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Último dia do Festival Internacional Los Improvisadores, no Teatro Oriente, em Santiago. E  cheio. Com 4 eventos no mesmo dia.

Meio dia, começamos com a Charla (bate papo). O convidado foi Rodrigo Malbrán Contre, diretor e fundador da Escuela Internacional del Gesto y la Imagen LA MANCHA.

Malbrán utilizou o espaço para fazer uma mostra de uma hora e meia, dos diversos estágios que passam os alunos durante os dois anos de formação da sua escola, que tem como base a metodologia de Lecoq. Seus graduandos mostraram cenas de utilização de máscara neutra, clown, commedia dell’ arte e por fim o que ele chama de Os Vinte Movimentos.

O trabalho dos alunos é preciso e rigoroso, a construção de cenas primorosa. O trabalho de Malbrán, que muito influenciou a formação dos improvisadores do Colectivo Teatral Mamut, nessa charla, mais do que didático foi umas das melhores possibilidades de entreterimento desse festival.

Seguiu-se às 16 horas a segunda apresentação do espetáculo Teatruras, do Impromadrid da Espanha.

Ignacio Lopez, Ignacio Soriano, Jorge Rueda e o músico Nacho Mastretta novamente fizeram um espetáculo primoroso na construção de estórias, leve, descontraido, ainda mais agradável com a participação das crianças da plateia. Mais sobre Teatruras no post anterior.

O espetáculo com maior sucesso de público do festival, seguiu-se a noite com Súper Escena, do Colectivo Teatral Mamut.

Com Monica Moya, Nico Belmar e Sergio Panqueque Molina, o Colectivo Teatral Mamut mostra a seu público chileno, um espetáculo de improvisação inspirado no cinema.

São propostas três cenas, em três estilos cinematográficos distintos. Os temas são sugeridos pela plateia. Cada uma dessas cenas se inicia e pára num ponto, na qual somente duas delas são eleitas para terem uma continuação. Depois de mais um pouco de desenvolvimento de cada uma das duas estórias, mais uma delas é eliminada, conhecendo o público somente um dos finais.

Espetáculo muito leve, divertido, bem ambientalizado tanto pela luz como pelo seu músico Francisco “Foco”. Os atores têm uma atuação muito forte pela caracterização de seus personagens e pelo seu carisma com o público. Um espetáculo belíssimo.

Fechou-se o festival com uma enorme festa. Teatro de Gorilas. Cada um dos músicos de suas companhias (Francisco “Foco” Cerda-Mamut, Cristiano Meirelles-Jogando no Quintal, Leonardo Prieto-Complot Escena, Nacho Mastretta-Impromadrid e Sebastian Rodrigues-La Gata Impro) e a banda do Teatro de Gorilas, fizeram a trilha sonora e os efeitos sonoros do espetáculo.

Foram 6 os diretores convidados: Ignacio Soriano (do Impromadrid da Espanha), Rodrigo Bello (do Improcrash da Argentina), Carlos Alberto Urrea Lasprilla (do La Gata Impro da Colômbia), Sergio Panqueque Molina (do Colectivo Teatral Mamut do Chile), Marcio Ballas (do Jogando no Quintal do Brasil) e Frank Totino (do Loose Moose do Canadá).

Os jogadores convidados foram:

– Florian Toperngpong e Nadine Antler da Alemanha.

– Charo Lopes, Luciano Barreda, Luciano Cohen, Marcelo Savignone, Omar Argentino Galván e Pau Farias da Argentina.

– Mateus Bianchim do Brasil.

-Monica Moya e Nico Belmar do Chile.

– Daniel Orrantia, Felipe Ortiz, Juan Gabriel Turbay e Mabel Moreno da Colômbia.

-Jorge Rueda da Espanha.

-José Luis Saldaña, Juan Carlos Medellín e Omar Medina do México.

A oportunidade de ver cenas propostas por aqueles que certamente estavam entre os maiores nomes da improvisação mundial, tornaram esse último espetáculo uma torre de babel de atuações, propostas, divertimento em cena e aprendizagem. Destaco, sem querer absolutamente desmerecer ninguém, o encontro antológico de parte do Sucesos Argentinos (Marcelo Savignone e Omar Argentino) que foi das grandes inspirações da improvisação latino americana com a nova geração de talentosos improvisadores argentinos (Improcrash) em cena nesse espetáculo. Memorável e emocionante.

Ao fim do espetáculo, todas as companhias foram merecidamente chamadas ao palco para serem homenageadas e a noite se seguiu com uma grande festa reunindo público, banda e atores num dos eventos mais fantásticos e audaciosos que a Improvisação mundial já assistiu.

Meus parabéns e muito obrigada a todos os amigos chilenos, a produção (meu especial a Andreia e a Loreto), equipe técnica do teatro, aos queridos amigos Monica, Nico, Panqueque e Francisco “Foco” Cerda do Colectivo Teatral Mamut pela hospitalidade, generosidade e iniciativa tão incrível de reunir as grandes companhias e pensadores da Improvisação Mundial da atualidade.

Meus parabéns  e muitíssimo obrigada também a todos os amigos e mestres Frank Totino, Angélica Rogel, José Luis Saldaña, Juan Carlos Medellín, Leonardo Prieto, Omar Medina, Carlos Alberto Urrea Asprilla, Daniel Orrantia, Felipe Ortiz, Juan Gabriel Turbay, Mabel Moreno, Sebastian Rodrigues, Allan Benatti, Cristiano Meirelles, Ernani Sanchez, Marcio Ballas, Marco Gonçalves, Rhena de Faria, Guilherme Tomé, Mario Escobar Olea, Mateus Bianchim, Charo Lopes, Luciano Barreda, Rodrigo Bello, Luciano Cohen, Marcelo Savignone, Omar Argentino GalvánFlorian Toperngpong, Nadine Antler, Ignacio Lopez, Ignacio Soriano e Jorge Rueda, Nacho Mastretta, Suso33. Vocês tornaram essa semana uma grande festa da improvisação mundial, pelas suas capacidades de viver verdadeiramente os conceitos da improvisação por estarem sempre presentes e afirmarem honesta e generosamente a amizade, aumentando e engrandecendo essa enorme corrente da Impro mundial.

Não devo esquecer dos amigos Adonis Camelato (do Olaria GB) e Rafael Protzner (do UMA Companhia) que compartilharam comigo diversão e aprendizagem.

Vimos atuações surpreendentes e impactantes como X- ha Muerto do Complot Escena e  propostas inovadoras como Corten do Impromadrid, que ao final, destacaram-se nesse festival. Mas nos entusiasmamos com o ritmo jovem, talentoso e coeso do Links do Improcrash. Admiramos a habilidade corporal dos colombianos no TellAraña do La Gata Impro. Nos emocionamos com as atuações solo impressionantes dos genios argentinos Omar Argentino Galván e Marcelo Savignone. Chilenos entusiasmados aplaudiram de pé por quase cinco minutos ao final do espetáculo dos nossos mestres brasileiros do Jogando no Quintal com o Caleidoscópio. Casa quase totalmente cheia de espectadores-fãs que ensurdeceram o Teatro Oriente para ver o espetáculo leve, descontraído e conciso com Colectivo Mamut com o Súper Escena.

Mas por fim, o que se destaca são as possibilidades de intercâmbio de conhecimento, discussões, propostas distintas, novas idéias de concepção, formatos, exercícios, teorias,  que foram pipocando aqui e ali entre uma taça de Sauvignon Blanc, uma cerveja Guayacan, um ceviche, uma salada de palta, um sorvete de lucuman, um poema de Pablo Neruda ou uma simples pausa para curtir o sol brando e o vento fresco. A tão inspiradora cidade de Santiago, se tornou cenário para o desenvolvimento dessas idéias que certamente plantaram a semente que desenvolverá, nesse solo fértil de tantos talentos humildemente ainda ávidos por ainda mais conhecimento e exercício da arte, a revolução proposta por essa grande escola e filosofia de vida que é a Improvisação Teatral.

Que esse post seja, mais que uma mera descrição do que foi esse festival, meus sinceros sentimentos a respeito dos oito dias mais emocionantes e edificantes que vivi desde que decidi me aventurar pelo curioso e instigante mundo da Impro.

Muito obrigada improvisadores de todo o mundo.

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Tive a felicidade de conhecer Débora Vieira há poucos dias.  Vi pessoalmente, a mesma atriz que imaginava tão apaixonada pelas artes, em particular pela Improvisação Teatral. E é com essa mesma paixão, que ela relata aqui suas impressões sobre esse mundo da Improvisação Teatral e a luta para erguer seu espetáculo Dos Gardenias.

1)      Gostaria que vc começasse resumindo os trabalhos com os quais vc está envolvida hoje.

Eu faço parte da UMA Companhia, de Belo Horizonte, de cuja formação fiz parte. Trabalhamos com improvisação desde 2006, e temos 3 espetáculos em repertório, o Match de Improvisação, no qual eu atuo como jogadora e como juíza, e o Sobre Nós, do qual eu não faço parte, porque, quando da montagem, eu estava montando um outro trabalho de teatro, o espetáculo Cortiços, junto à Companhia de Teatro Luna Lunera, de Belo Horizonte. E, também, nosso último trabalho, que acabou de estrear, o Dos Gardenias Social Club (clipping), trabalho de minha concepção e direção, e no qual também atuo.

Além disso, também ajudo a coordenar as atividades da UMA Escola de Impro, aqui em Belo Horizonte. Oferecemos cursos regulares para pessoas com e sem experiência em teatro, e realizamos, com os alunos, aulas abertas e o espetáculo Mister Impro, na conclusão do semestre.

Minha dissertação de mestrado, em desenvolvimento no Poslit da UFMG, também é sobre improvisação. Eu estudo a dramaturgia da improvisação, propondo um estudo comparativo entre a comédia dell’arte e os espetáculos improvisados na atualidade, mais especificamente o Humor Mierda, do grupo mexicano Complot Escena, e também o Caleidoscópio, do Jogando no Quintal.

2) O que é Improvisação Teatral? Quais são os princípios em que se embasa?
Acho que a improvisação é um banquete composto de comida para todos os gostos… e eu ainda estou desfrutando a entrada. Há todo um mundo a ser descoberto no campo da impro, mas o que mais me instiga é a certeza de que, mesmo quando já estivermos saboreando a sobremesa, isso deve ser feito com os mesmos princípios do começo: a tranqüilidade, a generosidade com o que se experimenta e também com aqueles que compartilham da mesma mesa, a capacidade de degustar cada pedaço de cada prato. Vendo os grupos mais experientes, que muito me inspiram, percebo que toda a perícia e virtuose deles só é possível porque eles se aprofundaram nas premissas básicas da impro: a cumplicidade com o companheiro de cena, a sinceridade consigo mesmo e a disposição para desfrutar do trabalho que se realiza. A partir disso, o que mudam são os desejos artísticos de cada grupo, de cada artista, e é o que vai dar o tom de cada trabalho…


3) Como surgiu a Improvisação na sua carreira?

Surgiu em 2006, sem eu ter necessariamente escolhido isso. A Mariana Muniz, que há pouco havia voltado da Espanha, onde trabalhou durante anos com o Impromadrid, postulou uma vaga para dirigir a montagem do curso profissionalizante de teatro que eu fazia, no Centro de Formação Artística (CEFAR), do Palácio das Artes. Ela nos apresentou a linguagem, o treinamento, e dirigiu o Match de Improvisação. No meu caso, foi uma experiência cheia de altos e baixos, já que eu de cara me defrontei com muitos bloqueios. Mas eu resolvi agarrar o boi pelo chifre, já que tem muitas coisas que me atraem na impro. A impro vicia, não? A sensação de que se pode tudo (ainda que saibamos que não é bem assim…), de que se pode celebrar um encontro a cada cena… Isso é mágico!
Considero, também, que em 2009 a impro surgiu na minha vida por uma segunda vez, quando eu fiz uma oficina com o canadense Shawn Kinley. Na época eu morava no Chile, estudava a impro junto ao Colectivo Mamut, e acho que o encontro com o Shawn mudou todas as minhas perspectivas a respeito dessa linguagem.

4) Recentemente Allan Benatti comentava comigo a dúvida que tinha com relação à escassez de mulheres no Improviso. A que você acha que se deve essa constatação? Quais as contribuições diferentes que a mulher pode trazer para a Impro?

Bom, é uma pergunta curiosa, porque no começo do nosso grupo, éramos 10 atores, dos quais 7 eram mulheres. Quando participamos do nosso primeiro festival internacional, a convite do Jogando no Quintal, vários grupos comentavam o quão feminino era o nosso grupo! No Fimpro, que realizamos em 2008, e depois no Improfestin (Chile), tive contato com inúmeros outros grupos, e pude perceber que, de fato, a impro ainda é uma linguagem predominantemente masculina, e eu penso muito sobre isso. A questão de gênero é algo que me toca profundamente, tenho inclusive uma simpatia muito forte por algumas pensadores e artistas que atuam no campo do feminismo. E, nesse sentido, me coloco sempre a pergunta sobre qual seria uma expressão feminina na impro. Às vezes eu acho que, puxa, temos toda uma história do teatro construída por homens… os diretores, dramaturgos, encenadores, atores… Daí me questiono até que ponto a inserção das mulheres na produção cênica não se fez, também, por uma via masculina. Como se nós tivéssemos entrado para um jogo com as regras já mais ou menos estabelecidas, e não nos restasse muito a não ser seguir essas regras. Claro que falando assim a coisa parece muito rígida, e eu sei que os processos, sobretudo os artísticos, são mais dinâmicos…

Mas nesse campo entra a impro… a maioria imensa das cenas que eu assisto e que tratam, por exemplo, dos padrões de comportamento sexual, o fazem sob uma ótica masculina. E, quando há uma inversão, sinto que trata-se simplesmente de uma inversão que tem como ponto de partida o discurso anterior, ou seja, é uma inversão apenas caricatural, ilustrativa.

E isso me inquieta muito… No primeiro semestre de 2010, inclusive, comecei a desenvolver um trabalho de investigação nesse sentido, aqui em Belo Horizonte, com várias meninas interessadas no tema… 4 atrizes improvisadoras, dentre as quais 2 são palhaças, e uma bailarina. Os encontros foram poucos (a famosa agenda…), mas a vontade de ver qual é ainda é muita.
5) Quem são os improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?
Todos os meninos da UMA Companhia, por seguirmos juntos apesar da falta de recursos; o Assis Vidigal, parceiro na UMA, pela inteligência e generosidade; a Angélica Rogel, do Complot Escena, pela delicadeza forte, pela inteligência dramatúrgica; O Marcio Ballas, do Jogando, e o Panqueque, do Colectivo Mamut, pela eterna capacidade de me surpreender e me fazer sorrir; o Gustavo Miranda, do Acción Impro, pela versatilidade; o Marcelo Savignone, pela inteligência e pela técnica e, finalmente, o Shawn Kinley, mestre em todos os sentidos!
6) Quais companhias no mundo você acredita que hoje fazem os trabalhos mais incríveis?
Atualmente eu ando muito encantada com o trabalho do grupo Complot Escena. Acho que eles têm um domínio técnico incrível, e utilizam essa potencialidade sem abrir mão da diversão e da subversão da própria técnica. Poderia também citar grupos como Loose Moose e Second City, mas acho que prefiro escolher uma inspiração mais acessível, rs.
7) O que mais tem te trazido interesse na Improvisação hoje? Jogos de Improvisação ou Espetáculos mais LongForm?

Long Form. Os espetáculos de jogo – que ainda são a maioria nos repertórios dos grupos da América Latina – me cansaram um pouco, fico com a sensação de que é quase tudo muito igual. Acho que há muitos grupos acomodados com a grande receptividade do público para com essa modalidade. Eu até acho positivo, gosto muito do trabalho de diversos grupos, continuo achando um fenômeno muito significativo para o teatro. Mas no meu caso, já estou a fim de investigar outros matizes da impro…

8) Pra onde vai a Impro? (o futuro)

Acho que ela já está num caminho muito bacana… vejo muita gente se apropriando da técnica e fazendo dela um ponto de partida para investigações de outra ordem, e eu acho que é isso que vai manter essa linguagem viva e sempre interessante!

9) Quais são as dificuldades executivas de um grupo no mercado da  Improvisação? Como a UMA Companhia tem conseguido se estabelecer nesse mercado? Quais são as perspectivas e projetos do seu grupo?

No caso de Belo Horizonte, somos o único grupo que realiza uma pesquisa contínua no campo da improvisação. E acho que, pela nossa formação, e também por nossos anseios artísticos, sempre tentamos nos inserir no mercado teatral em sentido amplo. Nunca pensamos em criar um mercado (de produção ou de público) específico para a impro, o que tem suas vantagens e desvantagens, porque nos vemos num não-lugar criativo e também mercadológico: não realizamos um teatro “comercial” o bastante para termos sempre casa cheia e vivermos de bilheteria, tampouco um teatro “experimental” o suficiente para conseguirmos manter o trabalho do grupo via leis de incentivo.

De qualquer forma, o que eu posso dizer a respeito da realidade do mercado relaciona-se mais com o cenário das artes cênicas do que especificamente da improvisação teatral.

Acho que as políticas públicas para a cultura no Brasil ainda engatinham. No caso de Minas Gerais, engatinham usando patinete: são tímidas e inconstantes. Acho que falta conscientização da classe artística a respeito do potencial mercadológico da produção cultural, e falta também competência aos gestores públicos para perceber que o investimento na cultura gera empregos, circulação de capital, além de uma imensa gama de valores agregados, tudo isso com um baixo impacto ambiental. Paralelamente à escassez de recursos, a demanda por financiamento tem crescido muito… Tudo isso dificulta bastante o nosso trabalho.

No caso específico da impro, eu não disponho de dados concretos para fazer uma análise do mercado da improvisação no Brasil. Acho que poucos grupos conseguem sobreviver do trabalho com a impro atualmente no Brasil.

Nós temos quatro anos de trajetória, e até hoje, posso afirmar que pagamos para fazer o que fazemos. Fizemos neste segundo semestre uma temporada de um mês [sexta a domingo] em um teatro daqui de BH, começamos com uma média super pequena de público e encerramos a temporada com casa lotada. No fim das contas, só conseguimos cobrir as despesas com teatro, divulgação, direção, produção…

Além disso, custeamos um investimento constante em nossa formação: oficinas, participação em festivais nacionais e internacionais (ressalte-se que 4 membros do grupo realizam pesquisas acadêmicas a respeito da impro).

E ainda pagamos aluguel de espaço para ensaiar e financiamos com nosso próprio esforço e dinheiro nossos dois longforms.

A realização do Dos Gardenias Social Club só foi possível porque fomos aprovados em um edital da Cia Clara, de BH, que nos ofereceu local de ensaio e de apresentação, além do material de divulgação.

Conseguimos um apoio de R$2.000,00 e realizamos, na cara de pau, uma vaquinha virtual, pedindo aos amigos que contribuíssem. A vaquinha nos rendeu a grata surpresa de R$1000,00, e com isso pagamos o cenário. Então, com R$3000,00, somados à imensurável dedicação de improvisadores, professores de dança, iluminadores e músicos (que também trabalharam sem receber nada, nem ajuda de custos), conseguimos erguer um trabalho do qual eu tenho muito orgulho… não apenas pelo resultado, mas pelo que significa, hoje, trabalhar com teatro e com impro no Brasil.

Estamos trabalhando incessantemente para reverter este quadro, e temos ótimas perspectivas para o ano de 2011. Evoé, impro!

Mateus Bianchim é um ser livre. Dotado de uma capacidade de desprendimento e de busca pelos seus sonhos, acompanhei desde que o conheci, suas diversas decisões de mudanças corajosas em busca do seu sonho de aprendizado e de trabalhar com excelência no universo da Improvisação Teatral. Muitas pessoas podem falar de desejar serem livres, mas creio que tive a oportunidade real de conhecer quem de fato vai buscá-la além de todos os limites. Nessa entrevista também livre e polêmica, expõe seus pensamentos sobre a improvisação sob seu olhar bastante crítico.

1) Gostaria que vc começasse resumindo os trabalhos nos quais vc está envolvido hoje. Farei um pequeno resumo para te apresentar.

Moro em Belo Horizonte e agora faço parte de projetos da UMA Companhia, respeitada como poucas no cenário da impro Brasileiro. Acabamos de estreiar o espetáculo “Dos Gardenias Social Club” que é um long-form inspirado no Bolero, na casa de baile e nas relações possíveis nesse lugar.

Fora isso, participarei da temporada do Match de Improvisação, também da UMA e estou na direção do IMPROLIVRE, baseado na oficina que tive com Frank Totino, e que apresentamos em bares de belô.
2) O que é Improvisação Teatral? Quais são os princípios em que se embasa?

A Impro é um solo fértil e amplo. Ela se trata de teatro; e o teatro, e a arte, estão além dos limites que a tevê ou o mercado infelizmente impõe. A impro pode dar minas de ouro e ali se projetarem várias pessoas em busca do que já está pronto; uma Serra Pelada. Mas também tem outros lugares onde se pode plantar, arando e fertilizando o solo, jogando sementes e errando a época da colheita, até achar um fruto bom e duradouro pra se deliciar e se vender. Acima de tudo se deliciar e fazer deliciar.
3) Como surgiu a Improvisação na sua carreira?

Fui integrante da Imprópria Cia Teatral, éramos todos (ou quase) formados em Artes Cênicas na Universidade Federal de Ouro Preto/MG. Lá tivemos contato com a Mariana Muniz, que é a fundadora da LPI em BH, que agora é a UMA. Ela desviou nosso caminho pra sempre em direção à Impro!
4) Quem são os Improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?

Minha improvisação se inspira no cotidiano. Procuro não mais me espelhar no trabalho que os outros fazem, mas também não me preocupo se isso acontecer. Acho que o Brasil tem bons improvisadores, mas que ainda estão engatinhando e descobrindo o que estão fazendo.

5) Quais companhias no mundo você acredita que hoje fazem os trabalhos mais incríveis?

Acho que os que estão há algum tempo na estrada, e que não precisaram mais se vender, nos apresentam uma maturidade que vai além da virtuose. Mas o mundo é grande.

6) O que mais tem te trazido interesse em Improvisação hoje? Jogos de Improvisação ou espetáculos mais long form?

Pra mim os jogos estão mostrando cada vez mais que se limitam a jogos mesmo, onde o privilégio é mostrar o quanto se é esperto e rápido, coisa que acho dispensável até no processo de educação infantil.
Eu busco poesia em cena, nas minhas oficinas eu procuro trabalhar isso, a sensibilidade das relações, uma obra completa e interessante de se ver com a vantagem da espontaneidade do improviso, da verdade de cada ator aberta em flor, exposta.
E quando falo de espontaneidade, falo da questão mais animalesca da coisa e não dessa “primeira idéia” que vem sido utilizada na impro brasileira.
7) Qual é o princípio da Improvisação que é hoje mais motivo de investimento e pesquisa hoje no mundo?
O mercado exige que você venda. O que mais vende são espetáculos de impro-cômica, explorando a rapidez da piada e a satisfação de desejos sádicos de uma platéia burguesa. Eu não vendo mais improvisação.

O que pesquiso e se pesquisa a fundo no vasto mundo, é a emancipação do ser-ator e do ser-público através de uma metodologia libertária que é a do Keith Johnstone. Mas essa liberdade permite que o sistema a subverta, como ele faz com movimentos sociais desde sempre (transformar o punk em moda, por exemplo), e que vem tendo a complacência de “atores” que desejam o poder da fama e do dinheiro.

8) Quais são as dificuldades executivas de um grupo no mercado da  Improvisação? Como o UMA Companhia tem conseguido se estabelecer nesse mercado? Quais são as perspectivas e projetos do seu grupo?

Nenhum grupo que fiz parte teve facilidade em ganhar dinheiro com teatro. Eu fui dirigido pelo Chico de Assis do Arena e ele me disse uma vez que ator pra ter dinheiro precisa ter um três oitão na cintura dentro de um banco. Existe um consumo, mas você tem que se submeter ao desejo do consumidor. E me submeter não é coisa que quero fazer se puder não fazer. Existem leis e editais, mas são poucos e privilegiam poucos. Eu gosto muito de usar o exemplo do Simioni, do LUME. Eu tive aulas com ele e vi uma apresentação de um espetáculo belíssimo solo dele em Ouro Preto. No final, quando perguntado se ele poderia fazer aquele espetáculo, que pesquisava uma coisa muito íntima, difícil de ser entendida, sem ele ser “o” Simioni, ele disse que com certeza não. Ou seja, a pesquisa só é viável para quem tem nome: ou quem se submeteu e cansou de se submeter (mas esse perderá seu público em pouco tempo) ou para os que não desistiram de seus sonhos e agora tem público cativo.

9) Para onde vai a Impro (o futuro)?
Cada vez mais e mais pessoas vão se interessar e fazer Impro, assistir, pesquisar. Somos muito novos no conhecimento dessa linguagem, vejo grandes nomes que estão aí há 30 anos!!! É um território muito amplo para se fazer, para se buscar, quem tem verdade e gosta do que faz durará.

Nesse final de semana, Mateus dará uma oficina de Improvisação em São Paulo. Informações seguem no cartaz abaixo.

Abaixo a participação de Mateus no Mr. Impro (Micetro), espetáculo de Improvisação formato de Keith Johnstone, promovido no Improfestin do Chile en 2009, jogando Irmãos Siameses. Com participação de David Sanin Gaviria do Acción Impro, Angélica Rogel do Complot/ Escena e Monica Moya do Colectivo Teatral Mamut. Apresentação de Mario Escobar Olea do Bassusseder/ Soloy Simple Teatro  e direção de Shawn Kinley do Loose Moose.

Marco Gonçalves é plural. Músico, palhaço e improvisador. Atualmente é o palhaço atleta Fonseca do Jogando no Quintal, acabou de cumprir a primeira temporada do programa É Tudo Improviso da Band (aguardando resoluções para uma continuação do programa na grade horária da emissora) e faz parte do elenco rotativo do espetáculo Improvável da Cia. Barbixas de Humor. Nessa entrevista, gentilmente concedida entre suas correrias de apresentações, treinamentos e reuniões, Marco Gonçalves fala um pouco de suas filosóficas impressões a respeito da Improvisação e da vida.

Pode-se saber mais de Marco através do seu twitter. Também, para quem tem uma formação básica de improvisação ou clown, ele iniciará um curso extensivo de Impro no Quintal de Criação às segundas feiras a partir de 12 de abril.

Improvisando: Gostaria que você iniciasse contando um pouco dos caminhos que o trouxeram para a Improvisação Teatral. Sua biografia.

Marco Gonçalves: A verdade é que tenho alguns curriculuns espalhados por aí. Eu digo isso realmente pela lista de coisas que eu fiz. Como estudei pouco o teatro, eu muitas vezes  inventei coisas que eu fiz para conseguir pegar um emprego, para pagar aulas de música. Na verdade minha formação qual é: eu estudo música desde pré adolescente, com professor particular. Na pré adolescência e adolescência eu estudei música de uma forma bem firme na sina de ser um músico mesmo. Daí fiz publicidade mas parei no primeiro semestre. Tinha aquele desejo de ser um criador e tinha a ilusão de que a faculdade de publicidade ia propiciar isso. Descobri na faculdade que não era essa a pegada da publicidade que nela a criação era uma coisa bem pontual e direcionada. Aí me dediquei a ser músico profissional. Saí do Rio Grande do Sul para vir estudar música aqui em São Paulo no Conservatório e não passei. A verdade é que não tava bem preparado, tecnicamente não estava preparado. Bem próximo das provas pro Conservatório descobri que (esse é um dado importante lá na frente eu acho)  não era isso o que eu queria fazer, porque eu não tinha prazer em estudar aquilo. Tinha prazer em trampar em tocar, mas ir pra casa e ficar treinando a parte técnica era uma coisa que não gostava.

Com relação ao palhaço e a Improvisação, entre meus primeiros professores, eu já encontrei meu mestre que é o Marcio Ballas.  Comecei a fazer aula no Galpão do Circo, com uma bolsa conseguida com muita cara de pau. Disse: “Quero muito estudar palhaço, você me dá uma bolsa?” E o Marcio, muito generoso, me deu uma bolsa. Comecei a fazer bastante aula de palhaço com o Marcio e tinha, nos momentos da aula, meus momentos mais bonitos da minha semana em São Paulo. Esperava a semana inteira para vivenciar a aula de palhaço. Sinceramente tinha um pouco de confiança de que aquilo era meu assunto. Fui fazendo outras coisas na vida porque precisava de dinheiro: trabalhei com música para ganhar dinheiro, dava aula em escolhinha para criança de música. Descobri que seria palhaço pela necessidade, precisava fazer grana com isso, o que é bem pouco romântico. Essa é  a parte pouco romântica. Também não tinha família aqui, então entrei numa imersão: andava de palhaço pela Vila Madalena, levava meu nariz no bolso achando que a qualquer momento poderia sacar, como se fosse uma arma.

Eu já tinha uma admiração pelo Jogando no Quintal, eu já tinha assistido e pensava: é isso que eu quero fazer. Aí trabalhei num grupo amador, que por coincidência foi onde conheci a Rhena (de Faria) e a Lu Lopes, que passaram por lá, já profissionais.  Era o Sarau do Charles.

Eu tinha muitos sonhos. Quando me tornei palhaço eu pensava: eu quero ser do Doutores da Alegria para brincar com as criancinhas ou quero ser do Cirque de Soleil. Era o que eu queria muito, muito, muito. E o Marcio sacando minha vontade e usando da sua generosidade, começou a me convidar para acompanhá-lo como músico-palhaço. Tinha uma participação bem pequena, ia lá e tocava, era bem músico mesmo. Pra um músico eu era ruim, mas pra palhaço eu era pior ainda.

A verdade é que os palhaços não sabem fazer nada direito no Brasil. É uma coisa bem brasileira. O prazer de fazer as coisas que é bom para um palhaço, às vezes podem impedir que você se desenvolva. Você sabe mesmo usar sua habilidade? Às vezes não. Mas num palhaço isso cabe. Os palhaços gringos eles tem essa coisa da técnica, os americanos e os europeus, a gente não. A gente não sabe fazer nada. E somos palhaços incríveis.

Eu fui aprendendo a tocar sendo palhaço, não maduro. Aí fui ganhando espaço. E o Marcio (eu vou falar muitas vezes do Marcio porque na verdade ele é minha escola) tinha uma coisa muito legal comigo.  Ele me chamava para as apresentações e dizia assim: Rouba a cena, hein? Quero ver você roubar sua cena. Eu vivia também essa generosidade com o Alessandro (o Charles).

Aí entrei no Jogando, quando o Manjericão (Eugênio La Salvia) foi gravar um curta. Eu fui lá, entrei e nunca mais saí. E achei uma família, uma coisa maior até que o trabalho. É a família que não tinha aqui presente.

Mas falando de sala, e minhas primeiras vivências foi de palhaço, um dos  primeiros palhaços que admirei foi  o Paulo (Federal). E via os treinamentos de  improvisação dele. E eu achava que  eu não consegueria fazer isso. Até porque quando se está do lado dos heróis, você pensa: não serei um herói.

Com o tempo a banda, dentro do espetáculo, começou a ganhar  um tamanho muito grande, e a gente começou a fazer palhaço fora do Jogando. Com a Banda Gigante, que é a banda do Jogando no Quintal, que começou a ter um espetáculo paralelo. Daí comecei a experimentar o que é ser um palhaço e ter o foco, porque no Jogando eu só apoiava. Daí vem a segunda grande pessoa na minha vida que é a Lu Lopes: a gente passou a fazer música como palhaço, o que era incrível. E eu ainda namorava  a coisa de jogar.

Pra encurtar a estória, fiz a banda Gigante alguns anos, e aí num determinado momento, a banda começou a ganhar um caráter de  não ser exatamente o que eu queria. Tocar na banda do Jogando não era mais exatamente o que eu queria. Eu comecei a ter uma demanda de criação. Que pra mim é o assunto do improvisador. A escola de improvisação gera ferramentas para algumas coisas. E eu comecei a ter uma demanda de criação: comecei a não dormir para escrever, comecei a querer mais espaço na Banda, no Jogando, queria mais, queria mais. E era uma coisa que não era vaidade batendo, era uma demanda. Aí decidi que ia ser um ator.

Comecei a estudar improvisação e descobri que é uma coisa que me leva pra sala. Eu vou pra uma sala estudar improvisação e fico horas, sem problemas, amo fazer isso. Estudei com toda essa turma aí, com o Ricardo Behrens, com a Mariana Muniz. Estudei com todo mundo que o Marcio e o Jogando trouxe, recentemente o Shawn (Kinley).

Veio então o Caleidoscópio, e foi aí que experimentei minha primeira criação de um espetáculo. Isso tudo é o que está aos olhos do mundo.

Internamente, que pra mim é o mais importante. Aquilo que sempre me encantou e que o palhaço sempre me propôs que é a busca da liberdade, estou vivendo agora num momento de profunda paixão e amor por essa ferramenta que é pedir um tema, escutar e mandar ver.

A minha escola se confunde com a estória com o Jogando. E hoje com os Barbixas. Eu sou um cara muito da espiritualidade. Eu tive alguns mestres de uma outra área, que falavam muito pra mim: você tem que enxergar o mestre nas coisas do mundo. Eu enxergo nos Barbixas grandes mestres mas não porque eles tem essa postura, ou porque a gente estabeleceu uma relação, mas porque eles criaram uma coisa importante que é o Improvável. Eles trouxeram a mim isso e a um grande público. E eu vivo com eles também hoje essa coisa a que sou grato eternamente.

Falar do meu curriculo, que já tá acabando, é falar de gratidão. Gratidão por onde eu passei, a um monte de gente.

Improvisando: O que para você significa a Improvisação Teatral?

Marco Gonçalves: O que é Improvisação teatral é uma pergunta profunda e difícil. Eu considero uma coisa que me rege, é uma linguagem que consegue colocar a espontaneidade na frente. A espontaneidade é o que rege esse trabalho. Estou dizendo muito mais de sensação. Enfim, mas é algo que tenho prazer em fazer. Vou falar uma frase feita que traduz o que é a improvisação para mim: “Produzir vibrações, rotações, girações, danças, palcos, gravitações, inventar novas metas, e setas que vão disparar novos corações”. Isso pra mim me fala da improvisação hoje.

E também outra coisa que me fala do que é improvisação é o sentido que as mandalas tem. É um trabalho muito preparado e termina no desapego para abrir espaço para outra coisa. E enxergar nesse movimento o sentido da coisa e não o produto em si. A gente produz um número de cenas muito grande e a maioria são geniais e elas se vão.

Enfim, improvisação teatral pra mim é uma coisa que toca os mistérios da vida.

Improvisando: E quais são os princípios da Improvisação que você considera importantes?

Marco Gonçalves: Fundamental são alguns. Como diz a Rhena, escuta, aceitação são coisas profundas. Sou obrigado a repetir. Mas uma coisa que a própria Rhena me trouxe na relação próxima que a gente tem, é que quando a gente fica tratando da improvisação como ferramenta e como jogo, talvez a gente siga estritamente o que as escolas falam (escuta, aceitação). Fica uma coisa puramente técnica. Pra mim o buraco é mais embaixo e a Rhena me chama a atenção pra isso. Ela tem uma imaginação muito grande para a loucura, não a patologia, a doença, mas aquele olhar que é capaz de traduzir de uma forma muito diferente uma coisa que é lugar comum. Eu sempre tento ver a improvisação muito mais como uma arte que como uma linguagem técnica.  Nesse sentido, isso é uma coisa fundamental para o palhaço: o que você está falando para o mundo, aí?

Acho que estou querendo aliar um conceito que é a aceitação, escuta e um desejo de voar, uma certa loucura.

Lembrei agora do Chacovachi, que não foi um mestre, foi um dos professores que passou por aqui. Ele é um mestre para todo mundo, mas pessoal não. Ele diz: “El Payaso tiene que ter hambre”. O palhaço tem que ter sangue “nozoio”, que não necessariamente é ter uma agressividade, pode ser uma coisa bem infantil, ingênua, inocente. Mas é quente, potente, uma combustão.

É isso: escuta, aceitação e combustão.

Mas também tem outra coisa que é: “Quem está improvisando?”

A real é que escutar, aceitar, estar com o corpo pronto, saber jogar os jogos, saber a proposta coletiva de cada grupo e de cada espetáculo é fundamental mas são FERRAMENTAS. O conteúdo que você trará para a cena é uma coisa importante e ao mesmo tempo só pode ser gerado com organicidade, ou seja: quem você é, o que pensa, o que sente e como sente constrói sua fantasia. O que você lê, assiste ou o que te inspira como espectador geram bagagem para criar. O formato Improvável dá espaço para os comediantes, o Jogando para os palhaços, o Tríptico da Colômbia dá espaço a excelentes atores .

Improvisando: Gostaria que você falasse um pouco dessa conexão entre o clown e o improviso. E também da relação entre improviso e a música, que é a sua origem.

Marco Gonçalves: A música me ajudou muito. Conceitos que a música tem como muito fundamentais como linguagem, como ferramentas muito conhecidas, são fundamentais no improviso. Por exemplo, você não enaltece a escuta, ela é uma ferramenta tão básica na música: você não aprecia música sem escuta, você não dança sem escuta e não toca bem com um colega sem escuta, você não aprende a tocar um instrumento sem escuta. A escuta na música é uma perna para um jogador de futebol. Por isso, escutar os colegas era uma coisa muito orgânica pra mim. Quando entrei na escola da improvisação, a escuta já estava ali comigo.

Uma outra coisa que considero importante, a qual o Marcio é bem cuidadoso com esse aspecto na cena é o timing. O Marcio tem muito controle sobre o gráfico da cena: um começo que deixa ela clara, uma apresentação da situação e dos personagens, uma inclinação, um problema, e de repente uma aceleração, uma virada e um fim. A música respeita, seja improvisada ou ensaiada, um gráfico. A música tem uma parte A, B, refrão, AB e um refrão no final.

A música me ajudou no improviso, na escuta e no timing.

O palhaço já me ajuda um pouco a viver, mais que a trabalhar. Fica um pouco fácil fazer uma criação excêntrica, interessante aos olhos do público, quando você vivenciou isso. Só o palhaço tem essa levada, ele é a loucura, ele é o personagem. A gente não faz o palhaço a gente é o palhaço. A gente não é melhor ou pior que nada, a gente simplesmente é.

Quando eu estou fazendo, por exemplo, o Improvável (que é um espetáculo de tiro, de piada), muitas vezes estou fazendo essa piada com o lugar comum. Mas quando estou em cena eu invariavelmente uso o palhaço, mexo no dimer da intensidade mais ou menos.

Por exemplo: O que não fazer numa sorveteria? Eu me reporto a aquele lugar e penso no que espontaneamente seria gostoso fazer. Aí eu junto um pouco com a estória dos meninos que é elaborar uma piada com isso e mato. Pego a matéria prima e coloco o olhar de palhaço em tudo.

O que eu não deveria fazer está casado com o que eu poderia fazer e é proibido. Que é a base do Cenas Improváveis e no programa (É Tudo Improviso) é o Cenas Absurdas.

Outro exemplo: O que não se fazer num velório? Uma mente livre, uma mente não ressentida, que é a mente de um palhaço, uma mente desapegada de padrões e regras,  não faz muita força para  pensar o que não fazer. Ele simplesmente vai lá e faz. Ele cumprimenta o morto, vai lá tira uma com o morto. É como já falei com minha mãe e com meu pai. Na ocasião a gente vai se divertir na brincadeira, vamos beber o morto.

Improvisando: Quem são os Improvisadores que o inspiram na realização do seu trabalho?

Marco Gonçalves: Poxa, aí vem muitas coisas na cabeca. E vem um desejo de ser político…

Improvisando: Eu penso em termos de referência…

Marco Gonçalves: Hum… Paulo Federal, Marcelo Savignone, Marcio Ballas (sempre), Rhena de Faria. Fora do improviso, esses dias vi o Pedro Cardoso, achei arrebatador. Dos mexicanos, o José (Luis Saldaña), acho sensacional. Mas de todos, o último que me impressionou mais foi o Marcelo Savignone porque ele é o cara que toca, canta. Ele é desesperador, ele é multi, você conversa o cara, ele conta que  estuda diariamente horas, e é um maluco.

Enfim, eu deixaria essas pessoas, mas isso vale pra hoje. Respeitando o agora.

Improvisando: E com relação às companhias teatrais?

Marco Gonçalves: Todas. De improvisação, eu gosto de todas. Das ruins e das boas.

Pode parecer uma prepotência, mas tenho muito respeito por quem trabalha. Gosto dos Barbixas, Jogando no Quintal, . Em termos de Brasil ainda tem o pessoal de Belo Horizonte, o Imprópria, o Protótipo. Eu tenho muito respeito por você.

Improvisando: Eu não pertenço a nenhuma companhia…

Marco Gonçalves: Mas não digo em termos institucionais, eu tenho respeito por quem tá dando um gás pelo assunto. Quem tá afirmando a Improvisação.

Falando do programa, por exemplo,tentar pegar essa linguagem e torná-la mais popular. Deixar mais gente afim de fazer. Isso poderia ficar como um desejo individual do Marcio, que quer a improvisação no Brasil, ou os Barbixas. Mas é um desejo de muitos, uma força que se espalha.

Fora isso  Impromadrid, Complot/Escena, Loose Moose, LPI Argentina.Vou acabar esquecendo alguém, enfim…

Improvisando: Gostaria que você falasse um pouco com relação a seu interesse em formatos de improvisação. Você hoje tem uma preferência entre formatos longos ou formatos desportivos de improvisação?

Marco Gonçalves: Eu acho tudo importante. Os espetáculos que tem como base jogos de improviso e espetáculos de long form que tenha uma premissa e a improvisação. É que em termos de jogos já existe o Improvável, o Jogando, outras trupes, o programa e acaba meio que virando lugar comum.

O long form acaba virando um desafio hoje em dia. A gente tem pretensões muito altas: não quer ter uma estória boa porque é improvisada, mas uma estória que seja digna de ser encenada várias vezes.

Fora de cena é bacana você ser bem pé no chão, mostrar que o que estou fazendo qualquer um que queira muito poderia fazer. Mas quando digo muito, queira muito mesmo, se dedique.

Em cena acho essa coisa da pretensão bem legal. Às vezes a gente tem uma coisa no long form, em que a gente desafia um ao outro, causando uma sensação ímpar na platéia. Imagina criar uma atmosfera, uma estória que tenha uma trama que de repente possa ser sensual para a platéia. Uma arte transformadora que pode te levar a outro lugar.

Hoje os espetáculos de jogos buscam a piada, um lirismo e na verdade, já tem bastante missão só nisso.

O horizonte do long form é outro. Talvez ele me seja mais atraente, mas ele nao é melhor que o curto, talvez ele até seja um pouco pior. Pro grande público ele talvez seja menos divertido. O público tá afim de ver um desafio mais cirúrgico.

O long form só está mais atraente, mais sedutor pra mim hoje em dia.

Improvisando: Em termos futuros, o que você espera da Improvisação?

Marco Gonçalves: De forma prática,  um número maior de grupos fazendo, uma disseminação mesmo. Eu acho que vai acabar acontecendo, tomara a Deus. Com isso, irão surgir novas formas de fazer, grupos com identidade cada vez mais única, com trabalhos cada vez mais autorais. Isso do ponto de vista comercial.

Do ponto de vista filosófico, que é o que me pega mesmo.  Eu sinto que tem uma coisa que amarga a vida um pouco que é a própria diversão que é trocada pela obrigação. E a vida cheia de obrigações é dificil . Ela é dificil para qualquer um. Mesmo para aquele que gosta, que faz determinadas coisas porque gosta de cumprir aquela obrigação.  Mas tem outras possibilidades e é esse que é o barato.

Não estou falando que a improvisação tenha a ver com descompromisso. A improvisação tem a ver com dar vazão a espontaneidade. E a espontaneidade é o contrário da obrigação. E quando você gera mais espaço para dar vazão a essa espontaneidade, você tem uma ferramenta prática, potente e verdadeira e não uma falácia. Você ouve: temos que melhorar o mundo. Mas como se faz isso?

Mas respondendo à sua pergunta, quando eu vejo meu pai altamente envolvido com a piada, não porque riu, pelo interesse na piada em si…  As pessoas me ligam, me procuram, projetando um desejo de fazer a mesma coisa. Tenho recebido muito email,  muito twitter dizendo: você poderia ter feito aquilo tal hora. Eu procuro responder: então vamos fazer, eu quero fazer isso com você. Esse convite tem a ver com um chamado: vamos brincar!  Isso pra mim tem a ver com a missão da improvisação. Que passe a trazer essa força da espontaneidade com o tempo.

A seguir, Marco Gonçalves em 3 momentos incríveis: Improvável, É Tudo Improviso e Jogando no Quintal.

Sergio Dominguez Molina, conhecido como Panqueque, nasceu em Santiago, e passou a infância na Comuna de Reina. Logo depois foi para Nuñoa, onde estudou no The Angels School. Seu primeiro contato com os palcos viveu em uma oficina de teatro na escola, aos 8 anos. Cometeu um erro, que não deseja comentar, mas a punição foi a proibição de voltar ao curso, marcando sua saída da disciplina assim que saiu do quarto ano médio.

Desde o primeiro ano médio, depois de aulas, tinha aulas de canto em Projazz, e quando saiu, tentou estudar de forma profissional, mas percebeu que não era algo que gostaria de dedicar-se em tempo integral (Panqueque foi vocalista da banda de metal sinfônico “Six Magics” , o qual abandonou por motivos familiares).
No ano seguinte foi estudar teatro em “La Mancha“, e percebeu que não fazia pontuação suficiente para muitas coisas, e para o teatro sim. Além de que, não precisaria anotar tanto. E seguiu em frente.

Em princípio começou seus estudos na Escola de Teatro La Mancha, onde estudou dois anos e conheceu Nico e Moyita.  Ao sair de lá foram contratados por uma companhia chamada “La Sombra”, liderada por 3 pessoas que dirigiam 11 atores, e que logo se dissolveu.

Panqueque estava sem companhia teatral, e foi chamado por um amigo para uma peça, um jogo de máscaras chamado “El Casting”, na qual teriam somente 3 dias para ensaiar. Pensou que não ia dar certo, já que não tinham nada de concreto, se jogaram e as pessoas adoraram, ficou genial. Então Moyita (sua companheira há 10 anos, com quem tem um filho de dois anos) sugeriu que fizessem isso melhor. Formaram um grupo, ensaiaram essa peça muito bem por duas semanas, que se saiu excelente. Foi então que pensaram em fazer uma companhia de teatro e dedicar-se integralmente a estudar obras com tempo e fazer algo improvisado também.

Desde então foram convidados para vários festivais, e ao invés de estudar obras como qualquer companhia teatral, mergulharam de cabeça na Improvisação. Decidiram chamar Nico e Juanita do “La Sombra” para se juntarem ao grupo e começaram a treinar. Passaram dois anos se preparando, sem professores, fizeram o que sentiam intuitivamente correto. Começaram a entrar em contato com as pessoas que fizeram o mesmo na América Latina, e quando viajaram para festivais, tiveram aulas com todos eles.

Tudo isso serviu para se profissionalizarem e pegarem todas as técnicas em que o mais importante é seguir tendo aulas.

Em 2004, Panqueque estudou cinema, e em seguida, em 2008, para aperfeiçoar-se na Improvisação, foi fazer cursos em Toronto, no Canadá, com o The Second City e, no ano passado, com Keith Johnstone, um dos fundadores da improvisação moderna. No Canadá, encontrou muitas pessoas que estudaram com os melhores improvisadores, com espetáculos diferentes, podendo complementar o que faz e ver o que outros fazem em outros lugares e buscar o próprio caminho da improvisação.

Hoje, o Colectivo Teatral Mamut, tem cerca de 6 espetáculos, alguns feitos por eles e outros feitos por alunos na sala Chucre Manzur.

Desde o dia 4 de janeiro, estrela o programa Los Improvisadores, no Canal Viax Chileno, junto com seus companheiros de Mamut (Moyita, Juanita, Nico) e a atriz María Paz Jorquiera. A apresentação é de Juan José Gurruchaga. (vide post desse blog). O programa é um sucesso de audiência e projetou ainda mais a companhia no Chile.

Nessa entrevista, gentilmente concedida por email, há alguns dias da estréia de seu programa de tv, Panqueque expõe suas opiniões sobre a Improvisação Teatral, com muito bom humor.

Improvisando: ¿Usted puede hacer un breve resumen del trabajo realizado hoy en día?

Improvisando: Você pode fazer um breve resumo do trabalho realizado hoje em dia?

Panqueque: Hoy formo parte del Colectivo Teatral Mamut. Administramos un teatro donde hay impro todo el anio, tenemos una escuela de impro con 3 niveles y recientemente empezamos un grupo de long form.
Investigamos la espontaneidad y la creacion teatral. Nuestros espectaculos mas populares son Efecto Impro, que es un long form, Improviscopio, que es un formato clasico y Teatro de gorilas, que es un formato de improvisacion dirigida, osea con directores en escena.
Tambien jugamos, match, catch y otros formatos con puntos.
Recientemente organizamos el ImproFestin.
Actualmente estamos trabajando para un canal de television con un programa de Impro, en enero seguimos en cartelera y hacemos teatro callejero. Y hoy mismo es la muestra de el taller de long form, termino de escribir esto y tengo que ir al teatro jajjajaja.
Panqueque: Hoje faço parte do Colectivo Teatral Mamut. Administramos um teatro onde há improvisação o ano todo, temos uma escola de impro com três níveis e recentemente começamos um grupo de long form. Investigamos a criatividade e a criação teatral. Nossos espetáculos mais populares são Efecto Impro, que é um long form; Improviscopio que é um formato clássico; e o Teatro de Gorilas, que é um formato de improvisação dirigida, com diretores em cena. Também jogamos Match, Catch e outros formatos de pontos. Recentemente organizamos o Improfestin. Atualmente estamos trabalhando para um canal de televisão, que estará nas telas em janeiro, e faremos teatro de rua. E hoje mesmo é a mostra do Workshop de Long Form, termino de escrever isso e tenho que ir ao teatro. Hahaha.


Improvisando: Qué es la improvisación? ¿Cuáles son los principios en los que estaba fundado?

Improvisando: O que é a Improvisação? Quais são os princípios em que se fundamenta?

Panqueque: Exactamente no se lo que es jajajajja, pero para mi es realizar una accion sin preparacion, con los elementos que se encuentran disponibles en ese momento. La improvisacion teatral es crear una escena o una historia en el momento sin libretos.
Para mi la impro no tiene reglas ni limites, uno puede hacer cualquier cosa, pero creo que la improvisacion moderna se funda en la comunicacion, generosidad y espontaneidad.
Panqueque: Exatamente não sei o que é hahaha, mas para mim é realizar uma ação sem preparação, com os elementos que se encontram disponíveis nesse momento. A improvisação teatral é criar uma cena ou uma estória no momento, sem script. Para mim a impro não tem regras nem limites, pode-se fazer qualquer coisa, mas acredito que a improvisação moderna se fundamenta na comunicação, generosidade e espontaneidade.

Improvisando: ¿Cuando la improvisación comenzó en su carrera?

Improvisando: Quando a Improvisação começou em sua carreira?

Panqueque: La improvisacion ha sido un estilo de vida ya a estas alturas jajajjaja. Ha sido un coninuo apredinsaje de el comportamiento humano, narrativa, espontaneidad etc, que enriquesen la vida no solo en el escenario.
Panqueque: A improvisação tem sido um estilo de vida já, a essas alturas hahahah. Tem sido um uma aprendizagem continua do comportamento humano, narrativa, espontaneidade etc, que enriquecem a vida não somente em cena.
Improvisando: Quiénes son los improvisadores que inspiran a llevar a cabo su trabajo?
Improvisando: Quem são os Improvisadores que o inspiram na realização do seu trabalho?
Panqueque: Uff,  muchos pero creo que Sucesos Argentinos que fue lo primero que vi y me influencio mucho en querer improvisar. Pero creo que la inspiracion mas directa han sido los profes que e tenido especialmente Keith Johnstone, Rodrigo Malbran, Omar Argentino y Shawn Kinley.
Tambien los del Loose Moose en Canada me gustan mucho.
Pero mis favoritos son los de Brasil, Mexico, Espania, Peru, Argentina, Colombia, etc. Tengo demasiados para nombrar ajjajjaja

Panqueque: Aff, muitos, mas creio que Sucessos Argentinos que foi o primeiro que vi e me influenciou muito em querer improvisar. Mas creio que a inspiração mais direta tem sido os professores que tenho tido especialmente Keith Johnstone, Rodrigo Malbran, Omar Argenino e Shawn Kinley. Também os do Loose Moose no Canadá gosto muito. Mas meus favoritos são do Brasil, México, Espanha, Peru, Argentina, Colombia, etc. Tenho muitos para nomear hahaha.

Improvisando: ¿Qué compañias en el mundo de hoy que usted cree que son los trabajos más increíble?

Improvisando: Que companhias no mundo de hoje que você acredita estão realizando os trabalhos mais incríveis?

Panqueque: La empresa de Google parece que es bien buena.
Panqueque: A empresa Google parece estar muito bem.

Improvisando: ¿Qué más ha traído el interés en la improvisación de hoy? Juegos de improvisación o los LongForm?

Improvisando: O mais atrai seu interesse na improvisação de hoje em dia? Jogos de improvisação ou longform?

Panqueque: La impro es la unica forma de arte que se clasifica por duracion jajjajajja
Para mi long form y short form es lo mismo ya sean historias largas o cortas son historias.
Para mi las diferencias en la impro son: los juegos que se usan para sacar risas sin nesesidad de crear algo y las historias o juegos que crean algo (aunque no sea una historia).
Me gustan los espectaculos que crean historias ya sean largas o cortas. Me gusta mucho el long form, pero creo que no es nesesariamente mas poderoso que el short form.
Me gustan mucho los espectaculos de desafios tambien y juegos cortos. Actualmente creo que mi interes mas profundo esta en la narrativa improvisada, y como consecuencia hemos hecho long form, pero cuando hacemos short form tratamos de buscar lo mismo que en uno de long form. Un poco enredada mi respuesta perdon 🙂
Panqueque: A impro é a única forma de arte que se classifica por duração hahaha.
Para mim short ou long form é o mesmo, sejam estórias longas ou curtas são estórias.
Para mim as diferenças na impro são: os jogos que se usam para tirar risos sem necessidade de criar algo e as estórias ou jogos que criam algo (ainda que não seja uma estória).
Gosto dos espetáculos que criam estórias sejam curtas ou longas. Gosto muito do LongForm, mas acredito que não é necessariamente mais poderoso que o ShortForm.Gosto muito dos espetáculos de desafios e jogos curtos também. Atualmente acredito que meu interesse mais profundo está na narrativa improvisada, e como consequencia temos feito longform, mas quando fazemos shortform tentamos buscar o mesmo que em um long form. Meio emaranhada minha resposta, perdão. 🙂
Impriovisando: ¿Cuál es el principio de la improvisación que es ahora más razón para  la investigación?
Improvisando: Qual é o princípio da Improvisação que é agora maior razão para investigação?

Panqueque: Las herramientas sociales  que ensena la impro creo que funcionaria exelente en el sistema de educacion.
Los profesores de los ninos deberian ser expertos en habilidades sociales y trabajo grupal.

Panqueque: A ferramentas sociais que ensinam a Impro creio que funcionariam excelentemente no sistema de educação. Os professores de crianças deveriam ser experts nas habilidades sociais e trabalho de grupo.
Improvisando: ¿Dónde está Impro (el futuro)?
Improvisando: Para onde vai a Impro (o futuro)?
Panqueque: En el planeta Marte, cuando la humanidad se extinga los marcianos encontraran los escritos y comenzaran a entrenar.

Panqueque:  No planeta Marte, quando a humanidade se extinguir, os marcianos encontrarão os escritos e começarão a treinar.
Panqueque em ação no Teatro de Gorilas e no jogo Contra lo Reloj no Programa Los Improvisadores:
Quando pedi a Mari Armellini uma entrevista sobre Improvisação Teatral, através de email, ela decidiu responder-me de forma bem particular.
Ela disse: “Vou ser bem sincera: eu engatinho na improvisação. Vou resumir a minha história com a impro e você veja o que dá pra fazer!”
Criativa e genial, essa que diz tão jovem improvisadora, mas com um histórico de anciã, me concedeu praticamente um artigo, que publico na íntegra, não querendo perder nenhum detalhe do seu raciocínio “palitante”. Lembro que quando concedeu a entrevista, Mari ainda não havia estreiado na televisão. Portanto, atualizando seu atual currículo, Mariana Armellini está em temporada com suas colegas As Olívias no espetáculo As Olivias Palitam e nas telas da rede Bandeirantes com o programa É Tudo Improviso. Também se mantém como uma das principais convidadas do espetáculo de Improvisação Improvável da Cia. Barbixas de Humor. Pode-se também segui-la no Twitter.
“Eu sou atriz, formada pela Escola de Arte Dramática (EAD/ECA – USP).
Antes disso, fiz teatro amador por 8 anos (desde 1993).  Nesse período, os exercícios de improvisação da Viola Spolin eram muito utilizados, mas como exercícios para a atuação propriamente dita.
Dentro da EAD, tive aulas com a  Cristiane Paoli Quito, que trabalhava a improvisação dentro dos espetáculos, como um exercício coletivo – nós ensaiávamos as cenas, criávamos os personagens, mas as “costuras”, a dramaturgia do espetáculo era criado na hora, pelos atores. Com essa técnica, fizemos “Hamlet” (de William Shakespeare), em 2002 e “O Inspetor Geral”  (de Nikolai Gógol), em 2003. A Quito é uma profissional muito reconhecida por seu trabalho com palhaços e também com a improvisação. Cheguei a fazer 6 meses do curso dela de palhaço – muito difícil mas extremamente importante.
Ainda na EAD, tive um professor – que depois dirigiu meu espetáculo de formatura – chamado Antônio Januzelli, o Janô. Ele é considerado um mestre de improvisação, mas não como você conhece – exercícios de cena. As aulas dele priorizavam as relações, nós criávamos relações por horas, sem falas, só trabalhando sensações e corpo. O trabalho dele consiste em levar o ator a chegar em um “estado”, a partir do qual ele seria capaz de realizar qualquer coisa. Esse “estado” é a base da pesquisa dele, e acabou gerando em minha turma um desejo enorme de continuar esse estudo – o que nos levou ao espetáculo “Oito”, dirigido pelo Janô e pela Juliana Jardim, que foi, como eu disse, nosso espetáculo de formatura na EAD.
Depois disso, a improvisação só existia para mim para criar as cenas das Olívias, grupo que formei ainda dentro da EAD. Dentro de nosso espetáculo, As Olívias Palitam, temos um momento de improviso diferente: nós conversamos com o público a partir de temas da atualidade dados por eles.
Quando os meninos dos Barbixas me chamaram para fazer o primeiro Improvável, em novembro de 2007, tudo o que eu tinha era essa formação e a referência do Whose Line, que eu assistia e admirava.
Não fiz nenhum treinamento extra para fazer o primeiro Improvável.
Depois disso, quando conversamos sobre a possibilidade deles continuarem com esse espetáculo e formarem um grupo de convidados preparados para esse tipo de improvisação, comecei a ter treinamentos com o Marcio Ballas – que hoje considero meu mestre dentro da impro.
Fiz workshops com Gustavo Miranda,   (do Acción Impro) da Colombia, e Shawn Kinley, (do  Loose Moose) do Canadá. E sigo treinando com o grupo que acabou se formando a partir do Improvável – que seriam os Barbixas, o Marcio Ballas, o Marco Gonçalves, a Cristiane Wersom, a Marcela Leal e Alan Benatti.
Portanto, não sei dizer quais são os melhores grupos do mundo, não sei dizer o que me inspira (além dos espetáculos Jogando no Quintal e do Caleidoscópio) e não sei definir as bases da improvisação! Apesar de estar nessa há 2 anos, eu engatinho!
O que posso dizer é que o treinamento de impro tem refletido de maneira muito positiva no meu trabalho como atriz – nos longas que eu fiz, em outros espetáculos e mesmo dentro das Olívias.
Por enquanto, ainda estou debruçada no estudo das cenas curtas e jogos de “tiro”, mas adoraria um dia estudar e ser capaz de realizar um long form.
Para terminar, só para te situar no que ando fazendo: continuo com As Olívias – realizando nosso espetáculo As Olívias Palitam e fazendo vídeos curtos para a intenet (uma websérie chamada As Olívias Queimam o Filme). Faço o Improvável como convidada. Em 2009, fui atriz convidada do Grupo XIX de Teatro, para realizar viagens com o espetáculo Hysteria. Na TV, fiz alguns comerciais e participações em programas e no cinema, participei de alguns longa-metragens.”
Seguem dois vídeos: um da websérie das  Olívias, no seu canal do You Tube e mais uma de suas muitas participações geniais no Improvável.

Conheci o trabalho de Cláudio Amado como professor convidado do Zenas Emprovisadas.

Formado em Artes Cênicas na UNI-RIO (1997), é um ator polivalente:

  • cinema: (Os Porralokinhas PC de 2004 direção de Lui Farias)
  • publicidade:
  • televisão: Participação especial em novelas e séries (Carga Pesada, Paraíso, 7 Pecados, Andando nas Nuvens, Mulheres Apaixonadas, entre outras), Programas Humorísticos (Zorra Total, Turma do Didi, Super Sincero, A Diarista, Sob Nova Direção)
  • teatro: Cenas Brasileiras (direção Walmor Chagas), Terror na Praia (direção:Vic Militello), O Mercador de Veneza (direção: Cláudio Torres Gonzaga), entre muitos outros.

É considerado um dos grandes nomes da Improvisação Carioca.

Em 2003, fundou a 1ª companhia oficial de Teatro-Esporte do Rio de Janeiro, a Cia. Teatro do Nada, que montou os espetáculos “Teatro do Nada”,  “Nada Contra” e recentemente “Impro Night”.

Em 2005, passou a ministrar aulas de Improvisação na sede da Cia. Teatro Contemporâneo, onde organizou os três campeonatos cariocas de Improvisação Teatral.

Também organizou os espetáculos de Impro: “Jogo das Estrelas”, “Amistosos de Improvisação” e “Sextas Improvisadas”.

Diretor da Companhia ImprovInsanos, dirige os espetáculos “ImprovInsanos – Narrativas Improvisadas” e “Musicaos”.

Mais trabalhos de Cláudio Amado podem ainda podem ser vistos no seu canal no YouTube: Cláudio Amado.

Nessa entrevista, gentilmente concedida via correio eletrônico, Cláudio Amado fala sobre seus recentes trabalhos, suas inspirações  e sobre suas opiniões a respeito dos rumos da Improvisação.

Improvisando: Gostaria que vc começasse resumindo os trabalhos nos quais vc está envolvido hoje.

Cláudio Amado: Em 2009 a Cia. Teatro do Nada estreou 2 espetáculos: IMPROZAP, de histórias de 20 minutos com estilos (Tarantino, Shakespeare, Brecht, Bíblia, Suassuna, etc) e IMPRO NIGHT (espetáculo de jogos rápidos para bares e café-teatros), e às vezes fazemos o NADA CONTRA ( de Teatro-Esporte). Em paralelo, eu e Ana Paula Novellino (também da cia.) montamos um espetáculo de long form de 2 atores, DOIS É BOM, inspirado no formato americano “Harold”. Já nos ImprovInsanos, estamos apresentando os dois espetáculos do grupo, NARRATIVAS IMPROVISADAS e MUSICAOS (com improvisação musical), atualmente em cartaz aqui no Rio até 20/dez

Improvisando: O que é Improvisação Teatral? Quais são os princípios em que se embasa?

Cláudio Amado: Existem várias linhas dentro da improvisação. A maioria são espetáculos de humor usando jogos de improvisação, inspirados pelo programa Whose Line is it anyway. Alguns poucos grupos trabalham em cima da técnica do IMPRO, mais voltados para o teatro mesmo (narrativa, trama, personagens, musica, luz, etc). Os princípios variam de acordo com a linha do grupo: se são de humor, a piada é o mais importante. Nos de IMPRO, a história é o mais importante.

Improvisando: Como surgiu a Improvisação na sua carreira?

Cláudio Amado: Através de um grupo de estudos e treinamento com a atriz carioca Gabriela Duvivier, que estudou com Keith Johnstone (criador do IMPRO) no Canadá.

Improvisando: Quem são os Improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?
Cláudio Amado: Omar Argentino, Volker Quandt (Harlekin Theater – Alemanha), Complot/Escena (México) e La Gata Impro (Colômbia).
Improvisando: Quais companhias no mundo você acredita que hoje fazem os trabalhos mais incríveis?
Cláudio Amado: Das que conheço: Complot/Escena (Mexico), La Gata Impro (Colombia), Loose Moose (Canadá).
Improvisando: O que mais tem te trazido interesse em Improvisação hoje? Jogos de Improvisação ou espetáculos mais Long Form?
Cláudio Amado: Fizemos 5 anos de Teatro-Esporte na Cia Teatro do Nada e desde 2008 estamos pesquisando e estudando os formatos longos.
Improvisando: Qual é o princípio da Improvisação que é hoje mais motivo de investimento e pesquisa hoje no mundo?
Cláudio Amado: É uma arte democrática, viva, extremamente comunicaticava e envolvente; no caso do IMPRO, inclusive nas relações humanas ou de trabalho existe uma aplicação.

Improvisando: Para onde vai a Impro (o futuro)?
Cláudio Amado: Espero que se torne uma modalidade teatral tão forte e respeitada quanto às outras, espero que haja cada vez mais um intercâmbio de grupos do mundo todo e que o Brasil descubra o quantoto antes que a improvisação é uma arte riquissima de possibilidades, e não apenas “brincadeirinhas, joguinhos, sem acabamento”. Cabe aos grupos brasileiros pesquisarem com seriedade e elevar a improvisação para patamares mais audaciosos, pois, segundo Shawn Kinley ( Ator e professor do Loose Moose, cia de Keith Johnstone): “O público é como uma criança: se vc só oferece balinhas, ele sempre vai querer mais balinhas”.

Ator, diretor e professor de improvisa.

ção. Formado em Artes Cênicas pela UNI-RIO (1997), participou de diversos espetáculos como ator, além de participações em televisão, publicidade, cinema e eventos. Em 2003, fundou a 1ª companhia oficial de Teatro-Esporte do Rio de Janeiro, a CIA ATRO DO NADA, que montou os espetáculos “TEATRO DO NADA” e “NADA CONTRA”. Em 2005, começou a ministrar aulas de IMPRO na sede da Cia Teatro Contemporâneo, onde organizou os três campeonatos cariocas de improvisção teatral, além dos espetáculos de improvisação “Jogo das Estrelas’, “ImprovInsanos – Narrativas Improvisadas”, “Amistosos de Improvisação”, “Sextas Improvisadas” e agora “Musicaos”