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Último dia do Festival Internacional Los Improvisadores, no Teatro Oriente, em Santiago. E  cheio. Com 4 eventos no mesmo dia.

Meio dia, começamos com a Charla (bate papo). O convidado foi Rodrigo Malbrán Contre, diretor e fundador da Escuela Internacional del Gesto y la Imagen LA MANCHA.

Malbrán utilizou o espaço para fazer uma mostra de uma hora e meia, dos diversos estágios que passam os alunos durante os dois anos de formação da sua escola, que tem como base a metodologia de Lecoq. Seus graduandos mostraram cenas de utilização de máscara neutra, clown, commedia dell’ arte e por fim o que ele chama de Os Vinte Movimentos.

O trabalho dos alunos é preciso e rigoroso, a construção de cenas primorosa. O trabalho de Malbrán, que muito influenciou a formação dos improvisadores do Colectivo Teatral Mamut, nessa charla, mais do que didático foi umas das melhores possibilidades de entreterimento desse festival.

Seguiu-se às 16 horas a segunda apresentação do espetáculo Teatruras, do Impromadrid da Espanha.

Ignacio Lopez, Ignacio Soriano, Jorge Rueda e o músico Nacho Mastretta novamente fizeram um espetáculo primoroso na construção de estórias, leve, descontraido, ainda mais agradável com a participação das crianças da plateia. Mais sobre Teatruras no post anterior.

O espetáculo com maior sucesso de público do festival, seguiu-se a noite com Súper Escena, do Colectivo Teatral Mamut.

Com Monica Moya, Nico Belmar e Sergio Panqueque Molina, o Colectivo Teatral Mamut mostra a seu público chileno, um espetáculo de improvisação inspirado no cinema.

São propostas três cenas, em três estilos cinematográficos distintos. Os temas são sugeridos pela plateia. Cada uma dessas cenas se inicia e pára num ponto, na qual somente duas delas são eleitas para terem uma continuação. Depois de mais um pouco de desenvolvimento de cada uma das duas estórias, mais uma delas é eliminada, conhecendo o público somente um dos finais.

Espetáculo muito leve, divertido, bem ambientalizado tanto pela luz como pelo seu músico Francisco “Foco”. Os atores têm uma atuação muito forte pela caracterização de seus personagens e pelo seu carisma com o público. Um espetáculo belíssimo.

Fechou-se o festival com uma enorme festa. Teatro de Gorilas. Cada um dos músicos de suas companhias (Francisco “Foco” Cerda-Mamut, Cristiano Meirelles-Jogando no Quintal, Leonardo Prieto-Complot Escena, Nacho Mastretta-Impromadrid e Sebastian Rodrigues-La Gata Impro) e a banda do Teatro de Gorilas, fizeram a trilha sonora e os efeitos sonoros do espetáculo.

Foram 6 os diretores convidados: Ignacio Soriano (do Impromadrid da Espanha), Rodrigo Bello (do Improcrash da Argentina), Carlos Alberto Urrea Lasprilla (do La Gata Impro da Colômbia), Sergio Panqueque Molina (do Colectivo Teatral Mamut do Chile), Marcio Ballas (do Jogando no Quintal do Brasil) e Frank Totino (do Loose Moose do Canadá).

Os jogadores convidados foram:

– Florian Toperngpong e Nadine Antler da Alemanha.

– Charo Lopes, Luciano Barreda, Luciano Cohen, Marcelo Savignone, Omar Argentino Galván e Pau Farias da Argentina.

– Mateus Bianchim do Brasil.

-Monica Moya e Nico Belmar do Chile.

– Daniel Orrantia, Felipe Ortiz, Juan Gabriel Turbay e Mabel Moreno da Colômbia.

-Jorge Rueda da Espanha.

-José Luis Saldaña, Juan Carlos Medellín e Omar Medina do México.

A oportunidade de ver cenas propostas por aqueles que certamente estavam entre os maiores nomes da improvisação mundial, tornaram esse último espetáculo uma torre de babel de atuações, propostas, divertimento em cena e aprendizagem. Destaco, sem querer absolutamente desmerecer ninguém, o encontro antológico de parte do Sucesos Argentinos (Marcelo Savignone e Omar Argentino) que foi das grandes inspirações da improvisação latino americana com a nova geração de talentosos improvisadores argentinos (Improcrash) em cena nesse espetáculo. Memorável e emocionante.

Ao fim do espetáculo, todas as companhias foram merecidamente chamadas ao palco para serem homenageadas e a noite se seguiu com uma grande festa reunindo público, banda e atores num dos eventos mais fantásticos e audaciosos que a Improvisação mundial já assistiu.

Meus parabéns e muito obrigada a todos os amigos chilenos, a produção (meu especial a Andreia e a Loreto), equipe técnica do teatro, aos queridos amigos Monica, Nico, Panqueque e Francisco “Foco” Cerda do Colectivo Teatral Mamut pela hospitalidade, generosidade e iniciativa tão incrível de reunir as grandes companhias e pensadores da Improvisação Mundial da atualidade.

Meus parabéns  e muitíssimo obrigada também a todos os amigos e mestres Frank Totino, Angélica Rogel, José Luis Saldaña, Juan Carlos Medellín, Leonardo Prieto, Omar Medina, Carlos Alberto Urrea Asprilla, Daniel Orrantia, Felipe Ortiz, Juan Gabriel Turbay, Mabel Moreno, Sebastian Rodrigues, Allan Benatti, Cristiano Meirelles, Ernani Sanchez, Marcio Ballas, Marco Gonçalves, Rhena de Faria, Guilherme Tomé, Mario Escobar Olea, Mateus Bianchim, Charo Lopes, Luciano Barreda, Rodrigo Bello, Luciano Cohen, Marcelo Savignone, Omar Argentino GalvánFlorian Toperngpong, Nadine Antler, Ignacio Lopez, Ignacio Soriano e Jorge Rueda, Nacho Mastretta, Suso33. Vocês tornaram essa semana uma grande festa da improvisação mundial, pelas suas capacidades de viver verdadeiramente os conceitos da improvisação por estarem sempre presentes e afirmarem honesta e generosamente a amizade, aumentando e engrandecendo essa enorme corrente da Impro mundial.

Não devo esquecer dos amigos Adonis Camelato (do Olaria GB) e Rafael Protzner (do UMA Companhia) que compartilharam comigo diversão e aprendizagem.

Vimos atuações surpreendentes e impactantes como X- ha Muerto do Complot Escena e  propostas inovadoras como Corten do Impromadrid, que ao final, destacaram-se nesse festival. Mas nos entusiasmamos com o ritmo jovem, talentoso e coeso do Links do Improcrash. Admiramos a habilidade corporal dos colombianos no TellAraña do La Gata Impro. Nos emocionamos com as atuações solo impressionantes dos genios argentinos Omar Argentino Galván e Marcelo Savignone. Chilenos entusiasmados aplaudiram de pé por quase cinco minutos ao final do espetáculo dos nossos mestres brasileiros do Jogando no Quintal com o Caleidoscópio. Casa quase totalmente cheia de espectadores-fãs que ensurdeceram o Teatro Oriente para ver o espetáculo leve, descontraído e conciso com Colectivo Mamut com o Súper Escena.

Mas por fim, o que se destaca são as possibilidades de intercâmbio de conhecimento, discussões, propostas distintas, novas idéias de concepção, formatos, exercícios, teorias,  que foram pipocando aqui e ali entre uma taça de Sauvignon Blanc, uma cerveja Guayacan, um ceviche, uma salada de palta, um sorvete de lucuman, um poema de Pablo Neruda ou uma simples pausa para curtir o sol brando e o vento fresco. A tão inspiradora cidade de Santiago, se tornou cenário para o desenvolvimento dessas idéias que certamente plantaram a semente que desenvolverá, nesse solo fértil de tantos talentos humildemente ainda ávidos por ainda mais conhecimento e exercício da arte, a revolução proposta por essa grande escola e filosofia de vida que é a Improvisação Teatral.

Que esse post seja, mais que uma mera descrição do que foi esse festival, meus sinceros sentimentos a respeito dos oito dias mais emocionantes e edificantes que vivi desde que decidi me aventurar pelo curioso e instigante mundo da Impro.

Muito obrigada improvisadores de todo o mundo.

O Festival Los Improvisadores prossegue hoje com bastante atividade.

Começamos à tarde com o espetáculo Teatruras do Impromadrid, da Espanha.

Ignacio López, Ignacio Soriano e Jorge Rueda são desafiados pelo Senhor Teatro a mostrarem que tem condições de frequentar aquele espaço. Para isso, tem que passar por provas que ajudam didaticamente o público a conhecer quais são os elementos importantes que compõem um espetáculo de teatro: cenário, luz, personagens, estilos são algumas das cenas propostas cada uma delas, construídas por plataformas pedidas ao público.

No espetáculo, um telão nos apresenta o “Recadero” era chamado para dar explicações e também propor os desafios para os atores.

Contam também com a participação musical do maestro Nacho Mastretta.

Durante o espetáculo a platéia é convidada a participar da peça.

Um espetáculo belíssimo, delicado e com a já conhecida execução impecável do grupo.

Segue-se a noite com o espetáculo Vivo, solo de Marcelo Savignone.

Um cheiro inebriante de Palo Santo (madeira sagrada) e uma música com inspiração parte eletrônica, parte oriental nos convida a adentrar a atmosfera proposta por Marcelo Savignone.

Através de um exercício de extrema concentração e de adentrar-se dentro desse clima que  Marcelo Savignone escolhe uma a uma as máscaras que comporão seus personagens.

Num dado momento, após uma consecutiva viagem por cada um dos seus personagens, construindo estórias baseadas em temas propostos pelo público, Marcelo Savignone abandona sua máscara e mergulha nos seus personagens sobre uma quase penumbra, entrelaçando as estórias e seus personagens.

É um espetáculo de execução impressionante e que nos leva a lugares absolutamente desconhecidos de nós mesmos. Absolutamente inesquecível.

Segue-se a noite, com Stage Time.

Nesse formato se propõe que cada um dos três times, cada time esse composto por jogadores distintos de cada país, iniciem uma cena, que a qualquer momento pode ser interrompida pelo outro time até que se complete sua estória, dentro de um tempo pré estabelecido.

O espetáculo foi apresentado por Mateus Bianchim.

Equipe 1:

Florian Toperngpong, do Die Kaktussen da Alemanha.

José Luis Saldaña, do Complot Escena do México.

Nico Belmár, do Colectivo Teatral Mamut do Chile.

Pau Farias, do Improcrash da Argentina.

Rhena de Faria, do Jogando no Quintal do Brasil.

Equipe 2:

Charo Lopez, do Improcrash da Argentina.

Ignacio López, do Impromadrid da Espanha.

Mabel Moreno, do La Gata Impro da Colômbia.

Omar Argentino Galván, do Improtour da Argentina.

Omar Medina, do Complot Escena do México.

Equipe 3:

Daniel Orrantia, do La Gata Impro da Colômbia.

Luciano Barreda, do Improcrash da Argentina.

Marcio Ballas, do Jogando no Quintal do Brasil.

Monica Moya, do Colectivo Teatral Mamut do Chile.

Rodrigo Bello, do Improcrash da Argentina.

Amanhã no último dia do Festival, Charla (com Rodrigo Malbán e Frank Totino), Teatruras do Impromadrid, Super Escena do Colectivo Teatral Mamut e encerra-se o festival com o Teatro de Gorilas (com seis diretores de cenas).

Mais um dia impressionante no Festival Internacional Los Improvisadores, no Teatro Oriente em Santiago.

A noite começou com Corten, do Impromadrid da Espanha.

Um cronômetro marca em um enorme telão que cobre todo o fundo do palco, o tempo que os geniais espanhóis terão que improvisar estórias, baseadas em sugestões dadas pelo público. Durante a execução das cenas, os atores gritam Corten: as luzes se acendem e eles definem com a plateia os destinos de seus personagens.

Concepção moderna de cenário, que ainda conta com a improvisação de Suso33 que pinta o cenário durante a construção das cenas.

O espetáculo conta também com a improvisação musical do genial Nacho Mastretta, tocando clarinete e teclado e construindo cenas junto com o grupo.

No espetáculo de ontem, o figurinista do espetáculo, dando cor aos personagens criados foi Omar Argentino Galván, que inclusive já havia feito uma crônica sobre a estreia desse espetáculo em Madrid. É dele também, mas uma de suas incríveis notas, publicada hoje, descrevendo sua experiência com esse festival.

Já conhecidos pela sua habilidade de construção de narrativas e pela sofisticação da concepção de espetáculos, Jorge Rueda, Ignacio Soriano e Ignacio Lopez, construiram um espetáculo refinado, de extremo bom gosto, de execução impecável. Absolutamente inesquecível.

A noite se segue, dando lugar para o espetáculo Más Menos.

O espetáculo foi apresentado pelo brasileiro Mateus Bianchim.

Nesse espetáculo três equipes de quatro jogadores dos vários países convidados, realizavam uma grande cena dividida em três partes.

Após a execução da primeira, no formato e com recursos decididos por cada grupo, com plataformas solicitadas para o público, o público decide se querem assistir a continuação das cenas, dizendo Más (se querem continuar a ver) ou Menos (se não quiserem mais ver as cenas).

As três equipes:

Equipe 1:

Angélica Rogel, do Complot Escena do México.

Carlos Alberto Urrea Lasprilla, do La Gata Impro da Colômbia.

Jorge Rueda, do Impromadrid da Espanha.

Marco Gonçalves, do Jogando no Quintal do Brasil.

Equipe 2:

Juan Carlos Medellín, do Complot Escena do México.

Marcio Ballas, do Jogando no Quintal do Brasil.

Nadine Antler, do Die Kaktussen da Alemanha.

Nico Belmár, do Colectivo Teatral Mamut do Chile.

Equipe 3:

Allan Benatti, do Jogando no Quintal do Brasil.

Charo Lopez, do Improcrash da Argentina.

Felipe Ortiz, do La Gata Impro da Colômbia.

Sergio Panqueque Molina, do Colectivo Teatral Mamut do Chile.

Por fim, somente com camisas 10 em cena, tivemos más para todas elas e vimos as três cenas completas.

Hoje, é um dia com muitas atividades!

Teremos Teatruras , espetáculo infantil do Impromadrid; Vivo, espetáculo solo de Marcelo Savignone e à noite Stage Time com a participação de jogadores de todas as equipes do mundo.

Mais um dia incrível no Festival Los Improvisadores, no Teatro Oriente em Santiago, Chile.

Fomos presenteados no dia de ontem com a estreia do espetáculo X-Ha Muerto do Complot Escena, do México.

O espetáculo utiliza como norteador a tradição mexicana de cultuar a memória dos mortos. Diante da morte, os familiares costumam realizar uma reverência em que apresentam pertences que caracterizavam muito o ente que faleceu e se confraternizam.A premissa utilizada no espetáculo é a de que se fale de uma pessoa muito especial, contando de sua vida e de sua morte através de depoimentos pessoais dos familiares e conhecidos.

O espetáculo começa com uma balada muito bonita, tocada com violão solo por Leonardo Prieto.

Segue-se a entrada do protagonista, que vai falar um pouco quem é ele, e depois dele se seguem, um a um os outros que prestam depoimentos de situações vividas cronologicamente em sua vida com o protagonista, por inspirações de frases sugeridas pelo público.

José Luis Saldaña, Omar Medina, Juan Carlos Medellín e Angélica Rogel, tem performances inesquecíveis e irreparáveis.

O lirismo, a dramaticidade teatral e a capacidade de adentrar-se aos personagens e contar as estórias foram emocionantes.

Complot Escena mostra sua face menos cômica e muito mais reflexiva e introspectiva. Uma performance memorável, certamente a melhor de todas as apresentações até esse momento do Festival e digna do unânime entusiasmo de todos aqueles que presenciaram esse espetáculo.

Segue-se a noite do festival com o Cage Match.

Formato americano de improvisação. Nele, ontem quatro equipes de países diferentes foram desafiados a propor uma cena com plataformas e números de jogadores por eles determinados, que deve se encerrar em 20 minutos, onde quer que ela tenha chegado.

O mestre de cerimônias foi Marcio Ballas (Jogando no Quintal e É Tudo Improviso).

As equipes:

Impromadrid da Espanha (Jorge Rueda, Ignacio López e Ignacio Soriano), acompanhados do músico Nacho Mastretta.

Improcrash da Argentina (Charo Lopes, Pau Farias, Rodrigo Bello e Luciano Barreda) acompanhados de Francisco “Foco” Cerda, músico do Colectivo Teatral Mamut.

La Gata Impro, da Colômbia (Carlos Alberto Urrea Asprilla, Felipe Ortiz, Mabel Moreno, Daniel Orrantia e Juan Gabriel Turbay), acompanhados do músico Sebastián Rodriguez.

Colectivo Teatral Mamut (Sergio Panqueque Molina, Monica Moya e Nico Belmár), acompanhados do músico Francisco “Foco” Cerda.

Sagrou-se campeão o Colectivo Teatral Mamut, por voto popular.

Novo formato, novas experiências, tudo muito enriquecedor aqui direto do Chile.

Hoje é um dia especial para nós do Brasil. É dia de Caleidoscópio, do Jogando no Quintal.

Mais à noite, Mosaico.

Hoje no Festival Internacional Los Improvisadores foi dia de TellAraña do La Gata Impro e Match de Improvisação.

Começamos com o espetáculo do grupo La Gata Impro chamado TellAraña.

Num cenário que lembra uma sala de estar, um sofá, um lustre, um vaso de planta, um mancebo, duas cadeiras e um banquinho. Nesse clima aconchegante, o grupo La Gata Impro (Felipe Ortiz, Carlos Alberto Urrea Lasprilla, Juan Gabriel Turbay, Camilo Rodrigues, Daniel Orrantia, Sebastian Rodrigues e Mabel Moreno) entra despretensiosamente no palco, cumprimentando a plateia e estabelecendo com ela uma diálogo cotidiano, na qual sem perceber, vão colhendo plataformas cotidianas que serão utlizadas para criar suas estorias. Essas estorias são interligadas durante o espetáculo, permeado de elementos de realismo fantástico. No início do espetáculo, os objetos de cena saem um a um, deixando o palco livre e esses objetos vão entrando pouco a pouco em cena, complementando o cenário de cada uma delas dentro do seu contexto.

Segue-se o Match de Improvisação.

O match de improvisação é um formato de jogos de improvisação criado por Robert Gravel e Yvon Leduc no Canadá, baseando suas técnicas nas investigações do mestre Keith Johnstone. Após várias experiências com improvisação entre um grupo de atores do Teatro Experimental de Montreal, surge a idéia de uma peça teatral que, como um esporte, fosse único e irreproduzível em cada representação. Em 1977 então se cria um espetáculo desportivo-teatral baseado no Hockey de gelo que com regras apropriadas e dentro de um marco adequado, cria um estado de competição. A LPI (Liga Profissional de Improvisação) de Ricardo Behrens, foi responsável pela popularização no gênero entre os españo hablantes.

O jogo se estabelece entre 2 equipes, em suas regras oficiais composta de 3 jogadores e 3 jogadoras e um técnico. Um árbitro e dois auxiliares cuidam para que o jogo transcorra dentro das normas. Cada partida tem duração de 90 minutos (3 tempos de 30 minutos, com intervalos de 1o minutos entre cada um dos tempos). Cada jogo de improvisação proposto pelo juiz deve delimitar o tema proposto para a improvisação, sendo essas:

1)Natureza da Improvisação:

Comparada: cada equipe joga o mesmo tema separadamente.

Mista: jogadores de ambos os times participaram do tema proposto.

2) Título da Improvisação

3) Número de jogadores

4) Duração da Improvisação

5) Estilo

Existem diversas normas a serem cumpridas e faltas são apitadas quando infringidas tais regras. A contagem de pontos se baseia no voto popular e pontos são perdidos à contagem das infrações cometidas por cada equipe.

O Match teve apresentaçào de Mario Escobar Olea, um dos fundadores do Colectivo Teatral Mamut,  improvisador-professor chileno que esteve nos últimos seis meses no Brasil, trabalhando com companhias como Jogando no Quintal e Barbixas.

O juiz da noite foi Hector Rafael Altamirano, juiz personagem de Omar Argentino Galván, auxiliado por Monica Moya (Colectivo Teatral Mamut) e Mali, ambas do Los Improvisadores.

Os dois times, azul e vermelho, eram composto por seleções de jogadores variados do mundo todo.

O time vermelho era composto por:

Juan Alberto Urrea Lasprilla, do La Gata Impro da Colômbia

José Luis Saldaña, do Complot Escena do México

Guilherme Tomé, do Olaria GB e do É Tudo Improviso, do Brasil

Luciano Barreda, do Improcrash da Argentina

Sergio Molina Panqueque, do Colectivo Teatral Mamut e do Los Improvisadores, do Chile

Ignacio Soriano, do Impromadrid da Espanha.

O time azul foi assim composto:

Juan Gabriel Turbay, do La Gata Impro da Colômbia

Jorge Rueda, do Impromadrid da Espanha

Charo Lopes, do Improcrash da Argentina

Nico Belmar, do Colectivo Teatral Mamut e do Los Improvisadores do Chile

Omar Medina, do Complot Escena do México

Marcio Ballas, Jogando no Quintal e É Tudo Improviso do Brasil.

Além da melhor das seleções de jogadores, com distintas características, a melhor das qualidades técnicas, o espetáculo se torna ainda muito mais atrativo, com as atuações do Mestre de Cerimônias e o trio de arbitragem. Destaque também para Francisco “Foco” Cerda, que é o músico improvisador que faz toda a diferença improvisando junto com as cenas do match.

Sagrou-se campeã a equipe azul com 8 a 4.

Hoje é dia de estreia de espetáculo com X-ha Muerto do Complot Escena do México e Cage Match.

Ricardo Behrens é ator, diretor e mestre formado pelo Conservatório Nacional de Arte Dramática de Buenos Aires em 1990. Tem também formação profissional como músico, estudando teoria e solfejo, clarinete e piano no Conservatório Nacional de Música, e tendo uma extensa carreira como cantor lírico naquele país.

Desde o começo da sua atividade teatral se dedicou a técnicas de Improvisação Teatral Contemporânea e de Gêneros Puros (escola de Jacques Lecoq). Foi selecionado como clown pelo ‘Cirque du Soleil‘.

Teve como mestres:
Escola Lecoq: Cristina Moreira
Clown: Raquel Solcolowicz, Hernan Gené e Guillermo Landin.
Tango: Dinzel y Rivarola
Mímica: Lerchundi-Escobar
Rítmo Musical: Rubén Ramos.
Improvisação Teatral: Silvie Potvin, Joane (de Lamirande) Bloom, Silviel Gagnon (da Ligue Nationale d’Improvisation do Canadá) e com o mestre francês Claude Bazin (da LIFI – Ligue d’Improvisation Francaise).
Na Europa estudou na Alemanha, Espanha, Estados Uidos, França, Eslovênia e Itália.

Tem trabalhado como ator e diretor em mais de 30 obras de teatro de texto em vários países e diversos programas de televisão argentinos.

É pioneiro na investigação da Improvisação Teatral e das técnicas de Keith Johnstone, Robert Gravel e Viola Spolin no idioma espanhol. Se especializou na investigação e na prática dessas técnicas desde 1988. Cria uma metodologia própria e desde 1998 começa a realizar trabalhos em empresas e instituições, aprimorando a capacidade do trabalho em equipe. É fundador da Liga Profisssional de Improvisação Internacional (LPI) e do Match de Improvisação em lingua espanhola (1988).

No âmbito teatral tem dado cursos de improvisação teatral, match de impro e clown na Alemanha, Espanha, Argentina, México, Colômbia, Peru, Equador, Chile e Brasil. A partir de seu trabalho e da fundação da Escola Internacionalde Improvisação LPI se criaram as Ligas Profissionais de Improvisação nesses países. Por sua trajetória é reconhecido internacionalmente por Yvon Leduc (autor do Match de Improvisação®) e corrdena a disciplina na  América Latina através da LPI Internacional.

Com um currículo impressionante desses, tivemos o prazer recentemente em recebê-lo ao Brasil para uma participação da gravação do É Tudo Improviso, na rede Bandeirantes. Nessa oportunidade também participou como jogador convidado do espetáculo Improvável da Cia. Barbixas de Humor e também ministrou workshops para alguns grupos de improvisação.

Nessa passagem relâmpago pelo Brasil, Ricardo Behrens gentilmente concedeu alguns minutos entre suas inúmeras atividades, para responder algumas perguntas para esse blog.

Improvisando: Eu gostaria de saber um pouquinho de como foi seu contato com a improvisação.

Ricardo Behrens: Então, no ano de 1988, na Argentina, começaram minhas primeiras experiências com teatro. Eu tinha uma experiência de dois anos com clown e aí soube de um casting, uma audição para um espetáculo que se chamava Match de Improvisação, que era um espetáculo dirigido por Claude Bazin, que é um diretor francês. Ele teve contato lá na França com o Match de Improvisação, e ele havia dado algumas aulas na Argentina e havia selecionado alguns alunos e faltava completar o elenco. Então, entrei por meio dessa audição, sem saber muito o que era e nem o que ia acontecer.
Então ele nos treinou durante um tempo, muito intensivo, mostrou para gente vídeos da França, porque era a primeira coisa de improvisação que se fazia na Argentina, com certeza, e em espanhol eu acho que era também uma das primeiras experiências, então não havia muitas referências sobre como era um trabalho com improvisação. Para nós o Match era a improvisação, não separávamos o que era Match do que era improvisação.
Então, eu entrei pela audição, fiquei treinando com ele e depois uns jogadores do Canadá foram para a Argentina e treinaram a gente também, e fizemos as primeiras quatro apresentações com a sala muito cheia e foi um grande sucesso naquele momento, como um início do improviso, de algo novo que não era conhecido lá.
Havia algumas experiências com improviso na Argentina, eu mesmo já tinha feito num lugar chamado Paracultural. O Centro Paracultural era um centro alternativo durante a ditadura militar. Mas não eram muitas as experiências, e essas estavam mais ligadas à técnica do clown, de alguma maneira com improvisações, mas não como técnica de improvisação sozinha. Então, a partir daí comecei a trabalhar, mas estava trabalhando como ator e aprendendo muito e conhecendo muito sobre o tema. Segundo meu ponto de vista, aquele era um grupo um pouco heterogêneo, então no ano seguinte se desfez e se formou um outro grupo, e assim foram duas temporadas. Depois de um break, retomamos as atividades em 92 e aí eu já estava dirigindo. Durante alguns anos tive uma sociedade como co-diretores, aí depois disso por uma série de  algumas divergências artísticas, sobretudo com respeito à estética de improvisação e à estética do Match também, cada um seguiu seu próprio caminho.
Aí já entro no que acredito em improvisação. Eu acredito que um espetáculo de improvisação parece algo óbvio, mas às vezes não é algo óbvio. A improvisação é o mais importante, nem os indivíduos nem os egos, eu acho que tem que deixar tudo isso de lado para fazer uma boa improvisação, colocar-se a serviço da improvisação. Então, um pouco essa foi a divergência. Eu ponho a improvisação em primeiro plano, priorizo fazer boas histórias e fazer uma boa improvisação em qualquer formato. Todo o restante pode ser algo que contribua para esta idéia principal, que ajude esta idéia principal a existir. Se o foco se transforma, vai para outro lado, a improvisação fica relegada, perde-se a essência.   A gente tem que apostar em fazer boas improvisações, boas histórias, isso sim deve ser o protagonista.
O que mais? Bem, depois continuei com a formação da LPI (Liga Profissional de Improvisação).  A partir daí comecei a desenvolver o Match, com os critérios dos criadores do show. Sempre com relação ao Match há amor e ódio entre os jogadores, improvisadores.  Eu tenho uma teoria de que o Match não transitou muito como formato, muitas vezes as regras são amenizadas um pouco para que os improvisadores se sintam melhor, então se transforma em algo menos exigente para o improvisador. Para improvisar, por exemplo, os clichês são permitidos, as provocações de riso, os árbitros não cobram muitas faltas. Ou seja, os árbitros assim como se fala no futebol (não sei como se fala aqui) mas lá na Argentina se diz que os árbitros “sacan los partidos”.  Muitas vezes se fala também que isso está a serviço do espetáculo, que as faltas não são cobradas a serviço do espetáculo. Mas eu acredito que no Match as faltas fazem parte do espetáculo e têm, o que é muito importante, um conceito pedagógico para o público. O público vai entendendo a mecânica do improviso através das faltas, através do gesto, do que o árbitro fala, através do que aconteceu na improvisação em relação a falta que o árbitro cobra. Então se isso é menos rigoroso, o público sabe menos da improvisação, se perde um pouco o critério pedagógico do Match.
Também há outro conceito dentro Match, que todo esporte tem, que é o conceito de justiça que, muitas vezes, também é deixado de lado. É, finalmente, não sei se você teve a oportunidade de ver algum torneio de Match?

Improvisando: A gente teve a oportunidade de brincar um pouco num torneio amador de Match como conclusão do curso extensivo do Allan Benatti

Ricardo Behrens: Ah, você experimentou um pouco de match? Ah, legal. Então, a competição existe, e em níveis internacionais existe muito, mas há um discurso dúbio: por um lado existe a competição de “ah, eu quero ganhar de qualquer jeito”, por outro, falam para o árbitro “ei, não cobra tanta falta!” porque o principal é isso do espetáculo. E, por outro lado também, as equipes querem ganhar e levar o troféu para casa, então se o árbitro não cobra falta, o critério de justiça perde um pouco o sentido. O jogo se transforma em um vale-tudo, eu falo que se transforma em Match-Catch. O Catch é sem regra, cada um faz o que quer: se quer bloquear o adversário, bloqueia, se quer fazer faltas técnicas, pode fazer, pois o formato permite. Mas o formato do Match se preocupa mais em fazer com que a técnica do improviso esteja presente no jogo, não permitindo fazer qualquer coisa para vencer. Eu participei em muitos torneios que os árbitros não cobravam nada, que as regras não importavam muito, inclusive que não contava com uma regra consensual entre todas as companhias, então isso se transforma em um terreno que ninguém sabe o que vai acontecer lá e assim começam a fazer qualquer coisa para ganhar. Então, é nesse sentido que eu considero complicada a coisa do árbitro não cobrar nada, para entre aspas “privilegiar o espetáculo”.  O árbitro tem que administrar o espetáculo, mas também tem que ser justo com as equipes. Eu arbitrei, por exemplo, uma partida em que um time, era um disputa de terceiro lugar, e o time quase não pôde falar na última improvisação, porque o outro time falava e depois falava um outro e falava outro e outro, então se aí o árbitro não cobrar falta, ele está sendo cúmplice dessa situação, e vai ser uma atuação injusta que leva ao terceiro lugar. Porque o público também muitas vezes vota, tem um outro critério de votação. Então, o árbitro é um pouco o termômetro, equilibra um pouco as coisas. Eu acho legal que o árbitro esteja presente e marque a linha para os jogadores.  Inclusive muitos profissionais na hora de competir e levar o troféu esquecem das regras éticas da improvisação. Todo mundo fala das regras, mas na hora do Match, de uma etapa decisiva, todo mundo esquece. Então, eu acho bom que o árbitro marque a linha.

Improvisando: Em termos gerais, depois de bastante tempo e experiência, o que você hoje entende por improvisação? O que significa para você hoje?

Ricardo Behrens: Hoje, improvisação, primeiro tem a ver com uma visão sobre a vida, eu acho, uma visão filosófica, que tem a ver com a técnica, de aceitação de propostas, de conexão positiva com as propostas, de avançar na história. Eu acho que esses são elementos que são aplicáveis em muitos âmbitos da vida, então vira algo filosófico, eu acho. Também comprovo isso com meus alunos na Argentina, vejo como eles começam o ano e como terminam o ano e sua evolução como jogadores e como pessoas também… Então, mudam muitas, muitas coisas. Muitos são jovens, de 18, 19 ,20 anos, então também vejo como esse crescimento da idade é acompanhado também com a técnica e também com o próprio desenvolvimento. Então, em primeiro lugar eu acho que tem uma ligação direta com a vida, sem que seja uma religião, não? (risos). Mas eu acho muito, muito ligado.
Também em meu trabalho em empresas, eu posso ver como as pessoas gostam de incorporar isso a diversas atividades.
Depois, por outro lado, vejo o que é o espetáculo, o que é a improvisação como espetáculo, que eu acho que já a esta altura deve ser considerado como um gênero, que em quase todos os países da América Latina e América Ibérica ainda estão lutando por um lugar. Felizmente em vários países estão surgindo programas de televisão, isso ajuda a legitimar o gênero, como se populariza, então, todo mundo fica sabendo do que se trata, ainda que não conheça, digamos, as sutilezas do gênero, coisas que são menos populares. Mas eu acho que é bom porque ajuda com que todo mundo saiba do que se trata quando se fala de improvisação.
Então, vejo esta outra possibilidade, que é a possibilidade de espetáculo, da arte em si mesma. E, depois o interior disso tudo, isso que conhecemos somente nós, os improvisadores.
Os diferentes formatos. Eu estou há vários anos pesquisando muito o que é o  Long form, já há vários espetáculos de Long Form na Argentina e vários que já percorreram vários países, como por exemplo, “Improluchas”, como “El Círculo”, um espetáculo que eu dirigi na Argentina. Com “ El Círculo” estivemos no último Festival Iberoamericano, depois estivemos aqui, no Brasil. Com “Improluchas” estivemos na Espanha, em 2005. ” Improluchas” tem um formato que não é um catch, porque é um long form, mas são personagens que estão vestidos com seus figurinos, que têm sua personalidade, sua forma de pensar e, além disso, são quatro personagens e um árbitro, que também é um personagem, e eles mantêm os personagens durante todo o espetáculo, com seu figurino e com seu comportamento, e aí é construída toda uma história com uma hora de duração, depois no final um público vota em um ganhador. Este formato eu fiz em 2004, em 2005 estivemos com ele em Madrid. Bem, long form é um gênero, dentro do gênero, digamos que é algo que é menos popular, mas que é muito interessante para nós, improvisadores, porque nos sentimos com outro tempo, com outra relação, com outra profundidade na construção do personagem,  com outra possibilidade de aprofundar a relação com os outros personagens, muito mais teatral para os atores de formação que nos sentimos mais dentro de um espetáculo de teatro. A improvisação em geral tem essa coisa de rapidez e de velocidade, que às vezes complica e se transforma em algo superficial, tem que ter cuidado para não se transformar em algo superficial, mas para isso existem os diferentes formatos.

Improvisando: Dentro disso que você está me falando, te agrada mais hoje em dia os longforms? Pergunto isso porque você vem de uma formação de Match …

Ricardo Behrens: Eu gosto muito porque como ator me permite colocar para fora mais o ator e menos o improvisador, o improvisador rápido, a rapidez mental, vai por outro caminho, por uma coisa mais literal, mais comprometida nesse sentido também…  A minha pesquisa vai muito a partir de Harold, a partir do livro Truth in Comedy, de (Charna) Halpern, que fala muito de Harold, da maneira como o usam nos Estados Unidos. Os formatos que fiz partem disso, mas depois já vou para outro lado, para a dramaturgia fragmentada, a união de várias histórias, que tem um pouco de Harold. Mas o Harold tem mais monólogo, canções, segue por seus códigos. Acredito que todos os long form têm algo de Harold, é parte do que todos usamos.

Improvisando: A improvisação como técnica tem vários princípios em que se baseia. Pensando inclusive na possibilidade de um público mais leigo, para que conheçam melhor os fundamentos desse gênero, tenho perguntado para cada improvisador o que ele acredita que é fundamental na improvisação. Quais conceitos são os fundamentais na sua visão?

Ricardo Behrens: O fundamental que todos nós improvisadores conhecemos é a aceitação de uma proposta, a construção de uma história coletiva, a construção a partir da aceitação, a adaptação a partir da proposta do outro. Isto significa pegar a proposta do outro de uma maneira positiva, como se fosse própria, defendê-la como se fosse própria e adicionar-lhe coisas como se fosse própria. O trabalho em equipe, o trabalho coletivo passa a ser fundamental. Acredito que se torna fundamental também afastar-se do ego também: se a pessoa aceita proposta do outro como se fosse sua própria, aí a pessoa já está se afastando do ego, é a construção.
Que outro princípio básico? Acho que é isso aí basicamente, a idéia de que não há erro, isso de que todo erro pode ser ressignificado e ser aproveitado para algo, acho que é basicamente isso.

Improvisando: Sei que você é um dos precursores da improvisação na América Latina, mas algum improvisador ou companhia de improvisação te influenciou? Quem hoje você acredita que faz um trabalho parecido com o que você gosta?

Ricardo Behrens: Olha, eu sou muito velinho (risos), fui um dos primeiros improvisadores…

Improvisando: Sim, certamente você é um pioneiro…  Então, quem hoje faz um trabalho de que você gosta…

Ricardo Behrens: Sim, então muitos dos improvisadores que agora estão fazendo coisas foram alunos meus, então… Claro que há gente que eu gosto como trabalha, como o Oski Guzmán na Argentina, ele trabalhou comigo, fomos colegas já. Bem, vejamos de cada país, que eu acho que são mais. No Chile, está o “Panqueque” (do Colectivo Teatral Mamut e do los Improvisadores), também Claudio Espinosa (do LosPleimovil). Bem no Brasil, Márcio BallasCésar (Gouvêa) (do  É Tudo Improviso e do Jogando no Quintal). Agora tenho mais contato com Barbixas, que é muito bom, com códigos muito interessantes, uma busca muito interessante, com um entendimento muito forte entre eles, o que é importante para o grupo. Vejamos, que outro país? Colômbia, Gustavo Miranda (do Accion Impro) e há também o grupo La Gata. Na Espanha, em Madrid tem o Jorge Rueda (do Impromadrid) e também tem o pessoal do Jamming, o pessoal de Por Casualidad. No Uruguai há o pessoal da LPI Uruguai, que também está fazendo algumas coisas. No Peru há o Pataclaun e o Ketó. No Equador um grupo está fazendo match com Hugo Espinoza e também tem Raquel Rodriguez. No México também tem a LIMI, Liga de Mexicana de Improvisação (de Juan Carlos Vives e Ricardo Esquerra) . Acho que tem muitos grupos e novos grupos que estão em formação e que também prometem muito… E é bom que haja jovens que estejam aí montando seus grupos. Um pouco nossa escola na Argentina promove isso, promove que depois de dois anos conosco, os alunos se juntem e formem seus grupos, façam suas apresentações, se deparem com a coisa da produção e de ver o que acontece. Acho interessante essa ideia, que haja muita gente fazendo improviso e vai surgir, como em todos os gêneros, coisas que são excelentes, coisas que são mais ou menos, e coisas ruins. Mas isso acontece também no teatro e em qualquer arte e, então, falamos de um gênero que está em movimento e que está vivo.

Improvisando: Falando no movimento da improvisação… Você estava falando um pouco da TV, da importância da televisão para a improvisação na América Latina. Vários países começaram a ter um espaço de televisão. Qual a dificuldade de transferir um espetáculo, e essa linguagem do espetáculo de teatro, para a televisão? Onde está esta dificuldade e de que forma a improvisação na televisão pode ser boa ou não para o desenvolvimento do gênero?

Ricardo Behrens: A maior dificuldade, eu acredito, pelo que estou vendo, é comunicar ao pessoal de televisão do que se trata, ou seja, a comunicação. Porque o pessoal de televisão está acostumado a outra coisa, então não entende qual é o jogo. Porque a televisão, pelo menos na Argentina, tem bastante improvisação, mas improvisação ruim, ou seja improvisação de coisas feitas assim de qualquer jeito, então não entendem como a improvisação pode ser uma arte. Porque eles estão improvisando todo o tempo, mas de uma maneira horrível. Então aí está a dificuldade: como comunicar que a improvisação é algo em si mesmo? Como explicar a questão da construção da história, dos jogos? Como fazer com que tanto o diretor como a produção e o canal entendam do que se trata? Ao conseguir isso, então, na minha opinião, as coisas começam a ficar mais fáceis. Acho muito interessante o que está acontecendo agora, porque acho que estão encontrando aí a chave da comunicação. Não sei se eu cheguei num momento já avançado da coisa, não sei como foi a princípio, mas evidentemente há um entendimento aí. Isso gera algo muito interessante que tem a ver quase com o teatro. É gerado um clima teatral e isso eu acho fundamental. O fato de o público estar ali ao vivo é gerado o clima teatral… Participando do programa de improviso pude ver que não está tão distante de uma apresentação de teatro. Entretanto, depois é preciso ver também o que acontece com o improvisador na televisão. Eu na Argentina trabalhei em vários programas de televisão e entrei em contato com a câmera e essas coisas. Mas, claro, às vezes os códigos do teatro não são os códigos da TV. É preciso ver como fazer para transferi-los para a televisão e que fiquem bons.

Improvisando: Como o grande propagador do Match na América Latina gostaria que você falasse um pouco sobre esse trabalho. Como se difundiu e surgiram vários grupos? Até me lembrei de mais um grupo de que você não falou, que é o do Match de Improvisação na Venezuela. Como tem se dado essa integração entre os grupos de Match? Como é gerenciado?

Ricardo Behrens: Não, na verdade, nós começamos com uma idéia de difusão de Match a partir da LPI para que o Match chegasse a outros lugares, porque muitas vezes havia entraves, não sabiam como era a questão legal para fazer isso, então a partir do registro autoral que temos na Argentina, posso passar por este registro e isso facilitar as coisas, somente por isso. O que vejo na América Latina é que não há muitos grupos que sustentem o Match como um espetáculo. Na América Latina não tem. Na França e nos países de língua francesa (na Bélgica, Suíça, Canadá) há ligas que funcionam. Mas na América Latina o que acontece é que a dificuldade de fazer teatro leva a reduzir os grupos, a ter grupos menores. Porque é mais fácil de administrar e de divulgar. Então, é difícil sustentar o Match porque demanda uma estrutura maior. Bem, o trabalho que eu fiz foi o de formação na Argentina, depois dei aula no Chile, comecei o primeiro grupo de improvisação no Chile que é o Lospleimovil. Depois também dei aulas na Colômbia, eles também tinham uma experiência prévia com Gigio Giraldo, tanto o pessoal do Acción Impro como o do La Gata. Então depois fui dar aulas no Teatro Nacional, e se formou a partir dessas aulas o primeiro Campeonato Nacional na Colômbia, depois foi realizado no Primeiro Iberoamericano que foi em 2004, aí participamos como companhia. No Equador também, fui o primeiro a dar cursos e foi a primeira experiência com improvisação no Equador. Também dei aulas no Peru para dois grupos já vinham trabalhando, a princípio juntos e naquele momento estavam trabalhando separados, que são o Ketó e o Pataclaun, eu dei aulas na escola do Ketó. Bem, aqui no Brasil, eu tive a primeira experiência no ano de 2001, em Marília e Bauru, dei aulas lá, e nessa época não havia nada de improvisação. Depois em 2005, estive trabalhando com Jogando no Quintal que foi um dos primeiros grupos junto com o Teatro do Nada (de Claudio Amado) do Rio. Bem no México trabalhei dando aulas durante três meses viajando por todo o país, lá trabalhei para empresas e com workshop para particulares também. Enfim, circulei em vários países, deixando a sementinha para que continuem o movimento.

Improvisando: Queria aproveitar então esse comentário que você estava falando anteriormente sobre os movimentos da Improvisação na França, para fazer uma colocação de um improvisador (Ian Parizot)  de um grupo francês (Eux – Compagnie d’ Improvisation). Ele comentou algo curioso a respeito do Catch, que é a essência da improvisação francesa, porque o catch foi fundado lá. E ele acha que houve um prejuízo na formação dos improvisadores franceses como contadores de estórias, com a questão do jogo. E ele tinha essa dúvida com relação aos grupos da América Latina porque ele conhece pouco a improvisação na América Latina. E como o Match é uma coisa bem difundida na América Latina, os festivais latino americanos tem normalmente os campeonatos de Match (recentemente está havendo mais espetáculos de longform) ele teve essa impressão de que talvez a América Latina também tivesse prejuízo na formação dos improvisadores que constroem mais estórias por causa da questão do jogo, do tiro… Entretanto, eu talvez acha que houve uma certa confusão entre formato de jogo e formato de match…

Ricardo Behrens: Ele diz que constroem mais estória ou que não constroem?

Improvisando: A questão dele estava relacionada ao fato de que nos formatos desportivos se constrói menos estórias e que ele acha que o formato de Match como o carro chefe da improvisação latino americana, talvez trouxesse a mesma problemática que ele vê na França, de haver bons jogadores de tiro, mas não muito bons improvisadores contadores de estórias…

Ricardo Behrens: Ah, de jogos… Mas uma coisa é o formato de jogos e outra é o formato de Match. O Match justamente é voltado para a estória. Ou seja, totalmente. Os formatos de jogos não, os formatos de jogos podem ir para outros lados, em que não se constroem histórias e está tudo bem. O Match (e por isso eu acho que é bom como começo, como uma escola de improviso fazer o Match) obriga o jogador a construir uma estória, mesmo livre, sem gênero, totalmente livre e aí vemos realmente a improvisação pura porque não há nenhuma sinalização para a plateia, por exemplo, vamos fazer uma estória de telenovela. No Match você tem a improvisação livre, a improvisação sem gênero, sem pauta de jogo, sem nada, há liberdade total. Então, eu acho que é bom para a formação do improvisador porque adquire a técnica pura, depois a partir daí pode passar para o long form, pode ir a jogos, pode ir aonde quiser.

Improvisando: Então, por fim, respondendo à pergunta do Ian: você acha que houve essa interferência? A base de difusão da Improvisação na América Latina com o Match, acabou gerando mais jogadores, que fazem mais tiro do que improvisadores?

Ricardo Behrens: Não, não acho não. Acho que tem jogadores, em geral tem jogadores contadores de estória. Todos os grupos que citei aqui, são todos grupos que contam histórias, então não acho isso. E o Match justamente, mais uma vez, não é um formato de jogos…

Improvisando: Acho que há aí uma confusão entre o Match ser realizado em formato de torneio, com disputa de jogos. Na verdade ele incentiva a criação de história…

Ricardo Behrens: Incentiva, certo?

Improvisando: Sim acho que é o que eu entendi. Na verdade, na pequena convivência que tive com a base teórica do Match, também tive essa compreensão. Que os jogos no Match exigem muito a capacidade de contar uma boa estória…

Ricardo Behrens: E eu volto à questão do árbitro também. Quando o árbitro vê que não é construída uma estória, ele cobra uma falta, ele cobra a conclusão, se a improvisação é conjunta, se o jogo é demorado, se não se define, se não se avança na história, então…promove a estória.

Improvisando: Por fim, a última coisa que eu gostaria de conversar é sobre o futuro da improvisação. Porque eu acho que está tendo uma difusão maior, está tendo mais intercâmbio, inclusive com os Festivais e os Campeonatos de Match. Então daqui pra frente o que você acha que vai acontecer com a Improvisação? Você estava falando que a improvisação está tendendo a ser um gênero na América Latina…

Ricardo Behrens: Eu acho muito o bom o futuro, mas também acho que os grupos têm que pesquisar, têm que ir além do conhecido e testar, experimentar e arriscar. Aí nesse sentido está também o crescimento do gênero. Se ficamos fazendo as mesmas coisas que funcionam porque o público vai, eu acho que pode ficar medíocre. Tem que pensar em avançar na pesquisa.

Seguem alguns vídeos de Ricardo Behrens. Em entrevista ao  Canal 7 da Argentina, durante o Mundial de Match em Buenos Aires,  no programa É Tudo Improviso e no Improvável com os Barbixas.

César Gouvea é reconhecidamente uma lenda na Improvisação brasileira. É ator formado pela EAD (Escola de Artes Dramática) da ECA/USP. Trabalhou com Cristiane Paoli Quito, Chacovacchi e Léo Bassi.

O dr. Palhaço Cizar Parker integrou a equipe dos Doutores da Alegria (http://www.doutoresdaalegria.com.br)  inclusive fazendo parte do filme de 2005, vencedor do prêmio de melhor filme do Festival de Cinema de Nova Iorque e dos Prêmios Especial do Júri e Júri Popular na 33a Edição do Festival de Gramado.

Nos Doutores da Alegria, em 2001,  em conjunto com Márcio Ballas (dr. João Grandão), teve a idéia de criar mecanismos de treino e pesquisa de duas de suas grandes paixões (Clown e Improviso). Após sete meses de investigação e formatação de um espetáculo, passaram a chamar outros colegas palhaços interessados na mesma pesquisa. Começaram a organizar pequenos eventos no quintal de sua casa, até hoje localizada à rua Cotoxó, 337, em São Paulo. Assim nasce o Jogando no Quintal (http://www.jogandonoquintal.com.br), espetáculo de Improvisação de Palhaços.

Atualmente, César Gouvea mantém-se como o palhaço-atleta Cizar Parker do Jogando no Quintal. Também é diretor, dramaturgo e ator da peça de Improvisação Infantil O Mágico de Nós.

Na entrevista que se segue, César Gouvea discorre um pouco sobre a trajetória de sua carreira e suas impressões a respeito da Improvisação Teatral, em seus conceitos e rumos. Impressiona a generosidade com que divide sua sabedoria  e a empolgação com que busca novas compreensões e novos rumos para a Impro.

Improvisando:  Gostaria que vc começasse resumindo os trabalhos nos quais vc está envolvido hoje.

César: Estou envolvido com o Jogando no Quintal, o Mágico de Nós, e aí tem um espetáculo que eu estou fazendo com o Gustavo (Miranda Angél) do Acción Impro, mas na verdade todo o processo que a gente fez foi através da Improvisação. Só que a gente não sabe se o espetáculo no fim, vai ser improvisado ou a improvisação foi apenas o veículo para a gente ter formatado numa estrutura, num texto. Então a gente ainda tem mais um mês de ensaio para a estréia esse ano para saber isso. A princípio nos nossos dois encontros, a improvisação serviu como um veículo pra chegar num determinado texto. Outra coisa que eu quero começar a fazer na verdade, que foi uma criação junto com o Jorge (Rueda) do Impromadrid,  é o tabuleiro 13 que na verdade a gente já fez numa apresentação numa empresa, mas no ano que vem eu quero fazer com que ele exista uma vez por semana, uma vez por mês, que é um jogo de Improvisação em forma de tabuleiro, sem usar o nariz de palhaço. Então esses seriam meus 4 projetos.

Improvisando:  O que é Improvisação Teatral? Quais são os princípios em que se embasa?

César: Então, o Jogando, durante nossos primeiros 3 anos, foi muito  intuitivo, porque a única base que a gente tinha de Improvisação era pelo Nova Dança ( da Cristiane Paoli Quito) http://www.novadanca.com.br. O Nova Dança é uma Improvisação que não tinha como objetivo a dramaturgia. Então a gente tentou pegar os princípios do Nova Dança que era muito trabalho de conexão ( uma conexão extremamente corporal) e a partir da aí a gente intuitivamente ia pro lado da dramaturgia, porque a nossa intenção sempre foi fazer uma improvisação teatral. E para mim a Improvisação teatral é onde o palco está na dramaturgia, na construção de estória e na construção de personagem. Só depois de 4 anos trabalhando, que através de festivais de improvisação que a gente viu que muitas dúvidas que a gente tinha, quando essas pessoas vieram pra cá, trouxeram as respostas pra gente. E a gente conheceu que existia pessoas que desenvolviam essa coisa de Improvisação Teatral. Então a gente não tem uma formação muito de estudo de textos, a técnica veio muito empiricamente, através da ação, do fazer e só depois que a gente foi pondo um pouco a teoria. Então o que eu acho o que é a Improvisação Teatral, é uma improvisação em que o grande foco é você construir uma cena na hora, mas que haja uma dramaturgia, haja um começo, meio e fim. E tem esses princípios básicos da Improvisação que é a escuta, dizer sim pro parceiro, você trabalhar o momento presente, você trabalhar a espontaneidade. E a partir daí dependendo da estrutura que você cria da sua improvisação há pesquisas diferentes.

Improvisando: Bom, creio que você já respondeu parte dessa pergunta de como surgiu a Improvisação na sua carreira. Ela parece ter vindo posterior à uma experimentação intuitiva…

César: Foi depois. Interessante que a gente antes de construir uma estória, a gente não pensava num personagem, a gente não pensava em motores vocais, por exemplo. O único motor que a gente pensava se baseava nos motores do Nova Dança que era vamos começar nossa improvisação conectando nossa escápula, conectando nossa coluna, conectando nossa tíbia. E a partir daí nós construímos uma estória.

Improvisando: O que lembra bastante os exercícios de teatro físico do Augusto Boal.

César: E que nos trouxe também até hoje essa coisa física, de imagens. Essa conexão por si só nos traz para imagens, independente de você querer, então o corpo ele se torna um grande motor de imagens. É algo que particularmente mesmo conhecendo hoje mais amplamente a improvisação é algo que eu sinto que o Jogando ainda preserva porque gosta.

Improvisando:  Gostaria que você falasse um pouco sobre o Jogando no Quintal que tem essa vertente singular na Impro em todo mundo, que é a aplicação de técnicas de Clown junto ao Improviso. De que maneiras se encontram o Clown e a Impro? Em que aspectos elas se diferenciam?

César: É engraçado que assim, a gente também percebeu em toda essa nossa pesquisa pela América Latina e na Europa que tem poucos grupos que trabalham palhaço e improvisação. E é curioso porque quando a gente vai para um festival de palhaços eles nos dizem que nós somos bons improvisadores, e quando vamos num festival de improvisação dizem que nós somos bons palhaços. E que nós vivemos nessa linha tênue, que em todos esses 7 anos, tem anos que nós pesamos mais na questão da improvisação do que no palhaço, tem anos que a gente está mais palhaço que improvisador e tem ano que está mais equilibrado. E isso muda às vezes de espetáculo para espetáculo, dizemos: ” hoje nosso espetáculo estava muito palhacesco, esse espetáculo estava muito improvisação”. Então a gente hoje consegue lidar de uma maneira mais saudável com essa não resposta, com essa linha mesmo bem tênue entre o palhaço e improvisação. Porque muitas vezes essas linguagens se constrataram. Então às vezes a improvisação por exigir o raciocínio fez com que o palhaço sumisse e o palhaço por ser tão caótico, por deturpar tanto as coisas, levava a estória também para um caminho que não virava uma estória. Eles são bem contrastantes às vezes. Eu sinto que nas pessoas que não tem nenhuma experiência de palhaço a improvisação mexe com um estado de presença e de espontaneidade que também pode mexer com conceitos muito fortes do palhaço. Por exemplo, o grupo Accion Impro (http://www.accionimpro.com), eles acabam cada um tendo quase uma maneira arquetípica de improvisar seu personagem e isso poderia ser um bom ponto de partida para descobrir os palhaços de cada um deles. Na companhia do Chile (Companhia Teatral Mamut) (http://mamutaccion.blogspot.com) também. Então eu sinto que quando nós fazemos improvisações,  não é o ator que improvisa, e sim uma persona: essa persona criativa, essa persona espontânea e essa persona ela tem alguns pontos semelhantes do palhaço. Então às vezes a improvisação por si só usa algumas ferramentas semelhantes do palhaço, que faz com que você diga: “olha, esse seria um bom ponto de partida para se desenvolver um palhaço”.

Improvisando: Quais companhias no mundo você acredita que hoje fazem os trabalhos mais incríveis?

César: Sem duvida é o Accion Impro, que é o grupo da Colômbia. Hoje eles me inspiram primeiro porque é um grupo que tem 5 ou 6 espetáculos de improvisações totalmente diferentes um do outro. Isso me impressionou bastante. A outra coisa é que vieram de uma experiência de um grupo de teatro que se encantou pela Improvisação. Então o lado teatral deles é muito forte, e eu venho do teatro. Então uma coisa que eu que eu gosto muito é dessa relação do teatro com a improvisação. Inclusive eu me identifico ainda mais hoje porque eles estão nessa, não uma crise, mas uma investigação diferente:  o último espetáculo que eles fizeram foi um espetáculo de um dramaturgo argentino, não foi um espetáculo de improvisação. Então eles estão questionando o que que a gente faz com toda essa linguagem de improvisação que nos serviu durante 7 anos? Qual será nosso próximo passo?  Será apenas criar mais um formato de espetáculo de improvisação ou transcender essa linguagem e nos surpreender com o próximo espetáculo? Isso me faz me identificar muito com eles porque quando eu vejo um espetáculo de improvisação eu não chego a me identificar com o espetáculo como um produto.  “Nossa, esse espetáculo eu gostaria de fazer!”  E sim, quase que eu acabo que, dentro de mim, montando um quebra-cabeça dos espetáculos que eu vejo e o que me encanta mais é a potência que a improvisação pode chegar, mais do que os formatos que são criados. Eu acho que a improvisação pode chegar num estado que é incrível que é ser criado na hora, mas que possa também ter a força de um texto que já foi criado há muitos anos. Porque a minha grande inquietação é que a improvisação possa gerar personagens tão bem construídos e textos tão geniais que o teatro te dá tempo pra isso. Você tendo dois meses para estudar um personagem e  uma vida inteira para construir um texto. Eu sinto que a improvisação pode chegar nesse lugar só que ela vai ter algo diferente do teatro porque vai ser tudo construído na hora e isso vai trazer uma magia que pode ser encantadora. Isso eu vejo muito no Accion Impro. Vejo que numa rapidez enorme, os personagens que são criados através da Improvisação são personagens riquíssimos em detalhes em que você fala: “Nossa, são personagens que é impossível eles não tenham estudado 2 meses para construir.” Então é algo que me encanta muito essa coisa desse diálogo que eles tem entre improvisação e teatro, que outros grupos tem suas outras virtudes, mas eles são realmente incríveis.

Improvisando: Em termos individuais, quem são os Improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?

César: Olha fiquei impressionado com o argentino, o Savignone (Marcelo Savignone) (http://www.marcelosavignone.com), né? Fiquei impressionado com ele. Ah, fico impressionado com os atores do Accion Impro, como já falei. E fico impressionado também com a maneira com que os atores do Impromadrid trabalham porque em todas as cenas por mais que seja um espetáculo cômico de cenas rápidas, tem conteúdo. Isso me impressiona. O que me impressiona também no Impromadrid  (http://impromadrid.com) é que você sai do espetáculo falando sobre as reflexões que as cenas construídas na hora foram geradas. Isso me identifico também. Por exemplo, o que eu não gosto muito é onde quando vou ver um espetáculo de improvisação, em que você fica apenas na virtuose da improvisação, que você termina e diz: “Nossa, você viu como ele fez isso,  como ele fez isso, como ele fez isso? ”  Eu acho que o teatro está a serviço a mais do que isso, então acho que você sair de um espetáculo de teatro e comentando “olha o ator fez isso” é limitador, ele é quase a arte egocêntrica. Ele não sai daquela dimensão “daquele ator capaz de realizar aquilo”. O que eu busco quando eu vou ver um espetáculo é que eu saia, não falando do ator e sim do que ele quis dizer. Sair e ponderar: “é um espetáculo que fala sobre morte” e me faça pensar sobre morte. É um espetáculo que fale sobre amor e não se limite à:  “nossa você viu aquela cena em que o cara veio para perdoar” . Não, o que me encanta é falar: “Nossa o amor, olha o amor hoje em dia!” E isso eu vejo muito no Impromadrid. Então, na verdade, o que me chama a atenção nos grupos são quase elementos que reforçam uma inquietude que eu tenho em relação ao que a improvisação pode chegar, mais que me encantar com formatos que já foram criados.

Improvisando:  O que mais tem te trazido interesse em Improvisação hoje? Jogos de Improvisação ou espetáculos mais longform?

César: Eu me encanto com espetáculos onde eu não veja o formato. É engraçado. Eu, para fazer, atualmente estou me divertido muito em jogos, mas não para assistir. É diferente. Para fazer me divirto muito em jogos , curtos, mas para assistir é quando eu não vejo o formato. É quando o formato não é o protagonista.  Você sai do espetáculo e perguntam: “você viu o formato desse?”  Não,  eu não vi o formato. Ele serviu apenas como ferramenta para chegar em algum lugar. Isso me encanta. É triste quando o que vejo  foi só o formato.

Improvisando: Qual é o princípio (teórico) da Improvisação que é hoje mais motivo de investimento e pesquisa no mundo?

César: Então, a principio, estuda-se muito a plataforma, dizer sim. Mas se você ver hoje, nesses grupos que estão há 8 anos juntos, esse dizer sim para o parceiro já é não cabe mais como conceito. É claro que tudo é estudado como tem que ser: não dá para você começar uma cena sem uma plataforma, sem uma construção, sem dizer sim para o parceiro. Mas se você vê um grupo de 8 a 10 anos, eles já transcenderam isso, e já estão buscando outras formas de improvisar sem seguir esse roteiro, que em princípio foi tão importante. E só podem chegar em outro estágio, porque a plataforma e o sim estão tão orgânicos, que já podem ir para novos vôos. No começo não, no começo de um curso que estou dando, você fala assim: “não é para dizer sim para o parceiro, mas contar o que você está sentindo”. Me lembro de  um curso do Improbable (http://www.improbable.co.uk) que foi muito bacana em que ele diz: “Vamos correr?” E aí  você tem que dizer sim e vai correr. Mas, e se você está com uma puta dor de barriga? Eu não vou correr, eu estou com uma dor de barriga. O não pode ser sim também. Mas isso é muito difícil, passar esse conceito no começo. A improvisação (só agora eu posso falar isso) tem que começar com regras bastante rígidas para você entender, para você iniciar, para depois essas regras se tornarem mais invisíveis. Acho que é um processo natural.

Improvisando: Para onde vai a Impro? (o futur0)

César: Interessante, acho que a improvisação, ela pode continuar existindo. Muitas pessoas vão ter acesso à improvisação. Então acho que ainda vai ter um tempo que a gente vai ver formatos parecidos, porque acho que gente tem que passar por eles. Para a gente transcender, para a gente ter nosso depoimento, é natural que a gente passe por jogos, pelo match. Todo grupo (a gente foi uma exceção com o Jogando) mas todo grupo fez o match, fez os jogos rápidos, é quase uma faculdade. Mas sabe? Talvez a improvisação faça com que você seja um ator que conheça muito bem a dramaturgia. E também uma questão de direção. Ele faz um ator-diretor-dramaturgo junto. Então às vezes uma pessoa por mais que conheça improvisação, possa se tornar um grande dramaturgo, começar a escrever texto. Possa se tornar um grande diretor. Porque a Improvisação te dá elementos que no teatro convencional como ator não te dá. Porque tem função de diretor, dramaturgo e o ator executa. O improvisador precisa ser ao mesmo tempo diretor e dramaturgo. Então a improvisação pode te dar ferramentas que te surpreenda e pense: “estou aprendendo, eu nunca pensei que soubesse escrever, mas estou pensando dramaturgicamente numa cena.” “Nossa, eu não consigo mais não pensar em termos de direção nessa cena.” Então eu acho que a improvisação vai sempre ter esses formatos, mas eu acho que pode surgir muitas coisas novas, às vezes até independentes da improvisação. Esse teste, um dia na improvisação, mas não necessariamente a vida inteira fazendo improvisação, mas ir para outros lugares.

Veja abaixo, a entrevista de César Gouvea, contando sobre a estória do Jogando no Quintal na estréia do Programa Novo na TV Cultura. O quadro perdurou entre 8 de setembro e 27 de outubro de 2009.