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Último dia do Festival Internacional Los Improvisadores, no Teatro Oriente, em Santiago. E  cheio. Com 4 eventos no mesmo dia.

Meio dia, começamos com a Charla (bate papo). O convidado foi Rodrigo Malbrán Contre, diretor e fundador da Escuela Internacional del Gesto y la Imagen LA MANCHA.

Malbrán utilizou o espaço para fazer uma mostra de uma hora e meia, dos diversos estágios que passam os alunos durante os dois anos de formação da sua escola, que tem como base a metodologia de Lecoq. Seus graduandos mostraram cenas de utilização de máscara neutra, clown, commedia dell’ arte e por fim o que ele chama de Os Vinte Movimentos.

O trabalho dos alunos é preciso e rigoroso, a construção de cenas primorosa. O trabalho de Malbrán, que muito influenciou a formação dos improvisadores do Colectivo Teatral Mamut, nessa charla, mais do que didático foi umas das melhores possibilidades de entreterimento desse festival.

Seguiu-se às 16 horas a segunda apresentação do espetáculo Teatruras, do Impromadrid da Espanha.

Ignacio Lopez, Ignacio Soriano, Jorge Rueda e o músico Nacho Mastretta novamente fizeram um espetáculo primoroso na construção de estórias, leve, descontraido, ainda mais agradável com a participação das crianças da plateia. Mais sobre Teatruras no post anterior.

O espetáculo com maior sucesso de público do festival, seguiu-se a noite com Súper Escena, do Colectivo Teatral Mamut.

Com Monica Moya, Nico Belmar e Sergio Panqueque Molina, o Colectivo Teatral Mamut mostra a seu público chileno, um espetáculo de improvisação inspirado no cinema.

São propostas três cenas, em três estilos cinematográficos distintos. Os temas são sugeridos pela plateia. Cada uma dessas cenas se inicia e pára num ponto, na qual somente duas delas são eleitas para terem uma continuação. Depois de mais um pouco de desenvolvimento de cada uma das duas estórias, mais uma delas é eliminada, conhecendo o público somente um dos finais.

Espetáculo muito leve, divertido, bem ambientalizado tanto pela luz como pelo seu músico Francisco “Foco”. Os atores têm uma atuação muito forte pela caracterização de seus personagens e pelo seu carisma com o público. Um espetáculo belíssimo.

Fechou-se o festival com uma enorme festa. Teatro de Gorilas. Cada um dos músicos de suas companhias (Francisco “Foco” Cerda-Mamut, Cristiano Meirelles-Jogando no Quintal, Leonardo Prieto-Complot Escena, Nacho Mastretta-Impromadrid e Sebastian Rodrigues-La Gata Impro) e a banda do Teatro de Gorilas, fizeram a trilha sonora e os efeitos sonoros do espetáculo.

Foram 6 os diretores convidados: Ignacio Soriano (do Impromadrid da Espanha), Rodrigo Bello (do Improcrash da Argentina), Carlos Alberto Urrea Lasprilla (do La Gata Impro da Colômbia), Sergio Panqueque Molina (do Colectivo Teatral Mamut do Chile), Marcio Ballas (do Jogando no Quintal do Brasil) e Frank Totino (do Loose Moose do Canadá).

Os jogadores convidados foram:

– Florian Toperngpong e Nadine Antler da Alemanha.

– Charo Lopes, Luciano Barreda, Luciano Cohen, Marcelo Savignone, Omar Argentino Galván e Pau Farias da Argentina.

– Mateus Bianchim do Brasil.

-Monica Moya e Nico Belmar do Chile.

– Daniel Orrantia, Felipe Ortiz, Juan Gabriel Turbay e Mabel Moreno da Colômbia.

-Jorge Rueda da Espanha.

-José Luis Saldaña, Juan Carlos Medellín e Omar Medina do México.

A oportunidade de ver cenas propostas por aqueles que certamente estavam entre os maiores nomes da improvisação mundial, tornaram esse último espetáculo uma torre de babel de atuações, propostas, divertimento em cena e aprendizagem. Destaco, sem querer absolutamente desmerecer ninguém, o encontro antológico de parte do Sucesos Argentinos (Marcelo Savignone e Omar Argentino) que foi das grandes inspirações da improvisação latino americana com a nova geração de talentosos improvisadores argentinos (Improcrash) em cena nesse espetáculo. Memorável e emocionante.

Ao fim do espetáculo, todas as companhias foram merecidamente chamadas ao palco para serem homenageadas e a noite se seguiu com uma grande festa reunindo público, banda e atores num dos eventos mais fantásticos e audaciosos que a Improvisação mundial já assistiu.

Meus parabéns e muito obrigada a todos os amigos chilenos, a produção (meu especial a Andreia e a Loreto), equipe técnica do teatro, aos queridos amigos Monica, Nico, Panqueque e Francisco “Foco” Cerda do Colectivo Teatral Mamut pela hospitalidade, generosidade e iniciativa tão incrível de reunir as grandes companhias e pensadores da Improvisação Mundial da atualidade.

Meus parabéns  e muitíssimo obrigada também a todos os amigos e mestres Frank Totino, Angélica Rogel, José Luis Saldaña, Juan Carlos Medellín, Leonardo Prieto, Omar Medina, Carlos Alberto Urrea Asprilla, Daniel Orrantia, Felipe Ortiz, Juan Gabriel Turbay, Mabel Moreno, Sebastian Rodrigues, Allan Benatti, Cristiano Meirelles, Ernani Sanchez, Marcio Ballas, Marco Gonçalves, Rhena de Faria, Guilherme Tomé, Mario Escobar Olea, Mateus Bianchim, Charo Lopes, Luciano Barreda, Rodrigo Bello, Luciano Cohen, Marcelo Savignone, Omar Argentino GalvánFlorian Toperngpong, Nadine Antler, Ignacio Lopez, Ignacio Soriano e Jorge Rueda, Nacho Mastretta, Suso33. Vocês tornaram essa semana uma grande festa da improvisação mundial, pelas suas capacidades de viver verdadeiramente os conceitos da improvisação por estarem sempre presentes e afirmarem honesta e generosamente a amizade, aumentando e engrandecendo essa enorme corrente da Impro mundial.

Não devo esquecer dos amigos Adonis Camelato (do Olaria GB) e Rafael Protzner (do UMA Companhia) que compartilharam comigo diversão e aprendizagem.

Vimos atuações surpreendentes e impactantes como X- ha Muerto do Complot Escena e  propostas inovadoras como Corten do Impromadrid, que ao final, destacaram-se nesse festival. Mas nos entusiasmamos com o ritmo jovem, talentoso e coeso do Links do Improcrash. Admiramos a habilidade corporal dos colombianos no TellAraña do La Gata Impro. Nos emocionamos com as atuações solo impressionantes dos genios argentinos Omar Argentino Galván e Marcelo Savignone. Chilenos entusiasmados aplaudiram de pé por quase cinco minutos ao final do espetáculo dos nossos mestres brasileiros do Jogando no Quintal com o Caleidoscópio. Casa quase totalmente cheia de espectadores-fãs que ensurdeceram o Teatro Oriente para ver o espetáculo leve, descontraído e conciso com Colectivo Mamut com o Súper Escena.

Mas por fim, o que se destaca são as possibilidades de intercâmbio de conhecimento, discussões, propostas distintas, novas idéias de concepção, formatos, exercícios, teorias,  que foram pipocando aqui e ali entre uma taça de Sauvignon Blanc, uma cerveja Guayacan, um ceviche, uma salada de palta, um sorvete de lucuman, um poema de Pablo Neruda ou uma simples pausa para curtir o sol brando e o vento fresco. A tão inspiradora cidade de Santiago, se tornou cenário para o desenvolvimento dessas idéias que certamente plantaram a semente que desenvolverá, nesse solo fértil de tantos talentos humildemente ainda ávidos por ainda mais conhecimento e exercício da arte, a revolução proposta por essa grande escola e filosofia de vida que é a Improvisação Teatral.

Que esse post seja, mais que uma mera descrição do que foi esse festival, meus sinceros sentimentos a respeito dos oito dias mais emocionantes e edificantes que vivi desde que decidi me aventurar pelo curioso e instigante mundo da Impro.

Muito obrigada improvisadores de todo o mundo.

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O Festival Los Improvisadores prossegue hoje com bastante atividade.

Começamos à tarde com o espetáculo Teatruras do Impromadrid, da Espanha.

Ignacio López, Ignacio Soriano e Jorge Rueda são desafiados pelo Senhor Teatro a mostrarem que tem condições de frequentar aquele espaço. Para isso, tem que passar por provas que ajudam didaticamente o público a conhecer quais são os elementos importantes que compõem um espetáculo de teatro: cenário, luz, personagens, estilos são algumas das cenas propostas cada uma delas, construídas por plataformas pedidas ao público.

No espetáculo, um telão nos apresenta o “Recadero” era chamado para dar explicações e também propor os desafios para os atores.

Contam também com a participação musical do maestro Nacho Mastretta.

Durante o espetáculo a platéia é convidada a participar da peça.

Um espetáculo belíssimo, delicado e com a já conhecida execução impecável do grupo.

Segue-se a noite com o espetáculo Vivo, solo de Marcelo Savignone.

Um cheiro inebriante de Palo Santo (madeira sagrada) e uma música com inspiração parte eletrônica, parte oriental nos convida a adentrar a atmosfera proposta por Marcelo Savignone.

Através de um exercício de extrema concentração e de adentrar-se dentro desse clima que  Marcelo Savignone escolhe uma a uma as máscaras que comporão seus personagens.

Num dado momento, após uma consecutiva viagem por cada um dos seus personagens, construindo estórias baseadas em temas propostos pelo público, Marcelo Savignone abandona sua máscara e mergulha nos seus personagens sobre uma quase penumbra, entrelaçando as estórias e seus personagens.

É um espetáculo de execução impressionante e que nos leva a lugares absolutamente desconhecidos de nós mesmos. Absolutamente inesquecível.

Segue-se a noite, com Stage Time.

Nesse formato se propõe que cada um dos três times, cada time esse composto por jogadores distintos de cada país, iniciem uma cena, que a qualquer momento pode ser interrompida pelo outro time até que se complete sua estória, dentro de um tempo pré estabelecido.

O espetáculo foi apresentado por Mateus Bianchim.

Equipe 1:

Florian Toperngpong, do Die Kaktussen da Alemanha.

José Luis Saldaña, do Complot Escena do México.

Nico Belmár, do Colectivo Teatral Mamut do Chile.

Pau Farias, do Improcrash da Argentina.

Rhena de Faria, do Jogando no Quintal do Brasil.

Equipe 2:

Charo Lopez, do Improcrash da Argentina.

Ignacio López, do Impromadrid da Espanha.

Mabel Moreno, do La Gata Impro da Colômbia.

Omar Argentino Galván, do Improtour da Argentina.

Omar Medina, do Complot Escena do México.

Equipe 3:

Daniel Orrantia, do La Gata Impro da Colômbia.

Luciano Barreda, do Improcrash da Argentina.

Marcio Ballas, do Jogando no Quintal do Brasil.

Monica Moya, do Colectivo Teatral Mamut do Chile.

Rodrigo Bello, do Improcrash da Argentina.

Amanhã no último dia do Festival, Charla (com Rodrigo Malbán e Frank Totino), Teatruras do Impromadrid, Super Escena do Colectivo Teatral Mamut e encerra-se o festival com o Teatro de Gorilas (com seis diretores de cenas).

Mais um dia impressionante no Festival Internacional Los Improvisadores, no Teatro Oriente em Santiago.

A noite começou com Corten, do Impromadrid da Espanha.

Um cronômetro marca em um enorme telão que cobre todo o fundo do palco, o tempo que os geniais espanhóis terão que improvisar estórias, baseadas em sugestões dadas pelo público. Durante a execução das cenas, os atores gritam Corten: as luzes se acendem e eles definem com a plateia os destinos de seus personagens.

Concepção moderna de cenário, que ainda conta com a improvisação de Suso33 que pinta o cenário durante a construção das cenas.

O espetáculo conta também com a improvisação musical do genial Nacho Mastretta, tocando clarinete e teclado e construindo cenas junto com o grupo.

No espetáculo de ontem, o figurinista do espetáculo, dando cor aos personagens criados foi Omar Argentino Galván, que inclusive já havia feito uma crônica sobre a estreia desse espetáculo em Madrid. É dele também, mas uma de suas incríveis notas, publicada hoje, descrevendo sua experiência com esse festival.

Já conhecidos pela sua habilidade de construção de narrativas e pela sofisticação da concepção de espetáculos, Jorge Rueda, Ignacio Soriano e Ignacio Lopez, construiram um espetáculo refinado, de extremo bom gosto, de execução impecável. Absolutamente inesquecível.

A noite se segue, dando lugar para o espetáculo Más Menos.

O espetáculo foi apresentado pelo brasileiro Mateus Bianchim.

Nesse espetáculo três equipes de quatro jogadores dos vários países convidados, realizavam uma grande cena dividida em três partes.

Após a execução da primeira, no formato e com recursos decididos por cada grupo, com plataformas solicitadas para o público, o público decide se querem assistir a continuação das cenas, dizendo Más (se querem continuar a ver) ou Menos (se não quiserem mais ver as cenas).

As três equipes:

Equipe 1:

Angélica Rogel, do Complot Escena do México.

Carlos Alberto Urrea Lasprilla, do La Gata Impro da Colômbia.

Jorge Rueda, do Impromadrid da Espanha.

Marco Gonçalves, do Jogando no Quintal do Brasil.

Equipe 2:

Juan Carlos Medellín, do Complot Escena do México.

Marcio Ballas, do Jogando no Quintal do Brasil.

Nadine Antler, do Die Kaktussen da Alemanha.

Nico Belmár, do Colectivo Teatral Mamut do Chile.

Equipe 3:

Allan Benatti, do Jogando no Quintal do Brasil.

Charo Lopez, do Improcrash da Argentina.

Felipe Ortiz, do La Gata Impro da Colômbia.

Sergio Panqueque Molina, do Colectivo Teatral Mamut do Chile.

Por fim, somente com camisas 10 em cena, tivemos más para todas elas e vimos as três cenas completas.

Hoje, é um dia com muitas atividades!

Teremos Teatruras , espetáculo infantil do Impromadrid; Vivo, espetáculo solo de Marcelo Savignone e à noite Stage Time com a participação de jogadores de todas as equipes do mundo.

Ontem foi dia de Brasil no Festival Los Improvisadores, no Teatro Oriente, Santiago, Chile.

Apresentou-se Caleidoscópio, do Jogando no Quintal. Allan Benatti, Marco Gonçalves, Marcio Ballas, Rhena de Faria, Cristiano Meirelles e Ernani Sanchez (iluminação) fizeram um trabalho belíssimo, como de costume, nos orgulhando muitíssimo brasileiros, nesse festival.

Para quem não conhece seu formato, o espetáculo inicia com pequenos depoimentos de lembranças vividas nas vidas pessoais de cada um dos improvisadores. Cada estória leva a perguntar para plateia plataformas que vem também de suas vivências pessoais. As cinco plataformas colhidas do público servirão de inspiração para a criação de cinco estórias, que em meio ao espetáculo se entrelaçam.

Mais uma vez me impressionou a beleza das estórias contadas, o poder da criação de imagens, o carisma que ganha facilmente o público e por fim a capacidade de contruir a interligação das estórias de forma tão concisa e ao mesmo tempo tão suave.

A noite se seguiu com o espetáculo Mosaico.

Formato de improvisação em que são solicitadas plataformas ao público que serão utilizadas como inspiração para todas as diversas cenas criadas por grupos distintos de atores que estarão em cena, sob direção de Sergio Panqueque Molina, do Colectivo Teatral Mamut. Foram pedidos uma frase, um lugar, um sentimento, um objeto e algo que caracterizava uma cultura.

Foram convidados 20 jogadores de distintos países.

Alemanha: Nadine Antler e Florian Toperngpong (Die Kaktussen).

Argentina: Omar Argentino Galván (Improtour), Pau Farias e Rodrigo Bello (Improcrash).

Brasil: Guilherme Tomé (É Tudo Improviso e Olaria GB), Marcio Ballas (Jogando no Quintal e É Tudo Improviso), Mateus Bianchim e Rhena de Faria (Jogando no Quintal).

Chile: Mali (Los Improvisadores), Mario Escobar Olea, Monica Moya e Nico Belmár (Colectivo Teatral Mamut e Los Improvisadores).

Colômbia: Daniel Orrantia, Juan Gabriel Turbay e Mabel Moreno (La Gata Impro).

Espanha: Ignácio Lopez e Ignacio Soriano (Impromadrid).

México: Angélica Rogel, José Luis Saldaña e Juan Carlos Medellín (Complot Escena).

 

Hoje é dia de Corten, do Impromadrid da Espanha e Más Menos com participação de integrantes do mundo todo.

Mais um dia incrível no Festival Los Improvisadores, no Teatro Oriente em Santiago, Chile.

Fomos presenteados no dia de ontem com a estreia do espetáculo X-Ha Muerto do Complot Escena, do México.

O espetáculo utiliza como norteador a tradição mexicana de cultuar a memória dos mortos. Diante da morte, os familiares costumam realizar uma reverência em que apresentam pertences que caracterizavam muito o ente que faleceu e se confraternizam.A premissa utilizada no espetáculo é a de que se fale de uma pessoa muito especial, contando de sua vida e de sua morte através de depoimentos pessoais dos familiares e conhecidos.

O espetáculo começa com uma balada muito bonita, tocada com violão solo por Leonardo Prieto.

Segue-se a entrada do protagonista, que vai falar um pouco quem é ele, e depois dele se seguem, um a um os outros que prestam depoimentos de situações vividas cronologicamente em sua vida com o protagonista, por inspirações de frases sugeridas pelo público.

José Luis Saldaña, Omar Medina, Juan Carlos Medellín e Angélica Rogel, tem performances inesquecíveis e irreparáveis.

O lirismo, a dramaticidade teatral e a capacidade de adentrar-se aos personagens e contar as estórias foram emocionantes.

Complot Escena mostra sua face menos cômica e muito mais reflexiva e introspectiva. Uma performance memorável, certamente a melhor de todas as apresentações até esse momento do Festival e digna do unânime entusiasmo de todos aqueles que presenciaram esse espetáculo.

Segue-se a noite do festival com o Cage Match.

Formato americano de improvisação. Nele, ontem quatro equipes de países diferentes foram desafiados a propor uma cena com plataformas e números de jogadores por eles determinados, que deve se encerrar em 20 minutos, onde quer que ela tenha chegado.

O mestre de cerimônias foi Marcio Ballas (Jogando no Quintal e É Tudo Improviso).

As equipes:

Impromadrid da Espanha (Jorge Rueda, Ignacio López e Ignacio Soriano), acompanhados do músico Nacho Mastretta.

Improcrash da Argentina (Charo Lopes, Pau Farias, Rodrigo Bello e Luciano Barreda) acompanhados de Francisco “Foco” Cerda, músico do Colectivo Teatral Mamut.

La Gata Impro, da Colômbia (Carlos Alberto Urrea Asprilla, Felipe Ortiz, Mabel Moreno, Daniel Orrantia e Juan Gabriel Turbay), acompanhados do músico Sebastián Rodriguez.

Colectivo Teatral Mamut (Sergio Panqueque Molina, Monica Moya e Nico Belmár), acompanhados do músico Francisco “Foco” Cerda.

Sagrou-se campeão o Colectivo Teatral Mamut, por voto popular.

Novo formato, novas experiências, tudo muito enriquecedor aqui direto do Chile.

Hoje é um dia especial para nós do Brasil. É dia de Caleidoscópio, do Jogando no Quintal.

Mais à noite, Mosaico.

Hoje no Festival Internacional Los Improvisadores foi dia de TellAraña do La Gata Impro e Match de Improvisação.

Começamos com o espetáculo do grupo La Gata Impro chamado TellAraña.

Num cenário que lembra uma sala de estar, um sofá, um lustre, um vaso de planta, um mancebo, duas cadeiras e um banquinho. Nesse clima aconchegante, o grupo La Gata Impro (Felipe Ortiz, Carlos Alberto Urrea Lasprilla, Juan Gabriel Turbay, Camilo Rodrigues, Daniel Orrantia, Sebastian Rodrigues e Mabel Moreno) entra despretensiosamente no palco, cumprimentando a plateia e estabelecendo com ela uma diálogo cotidiano, na qual sem perceber, vão colhendo plataformas cotidianas que serão utlizadas para criar suas estorias. Essas estorias são interligadas durante o espetáculo, permeado de elementos de realismo fantástico. No início do espetáculo, os objetos de cena saem um a um, deixando o palco livre e esses objetos vão entrando pouco a pouco em cena, complementando o cenário de cada uma delas dentro do seu contexto.

Segue-se o Match de Improvisação.

O match de improvisação é um formato de jogos de improvisação criado por Robert Gravel e Yvon Leduc no Canadá, baseando suas técnicas nas investigações do mestre Keith Johnstone. Após várias experiências com improvisação entre um grupo de atores do Teatro Experimental de Montreal, surge a idéia de uma peça teatral que, como um esporte, fosse único e irreproduzível em cada representação. Em 1977 então se cria um espetáculo desportivo-teatral baseado no Hockey de gelo que com regras apropriadas e dentro de um marco adequado, cria um estado de competição. A LPI (Liga Profissional de Improvisação) de Ricardo Behrens, foi responsável pela popularização no gênero entre os españo hablantes.

O jogo se estabelece entre 2 equipes, em suas regras oficiais composta de 3 jogadores e 3 jogadoras e um técnico. Um árbitro e dois auxiliares cuidam para que o jogo transcorra dentro das normas. Cada partida tem duração de 90 minutos (3 tempos de 30 minutos, com intervalos de 1o minutos entre cada um dos tempos). Cada jogo de improvisação proposto pelo juiz deve delimitar o tema proposto para a improvisação, sendo essas:

1)Natureza da Improvisação:

Comparada: cada equipe joga o mesmo tema separadamente.

Mista: jogadores de ambos os times participaram do tema proposto.

2) Título da Improvisação

3) Número de jogadores

4) Duração da Improvisação

5) Estilo

Existem diversas normas a serem cumpridas e faltas são apitadas quando infringidas tais regras. A contagem de pontos se baseia no voto popular e pontos são perdidos à contagem das infrações cometidas por cada equipe.

O Match teve apresentaçào de Mario Escobar Olea, um dos fundadores do Colectivo Teatral Mamut,  improvisador-professor chileno que esteve nos últimos seis meses no Brasil, trabalhando com companhias como Jogando no Quintal e Barbixas.

O juiz da noite foi Hector Rafael Altamirano, juiz personagem de Omar Argentino Galván, auxiliado por Monica Moya (Colectivo Teatral Mamut) e Mali, ambas do Los Improvisadores.

Os dois times, azul e vermelho, eram composto por seleções de jogadores variados do mundo todo.

O time vermelho era composto por:

Juan Alberto Urrea Lasprilla, do La Gata Impro da Colômbia

José Luis Saldaña, do Complot Escena do México

Guilherme Tomé, do Olaria GB e do É Tudo Improviso, do Brasil

Luciano Barreda, do Improcrash da Argentina

Sergio Molina Panqueque, do Colectivo Teatral Mamut e do Los Improvisadores, do Chile

Ignacio Soriano, do Impromadrid da Espanha.

O time azul foi assim composto:

Juan Gabriel Turbay, do La Gata Impro da Colômbia

Jorge Rueda, do Impromadrid da Espanha

Charo Lopes, do Improcrash da Argentina

Nico Belmar, do Colectivo Teatral Mamut e do Los Improvisadores do Chile

Omar Medina, do Complot Escena do México

Marcio Ballas, Jogando no Quintal e É Tudo Improviso do Brasil.

Além da melhor das seleções de jogadores, com distintas características, a melhor das qualidades técnicas, o espetáculo se torna ainda muito mais atrativo, com as atuações do Mestre de Cerimônias e o trio de arbitragem. Destaque também para Francisco “Foco” Cerda, que é o músico improvisador que faz toda a diferença improvisando junto com as cenas do match.

Sagrou-se campeã a equipe azul com 8 a 4.

Hoje é dia de estreia de espetáculo com X-ha Muerto do Complot Escena do México e Cage Match.

Hoje tivemos mais dois espetáculos geniais no Festival Internacional Los Improvisadores em Santiago no Chile.

Começamos o dia com Links, do Improcrash da Argentina.

Espetáculo do Improcrash tem a sua cara: jovem, rápido, interligado e com grande qualidade técnica e de conexão entre os jogadores. Enquanto Luciano Barreda estava em uma mesa lateral, provido de um computador com conexão à internet e diversos recursos de sonoplastia eletrônica, Paula Farias, Charo Lopes, Rodrigo Bello e seu convidado Omar Argentino (que é criador da concepção do espetáculo) pedem à platéia palavras, frases e sentimentos diversos, que vão dar origem a buscas por vídeos no youtube, que servirão de inspiração de construção de cenas.

Os vídeos os inspiram, e pela intervenção improvisacional de Luciano, interligam-se à cena, não somente legendando-a como também se tornando mais um jogador participando da cena proposta. Utilizando de diversos recursos de humor, excelente interação entre os jogadores e uma enorme capacidade de criar links internos entre as cenas propostas.

O espetáculo tem uma proposta muito moderna, atual e tem execução irrepreensível.

O segundo espetáculo da noite foi o Teatro de Gorilas. Espetáculo criado por Keith Johnstone, um dos formatos do Internacional Theatresports Institute, Teatro de Gorilas é um espetáculo de diretores.

Uma banda de improvisação musical inicia o espetáculo, animada por um saxofonista que é também mestre de cerimônia. Ele aquece a plateia cantando uma canção e convocando o Gorila, que levará o vencedor do campeonato para viajar com ele. Destaco a banda que consegue trazer uma música animada, não perdendo a capacidade de ser extremamente sofisticada.

Cada um dos jogadores desafiados da noite: Omar Medina (Complot Escena/ México), Omar Argentino (Improtour/ Argentina), Ignácio Lopez (Impromadrid/ Espanha), Felipe Ortiz (La Gata/ Colômbia), Monica Moya (Colectivo Mamut/ Chile) e Marcio Ballas (Jogando no Quintal/ Brasil), propõe dois jogos e os dirige para os demais competidores e são avaliados pela plateia como jogos bons ou ruins. Os jogos bons são premiados com banana e os jogos ruins são punidos com um castigo (improvisar cena desafio, por exemplo).

Jogos muitos variados, com diversas propostas absolutamente diferentes (desde uma cena de excluir um jogador da cena até um musical improvisado), diversas oportunidades de desafiar os convidados dentro de suas características e expandir o intercâmbio de conhecimento.

No dia de hoje se sagrou campeão Felipe Ortiz, do La Gata Impro da Colômbia,  vencedor do Teatro de Gorilas.

Mas quem ganhou mesmo, mais uma vez, foi a Improvisação Teatral.

Amanhã é dia de Tell Araña do La Gata Impro e o Match de Improvisação nesse link, já explicado teoricamente por esse blog, entre jogadores selecionados de todo o mundo.

Tive a felicidade de conhecer Débora Vieira há poucos dias.  Vi pessoalmente, a mesma atriz que imaginava tão apaixonada pelas artes, em particular pela Improvisação Teatral. E é com essa mesma paixão, que ela relata aqui suas impressões sobre esse mundo da Improvisação Teatral e a luta para erguer seu espetáculo Dos Gardenias.

1)      Gostaria que vc começasse resumindo os trabalhos com os quais vc está envolvida hoje.

Eu faço parte da UMA Companhia, de Belo Horizonte, de cuja formação fiz parte. Trabalhamos com improvisação desde 2006, e temos 3 espetáculos em repertório, o Match de Improvisação, no qual eu atuo como jogadora e como juíza, e o Sobre Nós, do qual eu não faço parte, porque, quando da montagem, eu estava montando um outro trabalho de teatro, o espetáculo Cortiços, junto à Companhia de Teatro Luna Lunera, de Belo Horizonte. E, também, nosso último trabalho, que acabou de estrear, o Dos Gardenias Social Club (clipping), trabalho de minha concepção e direção, e no qual também atuo.

Além disso, também ajudo a coordenar as atividades da UMA Escola de Impro, aqui em Belo Horizonte. Oferecemos cursos regulares para pessoas com e sem experiência em teatro, e realizamos, com os alunos, aulas abertas e o espetáculo Mister Impro, na conclusão do semestre.

Minha dissertação de mestrado, em desenvolvimento no Poslit da UFMG, também é sobre improvisação. Eu estudo a dramaturgia da improvisação, propondo um estudo comparativo entre a comédia dell’arte e os espetáculos improvisados na atualidade, mais especificamente o Humor Mierda, do grupo mexicano Complot Escena, e também o Caleidoscópio, do Jogando no Quintal.

2) O que é Improvisação Teatral? Quais são os princípios em que se embasa?
Acho que a improvisação é um banquete composto de comida para todos os gostos… e eu ainda estou desfrutando a entrada. Há todo um mundo a ser descoberto no campo da impro, mas o que mais me instiga é a certeza de que, mesmo quando já estivermos saboreando a sobremesa, isso deve ser feito com os mesmos princípios do começo: a tranqüilidade, a generosidade com o que se experimenta e também com aqueles que compartilham da mesma mesa, a capacidade de degustar cada pedaço de cada prato. Vendo os grupos mais experientes, que muito me inspiram, percebo que toda a perícia e virtuose deles só é possível porque eles se aprofundaram nas premissas básicas da impro: a cumplicidade com o companheiro de cena, a sinceridade consigo mesmo e a disposição para desfrutar do trabalho que se realiza. A partir disso, o que mudam são os desejos artísticos de cada grupo, de cada artista, e é o que vai dar o tom de cada trabalho…


3) Como surgiu a Improvisação na sua carreira?

Surgiu em 2006, sem eu ter necessariamente escolhido isso. A Mariana Muniz, que há pouco havia voltado da Espanha, onde trabalhou durante anos com o Impromadrid, postulou uma vaga para dirigir a montagem do curso profissionalizante de teatro que eu fazia, no Centro de Formação Artística (CEFAR), do Palácio das Artes. Ela nos apresentou a linguagem, o treinamento, e dirigiu o Match de Improvisação. No meu caso, foi uma experiência cheia de altos e baixos, já que eu de cara me defrontei com muitos bloqueios. Mas eu resolvi agarrar o boi pelo chifre, já que tem muitas coisas que me atraem na impro. A impro vicia, não? A sensação de que se pode tudo (ainda que saibamos que não é bem assim…), de que se pode celebrar um encontro a cada cena… Isso é mágico!
Considero, também, que em 2009 a impro surgiu na minha vida por uma segunda vez, quando eu fiz uma oficina com o canadense Shawn Kinley. Na época eu morava no Chile, estudava a impro junto ao Colectivo Mamut, e acho que o encontro com o Shawn mudou todas as minhas perspectivas a respeito dessa linguagem.

4) Recentemente Allan Benatti comentava comigo a dúvida que tinha com relação à escassez de mulheres no Improviso. A que você acha que se deve essa constatação? Quais as contribuições diferentes que a mulher pode trazer para a Impro?

Bom, é uma pergunta curiosa, porque no começo do nosso grupo, éramos 10 atores, dos quais 7 eram mulheres. Quando participamos do nosso primeiro festival internacional, a convite do Jogando no Quintal, vários grupos comentavam o quão feminino era o nosso grupo! No Fimpro, que realizamos em 2008, e depois no Improfestin (Chile), tive contato com inúmeros outros grupos, e pude perceber que, de fato, a impro ainda é uma linguagem predominantemente masculina, e eu penso muito sobre isso. A questão de gênero é algo que me toca profundamente, tenho inclusive uma simpatia muito forte por algumas pensadores e artistas que atuam no campo do feminismo. E, nesse sentido, me coloco sempre a pergunta sobre qual seria uma expressão feminina na impro. Às vezes eu acho que, puxa, temos toda uma história do teatro construída por homens… os diretores, dramaturgos, encenadores, atores… Daí me questiono até que ponto a inserção das mulheres na produção cênica não se fez, também, por uma via masculina. Como se nós tivéssemos entrado para um jogo com as regras já mais ou menos estabelecidas, e não nos restasse muito a não ser seguir essas regras. Claro que falando assim a coisa parece muito rígida, e eu sei que os processos, sobretudo os artísticos, são mais dinâmicos…

Mas nesse campo entra a impro… a maioria imensa das cenas que eu assisto e que tratam, por exemplo, dos padrões de comportamento sexual, o fazem sob uma ótica masculina. E, quando há uma inversão, sinto que trata-se simplesmente de uma inversão que tem como ponto de partida o discurso anterior, ou seja, é uma inversão apenas caricatural, ilustrativa.

E isso me inquieta muito… No primeiro semestre de 2010, inclusive, comecei a desenvolver um trabalho de investigação nesse sentido, aqui em Belo Horizonte, com várias meninas interessadas no tema… 4 atrizes improvisadoras, dentre as quais 2 são palhaças, e uma bailarina. Os encontros foram poucos (a famosa agenda…), mas a vontade de ver qual é ainda é muita.
5) Quem são os improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?
Todos os meninos da UMA Companhia, por seguirmos juntos apesar da falta de recursos; o Assis Vidigal, parceiro na UMA, pela inteligência e generosidade; a Angélica Rogel, do Complot Escena, pela delicadeza forte, pela inteligência dramatúrgica; O Marcio Ballas, do Jogando, e o Panqueque, do Colectivo Mamut, pela eterna capacidade de me surpreender e me fazer sorrir; o Gustavo Miranda, do Acción Impro, pela versatilidade; o Marcelo Savignone, pela inteligência e pela técnica e, finalmente, o Shawn Kinley, mestre em todos os sentidos!
6) Quais companhias no mundo você acredita que hoje fazem os trabalhos mais incríveis?
Atualmente eu ando muito encantada com o trabalho do grupo Complot Escena. Acho que eles têm um domínio técnico incrível, e utilizam essa potencialidade sem abrir mão da diversão e da subversão da própria técnica. Poderia também citar grupos como Loose Moose e Second City, mas acho que prefiro escolher uma inspiração mais acessível, rs.
7) O que mais tem te trazido interesse na Improvisação hoje? Jogos de Improvisação ou Espetáculos mais LongForm?

Long Form. Os espetáculos de jogo – que ainda são a maioria nos repertórios dos grupos da América Latina – me cansaram um pouco, fico com a sensação de que é quase tudo muito igual. Acho que há muitos grupos acomodados com a grande receptividade do público para com essa modalidade. Eu até acho positivo, gosto muito do trabalho de diversos grupos, continuo achando um fenômeno muito significativo para o teatro. Mas no meu caso, já estou a fim de investigar outros matizes da impro…

8) Pra onde vai a Impro? (o futuro)

Acho que ela já está num caminho muito bacana… vejo muita gente se apropriando da técnica e fazendo dela um ponto de partida para investigações de outra ordem, e eu acho que é isso que vai manter essa linguagem viva e sempre interessante!

9) Quais são as dificuldades executivas de um grupo no mercado da  Improvisação? Como a UMA Companhia tem conseguido se estabelecer nesse mercado? Quais são as perspectivas e projetos do seu grupo?

No caso de Belo Horizonte, somos o único grupo que realiza uma pesquisa contínua no campo da improvisação. E acho que, pela nossa formação, e também por nossos anseios artísticos, sempre tentamos nos inserir no mercado teatral em sentido amplo. Nunca pensamos em criar um mercado (de produção ou de público) específico para a impro, o que tem suas vantagens e desvantagens, porque nos vemos num não-lugar criativo e também mercadológico: não realizamos um teatro “comercial” o bastante para termos sempre casa cheia e vivermos de bilheteria, tampouco um teatro “experimental” o suficiente para conseguirmos manter o trabalho do grupo via leis de incentivo.

De qualquer forma, o que eu posso dizer a respeito da realidade do mercado relaciona-se mais com o cenário das artes cênicas do que especificamente da improvisação teatral.

Acho que as políticas públicas para a cultura no Brasil ainda engatinham. No caso de Minas Gerais, engatinham usando patinete: são tímidas e inconstantes. Acho que falta conscientização da classe artística a respeito do potencial mercadológico da produção cultural, e falta também competência aos gestores públicos para perceber que o investimento na cultura gera empregos, circulação de capital, além de uma imensa gama de valores agregados, tudo isso com um baixo impacto ambiental. Paralelamente à escassez de recursos, a demanda por financiamento tem crescido muito… Tudo isso dificulta bastante o nosso trabalho.

No caso específico da impro, eu não disponho de dados concretos para fazer uma análise do mercado da improvisação no Brasil. Acho que poucos grupos conseguem sobreviver do trabalho com a impro atualmente no Brasil.

Nós temos quatro anos de trajetória, e até hoje, posso afirmar que pagamos para fazer o que fazemos. Fizemos neste segundo semestre uma temporada de um mês [sexta a domingo] em um teatro daqui de BH, começamos com uma média super pequena de público e encerramos a temporada com casa lotada. No fim das contas, só conseguimos cobrir as despesas com teatro, divulgação, direção, produção…

Além disso, custeamos um investimento constante em nossa formação: oficinas, participação em festivais nacionais e internacionais (ressalte-se que 4 membros do grupo realizam pesquisas acadêmicas a respeito da impro).

E ainda pagamos aluguel de espaço para ensaiar e financiamos com nosso próprio esforço e dinheiro nossos dois longforms.

A realização do Dos Gardenias Social Club só foi possível porque fomos aprovados em um edital da Cia Clara, de BH, que nos ofereceu local de ensaio e de apresentação, além do material de divulgação.

Conseguimos um apoio de R$2.000,00 e realizamos, na cara de pau, uma vaquinha virtual, pedindo aos amigos que contribuíssem. A vaquinha nos rendeu a grata surpresa de R$1000,00, e com isso pagamos o cenário. Então, com R$3000,00, somados à imensurável dedicação de improvisadores, professores de dança, iluminadores e músicos (que também trabalharam sem receber nada, nem ajuda de custos), conseguimos erguer um trabalho do qual eu tenho muito orgulho… não apenas pelo resultado, mas pelo que significa, hoje, trabalhar com teatro e com impro no Brasil.

Estamos trabalhando incessantemente para reverter este quadro, e temos ótimas perspectivas para o ano de 2011. Evoé, impro!

Continuando meu overview pelas novas safras da Improvisação Brasileira, entrevisto hoje Rafael Lohn. Diretor do terceiro colocado do Campeonato Brasileiro de Improvisação, o Grupo Protótipo, Rafa Lohn é outro polivalente na improvisação.

Abaixo, permito que ele próprio conte de sua trajetória na Improvisação e a história do seu grupo.

BIOGRAFIA

Minha veia racional e minha veia artística sempre andaram juntas e foi praticamente natural sair do colégio para cursar simultaneamente Cinema (FAAP) e Matemática Aplicada (USP).
O caminho da matemática me levou para o mundo da lógica, informática e cultura nerd. Sempre enxerguei a matemática, assim como o cinema, como uma linguagem. Uma linguagem elegante, bela e que também tem espaço para a criatividade e inspiração.
O caminho do Cinema incluiu muitos filmes e também muito trabalho com fotografia. Participei de exposições e festivais e estudei com grandes fotógrafos como o René Burri e  o Ralph Gibson.
Além da minha formação na FAAP, estudei na Academia de Cinema de Praga (FAMU). Lá me aprofundei na cinematografia da Europa Oriental, análise de roteiro, estrutura narrativa e direção. Pude trabalhar com diversos diretores e tive oficinas fenomenais como a de direção de atores com a Lenore DeKoven. Também lá dei uma série de aulas de Cinema Brasileiro.
O engraçado é que eu rapidamente virei o ‘louco’ entre os matemáticos e o ‘nerd’ entre os cineastas. Tal qual o ditado ‘em terra de cego quem tem um olho é rei’, sempre que encontrava um emprego de um ‘lado’ o meu ‘outro lado’ chamava a atenção. É o caso do Cineboteco aonde fui contratado cuidar do conteúdo e acabei diretor de tecnologia. Enfim, abri minha própria empresa de desenvolvimento de software para atender tanto o Cineboteco como outros clientes.
Uma outra frente foi trabalhar com adolescentes. Passei muitos anos com o CISV, fui monitor de acampamentos em diversos países do mundo e, aqui no Brasil, dou aulas de cinema em colégios.
Minha vida de improviso começou por acaso, em um curso de Clown com o Márcio Ballas. Depois de dois anos com ele veio o curso do Ricardo Behrens e foi então que decidi montar meu próprio grupo de Improviso. Daí começou a jornada de aprender buscando diversas oficinas (Marcio Ballas, Rhena de Faria, Mariana Muniz, Ricardo Behrens, Bete Dorgam, Patch Adams, Pablo Pundik, Gustavo Ángel, Catalina Hincapie, Hacho Badaracco, Ariel Frost, Leandro Calado, Omar Galvan, Mario Escobar, Luis Louie, Frank Totino …) assistir tudo quanto é espetáculo, devorar toda literatura que encontrava e passar tudo isto para toda gente que foi aparecendo no grupo! De brinde, naquele ano fui contratado para filmar o trabalho do Jogando no Quintal e pude estudar o trabalho deles.
Depois deste um ano, o grupo estabilizou com a cara que temos hoje e, com algum conhecimento acumulado, começamos a trilhar o nosso caminho do Prótotipo. Desde 2007 nos apresentamos mensalmente e para este ano queremos mais!
Improvisando:  Gostaria que vc começasse resumindo os trabalhos nos quais vc está envolvido hoje.
Eu dirijo e me apresento com o Grupo Protótipo de Improvisação. Ainda no improviso, dou oficinas para grupos e empresas e estou pesquisando um novo espetáculo para o grupo.
Também tenho uma empresa de  desenvolvimento de software, Partisan e sou professor de Cinema no colégio Móbile.
Improvisando: O que é Improvisação Teatral? Quais são os princípios em que se embasa?
Improvisação Teatral é o desenvolvimento espontâneo de histórias. Os fundamentos da Impro são a escuta e a aceitação. Escuta e aceitação do outro, do ambiente e de si. Que é uma forma de dizer que a criação é natural, basta que você a perceba e não a bloqueie. Com isso em mãos, o resto é refinamento.
Improvisando:  Como surgiu a Improvisação na sua carreira?
Em 2004 minha irmã estava tendo aula de trapézio no Galpão do Circo. Ela ficou sabendo de um workshop de Clown que o Marcio Ballas ia dar e fez minha ficha de inscrição de brincadeira, ela sempre brincou que eu era palhaço.
Eu fiz o tal workshop e adorei. Emendei na turma regular do Marcio e fiquei um tempão. Aliás, fiquei até ele me expulsar! Chegou um dia que ele me falou que eu já conhecia todo repertório dele que tava na hora de eu ir embora. Aproveitei a deixa para ir atrás de outros cursos. Não lembro, mas deve ter sido nesta época que estudei com a Bete Dorgam.
Em 2006 o Jogando no Quintal trouxe para o Brasil o Ricardo Behrens da LPI. Eu fiz uma oficina com ele e foi a revelação. Quero fazer improviso! Juntamos os interessados que fizeram a oficina, outros alunos do Marcio, alguns amigos e, com a vontade de montar uma LPI no Brasil, começamos a nos reunir.
Simultaneamente, ou seja, quando o Ricardo Behrens estava no Brasil, eu dei uma baita sorte que eu tinha recém terminado minha graduação em Cinema e o Márcio me ligou pedindo que eu filmasse o treino que o Ricardo daria para o Jogando. Quando entreguei o DVD do workshop para o Jogando eles gostaram e me pediram para filmá-los todo mês. Topei! Além de assistir a pencas de apresentações do Jogando, acompanhei alguns treinos, aquecimentos, discussões, camarins.. E, tendo que preparar os DVDs, vi e revi todo o material diversas vezes. Foi uma época em que aprendi muito, Um privilégio mesmo. Passei um ano inteiro gravando.
Este mesmo ano que passei gravando, comecei o processo de pesquisa e aprendizado do grupo. Começamos nos reunindo em um salão de festas, logo depois migramos para a, gentilmente cedida, sede do Jogando. Quando resolvemos aumentar o número de encontros passamos a alugar um espaço na Vila Madalena e, depois de um ano, inauguramos nossa própria sede.
Foi um período bem louco. Eu tinha minha experiência de Clown e um workshop do Ricardo e logo estava dando treino para os diversos sub-grupos da nossa turma. Eram 5 treinos por semana! Tinha muita gente. Devem ter passado umas 40 e tantas pessoas pelo grupo.
Por sorte, o Jogando no Quintal trouxe muita gente bacana para dar treino para eles e eles foram muito generosos conosco. Aproveitamos todo mundo que apareceu em SP e treinamos com gente do Accion Impro, do ImproMadrid, da LPI Argentina, a Mariana Muniz.. Também treinamos com o Marcio e com a Rhena.
Com a bagagem de acompanhar o Jogando, este monte de oficinas, diversos livros e muita tentativa e erro, em março de 2007 começamos a nos apresentar em público. Aí o nosso NEI (Núcleo de Estudos de Improviso) deu luz ao Grupo Protótipo.
Improvisando: A sua trajetória profissional é bastante polivalente. De que forma o cinema, a informática e as exatas influenciam seu exercício como Improvisador? De que forma a Improvisação o influencia nas demais carreiras?
Depois de tantas apresentações e tantos treinos, me sinto muito tranqüilo em situações novas. O trabalho de escuta, foco no presente, memória.. está cada vez mais internalizado e passei a confiar de que minha mente vai prestar atenção e irá resgatar a informação necessária na hora certa. E, incrível, funciona. O humor também ficou mais refinado e ágil, o que ajuda com os clientes e alunos. Mas a principal influência hoje da Impro na minha vida é que dedico cada vez mais tempo a ela e, portanto, menos as outras coisas.
O mundo das exatas trouxe para o Protótipo (temos mais membros de exatas no grupo) um grande enfoque em entender tudo o que fazemos. O que funciona, o que faz com que funcione, o que podemos variar e ainda manter funcionando.. Nós teorizamos muito! Lembro que láááá no comecinho do grupo, quando a Rhena veio nos ver, ela achou curioso que nós entendíamos muito e isto era um problema. Pois entender o que funciona, não é o suficiente, tem de praticar, e nossa prática estava muito aquém da nossa compreensão. Ela falou algo como ‘é como se vocês já entendessem tudo de jazz e agora querem começar tocando Miles Davis ao invés de praticar marchinhas’. Ela tinha razão. Mas nossa cabeçudice ajudou bastante a traçar o caminho dos  treinos, ajudou a descobrir o que precisamos desenvolver e como fazê-lo.
O Cinema contribuiu de diversas formas. A principal foi um bom conhecimento de estrutura narrativa. É algo que me ajuda muito em cena e é onde contribuo mais. É também algo que trabalho bastante com o Protótipo pois na minha visão a história e como ela é contada é a medida do sucesso de uma cena. Também estudei direção, e ainda especificamente direção de atores, o que sem dúvida ajudou a dirigir o grupo e construir o espetáculo.
Por fim, eu valorizo cenas que tenham repertório e o Cinema foi algo que aprofundou muito o meu. Obviamente já era um apreciador do ‘cult’ antes de entrar na faculdade.. Hoje o grupo me alopra: estudei cinema em Praga e conheço cinema Tcheco, Polonês, Húngaro, Estoniano… Claro que não adianta citá-los em cena, mas conhecer tanta diversidade de histórias e pessoas me ajuda a enriquecer as cenas que participo.
Improvisando:  Quem são os Improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?
O Ricardo Behrens além de ser o padrinho do grupo, é um improvisador fenomenal. Sem dúvida um mestre que nos estimula bastante.
Mesmo anos depois, continuo impressionado com a qualidade das cenas que vi do ImproMadrid. O Omar Argentino me deixou boquiaberto com sua apresentação solo as duas vezes que vi. O Colectivo Teatral Mamut também foi deslumbrante.
O Jogando no Quintal inspira a poder viver de Improviso no Brasil.
Também volta e meia volto a fonte e re-devoro o Impro do Keith Johnstone.
Improvisando:  Quais companhias no mundo você acredita que hoje fazem os trabalhos mais incríveis?
Além dos excelentes ImproMadrid e Mamut tenho que destacar o Acción Impro. Eles não apenas dominam os jogos como fazem um incrível long form dramático, o Triptico.
Eu também admiro como o Jogando no Quintal, além de conseguir juntar Clown e Impro, desenvolveu um espetáculo que vai além dos jogos e é extremamente envolvente.
Improvisando:  O que mais tem te trazido interesse em Improvisação hoje? Jogos de Improvisação ou espetáculos mais long form?
Long form! No momento é mais desafiador e permite resultados magníficos. É um reflexo da minha paixão por histórias. Os jogos são divertidos mas muitas vezes sacrificam a história. Na verdade, nesta comparação, o importante é que prefiro histórias à jogos independemente da duração das cenas. O nosso começo de trabalho com long form no Protótipo me deixou muito animado. Temos uma criação nascendo…
Improvisando:  Quais princípios em que se embasa a Improvisação que é hoje são mais motivos de investigação e pesquisa?
Nosso grupo é muito verbal e devemos trabalhar mais o uso do nosso corpo, composição do espaço e uma maior sutileza no que desenvolvemos. Me fascina o quanto podemos transmitir com olhares, gestos ou mesmo um texto que é cotidiano mas expõe toda uma dinâmica entre os personagens. Também, com o long form em mente, pesquisamos um novo ritmo de cena e maior profundidade nos personagens e suas relações.
Improvisando: Para onde vai a Impro (o futuro)?
Meu palpite é que atual onda que tornou o improviso bastante popular ainda deve continuar um pouco. O que é ótimo. Temos cada vez mais gente brincando e aprendendo. Assim a tendência é que tanto o público quanto os grupos se tornem cada vez mais exigentes e, em um círculo virtuoso, tenhamos cada vez mais espetáculos novos, diferentes e melhores!
Improvisando:  Quais são as dificuldades executivas de um grupo novo no mercado da Improvisação? Como o Protótipo tem conseguido se estabelecer nesse mercado? Quais são as perspectivas e projetos do seu grupo?
A maior dificuldade é atrair o público. Divulgar teatro me parece difícil como um todo, divulgar sem verba um elenco de desconhecidos então…é dureza. O boca-a-boca para grupos de improviso é algo que funciona bem: normalmente quem gosta volta com novos amigos, mas, sozinho, é relativamente lento. Um detalhe que ainda me impressiona é a quantidade de gente que não arrisca assistir nenhum espetáculo de improviso com medo de ser obrigado a se expor.
Acho um mérito incrível do Improvável como eles conseguiram romper a barreira da divulgação com vídeos semanais de alta qualidade, convidados e um belo site.
O Protótipo nos primeiros anos foi cautelosamente se apresentando uma vez por mês e com uma produção caseira. Este ano resolvemos nos dedicar e aparecer ainda mais. Fizemos no 1o semestre uma temporada semanal e agora estamos no 2o semestre de volta em cartaz com mais apresentações semanais. Além do aumento do número de apresentações buscamos e realizamos mais oficinas e eventos corporativos. Também participamos do Campeonato Brasileiro de Impro que foi uma ótima oportunidade de conhecer, conviver e jogar com muita gente muito boa e gente muito boa gente (e trazer o bronze!). Enfim um ano em que tivemos uma maior visibilidade o que ajudou a consolidar e divulgar a nossa imagem.
Também investimos em novo cenário, figurino, site… Para o próximo ano pretendemos melhorar ainda mais toda produção e, creio, não escaparemos de um investimento real em divulgação. Certamente aumentaremos o número de oficinas e eventos e, além de continuar com o nosso espetáculo, há uma vontade de estrear um novo!
Começar a buscar leis de incentivo e patrocinadores também está nos planos, alguém aí está interessado?
O Grupo Protótipo está em cartaz no Teatro Bella, na rua Rui Barbosa, 399 , São Paulo, todas às sextas feiras 22h até dia 17/12.
Abaixo uma intervenção do grupo na semana de recepção do IME/ USP.

Ricardo Behrens é ator, diretor e mestre formado pelo Conservatório Nacional de Arte Dramática de Buenos Aires em 1990. Tem também formação profissional como músico, estudando teoria e solfejo, clarinete e piano no Conservatório Nacional de Música, e tendo uma extensa carreira como cantor lírico naquele país.

Desde o começo da sua atividade teatral se dedicou a técnicas de Improvisação Teatral Contemporânea e de Gêneros Puros (escola de Jacques Lecoq). Foi selecionado como clown pelo ‘Cirque du Soleil‘.

Teve como mestres:
Escola Lecoq: Cristina Moreira
Clown: Raquel Solcolowicz, Hernan Gené e Guillermo Landin.
Tango: Dinzel y Rivarola
Mímica: Lerchundi-Escobar
Rítmo Musical: Rubén Ramos.
Improvisação Teatral: Silvie Potvin, Joane (de Lamirande) Bloom, Silviel Gagnon (da Ligue Nationale d’Improvisation do Canadá) e com o mestre francês Claude Bazin (da LIFI – Ligue d’Improvisation Francaise).
Na Europa estudou na Alemanha, Espanha, Estados Uidos, França, Eslovênia e Itália.

Tem trabalhado como ator e diretor em mais de 30 obras de teatro de texto em vários países e diversos programas de televisão argentinos.

É pioneiro na investigação da Improvisação Teatral e das técnicas de Keith Johnstone, Robert Gravel e Viola Spolin no idioma espanhol. Se especializou na investigação e na prática dessas técnicas desde 1988. Cria uma metodologia própria e desde 1998 começa a realizar trabalhos em empresas e instituições, aprimorando a capacidade do trabalho em equipe. É fundador da Liga Profisssional de Improvisação Internacional (LPI) e do Match de Improvisação em lingua espanhola (1988).

No âmbito teatral tem dado cursos de improvisação teatral, match de impro e clown na Alemanha, Espanha, Argentina, México, Colômbia, Peru, Equador, Chile e Brasil. A partir de seu trabalho e da fundação da Escola Internacionalde Improvisação LPI se criaram as Ligas Profissionais de Improvisação nesses países. Por sua trajetória é reconhecido internacionalmente por Yvon Leduc (autor do Match de Improvisação®) e corrdena a disciplina na  América Latina através da LPI Internacional.

Com um currículo impressionante desses, tivemos o prazer recentemente em recebê-lo ao Brasil para uma participação da gravação do É Tudo Improviso, na rede Bandeirantes. Nessa oportunidade também participou como jogador convidado do espetáculo Improvável da Cia. Barbixas de Humor e também ministrou workshops para alguns grupos de improvisação.

Nessa passagem relâmpago pelo Brasil, Ricardo Behrens gentilmente concedeu alguns minutos entre suas inúmeras atividades, para responder algumas perguntas para esse blog.

Improvisando: Eu gostaria de saber um pouquinho de como foi seu contato com a improvisação.

Ricardo Behrens: Então, no ano de 1988, na Argentina, começaram minhas primeiras experiências com teatro. Eu tinha uma experiência de dois anos com clown e aí soube de um casting, uma audição para um espetáculo que se chamava Match de Improvisação, que era um espetáculo dirigido por Claude Bazin, que é um diretor francês. Ele teve contato lá na França com o Match de Improvisação, e ele havia dado algumas aulas na Argentina e havia selecionado alguns alunos e faltava completar o elenco. Então, entrei por meio dessa audição, sem saber muito o que era e nem o que ia acontecer.
Então ele nos treinou durante um tempo, muito intensivo, mostrou para gente vídeos da França, porque era a primeira coisa de improvisação que se fazia na Argentina, com certeza, e em espanhol eu acho que era também uma das primeiras experiências, então não havia muitas referências sobre como era um trabalho com improvisação. Para nós o Match era a improvisação, não separávamos o que era Match do que era improvisação.
Então, eu entrei pela audição, fiquei treinando com ele e depois uns jogadores do Canadá foram para a Argentina e treinaram a gente também, e fizemos as primeiras quatro apresentações com a sala muito cheia e foi um grande sucesso naquele momento, como um início do improviso, de algo novo que não era conhecido lá.
Havia algumas experiências com improviso na Argentina, eu mesmo já tinha feito num lugar chamado Paracultural. O Centro Paracultural era um centro alternativo durante a ditadura militar. Mas não eram muitas as experiências, e essas estavam mais ligadas à técnica do clown, de alguma maneira com improvisações, mas não como técnica de improvisação sozinha. Então, a partir daí comecei a trabalhar, mas estava trabalhando como ator e aprendendo muito e conhecendo muito sobre o tema. Segundo meu ponto de vista, aquele era um grupo um pouco heterogêneo, então no ano seguinte se desfez e se formou um outro grupo, e assim foram duas temporadas. Depois de um break, retomamos as atividades em 92 e aí eu já estava dirigindo. Durante alguns anos tive uma sociedade como co-diretores, aí depois disso por uma série de  algumas divergências artísticas, sobretudo com respeito à estética de improvisação e à estética do Match também, cada um seguiu seu próprio caminho.
Aí já entro no que acredito em improvisação. Eu acredito que um espetáculo de improvisação parece algo óbvio, mas às vezes não é algo óbvio. A improvisação é o mais importante, nem os indivíduos nem os egos, eu acho que tem que deixar tudo isso de lado para fazer uma boa improvisação, colocar-se a serviço da improvisação. Então, um pouco essa foi a divergência. Eu ponho a improvisação em primeiro plano, priorizo fazer boas histórias e fazer uma boa improvisação em qualquer formato. Todo o restante pode ser algo que contribua para esta idéia principal, que ajude esta idéia principal a existir. Se o foco se transforma, vai para outro lado, a improvisação fica relegada, perde-se a essência.   A gente tem que apostar em fazer boas improvisações, boas histórias, isso sim deve ser o protagonista.
O que mais? Bem, depois continuei com a formação da LPI (Liga Profissional de Improvisação).  A partir daí comecei a desenvolver o Match, com os critérios dos criadores do show. Sempre com relação ao Match há amor e ódio entre os jogadores, improvisadores.  Eu tenho uma teoria de que o Match não transitou muito como formato, muitas vezes as regras são amenizadas um pouco para que os improvisadores se sintam melhor, então se transforma em algo menos exigente para o improvisador. Para improvisar, por exemplo, os clichês são permitidos, as provocações de riso, os árbitros não cobram muitas faltas. Ou seja, os árbitros assim como se fala no futebol (não sei como se fala aqui) mas lá na Argentina se diz que os árbitros “sacan los partidos”.  Muitas vezes se fala também que isso está a serviço do espetáculo, que as faltas não são cobradas a serviço do espetáculo. Mas eu acredito que no Match as faltas fazem parte do espetáculo e têm, o que é muito importante, um conceito pedagógico para o público. O público vai entendendo a mecânica do improviso através das faltas, através do gesto, do que o árbitro fala, através do que aconteceu na improvisação em relação a falta que o árbitro cobra. Então se isso é menos rigoroso, o público sabe menos da improvisação, se perde um pouco o critério pedagógico do Match.
Também há outro conceito dentro Match, que todo esporte tem, que é o conceito de justiça que, muitas vezes, também é deixado de lado. É, finalmente, não sei se você teve a oportunidade de ver algum torneio de Match?

Improvisando: A gente teve a oportunidade de brincar um pouco num torneio amador de Match como conclusão do curso extensivo do Allan Benatti

Ricardo Behrens: Ah, você experimentou um pouco de match? Ah, legal. Então, a competição existe, e em níveis internacionais existe muito, mas há um discurso dúbio: por um lado existe a competição de “ah, eu quero ganhar de qualquer jeito”, por outro, falam para o árbitro “ei, não cobra tanta falta!” porque o principal é isso do espetáculo. E, por outro lado também, as equipes querem ganhar e levar o troféu para casa, então se o árbitro não cobra falta, o critério de justiça perde um pouco o sentido. O jogo se transforma em um vale-tudo, eu falo que se transforma em Match-Catch. O Catch é sem regra, cada um faz o que quer: se quer bloquear o adversário, bloqueia, se quer fazer faltas técnicas, pode fazer, pois o formato permite. Mas o formato do Match se preocupa mais em fazer com que a técnica do improviso esteja presente no jogo, não permitindo fazer qualquer coisa para vencer. Eu participei em muitos torneios que os árbitros não cobravam nada, que as regras não importavam muito, inclusive que não contava com uma regra consensual entre todas as companhias, então isso se transforma em um terreno que ninguém sabe o que vai acontecer lá e assim começam a fazer qualquer coisa para ganhar. Então, é nesse sentido que eu considero complicada a coisa do árbitro não cobrar nada, para entre aspas “privilegiar o espetáculo”.  O árbitro tem que administrar o espetáculo, mas também tem que ser justo com as equipes. Eu arbitrei, por exemplo, uma partida em que um time, era um disputa de terceiro lugar, e o time quase não pôde falar na última improvisação, porque o outro time falava e depois falava um outro e falava outro e outro, então se aí o árbitro não cobrar falta, ele está sendo cúmplice dessa situação, e vai ser uma atuação injusta que leva ao terceiro lugar. Porque o público também muitas vezes vota, tem um outro critério de votação. Então, o árbitro é um pouco o termômetro, equilibra um pouco as coisas. Eu acho legal que o árbitro esteja presente e marque a linha para os jogadores.  Inclusive muitos profissionais na hora de competir e levar o troféu esquecem das regras éticas da improvisação. Todo mundo fala das regras, mas na hora do Match, de uma etapa decisiva, todo mundo esquece. Então, eu acho bom que o árbitro marque a linha.

Improvisando: Em termos gerais, depois de bastante tempo e experiência, o que você hoje entende por improvisação? O que significa para você hoje?

Ricardo Behrens: Hoje, improvisação, primeiro tem a ver com uma visão sobre a vida, eu acho, uma visão filosófica, que tem a ver com a técnica, de aceitação de propostas, de conexão positiva com as propostas, de avançar na história. Eu acho que esses são elementos que são aplicáveis em muitos âmbitos da vida, então vira algo filosófico, eu acho. Também comprovo isso com meus alunos na Argentina, vejo como eles começam o ano e como terminam o ano e sua evolução como jogadores e como pessoas também… Então, mudam muitas, muitas coisas. Muitos são jovens, de 18, 19 ,20 anos, então também vejo como esse crescimento da idade é acompanhado também com a técnica e também com o próprio desenvolvimento. Então, em primeiro lugar eu acho que tem uma ligação direta com a vida, sem que seja uma religião, não? (risos). Mas eu acho muito, muito ligado.
Também em meu trabalho em empresas, eu posso ver como as pessoas gostam de incorporar isso a diversas atividades.
Depois, por outro lado, vejo o que é o espetáculo, o que é a improvisação como espetáculo, que eu acho que já a esta altura deve ser considerado como um gênero, que em quase todos os países da América Latina e América Ibérica ainda estão lutando por um lugar. Felizmente em vários países estão surgindo programas de televisão, isso ajuda a legitimar o gênero, como se populariza, então, todo mundo fica sabendo do que se trata, ainda que não conheça, digamos, as sutilezas do gênero, coisas que são menos populares. Mas eu acho que é bom porque ajuda com que todo mundo saiba do que se trata quando se fala de improvisação.
Então, vejo esta outra possibilidade, que é a possibilidade de espetáculo, da arte em si mesma. E, depois o interior disso tudo, isso que conhecemos somente nós, os improvisadores.
Os diferentes formatos. Eu estou há vários anos pesquisando muito o que é o  Long form, já há vários espetáculos de Long Form na Argentina e vários que já percorreram vários países, como por exemplo, “Improluchas”, como “El Círculo”, um espetáculo que eu dirigi na Argentina. Com “ El Círculo” estivemos no último Festival Iberoamericano, depois estivemos aqui, no Brasil. Com “Improluchas” estivemos na Espanha, em 2005. ” Improluchas” tem um formato que não é um catch, porque é um long form, mas são personagens que estão vestidos com seus figurinos, que têm sua personalidade, sua forma de pensar e, além disso, são quatro personagens e um árbitro, que também é um personagem, e eles mantêm os personagens durante todo o espetáculo, com seu figurino e com seu comportamento, e aí é construída toda uma história com uma hora de duração, depois no final um público vota em um ganhador. Este formato eu fiz em 2004, em 2005 estivemos com ele em Madrid. Bem, long form é um gênero, dentro do gênero, digamos que é algo que é menos popular, mas que é muito interessante para nós, improvisadores, porque nos sentimos com outro tempo, com outra relação, com outra profundidade na construção do personagem,  com outra possibilidade de aprofundar a relação com os outros personagens, muito mais teatral para os atores de formação que nos sentimos mais dentro de um espetáculo de teatro. A improvisação em geral tem essa coisa de rapidez e de velocidade, que às vezes complica e se transforma em algo superficial, tem que ter cuidado para não se transformar em algo superficial, mas para isso existem os diferentes formatos.

Improvisando: Dentro disso que você está me falando, te agrada mais hoje em dia os longforms? Pergunto isso porque você vem de uma formação de Match …

Ricardo Behrens: Eu gosto muito porque como ator me permite colocar para fora mais o ator e menos o improvisador, o improvisador rápido, a rapidez mental, vai por outro caminho, por uma coisa mais literal, mais comprometida nesse sentido também…  A minha pesquisa vai muito a partir de Harold, a partir do livro Truth in Comedy, de (Charna) Halpern, que fala muito de Harold, da maneira como o usam nos Estados Unidos. Os formatos que fiz partem disso, mas depois já vou para outro lado, para a dramaturgia fragmentada, a união de várias histórias, que tem um pouco de Harold. Mas o Harold tem mais monólogo, canções, segue por seus códigos. Acredito que todos os long form têm algo de Harold, é parte do que todos usamos.

Improvisando: A improvisação como técnica tem vários princípios em que se baseia. Pensando inclusive na possibilidade de um público mais leigo, para que conheçam melhor os fundamentos desse gênero, tenho perguntado para cada improvisador o que ele acredita que é fundamental na improvisação. Quais conceitos são os fundamentais na sua visão?

Ricardo Behrens: O fundamental que todos nós improvisadores conhecemos é a aceitação de uma proposta, a construção de uma história coletiva, a construção a partir da aceitação, a adaptação a partir da proposta do outro. Isto significa pegar a proposta do outro de uma maneira positiva, como se fosse própria, defendê-la como se fosse própria e adicionar-lhe coisas como se fosse própria. O trabalho em equipe, o trabalho coletivo passa a ser fundamental. Acredito que se torna fundamental também afastar-se do ego também: se a pessoa aceita proposta do outro como se fosse sua própria, aí a pessoa já está se afastando do ego, é a construção.
Que outro princípio básico? Acho que é isso aí basicamente, a idéia de que não há erro, isso de que todo erro pode ser ressignificado e ser aproveitado para algo, acho que é basicamente isso.

Improvisando: Sei que você é um dos precursores da improvisação na América Latina, mas algum improvisador ou companhia de improvisação te influenciou? Quem hoje você acredita que faz um trabalho parecido com o que você gosta?

Ricardo Behrens: Olha, eu sou muito velinho (risos), fui um dos primeiros improvisadores…

Improvisando: Sim, certamente você é um pioneiro…  Então, quem hoje faz um trabalho de que você gosta…

Ricardo Behrens: Sim, então muitos dos improvisadores que agora estão fazendo coisas foram alunos meus, então… Claro que há gente que eu gosto como trabalha, como o Oski Guzmán na Argentina, ele trabalhou comigo, fomos colegas já. Bem, vejamos de cada país, que eu acho que são mais. No Chile, está o “Panqueque” (do Colectivo Teatral Mamut e do los Improvisadores), também Claudio Espinosa (do LosPleimovil). Bem no Brasil, Márcio BallasCésar (Gouvêa) (do  É Tudo Improviso e do Jogando no Quintal). Agora tenho mais contato com Barbixas, que é muito bom, com códigos muito interessantes, uma busca muito interessante, com um entendimento muito forte entre eles, o que é importante para o grupo. Vejamos, que outro país? Colômbia, Gustavo Miranda (do Accion Impro) e há também o grupo La Gata. Na Espanha, em Madrid tem o Jorge Rueda (do Impromadrid) e também tem o pessoal do Jamming, o pessoal de Por Casualidad. No Uruguai há o pessoal da LPI Uruguai, que também está fazendo algumas coisas. No Peru há o Pataclaun e o Ketó. No Equador um grupo está fazendo match com Hugo Espinoza e também tem Raquel Rodriguez. No México também tem a LIMI, Liga de Mexicana de Improvisação (de Juan Carlos Vives e Ricardo Esquerra) . Acho que tem muitos grupos e novos grupos que estão em formação e que também prometem muito… E é bom que haja jovens que estejam aí montando seus grupos. Um pouco nossa escola na Argentina promove isso, promove que depois de dois anos conosco, os alunos se juntem e formem seus grupos, façam suas apresentações, se deparem com a coisa da produção e de ver o que acontece. Acho interessante essa ideia, que haja muita gente fazendo improviso e vai surgir, como em todos os gêneros, coisas que são excelentes, coisas que são mais ou menos, e coisas ruins. Mas isso acontece também no teatro e em qualquer arte e, então, falamos de um gênero que está em movimento e que está vivo.

Improvisando: Falando no movimento da improvisação… Você estava falando um pouco da TV, da importância da televisão para a improvisação na América Latina. Vários países começaram a ter um espaço de televisão. Qual a dificuldade de transferir um espetáculo, e essa linguagem do espetáculo de teatro, para a televisão? Onde está esta dificuldade e de que forma a improvisação na televisão pode ser boa ou não para o desenvolvimento do gênero?

Ricardo Behrens: A maior dificuldade, eu acredito, pelo que estou vendo, é comunicar ao pessoal de televisão do que se trata, ou seja, a comunicação. Porque o pessoal de televisão está acostumado a outra coisa, então não entende qual é o jogo. Porque a televisão, pelo menos na Argentina, tem bastante improvisação, mas improvisação ruim, ou seja improvisação de coisas feitas assim de qualquer jeito, então não entendem como a improvisação pode ser uma arte. Porque eles estão improvisando todo o tempo, mas de uma maneira horrível. Então aí está a dificuldade: como comunicar que a improvisação é algo em si mesmo? Como explicar a questão da construção da história, dos jogos? Como fazer com que tanto o diretor como a produção e o canal entendam do que se trata? Ao conseguir isso, então, na minha opinião, as coisas começam a ficar mais fáceis. Acho muito interessante o que está acontecendo agora, porque acho que estão encontrando aí a chave da comunicação. Não sei se eu cheguei num momento já avançado da coisa, não sei como foi a princípio, mas evidentemente há um entendimento aí. Isso gera algo muito interessante que tem a ver quase com o teatro. É gerado um clima teatral e isso eu acho fundamental. O fato de o público estar ali ao vivo é gerado o clima teatral… Participando do programa de improviso pude ver que não está tão distante de uma apresentação de teatro. Entretanto, depois é preciso ver também o que acontece com o improvisador na televisão. Eu na Argentina trabalhei em vários programas de televisão e entrei em contato com a câmera e essas coisas. Mas, claro, às vezes os códigos do teatro não são os códigos da TV. É preciso ver como fazer para transferi-los para a televisão e que fiquem bons.

Improvisando: Como o grande propagador do Match na América Latina gostaria que você falasse um pouco sobre esse trabalho. Como se difundiu e surgiram vários grupos? Até me lembrei de mais um grupo de que você não falou, que é o do Match de Improvisação na Venezuela. Como tem se dado essa integração entre os grupos de Match? Como é gerenciado?

Ricardo Behrens: Não, na verdade, nós começamos com uma idéia de difusão de Match a partir da LPI para que o Match chegasse a outros lugares, porque muitas vezes havia entraves, não sabiam como era a questão legal para fazer isso, então a partir do registro autoral que temos na Argentina, posso passar por este registro e isso facilitar as coisas, somente por isso. O que vejo na América Latina é que não há muitos grupos que sustentem o Match como um espetáculo. Na América Latina não tem. Na França e nos países de língua francesa (na Bélgica, Suíça, Canadá) há ligas que funcionam. Mas na América Latina o que acontece é que a dificuldade de fazer teatro leva a reduzir os grupos, a ter grupos menores. Porque é mais fácil de administrar e de divulgar. Então, é difícil sustentar o Match porque demanda uma estrutura maior. Bem, o trabalho que eu fiz foi o de formação na Argentina, depois dei aula no Chile, comecei o primeiro grupo de improvisação no Chile que é o Lospleimovil. Depois também dei aulas na Colômbia, eles também tinham uma experiência prévia com Gigio Giraldo, tanto o pessoal do Acción Impro como o do La Gata. Então depois fui dar aulas no Teatro Nacional, e se formou a partir dessas aulas o primeiro Campeonato Nacional na Colômbia, depois foi realizado no Primeiro Iberoamericano que foi em 2004, aí participamos como companhia. No Equador também, fui o primeiro a dar cursos e foi a primeira experiência com improvisação no Equador. Também dei aulas no Peru para dois grupos já vinham trabalhando, a princípio juntos e naquele momento estavam trabalhando separados, que são o Ketó e o Pataclaun, eu dei aulas na escola do Ketó. Bem, aqui no Brasil, eu tive a primeira experiência no ano de 2001, em Marília e Bauru, dei aulas lá, e nessa época não havia nada de improvisação. Depois em 2005, estive trabalhando com Jogando no Quintal que foi um dos primeiros grupos junto com o Teatro do Nada (de Claudio Amado) do Rio. Bem no México trabalhei dando aulas durante três meses viajando por todo o país, lá trabalhei para empresas e com workshop para particulares também. Enfim, circulei em vários países, deixando a sementinha para que continuem o movimento.

Improvisando: Queria aproveitar então esse comentário que você estava falando anteriormente sobre os movimentos da Improvisação na França, para fazer uma colocação de um improvisador (Ian Parizot)  de um grupo francês (Eux – Compagnie d’ Improvisation). Ele comentou algo curioso a respeito do Catch, que é a essência da improvisação francesa, porque o catch foi fundado lá. E ele acha que houve um prejuízo na formação dos improvisadores franceses como contadores de estórias, com a questão do jogo. E ele tinha essa dúvida com relação aos grupos da América Latina porque ele conhece pouco a improvisação na América Latina. E como o Match é uma coisa bem difundida na América Latina, os festivais latino americanos tem normalmente os campeonatos de Match (recentemente está havendo mais espetáculos de longform) ele teve essa impressão de que talvez a América Latina também tivesse prejuízo na formação dos improvisadores que constroem mais estórias por causa da questão do jogo, do tiro… Entretanto, eu talvez acha que houve uma certa confusão entre formato de jogo e formato de match…

Ricardo Behrens: Ele diz que constroem mais estória ou que não constroem?

Improvisando: A questão dele estava relacionada ao fato de que nos formatos desportivos se constrói menos estórias e que ele acha que o formato de Match como o carro chefe da improvisação latino americana, talvez trouxesse a mesma problemática que ele vê na França, de haver bons jogadores de tiro, mas não muito bons improvisadores contadores de estórias…

Ricardo Behrens: Ah, de jogos… Mas uma coisa é o formato de jogos e outra é o formato de Match. O Match justamente é voltado para a estória. Ou seja, totalmente. Os formatos de jogos não, os formatos de jogos podem ir para outros lados, em que não se constroem histórias e está tudo bem. O Match (e por isso eu acho que é bom como começo, como uma escola de improviso fazer o Match) obriga o jogador a construir uma estória, mesmo livre, sem gênero, totalmente livre e aí vemos realmente a improvisação pura porque não há nenhuma sinalização para a plateia, por exemplo, vamos fazer uma estória de telenovela. No Match você tem a improvisação livre, a improvisação sem gênero, sem pauta de jogo, sem nada, há liberdade total. Então, eu acho que é bom para a formação do improvisador porque adquire a técnica pura, depois a partir daí pode passar para o long form, pode ir a jogos, pode ir aonde quiser.

Improvisando: Então, por fim, respondendo à pergunta do Ian: você acha que houve essa interferência? A base de difusão da Improvisação na América Latina com o Match, acabou gerando mais jogadores, que fazem mais tiro do que improvisadores?

Ricardo Behrens: Não, não acho não. Acho que tem jogadores, em geral tem jogadores contadores de estória. Todos os grupos que citei aqui, são todos grupos que contam histórias, então não acho isso. E o Match justamente, mais uma vez, não é um formato de jogos…

Improvisando: Acho que há aí uma confusão entre o Match ser realizado em formato de torneio, com disputa de jogos. Na verdade ele incentiva a criação de história…

Ricardo Behrens: Incentiva, certo?

Improvisando: Sim acho que é o que eu entendi. Na verdade, na pequena convivência que tive com a base teórica do Match, também tive essa compreensão. Que os jogos no Match exigem muito a capacidade de contar uma boa estória…

Ricardo Behrens: E eu volto à questão do árbitro também. Quando o árbitro vê que não é construída uma estória, ele cobra uma falta, ele cobra a conclusão, se a improvisação é conjunta, se o jogo é demorado, se não se define, se não se avança na história, então…promove a estória.

Improvisando: Por fim, a última coisa que eu gostaria de conversar é sobre o futuro da improvisação. Porque eu acho que está tendo uma difusão maior, está tendo mais intercâmbio, inclusive com os Festivais e os Campeonatos de Match. Então daqui pra frente o que você acha que vai acontecer com a Improvisação? Você estava falando que a improvisação está tendendo a ser um gênero na América Latina…

Ricardo Behrens: Eu acho muito o bom o futuro, mas também acho que os grupos têm que pesquisar, têm que ir além do conhecido e testar, experimentar e arriscar. Aí nesse sentido está também o crescimento do gênero. Se ficamos fazendo as mesmas coisas que funcionam porque o público vai, eu acho que pode ficar medíocre. Tem que pensar em avançar na pesquisa.

Seguem alguns vídeos de Ricardo Behrens. Em entrevista ao  Canal 7 da Argentina, durante o Mundial de Match em Buenos Aires,  no programa É Tudo Improviso e no Improvável com os Barbixas.