profissional, mas percebeu que não era algo que gostaria de dedicar-se em tempo integral (Panqueque foi vocalista da banda de metal sinfônico “Six Magics” , o qual abandonou por motivos familiares).
No ano seguinte foi estudar teatro em “La Mancha“, e percebeu que não fazia pontuação suficiente para muitas coisas, e para o teatro sim. Além de que, não precisaria anotar tanto. E seguiu em frente.

Em princípio começou seus estudos na Escola de Teatro La Mancha, onde estudou dois anos e conheceu Nico e Moyita.  Ao sair de lá foram contratados por uma companhia chamada “La Sombra”, liderada por 3 pessoas que dirigiam 11 atores, e que logo se dissolveu.

Panqueque estava sem companhia teatral, e foi chamado por um amigo para uma peça, um jogo de máscaras chamado “El Casting”, na qual teriam somente 3 dias para ensaiar. Pensou que não ia dar certo, já que não tinham nada de concreto, se jogaram e as pessoas adoraram, ficou genial. Então Moyita (sua companheira há 10 anos, com quem tem um filho de dois anos) sugeriu que fizessem isso melhor. Formaram um grupo, ensaiaram essa peça muito bem por duas semanas, que se saiu excelente. Foi então que pensaram em fazer uma companhia de teatro e dedicar-se integralmente a estudar obras com tempo e fazer algo improvisado também.

Desde então foram convidados para vários festivais, e ao invés de estudar obras como qualquer companhia teatral, mergulharam de cabeça na Improvisação. Decidiram chamar Nico e Juanita do “La Sombra” para se juntarem ao grupo e começaram a treinar. Passaram dois anos se preparando, sem professores, fizeram o que sentiam intuitivamente correto. Começaram a entrar em contato com as pessoas que fizeram o mesmo na América Latina, e quando viajaram para festivais, tiveram aulas com todos eles.

Tudo isso serviu para se profissionalizarem e pegarem todas as técnicas em que o mais importante é seguir tendo aulas.

Em 2004, Panqueque estudou cinema, e em seguida, em 2008, para aperfeiçoar-se na Improvisação, foi fazer cursos em Toronto, no Canadá, com o The Second City e, no ano passado, com Keith Johnstone, um dos fundadores da improvisação moderna. No Canadá, encontrou muitas pessoas que estudaram com os melhores improvisadores, com espetáculos diferentes, podendo complementar o que faz e ver o que outros fazem em outros lugares e buscar o próprio caminho da improvisação.

Hoje, o Colectivo Teatral Mamut, tem cerca de 6 espetáculos, alguns feitos por eles e outros feitos por alunos na sala Chucre Manzur.

Desde o dia 4 de janeiro, estrela o programa Los Improvisadores, no Canal Viax Chileno, junto com seus companheiros de Mamut (Moyita, Juanita, Nico) e a atriz María Paz Jorquiera. A apresentação é de Juan José Gurruchaga. (vide post desse blog). O programa é um sucesso de audiência e projetou ainda mais a companhia no Chile.

Nessa entrevista, gentilmente concedida por email, há alguns dias da estréia de seu programa de tv, Panqueque expõe suas opiniões sobre a Improvisação Teatral, com muito bom humor.

Improvisando: ¿Usted puede hacer un breve resumen del trabajo realizado hoy en día?

Improvisando: Você pode fazer um breve resumo do trabalho realizado hoje em dia?

Panqueque: Hoy formo parte del Colectivo Teatral Mamut. Administramos un teatro donde hay impro todo el anio, tenemos una escuela de impro con 3 niveles y recientemente empezamos un grupo de long form.
Investigamos la espontaneidad y la creacion teatral. Nuestros espectaculos mas populares son Efecto Impro, que es un long form, Improviscopio, que es un formato clasico y Teatro de gorilas, que es un formato de improvisacion dirigida, osea con directores en escena.
Tambien jugamos, match, catch y otros formatos con puntos.
Recientemente organizamos el ImproFestin.
Actualmente estamos trabajando para un canal de television con un programa de Impro, en enero seguimos en cartelera y hacemos teatro callejero. Y hoy mismo es la muestra de el taller de long form, termino de escribir esto y tengo que ir al teatro jajjajaja.
Panqueque: Hoje faço parte do Colectivo Teatral Mamut. Administramos um teatro onde há improvisação o ano todo, temos uma escola de impro com três níveis e recentemente começamos um grupo de long form. Investigamos a criatividade e a criação teatral. Nossos espetáculos mais populares são Efecto Impro, que é um long form; Improviscopio que é um formato clássico; e o Teatro de Gorilas, que é um formato de improvisação dirigida, com diretores em cena. Também jogamos Match, Catch e outros formatos de pontos. Recentemente organizamos o Improfestin. Atualmente estamos trabalhando para um canal de televisão, que estará nas telas em janeiro, e faremos teatro de rua. E hoje mesmo é a mostra do Workshop de Long Form, termino de escrever isso e tenho que ir ao teatro. Hahaha.


Improvisando: Qué es la improvisación? ¿Cuáles son los principios en los que estaba fundado?

Improvisando: O que é a Improvisação? Quais são os princípios em que se fundamenta?

Panqueque: Exactamente no se lo que es jajajajja, pero para mi es realizar una accion sin preparacion, con los elementos que se encuentran disponibles en ese momento. La improvisacion teatral es crear una escena o una historia en el momento sin libretos.
Para mi la impro no tiene reglas ni limites, uno puede hacer cualquier cosa, pero creo que la improvisacion moderna se funda en la comunicacion, generosidad y espontaneidad.
Panqueque: Exatamente não sei o que é hahaha, mas para mim é realizar uma ação sem preparação, com os elementos que se encontram disponíveis nesse momento. A improvisação teatral é criar uma cena ou uma estória no momento, sem script. Para mim a impro não tem regras nem limites, pode-se fazer qualquer coisa, mas acredito que a improvisação moderna se fundamenta na comunicação, generosidade e espontaneidade.

Improvisando: ¿Cuando la improvisación comenzó en su carrera?

Improvisando: Quando a Improvisação começou em sua carreira?

Panqueque: La improvisacion ha sido un estilo de vida ya a estas alturas jajajjaja. Ha sido un coninuo apredinsaje de el comportamiento humano, narrativa, espontaneidad etc, que enriquesen la vida no solo en el escenario.
Panqueque: A improvisação tem sido um estilo de vida já, a essas alturas hahahah. Tem sido um uma aprendizagem continua do comportamento humano, narrativa, espontaneidade etc, que enriquecem a vida não somente em cena.
Improvisando: Quiénes son los improvisadores que inspiran a llevar a cabo su trabajo?
Improvisando: Quem são os Improvisadores que o inspiram na realização do seu trabalho?
Panqueque: Uff,  muchos pero creo que Sucesos Argentinos que fue lo primero que vi y me influencio mucho en querer improvisar. Pero creo que la inspiracion mas directa han sido los profes que e tenido especialmente Keith Johnstone, Rodrigo Malbran, Omar Argentino y Shawn Kinley.
Tambien los del Loose Moose en Canada me gustan mucho.
Pero mis favoritos son los de Brasil, Mexico, Espania, Peru, Argentina, Colombia, etc. Tengo demasiados para nombrar ajjajjaja

Panqueque: Aff, muitos, mas creio que Sucessos Argentinos que foi o primeiro que vi e me influenciou muito em querer improvisar. Mas creio que a inspiração mais direta tem sido os professores que tenho tido especialmente Keith Johnstone, Rodrigo Malbran, Omar Argenino e Shawn Kinley. Também os do Loose Moose no Canadá gosto muito. Mas meus favoritos são do Brasil, México, Espanha, Peru, Argentina, Colombia, etc. Tenho muitos para nomear hahaha.

Improvisando: ¿Qué compañias en el mundo de hoy que usted cree que son los trabajos más increíble?

Improvisando: Que companhias no mundo de hoje que você acredita estão realizando os trabalhos mais incríveis?

Panqueque: La empresa de Google parece que es bien buena.
Panqueque: A empresa Google parece estar muito bem.

Improvisando: ¿Qué más ha traído el interés en la improvisación de hoy? Juegos de improvisación o los LongForm?

Improvisando: O mais atrai seu interesse na improvisação de hoje em dia? Jogos de improvisação ou longform?

Panqueque: La impro es la unica forma de arte que se clasifica por duracion jajjajajja
Para mi long form y short form es lo mismo ya sean historias largas o cortas son historias.
Para mi las diferencias en la impro son: los juegos que se usan para sacar risas sin nesesidad de crear algo y las historias o juegos que crean algo (aunque no sea una historia).
Me gustan los espectaculos que crean historias ya sean largas o cortas. Me gusta mucho el long form, pero creo que no es nesesariamente mas poderoso que el short form.
Me gustan mucho los espectaculos de desafios tambien y juegos cortos. Actualmente creo que mi interes mas profundo esta en la narrativa improvisada, y como consecuencia hemos hecho long form, pero cuando hacemos short form tratamos de buscar lo mismo que en uno de long form. Un poco enredada mi respuesta perdon 🙂
Panqueque: A impro é a única forma de arte que se classifica por duração hahaha.
Para mim short ou long form é o mesmo, sejam estórias longas ou curtas são estórias.
Para mim as diferenças na impro são: os jogos que se usam para tirar risos sem necessidade de criar algo e as estórias ou jogos que criam algo (ainda que não seja uma estória).
Gosto dos espetáculos que criam estórias sejam curtas ou longas. Gosto muito do LongForm, mas acredito que não é necessariamente mais poderoso que o ShortForm.Gosto muito dos espetáculos de desafios e jogos curtos também. Atualmente acredito que meu interesse mais profundo está na narrativa improvisada, e como consequencia temos feito longform, mas quando fazemos shortform tentamos buscar o mesmo que em um long form. Meio emaranhada minha resposta, perdão. 🙂
Impriovisando: ¿Cuál es el principio de la improvisación que es ahora más razón para  la investigación?
Improvisando: Qual é o princípio da Improvisação que é agora maior razão para investigação?

Panqueque: Las herramientas sociales  que ensena la impro creo que funcionaria exelente en el sistema de educacion.
Los profesores de los ninos deberian ser expertos en habilidades sociales y trabajo grupal.

Panqueque: A ferramentas sociais que ensinam a Impro creio que funcionariam excelentemente no sistema de educação. Os professores de crianças deveriam ser experts nas habilidades sociais e trabalho de grupo.
Improvisando: ¿Dónde está Impro (el futuro)?
Improvisando: Para onde vai a Impro (o futuro)?
Panqueque: En el planeta Marte, cuando la humanidad se extinga los marcianos encontraran los escritos y comenzaran a entrenar.

Panqueque:  No planeta Marte, quando a humanidade se extinguir, os marcianos encontrarão os escritos e começarão a treinar.
Panqueque em ação no Teatro de Gorilas e no jogo Contra lo Reloj no Programa Los Improvisadores: