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Último dia do Festival Internacional Los Improvisadores, no Teatro Oriente, em Santiago. E  cheio. Com 4 eventos no mesmo dia.

Meio dia, começamos com a Charla (bate papo). O convidado foi Rodrigo Malbrán Contre, diretor e fundador da Escuela Internacional del Gesto y la Imagen LA MANCHA.

Malbrán utilizou o espaço para fazer uma mostra de uma hora e meia, dos diversos estágios que passam os alunos durante os dois anos de formação da sua escola, que tem como base a metodologia de Lecoq. Seus graduandos mostraram cenas de utilização de máscara neutra, clown, commedia dell’ arte e por fim o que ele chama de Os Vinte Movimentos.

O trabalho dos alunos é preciso e rigoroso, a construção de cenas primorosa. O trabalho de Malbrán, que muito influenciou a formação dos improvisadores do Colectivo Teatral Mamut, nessa charla, mais do que didático foi umas das melhores possibilidades de entreterimento desse festival.

Seguiu-se às 16 horas a segunda apresentação do espetáculo Teatruras, do Impromadrid da Espanha.

Ignacio Lopez, Ignacio Soriano, Jorge Rueda e o músico Nacho Mastretta novamente fizeram um espetáculo primoroso na construção de estórias, leve, descontraido, ainda mais agradável com a participação das crianças da plateia. Mais sobre Teatruras no post anterior.

O espetáculo com maior sucesso de público do festival, seguiu-se a noite com Súper Escena, do Colectivo Teatral Mamut.

Com Monica Moya, Nico Belmar e Sergio Panqueque Molina, o Colectivo Teatral Mamut mostra a seu público chileno, um espetáculo de improvisação inspirado no cinema.

São propostas três cenas, em três estilos cinematográficos distintos. Os temas são sugeridos pela plateia. Cada uma dessas cenas se inicia e pára num ponto, na qual somente duas delas são eleitas para terem uma continuação. Depois de mais um pouco de desenvolvimento de cada uma das duas estórias, mais uma delas é eliminada, conhecendo o público somente um dos finais.

Espetáculo muito leve, divertido, bem ambientalizado tanto pela luz como pelo seu músico Francisco “Foco”. Os atores têm uma atuação muito forte pela caracterização de seus personagens e pelo seu carisma com o público. Um espetáculo belíssimo.

Fechou-se o festival com uma enorme festa. Teatro de Gorilas. Cada um dos músicos de suas companhias (Francisco “Foco” Cerda-Mamut, Cristiano Meirelles-Jogando no Quintal, Leonardo Prieto-Complot Escena, Nacho Mastretta-Impromadrid e Sebastian Rodrigues-La Gata Impro) e a banda do Teatro de Gorilas, fizeram a trilha sonora e os efeitos sonoros do espetáculo.

Foram 6 os diretores convidados: Ignacio Soriano (do Impromadrid da Espanha), Rodrigo Bello (do Improcrash da Argentina), Carlos Alberto Urrea Lasprilla (do La Gata Impro da Colômbia), Sergio Panqueque Molina (do Colectivo Teatral Mamut do Chile), Marcio Ballas (do Jogando no Quintal do Brasil) e Frank Totino (do Loose Moose do Canadá).

Os jogadores convidados foram:

– Florian Toperngpong e Nadine Antler da Alemanha.

– Charo Lopes, Luciano Barreda, Luciano Cohen, Marcelo Savignone, Omar Argentino Galván e Pau Farias da Argentina.

– Mateus Bianchim do Brasil.

-Monica Moya e Nico Belmar do Chile.

– Daniel Orrantia, Felipe Ortiz, Juan Gabriel Turbay e Mabel Moreno da Colômbia.

-Jorge Rueda da Espanha.

-José Luis Saldaña, Juan Carlos Medellín e Omar Medina do México.

A oportunidade de ver cenas propostas por aqueles que certamente estavam entre os maiores nomes da improvisação mundial, tornaram esse último espetáculo uma torre de babel de atuações, propostas, divertimento em cena e aprendizagem. Destaco, sem querer absolutamente desmerecer ninguém, o encontro antológico de parte do Sucesos Argentinos (Marcelo Savignone e Omar Argentino) que foi das grandes inspirações da improvisação latino americana com a nova geração de talentosos improvisadores argentinos (Improcrash) em cena nesse espetáculo. Memorável e emocionante.

Ao fim do espetáculo, todas as companhias foram merecidamente chamadas ao palco para serem homenageadas e a noite se seguiu com uma grande festa reunindo público, banda e atores num dos eventos mais fantásticos e audaciosos que a Improvisação mundial já assistiu.

Meus parabéns e muito obrigada a todos os amigos chilenos, a produção (meu especial a Andreia e a Loreto), equipe técnica do teatro, aos queridos amigos Monica, Nico, Panqueque e Francisco “Foco” Cerda do Colectivo Teatral Mamut pela hospitalidade, generosidade e iniciativa tão incrível de reunir as grandes companhias e pensadores da Improvisação Mundial da atualidade.

Meus parabéns  e muitíssimo obrigada também a todos os amigos e mestres Frank Totino, Angélica Rogel, José Luis Saldaña, Juan Carlos Medellín, Leonardo Prieto, Omar Medina, Carlos Alberto Urrea Asprilla, Daniel Orrantia, Felipe Ortiz, Juan Gabriel Turbay, Mabel Moreno, Sebastian Rodrigues, Allan Benatti, Cristiano Meirelles, Ernani Sanchez, Marcio Ballas, Marco Gonçalves, Rhena de Faria, Guilherme Tomé, Mario Escobar Olea, Mateus Bianchim, Charo Lopes, Luciano Barreda, Rodrigo Bello, Luciano Cohen, Marcelo Savignone, Omar Argentino GalvánFlorian Toperngpong, Nadine Antler, Ignacio Lopez, Ignacio Soriano e Jorge Rueda, Nacho Mastretta, Suso33. Vocês tornaram essa semana uma grande festa da improvisação mundial, pelas suas capacidades de viver verdadeiramente os conceitos da improvisação por estarem sempre presentes e afirmarem honesta e generosamente a amizade, aumentando e engrandecendo essa enorme corrente da Impro mundial.

Não devo esquecer dos amigos Adonis Camelato (do Olaria GB) e Rafael Protzner (do UMA Companhia) que compartilharam comigo diversão e aprendizagem.

Vimos atuações surpreendentes e impactantes como X- ha Muerto do Complot Escena e  propostas inovadoras como Corten do Impromadrid, que ao final, destacaram-se nesse festival. Mas nos entusiasmamos com o ritmo jovem, talentoso e coeso do Links do Improcrash. Admiramos a habilidade corporal dos colombianos no TellAraña do La Gata Impro. Nos emocionamos com as atuações solo impressionantes dos genios argentinos Omar Argentino Galván e Marcelo Savignone. Chilenos entusiasmados aplaudiram de pé por quase cinco minutos ao final do espetáculo dos nossos mestres brasileiros do Jogando no Quintal com o Caleidoscópio. Casa quase totalmente cheia de espectadores-fãs que ensurdeceram o Teatro Oriente para ver o espetáculo leve, descontraído e conciso com Colectivo Mamut com o Súper Escena.

Mas por fim, o que se destaca são as possibilidades de intercâmbio de conhecimento, discussões, propostas distintas, novas idéias de concepção, formatos, exercícios, teorias,  que foram pipocando aqui e ali entre uma taça de Sauvignon Blanc, uma cerveja Guayacan, um ceviche, uma salada de palta, um sorvete de lucuman, um poema de Pablo Neruda ou uma simples pausa para curtir o sol brando e o vento fresco. A tão inspiradora cidade de Santiago, se tornou cenário para o desenvolvimento dessas idéias que certamente plantaram a semente que desenvolverá, nesse solo fértil de tantos talentos humildemente ainda ávidos por ainda mais conhecimento e exercício da arte, a revolução proposta por essa grande escola e filosofia de vida que é a Improvisação Teatral.

Que esse post seja, mais que uma mera descrição do que foi esse festival, meus sinceros sentimentos a respeito dos oito dias mais emocionantes e edificantes que vivi desde que decidi me aventurar pelo curioso e instigante mundo da Impro.

Muito obrigada improvisadores de todo o mundo.

Mais um dia impressionante no Festival Internacional Los Improvisadores, no Teatro Oriente em Santiago.

A noite começou com Corten, do Impromadrid da Espanha.

Um cronômetro marca em um enorme telão que cobre todo o fundo do palco, o tempo que os geniais espanhóis terão que improvisar estórias, baseadas em sugestões dadas pelo público. Durante a execução das cenas, os atores gritam Corten: as luzes se acendem e eles definem com a plateia os destinos de seus personagens.

Concepção moderna de cenário, que ainda conta com a improvisação de Suso33 que pinta o cenário durante a construção das cenas.

O espetáculo conta também com a improvisação musical do genial Nacho Mastretta, tocando clarinete e teclado e construindo cenas junto com o grupo.

No espetáculo de ontem, o figurinista do espetáculo, dando cor aos personagens criados foi Omar Argentino Galván, que inclusive já havia feito uma crônica sobre a estreia desse espetáculo em Madrid. É dele também, mas uma de suas incríveis notas, publicada hoje, descrevendo sua experiência com esse festival.

Já conhecidos pela sua habilidade de construção de narrativas e pela sofisticação da concepção de espetáculos, Jorge Rueda, Ignacio Soriano e Ignacio Lopez, construiram um espetáculo refinado, de extremo bom gosto, de execução impecável. Absolutamente inesquecível.

A noite se segue, dando lugar para o espetáculo Más Menos.

O espetáculo foi apresentado pelo brasileiro Mateus Bianchim.

Nesse espetáculo três equipes de quatro jogadores dos vários países convidados, realizavam uma grande cena dividida em três partes.

Após a execução da primeira, no formato e com recursos decididos por cada grupo, com plataformas solicitadas para o público, o público decide se querem assistir a continuação das cenas, dizendo Más (se querem continuar a ver) ou Menos (se não quiserem mais ver as cenas).

As três equipes:

Equipe 1:

Angélica Rogel, do Complot Escena do México.

Carlos Alberto Urrea Lasprilla, do La Gata Impro da Colômbia.

Jorge Rueda, do Impromadrid da Espanha.

Marco Gonçalves, do Jogando no Quintal do Brasil.

Equipe 2:

Juan Carlos Medellín, do Complot Escena do México.

Marcio Ballas, do Jogando no Quintal do Brasil.

Nadine Antler, do Die Kaktussen da Alemanha.

Nico Belmár, do Colectivo Teatral Mamut do Chile.

Equipe 3:

Allan Benatti, do Jogando no Quintal do Brasil.

Charo Lopez, do Improcrash da Argentina.

Felipe Ortiz, do La Gata Impro da Colômbia.

Sergio Panqueque Molina, do Colectivo Teatral Mamut do Chile.

Por fim, somente com camisas 10 em cena, tivemos más para todas elas e vimos as três cenas completas.

Hoje, é um dia com muitas atividades!

Teremos Teatruras , espetáculo infantil do Impromadrid; Vivo, espetáculo solo de Marcelo Savignone e à noite Stage Time com a participação de jogadores de todas as equipes do mundo.

Ontem foi dia de Brasil no Festival Los Improvisadores, no Teatro Oriente, Santiago, Chile.

Apresentou-se Caleidoscópio, do Jogando no Quintal. Allan Benatti, Marco Gonçalves, Marcio Ballas, Rhena de Faria, Cristiano Meirelles e Ernani Sanchez (iluminação) fizeram um trabalho belíssimo, como de costume, nos orgulhando muitíssimo brasileiros, nesse festival.

Para quem não conhece seu formato, o espetáculo inicia com pequenos depoimentos de lembranças vividas nas vidas pessoais de cada um dos improvisadores. Cada estória leva a perguntar para plateia plataformas que vem também de suas vivências pessoais. As cinco plataformas colhidas do público servirão de inspiração para a criação de cinco estórias, que em meio ao espetáculo se entrelaçam.

Mais uma vez me impressionou a beleza das estórias contadas, o poder da criação de imagens, o carisma que ganha facilmente o público e por fim a capacidade de contruir a interligação das estórias de forma tão concisa e ao mesmo tempo tão suave.

A noite se seguiu com o espetáculo Mosaico.

Formato de improvisação em que são solicitadas plataformas ao público que serão utilizadas como inspiração para todas as diversas cenas criadas por grupos distintos de atores que estarão em cena, sob direção de Sergio Panqueque Molina, do Colectivo Teatral Mamut. Foram pedidos uma frase, um lugar, um sentimento, um objeto e algo que caracterizava uma cultura.

Foram convidados 20 jogadores de distintos países.

Alemanha: Nadine Antler e Florian Toperngpong (Die Kaktussen).

Argentina: Omar Argentino Galván (Improtour), Pau Farias e Rodrigo Bello (Improcrash).

Brasil: Guilherme Tomé (É Tudo Improviso e Olaria GB), Marcio Ballas (Jogando no Quintal e É Tudo Improviso), Mateus Bianchim e Rhena de Faria (Jogando no Quintal).

Chile: Mali (Los Improvisadores), Mario Escobar Olea, Monica Moya e Nico Belmár (Colectivo Teatral Mamut e Los Improvisadores).

Colômbia: Daniel Orrantia, Juan Gabriel Turbay e Mabel Moreno (La Gata Impro).

Espanha: Ignácio Lopez e Ignacio Soriano (Impromadrid).

México: Angélica Rogel, José Luis Saldaña e Juan Carlos Medellín (Complot Escena).

 

Hoje é dia de Corten, do Impromadrid da Espanha e Más Menos com participação de integrantes do mundo todo.

Omar Galván estreia aquilo que vou chamar no meu blog de coluna de Artigos de Improvisação.

Já inúmeras vezes citado nesse blog, um dos maiores inspiradores de grande parte dessa geração de improvisadores brilhantes, Omar acumula mais de 16 anos de pesquisa e ensino na Improvisação Teatral, e já percorre todo o mundo com o seu Solo de Impro há 10 anos.

Trato aqui de expor minha opinião pessoal. Sua forma de perceber a Improvisação, ensiná-la e fazê-la enquanto arte, não somente humorística mas poética, crítica, onírica e filosófica, fazem dele certamente o mais impressionante improvisador que já vi em cena e em sala de aula.

Falaremos dele mais a frente, quando gentilmente concede uma entrevista, contando suas experiências pelo mundo da Improvisação e pelo mundo todo em si, conhecendo ainda mais pessoas, mais culturas, mais visões da Improvisação, engrandecendo ainda mais seu já tão vasto currículo e repertório.

Abaixo o link diretamente para seu site, com sua “Nota de Improtour”, para que possam lê-la e mais ainda ler as suas demais notas que eu sempre cito e recomendo.

Nota de Improtour: La Excepción Paulista

E logo a seguir, minha tradução na íntegra sobre um pedido que fiz de uma nota sobre sua recente passagem no Brasil, em que fez seu Solo de Impro, acompanhou a gravação do Programa É Tudo Improviso, deu workshops a alunos e aos atores do Jogando no Quintal, Barbixas e É Tudo Improviso e ainda jogou com os Barbixas, Marco Gonçalves e Marcio Ballas o espetáculo Improvável. Passou também pelo Rio de Janeiro, onde também deu workshops e fez seu solo de Impro na Cia. Teatro Contemporâneo.

Nesse artigo, traça um panorama da Improvisação paulista.

Mais uma vez, por essas e tantas coisas que pude aprender, muito, muito obrigada, muchas gracias, mestre Omar Argentino.

A exceção paulista

Existe uma regra jamais escrita no mundo da Impro, em algum ou alguns momentos (meses, anos, décadas) os grupos de uma mesma cidade, devem se dar mal ou muito mal entre si.

Seja por divisões conflitivas, por usurpação de “direitos de autor”, por somas de mal entendidos, por dinheiro desviado, por encontro de egos, ou pela razão que seja, é uma constante em ambas as costas do Atlântico.
Às regras correspondem exceções, e nesse microcosmos de Improvisadores, São Paulo parece ser a exceção. Jogando no Quintal e Barbixas são duas das companhias de improvisação mais exitosas na atualidade latinoamericana, convivem em uma cidade populosa e podem ser exemplo de amizade entre grupos que longe de competir, se complementam. Situação semelhante soubem alcançar o Impromadrid e Jamming na capital da Espanha.
O resultado dessa relação fraternal beneficia o trabalho de um e de outro, o trabalho se multiplica, o que não causa estranheza em ver um Jogando jogar Improvável, dos Barbixas, ou vice-versa.
Com esse ambiente me encontrei na última vez em São Paulo, em minha visita anterior (2008) os Barbixas ainda estavam mais próximos do laboratório que do sucesso atual. No final desse ano, os vídeos dos Barbixas superam as cento e cinquenta milhões de visualizações no youtube. Sim, cento e cinquenta milhões.
Eu tive o prazer de treinar e jogar com os dois grupos paulistas, em todas as oportunidades com mais de quatrocentos espectadores em sala. Inclusive meu Solo de Impro, produzido duas vezes pelo Jogando, encheu pequenas salas com uma divulgação quase exclusivemente virtual.
Os precursores Jogando eram exclusivamente Impro em forma de “clown”; com “Caleidoscopio” deixam o código do nariz vermelho e compõem um dos espetáculos mais belos da Improvisação deste continente. Barbixas é uma potência, precisa e preciosa máquina de “one liners”, se divertem e divertem com um produto cuidadíssimo; produto que é base e apoio para que, ainda portas adentro, investigar outras formas.

Talentosos improvisadores e gente sensível ao mesmo tempo. Não vão por ai se gabando de sua popularidade altíssima, de seus êxitos televisivos, nem de quem teria sido o primeiro esse ou aquele. Contagiam, somam, giram, aprendem, compartilham.

Como o crescimento implica bifurcação, outros grupos e subgrupos em São Paulo dão seus primeiros passos, aproveitando com alegreia e legitimidade a luz as duas companhias fortes vão dando à difusão da técnica.
Prometi a Lala, produtora, fã de Impro, amiga, investigadora incansável, uma nota sobre a atualidade da Impro no Brasil; sirvam essas linhas como minha impressão pessoal sobre a atualidade da Impro em São Paulo.
Em algumas horas, me fará uma reportagem para outro Blog de Impro. Está aqui, no Festival Los Improvisadores do Chile, junto aos Jogando… os Barbixas, por sua vez, terminam o ano de avião em avião fazendo espetáculos por todo Brasil, e em pouco mais de um mês improvisarão em Amsterdã, talvez com algum Jogando de convidado.
Aviões, gente e companhias cruzando-se, cada um com seu estilo, busca e preferência. A Impro vai, e os colegas brasileiros são exemplo acima e abaixo desse cenário, presumo tranquilo de sua amizade.

Omar no Jogando no Quintal

Omar antes de jogar o Improvável

Em seu Solo de Impro

Omar, Panqueque e Monica Moya (ambos do Colectivo Mamut) em divulgação do Festival Los Improvisadores

Essa provavelmente deve ser a  biografia dos Barbixas .Vou me ater à informações contidas em um longo bate papo concedido à UOL e entrevistas. Outra entrevista interessante foi concedida ao Vírgula.

Daniel Nascimento já era amigo de Anderson Bizzocchi. Por gostarem do mesmo tipo de humor, começaram a se apresentar em bares. Em uma viagem à Paris, Andy teria conhecido Elidio Sanna, que estudou física na USP e dava aulas de física, matemática e desenho geométrico (Chat do UOL). Entre eles havia uma grande afinidade pelo gosto no mesmo estilo de humor e resolveram fazer pesquisas em torno de trabalhos como Umbilical Brothers, Rowan Atkinson (e seu personagem Mr. Bean),  Monty Phyton, Gato Fedorento entre outros.

A estréia dos Barbixas teria ocorrido em 01/07/2004 no Teatro Jardim São Paulo com o espetáculo Onde Está o Riso?

Em novembro do mesmo ano, se apresentaram com o espetáculo Em Lata. Seria o primeiro espetáculo integralmente de sua própria autoria.

Em junho de 2005, se apresentaram com o espetáculo 3, na qual havia também vídeos. Nesse momento a trupe se tornou a Cia. Barbixas de Humor, em que não só faziam textos de teatro como esquetes de vídeo e áudio, disponíveis no site.

Em 2008, estrelam o espetáculo Em Breves que também é um espetáculo de esquetes de humor. No mesmo ano, estréiam o absoluto sucesso que é o espetáculo de jogos de improvisação, o Improvável.

Em 2009, os Barbixas levam para a TV, o mesmo formato do espetáculo Improvável, no programa Quinta Categoria, junto com Marcos Mion.

Em 2010, durante os meses de janeiro e fevereiro, apresentaram o programa  É Tudo Improviso, na Band. O programa de jogos de improvisação teatral teve apresentação de Marcio Ballas e contava com os Barbixas e ainda com Marco Gonçalves  (ambos do Jogando no Quintal) e as Olívias Cris Wersom e Mari Armellini. O sucesso do programa acabou por fazer com que houvesse uma renovação desse contrato para uma nova temporada, na qual os Barbixas  não estarão mais fazendo parte do elenco fixo, mas estarão participando do rodízio de convidados muito especiais preparados para o programa que reestreia essa terça feira às 23h15. Mais informações poderão ser conhecidas no seu blog.

Isso porque  a Cia. Barbixas encontra-se em um uma fase de novos e diversos desafios. Segundo também conta o seu blog, há novos projetos com o lançamento do DVD e uma nova websérie. Também estão em cartaz com a terceira temporada no teatro TUCA em São Paulo e em viagens com a Turnê Improvável, percorrendo todo o Brasil.

Nessa entrevista gentilmente concedida por email, Andy fala sobre suas opiniões sobre Impro, mas também discorre sobre seus profundos conhecimentos sobre modalidades esportivas da terceira idade.

Improvisando:  Gostaria que nos desse um resumo das atividades em que está envolvido hoje (teatro, tv, música, tráfico de drogas…)
Anderson: Atualmente é trabalhar com a Cia. Barbixas de Humor. E com isso, eu me envolvo praticamente com várias mídias, TV, teatro, internet. Fora o que todo mundo já sabe, atualmente faço também traduções de manuais sobre curling, um esporte que agora com as Olímpiadas de Inverno. As confusões com a bocha tem que acabar e já!

Improvisando: O que é, no seu entendimento, a Improvisação Teatral? Quais são os conceitos em que se baseia?
Anderson: É você se jogar de paraquedas. É uma das melhores sensações do mundo e na verdade gostaria que ela fosse maior no Brasil. Para mim e muitos outros artistas envolvidos na impro, os principais conceitos são escuta e aceitação. Com eles, uma boa cena é consequência.

Improvisando: Em que momento a improvisação passou a se tornar uma ferramenta de trabalho para você? Como ela entrou em sua carreira?
Anderson: Foi por acaso mesmo. Na tentativa de divulgar nosso trabalho, ele ficou conhecido além do nosso controle na internet. Portanto tivemos que dar um carinho especial para ela, assumir novamente o controle e trabalhar com isso. E como todo trabalho, cada vez mais inovar e buscar estudar mais. Minha avó sempre dizia “Quem espera o pássaro, jamais vai mexer com o estilingue”. Ok, ela não dizia isso, mas seria uma frase boa.

Improvisando:  Segundo reza a lenda, você tinha uma formação absolutamente fora da carreira artística/ teatral. De que forma sua formação influenciou na sua atuação?
Anderson: Não sabia que a lenda era tão religiosa. Não é tão distante assim minha formação. Sou formado em Rádio e TV, assim como Dani, portanto isso ajudou a fazer do Improvável uma websérie.

Improvisando: A Cia. Barbixas de Humor vem de um humor de esquetes, fortemente influenciado pelo Humor britânico e americano. De que forma isso influenciou seu trabalho como improvisador? Como ocorreu essa transição de humor de esquetes para a improvisação?
Anderson: As cenas que a gente faz se tornam naturalmente engraçadas pois nós temos esse sangue correndo. Somos acima de tudo pessoas que trabalham com comédia. Não consigo imaginar um espetáculo de improviso feito pelos Barbixas com uma temática séria. Pelo menos por enquanto. A transição na verdade não houve. Tivemos que nos preocupar com o sucesso que estava surgindo. Por isso chamamos o Marcio Ballas, empurramos ele na parede e falamos “E aí, palhacinho, qualé essa de coisa de improviso aí mermão?” (o sotaque carioca fica por minha conta)

Improvisando:  Quem são os improvisadores que o inspiram na forma de realizar seu trabalho?
Anderson: Vou ganhar uma estrelinha de bom menino. Marcio Ballas, Gustavo Miranda da Colômbia, Ryan Stiles, Omar Argentino. Mudei o modo de ver impro depois de ver o espetáculo solo dele. Sim, isso existe!

Improvisando: Que companhias teatrais fazem trabalhos inspiradores na sua opinião?
Anderson: Seria injustiça não marcar a importância que o Jogando no Quintal teve no espetáculo Improvável. Mas uma companhia que todos falam e que eu ainda não assisti ao vivo e tenho muita vontade é o Impro Madrid. Quem sabe um dia.

Improvisando: O que mais traz interesse a você hoje? Jogos de Improvisação ou formatos long form?
Anderson: Por enquanto acredito que há diversos jogos de Improvisação que eu gostaria de experimentar um dia. Acredito que seja um caminha natural uma vontade posterior de querer fazer um long form.

Improvisando: Que rumos você acredita que deverá tomar a improvisação teatral? No Brasil e em termos mundiais?
Anderson: Vai crescer e torço por isso. Quanto mais gente tentando, aprendendo e experimentando, melhor. Assim, fica mais natural que o Brasil possua mais grupos estudando Improviso. Ele está bem representado com o Jogando, mas acredito que tem espaço para todo mundo. A não ser para o  Dani que não vai caber. (inevitável)

A seguir, vídeos de Anderson em dois momentos: no espetáculo de Improvisação Improvável e na esquete não improvisada Santa Ceia do espetáculo Em Breves.

Marco Gonçalves é plural. Músico, palhaço e improvisador. Atualmente é o palhaço atleta Fonseca do Jogando no Quintal, acabou de cumprir a primeira temporada do programa É Tudo Improviso da Band (aguardando resoluções para uma continuação do programa na grade horária da emissora) e faz parte do elenco rotativo do espetáculo Improvável da Cia. Barbixas de Humor. Nessa entrevista, gentilmente concedida entre suas correrias de apresentações, treinamentos e reuniões, Marco Gonçalves fala um pouco de suas filosóficas impressões a respeito da Improvisação e da vida.

Pode-se saber mais de Marco através do seu twitter. Também, para quem tem uma formação básica de improvisação ou clown, ele iniciará um curso extensivo de Impro no Quintal de Criação às segundas feiras a partir de 12 de abril.

Improvisando: Gostaria que você iniciasse contando um pouco dos caminhos que o trouxeram para a Improvisação Teatral. Sua biografia.

Marco Gonçalves: A verdade é que tenho alguns curriculuns espalhados por aí. Eu digo isso realmente pela lista de coisas que eu fiz. Como estudei pouco o teatro, eu muitas vezes  inventei coisas que eu fiz para conseguir pegar um emprego, para pagar aulas de música. Na verdade minha formação qual é: eu estudo música desde pré adolescente, com professor particular. Na pré adolescência e adolescência eu estudei música de uma forma bem firme na sina de ser um músico mesmo. Daí fiz publicidade mas parei no primeiro semestre. Tinha aquele desejo de ser um criador e tinha a ilusão de que a faculdade de publicidade ia propiciar isso. Descobri na faculdade que não era essa a pegada da publicidade que nela a criação era uma coisa bem pontual e direcionada. Aí me dediquei a ser músico profissional. Saí do Rio Grande do Sul para vir estudar música aqui em São Paulo no Conservatório e não passei. A verdade é que não tava bem preparado, tecnicamente não estava preparado. Bem próximo das provas pro Conservatório descobri que (esse é um dado importante lá na frente eu acho)  não era isso o que eu queria fazer, porque eu não tinha prazer em estudar aquilo. Tinha prazer em trampar em tocar, mas ir pra casa e ficar treinando a parte técnica era uma coisa que não gostava.

Com relação ao palhaço e a Improvisação, entre meus primeiros professores, eu já encontrei meu mestre que é o Marcio Ballas.  Comecei a fazer aula no Galpão do Circo, com uma bolsa conseguida com muita cara de pau. Disse: “Quero muito estudar palhaço, você me dá uma bolsa?” E o Marcio, muito generoso, me deu uma bolsa. Comecei a fazer bastante aula de palhaço com o Marcio e tinha, nos momentos da aula, meus momentos mais bonitos da minha semana em São Paulo. Esperava a semana inteira para vivenciar a aula de palhaço. Sinceramente tinha um pouco de confiança de que aquilo era meu assunto. Fui fazendo outras coisas na vida porque precisava de dinheiro: trabalhei com música para ganhar dinheiro, dava aula em escolhinha para criança de música. Descobri que seria palhaço pela necessidade, precisava fazer grana com isso, o que é bem pouco romântico. Essa é  a parte pouco romântica. Também não tinha família aqui, então entrei numa imersão: andava de palhaço pela Vila Madalena, levava meu nariz no bolso achando que a qualquer momento poderia sacar, como se fosse uma arma.

Eu já tinha uma admiração pelo Jogando no Quintal, eu já tinha assistido e pensava: é isso que eu quero fazer. Aí trabalhei num grupo amador, que por coincidência foi onde conheci a Rhena (de Faria) e a Lu Lopes, que passaram por lá, já profissionais.  Era o Sarau do Charles.

Eu tinha muitos sonhos. Quando me tornei palhaço eu pensava: eu quero ser do Doutores da Alegria para brincar com as criancinhas ou quero ser do Cirque de Soleil. Era o que eu queria muito, muito, muito. E o Marcio sacando minha vontade e usando da sua generosidade, começou a me convidar para acompanhá-lo como músico-palhaço. Tinha uma participação bem pequena, ia lá e tocava, era bem músico mesmo. Pra um músico eu era ruim, mas pra palhaço eu era pior ainda.

A verdade é que os palhaços não sabem fazer nada direito no Brasil. É uma coisa bem brasileira. O prazer de fazer as coisas que é bom para um palhaço, às vezes podem impedir que você se desenvolva. Você sabe mesmo usar sua habilidade? Às vezes não. Mas num palhaço isso cabe. Os palhaços gringos eles tem essa coisa da técnica, os americanos e os europeus, a gente não. A gente não sabe fazer nada. E somos palhaços incríveis.

Eu fui aprendendo a tocar sendo palhaço, não maduro. Aí fui ganhando espaço. E o Marcio (eu vou falar muitas vezes do Marcio porque na verdade ele é minha escola) tinha uma coisa muito legal comigo.  Ele me chamava para as apresentações e dizia assim: Rouba a cena, hein? Quero ver você roubar sua cena. Eu vivia também essa generosidade com o Alessandro (o Charles).

Aí entrei no Jogando, quando o Manjericão (Eugênio La Salvia) foi gravar um curta. Eu fui lá, entrei e nunca mais saí. E achei uma família, uma coisa maior até que o trabalho. É a família que não tinha aqui presente.

Mas falando de sala, e minhas primeiras vivências foi de palhaço, um dos  primeiros palhaços que admirei foi  o Paulo (Federal). E via os treinamentos de  improvisação dele. E eu achava que  eu não consegueria fazer isso. Até porque quando se está do lado dos heróis, você pensa: não serei um herói.

Com o tempo a banda, dentro do espetáculo, começou a ganhar  um tamanho muito grande, e a gente começou a fazer palhaço fora do Jogando. Com a Banda Gigante, que é a banda do Jogando no Quintal, que começou a ter um espetáculo paralelo. Daí comecei a experimentar o que é ser um palhaço e ter o foco, porque no Jogando eu só apoiava. Daí vem a segunda grande pessoa na minha vida que é a Lu Lopes: a gente passou a fazer música como palhaço, o que era incrível. E eu ainda namorava  a coisa de jogar.

Pra encurtar a estória, fiz a banda Gigante alguns anos, e aí num determinado momento, a banda começou a ganhar um caráter de  não ser exatamente o que eu queria. Tocar na banda do Jogando não era mais exatamente o que eu queria. Eu comecei a ter uma demanda de criação. Que pra mim é o assunto do improvisador. A escola de improvisação gera ferramentas para algumas coisas. E eu comecei a ter uma demanda de criação: comecei a não dormir para escrever, comecei a querer mais espaço na Banda, no Jogando, queria mais, queria mais. E era uma coisa que não era vaidade batendo, era uma demanda. Aí decidi que ia ser um ator.

Comecei a estudar improvisação e descobri que é uma coisa que me leva pra sala. Eu vou pra uma sala estudar improvisação e fico horas, sem problemas, amo fazer isso. Estudei com toda essa turma aí, com o Ricardo Behrens, com a Mariana Muniz. Estudei com todo mundo que o Marcio e o Jogando trouxe, recentemente o Shawn (Kinley).

Veio então o Caleidoscópio, e foi aí que experimentei minha primeira criação de um espetáculo. Isso tudo é o que está aos olhos do mundo.

Internamente, que pra mim é o mais importante. Aquilo que sempre me encantou e que o palhaço sempre me propôs que é a busca da liberdade, estou vivendo agora num momento de profunda paixão e amor por essa ferramenta que é pedir um tema, escutar e mandar ver.

A minha escola se confunde com a estória com o Jogando. E hoje com os Barbixas. Eu sou um cara muito da espiritualidade. Eu tive alguns mestres de uma outra área, que falavam muito pra mim: você tem que enxergar o mestre nas coisas do mundo. Eu enxergo nos Barbixas grandes mestres mas não porque eles tem essa postura, ou porque a gente estabeleceu uma relação, mas porque eles criaram uma coisa importante que é o Improvável. Eles trouxeram a mim isso e a um grande público. E eu vivo com eles também hoje essa coisa a que sou grato eternamente.

Falar do meu curriculo, que já tá acabando, é falar de gratidão. Gratidão por onde eu passei, a um monte de gente.

Improvisando: O que para você significa a Improvisação Teatral?

Marco Gonçalves: O que é Improvisação teatral é uma pergunta profunda e difícil. Eu considero uma coisa que me rege, é uma linguagem que consegue colocar a espontaneidade na frente. A espontaneidade é o que rege esse trabalho. Estou dizendo muito mais de sensação. Enfim, mas é algo que tenho prazer em fazer. Vou falar uma frase feita que traduz o que é a improvisação para mim: “Produzir vibrações, rotações, girações, danças, palcos, gravitações, inventar novas metas, e setas que vão disparar novos corações”. Isso pra mim me fala da improvisação hoje.

E também outra coisa que me fala do que é improvisação é o sentido que as mandalas tem. É um trabalho muito preparado e termina no desapego para abrir espaço para outra coisa. E enxergar nesse movimento o sentido da coisa e não o produto em si. A gente produz um número de cenas muito grande e a maioria são geniais e elas se vão.

Enfim, improvisação teatral pra mim é uma coisa que toca os mistérios da vida.

Improvisando: E quais são os princípios da Improvisação que você considera importantes?

Marco Gonçalves: Fundamental são alguns. Como diz a Rhena, escuta, aceitação são coisas profundas. Sou obrigado a repetir. Mas uma coisa que a própria Rhena me trouxe na relação próxima que a gente tem, é que quando a gente fica tratando da improvisação como ferramenta e como jogo, talvez a gente siga estritamente o que as escolas falam (escuta, aceitação). Fica uma coisa puramente técnica. Pra mim o buraco é mais embaixo e a Rhena me chama a atenção pra isso. Ela tem uma imaginação muito grande para a loucura, não a patologia, a doença, mas aquele olhar que é capaz de traduzir de uma forma muito diferente uma coisa que é lugar comum. Eu sempre tento ver a improvisação muito mais como uma arte que como uma linguagem técnica.  Nesse sentido, isso é uma coisa fundamental para o palhaço: o que você está falando para o mundo, aí?

Acho que estou querendo aliar um conceito que é a aceitação, escuta e um desejo de voar, uma certa loucura.

Lembrei agora do Chacovachi, que não foi um mestre, foi um dos professores que passou por aqui. Ele é um mestre para todo mundo, mas pessoal não. Ele diz: “El Payaso tiene que ter hambre”. O palhaço tem que ter sangue “nozoio”, que não necessariamente é ter uma agressividade, pode ser uma coisa bem infantil, ingênua, inocente. Mas é quente, potente, uma combustão.

É isso: escuta, aceitação e combustão.

Mas também tem outra coisa que é: “Quem está improvisando?”

A real é que escutar, aceitar, estar com o corpo pronto, saber jogar os jogos, saber a proposta coletiva de cada grupo e de cada espetáculo é fundamental mas são FERRAMENTAS. O conteúdo que você trará para a cena é uma coisa importante e ao mesmo tempo só pode ser gerado com organicidade, ou seja: quem você é, o que pensa, o que sente e como sente constrói sua fantasia. O que você lê, assiste ou o que te inspira como espectador geram bagagem para criar. O formato Improvável dá espaço para os comediantes, o Jogando para os palhaços, o Tríptico da Colômbia dá espaço a excelentes atores .

Improvisando: Gostaria que você falasse um pouco dessa conexão entre o clown e o improviso. E também da relação entre improviso e a música, que é a sua origem.

Marco Gonçalves: A música me ajudou muito. Conceitos que a música tem como muito fundamentais como linguagem, como ferramentas muito conhecidas, são fundamentais no improviso. Por exemplo, você não enaltece a escuta, ela é uma ferramenta tão básica na música: você não aprecia música sem escuta, você não dança sem escuta e não toca bem com um colega sem escuta, você não aprende a tocar um instrumento sem escuta. A escuta na música é uma perna para um jogador de futebol. Por isso, escutar os colegas era uma coisa muito orgânica pra mim. Quando entrei na escola da improvisação, a escuta já estava ali comigo.

Uma outra coisa que considero importante, a qual o Marcio é bem cuidadoso com esse aspecto na cena é o timing. O Marcio tem muito controle sobre o gráfico da cena: um começo que deixa ela clara, uma apresentação da situação e dos personagens, uma inclinação, um problema, e de repente uma aceleração, uma virada e um fim. A música respeita, seja improvisada ou ensaiada, um gráfico. A música tem uma parte A, B, refrão, AB e um refrão no final.

A música me ajudou no improviso, na escuta e no timing.

O palhaço já me ajuda um pouco a viver, mais que a trabalhar. Fica um pouco fácil fazer uma criação excêntrica, interessante aos olhos do público, quando você vivenciou isso. Só o palhaço tem essa levada, ele é a loucura, ele é o personagem. A gente não faz o palhaço a gente é o palhaço. A gente não é melhor ou pior que nada, a gente simplesmente é.

Quando eu estou fazendo, por exemplo, o Improvável (que é um espetáculo de tiro, de piada), muitas vezes estou fazendo essa piada com o lugar comum. Mas quando estou em cena eu invariavelmente uso o palhaço, mexo no dimer da intensidade mais ou menos.

Por exemplo: O que não fazer numa sorveteria? Eu me reporto a aquele lugar e penso no que espontaneamente seria gostoso fazer. Aí eu junto um pouco com a estória dos meninos que é elaborar uma piada com isso e mato. Pego a matéria prima e coloco o olhar de palhaço em tudo.

O que eu não deveria fazer está casado com o que eu poderia fazer e é proibido. Que é a base do Cenas Improváveis e no programa (É Tudo Improviso) é o Cenas Absurdas.

Outro exemplo: O que não se fazer num velório? Uma mente livre, uma mente não ressentida, que é a mente de um palhaço, uma mente desapegada de padrões e regras,  não faz muita força para  pensar o que não fazer. Ele simplesmente vai lá e faz. Ele cumprimenta o morto, vai lá tira uma com o morto. É como já falei com minha mãe e com meu pai. Na ocasião a gente vai se divertir na brincadeira, vamos beber o morto.

Improvisando: Quem são os Improvisadores que o inspiram na realização do seu trabalho?

Marco Gonçalves: Poxa, aí vem muitas coisas na cabeca. E vem um desejo de ser político…

Improvisando: Eu penso em termos de referência…

Marco Gonçalves: Hum… Paulo Federal, Marcelo Savignone, Marcio Ballas (sempre), Rhena de Faria. Fora do improviso, esses dias vi o Pedro Cardoso, achei arrebatador. Dos mexicanos, o José (Luis Saldaña), acho sensacional. Mas de todos, o último que me impressionou mais foi o Marcelo Savignone porque ele é o cara que toca, canta. Ele é desesperador, ele é multi, você conversa o cara, ele conta que  estuda diariamente horas, e é um maluco.

Enfim, eu deixaria essas pessoas, mas isso vale pra hoje. Respeitando o agora.

Improvisando: E com relação às companhias teatrais?

Marco Gonçalves: Todas. De improvisação, eu gosto de todas. Das ruins e das boas.

Pode parecer uma prepotência, mas tenho muito respeito por quem trabalha. Gosto dos Barbixas, Jogando no Quintal, . Em termos de Brasil ainda tem o pessoal de Belo Horizonte, o Imprópria, o Protótipo. Eu tenho muito respeito por você.

Improvisando: Eu não pertenço a nenhuma companhia…

Marco Gonçalves: Mas não digo em termos institucionais, eu tenho respeito por quem tá dando um gás pelo assunto. Quem tá afirmando a Improvisação.

Falando do programa, por exemplo,tentar pegar essa linguagem e torná-la mais popular. Deixar mais gente afim de fazer. Isso poderia ficar como um desejo individual do Marcio, que quer a improvisação no Brasil, ou os Barbixas. Mas é um desejo de muitos, uma força que se espalha.

Fora isso  Impromadrid, Complot/Escena, Loose Moose, LPI Argentina.Vou acabar esquecendo alguém, enfim…

Improvisando: Gostaria que você falasse um pouco com relação a seu interesse em formatos de improvisação. Você hoje tem uma preferência entre formatos longos ou formatos desportivos de improvisação?

Marco Gonçalves: Eu acho tudo importante. Os espetáculos que tem como base jogos de improviso e espetáculos de long form que tenha uma premissa e a improvisação. É que em termos de jogos já existe o Improvável, o Jogando, outras trupes, o programa e acaba meio que virando lugar comum.

O long form acaba virando um desafio hoje em dia. A gente tem pretensões muito altas: não quer ter uma estória boa porque é improvisada, mas uma estória que seja digna de ser encenada várias vezes.

Fora de cena é bacana você ser bem pé no chão, mostrar que o que estou fazendo qualquer um que queira muito poderia fazer. Mas quando digo muito, queira muito mesmo, se dedique.

Em cena acho essa coisa da pretensão bem legal. Às vezes a gente tem uma coisa no long form, em que a gente desafia um ao outro, causando uma sensação ímpar na platéia. Imagina criar uma atmosfera, uma estória que tenha uma trama que de repente possa ser sensual para a platéia. Uma arte transformadora que pode te levar a outro lugar.

Hoje os espetáculos de jogos buscam a piada, um lirismo e na verdade, já tem bastante missão só nisso.

O horizonte do long form é outro. Talvez ele me seja mais atraente, mas ele nao é melhor que o curto, talvez ele até seja um pouco pior. Pro grande público ele talvez seja menos divertido. O público tá afim de ver um desafio mais cirúrgico.

O long form só está mais atraente, mais sedutor pra mim hoje em dia.

Improvisando: Em termos futuros, o que você espera da Improvisação?

Marco Gonçalves: De forma prática,  um número maior de grupos fazendo, uma disseminação mesmo. Eu acho que vai acabar acontecendo, tomara a Deus. Com isso, irão surgir novas formas de fazer, grupos com identidade cada vez mais única, com trabalhos cada vez mais autorais. Isso do ponto de vista comercial.

Do ponto de vista filosófico, que é o que me pega mesmo.  Eu sinto que tem uma coisa que amarga a vida um pouco que é a própria diversão que é trocada pela obrigação. E a vida cheia de obrigações é dificil . Ela é dificil para qualquer um. Mesmo para aquele que gosta, que faz determinadas coisas porque gosta de cumprir aquela obrigação.  Mas tem outras possibilidades e é esse que é o barato.

Não estou falando que a improvisação tenha a ver com descompromisso. A improvisação tem a ver com dar vazão a espontaneidade. E a espontaneidade é o contrário da obrigação. E quando você gera mais espaço para dar vazão a essa espontaneidade, você tem uma ferramenta prática, potente e verdadeira e não uma falácia. Você ouve: temos que melhorar o mundo. Mas como se faz isso?

Mas respondendo à sua pergunta, quando eu vejo meu pai altamente envolvido com a piada, não porque riu, pelo interesse na piada em si…  As pessoas me ligam, me procuram, projetando um desejo de fazer a mesma coisa. Tenho recebido muito email,  muito twitter dizendo: você poderia ter feito aquilo tal hora. Eu procuro responder: então vamos fazer, eu quero fazer isso com você. Esse convite tem a ver com um chamado: vamos brincar!  Isso pra mim tem a ver com a missão da improvisação. Que passe a trazer essa força da espontaneidade com o tempo.

A seguir, Marco Gonçalves em 3 momentos incríveis: Improvável, É Tudo Improviso e Jogando no Quintal.

Essa provavelmente deve ser a  biografia dos Barbixas .Vou me ater à informações contidas em um longo bate papo concedido à UOL e entrevistas. Outra entrevista interessante foi concedida ao Vírgula.

Daniel Nascimento já era amigo de Anderson Bizzocchi. Por gostarem do mesmo tipo de humor, começaram a se apresentar em bares. Em uma viagem à Paris, Andy teria conhecido Elidio Sanna, que estudou física na USP e dava aulas de física, matemática e desenho geométrico (Chat do UOL). Entre eles havia uma grande afinidade pelo gosto no mesmo estilo de humor e resolveram fazer pesquisas em torno de trabalhos como Umbilical Brothers, Rowan Atkinson (e seu personagem Mr. Bean),  Monty Phyton, Gato Fedorento entre outros.

A estréia dos Barbixas teria ocorrido em 01/07/2004 no Teatro Jardim São Paulo com o espetáculo Onde Está o Riso?

Em novembro do mesmo ano, se apresentaram com o espetáculo Em Lata. Seria o primeiro espetáculo integralmente de sua própria autoria.

Em junho de 2005, se apresentaram com o espetáculo 3, na qual havia também vídeos. Nesse momento a trupe se tornou a Cia. Barbixas de Humor, em que não só faziam textos de teatro como esquetes de vídeo e áudio, disponíveis no site.

Em 2008, estrelam o espetáculo Em Breves que também é um espetáculo de esquetes de humor. No mesmo ano, estréiam o absoluto sucesso que é o espetáculo de jogos de improvisação, o Improvável.

Em 2009, os Barbixas levam para a TV, o mesmo formato do espetáculo Improvável, no programa Quinta Categoria, junto com Marcos Mion.

Em 2010, durante os meses de janeiro e fevereiro, apresentaram o programa  É Tudo Improviso, na Band. O programa de jogos de improvisação teatral tem apresentação de Marcio Ballas e conta ainda com Marco Gonçalves  (ambos do Jogando no Quintal) e as Olívias Cris Wersom e Mari Armellini.

A Cia. Barbixas de Humor acaba de dar mais um novo salto. Nesse último fim de semana gravou o DVD Improvável durante suas apresentações na Turnê Improvável em Santo André. Também reestréiam a terceira temporada no teatro TUCA em São Paulo.

A seguir, uma entrevista concedida por email, já que sua camisa quadriculada estava na lavanderia e ele não poderia aparecer sem ela.

Improvisando:  Gostaria que nos desse um resumo das atividades em que está envolvido hoje (teatro, tv, musica, trafico de drogas…)

Elidio Sanna: Atualmente faço papel de carta.

Improvisando: O que é, no seu entendimento, a Improvisação Teatral? Quais são os conceitos em que se baseia?

Elidio Sanna: A improvisação, doravante intitulada “impro”, é uma vertente teatral que exige que o ator seja seu próprio diretor, dramaturgo e roteirista, enquanto atua. Logo, o público consegue, ao assistir um bom espetáculo de impro, admirar náo só a peça, mas também um virtuosismo quase circense dos improvisadores.
Simplificando muito, impro é feeling. As melhores cenas são as que estamos de tal maneira envolvidos, que encenamos sem pensar muito, apenas sentindo a cena e regindo, apoiados nesse feeling. Treinamos aceitação, escuta, coro, dramaturgia, etc. para que nosso feeling nos leve a fazer sempre as melhores escolhas.

Improvisando:  Em que momento a improvisação passou a se tornar uma ferramenta de trabalho para você? Como ela entrou em sua carreira?

Elidio Sanna: Desde que eu dava aulas eu já improvisava. É muito comum os professores não saberem uma resposta. Nestas horas, improvisamos uma. A Impro já era ferramenta de trabalho, mas minha carreira como professor não tinha muito futuro.

Todo humorista tem que improvisar um pouco para saber lidar com o público, mas a impro como linguagem só entrou em minha vida quando montamos o “Improvável” mesmo.

Improvisando: Segundo reza a lenda… urbana, você tinha uma formação absolutamente fora da carreira artística/ teatral. De que forma sua formação influenciou na sua atuação?

Elidio Sanna: Eu corrijo os erros fisico-quimicos dos meus colegas em cena. Eles não gostam muito.

Improvisando: A Cia. Barbixas de Humor vem de um humor de esquetes, fortemente influenciado pelo Humor britânico e americano. De que forma isso influenciou seu trabalho como improvisador? Como ocorreu essa transição de humor de esquetes para a improvisação?

Elidio Sanna: Fazemos improvisações comicas. Por mais que em nossos treinos fiquemos preocupados somente em realizar melhores dramaturgias, personagens, histórias, relações, não conseguimos não fazer piadas. Isso é culpa do professor linguiça e das nossas experiências anteriores.

Improvisando:  Quem são os improvisadores que o inspiram na forma de realizar seu trabalho?

Elidio Sanna: Gosto de muitos improvisadores. Mas os que me inspiram a fazer meu trabalho são meus parceiros de cena. Estes que realmente vão me inspirar, dentro e fora de cena.

Improvisando: Que companhias teatrais fazem trabalhos inspiradores na sua opinião?

Elidio Sanna: Gosto muito do trabalho do Accion Impro, do Colectivo Mamut, do Jogando no Quintal, o grupo dos mexicanos (Complot/ Escena), esqueci o nome. Enfim, são muitos…

Improvisando: O que mais traz interesse a você hoje? Jogos de Improvisação ou formatos long form?

Elidio Sanna: Tenho muita vontade de fazer um long form, mas acho que ainda vai demorar um pouquinho para que façamos o nosso primeiro. Acho que sempre vou me interessar pelos jogos, gosto muito deles e de pistache.

Improvisando:  Que rumos você acredita que deverá tomar a improvisação teatral? No Brasil e em termos mundiais?

Elidio Sanna: Vejo ótimas perspectivas da impro no Brasil, muitos grupos aparecendo, novos formatos e acredito que formemos uma escola tupiniquim de improvisação, com características próprias. No resto do mundo é difícil dizer, afinal de contas a terra, em área, é quase 18 vezes maior que o Brasil.

Elidio Sanna
Bela bosta!

A seguir, Elidio em dois momentos sensacionais de Cenas Improváveis:

Quando pedi a Mari Armellini uma entrevista sobre Improvisação Teatral, através de email, ela decidiu responder-me de forma bem particular.
Ela disse: “Vou ser bem sincera: eu engatinho na improvisação. Vou resumir a minha história com a impro e você veja o que dá pra fazer!”
Criativa e genial, essa que diz tão jovem improvisadora, mas com um histórico de anciã, me concedeu praticamente um artigo, que publico na íntegra, não querendo perder nenhum detalhe do seu raciocínio “palitante”. Lembro que quando concedeu a entrevista, Mari ainda não havia estreiado na televisão. Portanto, atualizando seu atual currículo, Mariana Armellini está em temporada com suas colegas As Olívias no espetáculo As Olivias Palitam e nas telas da rede Bandeirantes com o programa É Tudo Improviso. Também se mantém como uma das principais convidadas do espetáculo de Improvisação Improvável da Cia. Barbixas de Humor. Pode-se também segui-la no Twitter.
“Eu sou atriz, formada pela Escola de Arte Dramática (EAD/ECA – USP).
Antes disso, fiz teatro amador por 8 anos (desde 1993).  Nesse período, os exercícios de improvisação da Viola Spolin eram muito utilizados, mas como exercícios para a atuação propriamente dita.
Dentro da EAD, tive aulas com a  Cristiane Paoli Quito, que trabalhava a improvisação dentro dos espetáculos, como um exercício coletivo – nós ensaiávamos as cenas, criávamos os personagens, mas as “costuras”, a dramaturgia do espetáculo era criado na hora, pelos atores. Com essa técnica, fizemos “Hamlet” (de William Shakespeare), em 2002 e “O Inspetor Geral”  (de Nikolai Gógol), em 2003. A Quito é uma profissional muito reconhecida por seu trabalho com palhaços e também com a improvisação. Cheguei a fazer 6 meses do curso dela de palhaço – muito difícil mas extremamente importante.
Ainda na EAD, tive um professor – que depois dirigiu meu espetáculo de formatura – chamado Antônio Januzelli, o Janô. Ele é considerado um mestre de improvisação, mas não como você conhece – exercícios de cena. As aulas dele priorizavam as relações, nós criávamos relações por horas, sem falas, só trabalhando sensações e corpo. O trabalho dele consiste em levar o ator a chegar em um “estado”, a partir do qual ele seria capaz de realizar qualquer coisa. Esse “estado” é a base da pesquisa dele, e acabou gerando em minha turma um desejo enorme de continuar esse estudo – o que nos levou ao espetáculo “Oito”, dirigido pelo Janô e pela Juliana Jardim, que foi, como eu disse, nosso espetáculo de formatura na EAD.
Depois disso, a improvisação só existia para mim para criar as cenas das Olívias, grupo que formei ainda dentro da EAD. Dentro de nosso espetáculo, As Olívias Palitam, temos um momento de improviso diferente: nós conversamos com o público a partir de temas da atualidade dados por eles.
Quando os meninos dos Barbixas me chamaram para fazer o primeiro Improvável, em novembro de 2007, tudo o que eu tinha era essa formação e a referência do Whose Line, que eu assistia e admirava.
Não fiz nenhum treinamento extra para fazer o primeiro Improvável.
Depois disso, quando conversamos sobre a possibilidade deles continuarem com esse espetáculo e formarem um grupo de convidados preparados para esse tipo de improvisação, comecei a ter treinamentos com o Marcio Ballas – que hoje considero meu mestre dentro da impro.
Fiz workshops com Gustavo Miranda,   (do Acción Impro) da Colombia, e Shawn Kinley, (do  Loose Moose) do Canadá. E sigo treinando com o grupo que acabou se formando a partir do Improvável – que seriam os Barbixas, o Marcio Ballas, o Marco Gonçalves, a Cristiane Wersom, a Marcela Leal e Alan Benatti.
Portanto, não sei dizer quais são os melhores grupos do mundo, não sei dizer o que me inspira (além dos espetáculos Jogando no Quintal e do Caleidoscópio) e não sei definir as bases da improvisação! Apesar de estar nessa há 2 anos, eu engatinho!
O que posso dizer é que o treinamento de impro tem refletido de maneira muito positiva no meu trabalho como atriz – nos longas que eu fiz, em outros espetáculos e mesmo dentro das Olívias.
Por enquanto, ainda estou debruçada no estudo das cenas curtas e jogos de “tiro”, mas adoraria um dia estudar e ser capaz de realizar um long form.
Para terminar, só para te situar no que ando fazendo: continuo com As Olívias – realizando nosso espetáculo As Olívias Palitam e fazendo vídeos curtos para a intenet (uma websérie chamada As Olívias Queimam o Filme). Faço o Improvável como convidada. Em 2009, fui atriz convidada do Grupo XIX de Teatro, para realizar viagens com o espetáculo Hysteria. Na TV, fiz alguns comerciais e participações em programas e no cinema, participei de alguns longa-metragens.”
Seguem dois vídeos: um da websérie das  Olívias, no seu canal do You Tube e mais uma de suas muitas participações geniais no Improvável.

Apesar de saber que a biografia dos Barbixas é sempre uma incógnita, vou me ater à informações contidas em um longo bate papo concedido à UOL e entrevistas. Outra entrevista interessante foi concedida ao Vírgula.

Daniel Nascimento teria feito faculdade de Rádio e TV, já sendo amigo de Anderson Bizzocchi e tendo uma inclinação ao humor, se apresentavam em bares. Em uma viagem à Paris, Andy teria conhecido Elídio Sanna. Entre eles havia uma grande afinidade pelo gosto no mesmo estilo de humor e resolveram fazer pesquisas em torno de trabalhos como Umbilical Brothers, Rowan Atkinson (e seu personagem Mr. Bean) e Monty Phyton, entre outros.

A estréia dos Barbixas teria ocorrido em 01/07/2004 no Teatro Jardim São Paulo com o espetáculo Onde Está o Riso?

Em novembro do mesmo ano, se apresentaram com o espetáculo Em Lata. Seria o primeiro espetáculo integralmente de sua própria autoria.

Em junho de 2005, se apresentaram com o espetáculo 3, na qual havia também vídeos. Nesse momento a trupe se tornou a Cia. Barbixas de Humor, em que não só faziam textos de teatro como esquetes de vídeo e áudio, disponíveis no site.

Em 2008, estrelam o espetáculo Em Breves que também é um espetáculo de esquetes de humor. No mesmo ano, estréiam o absoluto sucesso que é o espetáculo de jogos de improvisação, o Improvável.

Em 2009, os Barbixas levam para a TV, o mesmo formato do espetáculo Improvável, no programa Quinta Categoria, junto com Marcos Mion.

Em 2010, aguardamos ansiosos a estréia, logo mais dia 11 de janeiro, do É Tudo Improviso, na Band. O programa de jogos de improvisação teatral é apresentado por Márcio Ballas e conta ainda com Marco Gonçalves  (ambos do Jogando no Quintal) e as Olívias Cris Wersom e Mari Armellini.

Improvisando: Gostaria que vc começasse falando dos trabalhos nos quais  está envolvido hoje.

O que faço atualmente é trabalhar com a Cia. Barbixas do Humor. Este é o meu trabalho principal. É nisso que fico pensando o tempo inteiro.
Recentemente criamos um espetáculo chamado “Improvável” que ficou muito grande. Virou a maior e mais famosa websérie do Brasil e é um dos canais mais vistos do mundo no Youtube. Por essa razão estamos viajando com o espetáculo e apresentando o nosso trabalho em outros estados em sessões esgotadas antes mesmo da gente chegar na cidade.
O Improvável nasceu de uma vontade do Andy de fazer algo parecido com o Whose Line is it Anyway?. Era para ser uma brincadeira! E é até hoje, se você for parar pra pensar…
A websérie das Olívias foi um presente que elas me deram. Eu sou formado em Rádio e TV e gosto muito de dirigir. Comentando isso com elas recebi o convite de dirigir os textos que elas tinham (que eu acho ótimos) e transformar numa websérie.
O Quinta Categoria é o primeiro programa de jogos de improviso da tv brasileira. Foi uma tentativa meio torta de passar o Improvável para a tv.

Improvisando: O que é Improvisação Teatral? Quais são os princípios em que se embasa?

Improvisação no teatro é algo bem comum em outros países no mundo. Da mesma forma que se pode improvisar na música, na pintura (OBS do entrevistador: “A execução na pintura deve sempre ter improvisação.”  – Eugène Delacroix), pode-se improvisar no teatro também.
Como todos sabem, nada acontece no improviso sem escuta, proposta e fruta do conde.
Improvisando: Como surgiu a Improvisação na sua carreira?
Foi completamente do nada. Era para ser só um projeto baseado no Whose Line para a gente apresentar para amigos e familiares. Do nada reparamos que estavamos popularizando o improviso no Brasil e pensamos “Eita… tá na hora de aprender a fazer!”.
Chamamos o mestre no assunto, Marcio Ballas, e ele abriu uma porta para um universo que a gente não sabia que existia! Agora é correr atras!
Improvisando: De que forma aconteceu a transição do trabalho dos Barbixas que faziam esquetes no estilo Monty Phyton para a Improvisação Teatral?

Em fade mesmo. Page peel é meio brega.

Improvisando: Quem são os Improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?
No Brasil eu tive um leve empurrão do Caruso (Fernando Caruso) (do Zenas Emprovisadas) mesmo sem ele saber.
Mas no começo mesmo, quando ainda não tinha nada disso, a gente gostava mesmo do elenco do Whose Line.
Mais para frente conhecemos o Marcio Ballas, que é o nosso treinador. Ele é, na minha opinião, a pessoa mais importante do mundo da improvisação no Brasil. Ele está na ponta do processo puxando todo mundo. Tem dois espetáculos de improviso: um que influenciou muito a gente (o Jogando no Quintal) e um de long form que é impressionante, o Caleidoscópio.
Os improvisadores do Jogando e do Caleidoscópio são grandes fontes de inspiração pra gente. Assim como os convidados do Improvável.
Recentemente tivemos contato com grupos da América Latina (México, Colômbia, Chile, Argentina, Uruguai) que estão muito na nossa frente em matéria de técnica e dramaturgia.

Improvisando: Quais companhias no mundo você acredita que hoje fazem os trabalhos mais incríveis?

Cada grupo que conheci tem um trunfo. Os Mexicanos mostraram um trabalho baseado em relações com dramaturgia complexa, mostrando a negação como inclinação para uma cena. Os Colombianos são extremamente rápidos e vertiginosos. Conseguem em milésimos de segundo construir personagens incríveis. Os Chilenos são extremamente criativos e leves em cena (se parecem muito com os brasileiros, aliás!). E assim vai e vai….

O que mais impressiona é que todos tem um trabalho incrível em algum aspecto e constantemente fazem pesquisas com o seu estilo. É muito bom saber que quem faz não está parado achando que já sabe tudo. Estão em constante movimento e aprendizado.

Improvisando: O que mais tem te trazido interesse em Improvisação hoje? Jogos de Improvisação ou espetáculos mais long form?

Quero muito mais pra frente montar um long form. Mas gosto muito dos dois estilos. Me divirto sempre.

Improvisando: Quais os princípios da Improvisação que são hoje mais motivo de investimento e pesquisa no mundo?
Como?
Improvisando: Para onde vai a Impro? (O Futuro)

Espero que apareçam vários grupos fazendo vários espetáculos e que ela fique mais e mais popularizada no Brasil e no mundo!
Se os principios básicos de impro estiverem presentes em todos esses grupos, o movimento vai fazer crescer a vontade de consumir bons espetáculos e muitos bons atores vão aparecer por aí.

Apesar da escolha difícil, publico aqui dois vídeos prediletos: o primeiro o Merchan do espetáculo Improvável e o Restaurante de Quinta do programa Quinta Categoria.

Durante sua formação na EAD/ USP, Cris Werson se reuniu a outras três “magrelas” Mari Armellini, Renata Augusto e Sheila Friedhofer também donas de um “humor fino” (como elas mesmo se autodenominam) e fundaram a As Olívias Soluções em Comédia. Seu primeiro espetáculo As Olívias Palitam estreiou no N.Ex.T Cabaré em 2005, onde rapidamente ganhou o público. Em 2006, fizeram temporadas no Teatro Folha, no Espaço Parlapatões e no Teatro Tim (Campinas). O espetáculo é composto de esquetes variadas, dentre elas paródias musicais como Longelíneas Demais.

Também se destaca o quadro que dá nome ao espetáculo, no qual assuntos importantes da semana, são improvisados na interação com a platéia.

Em 2006, foram convidadas para participar do Projeto Nunca se Sábado, um projeto no qual, semanalmente, três companhias de comédia disputavam os votos do público. As duas melhores companhias voltavam na semana seguinte. As Olívias permaneceram o tempo máximo de oito semanas e ainda foram convidadas para uma participação especial no fim da temporada.

Recentemente as Olívias fizeram participações excelentes no Farsas de Natal e no Missa do Galho, espetáculos de Natal dos Parlapatões.

Atualmente as Olívias se dedicam à websérie As Olívias Queimam o Filme, sob direção de Dani Nascimento (da Cia. Barbixas de Humor), com participações especiais de Rafinha Bastos, Rafael Cortez entre outros. Também tem um twitter (@asOlivias) com 6500 seguidores. Cada uma também tem seu twitter pessoal: Cris (@CrisWersom), Mari (@MariArmellini), Renata (@RenataAugusto) e Sheila (@SheFriedhofer).

Já Cris Wersom, e também a olívia Mari Armellini, vem desde o ano passado também fazendo participações como atriz improvisadora convidada dos Barbixas no espetáculo Improvável .

Dia 11 de janeiro, junto à Mari Armellini, os Barbixas e os palhaços atletas do Jogando no Quintal (Marco Gonçalves e Márcio Ballas), Cris estréia o Programa É Tudo Improviso, em princípio nas segundas às 22h15 na Band, cobrindo as férias do humorístico CQC.

Essa entrevista foi concedida, por email, em fins de novembro, ainda antes do lançamento da websérie e antes de oficializada informações sobre o programa da Band. Bastante divertida e honesta, Cris Wersom mostra, em suas respostas, um pouco de suas “palitadas” estridentes de “humor fino”.

Improvisando: Gostaria que você falasse dos trabalhos nos quais você está envolvida hoje.

Cris Wersom: Atualmente trabalho com As Olívias, na gravação e lançamento da nossa websérie (mais informações, www.asolivias.com.br ) além de apresentações no interior. Com o Improvável, estou envolvida em projetos que por enquanto não posso falar (Hoje um deles conhecido, relacionado ao programa É Tudo Improviso). Além disso estou montando uma peça baseada no livro A Felicidade Conjugal do Tolstói com estréia prevista para maio de 2010.

Improvisando: O que é Improvisação Teatral? Quais são os princípios em que se embasa?

Cris Wersom: Acredito que parte de um certo estado do ator. A improvisação cênica se dá a partir do momento em que o ator interage efetivamente com tudo ao seu redor, reagindo aos estímulos externos e internos. Isso pode acontecer tanto no Hamlet, quanto no Improvável  (obviamente tendo clara as propostas de cada peça).

Improvisando: Como surgiu a Improvisação na sua carreira?

Cris Wersom: Surgiu no terceiro ano da EAD (Escola de Arte Dramática da USP) quando tive aula com Cristiane Paoli Quito. Ela tem um trabalho de improvisação maravilhoso que associa a dança à interpretação.

Improvisando: Quem são os Improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?

Cris Wersom: São os improvisadores que estão trabalhando comigo no momento da Improvisação. O outro sempre me inspira!

Improvisando: Quais companhias no mundo você acredita que hoje fazem os trabalhos mais incríveis?

Cris Wersom: Sendo muito sincera, não tenho conhecimento de muitos grupos no exterior, mas tive um workshop com um canadense (Shawn Kinkey) que me deixou bastante impressionada.  Muitos estrangeiros admiram nossa forma de interpretar e confesso que trabalhos como o Caleidoscópio me fazem acreditar nisso.

Improvisando: O que mais tem te trazido interesse em Improvisação hoje? Jogos de Improvisação ou espetáculos long form?

Cris Wersom: Na verdade, meu interesse tem se voltado cada vez mais para a improvisação a partir de um texto teatral. Como o teatro tradicional pode “respirar” com a improvisação do ator.

Improvisando: Qual é o princípio (teórico) da Improvisação que é hoje mais motivo de investimento e pesquisa no mundo?

Cris Wersom: Pelo que percebo, existem vertentes bem distintas sendo difundidas por aí.

Improvisando: Para onde vai a Improvisação Teatral, ou seja, qual seu futuro?

Cris Wersom: Pra París, Dakar, Istambul, Praia Grande e aonde mais tiver gente!!

Confiram os vídeos de Cris Werson, em uma performance arrebatadora no Improvável e outra impagável na websérie das Olívias.