Tag Archive: César Gouvea


Ricardo Behrens é ator, diretor e mestre formado pelo Conservatório Nacional de Arte Dramática de Buenos Aires em 1990. Tem também formação profissional como músico, estudando teoria e solfejo, clarinete e piano no Conservatório Nacional de Música, e tendo uma extensa carreira como cantor lírico naquele país.

Desde o começo da sua atividade teatral se dedicou a técnicas de Improvisação Teatral Contemporânea e de Gêneros Puros (escola de Jacques Lecoq). Foi selecionado como clown pelo ‘Cirque du Soleil‘.

Teve como mestres:
Escola Lecoq: Cristina Moreira
Clown: Raquel Solcolowicz, Hernan Gené e Guillermo Landin.
Tango: Dinzel y Rivarola
Mímica: Lerchundi-Escobar
Rítmo Musical: Rubén Ramos.
Improvisação Teatral: Silvie Potvin, Joane (de Lamirande) Bloom, Silviel Gagnon (da Ligue Nationale d’Improvisation do Canadá) e com o mestre francês Claude Bazin (da LIFI – Ligue d’Improvisation Francaise).
Na Europa estudou na Alemanha, Espanha, Estados Uidos, França, Eslovênia e Itália.

Tem trabalhado como ator e diretor em mais de 30 obras de teatro de texto em vários países e diversos programas de televisão argentinos.

É pioneiro na investigação da Improvisação Teatral e das técnicas de Keith Johnstone, Robert Gravel e Viola Spolin no idioma espanhol. Se especializou na investigação e na prática dessas técnicas desde 1988. Cria uma metodologia própria e desde 1998 começa a realizar trabalhos em empresas e instituições, aprimorando a capacidade do trabalho em equipe. É fundador da Liga Profisssional de Improvisação Internacional (LPI) e do Match de Improvisação em lingua espanhola (1988).

No âmbito teatral tem dado cursos de improvisação teatral, match de impro e clown na Alemanha, Espanha, Argentina, México, Colômbia, Peru, Equador, Chile e Brasil. A partir de seu trabalho e da fundação da Escola Internacionalde Improvisação LPI se criaram as Ligas Profissionais de Improvisação nesses países. Por sua trajetória é reconhecido internacionalmente por Yvon Leduc (autor do Match de Improvisação®) e corrdena a disciplina na  América Latina através da LPI Internacional.

Com um currículo impressionante desses, tivemos o prazer recentemente em recebê-lo ao Brasil para uma participação da gravação do É Tudo Improviso, na rede Bandeirantes. Nessa oportunidade também participou como jogador convidado do espetáculo Improvável da Cia. Barbixas de Humor e também ministrou workshops para alguns grupos de improvisação.

Nessa passagem relâmpago pelo Brasil, Ricardo Behrens gentilmente concedeu alguns minutos entre suas inúmeras atividades, para responder algumas perguntas para esse blog.

Improvisando: Eu gostaria de saber um pouquinho de como foi seu contato com a improvisação.

Ricardo Behrens: Então, no ano de 1988, na Argentina, começaram minhas primeiras experiências com teatro. Eu tinha uma experiência de dois anos com clown e aí soube de um casting, uma audição para um espetáculo que se chamava Match de Improvisação, que era um espetáculo dirigido por Claude Bazin, que é um diretor francês. Ele teve contato lá na França com o Match de Improvisação, e ele havia dado algumas aulas na Argentina e havia selecionado alguns alunos e faltava completar o elenco. Então, entrei por meio dessa audição, sem saber muito o que era e nem o que ia acontecer.
Então ele nos treinou durante um tempo, muito intensivo, mostrou para gente vídeos da França, porque era a primeira coisa de improvisação que se fazia na Argentina, com certeza, e em espanhol eu acho que era também uma das primeiras experiências, então não havia muitas referências sobre como era um trabalho com improvisação. Para nós o Match era a improvisação, não separávamos o que era Match do que era improvisação.
Então, eu entrei pela audição, fiquei treinando com ele e depois uns jogadores do Canadá foram para a Argentina e treinaram a gente também, e fizemos as primeiras quatro apresentações com a sala muito cheia e foi um grande sucesso naquele momento, como um início do improviso, de algo novo que não era conhecido lá.
Havia algumas experiências com improviso na Argentina, eu mesmo já tinha feito num lugar chamado Paracultural. O Centro Paracultural era um centro alternativo durante a ditadura militar. Mas não eram muitas as experiências, e essas estavam mais ligadas à técnica do clown, de alguma maneira com improvisações, mas não como técnica de improvisação sozinha. Então, a partir daí comecei a trabalhar, mas estava trabalhando como ator e aprendendo muito e conhecendo muito sobre o tema. Segundo meu ponto de vista, aquele era um grupo um pouco heterogêneo, então no ano seguinte se desfez e se formou um outro grupo, e assim foram duas temporadas. Depois de um break, retomamos as atividades em 92 e aí eu já estava dirigindo. Durante alguns anos tive uma sociedade como co-diretores, aí depois disso por uma série de  algumas divergências artísticas, sobretudo com respeito à estética de improvisação e à estética do Match também, cada um seguiu seu próprio caminho.
Aí já entro no que acredito em improvisação. Eu acredito que um espetáculo de improvisação parece algo óbvio, mas às vezes não é algo óbvio. A improvisação é o mais importante, nem os indivíduos nem os egos, eu acho que tem que deixar tudo isso de lado para fazer uma boa improvisação, colocar-se a serviço da improvisação. Então, um pouco essa foi a divergência. Eu ponho a improvisação em primeiro plano, priorizo fazer boas histórias e fazer uma boa improvisação em qualquer formato. Todo o restante pode ser algo que contribua para esta idéia principal, que ajude esta idéia principal a existir. Se o foco se transforma, vai para outro lado, a improvisação fica relegada, perde-se a essência.   A gente tem que apostar em fazer boas improvisações, boas histórias, isso sim deve ser o protagonista.
O que mais? Bem, depois continuei com a formação da LPI (Liga Profissional de Improvisação).  A partir daí comecei a desenvolver o Match, com os critérios dos criadores do show. Sempre com relação ao Match há amor e ódio entre os jogadores, improvisadores.  Eu tenho uma teoria de que o Match não transitou muito como formato, muitas vezes as regras são amenizadas um pouco para que os improvisadores se sintam melhor, então se transforma em algo menos exigente para o improvisador. Para improvisar, por exemplo, os clichês são permitidos, as provocações de riso, os árbitros não cobram muitas faltas. Ou seja, os árbitros assim como se fala no futebol (não sei como se fala aqui) mas lá na Argentina se diz que os árbitros “sacan los partidos”.  Muitas vezes se fala também que isso está a serviço do espetáculo, que as faltas não são cobradas a serviço do espetáculo. Mas eu acredito que no Match as faltas fazem parte do espetáculo e têm, o que é muito importante, um conceito pedagógico para o público. O público vai entendendo a mecânica do improviso através das faltas, através do gesto, do que o árbitro fala, através do que aconteceu na improvisação em relação a falta que o árbitro cobra. Então se isso é menos rigoroso, o público sabe menos da improvisação, se perde um pouco o critério pedagógico do Match.
Também há outro conceito dentro Match, que todo esporte tem, que é o conceito de justiça que, muitas vezes, também é deixado de lado. É, finalmente, não sei se você teve a oportunidade de ver algum torneio de Match?

Improvisando: A gente teve a oportunidade de brincar um pouco num torneio amador de Match como conclusão do curso extensivo do Allan Benatti

Ricardo Behrens: Ah, você experimentou um pouco de match? Ah, legal. Então, a competição existe, e em níveis internacionais existe muito, mas há um discurso dúbio: por um lado existe a competição de “ah, eu quero ganhar de qualquer jeito”, por outro, falam para o árbitro “ei, não cobra tanta falta!” porque o principal é isso do espetáculo. E, por outro lado também, as equipes querem ganhar e levar o troféu para casa, então se o árbitro não cobra falta, o critério de justiça perde um pouco o sentido. O jogo se transforma em um vale-tudo, eu falo que se transforma em Match-Catch. O Catch é sem regra, cada um faz o que quer: se quer bloquear o adversário, bloqueia, se quer fazer faltas técnicas, pode fazer, pois o formato permite. Mas o formato do Match se preocupa mais em fazer com que a técnica do improviso esteja presente no jogo, não permitindo fazer qualquer coisa para vencer. Eu participei em muitos torneios que os árbitros não cobravam nada, que as regras não importavam muito, inclusive que não contava com uma regra consensual entre todas as companhias, então isso se transforma em um terreno que ninguém sabe o que vai acontecer lá e assim começam a fazer qualquer coisa para ganhar. Então, é nesse sentido que eu considero complicada a coisa do árbitro não cobrar nada, para entre aspas “privilegiar o espetáculo”.  O árbitro tem que administrar o espetáculo, mas também tem que ser justo com as equipes. Eu arbitrei, por exemplo, uma partida em que um time, era um disputa de terceiro lugar, e o time quase não pôde falar na última improvisação, porque o outro time falava e depois falava um outro e falava outro e outro, então se aí o árbitro não cobrar falta, ele está sendo cúmplice dessa situação, e vai ser uma atuação injusta que leva ao terceiro lugar. Porque o público também muitas vezes vota, tem um outro critério de votação. Então, o árbitro é um pouco o termômetro, equilibra um pouco as coisas. Eu acho legal que o árbitro esteja presente e marque a linha para os jogadores.  Inclusive muitos profissionais na hora de competir e levar o troféu esquecem das regras éticas da improvisação. Todo mundo fala das regras, mas na hora do Match, de uma etapa decisiva, todo mundo esquece. Então, eu acho bom que o árbitro marque a linha.

Improvisando: Em termos gerais, depois de bastante tempo e experiência, o que você hoje entende por improvisação? O que significa para você hoje?

Ricardo Behrens: Hoje, improvisação, primeiro tem a ver com uma visão sobre a vida, eu acho, uma visão filosófica, que tem a ver com a técnica, de aceitação de propostas, de conexão positiva com as propostas, de avançar na história. Eu acho que esses são elementos que são aplicáveis em muitos âmbitos da vida, então vira algo filosófico, eu acho. Também comprovo isso com meus alunos na Argentina, vejo como eles começam o ano e como terminam o ano e sua evolução como jogadores e como pessoas também… Então, mudam muitas, muitas coisas. Muitos são jovens, de 18, 19 ,20 anos, então também vejo como esse crescimento da idade é acompanhado também com a técnica e também com o próprio desenvolvimento. Então, em primeiro lugar eu acho que tem uma ligação direta com a vida, sem que seja uma religião, não? (risos). Mas eu acho muito, muito ligado.
Também em meu trabalho em empresas, eu posso ver como as pessoas gostam de incorporar isso a diversas atividades.
Depois, por outro lado, vejo o que é o espetáculo, o que é a improvisação como espetáculo, que eu acho que já a esta altura deve ser considerado como um gênero, que em quase todos os países da América Latina e América Ibérica ainda estão lutando por um lugar. Felizmente em vários países estão surgindo programas de televisão, isso ajuda a legitimar o gênero, como se populariza, então, todo mundo fica sabendo do que se trata, ainda que não conheça, digamos, as sutilezas do gênero, coisas que são menos populares. Mas eu acho que é bom porque ajuda com que todo mundo saiba do que se trata quando se fala de improvisação.
Então, vejo esta outra possibilidade, que é a possibilidade de espetáculo, da arte em si mesma. E, depois o interior disso tudo, isso que conhecemos somente nós, os improvisadores.
Os diferentes formatos. Eu estou há vários anos pesquisando muito o que é o  Long form, já há vários espetáculos de Long Form na Argentina e vários que já percorreram vários países, como por exemplo, “Improluchas”, como “El Círculo”, um espetáculo que eu dirigi na Argentina. Com “ El Círculo” estivemos no último Festival Iberoamericano, depois estivemos aqui, no Brasil. Com “Improluchas” estivemos na Espanha, em 2005. ” Improluchas” tem um formato que não é um catch, porque é um long form, mas são personagens que estão vestidos com seus figurinos, que têm sua personalidade, sua forma de pensar e, além disso, são quatro personagens e um árbitro, que também é um personagem, e eles mantêm os personagens durante todo o espetáculo, com seu figurino e com seu comportamento, e aí é construída toda uma história com uma hora de duração, depois no final um público vota em um ganhador. Este formato eu fiz em 2004, em 2005 estivemos com ele em Madrid. Bem, long form é um gênero, dentro do gênero, digamos que é algo que é menos popular, mas que é muito interessante para nós, improvisadores, porque nos sentimos com outro tempo, com outra relação, com outra profundidade na construção do personagem,  com outra possibilidade de aprofundar a relação com os outros personagens, muito mais teatral para os atores de formação que nos sentimos mais dentro de um espetáculo de teatro. A improvisação em geral tem essa coisa de rapidez e de velocidade, que às vezes complica e se transforma em algo superficial, tem que ter cuidado para não se transformar em algo superficial, mas para isso existem os diferentes formatos.

Improvisando: Dentro disso que você está me falando, te agrada mais hoje em dia os longforms? Pergunto isso porque você vem de uma formação de Match …

Ricardo Behrens: Eu gosto muito porque como ator me permite colocar para fora mais o ator e menos o improvisador, o improvisador rápido, a rapidez mental, vai por outro caminho, por uma coisa mais literal, mais comprometida nesse sentido também…  A minha pesquisa vai muito a partir de Harold, a partir do livro Truth in Comedy, de (Charna) Halpern, que fala muito de Harold, da maneira como o usam nos Estados Unidos. Os formatos que fiz partem disso, mas depois já vou para outro lado, para a dramaturgia fragmentada, a união de várias histórias, que tem um pouco de Harold. Mas o Harold tem mais monólogo, canções, segue por seus códigos. Acredito que todos os long form têm algo de Harold, é parte do que todos usamos.

Improvisando: A improvisação como técnica tem vários princípios em que se baseia. Pensando inclusive na possibilidade de um público mais leigo, para que conheçam melhor os fundamentos desse gênero, tenho perguntado para cada improvisador o que ele acredita que é fundamental na improvisação. Quais conceitos são os fundamentais na sua visão?

Ricardo Behrens: O fundamental que todos nós improvisadores conhecemos é a aceitação de uma proposta, a construção de uma história coletiva, a construção a partir da aceitação, a adaptação a partir da proposta do outro. Isto significa pegar a proposta do outro de uma maneira positiva, como se fosse própria, defendê-la como se fosse própria e adicionar-lhe coisas como se fosse própria. O trabalho em equipe, o trabalho coletivo passa a ser fundamental. Acredito que se torna fundamental também afastar-se do ego também: se a pessoa aceita proposta do outro como se fosse sua própria, aí a pessoa já está se afastando do ego, é a construção.
Que outro princípio básico? Acho que é isso aí basicamente, a idéia de que não há erro, isso de que todo erro pode ser ressignificado e ser aproveitado para algo, acho que é basicamente isso.

Improvisando: Sei que você é um dos precursores da improvisação na América Latina, mas algum improvisador ou companhia de improvisação te influenciou? Quem hoje você acredita que faz um trabalho parecido com o que você gosta?

Ricardo Behrens: Olha, eu sou muito velinho (risos), fui um dos primeiros improvisadores…

Improvisando: Sim, certamente você é um pioneiro…  Então, quem hoje faz um trabalho de que você gosta…

Ricardo Behrens: Sim, então muitos dos improvisadores que agora estão fazendo coisas foram alunos meus, então… Claro que há gente que eu gosto como trabalha, como o Oski Guzmán na Argentina, ele trabalhou comigo, fomos colegas já. Bem, vejamos de cada país, que eu acho que são mais. No Chile, está o “Panqueque” (do Colectivo Teatral Mamut e do los Improvisadores), também Claudio Espinosa (do LosPleimovil). Bem no Brasil, Márcio BallasCésar (Gouvêa) (do  É Tudo Improviso e do Jogando no Quintal). Agora tenho mais contato com Barbixas, que é muito bom, com códigos muito interessantes, uma busca muito interessante, com um entendimento muito forte entre eles, o que é importante para o grupo. Vejamos, que outro país? Colômbia, Gustavo Miranda (do Accion Impro) e há também o grupo La Gata. Na Espanha, em Madrid tem o Jorge Rueda (do Impromadrid) e também tem o pessoal do Jamming, o pessoal de Por Casualidad. No Uruguai há o pessoal da LPI Uruguai, que também está fazendo algumas coisas. No Peru há o Pataclaun e o Ketó. No Equador um grupo está fazendo match com Hugo Espinoza e também tem Raquel Rodriguez. No México também tem a LIMI, Liga de Mexicana de Improvisação (de Juan Carlos Vives e Ricardo Esquerra) . Acho que tem muitos grupos e novos grupos que estão em formação e que também prometem muito… E é bom que haja jovens que estejam aí montando seus grupos. Um pouco nossa escola na Argentina promove isso, promove que depois de dois anos conosco, os alunos se juntem e formem seus grupos, façam suas apresentações, se deparem com a coisa da produção e de ver o que acontece. Acho interessante essa ideia, que haja muita gente fazendo improviso e vai surgir, como em todos os gêneros, coisas que são excelentes, coisas que são mais ou menos, e coisas ruins. Mas isso acontece também no teatro e em qualquer arte e, então, falamos de um gênero que está em movimento e que está vivo.

Improvisando: Falando no movimento da improvisação… Você estava falando um pouco da TV, da importância da televisão para a improvisação na América Latina. Vários países começaram a ter um espaço de televisão. Qual a dificuldade de transferir um espetáculo, e essa linguagem do espetáculo de teatro, para a televisão? Onde está esta dificuldade e de que forma a improvisação na televisão pode ser boa ou não para o desenvolvimento do gênero?

Ricardo Behrens: A maior dificuldade, eu acredito, pelo que estou vendo, é comunicar ao pessoal de televisão do que se trata, ou seja, a comunicação. Porque o pessoal de televisão está acostumado a outra coisa, então não entende qual é o jogo. Porque a televisão, pelo menos na Argentina, tem bastante improvisação, mas improvisação ruim, ou seja improvisação de coisas feitas assim de qualquer jeito, então não entendem como a improvisação pode ser uma arte. Porque eles estão improvisando todo o tempo, mas de uma maneira horrível. Então aí está a dificuldade: como comunicar que a improvisação é algo em si mesmo? Como explicar a questão da construção da história, dos jogos? Como fazer com que tanto o diretor como a produção e o canal entendam do que se trata? Ao conseguir isso, então, na minha opinião, as coisas começam a ficar mais fáceis. Acho muito interessante o que está acontecendo agora, porque acho que estão encontrando aí a chave da comunicação. Não sei se eu cheguei num momento já avançado da coisa, não sei como foi a princípio, mas evidentemente há um entendimento aí. Isso gera algo muito interessante que tem a ver quase com o teatro. É gerado um clima teatral e isso eu acho fundamental. O fato de o público estar ali ao vivo é gerado o clima teatral… Participando do programa de improviso pude ver que não está tão distante de uma apresentação de teatro. Entretanto, depois é preciso ver também o que acontece com o improvisador na televisão. Eu na Argentina trabalhei em vários programas de televisão e entrei em contato com a câmera e essas coisas. Mas, claro, às vezes os códigos do teatro não são os códigos da TV. É preciso ver como fazer para transferi-los para a televisão e que fiquem bons.

Improvisando: Como o grande propagador do Match na América Latina gostaria que você falasse um pouco sobre esse trabalho. Como se difundiu e surgiram vários grupos? Até me lembrei de mais um grupo de que você não falou, que é o do Match de Improvisação na Venezuela. Como tem se dado essa integração entre os grupos de Match? Como é gerenciado?

Ricardo Behrens: Não, na verdade, nós começamos com uma idéia de difusão de Match a partir da LPI para que o Match chegasse a outros lugares, porque muitas vezes havia entraves, não sabiam como era a questão legal para fazer isso, então a partir do registro autoral que temos na Argentina, posso passar por este registro e isso facilitar as coisas, somente por isso. O que vejo na América Latina é que não há muitos grupos que sustentem o Match como um espetáculo. Na América Latina não tem. Na França e nos países de língua francesa (na Bélgica, Suíça, Canadá) há ligas que funcionam. Mas na América Latina o que acontece é que a dificuldade de fazer teatro leva a reduzir os grupos, a ter grupos menores. Porque é mais fácil de administrar e de divulgar. Então, é difícil sustentar o Match porque demanda uma estrutura maior. Bem, o trabalho que eu fiz foi o de formação na Argentina, depois dei aula no Chile, comecei o primeiro grupo de improvisação no Chile que é o Lospleimovil. Depois também dei aulas na Colômbia, eles também tinham uma experiência prévia com Gigio Giraldo, tanto o pessoal do Acción Impro como o do La Gata. Então depois fui dar aulas no Teatro Nacional, e se formou a partir dessas aulas o primeiro Campeonato Nacional na Colômbia, depois foi realizado no Primeiro Iberoamericano que foi em 2004, aí participamos como companhia. No Equador também, fui o primeiro a dar cursos e foi a primeira experiência com improvisação no Equador. Também dei aulas no Peru para dois grupos já vinham trabalhando, a princípio juntos e naquele momento estavam trabalhando separados, que são o Ketó e o Pataclaun, eu dei aulas na escola do Ketó. Bem, aqui no Brasil, eu tive a primeira experiência no ano de 2001, em Marília e Bauru, dei aulas lá, e nessa época não havia nada de improvisação. Depois em 2005, estive trabalhando com Jogando no Quintal que foi um dos primeiros grupos junto com o Teatro do Nada (de Claudio Amado) do Rio. Bem no México trabalhei dando aulas durante três meses viajando por todo o país, lá trabalhei para empresas e com workshop para particulares também. Enfim, circulei em vários países, deixando a sementinha para que continuem o movimento.

Improvisando: Queria aproveitar então esse comentário que você estava falando anteriormente sobre os movimentos da Improvisação na França, para fazer uma colocação de um improvisador (Ian Parizot)  de um grupo francês (Eux – Compagnie d’ Improvisation). Ele comentou algo curioso a respeito do Catch, que é a essência da improvisação francesa, porque o catch foi fundado lá. E ele acha que houve um prejuízo na formação dos improvisadores franceses como contadores de estórias, com a questão do jogo. E ele tinha essa dúvida com relação aos grupos da América Latina porque ele conhece pouco a improvisação na América Latina. E como o Match é uma coisa bem difundida na América Latina, os festivais latino americanos tem normalmente os campeonatos de Match (recentemente está havendo mais espetáculos de longform) ele teve essa impressão de que talvez a América Latina também tivesse prejuízo na formação dos improvisadores que constroem mais estórias por causa da questão do jogo, do tiro… Entretanto, eu talvez acha que houve uma certa confusão entre formato de jogo e formato de match…

Ricardo Behrens: Ele diz que constroem mais estória ou que não constroem?

Improvisando: A questão dele estava relacionada ao fato de que nos formatos desportivos se constrói menos estórias e que ele acha que o formato de Match como o carro chefe da improvisação latino americana, talvez trouxesse a mesma problemática que ele vê na França, de haver bons jogadores de tiro, mas não muito bons improvisadores contadores de estórias…

Ricardo Behrens: Ah, de jogos… Mas uma coisa é o formato de jogos e outra é o formato de Match. O Match justamente é voltado para a estória. Ou seja, totalmente. Os formatos de jogos não, os formatos de jogos podem ir para outros lados, em que não se constroem histórias e está tudo bem. O Match (e por isso eu acho que é bom como começo, como uma escola de improviso fazer o Match) obriga o jogador a construir uma estória, mesmo livre, sem gênero, totalmente livre e aí vemos realmente a improvisação pura porque não há nenhuma sinalização para a plateia, por exemplo, vamos fazer uma estória de telenovela. No Match você tem a improvisação livre, a improvisação sem gênero, sem pauta de jogo, sem nada, há liberdade total. Então, eu acho que é bom para a formação do improvisador porque adquire a técnica pura, depois a partir daí pode passar para o long form, pode ir a jogos, pode ir aonde quiser.

Improvisando: Então, por fim, respondendo à pergunta do Ian: você acha que houve essa interferência? A base de difusão da Improvisação na América Latina com o Match, acabou gerando mais jogadores, que fazem mais tiro do que improvisadores?

Ricardo Behrens: Não, não acho não. Acho que tem jogadores, em geral tem jogadores contadores de estória. Todos os grupos que citei aqui, são todos grupos que contam histórias, então não acho isso. E o Match justamente, mais uma vez, não é um formato de jogos…

Improvisando: Acho que há aí uma confusão entre o Match ser realizado em formato de torneio, com disputa de jogos. Na verdade ele incentiva a criação de história…

Ricardo Behrens: Incentiva, certo?

Improvisando: Sim acho que é o que eu entendi. Na verdade, na pequena convivência que tive com a base teórica do Match, também tive essa compreensão. Que os jogos no Match exigem muito a capacidade de contar uma boa estória…

Ricardo Behrens: E eu volto à questão do árbitro também. Quando o árbitro vê que não é construída uma estória, ele cobra uma falta, ele cobra a conclusão, se a improvisação é conjunta, se o jogo é demorado, se não se define, se não se avança na história, então…promove a estória.

Improvisando: Por fim, a última coisa que eu gostaria de conversar é sobre o futuro da improvisação. Porque eu acho que está tendo uma difusão maior, está tendo mais intercâmbio, inclusive com os Festivais e os Campeonatos de Match. Então daqui pra frente o que você acha que vai acontecer com a Improvisação? Você estava falando que a improvisação está tendendo a ser um gênero na América Latina…

Ricardo Behrens: Eu acho muito o bom o futuro, mas também acho que os grupos têm que pesquisar, têm que ir além do conhecido e testar, experimentar e arriscar. Aí nesse sentido está também o crescimento do gênero. Se ficamos fazendo as mesmas coisas que funcionam porque o público vai, eu acho que pode ficar medíocre. Tem que pensar em avançar na pesquisa.

Seguem alguns vídeos de Ricardo Behrens. Em entrevista ao  Canal 7 da Argentina, durante o Mundial de Match em Buenos Aires,  no programa É Tudo Improviso e no Improvável com os Barbixas.

Anúncios

Florencia Infante  es actriz egresada de la Escuela de Actuacion de Montevideo en el año 2004.  Desde el año 2005 comienza a trabajar intensivamente en la improvisación.

Es fundadora de Improvisacion Teatro Club del Uruguay, grupo que integra desde el 2005, actualmente llamado Impronta.

Ha participado de diferentes festivales internacionales de improvisación.

Es una de las directoras de la EIU, primera Escuela de Improvisacion Uruguay.

Desde el año 2005 integra Improvisación Teatro Club del Uruguay, con el que realiza por 2 años el espectaculo Sopa Instantanea (al estilo de Harold). Luego de esto, el grupo comienza a investigar las tecnicas deportivas, como Match de Improvisación, teniendo la oportunidad de participar en el Mundial de Impro de Buenos Aires 2007. En esa epoca la compañía cambia su nombre a IMPRONTA Teatro.

En el 2007 dirigió IMPROCALYPSIS un formato de foro, con el que la compañía realiza 3 temporadas en Montevideo.

El el 2008 se estrena en Uruguay Match, generando un éxito imposible de imaginar, y el Espectáculo continua hasta finales del 2009.

Actualmente el grupo esta investigando nuevamente en el Long Form, con el nuevo espectaculo, llamado Sinapsis, que se estrenara en junio en Montevideo.

En el 2010, se estrenaran en total 3 espectaculos nuevos de la compañía, de los cuales 2 son bajo su direccion.

Florencia Infante é atriz formada na Escuela de Actuacion de Montevideo em 2004. Desde o ano de 2005 começa a trabalhar intensamente com a Improvisação.

É fundadora do Improvisacion Teatro Club del Uruguay, grupo o qual integra desde 2005, e que atualmente se chama Impronta.

Tem participado de diferentes festivais internacionais de Improvisação.

É uma das diretoras do EIU primeira (Escuela de Improvisacion del Uruguay).

Com o Improvisación Teatro Clube del Uruguay realiza por 2 anos o espetáculo Sopa Instantânea (no estilo Harold). Após, o grupo começa a investigar as técnicas desportivas, como Match de Improvisação, tendo a oportunidade de participar do Mundial de Impro de Buenos Aires em 2007. Nessa época a companhia muda seu nome para Impronta Teatro.

Em 2007 dirigiu Improcalypsis, um formato de fórum, com o qual a companhia realiza e temporadas em Montevideo.

Em 2008 estréia o Match no Uruguai, com um êxito impossível de imaginar e o espetáculo continua até o final de 2009.

Atualmente o grupo está investigando novamente o LongForm, com o novo espetáculo chamado Sinapsis, que estreia em junho em Montevideo.

Em 2010, estreiam um total de 3 espetáculos novos da companhia, dos quais 2 são de sua direção.

1) Improvisando: ¿Qué es para usted la Improvisación Teatral? ¿Cuáles son sus conceptos más importantes?

Improvisando: O que é para você a Improvisação Teatral? Quais são seus conceitos mais importantes?

Florencia: Cuando comencé con la improvisación, simplemente la consideraba una herramienta. Un plus a lo que uno es como actor. Hoy por hoy la improvisación para mi ha pasado a ser un modo de vida. Ademas de formar parte de una compañía que ensaya de lunes a viernes soy  docente de improvisación para niños, adolescentes y adultos, lo cual hace que mi vida este abocada a esta actividad casi al 100%.

Los conceptos mas importantes me parecen los de el trabajo en equipo, la valorizacion del individuo pero como parte de un colectivo, rescatando al ser humano, dentro y fuera del salon de clases; esto me parece que lo hace sano: no debo ser como en la vida que tengo que destacarme SOLO yo para poder obtener un buen trabajo, etc; aca con este concepto creo que se rescata la  conciencia por el otro.

La escucha y la aceptación, que si bien son conceptos basicos de la impro, nunca dejan de sorprenderme. Tengo alumnos que me dicen que dia a dia se sorprenden con el poder de la acepatacion y la escucha. Y lo mejor es que a veces, sin darnos cuenta, empezamos a aplicar estos conceptos en la vida, y los maestros dejamos de ser maestros para ser terapeutas.

Pienso que no hay conceptos únicos y que dia a dia se siguen construyendo más.

Veo al improvisador como alguien que se tira en paracaídas al vacio,  y a la vez, es el propio paracaídas. Es un salto al vacio permanente.

Florencia: Quando comecei com a Improvisação, simplesmente a considerava uma ferramenta. Um ponto positivo para um ator. Hoje Improvisação para mim passou a ser um modo de vida. Além de fazer parte de uma companhia que ensaia de segunda a sexta feira, eu sou docente de Improvisação para crianças, adolescentes e adultos, o qual fazem que a minha vida esteja condenada a essa atividade quase a 100%.

Os conceitos que considero mais importantes são o trabalho em equipe, a valorização do indivíduo mas como parte de um coletivo, resgatando o ser humano, dentro e fora da sala de aula; e acho isso saudável: não devo ser como na vida em que  tenho que me destacar SOZINHO para obter um bom trabalho, etc; aqui esse conceito acredito que recupera a consciência do outro.

A escuta e a aceitação, apesar de serem conceitos básicos da Impro, nunca deixam de me surpreender. Yenho alunos que me dizem que dia a dia se surpreendem com o poder da aceitação e da escuta. E o melhor é que, às vezes, sem nos darmos conta, começamos a aplicar esses conceitos na vida, e os mestres deixamos de ser mestres para ser terapeutas.

Penso que não existam conceitos únicos e que dia a dia se constróem mais.

Vejo o improvisador como alguém que se atira de paraquedas no vazio, e no entanto, é seu próprio paraquedas. É um salto ao vazio permanente.

2) Improvisando: ¿Cuando la improvisación comenzó en su carrera?

Improvisando: Quando a Improvisação começou na sua carreira?

Florencia: Yo hago teatro desde los 14 años, y realmente nunca habia tenido contacto con la improvisación de manera profunda hasta el año 2005 en mi formación como actriz.

Y la verdad, fue una experiencia muy interesante, hacer una carrera en las artes dramaticas, y por el otro lado hacer improvisación todos los dias después de esas clases de tragedia griega o Shakespeare. Era muy raro!

En esos tiempos creo que fue cuando mi cabeza exploto, ya que realemente empezamos a trabajar con el grupo en improvisación pero integrando las otras areas. Y ese trabajo fue muy rico. A la inversa no suele suceder.

Desde ese momento hasta ahora ha sido el motor de mi carrera, incluso la docente, ya que creo que todos los seres humanos deberian poder probar el poder liberador y sanador de la improvisación; el abanico infinito de posibilidades que brinda.

Creo que los actores que hacemos esto de forma profesional somos unos verdaderos afortunados…

Florencia: Faço teatro desde os 14 anos, e realmente nunca havia tido contato com a improvisação de maneira profunda desde o ano de 2005 em minha formação como atriz.

E realmente foi uma experiência muito interessante fazer uma carreira nas artes dramáticas, e por outro lado fazer improvisação todos os dias depois de todas essas aulas de tragédia grega ou Shakespeare. Era muito estranho!

Naquela época eu acho que foi quando minha cabeça explodiu, já que realmente começamos a trabalhar com o grupo em improvisação, mas integrando as outras áreas. E esse trabalho foi muito rico. Por outro lado raramente acontece.

Desde então até agora tem sido o motor da minha carreira, inclusive a docência, ja que acredito que todos os seres humanos deveria poder provar o poder libertador e curador da improvisação; a infinita gama de possibilidades que proporciona.

Creio que nós atores que fazemos fazemos isso de forma profissional somos uns verdadeiros afortunados…

3) Improvisando:  Su espectáculo más conoscido (Sinapsis) se basa en Harold. ¿Quién vio me dijo que el espectáculo tiene un lenguaje muy poético y la inspiración en la contacto-improvisación. ¿De dónde surgio la elección del formato? Es una peculiaridad del grupo El Teatro Físico?

Improvisando: Seu espetáculo mas conhecido (Sinapsis) se baseia em Harold. Quem vio me disse que o espetáculo tem uma linguagem muito poética e inspirada no contato-improvisação. De onde surgiu a escolha do formato? É uma peculiaridade do seu grupo o teatro físico?

Florencia: Sinapsis es fruto de una investigación grupal que aun esta en permanente cambio. Veniamos de largas temporadas de improvisaciones deportivas, y queriamos enfrentarnos a algo mas poetico, a poner el cuerpo y no solo la palabra en la escena.

Asi fue que bajo la direccion de Danna Liberman, empezamos a investigar sobre lo sonoro, lo espacial… pasabamos horas con instrumentos o con mascaras, sin saber bien que era lo que iba a suceder. Fue un espectaculo muy cuidado. Hoy por hoy seguimos trabajando en el.

Creo que todos los grupos reflejan un proceso de lo que sea, en sus espectáculos; y Sinapsis es sin duda, una suma de necesidades de un colectivo.

Buscamos sin ser pretenciosos, la verdad, la escucha, el cuerpo presente, seguir los verdaderos impulsos, tener sonoridad como grupo.. la verdad es un trabajo riquisimo. No pretendemos que eso se vea, que seamos maravillosos, pero si buscamos ser fieles a este momento y entregarnos al cien porciento a este nuevo viaje.

La eleccion del formato creo que fue lo unico poco estudiado. Habiamos empezado nuestra carrera como improvisadores con ese estilo, y como era todo un volver al origen, rapidamente surgio esa opcion.

Si bien el teatro fisico no es una peculiaridad del grupo, si lo trabajamos con rigor y seguimos mucho al teatro de Lecoq.

Florencia: Sinapsis é fruto de uma investigação do grupo que ainda está em permanente mudança. Vínhamos de longas temporadas de improvisações desportivas e queríamos enfrentar algo mais poético, a por o corpo e não somente a palavea no palco.

Foi assim que, sob a direção de Danna Liberman, começamos a investigar o sonoro, o espacial… passávamos horas com  instrumentos ou com máscaras, sem saber bem que era que ia acontecer. Foi um espetáculo muito cuidado. Hoje ainda trabalhando nele.

Acredito que todos os grupos refletam um processo do que é, em seus espetáculos; e Sinapsis é, sem dúvida, uma soma de necessidades de um coletivo.

Buscamos sem ser pretenciosos, a verdade, a escuta, o corpo presente, seguir os verdadeiros impulsos, ter a sonoridade como grupo… a verdade é um trabalho riquíssimo. Não pretendemos que isso se veja, que sejamos maravilhosos, mas sim buscamos ser fiéis a esse momento e nos entregamos em cem por cento a essa nova viagem.

A escolha do formato acredito que foi o único pouco estudado. Havíamos começado nossa carreira como improvisadores com esse estilo, e como era toda uma volta à origem, rapidamente surgiu essa opção.

Apesar do teatro físico não ser uma peculiaridade do grupo, trabalhamos com rigor e seguimos muito o teatro Lecoq.


4) Improvisando: ¿Cómo esta la improvisación en el Uruguay?

Improvisando: Como está a Improvisação no Uruguai?

Florencia: Es sin lugar a dudas un fenomeno. Es un movimiento que esta surgiendo muy fuerte, y nosotros tenemos una responsabilidad muy grande porque somos pocos lo que improvisamos aca .

El ideal para mi seria que en un furturo no muy lejano, la red de personas que estan en esto, fuera mucho mas grande, para poder tambien, generar cosas mas grandes, como festivales o mundiales.

Tambien hay que entrenar a la gente. Aquí el publico era muy tradicional, pero desde hace un tiempo, esta recibiendo muy bien las nuevas propuestas teatrales, entre ellas, la impro.

Creo que va muy bien.

Espero que ponto aparezcan mas compañias para retroalimentarnos!

Florencia: É sem dúvida um fenômenos. É um movimento que está surgindo muito forte, e nós temos uma responsabilidade muito grande porque somos poucos que improvisamos aqui.

O ideal para mim seria que em um futuro muito distante, a rede de pessoas que estão nisso, se torne muito maior, para poder também gerar coisas maiores, como festivais ou mundiais.

Também tem que treinar as pessoas. Aqui o público era muito tradicional, mas faz um tempo que tem recebido muito bem as novas propostas teatrais, entre elas, a impro.

Acredito que vá muito bem.

Espero que rapidamente apareçam mais companhias para retroalimentarmos!

5) Improvisando: ¿Quiénes son los Improvisadores que inspiran usted a llevar a cabo su trabajo?

Improvisando: Quem são os improvisadores que a inspiram na realização de seu trabalho?

Florencia: Por suerte desde que comenzamos esta aventura tuvimos grandes maestros.

El grupo en si mismo se basa mucho en Lecoq, lo leemos mucho y nos identificamos con el concepto de individuo autonomo creador; ser un colectivo de artistas completos y cada uno diferente del otro.

En lo personal seria difícil nombrar a un solo improvisador, porque por suerte estamos rodeados de grandes genios que todo el tiempo nos enriquecen con sus trabajos.

Marcio Ballas es un pilar importantisimo en mi vida, como amigo y como gran profesional que es. Ya que nombre a Brasil, no puedo dejar de nombrar a César Gouvêa, al que admiro profundamente.

Pero las compañias de Colombia, Acción Impro; de Mexico, Complot Escena, Jogando no Quintal de Brasil; Mamut de Chile,  siempre estan inspirando a que uno quiera hacer lo que ellos hacen.

Florencia: Por sorte, desde que começamos essa aventura tivemos grandes mestres.

O grupo em sim mesmo se baseia muito em Lecoq, lemos muito e nos identificamos com o conceito do indivíduo criador autônomo; ser um coletivo de artistas completos e cada um diferente do outro.

Pessoalmente seria difícil nomear somente um improvisador, porque por sorte estamos rodeados de grandes gênios que todo o tempo nos enriquecem com seus trabalhos.

Marcio Ballas é um pilar importantíssimo em minha vida, como amigo e grande profissional que é. Já que falei de Brasil, não posso deixar de nomear César Gouvêa, que admiro profundamente.

Mas as companhias da Colômbia, Acción Impro; do México, Complot Escena; Jogando no Quintal do Brasil; Mamut do Chile, sempre estão inspirando a que alguém queira fazer o que eles fazem.

6) Improvisando: ¿Qué más ha traído su interés en la improvisación de hoy? Juegos de improvisación o los LongForm?

Improvisando: O quem mais tem atraído seu interesse na improvisação de hoje? Jogos de improvisação ou longform?

Florencia: Los dos formatos son iguales de ricos e interesantes. En este momento, por ejemplo, se da que estamos en simultaneo investigando las dos a fondo.

Con el long form, me permito mas la busqueda de la verdad, de la honestidad como actriz. Lo encuentro hasta mas poetico si se quiere,mas curativo, mas mio,  aunque hagamos comedia. Es como la sensación de construir una pintura entre todos, en una hora de espectaculo.

Con el sport es diferente, porque si bien uno lo entrena la velocidad y plasticidad que requiere,  es en otro carril de ritmo. Estas mas exigido y jugando mas al limite. Siempre con alegria. Pero mas al limite. O al menos yo juego asi, jajaja, realmente lo vivo como la palabra lo indica: deportivo.

Florencia: Os formatos são igualmente ricos e interessantes. Nesse momento, por exemplo, estamos investigando simultaneamente os dois a fundo.

Com o longform, me permito mais a busca da verdade, da honestidade como atriz. Encontro algo mais poético se quero, mais curativo, mais meu, ainda que façamos comédia. É como a sensação de construir uma pintura, entre todos, na hora do espetáculo.

Com o esporte é diferente, porque enquanto ele treina a velocidade e a plasticidade que exige, está em outra pista de ritmo. Está mais exigido e jogando mais ao limite. Sempre com alegria. Mas no limite. Ao menos eu jogo assim, hahaha, realmente vivo como a palavra o indica: desportivo.

7) Improvisando: ¿Cuál es el principio de la improvisación que ahora más se está estudiando e investigando?

Improvisando: Qual é o princípio da improvisação que agora mais está se estudando e investigando?

Florencia: La verdad en escena.

Shawn Kinley nos hablo de eso, y la verdad hizo un click importante.

Florencia: A verdade em cena.

Shawn Kinley nos falou disso, e realmente foi um click importante.

8) Improvisando: ¿Dónde estará el impro? (el futuro)?

Improvisando: Para onde vai a Impro? (o futuro)

Florencia: Yo creo que esto es como una bola de nieve que crece y crece. En Uruguay nosotros fuimos los primeros en hacer esto y nadie entendia nada, nadie creia que era improvisación, fue muy loco. Ahora aca hay mucha gente interesada en esto. Incluso en Abril comenzamos con la EIU, que es la primera escuela de improvisación del uruguay, la cual dirijo con Danna Liberman y Enrico Greco.

A nivel mundial tambien es impresionante, es un fenomeno. Puedo nombrar el caso de los Barbixas, que por medio de Internet llegaron al mundo entero, todos los que hacemos impro sabemos quienes son.

La verdad, antes en el inicio todo era el caos, pero del caos sale la creación. Y creo que ahora estamos en la generacion que va a introducir, al menos en mi pais, otra forma de hacer teatro. Bien distinta, pero igual de poderosa.

Florencia: Acredito que isso é como uma bola de neve que cresce e cresce. No Uruguai nós fomos os primeiros a fazer isso e ninguém entendia nada, ninguém acreditava que era improvisação, foi muito louco. Agora aqui tem muita gente interessada nisso. Aliás em Abril começamos com a EIU, que é a primeira escola de improvisação do Uruguai, a qual dirijo com Danna Liberman e Enrico Greco.

A nível mundial, também é impressionante, é um fenômeno.Posso nomear o caso dos Barbixas, que por meio da Internet chegaram ao mundo inteiro, todos os que fazemos impro sabemos quem são.

A verdade, antes no início todos era o caos, mas do caos sai a criação. E acredito que agora estamos na geração que vai introduzir, ao menos em meu país, outra forma de fazer teatro. Bem diferente, mas igualmente poderosa.

Com mucho gusto, soy grata a Florencia por su amabilidad en participar de ese blog e la felicito por su nuevo espectaculo Imprevisto e su recien nominación al premio Florencio como actriz de reparto por la obra “Romeo y Julieta Mutantes”. Sigue el video de Florencia en release de “Imprevisto“.

Muito feliz, sou grata a Florencia por sua gentileza em participar desse blog e a cumprimento por seu novo espetáculo Imprevisto e sua recém nominação ao prêmio Florencio como atriz coadjuvante pela obra “Romeu e Julieta Mutantes”. Segue o vídeo de Florencia no release de “Imprevisto.

Rhena de Faria tem sangue e alma de artista. É filha de artista plástico e  livreira-tradutora-escritora, ainda irmã do escritor Santiago Nazarian. Nasceu em Olinda, na casa onde hoje mora Alceu Valença, mas veio para São Paulo ainda bem criança. Começou a estudar comunicação na FAAP com 19 anos, mas abandonou a faculdade pelo grupo teatral TAPA. Também ministrou aulas de sapateado por dez anos, ofício que ensinou a atores e grupos como Bonecos Urbanos, Circo Navegador e TAPA.  Em 1996, mudou de rumos ao começar a estudar Geografia na USP. Mas 2 anos depois acabou se descobrindo mesmo no picadeiro.

Trabalhou com Circo Escola Picadeiro e com a Família Medeiros.  Participou de Oficinas do Odin Teatret com seu diretor Eugenio Barba. Também com Leo Bassi, Ricardo Puccetti e Léris Colombaioni.

Com Silvia Leblon fez inúmeros espetáculos como dupla Blanche & Spirulina.

Mademoiselle Blanche

 

Participou do documentário Palhaço – O Ser em Transgressão. Em  2009  participou do filme “O Contador de Histórias” premiado com o selo da UNESCO.

É palhaça atleta do Jogando no Quintal desde 2004, e além desse espetáculo, dentro da Companhia participou de outros espetáculos como a concepção e atuação juntamente com Marcio Ballas no espetáculo de palhaços “O Eterno Retorno”, que teve pré estréia na Colômbia e dirigiu o solo de Cesar Gouvêa In Memorian, ambos em 2007.

Eterno Retorno no Improfestin Chile

 

Ainda dentro do Jogando no Quintal, participa da Seleção Brasileira de Impro e do espetáculo Caleidoscópio (direção e dramaturgia Marcio Ballas), um dos primeiros espetáculos long form do Brasil.

Caleidoscópio no Improfestin Chile

 

Seleção Brasileira do Jogando no Quintal Mundial do Peru

 

No ano de 2009,  fez a sonoplastia e direção do espetáculo solo “Sobre Tomates, Tamancos e Tesouras”, dramaturgia concebida junto com Andrea Macera (solista do espetáculo). O espetáculo teve excelentes críticas, inclusive como espetáculo recomendado pela revista Bravo de junho/2009.

Tive felicidade de estar em dois workshops de improvisação dessa incrível professora, sendo cada uma delas uma experiência excepcional . E é com essa alma inspirada e doce de palhaça, dançarina, dramaturga, diretora e uma das mais talentosas improvisadoras do mundo, que conversei um pouquinho sobre as impressões da Improvisação Teatral.

Improvisando:  Gostaria que vc começasse resumindo os trabalhos nos quais vc está envolvida hoje.

Rhena: Sou palhaça atleta do espetáculo “Jogando no Quintal – Jogo de Improvisação de palhaços” (é assim mesmo que a gente se nomeia: palhaços-atletas!)

Integro o novo espetáculo de Improvisação do grupo Jogando no Quintal chamado “Caleidoscópio”, nosso primeiro long-form, dirigido por Marcio Ballas.

Junto com a seleção brasileira do Jogando no Quintal conquistei o Terceiro Lugar no Match de Improvisação entre países, disputado em Lima, no Peru (2009), e o Primeiro Lugar no mundial de Match de Improvisação em Bogotá, na Colômbia (2008).

Improvisando: O que é Improvisação Teatral? Quais são os princípios em que se embasa?

Rhena: Improvisação Teatral para mim é a arte do jogo, a arte de estar aberto às possibilidades. Eu diria que os princípios mais básicos da Improvisação são a ESCUTA e a ACEITAÇÃO. Para mim, sem dúvida são o bê-a-bá, a lição número 1. Depois com a maturidade, um improvisador pode até desconstruir estes princípios. Mas num primeiro momento eles são fundamentais para que se crie uma cultura comum de jogo entre os atores.

Improvisando:  Como surgiu a Improvisação na sua carreira?

Rhena: Surgiu junto com o meu trabalho de palhaça, no final de 2000. Ser palhaça é entre outras coisas, viver em cena o aqui e o agora. É ser permeável ao meu público e a tudo o que ele me dá. E isto também é improvisar, porque trata da vivência de uma relação verdadeira, como na vida. Agora a improvisação como técnica, mais aprofundadamente, eu só fui descobrir quando fui convidada a integrar o Jogando no Quintal, em 2004. Entrei no Jogando no Quintal porque já era palhaça e boa parte dos integrantes conhecia o meu trabalho. Mas foi com o Jogando no Quintal que passei a ter contato com outros grupos, com mestres da Improvisação, e a me aprofundar em todos os seus princípios.

Improvisando:  Sabemos que o Jogando tem uma vertente singular na Impro em todo mundo, que é a aplicação de técnicas de Clown junto ao Improviso. De que maneiras se encontram o Clown e a Impro? Em que aspectos elas se diferenciam?

Rhena: Embora o palhaço crie relações reais com o público, e os improvisadores por meio de personagens, criem relações fictícias entre eles, ainda assim, nos dois casos é preciso reacionar a estes jogos com prontidão e verdade. Ambos fazem um teatro vivo diretamente relacionado às suas inquietações mais imediatas. E ambos os trabalhos são, sobretudo, trabalhos autorais.

O desafio de fazer Impro com o clown consiste na tentativa de conciliar algo que é de natureza generosa – no caso a Improvisação, com uma figura que é naturalmente egoísta – no caso o palhaço. E não se trata de ver generosidade como algo “bonzinho” e egoismo como algo “nocivo”. É muito mais simples: o improvisador serve  a cena, está a serviço de algo maior do que ele. Já o palhaço serve em primeiro lugar ao que lhe dá prazer, ao que lhe entretém e lhe diverte. Por isso ele é capaz de sacrificar uma estória em andamento em prol de uma boa piada, na tentiva de ganhar o público. Daí o seu egoismo. Acho que o Jogando existe há tanto tempo porque juntar estas duas coisas com facilidade é uma meta inalcançável.

Improvisando: Quem são os Improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?

Rhena: O argentino Marcelo Savignone, que faz um trabalho impressionante de improvisação com máscaras balinesas.

O colombiano Gustavo Miranda Angel, do grupo Acción Impro, pela presença de espírito e humor genial e que ele tem.

Gosto muito do Omar Argentino Galvan também, porque é um cara extremamente poético e inteligente. Um cara que faz um solo de Impro bastante verbal, como se fosse uma espécie de contador de estórias.
Improvisando: Quais companhias no mundo você acredita que hoje fazem os trabalhos mais incríveis?

Rhena: O grupo Acción Impro, de Medellin-Colômbia, que posui um dos espetáculos de longo formato mais bonitos que eu já vi: Tríptico. São bons atores, sempre se desafiam criando coisas novas, além de representarem para mim um ideal de grupo.

Gosto muito também do grupo espanhol Impromadrid, sempre poético e sofisticado em suas improvisações.

E citaria também os mexicanos do grupo Complot Escena. Me agradam suas idéias, são simples e carismáticos.
Improvisando: O que mais tem te trazido interesse em Improvisação hoje? Jogos de Improvisação ou espetáculos mais long form?

Já não me atraio por jogos de improvisação hoje em dia. O que me prende ao espetáculo Jogando no Quintal é muito mais o desafio de fazer impro entre palhaços e pela relação incrivelmente revolucionária que o espetáculo estabelece com o público, do que propriamente o desafio dos jogos. Prefiro os espetáculos de longo formato, os chamados long-forms. Eles me dão a possibilidade de criar boas estórias e, sobretudo, de me aprofundar nas relações entre os personagens, coisa que os jogos curtos não possibilitam.
Improvisando:  Qual é o princípio da Improvisação que é hoje mais motivo de investimento e pesquisa hoje no mundo?

Rhena: O que vejo como trajetória comum de pesquisa entre todos os grupos que conheço, não é um princípio, e sim, um formato: um início de vida por meio de jogos curtos de desafio que culmina, depois de anos de prática, na vontade e na necessidade quase vital de fazer um long-form. Então estas companhias partem para aquilo que consideram um desafio maior: criar estrórias de longa duração ou estórias únicas que durem todo o espetáculo. Quando isto aconteceu com o Accion Impro, da Colômbia, eles criaram “Triptico”. A LPI, da Argentina, criou o espetáculo “Circulo”. A LPI de Belo Horizonte, dirigida por Mariana Muniz, criou  “Sobre Nós”, o Colectivo Teatral Mamut, do Chile, criou o “Efecto Impro”, o Jogando no Quintal criou  “Caleidoscópio”. E com tantos outros grupos se passou o mesmo.
Improvisando:  Para onde vai a Impro (o futuro)?

Rhena: Acho que a Impro caminha para sair da marginalidade e se firmar como mais um gênero teatral. Acho que os espetáculos de Impro que fazem sucesso no Brasil têm impulsionado novos grupos a fazerem Impro também. E aos poucos a quantidade de grupos de improvisação vai aumentando, no Brasil e no mundo.

A seguir vídeos de Rhena de Faria com a Seleção do Jogando e como Mademoiselle Blanche no Jogando no Quintal.

Esse blog abre aspas, dentro do Ciclo de Entrevistas, pedindo licença para falar de Allan Benatti.

Allan Benatti é o palhaço-atleta Chabilson do Jogando no Quintal. Também integra o elenco de Caleidoscópio, Long Form de Impro da trupe, juntamente com Márcio Ballas, Marco Gonçalves e Rhena de Faria. Compõe a seleção brasileira de Impro, juntamente com a mesma equipe do Caleidoscópio, campeã do mundial no Peru e terceiro lugar no mundial do México. Por diversas vezes jogador convidado do espetáculo Improvável da Cia. Barbixas de Humor. Já participou de diversas montagens dentre as mais importantes, pode-se destacar: O Assassinato do Anão do Caralho Grande, O Chá de Alice e O Auto da Compadecida. Trabalha com a linguagem do Clown há mais de dez anos, tendo sido aluno de Léo Bassi, Bete Dorgan e Cristiane Paoli Quito. É professor de Clown e Improviso.

Durante 2 workshops e um curso de 4 meses nesse ano, tive a oportunidade de ter curiosidade, aprender e me entusiasmar pela Improvisação Teatral, convivendo com um professor por natureza. Aliás, creio que algumas qualidades na vida fazem o professor: logicamente o conhecimento adquirido, mas principalmente a curiosidade em continuar a buscar conhecimento e o entusiasmo e a generosidade com que lida com o aprendizado dos alunos. Talvez o professor seja um dos principais personagens em construção de Allan Benatti. Aliás, é bem interessante vê-lo, aqui, falar sobre seu entusiasmo sobre máscaras, construção de personagens e relações. Porque tão interessante quanto conhecer suas opiniões a respeito da Improvisação Teatral, na qual é um de seus personagens principais, é conhecer a própria trajetória de sua vida, que o trouxe por esses caminhos, entremeada por muitos improvisos e muitos personagens.

Improvisando: Queria primeiramente te perguntar sobre como começou sua carreira como ator.

Allan: Eu comecei na verdade, assim, por acaso. Eu comecei a estudar no colegial numa escola técnica que era o Liceu de Artes e Ofício. E aí no segundo ano eu jubilei, fui expulso do Liceu e fiquei perdidinho, sem saber o que fazer.

Foi engraçado porque tinha uma tia minha que quando eu pequeno, tinha dez, onze anos de idade, eu tinha comentado com ela que eu queria fazer teatro. E aí eu já tava com dezesseis para dezessete anos, por aí, nessa época. E ela me vendo perdido chegou pra mim e falou assim: “Ó, você não queria fazer teatro? Vai ter um curso, uma oficina grátis na Oficina Cultural Mazzaropi que eu vi na televisão. Porque você não vai lá fazer? É aqui pertinho.” No primeiro momento quando ela falou, putz, me veio um: “Teatro? Mas por que ela veio me falar de teatro?” Como eu tava mesmo sem saber o que eu ia fazer da vida, pensei: “Vou fazer isso aí.” Aí cheguei lá, tinha uma baita fila enorme para fazer a inscrição e eu passei por acaso.

E foi assim transformador! Porque aí eu descobri um novo mundo e me apaixonei de um jeito que eu comecei a fazer tudo que eu podia ao mesmo tempo em todas as oficinas gratuitas: na Três rios (Oficina Cultural Oswald de Andrade), na Mazzaropi, no Engenho Teatral. E aí no final desse primeiro ano que eu tava fazendo esses cursos eu fui ver um espetáculo que chamava NegraBox que se não me engano era organizado pela Célia Helena. Esse espetáculo era uma co-produção francesa e espanhola. Era uma caixa enorme montada no Ipiranga que devia ter uns cinco por cinco metros de altura. Eu achei um espetáculo incrível e eu sabia que era palhaço, mas só que eles não usavam máscara de palhaço, era um outro tipo de linguagem de palhaço que não era a que eu tinha como referência como o de circo ou de picadeiro. E foi impressionante que eu tinha certeza que era palhaço mesmo com pouco conhecimento e eu pensei: “Meu, eu quero fazer um curso de palhaço.”

No semestre seguinte, em janeiro, abriu turma para fazer curso com a Cida Almeida, que é uma palhaça super clássica. Só que olha as coincidências da vida, que não são coincidências, na verdade. Acabou que a Cida tava grávida de gêmeos, uma gravidez frágil, e tinha que ficar em repouso e não pode dar o curso. Então convidou a Bete (Dorgam) pra ir dar o curso no lugar dela. E aí foi paixão à primeira vista, de imediato, e fiquei quatro anos seguidos estudando com a Bete de janeiro a dezembro. Os primeiros anos foram bem de estudo e o grupo (eu, o Denis (Goyos) , a Gabi (Argento) e a Karin (Frutig)) convidou ela para dirigir um espetáculo. No primeiro momento ela falou: “não, não quero.” A gente continuou trabalhando porque a gente queria montar um espetáculo juntos e dois meses depois ela falou: “Olha, eu topo, se vocês toparem ser minha tese de doutorado.” E aí a gente começou todo um processo, né? Ficamos dois anos em cima de muitos elementos que ela dava a partir do capítulo sete do Alice no País das Maravilhas que é o Chá Muito Louco e aí o resultado foi o Chá de Alice que é um espetáculo completamente inspirado nesse capítulo.

Nessa época, enquanto a gente tava fazendo o Chá de Alice, o Márcio (Ballas) voltou e eu prestei o teste para os Doutores da Alegria. Foi aí que eu conheci o Márcio, foi a primeira vez que a gente se viu. E foi uma afinidade muito grande de primeiro momento. Aí eu não passei, ele passou, a gente continuou as coisas da vida…

Depois de um ano e pouco, o Chá de Alice tava bombando, a todo vapor ainda. Nós ficamos com ele uns 4 anos, tudo bem espaçado: era uma apresentação em janeiro, outra em setembro. Tivemos uma temporada mais longa…

Nessa época ele me convidou: ele já estava treinando com o César (Gouvêa) e com a Paulinha (Paola Musatti) e estavam começando a testar o Jogando no Quintal. O primeiro time a ser convidado para fazer os testes do Jogando no Quintal foi eu, a Gabi e o Dênis. E a partir desse jogo, eles perceberam que não dava pra fazer o espetáculo sem treinar, sem ensaiar. E aí eles começaram a chamar as pessoas para começar a treinar, mais ou menos em março. Quando foi em setembro, nós fizemos a primeira apresentação aberta, se não me engano a gente nem cobrou, foi bem para amigos, umas 30 a 50 pessoas. A gente começou a cobrar no mês seguinte. Então acho que o aniversário do Jogando se não me engano é em outubro, por aí. E aí toda a estória do Jogando que de um quintal foi para um quintal maior, um quintal maior, um quintal maior. Então, toda minha pesquisa acabou se criando dentro da máscara do palhaço mesmo.

De teatro eu cheguei a fazer algumas coisas, espetáculos como O Assassinato do Anão do Caralho Grande, que também como experiência foi fundamental. Porque como era muita gente em cena, eu também consegui degustar a possibilidade de você viver uma máscara, não fazer uma máscara. Porque o Marcão (Marco Antônio Rodrigues) era muito exigente. E foi muito gostoso fazer isso, também estudando junto com o palhaço.

Então, eu comecei a perceber que eu gosto desses personagens, de viver personagens, e acho que to criando uma relação da improvisação da máscara, da vivência da improvisação. A gente acaba trabalhando muito mais na relação propriamente dita, no como eu me relaciono, do que em qualquer outra teoria da improvisação. Quando a gente (Márcio Ballas, Marco Gonçalves e Rhena de Faria) começou a estudar o Caleidoscópio, isso ficou ainda mais acentuado. Porque antes eu já fazia personagens, mas a possibilidade de você, num long form, viver um mesmo personagem por 5 minutos, me trouxe experiências muito boas de palco, de cena, de compreensão da máscara, de compreensão do personagem, da relação, do caminho do respeito, né?

Porque é isso que a gente procura. Se eu to procurando a relação na improvisação também eu imagino, pelo menos para mim, não ser possível eu me relacionar de outra maneira na vida. Então em tudo: desde com minha namorada, com meus amigos com tudo, eu procuro me relacionar com a verdade que eu procuro me relacionar quando eu visto uma máscara na cena. Pra mim esse é o mistério que eu to investigando ainda mais que eu acho que é, pra mim, o que me dá mais prazer e é mais essencial.

Improvisando: Fale um pouquinho sobre os trabalhos com que você está envolvido no momento. Você falou do Jogando no Quintal, do Caleidoscópio…

Allan: Sim, estou trabalhando com o Jogando, o Caleidoscópio. Eu também dou aulas. Eu faço bastantes trabalhos em empresas também, que na verdade são trabalhos que eu pego um briefing específico de uma coisa e desenvolvo numa cena. Então eu também crio roteiros nos quais não faço textos fechados nunca, sempre me baseando na improvisação. Eu pego o briefing, chamo algumas pessoas para trabalhar que são do Jogando e a gente faz a cena inspirado nesse roteiro para seguir um pouco do que eles desejam. Por exemplo, a empresa diz: “Ah, a gente precisa trabalhar a venda.“ Então a gente trabalha com o humor, e geralmente, disassocia da relação com a empresa, levando para uma relação cotidiana, com palavras-chave, com justamente os pontos que eles precisam trabalhar.

Improvisando: E como a Improvisação entrou na sua carreira?

Allan: A partir do momento que eu entrei no Jogando no Quintal. Só que no início do Jogando no Quintal, o primeiro momento de improvisação foi a improvisação do Palhaço.

O Cris (Karnas) entrou e começou a ministrar contato-improvisação que é uma coisa que até hoje eu adoro e quero estudar mais também. A gente trabalhou bastante com essa técnica de ideokinesis nessa parte da improvisação, e trabalhou contato-improvisação. Essa técnica entra numa relação de improviso corporal que pra mim é importantíssimo também. Gosto muito do conhecimento corporal para poder improvisar corporalmente.

Com relação ao Improviso em si, no Brasil, a gente não conhecia ninguém. A única pessoa que a gente conhecia era a Vera (Achatkin) que dirigia um grupo de Teatro Esporte. No início nós tentamos entrar em contato com ela, tentamos nos oferecer de pesquisar com ela, mas não rolou.

E aí a primeira aula de improvisação foi com o Leon e com uma menina que eu não lembro o nome, que tinham recém voltado da Espanha após um curso com o Impromadrid e foram eles que deram as primeiras idéias de técnica de improvisação pra gente. Depois foi a Mariana Muniz. E daí com os festivais, estudamos com o Acción Impro, o Impromadrid… Esses intercâmbios foram fundamentais para começar a ter a compreensão do que é tudo isso.

Improvisando: E qual compreensão você tem de tudo isso hoje? O que é a Improvisação Teatral para você?

Allan: Pra mim na Improvisação o fundamental é a escuta. É você estar em cena livre e solto, sem peso, sem carga, sem pressão. Com uma escuta, porque se você tiver com a escuta você vai estar dentro do que o Shawn (Kinley) chama de Circulo de Possibilidades. E é muito importante também, pra mim, estar livre de qualquer ego, de qualquer coisa que te pressione também. Porque se você está cheio de ego, você tem uma autocrítica maior, você tem que cumprir uma meta que é fazer o público rir e tentar ser melhor até que seu parceiro que está em cena. Ou então quando você está em cena e riem do seu parceiro ,te dando uma trava porque “Riram de você? O que eu tenho que fazer para rirem de mim?” Então, pra mim, Improvisar é estar livre de ego e de qualquer tipo de pressão e ter escuta, pra poder brilhar junto, jogando junto.

Improvisando: Gostaria que você falasse um pouco sobre essa particularidade do Jogando no Quintal que é a relação do Improviso com o Palhaço. Como é vivenciar essa relação tão ambivalente? Como essas duas vertentes se aproximam, como se diferem? Como dar coesão a elas?

Allan: Esse é um pensamento que a gente procura exercitar sempre. O palhaço é improvisador por natureza, só que a improvisação dele é muito mais momentânea. Não tem uma preocupação com que estória eu vou contar, que linha dramatúrgica… Eu vou procurar uma linha dramatúrgica? Não existe isso, ele é mais do acontecimento. A gente ta aqui e acontece de uma latinha cair, por exemplo. Na improvisação, é muito melhor quando essa latinha cai porque precisava cair do que ser um acontecimento atrapalhado. No palhaço os acontecimentos atrapalhados tomam uma importância muito grande, na improvisação o acontecimento atrapalhado pode ser uma desculpa para alguma coisa. Pode ser a característica de um personagem, pode virar uma desculpa para a característica de um personagem. No palhaço não, esse personagem já é por natureza. Então ele pode voar muito mais, sem se preocupar com a lógica, porque a lógica já é dele. Ele já tem sua própria lógica. O improvisador, acredito, procura traçar uma lógica um pouquinho mais… Não realista, ela pode ser fantasiosa, mas que ela seja lógica em tempo integral. O palhaço não necessita disso. Uma outra diferença é que o palhaço é uma figura solitária por natureza, o improvisador pode ser uma figura solitária mas não necessariamente ele é uma figura solitária por natureza.

Só que tem muitas outras coisas que coincidem muito, em muitos pontos. Por exemplo, a escuta no palhaço também é fundamental, acho que é o ponto mais fundamental nos dois. Você tem que estar presente e tem que estar vazio, estar livre de pressão de qualquer pensamento, deixar o pensamento vir. Os dois também trabalham bastante com a relação. Por exemplo, “como eu me relaciono com o outro palhaço?”

Improvisando: E quem são os Improvisadores que tem te inspirado na realização do seu trabalho? Lembro-me de você ter me dito algo sobre o Shawn (Kinley) e o Savignone (Marcelo Savignone)…

Allan: Justamente. Shawn (Kinley) foi pra mim catártico. Essa estória da inspiração, de jogar para o outro. Intuitivamente a gente já até tem essa característica, mas ele consegue verbalizar isso e tem um olhar muito específico, muito pontual. Então em muitos momentos, acontecem coisas durante uma improvisação que após a cena ele fala pontualmente pra você e te ajuda a conseguir detectar. A improvisação tem uma coisa muito boa que é o fato de que observar ensina bastante. Quando eu to dentro de uma improvisação é muito difícil eu conseguir me observar. Porém com o olhar de fora dele, quando ele me pontuava, eu puxava na minha mente a cena e conseguia visualizar esse momento. Então era como se eu tivesse vendo o que tinha acontecido. Foi extremamente didático, aprendi muito com o Shawn.

O (Marcelo) Savignone, pra mim foi o click de que, eu quero fazer essa pesquisa das máscaras, não necessariamente utilizar a máscara como ele utiliza. Mas ele me inspira de lembrar, ele me inspira muito, porque ele é muito virtuoso. Desconstrução de máscaras, de personagens… Era uma pesquisa que já anterior a ele eu já tinha interesse em fazer. Daí quando eu chego, logo no primeiro festival, e vejo um espetáculo como o Sincro? Fiquei passado! Porque é uma habilidade de trocar o personagem e manter o mesmo personagem e você vê que não é uma interpretação, é uma vivência e que acontece na hora. E ele ainda junta o contato-improvisação que é uma coisa que eu adoro também. E música também. Improvisando em todas as áreas! Eu saí do espetáculo falando: “eu quero fazer uma coisa assim!” Sabe? Então é muito inspirador. O Vivo então é mais declarado ainda! Porque é a máscara, né? É a máscara e a relação. É um diálogo com a platéia e de repente acontece a cena. É como um contador de estórias também. E me fascinou, e me fascina e pretendo muito fazer um curso com ele em breve, mais tardar março.

Improvisando: E com relação a Companhias Teatrais no seu trabalho conjunto? Que companhias te agradam no seu trabalho?

Allan: Olha, dos que eu conheço… Españo hablantes a grande maioria, pra mim é parceira e só tem qualidade.

Os mexicanos (Complot/ Escena) tem uma agilidade, um poder de raciocínio. Nem sem como explicar. Eles conseguem abrir os cabos (de idéias), numa improvisação. Por exemplo, você ta numa linha dramatúrgica, você abre um cabo, geralmente você sente uma dificuldade de fazer linkar esses cabos que foram soltos com o cabo principal. Eles tem uma linha dramatúrgica inicial e abrem os cabos e vão conectando muito rápido. É como se eu abrisse um cabo aqui e na fala seguinte já estaria fechando o cabo. Então eles te supreendem a todo momento. Porque o cara fala alguma coisa e você pensa: “O quê?” Mas já na fala seguinte já: “Ah! Entendi.“ Já faz a lógica. E eles são muito bons nisso, são muito hábeis.

O Acción Impro tem uma expressão corporal que poucas companhias que eu conheço tem. Também são muito rápidos, são muito bons em estilos, são muito bons atores. Então o Tríptico é um espetáculo que me envolve de uma maneira… Cada vez que eu vejo me envolve mais, não é que nem um espetáculo de improvisação que você chega e você fala: “Ah, tá, tem essa estrutura, entendi essa estrutura.”  E depois de um tempo você vai falar: ”Ah, mas eu já conheço, já sei como é que é.” Como o próprio Jogando no Quintal acaba acontecendo. As pessoas vão assistir cinco, sete vezes e depois precisa dar um tempinho, só vai assistir de novo dali um ano, dois. Natural. O Tríptico não tem essa característica, é o oposto. Cada vez que eu assisto, me encanto mais pelo espetáculo.

Os espanhóis (Impormadrid) pra mim são mestres. Mestres de uma tranqüilidade, de uma escuta. Aprender escuta com os espanhóis é a coisa mais incrível do mundo. Tem outro ritmo, por exemplo, dos mexicanos e dos colombianos. Eles tem agilidade, mas eu acho que não é o que é interessante para eles. Porque eles gostam de jogar junto com as pessoas, num tempo, num ritmo… Muito um pouco realista, às vezes. Mesmo num universo fantástico eles trazem para uma realidade possível para você.

E o Mamut (Colectivo Teatral Mamut) pra mim… No primeiro momento que eu conheci o Mamut eu tive a sensação de que, como com o Marcelo Savignone, eu precisava trabalhar com esses caras. E até hoje, pra mim, o Mamut também é uma companhia que… são muito generosos todos eles, eles tem uma coisa como todo chileno, muito política, muito ética de querer transformação. Mesmo dentro da improvisação ou fora da improvisação, eu acho que eles procuram uma transformação. Eles são muito politizados, todos eles. E isso me encanta! Os mexicanos também, mas acho que os chilenos ainda mais até pela História deles e tudo mais.  E eu e o Mário (Escobar)  a gente tem uma afinidade que é coisa de irmão. Sou irmão do Mário, do Panqueque (Sérgio Molina), do Nico (Nicolás Belmar), da Juanita (Urrejola), da Mônica (Moya)… Aí é uma outra relação, sabe? Me deu até saudade, me deu vontade de escrever para eles. (Sorri, bastante emocionado). Eu sou muito displicente com essas coisas…

Improvisando: Acho que de alguma forma você já falou bastante sobre isso, mas gostaria muito de saber qual seu atual interesse em termos de formatos de Improvisação. Você faz o Jogando no Quintal, o Improvável, com formato de jogos de Improvisação. Mas também está fazendo o Caleidoscópio que é um Long Form. O que te dá mais prazer em cena? O que te interessa mais em termos de pesquisa? Porque a questão da máscara que você ressaltou é um pouco diferente, né?

Allan: É, é uma outra coisa. Mas, é isso que eu falo. Assim como no Jogando que a gente mistura o Palhaço com a Improvisação, a máscara pra mim pode ser a máscara como na França, por exemplo. Quando você chega no Castelo, você tira a máscara, mas o personagem se mantém. Então a construção de um personagem, também acho que é uma máscara. E a máscara trabalha dentro da relação. Por isso acho que pra mim, está me instigando mais o Long Form hoje em dia, em que posso construir o personagem e a relação. É o que me da mais inspiração e prazer em estar em cena. É onde eu não preciso fazer piada, eu posso simplesmente fazer uma cena bonita, simplesmente fazer uma imagem que me dá prazer.

Acho que espetáculos de curto formato, jogos, outras coisas, me divertem muito, então eu gosto muito de fazer isso também, porque é o momento de criar piada, de se divertir, de não se preocupar muito com a dramaturgia… Às vezes você se perde no meio da improvisação e tudo bem. Perdeu a personagem no meio de uma improvisação, a luta é que não aconteça isso, mas dentro de um jogo curto, é menos impactante para a platéia.

Num Long Form isso é quase imperdoável, você cria um personagem que sai de cena, e não volta mais? Perde-se a resolução da coisa. Num espetáculo de formato curto não, se o jogo foi divertido, tudo bem, não tem problema, né?

Enfim, eu me divirto muito com formato curto, gosto de fazer formato curto, mas hoje em dia pra mim, o que me dá mais tesão é fazer Long Form.

Improvisando: Você falou muito em relação, fala-se muito na questão da relação na Improvisação.  É claro que todos os princípios da Improvisação são importantes, mas você acredita que a questão da relação é o princípio mais pesquisado na Improvisação hoje?

Allan: Não sei se diretamente isso, né? Acho que tem uma pesquisa na Improvisação com relação à Dramaturgia também muito forte. Essa questão que a Rhena (de Faria) levanta muito, e que eu acho fantástico que é um exercício que eu procuro fazer. Até porque tenho menos afinidade do que todo mundo do Caleidoscópio. A questão: “De que estória que eu to contando? De que to falando?” Então essa pesquisa vem em primeiro plano. Eu acho fundamental. Pra mim ela tem que correr paralela a isso que me dá mais prazer que é a relação e o personagem. Mas eu tenho mais prazer nessa pesquisa da relação.

Improvisando: Para terminar, o que você visualiza no futuro da Improvisação?. Um boom de espetáculo de Jogos? Um direcionamento para espetáculos long form? Outras pesquisas?

Allan: Bom é muito difícil falar sobre futuro, né? Mas em todos os países que a gente foi, todas as companhias começam com espetáculos de jogos e a partir deles, passaram para espetáculos de long form. Eu acho isso muito importante porque são nesses espetáculos de jogos que você consegue aplicar mais rapidamente os conceitos de escuta, de estar livre de estar em cena, de motor, de plataforma… Neles, você consegue inserir isso dentro de você, eu acho. Para enfim, quando você tiver num long form, isso sair naturalmente, isso aparecer, você não ter que fazer esforço, você não precisar pensar. Ao invés de pensar, você consegue identificar: “Está faltando mais plataforma… Putz, acho que o público está precisando mais de uma imagem… “

Às vezes acontece até o oposto. Depois do espetáculo, que é o que tem acontecido bastante no Caleidoscópio, você diz: “Nossa, hoje a gente foi muito imagético! Nossa hoje a gente ficou muito verbal e não criou muitas imagens!” Que é a escuta coletiva. É o que o Márcio (Ballas) diz, da consciência do grupo, do pensamento do grupo, que é um terceiro, um fator fora.

O que vai acontecer? Tenho a intuição de que ainda vai ter uma explosão bem grande de espetáculos de jogos, cada vez mais. Os Barbixas conseguiram abrir assim essa porta, pela porta da frente. Então surgiram muitos grupos e eu tenho trabalhado com alguns deles. Acho que é interessante que isso se multiplique mesmo, porque isso também apresenta a Improvisação para o público. Por mais que hoje já tenha espetáculos Long Form, ainda não é de conhecimento geral das pessoas a Improvisação, ainda existe muitas pessoas que não conhecem improvisação, existe muitas pessoas que nem sequer conhecem teatro. Não sabem nem o que é teatro, improvisação pior ainda. Então eu acho que é muito legal se acontecer de ter uma explosão de jogos de improvisação, para difundir isso de uma maneira astronômica, para aí então começar o surgimento desses outros espetáculos Long Form. Ainda é tudo muito igual para as pessoas a Improvisação, é muito próximo até de coisas de humor que não são relacionados à Improvisação como stand up ou então stand up de personagens também. As pessoas confundem com Improvisação e é compreensível, porque quem faz stand-up procura trazer o texto para uma naturalidade e a improvisação traz essa naturalidade porque tudo esta sendo criado na hora.

Enfim, acho que quando tiver essa profusão de espetáculos, vai começar a surgir diferentes formatos de long form, e aí o público vai conseguir entender o que é Improvisação e o que é long form. Porque quando o público que vai num espetáculo de jogo chega num long form, às vezes não vai se divertir tanto. Se for num long form tipo Tríptico, por exemplo, que é um espetáculo mais dramático, que é uma densidade de interpretação, que você pode até ao oposto de rir, chorar… O público que vai pra assistir um jogo quer rir e vai sair decepcionado disso!

Então acho que a Improvisação precisa ainda se difundir muito mais, para que as pessoas conheçam melhor, para surgir mais long forms, e quem sabe até surgir outras coisas por aí também.

Seguem dois vídeos: no Improvável e como o palhaço Chabilson no quadro do Jogando no Quintal no Programa Novo, que foi ao ar na TV Cultura entre 8 de setembro e 5 de novembro.

César Gouvea é reconhecidamente uma lenda na Improvisação brasileira. É ator formado pela EAD (Escola de Artes Dramática) da ECA/USP. Trabalhou com Cristiane Paoli Quito, Chacovacchi e Léo Bassi.

O dr. Palhaço Cizar Parker integrou a equipe dos Doutores da Alegria (http://www.doutoresdaalegria.com.br)  inclusive fazendo parte do filme de 2005, vencedor do prêmio de melhor filme do Festival de Cinema de Nova Iorque e dos Prêmios Especial do Júri e Júri Popular na 33a Edição do Festival de Gramado.

Nos Doutores da Alegria, em 2001,  em conjunto com Márcio Ballas (dr. João Grandão), teve a idéia de criar mecanismos de treino e pesquisa de duas de suas grandes paixões (Clown e Improviso). Após sete meses de investigação e formatação de um espetáculo, passaram a chamar outros colegas palhaços interessados na mesma pesquisa. Começaram a organizar pequenos eventos no quintal de sua casa, até hoje localizada à rua Cotoxó, 337, em São Paulo. Assim nasce o Jogando no Quintal (http://www.jogandonoquintal.com.br), espetáculo de Improvisação de Palhaços.

Atualmente, César Gouvea mantém-se como o palhaço-atleta Cizar Parker do Jogando no Quintal. Também é diretor, dramaturgo e ator da peça de Improvisação Infantil O Mágico de Nós.

Na entrevista que se segue, César Gouvea discorre um pouco sobre a trajetória de sua carreira e suas impressões a respeito da Improvisação Teatral, em seus conceitos e rumos. Impressiona a generosidade com que divide sua sabedoria  e a empolgação com que busca novas compreensões e novos rumos para a Impro.

Improvisando:  Gostaria que vc começasse resumindo os trabalhos nos quais vc está envolvido hoje.

César: Estou envolvido com o Jogando no Quintal, o Mágico de Nós, e aí tem um espetáculo que eu estou fazendo com o Gustavo (Miranda Angél) do Acción Impro, mas na verdade todo o processo que a gente fez foi através da Improvisação. Só que a gente não sabe se o espetáculo no fim, vai ser improvisado ou a improvisação foi apenas o veículo para a gente ter formatado numa estrutura, num texto. Então a gente ainda tem mais um mês de ensaio para a estréia esse ano para saber isso. A princípio nos nossos dois encontros, a improvisação serviu como um veículo pra chegar num determinado texto. Outra coisa que eu quero começar a fazer na verdade, que foi uma criação junto com o Jorge (Rueda) do Impromadrid,  é o tabuleiro 13 que na verdade a gente já fez numa apresentação numa empresa, mas no ano que vem eu quero fazer com que ele exista uma vez por semana, uma vez por mês, que é um jogo de Improvisação em forma de tabuleiro, sem usar o nariz de palhaço. Então esses seriam meus 4 projetos.

Improvisando:  O que é Improvisação Teatral? Quais são os princípios em que se embasa?

César: Então, o Jogando, durante nossos primeiros 3 anos, foi muito  intuitivo, porque a única base que a gente tinha de Improvisação era pelo Nova Dança ( da Cristiane Paoli Quito) http://www.novadanca.com.br. O Nova Dança é uma Improvisação que não tinha como objetivo a dramaturgia. Então a gente tentou pegar os princípios do Nova Dança que era muito trabalho de conexão ( uma conexão extremamente corporal) e a partir da aí a gente intuitivamente ia pro lado da dramaturgia, porque a nossa intenção sempre foi fazer uma improvisação teatral. E para mim a Improvisação teatral é onde o palco está na dramaturgia, na construção de estória e na construção de personagem. Só depois de 4 anos trabalhando, que através de festivais de improvisação que a gente viu que muitas dúvidas que a gente tinha, quando essas pessoas vieram pra cá, trouxeram as respostas pra gente. E a gente conheceu que existia pessoas que desenvolviam essa coisa de Improvisação Teatral. Então a gente não tem uma formação muito de estudo de textos, a técnica veio muito empiricamente, através da ação, do fazer e só depois que a gente foi pondo um pouco a teoria. Então o que eu acho o que é a Improvisação Teatral, é uma improvisação em que o grande foco é você construir uma cena na hora, mas que haja uma dramaturgia, haja um começo, meio e fim. E tem esses princípios básicos da Improvisação que é a escuta, dizer sim pro parceiro, você trabalhar o momento presente, você trabalhar a espontaneidade. E a partir daí dependendo da estrutura que você cria da sua improvisação há pesquisas diferentes.

Improvisando: Bom, creio que você já respondeu parte dessa pergunta de como surgiu a Improvisação na sua carreira. Ela parece ter vindo posterior à uma experimentação intuitiva…

César: Foi depois. Interessante que a gente antes de construir uma estória, a gente não pensava num personagem, a gente não pensava em motores vocais, por exemplo. O único motor que a gente pensava se baseava nos motores do Nova Dança que era vamos começar nossa improvisação conectando nossa escápula, conectando nossa coluna, conectando nossa tíbia. E a partir daí nós construímos uma estória.

Improvisando: O que lembra bastante os exercícios de teatro físico do Augusto Boal.

César: E que nos trouxe também até hoje essa coisa física, de imagens. Essa conexão por si só nos traz para imagens, independente de você querer, então o corpo ele se torna um grande motor de imagens. É algo que particularmente mesmo conhecendo hoje mais amplamente a improvisação é algo que eu sinto que o Jogando ainda preserva porque gosta.

Improvisando:  Gostaria que você falasse um pouco sobre o Jogando no Quintal que tem essa vertente singular na Impro em todo mundo, que é a aplicação de técnicas de Clown junto ao Improviso. De que maneiras se encontram o Clown e a Impro? Em que aspectos elas se diferenciam?

César: É engraçado que assim, a gente também percebeu em toda essa nossa pesquisa pela América Latina e na Europa que tem poucos grupos que trabalham palhaço e improvisação. E é curioso porque quando a gente vai para um festival de palhaços eles nos dizem que nós somos bons improvisadores, e quando vamos num festival de improvisação dizem que nós somos bons palhaços. E que nós vivemos nessa linha tênue, que em todos esses 7 anos, tem anos que nós pesamos mais na questão da improvisação do que no palhaço, tem anos que a gente está mais palhaço que improvisador e tem ano que está mais equilibrado. E isso muda às vezes de espetáculo para espetáculo, dizemos: ” hoje nosso espetáculo estava muito palhacesco, esse espetáculo estava muito improvisação”. Então a gente hoje consegue lidar de uma maneira mais saudável com essa não resposta, com essa linha mesmo bem tênue entre o palhaço e improvisação. Porque muitas vezes essas linguagens se constrataram. Então às vezes a improvisação por exigir o raciocínio fez com que o palhaço sumisse e o palhaço por ser tão caótico, por deturpar tanto as coisas, levava a estória também para um caminho que não virava uma estória. Eles são bem contrastantes às vezes. Eu sinto que nas pessoas que não tem nenhuma experiência de palhaço a improvisação mexe com um estado de presença e de espontaneidade que também pode mexer com conceitos muito fortes do palhaço. Por exemplo, o grupo Accion Impro (http://www.accionimpro.com), eles acabam cada um tendo quase uma maneira arquetípica de improvisar seu personagem e isso poderia ser um bom ponto de partida para descobrir os palhaços de cada um deles. Na companhia do Chile (Companhia Teatral Mamut) (http://mamutaccion.blogspot.com) também. Então eu sinto que quando nós fazemos improvisações,  não é o ator que improvisa, e sim uma persona: essa persona criativa, essa persona espontânea e essa persona ela tem alguns pontos semelhantes do palhaço. Então às vezes a improvisação por si só usa algumas ferramentas semelhantes do palhaço, que faz com que você diga: “olha, esse seria um bom ponto de partida para se desenvolver um palhaço”.

Improvisando: Quais companhias no mundo você acredita que hoje fazem os trabalhos mais incríveis?

César: Sem duvida é o Accion Impro, que é o grupo da Colômbia. Hoje eles me inspiram primeiro porque é um grupo que tem 5 ou 6 espetáculos de improvisações totalmente diferentes um do outro. Isso me impressionou bastante. A outra coisa é que vieram de uma experiência de um grupo de teatro que se encantou pela Improvisação. Então o lado teatral deles é muito forte, e eu venho do teatro. Então uma coisa que eu que eu gosto muito é dessa relação do teatro com a improvisação. Inclusive eu me identifico ainda mais hoje porque eles estão nessa, não uma crise, mas uma investigação diferente:  o último espetáculo que eles fizeram foi um espetáculo de um dramaturgo argentino, não foi um espetáculo de improvisação. Então eles estão questionando o que que a gente faz com toda essa linguagem de improvisação que nos serviu durante 7 anos? Qual será nosso próximo passo?  Será apenas criar mais um formato de espetáculo de improvisação ou transcender essa linguagem e nos surpreender com o próximo espetáculo? Isso me faz me identificar muito com eles porque quando eu vejo um espetáculo de improvisação eu não chego a me identificar com o espetáculo como um produto.  “Nossa, esse espetáculo eu gostaria de fazer!”  E sim, quase que eu acabo que, dentro de mim, montando um quebra-cabeça dos espetáculos que eu vejo e o que me encanta mais é a potência que a improvisação pode chegar, mais do que os formatos que são criados. Eu acho que a improvisação pode chegar num estado que é incrível que é ser criado na hora, mas que possa também ter a força de um texto que já foi criado há muitos anos. Porque a minha grande inquietação é que a improvisação possa gerar personagens tão bem construídos e textos tão geniais que o teatro te dá tempo pra isso. Você tendo dois meses para estudar um personagem e  uma vida inteira para construir um texto. Eu sinto que a improvisação pode chegar nesse lugar só que ela vai ter algo diferente do teatro porque vai ser tudo construído na hora e isso vai trazer uma magia que pode ser encantadora. Isso eu vejo muito no Accion Impro. Vejo que numa rapidez enorme, os personagens que são criados através da Improvisação são personagens riquíssimos em detalhes em que você fala: “Nossa, são personagens que é impossível eles não tenham estudado 2 meses para construir.” Então é algo que me encanta muito essa coisa desse diálogo que eles tem entre improvisação e teatro, que outros grupos tem suas outras virtudes, mas eles são realmente incríveis.

Improvisando: Em termos individuais, quem são os Improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?

César: Olha fiquei impressionado com o argentino, o Savignone (Marcelo Savignone) (http://www.marcelosavignone.com), né? Fiquei impressionado com ele. Ah, fico impressionado com os atores do Accion Impro, como já falei. E fico impressionado também com a maneira com que os atores do Impromadrid trabalham porque em todas as cenas por mais que seja um espetáculo cômico de cenas rápidas, tem conteúdo. Isso me impressiona. O que me impressiona também no Impromadrid  (http://impromadrid.com) é que você sai do espetáculo falando sobre as reflexões que as cenas construídas na hora foram geradas. Isso me identifico também. Por exemplo, o que eu não gosto muito é onde quando vou ver um espetáculo de improvisação, em que você fica apenas na virtuose da improvisação, que você termina e diz: “Nossa, você viu como ele fez isso,  como ele fez isso, como ele fez isso? ”  Eu acho que o teatro está a serviço a mais do que isso, então acho que você sair de um espetáculo de teatro e comentando “olha o ator fez isso” é limitador, ele é quase a arte egocêntrica. Ele não sai daquela dimensão “daquele ator capaz de realizar aquilo”. O que eu busco quando eu vou ver um espetáculo é que eu saia, não falando do ator e sim do que ele quis dizer. Sair e ponderar: “é um espetáculo que fala sobre morte” e me faça pensar sobre morte. É um espetáculo que fale sobre amor e não se limite à:  “nossa você viu aquela cena em que o cara veio para perdoar” . Não, o que me encanta é falar: “Nossa o amor, olha o amor hoje em dia!” E isso eu vejo muito no Impromadrid. Então, na verdade, o que me chama a atenção nos grupos são quase elementos que reforçam uma inquietude que eu tenho em relação ao que a improvisação pode chegar, mais que me encantar com formatos que já foram criados.

Improvisando:  O que mais tem te trazido interesse em Improvisação hoje? Jogos de Improvisação ou espetáculos mais longform?

César: Eu me encanto com espetáculos onde eu não veja o formato. É engraçado. Eu, para fazer, atualmente estou me divertido muito em jogos, mas não para assistir. É diferente. Para fazer me divirto muito em jogos , curtos, mas para assistir é quando eu não vejo o formato. É quando o formato não é o protagonista.  Você sai do espetáculo e perguntam: “você viu o formato desse?”  Não,  eu não vi o formato. Ele serviu apenas como ferramenta para chegar em algum lugar. Isso me encanta. É triste quando o que vejo  foi só o formato.

Improvisando: Qual é o princípio (teórico) da Improvisação que é hoje mais motivo de investimento e pesquisa no mundo?

César: Então, a principio, estuda-se muito a plataforma, dizer sim. Mas se você ver hoje, nesses grupos que estão há 8 anos juntos, esse dizer sim para o parceiro já é não cabe mais como conceito. É claro que tudo é estudado como tem que ser: não dá para você começar uma cena sem uma plataforma, sem uma construção, sem dizer sim para o parceiro. Mas se você vê um grupo de 8 a 10 anos, eles já transcenderam isso, e já estão buscando outras formas de improvisar sem seguir esse roteiro, que em princípio foi tão importante. E só podem chegar em outro estágio, porque a plataforma e o sim estão tão orgânicos, que já podem ir para novos vôos. No começo não, no começo de um curso que estou dando, você fala assim: “não é para dizer sim para o parceiro, mas contar o que você está sentindo”. Me lembro de  um curso do Improbable (http://www.improbable.co.uk) que foi muito bacana em que ele diz: “Vamos correr?” E aí  você tem que dizer sim e vai correr. Mas, e se você está com uma puta dor de barriga? Eu não vou correr, eu estou com uma dor de barriga. O não pode ser sim também. Mas isso é muito difícil, passar esse conceito no começo. A improvisação (só agora eu posso falar isso) tem que começar com regras bastante rígidas para você entender, para você iniciar, para depois essas regras se tornarem mais invisíveis. Acho que é um processo natural.

Improvisando: Para onde vai a Impro? (o futur0)

César: Interessante, acho que a improvisação, ela pode continuar existindo. Muitas pessoas vão ter acesso à improvisação. Então acho que ainda vai ter um tempo que a gente vai ver formatos parecidos, porque acho que gente tem que passar por eles. Para a gente transcender, para a gente ter nosso depoimento, é natural que a gente passe por jogos, pelo match. Todo grupo (a gente foi uma exceção com o Jogando) mas todo grupo fez o match, fez os jogos rápidos, é quase uma faculdade. Mas sabe? Talvez a improvisação faça com que você seja um ator que conheça muito bem a dramaturgia. E também uma questão de direção. Ele faz um ator-diretor-dramaturgo junto. Então às vezes uma pessoa por mais que conheça improvisação, possa se tornar um grande dramaturgo, começar a escrever texto. Possa se tornar um grande diretor. Porque a Improvisação te dá elementos que no teatro convencional como ator não te dá. Porque tem função de diretor, dramaturgo e o ator executa. O improvisador precisa ser ao mesmo tempo diretor e dramaturgo. Então a improvisação pode te dar ferramentas que te surpreenda e pense: “estou aprendendo, eu nunca pensei que soubesse escrever, mas estou pensando dramaturgicamente numa cena.” “Nossa, eu não consigo mais não pensar em termos de direção nessa cena.” Então eu acho que a improvisação vai sempre ter esses formatos, mas eu acho que pode surgir muitas coisas novas, às vezes até independentes da improvisação. Esse teste, um dia na improvisação, mas não necessariamente a vida inteira fazendo improvisação, mas ir para outros lugares.

Veja abaixo, a entrevista de César Gouvea, contando sobre a estória do Jogando no Quintal na estréia do Programa Novo na TV Cultura. O quadro perdurou entre 8 de setembro e 27 de outubro de 2009.