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Último dia do Festival Internacional Los Improvisadores, no Teatro Oriente, em Santiago. E  cheio. Com 4 eventos no mesmo dia.

Meio dia, começamos com a Charla (bate papo). O convidado foi Rodrigo Malbrán Contre, diretor e fundador da Escuela Internacional del Gesto y la Imagen LA MANCHA.

Malbrán utilizou o espaço para fazer uma mostra de uma hora e meia, dos diversos estágios que passam os alunos durante os dois anos de formação da sua escola, que tem como base a metodologia de Lecoq. Seus graduandos mostraram cenas de utilização de máscara neutra, clown, commedia dell’ arte e por fim o que ele chama de Os Vinte Movimentos.

O trabalho dos alunos é preciso e rigoroso, a construção de cenas primorosa. O trabalho de Malbrán, que muito influenciou a formação dos improvisadores do Colectivo Teatral Mamut, nessa charla, mais do que didático foi umas das melhores possibilidades de entreterimento desse festival.

Seguiu-se às 16 horas a segunda apresentação do espetáculo Teatruras, do Impromadrid da Espanha.

Ignacio Lopez, Ignacio Soriano, Jorge Rueda e o músico Nacho Mastretta novamente fizeram um espetáculo primoroso na construção de estórias, leve, descontraido, ainda mais agradável com a participação das crianças da plateia. Mais sobre Teatruras no post anterior.

O espetáculo com maior sucesso de público do festival, seguiu-se a noite com Súper Escena, do Colectivo Teatral Mamut.

Com Monica Moya, Nico Belmar e Sergio Panqueque Molina, o Colectivo Teatral Mamut mostra a seu público chileno, um espetáculo de improvisação inspirado no cinema.

São propostas três cenas, em três estilos cinematográficos distintos. Os temas são sugeridos pela plateia. Cada uma dessas cenas se inicia e pára num ponto, na qual somente duas delas são eleitas para terem uma continuação. Depois de mais um pouco de desenvolvimento de cada uma das duas estórias, mais uma delas é eliminada, conhecendo o público somente um dos finais.

Espetáculo muito leve, divertido, bem ambientalizado tanto pela luz como pelo seu músico Francisco “Foco”. Os atores têm uma atuação muito forte pela caracterização de seus personagens e pelo seu carisma com o público. Um espetáculo belíssimo.

Fechou-se o festival com uma enorme festa. Teatro de Gorilas. Cada um dos músicos de suas companhias (Francisco “Foco” Cerda-Mamut, Cristiano Meirelles-Jogando no Quintal, Leonardo Prieto-Complot Escena, Nacho Mastretta-Impromadrid e Sebastian Rodrigues-La Gata Impro) e a banda do Teatro de Gorilas, fizeram a trilha sonora e os efeitos sonoros do espetáculo.

Foram 6 os diretores convidados: Ignacio Soriano (do Impromadrid da Espanha), Rodrigo Bello (do Improcrash da Argentina), Carlos Alberto Urrea Lasprilla (do La Gata Impro da Colômbia), Sergio Panqueque Molina (do Colectivo Teatral Mamut do Chile), Marcio Ballas (do Jogando no Quintal do Brasil) e Frank Totino (do Loose Moose do Canadá).

Os jogadores convidados foram:

– Florian Toperngpong e Nadine Antler da Alemanha.

– Charo Lopes, Luciano Barreda, Luciano Cohen, Marcelo Savignone, Omar Argentino Galván e Pau Farias da Argentina.

– Mateus Bianchim do Brasil.

-Monica Moya e Nico Belmar do Chile.

– Daniel Orrantia, Felipe Ortiz, Juan Gabriel Turbay e Mabel Moreno da Colômbia.

-Jorge Rueda da Espanha.

-José Luis Saldaña, Juan Carlos Medellín e Omar Medina do México.

A oportunidade de ver cenas propostas por aqueles que certamente estavam entre os maiores nomes da improvisação mundial, tornaram esse último espetáculo uma torre de babel de atuações, propostas, divertimento em cena e aprendizagem. Destaco, sem querer absolutamente desmerecer ninguém, o encontro antológico de parte do Sucesos Argentinos (Marcelo Savignone e Omar Argentino) que foi das grandes inspirações da improvisação latino americana com a nova geração de talentosos improvisadores argentinos (Improcrash) em cena nesse espetáculo. Memorável e emocionante.

Ao fim do espetáculo, todas as companhias foram merecidamente chamadas ao palco para serem homenageadas e a noite se seguiu com uma grande festa reunindo público, banda e atores num dos eventos mais fantásticos e audaciosos que a Improvisação mundial já assistiu.

Meus parabéns e muito obrigada a todos os amigos chilenos, a produção (meu especial a Andreia e a Loreto), equipe técnica do teatro, aos queridos amigos Monica, Nico, Panqueque e Francisco “Foco” Cerda do Colectivo Teatral Mamut pela hospitalidade, generosidade e iniciativa tão incrível de reunir as grandes companhias e pensadores da Improvisação Mundial da atualidade.

Meus parabéns  e muitíssimo obrigada também a todos os amigos e mestres Frank Totino, Angélica Rogel, José Luis Saldaña, Juan Carlos Medellín, Leonardo Prieto, Omar Medina, Carlos Alberto Urrea Asprilla, Daniel Orrantia, Felipe Ortiz, Juan Gabriel Turbay, Mabel Moreno, Sebastian Rodrigues, Allan Benatti, Cristiano Meirelles, Ernani Sanchez, Marcio Ballas, Marco Gonçalves, Rhena de Faria, Guilherme Tomé, Mario Escobar Olea, Mateus Bianchim, Charo Lopes, Luciano Barreda, Rodrigo Bello, Luciano Cohen, Marcelo Savignone, Omar Argentino GalvánFlorian Toperngpong, Nadine Antler, Ignacio Lopez, Ignacio Soriano e Jorge Rueda, Nacho Mastretta, Suso33. Vocês tornaram essa semana uma grande festa da improvisação mundial, pelas suas capacidades de viver verdadeiramente os conceitos da improvisação por estarem sempre presentes e afirmarem honesta e generosamente a amizade, aumentando e engrandecendo essa enorme corrente da Impro mundial.

Não devo esquecer dos amigos Adonis Camelato (do Olaria GB) e Rafael Protzner (do UMA Companhia) que compartilharam comigo diversão e aprendizagem.

Vimos atuações surpreendentes e impactantes como X- ha Muerto do Complot Escena e  propostas inovadoras como Corten do Impromadrid, que ao final, destacaram-se nesse festival. Mas nos entusiasmamos com o ritmo jovem, talentoso e coeso do Links do Improcrash. Admiramos a habilidade corporal dos colombianos no TellAraña do La Gata Impro. Nos emocionamos com as atuações solo impressionantes dos genios argentinos Omar Argentino Galván e Marcelo Savignone. Chilenos entusiasmados aplaudiram de pé por quase cinco minutos ao final do espetáculo dos nossos mestres brasileiros do Jogando no Quintal com o Caleidoscópio. Casa quase totalmente cheia de espectadores-fãs que ensurdeceram o Teatro Oriente para ver o espetáculo leve, descontraído e conciso com Colectivo Mamut com o Súper Escena.

Mas por fim, o que se destaca são as possibilidades de intercâmbio de conhecimento, discussões, propostas distintas, novas idéias de concepção, formatos, exercícios, teorias,  que foram pipocando aqui e ali entre uma taça de Sauvignon Blanc, uma cerveja Guayacan, um ceviche, uma salada de palta, um sorvete de lucuman, um poema de Pablo Neruda ou uma simples pausa para curtir o sol brando e o vento fresco. A tão inspiradora cidade de Santiago, se tornou cenário para o desenvolvimento dessas idéias que certamente plantaram a semente que desenvolverá, nesse solo fértil de tantos talentos humildemente ainda ávidos por ainda mais conhecimento e exercício da arte, a revolução proposta por essa grande escola e filosofia de vida que é a Improvisação Teatral.

Que esse post seja, mais que uma mera descrição do que foi esse festival, meus sinceros sentimentos a respeito dos oito dias mais emocionantes e edificantes que vivi desde que decidi me aventurar pelo curioso e instigante mundo da Impro.

Muito obrigada improvisadores de todo o mundo.

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Mais um dia impressionante no Festival Internacional Los Improvisadores, no Teatro Oriente em Santiago.

A noite começou com Corten, do Impromadrid da Espanha.

Um cronômetro marca em um enorme telão que cobre todo o fundo do palco, o tempo que os geniais espanhóis terão que improvisar estórias, baseadas em sugestões dadas pelo público. Durante a execução das cenas, os atores gritam Corten: as luzes se acendem e eles definem com a plateia os destinos de seus personagens.

Concepção moderna de cenário, que ainda conta com a improvisação de Suso33 que pinta o cenário durante a construção das cenas.

O espetáculo conta também com a improvisação musical do genial Nacho Mastretta, tocando clarinete e teclado e construindo cenas junto com o grupo.

No espetáculo de ontem, o figurinista do espetáculo, dando cor aos personagens criados foi Omar Argentino Galván, que inclusive já havia feito uma crônica sobre a estreia desse espetáculo em Madrid. É dele também, mas uma de suas incríveis notas, publicada hoje, descrevendo sua experiência com esse festival.

Já conhecidos pela sua habilidade de construção de narrativas e pela sofisticação da concepção de espetáculos, Jorge Rueda, Ignacio Soriano e Ignacio Lopez, construiram um espetáculo refinado, de extremo bom gosto, de execução impecável. Absolutamente inesquecível.

A noite se segue, dando lugar para o espetáculo Más Menos.

O espetáculo foi apresentado pelo brasileiro Mateus Bianchim.

Nesse espetáculo três equipes de quatro jogadores dos vários países convidados, realizavam uma grande cena dividida em três partes.

Após a execução da primeira, no formato e com recursos decididos por cada grupo, com plataformas solicitadas para o público, o público decide se querem assistir a continuação das cenas, dizendo Más (se querem continuar a ver) ou Menos (se não quiserem mais ver as cenas).

As três equipes:

Equipe 1:

Angélica Rogel, do Complot Escena do México.

Carlos Alberto Urrea Lasprilla, do La Gata Impro da Colômbia.

Jorge Rueda, do Impromadrid da Espanha.

Marco Gonçalves, do Jogando no Quintal do Brasil.

Equipe 2:

Juan Carlos Medellín, do Complot Escena do México.

Marcio Ballas, do Jogando no Quintal do Brasil.

Nadine Antler, do Die Kaktussen da Alemanha.

Nico Belmár, do Colectivo Teatral Mamut do Chile.

Equipe 3:

Allan Benatti, do Jogando no Quintal do Brasil.

Charo Lopez, do Improcrash da Argentina.

Felipe Ortiz, do La Gata Impro da Colômbia.

Sergio Panqueque Molina, do Colectivo Teatral Mamut do Chile.

Por fim, somente com camisas 10 em cena, tivemos más para todas elas e vimos as três cenas completas.

Hoje, é um dia com muitas atividades!

Teremos Teatruras , espetáculo infantil do Impromadrid; Vivo, espetáculo solo de Marcelo Savignone e à noite Stage Time com a participação de jogadores de todas as equipes do mundo.

Ontem foi dia de Brasil no Festival Los Improvisadores, no Teatro Oriente, Santiago, Chile.

Apresentou-se Caleidoscópio, do Jogando no Quintal. Allan Benatti, Marco Gonçalves, Marcio Ballas, Rhena de Faria, Cristiano Meirelles e Ernani Sanchez (iluminação) fizeram um trabalho belíssimo, como de costume, nos orgulhando muitíssimo brasileiros, nesse festival.

Para quem não conhece seu formato, o espetáculo inicia com pequenos depoimentos de lembranças vividas nas vidas pessoais de cada um dos improvisadores. Cada estória leva a perguntar para plateia plataformas que vem também de suas vivências pessoais. As cinco plataformas colhidas do público servirão de inspiração para a criação de cinco estórias, que em meio ao espetáculo se entrelaçam.

Mais uma vez me impressionou a beleza das estórias contadas, o poder da criação de imagens, o carisma que ganha facilmente o público e por fim a capacidade de contruir a interligação das estórias de forma tão concisa e ao mesmo tempo tão suave.

A noite se seguiu com o espetáculo Mosaico.

Formato de improvisação em que são solicitadas plataformas ao público que serão utilizadas como inspiração para todas as diversas cenas criadas por grupos distintos de atores que estarão em cena, sob direção de Sergio Panqueque Molina, do Colectivo Teatral Mamut. Foram pedidos uma frase, um lugar, um sentimento, um objeto e algo que caracterizava uma cultura.

Foram convidados 20 jogadores de distintos países.

Alemanha: Nadine Antler e Florian Toperngpong (Die Kaktussen).

Argentina: Omar Argentino Galván (Improtour), Pau Farias e Rodrigo Bello (Improcrash).

Brasil: Guilherme Tomé (É Tudo Improviso e Olaria GB), Marcio Ballas (Jogando no Quintal e É Tudo Improviso), Mateus Bianchim e Rhena de Faria (Jogando no Quintal).

Chile: Mali (Los Improvisadores), Mario Escobar Olea, Monica Moya e Nico Belmár (Colectivo Teatral Mamut e Los Improvisadores).

Colômbia: Daniel Orrantia, Juan Gabriel Turbay e Mabel Moreno (La Gata Impro).

Espanha: Ignácio Lopez e Ignacio Soriano (Impromadrid).

México: Angélica Rogel, José Luis Saldaña e Juan Carlos Medellín (Complot Escena).

 

Hoje é dia de Corten, do Impromadrid da Espanha e Más Menos com participação de integrantes do mundo todo.

Mais um dia incrível no Festival Los Improvisadores, no Teatro Oriente em Santiago, Chile.

Fomos presenteados no dia de ontem com a estreia do espetáculo X-Ha Muerto do Complot Escena, do México.

O espetáculo utiliza como norteador a tradição mexicana de cultuar a memória dos mortos. Diante da morte, os familiares costumam realizar uma reverência em que apresentam pertences que caracterizavam muito o ente que faleceu e se confraternizam.A premissa utilizada no espetáculo é a de que se fale de uma pessoa muito especial, contando de sua vida e de sua morte através de depoimentos pessoais dos familiares e conhecidos.

O espetáculo começa com uma balada muito bonita, tocada com violão solo por Leonardo Prieto.

Segue-se a entrada do protagonista, que vai falar um pouco quem é ele, e depois dele se seguem, um a um os outros que prestam depoimentos de situações vividas cronologicamente em sua vida com o protagonista, por inspirações de frases sugeridas pelo público.

José Luis Saldaña, Omar Medina, Juan Carlos Medellín e Angélica Rogel, tem performances inesquecíveis e irreparáveis.

O lirismo, a dramaticidade teatral e a capacidade de adentrar-se aos personagens e contar as estórias foram emocionantes.

Complot Escena mostra sua face menos cômica e muito mais reflexiva e introspectiva. Uma performance memorável, certamente a melhor de todas as apresentações até esse momento do Festival e digna do unânime entusiasmo de todos aqueles que presenciaram esse espetáculo.

Segue-se a noite do festival com o Cage Match.

Formato americano de improvisação. Nele, ontem quatro equipes de países diferentes foram desafiados a propor uma cena com plataformas e números de jogadores por eles determinados, que deve se encerrar em 20 minutos, onde quer que ela tenha chegado.

O mestre de cerimônias foi Marcio Ballas (Jogando no Quintal e É Tudo Improviso).

As equipes:

Impromadrid da Espanha (Jorge Rueda, Ignacio López e Ignacio Soriano), acompanhados do músico Nacho Mastretta.

Improcrash da Argentina (Charo Lopes, Pau Farias, Rodrigo Bello e Luciano Barreda) acompanhados de Francisco “Foco” Cerda, músico do Colectivo Teatral Mamut.

La Gata Impro, da Colômbia (Carlos Alberto Urrea Asprilla, Felipe Ortiz, Mabel Moreno, Daniel Orrantia e Juan Gabriel Turbay), acompanhados do músico Sebastián Rodriguez.

Colectivo Teatral Mamut (Sergio Panqueque Molina, Monica Moya e Nico Belmár), acompanhados do músico Francisco “Foco” Cerda.

Sagrou-se campeão o Colectivo Teatral Mamut, por voto popular.

Novo formato, novas experiências, tudo muito enriquecedor aqui direto do Chile.

Hoje é um dia especial para nós do Brasil. É dia de Caleidoscópio, do Jogando no Quintal.

Mais à noite, Mosaico.

Omar Galván estreia aquilo que vou chamar no meu blog de coluna de Artigos de Improvisação.

Já inúmeras vezes citado nesse blog, um dos maiores inspiradores de grande parte dessa geração de improvisadores brilhantes, Omar acumula mais de 16 anos de pesquisa e ensino na Improvisação Teatral, e já percorre todo o mundo com o seu Solo de Impro há 10 anos.

Trato aqui de expor minha opinião pessoal. Sua forma de perceber a Improvisação, ensiná-la e fazê-la enquanto arte, não somente humorística mas poética, crítica, onírica e filosófica, fazem dele certamente o mais impressionante improvisador que já vi em cena e em sala de aula.

Falaremos dele mais a frente, quando gentilmente concede uma entrevista, contando suas experiências pelo mundo da Improvisação e pelo mundo todo em si, conhecendo ainda mais pessoas, mais culturas, mais visões da Improvisação, engrandecendo ainda mais seu já tão vasto currículo e repertório.

Abaixo o link diretamente para seu site, com sua “Nota de Improtour”, para que possam lê-la e mais ainda ler as suas demais notas que eu sempre cito e recomendo.

Nota de Improtour: La Excepción Paulista

E logo a seguir, minha tradução na íntegra sobre um pedido que fiz de uma nota sobre sua recente passagem no Brasil, em que fez seu Solo de Impro, acompanhou a gravação do Programa É Tudo Improviso, deu workshops a alunos e aos atores do Jogando no Quintal, Barbixas e É Tudo Improviso e ainda jogou com os Barbixas, Marco Gonçalves e Marcio Ballas o espetáculo Improvável. Passou também pelo Rio de Janeiro, onde também deu workshops e fez seu solo de Impro na Cia. Teatro Contemporâneo.

Nesse artigo, traça um panorama da Improvisação paulista.

Mais uma vez, por essas e tantas coisas que pude aprender, muito, muito obrigada, muchas gracias, mestre Omar Argentino.

A exceção paulista

Existe uma regra jamais escrita no mundo da Impro, em algum ou alguns momentos (meses, anos, décadas) os grupos de uma mesma cidade, devem se dar mal ou muito mal entre si.

Seja por divisões conflitivas, por usurpação de “direitos de autor”, por somas de mal entendidos, por dinheiro desviado, por encontro de egos, ou pela razão que seja, é uma constante em ambas as costas do Atlântico.
Às regras correspondem exceções, e nesse microcosmos de Improvisadores, São Paulo parece ser a exceção. Jogando no Quintal e Barbixas são duas das companhias de improvisação mais exitosas na atualidade latinoamericana, convivem em uma cidade populosa e podem ser exemplo de amizade entre grupos que longe de competir, se complementam. Situação semelhante soubem alcançar o Impromadrid e Jamming na capital da Espanha.
O resultado dessa relação fraternal beneficia o trabalho de um e de outro, o trabalho se multiplica, o que não causa estranheza em ver um Jogando jogar Improvável, dos Barbixas, ou vice-versa.
Com esse ambiente me encontrei na última vez em São Paulo, em minha visita anterior (2008) os Barbixas ainda estavam mais próximos do laboratório que do sucesso atual. No final desse ano, os vídeos dos Barbixas superam as cento e cinquenta milhões de visualizações no youtube. Sim, cento e cinquenta milhões.
Eu tive o prazer de treinar e jogar com os dois grupos paulistas, em todas as oportunidades com mais de quatrocentos espectadores em sala. Inclusive meu Solo de Impro, produzido duas vezes pelo Jogando, encheu pequenas salas com uma divulgação quase exclusivemente virtual.
Os precursores Jogando eram exclusivamente Impro em forma de “clown”; com “Caleidoscopio” deixam o código do nariz vermelho e compõem um dos espetáculos mais belos da Improvisação deste continente. Barbixas é uma potência, precisa e preciosa máquina de “one liners”, se divertem e divertem com um produto cuidadíssimo; produto que é base e apoio para que, ainda portas adentro, investigar outras formas.

Talentosos improvisadores e gente sensível ao mesmo tempo. Não vão por ai se gabando de sua popularidade altíssima, de seus êxitos televisivos, nem de quem teria sido o primeiro esse ou aquele. Contagiam, somam, giram, aprendem, compartilham.

Como o crescimento implica bifurcação, outros grupos e subgrupos em São Paulo dão seus primeiros passos, aproveitando com alegreia e legitimidade a luz as duas companhias fortes vão dando à difusão da técnica.
Prometi a Lala, produtora, fã de Impro, amiga, investigadora incansável, uma nota sobre a atualidade da Impro no Brasil; sirvam essas linhas como minha impressão pessoal sobre a atualidade da Impro em São Paulo.
Em algumas horas, me fará uma reportagem para outro Blog de Impro. Está aqui, no Festival Los Improvisadores do Chile, junto aos Jogando… os Barbixas, por sua vez, terminam o ano de avião em avião fazendo espetáculos por todo Brasil, e em pouco mais de um mês improvisarão em Amsterdã, talvez com algum Jogando de convidado.
Aviões, gente e companhias cruzando-se, cada um com seu estilo, busca e preferência. A Impro vai, e os colegas brasileiros são exemplo acima e abaixo desse cenário, presumo tranquilo de sua amizade.

Omar no Jogando no Quintal

Omar antes de jogar o Improvável

Em seu Solo de Impro

Omar, Panqueque e Monica Moya (ambos do Colectivo Mamut) em divulgação do Festival Los Improvisadores

Hoje no Festival Internacional Los Improvisadores foi dia de TellAraña do La Gata Impro e Match de Improvisação.

Começamos com o espetáculo do grupo La Gata Impro chamado TellAraña.

Num cenário que lembra uma sala de estar, um sofá, um lustre, um vaso de planta, um mancebo, duas cadeiras e um banquinho. Nesse clima aconchegante, o grupo La Gata Impro (Felipe Ortiz, Carlos Alberto Urrea Lasprilla, Juan Gabriel Turbay, Camilo Rodrigues, Daniel Orrantia, Sebastian Rodrigues e Mabel Moreno) entra despretensiosamente no palco, cumprimentando a plateia e estabelecendo com ela uma diálogo cotidiano, na qual sem perceber, vão colhendo plataformas cotidianas que serão utlizadas para criar suas estorias. Essas estorias são interligadas durante o espetáculo, permeado de elementos de realismo fantástico. No início do espetáculo, os objetos de cena saem um a um, deixando o palco livre e esses objetos vão entrando pouco a pouco em cena, complementando o cenário de cada uma delas dentro do seu contexto.

Segue-se o Match de Improvisação.

O match de improvisação é um formato de jogos de improvisação criado por Robert Gravel e Yvon Leduc no Canadá, baseando suas técnicas nas investigações do mestre Keith Johnstone. Após várias experiências com improvisação entre um grupo de atores do Teatro Experimental de Montreal, surge a idéia de uma peça teatral que, como um esporte, fosse único e irreproduzível em cada representação. Em 1977 então se cria um espetáculo desportivo-teatral baseado no Hockey de gelo que com regras apropriadas e dentro de um marco adequado, cria um estado de competição. A LPI (Liga Profissional de Improvisação) de Ricardo Behrens, foi responsável pela popularização no gênero entre os españo hablantes.

O jogo se estabelece entre 2 equipes, em suas regras oficiais composta de 3 jogadores e 3 jogadoras e um técnico. Um árbitro e dois auxiliares cuidam para que o jogo transcorra dentro das normas. Cada partida tem duração de 90 minutos (3 tempos de 30 minutos, com intervalos de 1o minutos entre cada um dos tempos). Cada jogo de improvisação proposto pelo juiz deve delimitar o tema proposto para a improvisação, sendo essas:

1)Natureza da Improvisação:

Comparada: cada equipe joga o mesmo tema separadamente.

Mista: jogadores de ambos os times participaram do tema proposto.

2) Título da Improvisação

3) Número de jogadores

4) Duração da Improvisação

5) Estilo

Existem diversas normas a serem cumpridas e faltas são apitadas quando infringidas tais regras. A contagem de pontos se baseia no voto popular e pontos são perdidos à contagem das infrações cometidas por cada equipe.

O Match teve apresentaçào de Mario Escobar Olea, um dos fundadores do Colectivo Teatral Mamut,  improvisador-professor chileno que esteve nos últimos seis meses no Brasil, trabalhando com companhias como Jogando no Quintal e Barbixas.

O juiz da noite foi Hector Rafael Altamirano, juiz personagem de Omar Argentino Galván, auxiliado por Monica Moya (Colectivo Teatral Mamut) e Mali, ambas do Los Improvisadores.

Os dois times, azul e vermelho, eram composto por seleções de jogadores variados do mundo todo.

O time vermelho era composto por:

Juan Alberto Urrea Lasprilla, do La Gata Impro da Colômbia

José Luis Saldaña, do Complot Escena do México

Guilherme Tomé, do Olaria GB e do É Tudo Improviso, do Brasil

Luciano Barreda, do Improcrash da Argentina

Sergio Molina Panqueque, do Colectivo Teatral Mamut e do Los Improvisadores, do Chile

Ignacio Soriano, do Impromadrid da Espanha.

O time azul foi assim composto:

Juan Gabriel Turbay, do La Gata Impro da Colômbia

Jorge Rueda, do Impromadrid da Espanha

Charo Lopes, do Improcrash da Argentina

Nico Belmar, do Colectivo Teatral Mamut e do Los Improvisadores do Chile

Omar Medina, do Complot Escena do México

Marcio Ballas, Jogando no Quintal e É Tudo Improviso do Brasil.

Além da melhor das seleções de jogadores, com distintas características, a melhor das qualidades técnicas, o espetáculo se torna ainda muito mais atrativo, com as atuações do Mestre de Cerimônias e o trio de arbitragem. Destaque também para Francisco “Foco” Cerda, que é o músico improvisador que faz toda a diferença improvisando junto com as cenas do match.

Sagrou-se campeã a equipe azul com 8 a 4.

Hoje é dia de estreia de espetáculo com X-ha Muerto do Complot Escena do México e Cage Match.

Hoje tivemos mais dois espetáculos geniais no Festival Internacional Los Improvisadores em Santiago no Chile.

Começamos o dia com Links, do Improcrash da Argentina.

Espetáculo do Improcrash tem a sua cara: jovem, rápido, interligado e com grande qualidade técnica e de conexão entre os jogadores. Enquanto Luciano Barreda estava em uma mesa lateral, provido de um computador com conexão à internet e diversos recursos de sonoplastia eletrônica, Paula Farias, Charo Lopes, Rodrigo Bello e seu convidado Omar Argentino (que é criador da concepção do espetáculo) pedem à platéia palavras, frases e sentimentos diversos, que vão dar origem a buscas por vídeos no youtube, que servirão de inspiração de construção de cenas.

Os vídeos os inspiram, e pela intervenção improvisacional de Luciano, interligam-se à cena, não somente legendando-a como também se tornando mais um jogador participando da cena proposta. Utilizando de diversos recursos de humor, excelente interação entre os jogadores e uma enorme capacidade de criar links internos entre as cenas propostas.

O espetáculo tem uma proposta muito moderna, atual e tem execução irrepreensível.

O segundo espetáculo da noite foi o Teatro de Gorilas. Espetáculo criado por Keith Johnstone, um dos formatos do Internacional Theatresports Institute, Teatro de Gorilas é um espetáculo de diretores.

Uma banda de improvisação musical inicia o espetáculo, animada por um saxofonista que é também mestre de cerimônia. Ele aquece a plateia cantando uma canção e convocando o Gorila, que levará o vencedor do campeonato para viajar com ele. Destaco a banda que consegue trazer uma música animada, não perdendo a capacidade de ser extremamente sofisticada.

Cada um dos jogadores desafiados da noite: Omar Medina (Complot Escena/ México), Omar Argentino (Improtour/ Argentina), Ignácio Lopez (Impromadrid/ Espanha), Felipe Ortiz (La Gata/ Colômbia), Monica Moya (Colectivo Mamut/ Chile) e Marcio Ballas (Jogando no Quintal/ Brasil), propõe dois jogos e os dirige para os demais competidores e são avaliados pela plateia como jogos bons ou ruins. Os jogos bons são premiados com banana e os jogos ruins são punidos com um castigo (improvisar cena desafio, por exemplo).

Jogos muitos variados, com diversas propostas absolutamente diferentes (desde uma cena de excluir um jogador da cena até um musical improvisado), diversas oportunidades de desafiar os convidados dentro de suas características e expandir o intercâmbio de conhecimento.

No dia de hoje se sagrou campeão Felipe Ortiz, do La Gata Impro da Colômbia,  vencedor do Teatro de Gorilas.

Mas quem ganhou mesmo, mais uma vez, foi a Improvisação Teatral.

Amanhã é dia de Tell Araña do La Gata Impro e o Match de Improvisação nesse link, já explicado teoricamente por esse blog, entre jogadores selecionados de todo o mundo.

Segundo dia do Festival Los Improvisadores no Teatro Oriente em Santiago, Chile.

Hoje somos presentedos com três espetáculos de Impro.

O primeiro deles é o infantil Macedônia, do Improcrash da Argentina.

Usando roupas esportivas coloridas em duplas, os quatro integrantes (Charo Lopes, Paula Farias, Rodrigo Bello e Luciano Barrreda) entram ao som de uma música eletrônica que nos lembra um jogo de vídeo game, dançando uma coreografia que lembra muito a dinâmica desse tipo de jogo. Logo depois, cada um deles, entra com uma plataforma, que é solicitada ao público, caracterizado de um personagem, que geram cada uma das cenas. Na última cena, crianças são chamadas ao palco para construirem junto com o elenco uma estória improvisada.

O espetáculo é bastante dinâmico tem um ritmo bastante ágil e alegre, cada um dos personagens contruído por cada integrante consegue ganhar a atenção das crianças, que ficam entretidas e concentradas o tempo todo. Um belo e divertido espetáculo infantil.

O segundo espetáculo do dia é o Solo de Impro, de Omar Argentino Galván.

Uma cartola, um chapéu e uma gravata nos esperam no saguão do teatro, penduradas em um mancebo de madeira. Nele, colamos diversas frases e palavras que ajudarão um dos maiores gênios da improvisação mundial a escrever seu solo de impro.

Sob a inspiração  do músico improvisador convidado do dia, Omar começa a tecer sua colcha de retalhos levando a interligar suas estórias através do efeito borboleta. Sendo a segunda vez que assisto, destaco o estilo Cortazar, que finaliza o espetáculo de forma lírica, onírica e sempre impressionante.

O terceiro espetáculo da noite foi o Jam Session.

Apresentado por Nadine Antler (do Die Kaktussen) e Carlos Alberto Urrea (La Gata Impro), improvisadores de 6 países propõem exercícios de improvisação para cada um dos demais colegas de improvisação gerando um intercâmbio de experiências e aprendizado. Alemanha, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e México, representados por Die Kaktussen (Florian Toperngpon), Improcrash (Paula Farias e Luciano Barreda), Jogando no Quintal (Marcio Ballas e Rhena de Faria), Colectivo Mamut (Monica Moya e Nico Belmar) e Improvisadores (Maly) , La Gata Impro (Daniel Orrantia, Juan Gabriel Turbay, Mabel Moreno e Felipe Ortiz) e Complot Escena (José Luis Saldaña e Omar Medina).

Destaque para Marcio Ballas (que se destacou no exercício de eliminação de atores mantendo a mesma estória) exercício proposto por Nico Belmar. Destaque duplo para Felipe Ortiz, pela atuação no surdo-mudo proposto por Tope e na proposta do jogo Todos juntos yá, que integrou todos os participantes ajudando o protagonista José Luis Saldaña a construir uma estória de aventura enquanto apoiadores de cena.

E esse foi só o segundo dia desse festival. Amanhã tem Links (com Improcrash) e Teatro de Gorilas (com todos os participantes do festival).

Cheguei hoje à tarde para acompanhar pessoalmente o Festival Los Improvisadores em Santiago no Chile, uma parceria do canal Viax (e seu exitoso programa Los Improvisadores) e o Colectivo Teatral Mamut.

Logo que cheguei à tarde, acompanhei a reunião das equipes na Sala Chucre Manzur, sede do Colectivo Teatral Mamut. Enorme festa da Improvisação Mundial o encontro das equipes do Colectivo Teatral Mamut/ Chile, Improcrash e Omar Galvan/ Argentina, Complot Escena/ Mexico, Companhia Die Kaktussen/ Alemanha e La Gata Impro/ Colombia. Durante essa tarde foram apresentados para a organização do evento e discutido os formatos dos jogos que serão propostos a todas as equipes, sempre no horário das 22h todos os dias, além de espetáculos das próprias companhias, workshops e discussões técnicas que constam abaixo no programa do evento.

Logo mais à noite assisti o primeiro evento do festival. O espetáculo Mr. Impro, do formato Micetro, proposto por Keith Johnstone e licenciado pelo Internacional Theatresports Institute. O espetáculo é amplamente conhecido e popularizado no Chile pelo próprio time do Colectivo Teatral Mamut como um dos 9 espetáculos propostos pela companhia.

O festival inicia com a abertura do apresentador do programa Los Improvisadores, Juan Jose Gurruchaga, anunciando todos os participantes, o que é acompanhado de uma manifestação empolgada, semelhante as que vejo no Brasil depois do boom da improvisação teatral no Brasil. O Teatro Oriente, com cerca de 700 lugares em sua plateia baixa praticamente estava tomado de fãs, em sua maioria adolescentes, fanáticos por seus atores e pelo programa, grande sucesso do canal Viax no Chile e que popularizou a improvisação chilena entre seu público.

Gurruchaga convoca Mario Escobar Olea, para ser o apresentador do Mr. Impro. Nesse formato, os jogadores foram numerados de 1 a 14 (Los Improvisadores, Jogando no Quintal, La Gata Impro, Improcrash, Complot Escena e Die Kaktussen) e sob a batuta da direção de Omar Argentino e Monica Moya, jogaram diversos jogos de improvisação. Os diretores selecionavam aleatoriamente os jogadores por número e a quantidade de jogadores era definida conforme o jogo (Freeze, Troca de Personagens, Estilos, Musica Homenagem, entre outros). O público elegia através de palmas, notas de 1 a 5, para aquele grupo que participou da improvisação. Os grupos com notas menores eram eliminados da competição.

Ao final, permaneceram Carlos Alberto (La Gata), Tope – Florian Toperngpong (Die Kaktussen) e Sergio Panqueque (Complot Escena). Jogaram cada um, um pequeno solo de Impro, com tema título, sorteado de frases propostas pela plateia. Todos os três fizeram excelentes solos, corporais, com boas estorias, entretanto se saiu vitorioso, Sergio Panqueque.

Muito bom ator, carismático com seu publico com sua boa dose de clown, Panqueque representou muito bem sua casa e foi amplamente apoiado por sua legião de fãs. Apesar de um formato de eliminação por nota de grupo nem sempre causar eliminações justas, os três últimos competidores ficaram ao final com justiça. E mais ainda com justiça, Panqueque se saiu vencedor, coroando o momento de entusiasmo da improvisação teatral no Chile.

Gentil, ao final, Panqueque passa o cetro e coroa a Tope, improvisador alemão que com muita destreza e também carisma, também ganhou o público pelo esforço em improvisar em inglês.

O festival está incrível e só está começando. Farei um diário de bordo contando cada um dos detalhes desse festival nesse blog. Amanhã Macedônia (espetáculo infantil do La Gata Impro), Solo de Impro (Omar Argentino Galván) e Jam Session (com diversos jogadores do mundo).

Seguem fotos do palco e algumas das fotos do espetáculo.

Palco aguardando o início do espetáculo

Entrada dos Los Improvisadores no palco, seguido da manifestação entusiasmada do público.

Mario Escobar Olea, o apresentador do espetáculo.

Os diretores da noite: Omar Argentino Galván e Monica Moya

Apresentação dos jogadores

Jogadores aguardando instruções para o primeiro jogo da noite.

On stage: Mexico (Omar Medina), Brasil (Marcio Ballas), Argentina (Charo Lopez) e Alemanha (Nadine Antler). Direção: Monica Moya.

Tive a felicidade de conhecer Débora Vieira há poucos dias.  Vi pessoalmente, a mesma atriz que imaginava tão apaixonada pelas artes, em particular pela Improvisação Teatral. E é com essa mesma paixão, que ela relata aqui suas impressões sobre esse mundo da Improvisação Teatral e a luta para erguer seu espetáculo Dos Gardenias.

1)      Gostaria que vc começasse resumindo os trabalhos com os quais vc está envolvida hoje.

Eu faço parte da UMA Companhia, de Belo Horizonte, de cuja formação fiz parte. Trabalhamos com improvisação desde 2006, e temos 3 espetáculos em repertório, o Match de Improvisação, no qual eu atuo como jogadora e como juíza, e o Sobre Nós, do qual eu não faço parte, porque, quando da montagem, eu estava montando um outro trabalho de teatro, o espetáculo Cortiços, junto à Companhia de Teatro Luna Lunera, de Belo Horizonte. E, também, nosso último trabalho, que acabou de estrear, o Dos Gardenias Social Club (clipping), trabalho de minha concepção e direção, e no qual também atuo.

Além disso, também ajudo a coordenar as atividades da UMA Escola de Impro, aqui em Belo Horizonte. Oferecemos cursos regulares para pessoas com e sem experiência em teatro, e realizamos, com os alunos, aulas abertas e o espetáculo Mister Impro, na conclusão do semestre.

Minha dissertação de mestrado, em desenvolvimento no Poslit da UFMG, também é sobre improvisação. Eu estudo a dramaturgia da improvisação, propondo um estudo comparativo entre a comédia dell’arte e os espetáculos improvisados na atualidade, mais especificamente o Humor Mierda, do grupo mexicano Complot Escena, e também o Caleidoscópio, do Jogando no Quintal.

2) O que é Improvisação Teatral? Quais são os princípios em que se embasa?
Acho que a improvisação é um banquete composto de comida para todos os gostos… e eu ainda estou desfrutando a entrada. Há todo um mundo a ser descoberto no campo da impro, mas o que mais me instiga é a certeza de que, mesmo quando já estivermos saboreando a sobremesa, isso deve ser feito com os mesmos princípios do começo: a tranqüilidade, a generosidade com o que se experimenta e também com aqueles que compartilham da mesma mesa, a capacidade de degustar cada pedaço de cada prato. Vendo os grupos mais experientes, que muito me inspiram, percebo que toda a perícia e virtuose deles só é possível porque eles se aprofundaram nas premissas básicas da impro: a cumplicidade com o companheiro de cena, a sinceridade consigo mesmo e a disposição para desfrutar do trabalho que se realiza. A partir disso, o que mudam são os desejos artísticos de cada grupo, de cada artista, e é o que vai dar o tom de cada trabalho…


3) Como surgiu a Improvisação na sua carreira?

Surgiu em 2006, sem eu ter necessariamente escolhido isso. A Mariana Muniz, que há pouco havia voltado da Espanha, onde trabalhou durante anos com o Impromadrid, postulou uma vaga para dirigir a montagem do curso profissionalizante de teatro que eu fazia, no Centro de Formação Artística (CEFAR), do Palácio das Artes. Ela nos apresentou a linguagem, o treinamento, e dirigiu o Match de Improvisação. No meu caso, foi uma experiência cheia de altos e baixos, já que eu de cara me defrontei com muitos bloqueios. Mas eu resolvi agarrar o boi pelo chifre, já que tem muitas coisas que me atraem na impro. A impro vicia, não? A sensação de que se pode tudo (ainda que saibamos que não é bem assim…), de que se pode celebrar um encontro a cada cena… Isso é mágico!
Considero, também, que em 2009 a impro surgiu na minha vida por uma segunda vez, quando eu fiz uma oficina com o canadense Shawn Kinley. Na época eu morava no Chile, estudava a impro junto ao Colectivo Mamut, e acho que o encontro com o Shawn mudou todas as minhas perspectivas a respeito dessa linguagem.

4) Recentemente Allan Benatti comentava comigo a dúvida que tinha com relação à escassez de mulheres no Improviso. A que você acha que se deve essa constatação? Quais as contribuições diferentes que a mulher pode trazer para a Impro?

Bom, é uma pergunta curiosa, porque no começo do nosso grupo, éramos 10 atores, dos quais 7 eram mulheres. Quando participamos do nosso primeiro festival internacional, a convite do Jogando no Quintal, vários grupos comentavam o quão feminino era o nosso grupo! No Fimpro, que realizamos em 2008, e depois no Improfestin (Chile), tive contato com inúmeros outros grupos, e pude perceber que, de fato, a impro ainda é uma linguagem predominantemente masculina, e eu penso muito sobre isso. A questão de gênero é algo que me toca profundamente, tenho inclusive uma simpatia muito forte por algumas pensadores e artistas que atuam no campo do feminismo. E, nesse sentido, me coloco sempre a pergunta sobre qual seria uma expressão feminina na impro. Às vezes eu acho que, puxa, temos toda uma história do teatro construída por homens… os diretores, dramaturgos, encenadores, atores… Daí me questiono até que ponto a inserção das mulheres na produção cênica não se fez, também, por uma via masculina. Como se nós tivéssemos entrado para um jogo com as regras já mais ou menos estabelecidas, e não nos restasse muito a não ser seguir essas regras. Claro que falando assim a coisa parece muito rígida, e eu sei que os processos, sobretudo os artísticos, são mais dinâmicos…

Mas nesse campo entra a impro… a maioria imensa das cenas que eu assisto e que tratam, por exemplo, dos padrões de comportamento sexual, o fazem sob uma ótica masculina. E, quando há uma inversão, sinto que trata-se simplesmente de uma inversão que tem como ponto de partida o discurso anterior, ou seja, é uma inversão apenas caricatural, ilustrativa.

E isso me inquieta muito… No primeiro semestre de 2010, inclusive, comecei a desenvolver um trabalho de investigação nesse sentido, aqui em Belo Horizonte, com várias meninas interessadas no tema… 4 atrizes improvisadoras, dentre as quais 2 são palhaças, e uma bailarina. Os encontros foram poucos (a famosa agenda…), mas a vontade de ver qual é ainda é muita.
5) Quem são os improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?
Todos os meninos da UMA Companhia, por seguirmos juntos apesar da falta de recursos; o Assis Vidigal, parceiro na UMA, pela inteligência e generosidade; a Angélica Rogel, do Complot Escena, pela delicadeza forte, pela inteligência dramatúrgica; O Marcio Ballas, do Jogando, e o Panqueque, do Colectivo Mamut, pela eterna capacidade de me surpreender e me fazer sorrir; o Gustavo Miranda, do Acción Impro, pela versatilidade; o Marcelo Savignone, pela inteligência e pela técnica e, finalmente, o Shawn Kinley, mestre em todos os sentidos!
6) Quais companhias no mundo você acredita que hoje fazem os trabalhos mais incríveis?
Atualmente eu ando muito encantada com o trabalho do grupo Complot Escena. Acho que eles têm um domínio técnico incrível, e utilizam essa potencialidade sem abrir mão da diversão e da subversão da própria técnica. Poderia também citar grupos como Loose Moose e Second City, mas acho que prefiro escolher uma inspiração mais acessível, rs.
7) O que mais tem te trazido interesse na Improvisação hoje? Jogos de Improvisação ou Espetáculos mais LongForm?

Long Form. Os espetáculos de jogo – que ainda são a maioria nos repertórios dos grupos da América Latina – me cansaram um pouco, fico com a sensação de que é quase tudo muito igual. Acho que há muitos grupos acomodados com a grande receptividade do público para com essa modalidade. Eu até acho positivo, gosto muito do trabalho de diversos grupos, continuo achando um fenômeno muito significativo para o teatro. Mas no meu caso, já estou a fim de investigar outros matizes da impro…

8) Pra onde vai a Impro? (o futuro)

Acho que ela já está num caminho muito bacana… vejo muita gente se apropriando da técnica e fazendo dela um ponto de partida para investigações de outra ordem, e eu acho que é isso que vai manter essa linguagem viva e sempre interessante!

9) Quais são as dificuldades executivas de um grupo no mercado da  Improvisação? Como a UMA Companhia tem conseguido se estabelecer nesse mercado? Quais são as perspectivas e projetos do seu grupo?

No caso de Belo Horizonte, somos o único grupo que realiza uma pesquisa contínua no campo da improvisação. E acho que, pela nossa formação, e também por nossos anseios artísticos, sempre tentamos nos inserir no mercado teatral em sentido amplo. Nunca pensamos em criar um mercado (de produção ou de público) específico para a impro, o que tem suas vantagens e desvantagens, porque nos vemos num não-lugar criativo e também mercadológico: não realizamos um teatro “comercial” o bastante para termos sempre casa cheia e vivermos de bilheteria, tampouco um teatro “experimental” o suficiente para conseguirmos manter o trabalho do grupo via leis de incentivo.

De qualquer forma, o que eu posso dizer a respeito da realidade do mercado relaciona-se mais com o cenário das artes cênicas do que especificamente da improvisação teatral.

Acho que as políticas públicas para a cultura no Brasil ainda engatinham. No caso de Minas Gerais, engatinham usando patinete: são tímidas e inconstantes. Acho que falta conscientização da classe artística a respeito do potencial mercadológico da produção cultural, e falta também competência aos gestores públicos para perceber que o investimento na cultura gera empregos, circulação de capital, além de uma imensa gama de valores agregados, tudo isso com um baixo impacto ambiental. Paralelamente à escassez de recursos, a demanda por financiamento tem crescido muito… Tudo isso dificulta bastante o nosso trabalho.

No caso específico da impro, eu não disponho de dados concretos para fazer uma análise do mercado da improvisação no Brasil. Acho que poucos grupos conseguem sobreviver do trabalho com a impro atualmente no Brasil.

Nós temos quatro anos de trajetória, e até hoje, posso afirmar que pagamos para fazer o que fazemos. Fizemos neste segundo semestre uma temporada de um mês [sexta a domingo] em um teatro daqui de BH, começamos com uma média super pequena de público e encerramos a temporada com casa lotada. No fim das contas, só conseguimos cobrir as despesas com teatro, divulgação, direção, produção…

Além disso, custeamos um investimento constante em nossa formação: oficinas, participação em festivais nacionais e internacionais (ressalte-se que 4 membros do grupo realizam pesquisas acadêmicas a respeito da impro).

E ainda pagamos aluguel de espaço para ensaiar e financiamos com nosso próprio esforço e dinheiro nossos dois longforms.

A realização do Dos Gardenias Social Club só foi possível porque fomos aprovados em um edital da Cia Clara, de BH, que nos ofereceu local de ensaio e de apresentação, além do material de divulgação.

Conseguimos um apoio de R$2.000,00 e realizamos, na cara de pau, uma vaquinha virtual, pedindo aos amigos que contribuíssem. A vaquinha nos rendeu a grata surpresa de R$1000,00, e com isso pagamos o cenário. Então, com R$3000,00, somados à imensurável dedicação de improvisadores, professores de dança, iluminadores e músicos (que também trabalharam sem receber nada, nem ajuda de custos), conseguimos erguer um trabalho do qual eu tenho muito orgulho… não apenas pelo resultado, mas pelo que significa, hoje, trabalhar com teatro e com impro no Brasil.

Estamos trabalhando incessantemente para reverter este quadro, e temos ótimas perspectivas para o ano de 2011. Evoé, impro!