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Tive a felicidade de conhecer Débora Vieira há poucos dias.  Vi pessoalmente, a mesma atriz que imaginava tão apaixonada pelas artes, em particular pela Improvisação Teatral. E é com essa mesma paixão, que ela relata aqui suas impressões sobre esse mundo da Improvisação Teatral e a luta para erguer seu espetáculo Dos Gardenias.

1)      Gostaria que vc começasse resumindo os trabalhos com os quais vc está envolvida hoje.

Eu faço parte da UMA Companhia, de Belo Horizonte, de cuja formação fiz parte. Trabalhamos com improvisação desde 2006, e temos 3 espetáculos em repertório, o Match de Improvisação, no qual eu atuo como jogadora e como juíza, e o Sobre Nós, do qual eu não faço parte, porque, quando da montagem, eu estava montando um outro trabalho de teatro, o espetáculo Cortiços, junto à Companhia de Teatro Luna Lunera, de Belo Horizonte. E, também, nosso último trabalho, que acabou de estrear, o Dos Gardenias Social Club (clipping), trabalho de minha concepção e direção, e no qual também atuo.

Além disso, também ajudo a coordenar as atividades da UMA Escola de Impro, aqui em Belo Horizonte. Oferecemos cursos regulares para pessoas com e sem experiência em teatro, e realizamos, com os alunos, aulas abertas e o espetáculo Mister Impro, na conclusão do semestre.

Minha dissertação de mestrado, em desenvolvimento no Poslit da UFMG, também é sobre improvisação. Eu estudo a dramaturgia da improvisação, propondo um estudo comparativo entre a comédia dell’arte e os espetáculos improvisados na atualidade, mais especificamente o Humor Mierda, do grupo mexicano Complot Escena, e também o Caleidoscópio, do Jogando no Quintal.

2) O que é Improvisação Teatral? Quais são os princípios em que se embasa?
Acho que a improvisação é um banquete composto de comida para todos os gostos… e eu ainda estou desfrutando a entrada. Há todo um mundo a ser descoberto no campo da impro, mas o que mais me instiga é a certeza de que, mesmo quando já estivermos saboreando a sobremesa, isso deve ser feito com os mesmos princípios do começo: a tranqüilidade, a generosidade com o que se experimenta e também com aqueles que compartilham da mesma mesa, a capacidade de degustar cada pedaço de cada prato. Vendo os grupos mais experientes, que muito me inspiram, percebo que toda a perícia e virtuose deles só é possível porque eles se aprofundaram nas premissas básicas da impro: a cumplicidade com o companheiro de cena, a sinceridade consigo mesmo e a disposição para desfrutar do trabalho que se realiza. A partir disso, o que mudam são os desejos artísticos de cada grupo, de cada artista, e é o que vai dar o tom de cada trabalho…


3) Como surgiu a Improvisação na sua carreira?

Surgiu em 2006, sem eu ter necessariamente escolhido isso. A Mariana Muniz, que há pouco havia voltado da Espanha, onde trabalhou durante anos com o Impromadrid, postulou uma vaga para dirigir a montagem do curso profissionalizante de teatro que eu fazia, no Centro de Formação Artística (CEFAR), do Palácio das Artes. Ela nos apresentou a linguagem, o treinamento, e dirigiu o Match de Improvisação. No meu caso, foi uma experiência cheia de altos e baixos, já que eu de cara me defrontei com muitos bloqueios. Mas eu resolvi agarrar o boi pelo chifre, já que tem muitas coisas que me atraem na impro. A impro vicia, não? A sensação de que se pode tudo (ainda que saibamos que não é bem assim…), de que se pode celebrar um encontro a cada cena… Isso é mágico!
Considero, também, que em 2009 a impro surgiu na minha vida por uma segunda vez, quando eu fiz uma oficina com o canadense Shawn Kinley. Na época eu morava no Chile, estudava a impro junto ao Colectivo Mamut, e acho que o encontro com o Shawn mudou todas as minhas perspectivas a respeito dessa linguagem.

4) Recentemente Allan Benatti comentava comigo a dúvida que tinha com relação à escassez de mulheres no Improviso. A que você acha que se deve essa constatação? Quais as contribuições diferentes que a mulher pode trazer para a Impro?

Bom, é uma pergunta curiosa, porque no começo do nosso grupo, éramos 10 atores, dos quais 7 eram mulheres. Quando participamos do nosso primeiro festival internacional, a convite do Jogando no Quintal, vários grupos comentavam o quão feminino era o nosso grupo! No Fimpro, que realizamos em 2008, e depois no Improfestin (Chile), tive contato com inúmeros outros grupos, e pude perceber que, de fato, a impro ainda é uma linguagem predominantemente masculina, e eu penso muito sobre isso. A questão de gênero é algo que me toca profundamente, tenho inclusive uma simpatia muito forte por algumas pensadores e artistas que atuam no campo do feminismo. E, nesse sentido, me coloco sempre a pergunta sobre qual seria uma expressão feminina na impro. Às vezes eu acho que, puxa, temos toda uma história do teatro construída por homens… os diretores, dramaturgos, encenadores, atores… Daí me questiono até que ponto a inserção das mulheres na produção cênica não se fez, também, por uma via masculina. Como se nós tivéssemos entrado para um jogo com as regras já mais ou menos estabelecidas, e não nos restasse muito a não ser seguir essas regras. Claro que falando assim a coisa parece muito rígida, e eu sei que os processos, sobretudo os artísticos, são mais dinâmicos…

Mas nesse campo entra a impro… a maioria imensa das cenas que eu assisto e que tratam, por exemplo, dos padrões de comportamento sexual, o fazem sob uma ótica masculina. E, quando há uma inversão, sinto que trata-se simplesmente de uma inversão que tem como ponto de partida o discurso anterior, ou seja, é uma inversão apenas caricatural, ilustrativa.

E isso me inquieta muito… No primeiro semestre de 2010, inclusive, comecei a desenvolver um trabalho de investigação nesse sentido, aqui em Belo Horizonte, com várias meninas interessadas no tema… 4 atrizes improvisadoras, dentre as quais 2 são palhaças, e uma bailarina. Os encontros foram poucos (a famosa agenda…), mas a vontade de ver qual é ainda é muita.
5) Quem são os improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?
Todos os meninos da UMA Companhia, por seguirmos juntos apesar da falta de recursos; o Assis Vidigal, parceiro na UMA, pela inteligência e generosidade; a Angélica Rogel, do Complot Escena, pela delicadeza forte, pela inteligência dramatúrgica; O Marcio Ballas, do Jogando, e o Panqueque, do Colectivo Mamut, pela eterna capacidade de me surpreender e me fazer sorrir; o Gustavo Miranda, do Acción Impro, pela versatilidade; o Marcelo Savignone, pela inteligência e pela técnica e, finalmente, o Shawn Kinley, mestre em todos os sentidos!
6) Quais companhias no mundo você acredita que hoje fazem os trabalhos mais incríveis?
Atualmente eu ando muito encantada com o trabalho do grupo Complot Escena. Acho que eles têm um domínio técnico incrível, e utilizam essa potencialidade sem abrir mão da diversão e da subversão da própria técnica. Poderia também citar grupos como Loose Moose e Second City, mas acho que prefiro escolher uma inspiração mais acessível, rs.
7) O que mais tem te trazido interesse na Improvisação hoje? Jogos de Improvisação ou Espetáculos mais LongForm?

Long Form. Os espetáculos de jogo – que ainda são a maioria nos repertórios dos grupos da América Latina – me cansaram um pouco, fico com a sensação de que é quase tudo muito igual. Acho que há muitos grupos acomodados com a grande receptividade do público para com essa modalidade. Eu até acho positivo, gosto muito do trabalho de diversos grupos, continuo achando um fenômeno muito significativo para o teatro. Mas no meu caso, já estou a fim de investigar outros matizes da impro…

8) Pra onde vai a Impro? (o futuro)

Acho que ela já está num caminho muito bacana… vejo muita gente se apropriando da técnica e fazendo dela um ponto de partida para investigações de outra ordem, e eu acho que é isso que vai manter essa linguagem viva e sempre interessante!

9) Quais são as dificuldades executivas de um grupo no mercado da  Improvisação? Como a UMA Companhia tem conseguido se estabelecer nesse mercado? Quais são as perspectivas e projetos do seu grupo?

No caso de Belo Horizonte, somos o único grupo que realiza uma pesquisa contínua no campo da improvisação. E acho que, pela nossa formação, e também por nossos anseios artísticos, sempre tentamos nos inserir no mercado teatral em sentido amplo. Nunca pensamos em criar um mercado (de produção ou de público) específico para a impro, o que tem suas vantagens e desvantagens, porque nos vemos num não-lugar criativo e também mercadológico: não realizamos um teatro “comercial” o bastante para termos sempre casa cheia e vivermos de bilheteria, tampouco um teatro “experimental” o suficiente para conseguirmos manter o trabalho do grupo via leis de incentivo.

De qualquer forma, o que eu posso dizer a respeito da realidade do mercado relaciona-se mais com o cenário das artes cênicas do que especificamente da improvisação teatral.

Acho que as políticas públicas para a cultura no Brasil ainda engatinham. No caso de Minas Gerais, engatinham usando patinete: são tímidas e inconstantes. Acho que falta conscientização da classe artística a respeito do potencial mercadológico da produção cultural, e falta também competência aos gestores públicos para perceber que o investimento na cultura gera empregos, circulação de capital, além de uma imensa gama de valores agregados, tudo isso com um baixo impacto ambiental. Paralelamente à escassez de recursos, a demanda por financiamento tem crescido muito… Tudo isso dificulta bastante o nosso trabalho.

No caso específico da impro, eu não disponho de dados concretos para fazer uma análise do mercado da improvisação no Brasil. Acho que poucos grupos conseguem sobreviver do trabalho com a impro atualmente no Brasil.

Nós temos quatro anos de trajetória, e até hoje, posso afirmar que pagamos para fazer o que fazemos. Fizemos neste segundo semestre uma temporada de um mês [sexta a domingo] em um teatro daqui de BH, começamos com uma média super pequena de público e encerramos a temporada com casa lotada. No fim das contas, só conseguimos cobrir as despesas com teatro, divulgação, direção, produção…

Além disso, custeamos um investimento constante em nossa formação: oficinas, participação em festivais nacionais e internacionais (ressalte-se que 4 membros do grupo realizam pesquisas acadêmicas a respeito da impro).

E ainda pagamos aluguel de espaço para ensaiar e financiamos com nosso próprio esforço e dinheiro nossos dois longforms.

A realização do Dos Gardenias Social Club só foi possível porque fomos aprovados em um edital da Cia Clara, de BH, que nos ofereceu local de ensaio e de apresentação, além do material de divulgação.

Conseguimos um apoio de R$2.000,00 e realizamos, na cara de pau, uma vaquinha virtual, pedindo aos amigos que contribuíssem. A vaquinha nos rendeu a grata surpresa de R$1000,00, e com isso pagamos o cenário. Então, com R$3000,00, somados à imensurável dedicação de improvisadores, professores de dança, iluminadores e músicos (que também trabalharam sem receber nada, nem ajuda de custos), conseguimos erguer um trabalho do qual eu tenho muito orgulho… não apenas pelo resultado, mas pelo que significa, hoje, trabalhar com teatro e com impro no Brasil.

Estamos trabalhando incessantemente para reverter este quadro, e temos ótimas perspectivas para o ano de 2011. Evoé, impro!

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Mateus Bianchim é um ser livre. Dotado de uma capacidade de desprendimento e de busca pelos seus sonhos, acompanhei desde que o conheci, suas diversas decisões de mudanças corajosas em busca do seu sonho de aprendizado e de trabalhar com excelência no universo da Improvisação Teatral. Muitas pessoas podem falar de desejar serem livres, mas creio que tive a oportunidade real de conhecer quem de fato vai buscá-la além de todos os limites. Nessa entrevista também livre e polêmica, expõe seus pensamentos sobre a improvisação sob seu olhar bastante crítico.

1) Gostaria que vc começasse resumindo os trabalhos nos quais vc está envolvido hoje. Farei um pequeno resumo para te apresentar.

Moro em Belo Horizonte e agora faço parte de projetos da UMA Companhia, respeitada como poucas no cenário da impro Brasileiro. Acabamos de estreiar o espetáculo “Dos Gardenias Social Club” que é um long-form inspirado no Bolero, na casa de baile e nas relações possíveis nesse lugar.

Fora isso, participarei da temporada do Match de Improvisação, também da UMA e estou na direção do IMPROLIVRE, baseado na oficina que tive com Frank Totino, e que apresentamos em bares de belô.
2) O que é Improvisação Teatral? Quais são os princípios em que se embasa?

A Impro é um solo fértil e amplo. Ela se trata de teatro; e o teatro, e a arte, estão além dos limites que a tevê ou o mercado infelizmente impõe. A impro pode dar minas de ouro e ali se projetarem várias pessoas em busca do que já está pronto; uma Serra Pelada. Mas também tem outros lugares onde se pode plantar, arando e fertilizando o solo, jogando sementes e errando a época da colheita, até achar um fruto bom e duradouro pra se deliciar e se vender. Acima de tudo se deliciar e fazer deliciar.
3) Como surgiu a Improvisação na sua carreira?

Fui integrante da Imprópria Cia Teatral, éramos todos (ou quase) formados em Artes Cênicas na Universidade Federal de Ouro Preto/MG. Lá tivemos contato com a Mariana Muniz, que é a fundadora da LPI em BH, que agora é a UMA. Ela desviou nosso caminho pra sempre em direção à Impro!
4) Quem são os Improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?

Minha improvisação se inspira no cotidiano. Procuro não mais me espelhar no trabalho que os outros fazem, mas também não me preocupo se isso acontecer. Acho que o Brasil tem bons improvisadores, mas que ainda estão engatinhando e descobrindo o que estão fazendo.

5) Quais companhias no mundo você acredita que hoje fazem os trabalhos mais incríveis?

Acho que os que estão há algum tempo na estrada, e que não precisaram mais se vender, nos apresentam uma maturidade que vai além da virtuose. Mas o mundo é grande.

6) O que mais tem te trazido interesse em Improvisação hoje? Jogos de Improvisação ou espetáculos mais long form?

Pra mim os jogos estão mostrando cada vez mais que se limitam a jogos mesmo, onde o privilégio é mostrar o quanto se é esperto e rápido, coisa que acho dispensável até no processo de educação infantil.
Eu busco poesia em cena, nas minhas oficinas eu procuro trabalhar isso, a sensibilidade das relações, uma obra completa e interessante de se ver com a vantagem da espontaneidade do improviso, da verdade de cada ator aberta em flor, exposta.
E quando falo de espontaneidade, falo da questão mais animalesca da coisa e não dessa “primeira idéia” que vem sido utilizada na impro brasileira.
7) Qual é o princípio da Improvisação que é hoje mais motivo de investimento e pesquisa hoje no mundo?
O mercado exige que você venda. O que mais vende são espetáculos de impro-cômica, explorando a rapidez da piada e a satisfação de desejos sádicos de uma platéia burguesa. Eu não vendo mais improvisação.

O que pesquiso e se pesquisa a fundo no vasto mundo, é a emancipação do ser-ator e do ser-público através de uma metodologia libertária que é a do Keith Johnstone. Mas essa liberdade permite que o sistema a subverta, como ele faz com movimentos sociais desde sempre (transformar o punk em moda, por exemplo), e que vem tendo a complacência de “atores” que desejam o poder da fama e do dinheiro.

8) Quais são as dificuldades executivas de um grupo no mercado da  Improvisação? Como o UMA Companhia tem conseguido se estabelecer nesse mercado? Quais são as perspectivas e projetos do seu grupo?

Nenhum grupo que fiz parte teve facilidade em ganhar dinheiro com teatro. Eu fui dirigido pelo Chico de Assis do Arena e ele me disse uma vez que ator pra ter dinheiro precisa ter um três oitão na cintura dentro de um banco. Existe um consumo, mas você tem que se submeter ao desejo do consumidor. E me submeter não é coisa que quero fazer se puder não fazer. Existem leis e editais, mas são poucos e privilegiam poucos. Eu gosto muito de usar o exemplo do Simioni, do LUME. Eu tive aulas com ele e vi uma apresentação de um espetáculo belíssimo solo dele em Ouro Preto. No final, quando perguntado se ele poderia fazer aquele espetáculo, que pesquisava uma coisa muito íntima, difícil de ser entendida, sem ele ser “o” Simioni, ele disse que com certeza não. Ou seja, a pesquisa só é viável para quem tem nome: ou quem se submeteu e cansou de se submeter (mas esse perderá seu público em pouco tempo) ou para os que não desistiram de seus sonhos e agora tem público cativo.

9) Para onde vai a Impro (o futuro)?
Cada vez mais e mais pessoas vão se interessar e fazer Impro, assistir, pesquisar. Somos muito novos no conhecimento dessa linguagem, vejo grandes nomes que estão aí há 30 anos!!! É um território muito amplo para se fazer, para se buscar, quem tem verdade e gosta do que faz durará.

Nesse final de semana, Mateus dará uma oficina de Improvisação em São Paulo. Informações seguem no cartaz abaixo.

Abaixo a participação de Mateus no Mr. Impro (Micetro), espetáculo de Improvisação formato de Keith Johnstone, promovido no Improfestin do Chile en 2009, jogando Irmãos Siameses. Com participação de David Sanin Gaviria do Acción Impro, Angélica Rogel do Complot/ Escena e Monica Moya do Colectivo Teatral Mamut. Apresentação de Mario Escobar Olea do Bassusseder/ Soloy Simple Teatro  e direção de Shawn Kinley do Loose Moose.

Continuando meu overview pelas novas safras da Improvisação Brasileira, entrevisto hoje Rafael Lohn. Diretor do terceiro colocado do Campeonato Brasileiro de Improvisação, o Grupo Protótipo, Rafa Lohn é outro polivalente na improvisação.

Abaixo, permito que ele próprio conte de sua trajetória na Improvisação e a história do seu grupo.

BIOGRAFIA

Minha veia racional e minha veia artística sempre andaram juntas e foi praticamente natural sair do colégio para cursar simultaneamente Cinema (FAAP) e Matemática Aplicada (USP).
O caminho da matemática me levou para o mundo da lógica, informática e cultura nerd. Sempre enxerguei a matemática, assim como o cinema, como uma linguagem. Uma linguagem elegante, bela e que também tem espaço para a criatividade e inspiração.
O caminho do Cinema incluiu muitos filmes e também muito trabalho com fotografia. Participei de exposições e festivais e estudei com grandes fotógrafos como o René Burri e  o Ralph Gibson.
Além da minha formação na FAAP, estudei na Academia de Cinema de Praga (FAMU). Lá me aprofundei na cinematografia da Europa Oriental, análise de roteiro, estrutura narrativa e direção. Pude trabalhar com diversos diretores e tive oficinas fenomenais como a de direção de atores com a Lenore DeKoven. Também lá dei uma série de aulas de Cinema Brasileiro.
O engraçado é que eu rapidamente virei o ‘louco’ entre os matemáticos e o ‘nerd’ entre os cineastas. Tal qual o ditado ‘em terra de cego quem tem um olho é rei’, sempre que encontrava um emprego de um ‘lado’ o meu ‘outro lado’ chamava a atenção. É o caso do Cineboteco aonde fui contratado cuidar do conteúdo e acabei diretor de tecnologia. Enfim, abri minha própria empresa de desenvolvimento de software para atender tanto o Cineboteco como outros clientes.
Uma outra frente foi trabalhar com adolescentes. Passei muitos anos com o CISV, fui monitor de acampamentos em diversos países do mundo e, aqui no Brasil, dou aulas de cinema em colégios.
Minha vida de improviso começou por acaso, em um curso de Clown com o Márcio Ballas. Depois de dois anos com ele veio o curso do Ricardo Behrens e foi então que decidi montar meu próprio grupo de Improviso. Daí começou a jornada de aprender buscando diversas oficinas (Marcio Ballas, Rhena de Faria, Mariana Muniz, Ricardo Behrens, Bete Dorgam, Patch Adams, Pablo Pundik, Gustavo Ángel, Catalina Hincapie, Hacho Badaracco, Ariel Frost, Leandro Calado, Omar Galvan, Mario Escobar, Luis Louie, Frank Totino …) assistir tudo quanto é espetáculo, devorar toda literatura que encontrava e passar tudo isto para toda gente que foi aparecendo no grupo! De brinde, naquele ano fui contratado para filmar o trabalho do Jogando no Quintal e pude estudar o trabalho deles.
Depois deste um ano, o grupo estabilizou com a cara que temos hoje e, com algum conhecimento acumulado, começamos a trilhar o nosso caminho do Prótotipo. Desde 2007 nos apresentamos mensalmente e para este ano queremos mais!
Improvisando:  Gostaria que vc começasse resumindo os trabalhos nos quais vc está envolvido hoje.
Eu dirijo e me apresento com o Grupo Protótipo de Improvisação. Ainda no improviso, dou oficinas para grupos e empresas e estou pesquisando um novo espetáculo para o grupo.
Também tenho uma empresa de  desenvolvimento de software, Partisan e sou professor de Cinema no colégio Móbile.
Improvisando: O que é Improvisação Teatral? Quais são os princípios em que se embasa?
Improvisação Teatral é o desenvolvimento espontâneo de histórias. Os fundamentos da Impro são a escuta e a aceitação. Escuta e aceitação do outro, do ambiente e de si. Que é uma forma de dizer que a criação é natural, basta que você a perceba e não a bloqueie. Com isso em mãos, o resto é refinamento.
Improvisando:  Como surgiu a Improvisação na sua carreira?
Em 2004 minha irmã estava tendo aula de trapézio no Galpão do Circo. Ela ficou sabendo de um workshop de Clown que o Marcio Ballas ia dar e fez minha ficha de inscrição de brincadeira, ela sempre brincou que eu era palhaço.
Eu fiz o tal workshop e adorei. Emendei na turma regular do Marcio e fiquei um tempão. Aliás, fiquei até ele me expulsar! Chegou um dia que ele me falou que eu já conhecia todo repertório dele que tava na hora de eu ir embora. Aproveitei a deixa para ir atrás de outros cursos. Não lembro, mas deve ter sido nesta época que estudei com a Bete Dorgam.
Em 2006 o Jogando no Quintal trouxe para o Brasil o Ricardo Behrens da LPI. Eu fiz uma oficina com ele e foi a revelação. Quero fazer improviso! Juntamos os interessados que fizeram a oficina, outros alunos do Marcio, alguns amigos e, com a vontade de montar uma LPI no Brasil, começamos a nos reunir.
Simultaneamente, ou seja, quando o Ricardo Behrens estava no Brasil, eu dei uma baita sorte que eu tinha recém terminado minha graduação em Cinema e o Márcio me ligou pedindo que eu filmasse o treino que o Ricardo daria para o Jogando. Quando entreguei o DVD do workshop para o Jogando eles gostaram e me pediram para filmá-los todo mês. Topei! Além de assistir a pencas de apresentações do Jogando, acompanhei alguns treinos, aquecimentos, discussões, camarins.. E, tendo que preparar os DVDs, vi e revi todo o material diversas vezes. Foi uma época em que aprendi muito, Um privilégio mesmo. Passei um ano inteiro gravando.
Este mesmo ano que passei gravando, comecei o processo de pesquisa e aprendizado do grupo. Começamos nos reunindo em um salão de festas, logo depois migramos para a, gentilmente cedida, sede do Jogando. Quando resolvemos aumentar o número de encontros passamos a alugar um espaço na Vila Madalena e, depois de um ano, inauguramos nossa própria sede.
Foi um período bem louco. Eu tinha minha experiência de Clown e um workshop do Ricardo e logo estava dando treino para os diversos sub-grupos da nossa turma. Eram 5 treinos por semana! Tinha muita gente. Devem ter passado umas 40 e tantas pessoas pelo grupo.
Por sorte, o Jogando no Quintal trouxe muita gente bacana para dar treino para eles e eles foram muito generosos conosco. Aproveitamos todo mundo que apareceu em SP e treinamos com gente do Accion Impro, do ImproMadrid, da LPI Argentina, a Mariana Muniz.. Também treinamos com o Marcio e com a Rhena.
Com a bagagem de acompanhar o Jogando, este monte de oficinas, diversos livros e muita tentativa e erro, em março de 2007 começamos a nos apresentar em público. Aí o nosso NEI (Núcleo de Estudos de Improviso) deu luz ao Grupo Protótipo.
Improvisando: A sua trajetória profissional é bastante polivalente. De que forma o cinema, a informática e as exatas influenciam seu exercício como Improvisador? De que forma a Improvisação o influencia nas demais carreiras?
Depois de tantas apresentações e tantos treinos, me sinto muito tranqüilo em situações novas. O trabalho de escuta, foco no presente, memória.. está cada vez mais internalizado e passei a confiar de que minha mente vai prestar atenção e irá resgatar a informação necessária na hora certa. E, incrível, funciona. O humor também ficou mais refinado e ágil, o que ajuda com os clientes e alunos. Mas a principal influência hoje da Impro na minha vida é que dedico cada vez mais tempo a ela e, portanto, menos as outras coisas.
O mundo das exatas trouxe para o Protótipo (temos mais membros de exatas no grupo) um grande enfoque em entender tudo o que fazemos. O que funciona, o que faz com que funcione, o que podemos variar e ainda manter funcionando.. Nós teorizamos muito! Lembro que láááá no comecinho do grupo, quando a Rhena veio nos ver, ela achou curioso que nós entendíamos muito e isto era um problema. Pois entender o que funciona, não é o suficiente, tem de praticar, e nossa prática estava muito aquém da nossa compreensão. Ela falou algo como ‘é como se vocês já entendessem tudo de jazz e agora querem começar tocando Miles Davis ao invés de praticar marchinhas’. Ela tinha razão. Mas nossa cabeçudice ajudou bastante a traçar o caminho dos  treinos, ajudou a descobrir o que precisamos desenvolver e como fazê-lo.
O Cinema contribuiu de diversas formas. A principal foi um bom conhecimento de estrutura narrativa. É algo que me ajuda muito em cena e é onde contribuo mais. É também algo que trabalho bastante com o Protótipo pois na minha visão a história e como ela é contada é a medida do sucesso de uma cena. Também estudei direção, e ainda especificamente direção de atores, o que sem dúvida ajudou a dirigir o grupo e construir o espetáculo.
Por fim, eu valorizo cenas que tenham repertório e o Cinema foi algo que aprofundou muito o meu. Obviamente já era um apreciador do ‘cult’ antes de entrar na faculdade.. Hoje o grupo me alopra: estudei cinema em Praga e conheço cinema Tcheco, Polonês, Húngaro, Estoniano… Claro que não adianta citá-los em cena, mas conhecer tanta diversidade de histórias e pessoas me ajuda a enriquecer as cenas que participo.
Improvisando:  Quem são os Improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?
O Ricardo Behrens além de ser o padrinho do grupo, é um improvisador fenomenal. Sem dúvida um mestre que nos estimula bastante.
Mesmo anos depois, continuo impressionado com a qualidade das cenas que vi do ImproMadrid. O Omar Argentino me deixou boquiaberto com sua apresentação solo as duas vezes que vi. O Colectivo Teatral Mamut também foi deslumbrante.
O Jogando no Quintal inspira a poder viver de Improviso no Brasil.
Também volta e meia volto a fonte e re-devoro o Impro do Keith Johnstone.
Improvisando:  Quais companhias no mundo você acredita que hoje fazem os trabalhos mais incríveis?
Além dos excelentes ImproMadrid e Mamut tenho que destacar o Acción Impro. Eles não apenas dominam os jogos como fazem um incrível long form dramático, o Triptico.
Eu também admiro como o Jogando no Quintal, além de conseguir juntar Clown e Impro, desenvolveu um espetáculo que vai além dos jogos e é extremamente envolvente.
Improvisando:  O que mais tem te trazido interesse em Improvisação hoje? Jogos de Improvisação ou espetáculos mais long form?
Long form! No momento é mais desafiador e permite resultados magníficos. É um reflexo da minha paixão por histórias. Os jogos são divertidos mas muitas vezes sacrificam a história. Na verdade, nesta comparação, o importante é que prefiro histórias à jogos independemente da duração das cenas. O nosso começo de trabalho com long form no Protótipo me deixou muito animado. Temos uma criação nascendo…
Improvisando:  Quais princípios em que se embasa a Improvisação que é hoje são mais motivos de investigação e pesquisa?
Nosso grupo é muito verbal e devemos trabalhar mais o uso do nosso corpo, composição do espaço e uma maior sutileza no que desenvolvemos. Me fascina o quanto podemos transmitir com olhares, gestos ou mesmo um texto que é cotidiano mas expõe toda uma dinâmica entre os personagens. Também, com o long form em mente, pesquisamos um novo ritmo de cena e maior profundidade nos personagens e suas relações.
Improvisando: Para onde vai a Impro (o futuro)?
Meu palpite é que atual onda que tornou o improviso bastante popular ainda deve continuar um pouco. O que é ótimo. Temos cada vez mais gente brincando e aprendendo. Assim a tendência é que tanto o público quanto os grupos se tornem cada vez mais exigentes e, em um círculo virtuoso, tenhamos cada vez mais espetáculos novos, diferentes e melhores!
Improvisando:  Quais são as dificuldades executivas de um grupo novo no mercado da Improvisação? Como o Protótipo tem conseguido se estabelecer nesse mercado? Quais são as perspectivas e projetos do seu grupo?
A maior dificuldade é atrair o público. Divulgar teatro me parece difícil como um todo, divulgar sem verba um elenco de desconhecidos então…é dureza. O boca-a-boca para grupos de improviso é algo que funciona bem: normalmente quem gosta volta com novos amigos, mas, sozinho, é relativamente lento. Um detalhe que ainda me impressiona é a quantidade de gente que não arrisca assistir nenhum espetáculo de improviso com medo de ser obrigado a se expor.
Acho um mérito incrível do Improvável como eles conseguiram romper a barreira da divulgação com vídeos semanais de alta qualidade, convidados e um belo site.
O Protótipo nos primeiros anos foi cautelosamente se apresentando uma vez por mês e com uma produção caseira. Este ano resolvemos nos dedicar e aparecer ainda mais. Fizemos no 1o semestre uma temporada semanal e agora estamos no 2o semestre de volta em cartaz com mais apresentações semanais. Além do aumento do número de apresentações buscamos e realizamos mais oficinas e eventos corporativos. Também participamos do Campeonato Brasileiro de Impro que foi uma ótima oportunidade de conhecer, conviver e jogar com muita gente muito boa e gente muito boa gente (e trazer o bronze!). Enfim um ano em que tivemos uma maior visibilidade o que ajudou a consolidar e divulgar a nossa imagem.
Também investimos em novo cenário, figurino, site… Para o próximo ano pretendemos melhorar ainda mais toda produção e, creio, não escaparemos de um investimento real em divulgação. Certamente aumentaremos o número de oficinas e eventos e, além de continuar com o nosso espetáculo, há uma vontade de estrear um novo!
Começar a buscar leis de incentivo e patrocinadores também está nos planos, alguém aí está interessado?
O Grupo Protótipo está em cartaz no Teatro Bella, na rua Rui Barbosa, 399 , São Paulo, todas às sextas feiras 22h até dia 17/12.
Abaixo uma intervenção do grupo na semana de recepção do IME/ USP.

Ricardo Behrens é ator, diretor e mestre formado pelo Conservatório Nacional de Arte Dramática de Buenos Aires em 1990. Tem também formação profissional como músico, estudando teoria e solfejo, clarinete e piano no Conservatório Nacional de Música, e tendo uma extensa carreira como cantor lírico naquele país.

Desde o começo da sua atividade teatral se dedicou a técnicas de Improvisação Teatral Contemporânea e de Gêneros Puros (escola de Jacques Lecoq). Foi selecionado como clown pelo ‘Cirque du Soleil‘.

Teve como mestres:
Escola Lecoq: Cristina Moreira
Clown: Raquel Solcolowicz, Hernan Gené e Guillermo Landin.
Tango: Dinzel y Rivarola
Mímica: Lerchundi-Escobar
Rítmo Musical: Rubén Ramos.
Improvisação Teatral: Silvie Potvin, Joane (de Lamirande) Bloom, Silviel Gagnon (da Ligue Nationale d’Improvisation do Canadá) e com o mestre francês Claude Bazin (da LIFI – Ligue d’Improvisation Francaise).
Na Europa estudou na Alemanha, Espanha, Estados Uidos, França, Eslovênia e Itália.

Tem trabalhado como ator e diretor em mais de 30 obras de teatro de texto em vários países e diversos programas de televisão argentinos.

É pioneiro na investigação da Improvisação Teatral e das técnicas de Keith Johnstone, Robert Gravel e Viola Spolin no idioma espanhol. Se especializou na investigação e na prática dessas técnicas desde 1988. Cria uma metodologia própria e desde 1998 começa a realizar trabalhos em empresas e instituições, aprimorando a capacidade do trabalho em equipe. É fundador da Liga Profisssional de Improvisação Internacional (LPI) e do Match de Improvisação em lingua espanhola (1988).

No âmbito teatral tem dado cursos de improvisação teatral, match de impro e clown na Alemanha, Espanha, Argentina, México, Colômbia, Peru, Equador, Chile e Brasil. A partir de seu trabalho e da fundação da Escola Internacionalde Improvisação LPI se criaram as Ligas Profissionais de Improvisação nesses países. Por sua trajetória é reconhecido internacionalmente por Yvon Leduc (autor do Match de Improvisação®) e corrdena a disciplina na  América Latina através da LPI Internacional.

Com um currículo impressionante desses, tivemos o prazer recentemente em recebê-lo ao Brasil para uma participação da gravação do É Tudo Improviso, na rede Bandeirantes. Nessa oportunidade também participou como jogador convidado do espetáculo Improvável da Cia. Barbixas de Humor e também ministrou workshops para alguns grupos de improvisação.

Nessa passagem relâmpago pelo Brasil, Ricardo Behrens gentilmente concedeu alguns minutos entre suas inúmeras atividades, para responder algumas perguntas para esse blog.

Improvisando: Eu gostaria de saber um pouquinho de como foi seu contato com a improvisação.

Ricardo Behrens: Então, no ano de 1988, na Argentina, começaram minhas primeiras experiências com teatro. Eu tinha uma experiência de dois anos com clown e aí soube de um casting, uma audição para um espetáculo que se chamava Match de Improvisação, que era um espetáculo dirigido por Claude Bazin, que é um diretor francês. Ele teve contato lá na França com o Match de Improvisação, e ele havia dado algumas aulas na Argentina e havia selecionado alguns alunos e faltava completar o elenco. Então, entrei por meio dessa audição, sem saber muito o que era e nem o que ia acontecer.
Então ele nos treinou durante um tempo, muito intensivo, mostrou para gente vídeos da França, porque era a primeira coisa de improvisação que se fazia na Argentina, com certeza, e em espanhol eu acho que era também uma das primeiras experiências, então não havia muitas referências sobre como era um trabalho com improvisação. Para nós o Match era a improvisação, não separávamos o que era Match do que era improvisação.
Então, eu entrei pela audição, fiquei treinando com ele e depois uns jogadores do Canadá foram para a Argentina e treinaram a gente também, e fizemos as primeiras quatro apresentações com a sala muito cheia e foi um grande sucesso naquele momento, como um início do improviso, de algo novo que não era conhecido lá.
Havia algumas experiências com improviso na Argentina, eu mesmo já tinha feito num lugar chamado Paracultural. O Centro Paracultural era um centro alternativo durante a ditadura militar. Mas não eram muitas as experiências, e essas estavam mais ligadas à técnica do clown, de alguma maneira com improvisações, mas não como técnica de improvisação sozinha. Então, a partir daí comecei a trabalhar, mas estava trabalhando como ator e aprendendo muito e conhecendo muito sobre o tema. Segundo meu ponto de vista, aquele era um grupo um pouco heterogêneo, então no ano seguinte se desfez e se formou um outro grupo, e assim foram duas temporadas. Depois de um break, retomamos as atividades em 92 e aí eu já estava dirigindo. Durante alguns anos tive uma sociedade como co-diretores, aí depois disso por uma série de  algumas divergências artísticas, sobretudo com respeito à estética de improvisação e à estética do Match também, cada um seguiu seu próprio caminho.
Aí já entro no que acredito em improvisação. Eu acredito que um espetáculo de improvisação parece algo óbvio, mas às vezes não é algo óbvio. A improvisação é o mais importante, nem os indivíduos nem os egos, eu acho que tem que deixar tudo isso de lado para fazer uma boa improvisação, colocar-se a serviço da improvisação. Então, um pouco essa foi a divergência. Eu ponho a improvisação em primeiro plano, priorizo fazer boas histórias e fazer uma boa improvisação em qualquer formato. Todo o restante pode ser algo que contribua para esta idéia principal, que ajude esta idéia principal a existir. Se o foco se transforma, vai para outro lado, a improvisação fica relegada, perde-se a essência.   A gente tem que apostar em fazer boas improvisações, boas histórias, isso sim deve ser o protagonista.
O que mais? Bem, depois continuei com a formação da LPI (Liga Profissional de Improvisação).  A partir daí comecei a desenvolver o Match, com os critérios dos criadores do show. Sempre com relação ao Match há amor e ódio entre os jogadores, improvisadores.  Eu tenho uma teoria de que o Match não transitou muito como formato, muitas vezes as regras são amenizadas um pouco para que os improvisadores se sintam melhor, então se transforma em algo menos exigente para o improvisador. Para improvisar, por exemplo, os clichês são permitidos, as provocações de riso, os árbitros não cobram muitas faltas. Ou seja, os árbitros assim como se fala no futebol (não sei como se fala aqui) mas lá na Argentina se diz que os árbitros “sacan los partidos”.  Muitas vezes se fala também que isso está a serviço do espetáculo, que as faltas não são cobradas a serviço do espetáculo. Mas eu acredito que no Match as faltas fazem parte do espetáculo e têm, o que é muito importante, um conceito pedagógico para o público. O público vai entendendo a mecânica do improviso através das faltas, através do gesto, do que o árbitro fala, através do que aconteceu na improvisação em relação a falta que o árbitro cobra. Então se isso é menos rigoroso, o público sabe menos da improvisação, se perde um pouco o critério pedagógico do Match.
Também há outro conceito dentro Match, que todo esporte tem, que é o conceito de justiça que, muitas vezes, também é deixado de lado. É, finalmente, não sei se você teve a oportunidade de ver algum torneio de Match?

Improvisando: A gente teve a oportunidade de brincar um pouco num torneio amador de Match como conclusão do curso extensivo do Allan Benatti

Ricardo Behrens: Ah, você experimentou um pouco de match? Ah, legal. Então, a competição existe, e em níveis internacionais existe muito, mas há um discurso dúbio: por um lado existe a competição de “ah, eu quero ganhar de qualquer jeito”, por outro, falam para o árbitro “ei, não cobra tanta falta!” porque o principal é isso do espetáculo. E, por outro lado também, as equipes querem ganhar e levar o troféu para casa, então se o árbitro não cobra falta, o critério de justiça perde um pouco o sentido. O jogo se transforma em um vale-tudo, eu falo que se transforma em Match-Catch. O Catch é sem regra, cada um faz o que quer: se quer bloquear o adversário, bloqueia, se quer fazer faltas técnicas, pode fazer, pois o formato permite. Mas o formato do Match se preocupa mais em fazer com que a técnica do improviso esteja presente no jogo, não permitindo fazer qualquer coisa para vencer. Eu participei em muitos torneios que os árbitros não cobravam nada, que as regras não importavam muito, inclusive que não contava com uma regra consensual entre todas as companhias, então isso se transforma em um terreno que ninguém sabe o que vai acontecer lá e assim começam a fazer qualquer coisa para ganhar. Então, é nesse sentido que eu considero complicada a coisa do árbitro não cobrar nada, para entre aspas “privilegiar o espetáculo”.  O árbitro tem que administrar o espetáculo, mas também tem que ser justo com as equipes. Eu arbitrei, por exemplo, uma partida em que um time, era um disputa de terceiro lugar, e o time quase não pôde falar na última improvisação, porque o outro time falava e depois falava um outro e falava outro e outro, então se aí o árbitro não cobrar falta, ele está sendo cúmplice dessa situação, e vai ser uma atuação injusta que leva ao terceiro lugar. Porque o público também muitas vezes vota, tem um outro critério de votação. Então, o árbitro é um pouco o termômetro, equilibra um pouco as coisas. Eu acho legal que o árbitro esteja presente e marque a linha para os jogadores.  Inclusive muitos profissionais na hora de competir e levar o troféu esquecem das regras éticas da improvisação. Todo mundo fala das regras, mas na hora do Match, de uma etapa decisiva, todo mundo esquece. Então, eu acho bom que o árbitro marque a linha.

Improvisando: Em termos gerais, depois de bastante tempo e experiência, o que você hoje entende por improvisação? O que significa para você hoje?

Ricardo Behrens: Hoje, improvisação, primeiro tem a ver com uma visão sobre a vida, eu acho, uma visão filosófica, que tem a ver com a técnica, de aceitação de propostas, de conexão positiva com as propostas, de avançar na história. Eu acho que esses são elementos que são aplicáveis em muitos âmbitos da vida, então vira algo filosófico, eu acho. Também comprovo isso com meus alunos na Argentina, vejo como eles começam o ano e como terminam o ano e sua evolução como jogadores e como pessoas também… Então, mudam muitas, muitas coisas. Muitos são jovens, de 18, 19 ,20 anos, então também vejo como esse crescimento da idade é acompanhado também com a técnica e também com o próprio desenvolvimento. Então, em primeiro lugar eu acho que tem uma ligação direta com a vida, sem que seja uma religião, não? (risos). Mas eu acho muito, muito ligado.
Também em meu trabalho em empresas, eu posso ver como as pessoas gostam de incorporar isso a diversas atividades.
Depois, por outro lado, vejo o que é o espetáculo, o que é a improvisação como espetáculo, que eu acho que já a esta altura deve ser considerado como um gênero, que em quase todos os países da América Latina e América Ibérica ainda estão lutando por um lugar. Felizmente em vários países estão surgindo programas de televisão, isso ajuda a legitimar o gênero, como se populariza, então, todo mundo fica sabendo do que se trata, ainda que não conheça, digamos, as sutilezas do gênero, coisas que são menos populares. Mas eu acho que é bom porque ajuda com que todo mundo saiba do que se trata quando se fala de improvisação.
Então, vejo esta outra possibilidade, que é a possibilidade de espetáculo, da arte em si mesma. E, depois o interior disso tudo, isso que conhecemos somente nós, os improvisadores.
Os diferentes formatos. Eu estou há vários anos pesquisando muito o que é o  Long form, já há vários espetáculos de Long Form na Argentina e vários que já percorreram vários países, como por exemplo, “Improluchas”, como “El Círculo”, um espetáculo que eu dirigi na Argentina. Com “ El Círculo” estivemos no último Festival Iberoamericano, depois estivemos aqui, no Brasil. Com “Improluchas” estivemos na Espanha, em 2005. ” Improluchas” tem um formato que não é um catch, porque é um long form, mas são personagens que estão vestidos com seus figurinos, que têm sua personalidade, sua forma de pensar e, além disso, são quatro personagens e um árbitro, que também é um personagem, e eles mantêm os personagens durante todo o espetáculo, com seu figurino e com seu comportamento, e aí é construída toda uma história com uma hora de duração, depois no final um público vota em um ganhador. Este formato eu fiz em 2004, em 2005 estivemos com ele em Madrid. Bem, long form é um gênero, dentro do gênero, digamos que é algo que é menos popular, mas que é muito interessante para nós, improvisadores, porque nos sentimos com outro tempo, com outra relação, com outra profundidade na construção do personagem,  com outra possibilidade de aprofundar a relação com os outros personagens, muito mais teatral para os atores de formação que nos sentimos mais dentro de um espetáculo de teatro. A improvisação em geral tem essa coisa de rapidez e de velocidade, que às vezes complica e se transforma em algo superficial, tem que ter cuidado para não se transformar em algo superficial, mas para isso existem os diferentes formatos.

Improvisando: Dentro disso que você está me falando, te agrada mais hoje em dia os longforms? Pergunto isso porque você vem de uma formação de Match …

Ricardo Behrens: Eu gosto muito porque como ator me permite colocar para fora mais o ator e menos o improvisador, o improvisador rápido, a rapidez mental, vai por outro caminho, por uma coisa mais literal, mais comprometida nesse sentido também…  A minha pesquisa vai muito a partir de Harold, a partir do livro Truth in Comedy, de (Charna) Halpern, que fala muito de Harold, da maneira como o usam nos Estados Unidos. Os formatos que fiz partem disso, mas depois já vou para outro lado, para a dramaturgia fragmentada, a união de várias histórias, que tem um pouco de Harold. Mas o Harold tem mais monólogo, canções, segue por seus códigos. Acredito que todos os long form têm algo de Harold, é parte do que todos usamos.

Improvisando: A improvisação como técnica tem vários princípios em que se baseia. Pensando inclusive na possibilidade de um público mais leigo, para que conheçam melhor os fundamentos desse gênero, tenho perguntado para cada improvisador o que ele acredita que é fundamental na improvisação. Quais conceitos são os fundamentais na sua visão?

Ricardo Behrens: O fundamental que todos nós improvisadores conhecemos é a aceitação de uma proposta, a construção de uma história coletiva, a construção a partir da aceitação, a adaptação a partir da proposta do outro. Isto significa pegar a proposta do outro de uma maneira positiva, como se fosse própria, defendê-la como se fosse própria e adicionar-lhe coisas como se fosse própria. O trabalho em equipe, o trabalho coletivo passa a ser fundamental. Acredito que se torna fundamental também afastar-se do ego também: se a pessoa aceita proposta do outro como se fosse sua própria, aí a pessoa já está se afastando do ego, é a construção.
Que outro princípio básico? Acho que é isso aí basicamente, a idéia de que não há erro, isso de que todo erro pode ser ressignificado e ser aproveitado para algo, acho que é basicamente isso.

Improvisando: Sei que você é um dos precursores da improvisação na América Latina, mas algum improvisador ou companhia de improvisação te influenciou? Quem hoje você acredita que faz um trabalho parecido com o que você gosta?

Ricardo Behrens: Olha, eu sou muito velinho (risos), fui um dos primeiros improvisadores…

Improvisando: Sim, certamente você é um pioneiro…  Então, quem hoje faz um trabalho de que você gosta…

Ricardo Behrens: Sim, então muitos dos improvisadores que agora estão fazendo coisas foram alunos meus, então… Claro que há gente que eu gosto como trabalha, como o Oski Guzmán na Argentina, ele trabalhou comigo, fomos colegas já. Bem, vejamos de cada país, que eu acho que são mais. No Chile, está o “Panqueque” (do Colectivo Teatral Mamut e do los Improvisadores), também Claudio Espinosa (do LosPleimovil). Bem no Brasil, Márcio BallasCésar (Gouvêa) (do  É Tudo Improviso e do Jogando no Quintal). Agora tenho mais contato com Barbixas, que é muito bom, com códigos muito interessantes, uma busca muito interessante, com um entendimento muito forte entre eles, o que é importante para o grupo. Vejamos, que outro país? Colômbia, Gustavo Miranda (do Accion Impro) e há também o grupo La Gata. Na Espanha, em Madrid tem o Jorge Rueda (do Impromadrid) e também tem o pessoal do Jamming, o pessoal de Por Casualidad. No Uruguai há o pessoal da LPI Uruguai, que também está fazendo algumas coisas. No Peru há o Pataclaun e o Ketó. No Equador um grupo está fazendo match com Hugo Espinoza e também tem Raquel Rodriguez. No México também tem a LIMI, Liga de Mexicana de Improvisação (de Juan Carlos Vives e Ricardo Esquerra) . Acho que tem muitos grupos e novos grupos que estão em formação e que também prometem muito… E é bom que haja jovens que estejam aí montando seus grupos. Um pouco nossa escola na Argentina promove isso, promove que depois de dois anos conosco, os alunos se juntem e formem seus grupos, façam suas apresentações, se deparem com a coisa da produção e de ver o que acontece. Acho interessante essa ideia, que haja muita gente fazendo improviso e vai surgir, como em todos os gêneros, coisas que são excelentes, coisas que são mais ou menos, e coisas ruins. Mas isso acontece também no teatro e em qualquer arte e, então, falamos de um gênero que está em movimento e que está vivo.

Improvisando: Falando no movimento da improvisação… Você estava falando um pouco da TV, da importância da televisão para a improvisação na América Latina. Vários países começaram a ter um espaço de televisão. Qual a dificuldade de transferir um espetáculo, e essa linguagem do espetáculo de teatro, para a televisão? Onde está esta dificuldade e de que forma a improvisação na televisão pode ser boa ou não para o desenvolvimento do gênero?

Ricardo Behrens: A maior dificuldade, eu acredito, pelo que estou vendo, é comunicar ao pessoal de televisão do que se trata, ou seja, a comunicação. Porque o pessoal de televisão está acostumado a outra coisa, então não entende qual é o jogo. Porque a televisão, pelo menos na Argentina, tem bastante improvisação, mas improvisação ruim, ou seja improvisação de coisas feitas assim de qualquer jeito, então não entendem como a improvisação pode ser uma arte. Porque eles estão improvisando todo o tempo, mas de uma maneira horrível. Então aí está a dificuldade: como comunicar que a improvisação é algo em si mesmo? Como explicar a questão da construção da história, dos jogos? Como fazer com que tanto o diretor como a produção e o canal entendam do que se trata? Ao conseguir isso, então, na minha opinião, as coisas começam a ficar mais fáceis. Acho muito interessante o que está acontecendo agora, porque acho que estão encontrando aí a chave da comunicação. Não sei se eu cheguei num momento já avançado da coisa, não sei como foi a princípio, mas evidentemente há um entendimento aí. Isso gera algo muito interessante que tem a ver quase com o teatro. É gerado um clima teatral e isso eu acho fundamental. O fato de o público estar ali ao vivo é gerado o clima teatral… Participando do programa de improviso pude ver que não está tão distante de uma apresentação de teatro. Entretanto, depois é preciso ver também o que acontece com o improvisador na televisão. Eu na Argentina trabalhei em vários programas de televisão e entrei em contato com a câmera e essas coisas. Mas, claro, às vezes os códigos do teatro não são os códigos da TV. É preciso ver como fazer para transferi-los para a televisão e que fiquem bons.

Improvisando: Como o grande propagador do Match na América Latina gostaria que você falasse um pouco sobre esse trabalho. Como se difundiu e surgiram vários grupos? Até me lembrei de mais um grupo de que você não falou, que é o do Match de Improvisação na Venezuela. Como tem se dado essa integração entre os grupos de Match? Como é gerenciado?

Ricardo Behrens: Não, na verdade, nós começamos com uma idéia de difusão de Match a partir da LPI para que o Match chegasse a outros lugares, porque muitas vezes havia entraves, não sabiam como era a questão legal para fazer isso, então a partir do registro autoral que temos na Argentina, posso passar por este registro e isso facilitar as coisas, somente por isso. O que vejo na América Latina é que não há muitos grupos que sustentem o Match como um espetáculo. Na América Latina não tem. Na França e nos países de língua francesa (na Bélgica, Suíça, Canadá) há ligas que funcionam. Mas na América Latina o que acontece é que a dificuldade de fazer teatro leva a reduzir os grupos, a ter grupos menores. Porque é mais fácil de administrar e de divulgar. Então, é difícil sustentar o Match porque demanda uma estrutura maior. Bem, o trabalho que eu fiz foi o de formação na Argentina, depois dei aula no Chile, comecei o primeiro grupo de improvisação no Chile que é o Lospleimovil. Depois também dei aulas na Colômbia, eles também tinham uma experiência prévia com Gigio Giraldo, tanto o pessoal do Acción Impro como o do La Gata. Então depois fui dar aulas no Teatro Nacional, e se formou a partir dessas aulas o primeiro Campeonato Nacional na Colômbia, depois foi realizado no Primeiro Iberoamericano que foi em 2004, aí participamos como companhia. No Equador também, fui o primeiro a dar cursos e foi a primeira experiência com improvisação no Equador. Também dei aulas no Peru para dois grupos já vinham trabalhando, a princípio juntos e naquele momento estavam trabalhando separados, que são o Ketó e o Pataclaun, eu dei aulas na escola do Ketó. Bem, aqui no Brasil, eu tive a primeira experiência no ano de 2001, em Marília e Bauru, dei aulas lá, e nessa época não havia nada de improvisação. Depois em 2005, estive trabalhando com Jogando no Quintal que foi um dos primeiros grupos junto com o Teatro do Nada (de Claudio Amado) do Rio. Bem no México trabalhei dando aulas durante três meses viajando por todo o país, lá trabalhei para empresas e com workshop para particulares também. Enfim, circulei em vários países, deixando a sementinha para que continuem o movimento.

Improvisando: Queria aproveitar então esse comentário que você estava falando anteriormente sobre os movimentos da Improvisação na França, para fazer uma colocação de um improvisador (Ian Parizot)  de um grupo francês (Eux – Compagnie d’ Improvisation). Ele comentou algo curioso a respeito do Catch, que é a essência da improvisação francesa, porque o catch foi fundado lá. E ele acha que houve um prejuízo na formação dos improvisadores franceses como contadores de estórias, com a questão do jogo. E ele tinha essa dúvida com relação aos grupos da América Latina porque ele conhece pouco a improvisação na América Latina. E como o Match é uma coisa bem difundida na América Latina, os festivais latino americanos tem normalmente os campeonatos de Match (recentemente está havendo mais espetáculos de longform) ele teve essa impressão de que talvez a América Latina também tivesse prejuízo na formação dos improvisadores que constroem mais estórias por causa da questão do jogo, do tiro… Entretanto, eu talvez acha que houve uma certa confusão entre formato de jogo e formato de match…

Ricardo Behrens: Ele diz que constroem mais estória ou que não constroem?

Improvisando: A questão dele estava relacionada ao fato de que nos formatos desportivos se constrói menos estórias e que ele acha que o formato de Match como o carro chefe da improvisação latino americana, talvez trouxesse a mesma problemática que ele vê na França, de haver bons jogadores de tiro, mas não muito bons improvisadores contadores de estórias…

Ricardo Behrens: Ah, de jogos… Mas uma coisa é o formato de jogos e outra é o formato de Match. O Match justamente é voltado para a estória. Ou seja, totalmente. Os formatos de jogos não, os formatos de jogos podem ir para outros lados, em que não se constroem histórias e está tudo bem. O Match (e por isso eu acho que é bom como começo, como uma escola de improviso fazer o Match) obriga o jogador a construir uma estória, mesmo livre, sem gênero, totalmente livre e aí vemos realmente a improvisação pura porque não há nenhuma sinalização para a plateia, por exemplo, vamos fazer uma estória de telenovela. No Match você tem a improvisação livre, a improvisação sem gênero, sem pauta de jogo, sem nada, há liberdade total. Então, eu acho que é bom para a formação do improvisador porque adquire a técnica pura, depois a partir daí pode passar para o long form, pode ir a jogos, pode ir aonde quiser.

Improvisando: Então, por fim, respondendo à pergunta do Ian: você acha que houve essa interferência? A base de difusão da Improvisação na América Latina com o Match, acabou gerando mais jogadores, que fazem mais tiro do que improvisadores?

Ricardo Behrens: Não, não acho não. Acho que tem jogadores, em geral tem jogadores contadores de estória. Todos os grupos que citei aqui, são todos grupos que contam histórias, então não acho isso. E o Match justamente, mais uma vez, não é um formato de jogos…

Improvisando: Acho que há aí uma confusão entre o Match ser realizado em formato de torneio, com disputa de jogos. Na verdade ele incentiva a criação de história…

Ricardo Behrens: Incentiva, certo?

Improvisando: Sim acho que é o que eu entendi. Na verdade, na pequena convivência que tive com a base teórica do Match, também tive essa compreensão. Que os jogos no Match exigem muito a capacidade de contar uma boa estória…

Ricardo Behrens: E eu volto à questão do árbitro também. Quando o árbitro vê que não é construída uma estória, ele cobra uma falta, ele cobra a conclusão, se a improvisação é conjunta, se o jogo é demorado, se não se define, se não se avança na história, então…promove a estória.

Improvisando: Por fim, a última coisa que eu gostaria de conversar é sobre o futuro da improvisação. Porque eu acho que está tendo uma difusão maior, está tendo mais intercâmbio, inclusive com os Festivais e os Campeonatos de Match. Então daqui pra frente o que você acha que vai acontecer com a Improvisação? Você estava falando que a improvisação está tendendo a ser um gênero na América Latina…

Ricardo Behrens: Eu acho muito o bom o futuro, mas também acho que os grupos têm que pesquisar, têm que ir além do conhecido e testar, experimentar e arriscar. Aí nesse sentido está também o crescimento do gênero. Se ficamos fazendo as mesmas coisas que funcionam porque o público vai, eu acho que pode ficar medíocre. Tem que pensar em avançar na pesquisa.

Seguem alguns vídeos de Ricardo Behrens. Em entrevista ao  Canal 7 da Argentina, durante o Mundial de Match em Buenos Aires,  no programa É Tudo Improviso e no Improvável com os Barbixas.

Florencia Infante  es actriz egresada de la Escuela de Actuacion de Montevideo en el año 2004.  Desde el año 2005 comienza a trabajar intensivamente en la improvisación.

Es fundadora de Improvisacion Teatro Club del Uruguay, grupo que integra desde el 2005, actualmente llamado Impronta.

Ha participado de diferentes festivales internacionales de improvisación.

Es una de las directoras de la EIU, primera Escuela de Improvisacion Uruguay.

Desde el año 2005 integra Improvisación Teatro Club del Uruguay, con el que realiza por 2 años el espectaculo Sopa Instantanea (al estilo de Harold). Luego de esto, el grupo comienza a investigar las tecnicas deportivas, como Match de Improvisación, teniendo la oportunidad de participar en el Mundial de Impro de Buenos Aires 2007. En esa epoca la compañía cambia su nombre a IMPRONTA Teatro.

En el 2007 dirigió IMPROCALYPSIS un formato de foro, con el que la compañía realiza 3 temporadas en Montevideo.

El el 2008 se estrena en Uruguay Match, generando un éxito imposible de imaginar, y el Espectáculo continua hasta finales del 2009.

Actualmente el grupo esta investigando nuevamente en el Long Form, con el nuevo espectaculo, llamado Sinapsis, que se estrenara en junio en Montevideo.

En el 2010, se estrenaran en total 3 espectaculos nuevos de la compañía, de los cuales 2 son bajo su direccion.

Florencia Infante é atriz formada na Escuela de Actuacion de Montevideo em 2004. Desde o ano de 2005 começa a trabalhar intensamente com a Improvisação.

É fundadora do Improvisacion Teatro Club del Uruguay, grupo o qual integra desde 2005, e que atualmente se chama Impronta.

Tem participado de diferentes festivais internacionais de Improvisação.

É uma das diretoras do EIU primeira (Escuela de Improvisacion del Uruguay).

Com o Improvisación Teatro Clube del Uruguay realiza por 2 anos o espetáculo Sopa Instantânea (no estilo Harold). Após, o grupo começa a investigar as técnicas desportivas, como Match de Improvisação, tendo a oportunidade de participar do Mundial de Impro de Buenos Aires em 2007. Nessa época a companhia muda seu nome para Impronta Teatro.

Em 2007 dirigiu Improcalypsis, um formato de fórum, com o qual a companhia realiza e temporadas em Montevideo.

Em 2008 estréia o Match no Uruguai, com um êxito impossível de imaginar e o espetáculo continua até o final de 2009.

Atualmente o grupo está investigando novamente o LongForm, com o novo espetáculo chamado Sinapsis, que estreia em junho em Montevideo.

Em 2010, estreiam um total de 3 espetáculos novos da companhia, dos quais 2 são de sua direção.

1) Improvisando: ¿Qué es para usted la Improvisación Teatral? ¿Cuáles son sus conceptos más importantes?

Improvisando: O que é para você a Improvisação Teatral? Quais são seus conceitos mais importantes?

Florencia: Cuando comencé con la improvisación, simplemente la consideraba una herramienta. Un plus a lo que uno es como actor. Hoy por hoy la improvisación para mi ha pasado a ser un modo de vida. Ademas de formar parte de una compañía que ensaya de lunes a viernes soy  docente de improvisación para niños, adolescentes y adultos, lo cual hace que mi vida este abocada a esta actividad casi al 100%.

Los conceptos mas importantes me parecen los de el trabajo en equipo, la valorizacion del individuo pero como parte de un colectivo, rescatando al ser humano, dentro y fuera del salon de clases; esto me parece que lo hace sano: no debo ser como en la vida que tengo que destacarme SOLO yo para poder obtener un buen trabajo, etc; aca con este concepto creo que se rescata la  conciencia por el otro.

La escucha y la aceptación, que si bien son conceptos basicos de la impro, nunca dejan de sorprenderme. Tengo alumnos que me dicen que dia a dia se sorprenden con el poder de la acepatacion y la escucha. Y lo mejor es que a veces, sin darnos cuenta, empezamos a aplicar estos conceptos en la vida, y los maestros dejamos de ser maestros para ser terapeutas.

Pienso que no hay conceptos únicos y que dia a dia se siguen construyendo más.

Veo al improvisador como alguien que se tira en paracaídas al vacio,  y a la vez, es el propio paracaídas. Es un salto al vacio permanente.

Florencia: Quando comecei com a Improvisação, simplesmente a considerava uma ferramenta. Um ponto positivo para um ator. Hoje Improvisação para mim passou a ser um modo de vida. Além de fazer parte de uma companhia que ensaia de segunda a sexta feira, eu sou docente de Improvisação para crianças, adolescentes e adultos, o qual fazem que a minha vida esteja condenada a essa atividade quase a 100%.

Os conceitos que considero mais importantes são o trabalho em equipe, a valorização do indivíduo mas como parte de um coletivo, resgatando o ser humano, dentro e fora da sala de aula; e acho isso saudável: não devo ser como na vida em que  tenho que me destacar SOZINHO para obter um bom trabalho, etc; aqui esse conceito acredito que recupera a consciência do outro.

A escuta e a aceitação, apesar de serem conceitos básicos da Impro, nunca deixam de me surpreender. Yenho alunos que me dizem que dia a dia se surpreendem com o poder da aceitação e da escuta. E o melhor é que, às vezes, sem nos darmos conta, começamos a aplicar esses conceitos na vida, e os mestres deixamos de ser mestres para ser terapeutas.

Penso que não existam conceitos únicos e que dia a dia se constróem mais.

Vejo o improvisador como alguém que se atira de paraquedas no vazio, e no entanto, é seu próprio paraquedas. É um salto ao vazio permanente.

2) Improvisando: ¿Cuando la improvisación comenzó en su carrera?

Improvisando: Quando a Improvisação começou na sua carreira?

Florencia: Yo hago teatro desde los 14 años, y realmente nunca habia tenido contacto con la improvisación de manera profunda hasta el año 2005 en mi formación como actriz.

Y la verdad, fue una experiencia muy interesante, hacer una carrera en las artes dramaticas, y por el otro lado hacer improvisación todos los dias después de esas clases de tragedia griega o Shakespeare. Era muy raro!

En esos tiempos creo que fue cuando mi cabeza exploto, ya que realemente empezamos a trabajar con el grupo en improvisación pero integrando las otras areas. Y ese trabajo fue muy rico. A la inversa no suele suceder.

Desde ese momento hasta ahora ha sido el motor de mi carrera, incluso la docente, ya que creo que todos los seres humanos deberian poder probar el poder liberador y sanador de la improvisación; el abanico infinito de posibilidades que brinda.

Creo que los actores que hacemos esto de forma profesional somos unos verdaderos afortunados…

Florencia: Faço teatro desde os 14 anos, e realmente nunca havia tido contato com a improvisação de maneira profunda desde o ano de 2005 em minha formação como atriz.

E realmente foi uma experiência muito interessante fazer uma carreira nas artes dramáticas, e por outro lado fazer improvisação todos os dias depois de todas essas aulas de tragédia grega ou Shakespeare. Era muito estranho!

Naquela época eu acho que foi quando minha cabeça explodiu, já que realmente começamos a trabalhar com o grupo em improvisação, mas integrando as outras áreas. E esse trabalho foi muito rico. Por outro lado raramente acontece.

Desde então até agora tem sido o motor da minha carreira, inclusive a docência, ja que acredito que todos os seres humanos deveria poder provar o poder libertador e curador da improvisação; a infinita gama de possibilidades que proporciona.

Creio que nós atores que fazemos fazemos isso de forma profissional somos uns verdadeiros afortunados…

3) Improvisando:  Su espectáculo más conoscido (Sinapsis) se basa en Harold. ¿Quién vio me dijo que el espectáculo tiene un lenguaje muy poético y la inspiración en la contacto-improvisación. ¿De dónde surgio la elección del formato? Es una peculiaridad del grupo El Teatro Físico?

Improvisando: Seu espetáculo mas conhecido (Sinapsis) se baseia em Harold. Quem vio me disse que o espetáculo tem uma linguagem muito poética e inspirada no contato-improvisação. De onde surgiu a escolha do formato? É uma peculiaridade do seu grupo o teatro físico?

Florencia: Sinapsis es fruto de una investigación grupal que aun esta en permanente cambio. Veniamos de largas temporadas de improvisaciones deportivas, y queriamos enfrentarnos a algo mas poetico, a poner el cuerpo y no solo la palabra en la escena.

Asi fue que bajo la direccion de Danna Liberman, empezamos a investigar sobre lo sonoro, lo espacial… pasabamos horas con instrumentos o con mascaras, sin saber bien que era lo que iba a suceder. Fue un espectaculo muy cuidado. Hoy por hoy seguimos trabajando en el.

Creo que todos los grupos reflejan un proceso de lo que sea, en sus espectáculos; y Sinapsis es sin duda, una suma de necesidades de un colectivo.

Buscamos sin ser pretenciosos, la verdad, la escucha, el cuerpo presente, seguir los verdaderos impulsos, tener sonoridad como grupo.. la verdad es un trabajo riquisimo. No pretendemos que eso se vea, que seamos maravillosos, pero si buscamos ser fieles a este momento y entregarnos al cien porciento a este nuevo viaje.

La eleccion del formato creo que fue lo unico poco estudiado. Habiamos empezado nuestra carrera como improvisadores con ese estilo, y como era todo un volver al origen, rapidamente surgio esa opcion.

Si bien el teatro fisico no es una peculiaridad del grupo, si lo trabajamos con rigor y seguimos mucho al teatro de Lecoq.

Florencia: Sinapsis é fruto de uma investigação do grupo que ainda está em permanente mudança. Vínhamos de longas temporadas de improvisações desportivas e queríamos enfrentar algo mais poético, a por o corpo e não somente a palavea no palco.

Foi assim que, sob a direção de Danna Liberman, começamos a investigar o sonoro, o espacial… passávamos horas com  instrumentos ou com máscaras, sem saber bem que era que ia acontecer. Foi um espetáculo muito cuidado. Hoje ainda trabalhando nele.

Acredito que todos os grupos refletam um processo do que é, em seus espetáculos; e Sinapsis é, sem dúvida, uma soma de necessidades de um coletivo.

Buscamos sem ser pretenciosos, a verdade, a escuta, o corpo presente, seguir os verdadeiros impulsos, ter a sonoridade como grupo… a verdade é um trabalho riquíssimo. Não pretendemos que isso se veja, que sejamos maravilhosos, mas sim buscamos ser fiéis a esse momento e nos entregamos em cem por cento a essa nova viagem.

A escolha do formato acredito que foi o único pouco estudado. Havíamos começado nossa carreira como improvisadores com esse estilo, e como era toda uma volta à origem, rapidamente surgiu essa opção.

Apesar do teatro físico não ser uma peculiaridade do grupo, trabalhamos com rigor e seguimos muito o teatro Lecoq.


4) Improvisando: ¿Cómo esta la improvisación en el Uruguay?

Improvisando: Como está a Improvisação no Uruguai?

Florencia: Es sin lugar a dudas un fenomeno. Es un movimiento que esta surgiendo muy fuerte, y nosotros tenemos una responsabilidad muy grande porque somos pocos lo que improvisamos aca .

El ideal para mi seria que en un furturo no muy lejano, la red de personas que estan en esto, fuera mucho mas grande, para poder tambien, generar cosas mas grandes, como festivales o mundiales.

Tambien hay que entrenar a la gente. Aquí el publico era muy tradicional, pero desde hace un tiempo, esta recibiendo muy bien las nuevas propuestas teatrales, entre ellas, la impro.

Creo que va muy bien.

Espero que ponto aparezcan mas compañias para retroalimentarnos!

Florencia: É sem dúvida um fenômenos. É um movimento que está surgindo muito forte, e nós temos uma responsabilidade muito grande porque somos poucos que improvisamos aqui.

O ideal para mim seria que em um futuro muito distante, a rede de pessoas que estão nisso, se torne muito maior, para poder também gerar coisas maiores, como festivais ou mundiais.

Também tem que treinar as pessoas. Aqui o público era muito tradicional, mas faz um tempo que tem recebido muito bem as novas propostas teatrais, entre elas, a impro.

Acredito que vá muito bem.

Espero que rapidamente apareçam mais companhias para retroalimentarmos!

5) Improvisando: ¿Quiénes son los Improvisadores que inspiran usted a llevar a cabo su trabajo?

Improvisando: Quem são os improvisadores que a inspiram na realização de seu trabalho?

Florencia: Por suerte desde que comenzamos esta aventura tuvimos grandes maestros.

El grupo en si mismo se basa mucho en Lecoq, lo leemos mucho y nos identificamos con el concepto de individuo autonomo creador; ser un colectivo de artistas completos y cada uno diferente del otro.

En lo personal seria difícil nombrar a un solo improvisador, porque por suerte estamos rodeados de grandes genios que todo el tiempo nos enriquecen con sus trabajos.

Marcio Ballas es un pilar importantisimo en mi vida, como amigo y como gran profesional que es. Ya que nombre a Brasil, no puedo dejar de nombrar a César Gouvêa, al que admiro profundamente.

Pero las compañias de Colombia, Acción Impro; de Mexico, Complot Escena, Jogando no Quintal de Brasil; Mamut de Chile,  siempre estan inspirando a que uno quiera hacer lo que ellos hacen.

Florencia: Por sorte, desde que começamos essa aventura tivemos grandes mestres.

O grupo em sim mesmo se baseia muito em Lecoq, lemos muito e nos identificamos com o conceito do indivíduo criador autônomo; ser um coletivo de artistas completos e cada um diferente do outro.

Pessoalmente seria difícil nomear somente um improvisador, porque por sorte estamos rodeados de grandes gênios que todo o tempo nos enriquecem com seus trabalhos.

Marcio Ballas é um pilar importantíssimo em minha vida, como amigo e grande profissional que é. Já que falei de Brasil, não posso deixar de nomear César Gouvêa, que admiro profundamente.

Mas as companhias da Colômbia, Acción Impro; do México, Complot Escena; Jogando no Quintal do Brasil; Mamut do Chile, sempre estão inspirando a que alguém queira fazer o que eles fazem.

6) Improvisando: ¿Qué más ha traído su interés en la improvisación de hoy? Juegos de improvisación o los LongForm?

Improvisando: O quem mais tem atraído seu interesse na improvisação de hoje? Jogos de improvisação ou longform?

Florencia: Los dos formatos son iguales de ricos e interesantes. En este momento, por ejemplo, se da que estamos en simultaneo investigando las dos a fondo.

Con el long form, me permito mas la busqueda de la verdad, de la honestidad como actriz. Lo encuentro hasta mas poetico si se quiere,mas curativo, mas mio,  aunque hagamos comedia. Es como la sensación de construir una pintura entre todos, en una hora de espectaculo.

Con el sport es diferente, porque si bien uno lo entrena la velocidad y plasticidad que requiere,  es en otro carril de ritmo. Estas mas exigido y jugando mas al limite. Siempre con alegria. Pero mas al limite. O al menos yo juego asi, jajaja, realmente lo vivo como la palabra lo indica: deportivo.

Florencia: Os formatos são igualmente ricos e interessantes. Nesse momento, por exemplo, estamos investigando simultaneamente os dois a fundo.

Com o longform, me permito mais a busca da verdade, da honestidade como atriz. Encontro algo mais poético se quero, mais curativo, mais meu, ainda que façamos comédia. É como a sensação de construir uma pintura, entre todos, na hora do espetáculo.

Com o esporte é diferente, porque enquanto ele treina a velocidade e a plasticidade que exige, está em outra pista de ritmo. Está mais exigido e jogando mais ao limite. Sempre com alegria. Mas no limite. Ao menos eu jogo assim, hahaha, realmente vivo como a palavra o indica: desportivo.

7) Improvisando: ¿Cuál es el principio de la improvisación que ahora más se está estudiando e investigando?

Improvisando: Qual é o princípio da improvisação que agora mais está se estudando e investigando?

Florencia: La verdad en escena.

Shawn Kinley nos hablo de eso, y la verdad hizo un click importante.

Florencia: A verdade em cena.

Shawn Kinley nos falou disso, e realmente foi um click importante.

8) Improvisando: ¿Dónde estará el impro? (el futuro)?

Improvisando: Para onde vai a Impro? (o futuro)

Florencia: Yo creo que esto es como una bola de nieve que crece y crece. En Uruguay nosotros fuimos los primeros en hacer esto y nadie entendia nada, nadie creia que era improvisación, fue muy loco. Ahora aca hay mucha gente interesada en esto. Incluso en Abril comenzamos con la EIU, que es la primera escuela de improvisación del uruguay, la cual dirijo con Danna Liberman y Enrico Greco.

A nivel mundial tambien es impresionante, es un fenomeno. Puedo nombrar el caso de los Barbixas, que por medio de Internet llegaron al mundo entero, todos los que hacemos impro sabemos quienes son.

La verdad, antes en el inicio todo era el caos, pero del caos sale la creación. Y creo que ahora estamos en la generacion que va a introducir, al menos en mi pais, otra forma de hacer teatro. Bien distinta, pero igual de poderosa.

Florencia: Acredito que isso é como uma bola de neve que cresce e cresce. No Uruguai nós fomos os primeiros a fazer isso e ninguém entendia nada, ninguém acreditava que era improvisação, foi muito louco. Agora aqui tem muita gente interessada nisso. Aliás em Abril começamos com a EIU, que é a primeira escola de improvisação do Uruguai, a qual dirijo com Danna Liberman e Enrico Greco.

A nível mundial, também é impressionante, é um fenômeno.Posso nomear o caso dos Barbixas, que por meio da Internet chegaram ao mundo inteiro, todos os que fazemos impro sabemos quem são.

A verdade, antes no início todos era o caos, mas do caos sai a criação. E acredito que agora estamos na geração que vai introduzir, ao menos em meu país, outra forma de fazer teatro. Bem diferente, mas igualmente poderosa.

Com mucho gusto, soy grata a Florencia por su amabilidad en participar de ese blog e la felicito por su nuevo espectaculo Imprevisto e su recien nominación al premio Florencio como actriz de reparto por la obra “Romeo y Julieta Mutantes”. Sigue el video de Florencia en release de “Imprevisto“.

Muito feliz, sou grata a Florencia por sua gentileza em participar desse blog e a cumprimento por seu novo espetáculo Imprevisto e sua recém nominação ao prêmio Florencio como atriz coadjuvante pela obra “Romeu e Julieta Mutantes”. Segue o vídeo de Florencia no release de “Imprevisto.

No Festival IberoAmericano de Bogotá também haverá espetáculos não desportivos. São os outros diversos formatos de Improvisação em que trabalham as companhias teatrais do evento. Eles acontecerão todos os dias às 19h, entre os dias 29/03 a 3/4   no Zona Verde CUR  Coliseo Cubierto Polideportivo do Compensar Ciudad Teatro.

São esses:

HUMOR MIERDA (COMPLOT/ESCENA – MÉXICO)

Dia 29 de março

Quatro elegantes atores interpretam um sem números de abjetos personagens, com o fim de incomodar/ satisfazer o telespectador com suas infames estórias improvisadas. Espetáculo de mau gosto onde as infames e incômodas situações geram reações opostas: nos covardes, risadas fugitivas; nos irrepreensíveis na saída imediata do teatro. Todas as estórias serão improvisadas a partir de respostas do espectador fazem às incômodas perguntas que previamente foram entregues. “Humor Mierda” é resultado da última investigação que o grupo Complot/ Escena realizou no campo da Impro e é a união de duas técnicas. Por um lado, e concernente à forma, o desenho espacial a partir de por em prática dos Viewpoints e composição. E por outro, concernente ao conteúdo, a Impro, onde temos centrado nossa exploração em um tom realista para comunicar os discursos que propomos dentro das 3 estórias que representam (1. O Sistema, 2. A Família e 3. A Intimidade): o abuso do poder nos distintos escalonares da estrutura social, a hipocrisia dentro dos laços familiares e o ridículo e o atroz da relação íntima.

Enquanto “Humor Merda” não tem como principal objetivo fazer rir, como sugere seu nome, abordamos estórias onde a prioridade é gerar situações improvisadas picantes e mordazes e, felizmente entre essas, sempre há quem ria.

CALEIDOSCÓPIO (JOGANDO NO QUINTAL – BRASIL)

Dia 30 de março

De que você se recorda? Como você se recorda? Qual é o gosto das suas lembranças? Por onde você as espreita? Em qual esconderijo sagrado você as conserva?

Caleidoscópio é um espetáculo de Improvisação Teatral que convida os atores do Jogando no Quintal a se debruçarem sobre uma nova empreitada: a construção de uma atmosfera completamente diferente daquela estabelecida em seu espetáculo Jogando no Quintal – Jogo de Improvisação de Palhaços, em cenas não competitivas, de longa duração e sem o uso da “máscara”, o nariz de palhaço que tanto caracteriza o espetáculo de maior sucesso da companhia. O espetáculo, porém, se serve do humor e do distanciamento característico da linguagem clownesca para brincar de construir cenas e viver estórias.

BOTONES (ACCIÓN IMPRO/ COLÔMBIA)

Dia 31 de março

Novo espetáculo de improvisação do grupo de maior reconhecimento no seu país na linguagem.

UN SALTO AL BALDIO (IMPROCRASH! – ARGENTINA)
Dia 1 de abril

Quatro atores criam estórias a partir de frases, títulos e gêneros teatrais ou cinematográficos propostos no momento e pela viva voz dos convidados.Assim, por exemplo, se poderá viver estórias que irão desde o cinema de terror até um filme europeu com tradução simultânea, ou uma improvisação em que não se pode repetir nenhuma palavra ou só se possa falar rimando. Os atores sofrerão ao melhor estilo dos dramas almodovarianos ou das telenovelas venezuelanas, mas todos sob o mesmo risco do imediato e do único, do aqui e agora e, claro, onde o humor é a base de tudo.

IMPROVISTO (LA GATA IMPRO – COLÔMBIA)

Dia 2 de abril

Improvisto é um espetáculo de long form, uma versão do La Gata sobre Harold. Começa com três estórias com informações dadas pelo público que se seguem até que os atores possam fazer com que elas façam parte de um mesmo mundo ou da mesma estória.

EFECTO IMPRO (COLECTIVO TEATRAL MAMUT – CHILE)

Dia 3 de abril

A improvisação levada à sua essência teatral,uma estória em um ato improvisado de uma hora. Cinco atores e um músico se movem no terreno do imprevisível para criar uma comédia do inesperado. A trama vai se tecendo passo a passo por meio dos atores, que apenas com o estímulo do público criam em um espaço vazio um argumento improvisado hilariante e poético. Ao serviço da estória se encontra a música, a qual é improvisada e interpretada ao vivo.

Já começou o segundo Match de Improvisação do Festival IberoAmericano de Bogotá. Ele ocorrerá todos os dias, às 21h até o dia 4 de abril na Zona Verde CUR, Coliseo Cubierto Polideportivo do Compensar Ciudad Teatro.

O match de improvisação é um formato de jogos de improvisação criado por Robert Gravel e Yvon Leduc no Canadá, baseando suas técnicas nas investigações do mestre Keith Johnstone. Após várias experiências com improvisação entre um grupo de atores do Teatro Experimental de Montreal, surge a idéia de uma peça teatral que, como um esporte, fosse único e irreproduzível em cada representação. Em 1977 então se cria um espetáculo desportivo-teatral baseado no Hockey de gelo que com regras apropriadas e dentro de um marco adequado, cria um estado de competição. A LPI (Liga Profissional de Improvisação) de Ricardo Behrens, foi responsável pela popularização no gênero entre os españo hablantes.

O jogo se estabelece entre 2 equipes, em suas regras oficiais composta de 3 jogadores e 3 jogadoras e um técnico. Um árbitro e dois auxiliares cuidam para que o jogo transcorra dentro das normas. Cada partida tem duração de 90 minutos (3 tempos de 30 minutos, com intervalos de 1o minutos entre cada um dos tempos). Cada jogo de improvisação proposto pelo juiz deve delimitar o tema proposto para a improvisação, sendo essas:

1)Natureza da Improvisação:

Comparada: cada equipe joga o mesmo tema separadamente.

Mista: jogadores de ambos os times participaram do tema proposto.

2) Título da Improvisação

3) Número de jogadores

4) Duração da Improvisação

5) Estilo

Existem diversas normas a serem cumpridas e faltas são apitadas quando infringidas tais regras. A contagem de pontos se baseia no voto popular e pontos são perdidos à contagem das infrações cometidas por cada equipe.

As equipes que competirão nessa edição do Festival IberoAmericano de Bogotá 2010 são:

Colectivo Teatral Mamut (Chile)

Colectivo Teatral Mamut foi formado no ano de 2004 por Sérgio Domínguez, Juanita Urrejola, Nicolás Belmar, Mónica Moya e Mario Escobar. Francisco “Foco” Cerda acompanha com sua música desde sempre. Desde sua fundação até hoje, Mamut investiga profundamente a Improvisação como um espetáculo em si mesmo, e como ferramenta libertadora de espontaneidade e criatividade nas pessoas. Ao mesmo tempo, investiga os estilos teatrais como a Mimica, Clown e a Comedia del Arte.  Equipe de grande tradição na Improvisação Teatral Chilena, ano passado foi um dos anfitriões do Improfestin. Parte de sua equipe esse ano ganhou destaque pela participação do primeiro formato televisivo de improvisação teatral no Chile, no programa Los Improvisadores do canal Viax.

Complot/Escena (México)

Complot/ Escena é uma companhia de teatro multidisciplinar e independente. Ao longo de sua trajetória, desde sua fundação no ano de 2000, tem desenvolvido seu trabalho cênico profissional em dois principais tipos: improvisação e teatro de texto. A companhia em sua maioria é formada por artistas egressos do Colégio de Literatura Dramatica e Teatro de UNAM, e seus espetáculos tem como intenção não somente divertir, mas ter também uma boa dose de crítica social através do seu discurso.  Conta hoje com 7 diferentes espetáculos de impro estrelados, e o Improlucha é um dos trabalhos mais difundidos.

Improcrash! (Argentina)

Companhia argentina de improvisação. Seus atores tem formações variadas, participaram de diversos festivais de improvisação teatral. Tem trabalhado diversos formatos de improvisação e criou, em seu espetáculo, um novo conceito que envolve novas tecnologias sonoras e visuais.

Acción Impro (Colômbia)


Acción Impro nasceu há 10 anos quando Adriana Ospina, Catalina Hincapié, David Sanín, Gustavo Miranda e Ricardo España decidiram fazer um workshop de improvisação em suas carreiras de teatro na Universidade Antioquia. A partir daí começaram a investigar a técnica de impro, nova no país e criar espetáculos próprios para apresentar em diferentes teatros e bares da cidade. Hoje Acción Impro tem seu próprio teatro no Parque del Poblado, onde todas às quintas e sábados apresentam algum dos seus 7 espetáculos improvisados e seu novo trabalho La Escala Humana (não improvisado).

Abaixo um vídeo de uma das duplas de Catch que competiu no FESTIM 10 em Madrid no mês passado.

La Gata Impro (Colômbia)

Tradicional companhia de Improvisação Teatral, fundada em 1995 na Colômbia, foi a primeira daquele país. Trabalha com vários formatos de improvisação teatral desportiva e não desportiva e participou de diversos festivais de improvisação teatral em todo o mundo.

Jogand0 no Quintal (Brasil)


Uma das primeiras companhias de improvisação do Brasil, o Jogando no Quintal caminha para seu oitavo ano e é espelho para a nova safra de improvisadores brasileiros. O espetáculo que dá nome à companhia, é um jogo de improvisação de clowns . Hoje a equipe trabalha ainda com mais dois espetáculos de improvisação não desportivos, o Caleidoscópio e o Mágico de Nós. Já se apresentaram em diversos festivais internacionais, sagrando-se campeão da última edição do campeonato de Match do Festival IberoAmericano de Bogotá em 2008.

Os jogos serão:

Dia 29 de março Brasil (Jogando no Quintal) X Chile (Colectivo Teatral Mamut).

Dia 30 de março México (Complot/ Escena) X Colômbia (Acción Impro).

Dia 31 de março México (Complot/ Escena) X Argentina (Improcrash!).

Dia 1 de abril Brasil (Jogando no Quintal) X Colômbia (La Gata Impro).

Dia 2 de abril Colômbia (Acción Impro) X Chile (Colectivo Teatral Mamut).

Dia 3 de abril Argentina (Improcrash!) X Colômbia (La Gata Impro).

Dia 4 de abril FINAL.

Fica a nossa torcida para os mestres do Jogando no Quintal, que no Match de Improvisação do Festival IberoAmericano de Bogotá são o Brasil.

A partir do dia 31 de março, todo dia às 18h até dia 4 de abril,  no Café de la Comedia Noche no Compensar Ciudad Teatro, dentro do Festival IberoAmericano de Bogotá, haverá uma competição de Catch de Improvisação.

O Catch de Improvisação é uma criação da companhia Inédit Théâtre em 1999. Trata-se de um jogo teatral entre uma dupla de atores, em um cenário que lembra uma noitada de boxe. Cada dupla personifica um grupo sócio-profissional, época, grupo étnico ou uma forma de ser. As equipes entram fantasiadas de seus personagens e durante o jogo utilizam uniformes idênticos.

O público dá um tema e um estilo teatral, que serão a base para a realização das” lutas” entre equipes que duram 45 minutos. A equipe vencedora é anunciada vencedora, erguendo-se os braços, tal qual uma luta de boxe.

As equipes que irão se enfrentar serão as seguintes:

El Morenito Inc. (Colômbia)


Grupo de Medellin, trabalha com a linguagem de improvisação teatral. Recentemente fez uma temporada do seu espetáculo La Morena na sede do Acción Impro, reconhecido grupo de improvisação teatral colombiano.

Abaixo, imagens do seu espetáculo La Bibliotetra.

Ketó (Peru)


Grupo de Lima, especializado na linguagem da improvisação teatral, recentemente sediou o II Encontro Internacional de Improvisação Teatral e no ano passado foi um dos anfitriões do Primeiro Mundial ImproPeru 2009.

Abaixo, imagens do Improthlon, formato esportivo criado pela companhia.

Compañia Artística All’ Improvviso (Colômbia)


Companhia teatral de Medellin, com atores formados pela Universidade de Antioquia. Trabalham com diversas linguagens teatrais, inclusive o Clown. Abaixo imagens do release do espetáculo Bombom y su gato.

Impro-ductivo (Colômbia)


Grupo de Improvisação teatral de Bogotá. Abaixo um vídeo demonstrando um jogo de improvisação deles.

La Solución Impro (Colômbia)


Grupo de Improvisação Teatral de Bogotá. Participaram recentemente do II Encontro Internacional de Improvisação Teatral e participaram também do II Mundial Impro Chile 2009. Trabalham com diversos formatos de improvisação teatral. A seguir, um vídeo sobre o grupo.

Cia. Barbixas de Humor (Brasil)

Companhia Teatral que trabalha com humor de esquetes e improvisação teatral. Em 2008 estreiaram o espetáculo Improvável, que se tornou sucesso de público, principalmente após o lançamento de sua  websérie, um dos canais de humor mais acessados do mundo.

Abaixo um dos vídeos do espetáculo Improvável.

As partidas serão as seguintes:

Dia 31 de março – Colômbia (El Morenito inc.) X Peru (Ketó)

Dia 1 de abril – Colômbia (Compañia Artística All’Improvviso) X Colômbia (Impro-ductivo)

Dia 2 de abril – Colômbia (La Solución Impro) X Brasil (Cia. Barbixas de Humor)

Dia 3 de abril – SEMIFINAIS

Dia 4 de abril – FINAL

Agora cabe a nossa torcida à Cia. Barbixas de Humor, que é Brasil no Catch de Improvisação do Festival IberoAmericano de Bogotá 2010.

Essa provavelmente deve ser a  biografia dos Barbixas .Vou me ater à informações contidas em um longo bate papo concedido à UOL e entrevistas. Outra entrevista interessante foi concedida ao Vírgula.

Daniel Nascimento já era amigo de Anderson Bizzocchi. Por gostarem do mesmo tipo de humor, começaram a se apresentar em bares. Em uma viagem à Paris, Andy teria conhecido Elidio Sanna, que estudou física na USP e dava aulas de física, matemática e desenho geométrico (Chat do UOL). Entre eles havia uma grande afinidade pelo gosto no mesmo estilo de humor e resolveram fazer pesquisas em torno de trabalhos como Umbilical Brothers, Rowan Atkinson (e seu personagem Mr. Bean),  Monty Phyton, Gato Fedorento entre outros.

A estréia dos Barbixas teria ocorrido em 01/07/2004 no Teatro Jardim São Paulo com o espetáculo Onde Está o Riso?

Em novembro do mesmo ano, se apresentaram com o espetáculo Em Lata. Seria o primeiro espetáculo integralmente de sua própria autoria.

Em junho de 2005, se apresentaram com o espetáculo 3, na qual havia também vídeos. Nesse momento a trupe se tornou a Cia. Barbixas de Humor, em que não só faziam textos de teatro como esquetes de vídeo e áudio, disponíveis no site.

Em 2008, estrelam o espetáculo Em Breves que também é um espetáculo de esquetes de humor. No mesmo ano, estréiam o absoluto sucesso que é o espetáculo de jogos de improvisação, o Improvável.

Em 2009, os Barbixas levam para a TV, o mesmo formato do espetáculo Improvável, no programa Quinta Categoria, junto com Marcos Mion.

Em 2010, durante os meses de janeiro e fevereiro, apresentaram o programa  É Tudo Improviso, na Band. O programa de jogos de improvisação teatral tem apresentação de Marcio Ballas e conta ainda com Marco Gonçalves  (ambos do Jogando no Quintal) e as Olívias Cris Wersom e Mari Armellini.

A Cia. Barbixas de Humor acaba de dar mais um novo salto. Nesse último fim de semana gravou o DVD Improvável durante suas apresentações na Turnê Improvável em Santo André. Também reestréiam a terceira temporada no teatro TUCA em São Paulo.

A seguir, uma entrevista concedida por email, já que sua camisa quadriculada estava na lavanderia e ele não poderia aparecer sem ela.

Improvisando:  Gostaria que nos desse um resumo das atividades em que está envolvido hoje (teatro, tv, musica, trafico de drogas…)

Elidio Sanna: Atualmente faço papel de carta.

Improvisando: O que é, no seu entendimento, a Improvisação Teatral? Quais são os conceitos em que se baseia?

Elidio Sanna: A improvisação, doravante intitulada “impro”, é uma vertente teatral que exige que o ator seja seu próprio diretor, dramaturgo e roteirista, enquanto atua. Logo, o público consegue, ao assistir um bom espetáculo de impro, admirar náo só a peça, mas também um virtuosismo quase circense dos improvisadores.
Simplificando muito, impro é feeling. As melhores cenas são as que estamos de tal maneira envolvidos, que encenamos sem pensar muito, apenas sentindo a cena e regindo, apoiados nesse feeling. Treinamos aceitação, escuta, coro, dramaturgia, etc. para que nosso feeling nos leve a fazer sempre as melhores escolhas.

Improvisando:  Em que momento a improvisação passou a se tornar uma ferramenta de trabalho para você? Como ela entrou em sua carreira?

Elidio Sanna: Desde que eu dava aulas eu já improvisava. É muito comum os professores não saberem uma resposta. Nestas horas, improvisamos uma. A Impro já era ferramenta de trabalho, mas minha carreira como professor não tinha muito futuro.

Todo humorista tem que improvisar um pouco para saber lidar com o público, mas a impro como linguagem só entrou em minha vida quando montamos o “Improvável” mesmo.

Improvisando: Segundo reza a lenda… urbana, você tinha uma formação absolutamente fora da carreira artística/ teatral. De que forma sua formação influenciou na sua atuação?

Elidio Sanna: Eu corrijo os erros fisico-quimicos dos meus colegas em cena. Eles não gostam muito.

Improvisando: A Cia. Barbixas de Humor vem de um humor de esquetes, fortemente influenciado pelo Humor britânico e americano. De que forma isso influenciou seu trabalho como improvisador? Como ocorreu essa transição de humor de esquetes para a improvisação?

Elidio Sanna: Fazemos improvisações comicas. Por mais que em nossos treinos fiquemos preocupados somente em realizar melhores dramaturgias, personagens, histórias, relações, não conseguimos não fazer piadas. Isso é culpa do professor linguiça e das nossas experiências anteriores.

Improvisando:  Quem são os improvisadores que o inspiram na forma de realizar seu trabalho?

Elidio Sanna: Gosto de muitos improvisadores. Mas os que me inspiram a fazer meu trabalho são meus parceiros de cena. Estes que realmente vão me inspirar, dentro e fora de cena.

Improvisando: Que companhias teatrais fazem trabalhos inspiradores na sua opinião?

Elidio Sanna: Gosto muito do trabalho do Accion Impro, do Colectivo Mamut, do Jogando no Quintal, o grupo dos mexicanos (Complot/ Escena), esqueci o nome. Enfim, são muitos…

Improvisando: O que mais traz interesse a você hoje? Jogos de Improvisação ou formatos long form?

Elidio Sanna: Tenho muita vontade de fazer um long form, mas acho que ainda vai demorar um pouquinho para que façamos o nosso primeiro. Acho que sempre vou me interessar pelos jogos, gosto muito deles e de pistache.

Improvisando:  Que rumos você acredita que deverá tomar a improvisação teatral? No Brasil e em termos mundiais?

Elidio Sanna: Vejo ótimas perspectivas da impro no Brasil, muitos grupos aparecendo, novos formatos e acredito que formemos uma escola tupiniquim de improvisação, com características próprias. No resto do mundo é difícil dizer, afinal de contas a terra, em área, é quase 18 vezes maior que o Brasil.

Elidio Sanna
Bela bosta!

A seguir, Elidio em dois momentos sensacionais de Cenas Improváveis:

Quando pedi a Mari Armellini uma entrevista sobre Improvisação Teatral, através de email, ela decidiu responder-me de forma bem particular.
Ela disse: “Vou ser bem sincera: eu engatinho na improvisação. Vou resumir a minha história com a impro e você veja o que dá pra fazer!”
Criativa e genial, essa que diz tão jovem improvisadora, mas com um histórico de anciã, me concedeu praticamente um artigo, que publico na íntegra, não querendo perder nenhum detalhe do seu raciocínio “palitante”. Lembro que quando concedeu a entrevista, Mari ainda não havia estreiado na televisão. Portanto, atualizando seu atual currículo, Mariana Armellini está em temporada com suas colegas As Olívias no espetáculo As Olivias Palitam e nas telas da rede Bandeirantes com o programa É Tudo Improviso. Também se mantém como uma das principais convidadas do espetáculo de Improvisação Improvável da Cia. Barbixas de Humor. Pode-se também segui-la no Twitter.
“Eu sou atriz, formada pela Escola de Arte Dramática (EAD/ECA – USP).
Antes disso, fiz teatro amador por 8 anos (desde 1993).  Nesse período, os exercícios de improvisação da Viola Spolin eram muito utilizados, mas como exercícios para a atuação propriamente dita.
Dentro da EAD, tive aulas com a  Cristiane Paoli Quito, que trabalhava a improvisação dentro dos espetáculos, como um exercício coletivo – nós ensaiávamos as cenas, criávamos os personagens, mas as “costuras”, a dramaturgia do espetáculo era criado na hora, pelos atores. Com essa técnica, fizemos “Hamlet” (de William Shakespeare), em 2002 e “O Inspetor Geral”  (de Nikolai Gógol), em 2003. A Quito é uma profissional muito reconhecida por seu trabalho com palhaços e também com a improvisação. Cheguei a fazer 6 meses do curso dela de palhaço – muito difícil mas extremamente importante.
Ainda na EAD, tive um professor – que depois dirigiu meu espetáculo de formatura – chamado Antônio Januzelli, o Janô. Ele é considerado um mestre de improvisação, mas não como você conhece – exercícios de cena. As aulas dele priorizavam as relações, nós criávamos relações por horas, sem falas, só trabalhando sensações e corpo. O trabalho dele consiste em levar o ator a chegar em um “estado”, a partir do qual ele seria capaz de realizar qualquer coisa. Esse “estado” é a base da pesquisa dele, e acabou gerando em minha turma um desejo enorme de continuar esse estudo – o que nos levou ao espetáculo “Oito”, dirigido pelo Janô e pela Juliana Jardim, que foi, como eu disse, nosso espetáculo de formatura na EAD.
Depois disso, a improvisação só existia para mim para criar as cenas das Olívias, grupo que formei ainda dentro da EAD. Dentro de nosso espetáculo, As Olívias Palitam, temos um momento de improviso diferente: nós conversamos com o público a partir de temas da atualidade dados por eles.
Quando os meninos dos Barbixas me chamaram para fazer o primeiro Improvável, em novembro de 2007, tudo o que eu tinha era essa formação e a referência do Whose Line, que eu assistia e admirava.
Não fiz nenhum treinamento extra para fazer o primeiro Improvável.
Depois disso, quando conversamos sobre a possibilidade deles continuarem com esse espetáculo e formarem um grupo de convidados preparados para esse tipo de improvisação, comecei a ter treinamentos com o Marcio Ballas – que hoje considero meu mestre dentro da impro.
Fiz workshops com Gustavo Miranda,   (do Acción Impro) da Colombia, e Shawn Kinley, (do  Loose Moose) do Canadá. E sigo treinando com o grupo que acabou se formando a partir do Improvável – que seriam os Barbixas, o Marcio Ballas, o Marco Gonçalves, a Cristiane Wersom, a Marcela Leal e Alan Benatti.
Portanto, não sei dizer quais são os melhores grupos do mundo, não sei dizer o que me inspira (além dos espetáculos Jogando no Quintal e do Caleidoscópio) e não sei definir as bases da improvisação! Apesar de estar nessa há 2 anos, eu engatinho!
O que posso dizer é que o treinamento de impro tem refletido de maneira muito positiva no meu trabalho como atriz – nos longas que eu fiz, em outros espetáculos e mesmo dentro das Olívias.
Por enquanto, ainda estou debruçada no estudo das cenas curtas e jogos de “tiro”, mas adoraria um dia estudar e ser capaz de realizar um long form.
Para terminar, só para te situar no que ando fazendo: continuo com As Olívias – realizando nosso espetáculo As Olívias Palitam e fazendo vídeos curtos para a intenet (uma websérie chamada As Olívias Queimam o Filme). Faço o Improvável como convidada. Em 2009, fui atriz convidada do Grupo XIX de Teatro, para realizar viagens com o espetáculo Hysteria. Na TV, fiz alguns comerciais e participações em programas e no cinema, participei de alguns longa-metragens.”
Seguem dois vídeos: um da websérie das  Olívias, no seu canal do You Tube e mais uma de suas muitas participações geniais no Improvável.