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Hoje no Festival Internacional Los Improvisadores foi dia de TellAraña do La Gata Impro e Match de Improvisação.

Começamos com o espetáculo do grupo La Gata Impro chamado TellAraña.

Num cenário que lembra uma sala de estar, um sofá, um lustre, um vaso de planta, um mancebo, duas cadeiras e um banquinho. Nesse clima aconchegante, o grupo La Gata Impro (Felipe Ortiz, Carlos Alberto Urrea Lasprilla, Juan Gabriel Turbay, Camilo Rodrigues, Daniel Orrantia, Sebastian Rodrigues e Mabel Moreno) entra despretensiosamente no palco, cumprimentando a plateia e estabelecendo com ela uma diálogo cotidiano, na qual sem perceber, vão colhendo plataformas cotidianas que serão utlizadas para criar suas estorias. Essas estorias são interligadas durante o espetáculo, permeado de elementos de realismo fantástico. No início do espetáculo, os objetos de cena saem um a um, deixando o palco livre e esses objetos vão entrando pouco a pouco em cena, complementando o cenário de cada uma delas dentro do seu contexto.

Segue-se o Match de Improvisação.

O match de improvisação é um formato de jogos de improvisação criado por Robert Gravel e Yvon Leduc no Canadá, baseando suas técnicas nas investigações do mestre Keith Johnstone. Após várias experiências com improvisação entre um grupo de atores do Teatro Experimental de Montreal, surge a idéia de uma peça teatral que, como um esporte, fosse único e irreproduzível em cada representação. Em 1977 então se cria um espetáculo desportivo-teatral baseado no Hockey de gelo que com regras apropriadas e dentro de um marco adequado, cria um estado de competição. A LPI (Liga Profissional de Improvisação) de Ricardo Behrens, foi responsável pela popularização no gênero entre os españo hablantes.

O jogo se estabelece entre 2 equipes, em suas regras oficiais composta de 3 jogadores e 3 jogadoras e um técnico. Um árbitro e dois auxiliares cuidam para que o jogo transcorra dentro das normas. Cada partida tem duração de 90 minutos (3 tempos de 30 minutos, com intervalos de 1o minutos entre cada um dos tempos). Cada jogo de improvisação proposto pelo juiz deve delimitar o tema proposto para a improvisação, sendo essas:

1)Natureza da Improvisação:

Comparada: cada equipe joga o mesmo tema separadamente.

Mista: jogadores de ambos os times participaram do tema proposto.

2) Título da Improvisação

3) Número de jogadores

4) Duração da Improvisação

5) Estilo

Existem diversas normas a serem cumpridas e faltas são apitadas quando infringidas tais regras. A contagem de pontos se baseia no voto popular e pontos são perdidos à contagem das infrações cometidas por cada equipe.

O Match teve apresentaçào de Mario Escobar Olea, um dos fundadores do Colectivo Teatral Mamut,  improvisador-professor chileno que esteve nos últimos seis meses no Brasil, trabalhando com companhias como Jogando no Quintal e Barbixas.

O juiz da noite foi Hector Rafael Altamirano, juiz personagem de Omar Argentino Galván, auxiliado por Monica Moya (Colectivo Teatral Mamut) e Mali, ambas do Los Improvisadores.

Os dois times, azul e vermelho, eram composto por seleções de jogadores variados do mundo todo.

O time vermelho era composto por:

Juan Alberto Urrea Lasprilla, do La Gata Impro da Colômbia

José Luis Saldaña, do Complot Escena do México

Guilherme Tomé, do Olaria GB e do É Tudo Improviso, do Brasil

Luciano Barreda, do Improcrash da Argentina

Sergio Molina Panqueque, do Colectivo Teatral Mamut e do Los Improvisadores, do Chile

Ignacio Soriano, do Impromadrid da Espanha.

O time azul foi assim composto:

Juan Gabriel Turbay, do La Gata Impro da Colômbia

Jorge Rueda, do Impromadrid da Espanha

Charo Lopes, do Improcrash da Argentina

Nico Belmar, do Colectivo Teatral Mamut e do Los Improvisadores do Chile

Omar Medina, do Complot Escena do México

Marcio Ballas, Jogando no Quintal e É Tudo Improviso do Brasil.

Além da melhor das seleções de jogadores, com distintas características, a melhor das qualidades técnicas, o espetáculo se torna ainda muito mais atrativo, com as atuações do Mestre de Cerimônias e o trio de arbitragem. Destaque também para Francisco “Foco” Cerda, que é o músico improvisador que faz toda a diferença improvisando junto com as cenas do match.

Sagrou-se campeã a equipe azul com 8 a 4.

Hoje é dia de estreia de espetáculo com X-ha Muerto do Complot Escena do México e Cage Match.

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Tive a felicidade de conhecer Débora Vieira há poucos dias.  Vi pessoalmente, a mesma atriz que imaginava tão apaixonada pelas artes, em particular pela Improvisação Teatral. E é com essa mesma paixão, que ela relata aqui suas impressões sobre esse mundo da Improvisação Teatral e a luta para erguer seu espetáculo Dos Gardenias.

1)      Gostaria que vc começasse resumindo os trabalhos com os quais vc está envolvida hoje.

Eu faço parte da UMA Companhia, de Belo Horizonte, de cuja formação fiz parte. Trabalhamos com improvisação desde 2006, e temos 3 espetáculos em repertório, o Match de Improvisação, no qual eu atuo como jogadora e como juíza, e o Sobre Nós, do qual eu não faço parte, porque, quando da montagem, eu estava montando um outro trabalho de teatro, o espetáculo Cortiços, junto à Companhia de Teatro Luna Lunera, de Belo Horizonte. E, também, nosso último trabalho, que acabou de estrear, o Dos Gardenias Social Club (clipping), trabalho de minha concepção e direção, e no qual também atuo.

Além disso, também ajudo a coordenar as atividades da UMA Escola de Impro, aqui em Belo Horizonte. Oferecemos cursos regulares para pessoas com e sem experiência em teatro, e realizamos, com os alunos, aulas abertas e o espetáculo Mister Impro, na conclusão do semestre.

Minha dissertação de mestrado, em desenvolvimento no Poslit da UFMG, também é sobre improvisação. Eu estudo a dramaturgia da improvisação, propondo um estudo comparativo entre a comédia dell’arte e os espetáculos improvisados na atualidade, mais especificamente o Humor Mierda, do grupo mexicano Complot Escena, e também o Caleidoscópio, do Jogando no Quintal.

2) O que é Improvisação Teatral? Quais são os princípios em que se embasa?
Acho que a improvisação é um banquete composto de comida para todos os gostos… e eu ainda estou desfrutando a entrada. Há todo um mundo a ser descoberto no campo da impro, mas o que mais me instiga é a certeza de que, mesmo quando já estivermos saboreando a sobremesa, isso deve ser feito com os mesmos princípios do começo: a tranqüilidade, a generosidade com o que se experimenta e também com aqueles que compartilham da mesma mesa, a capacidade de degustar cada pedaço de cada prato. Vendo os grupos mais experientes, que muito me inspiram, percebo que toda a perícia e virtuose deles só é possível porque eles se aprofundaram nas premissas básicas da impro: a cumplicidade com o companheiro de cena, a sinceridade consigo mesmo e a disposição para desfrutar do trabalho que se realiza. A partir disso, o que mudam são os desejos artísticos de cada grupo, de cada artista, e é o que vai dar o tom de cada trabalho…


3) Como surgiu a Improvisação na sua carreira?

Surgiu em 2006, sem eu ter necessariamente escolhido isso. A Mariana Muniz, que há pouco havia voltado da Espanha, onde trabalhou durante anos com o Impromadrid, postulou uma vaga para dirigir a montagem do curso profissionalizante de teatro que eu fazia, no Centro de Formação Artística (CEFAR), do Palácio das Artes. Ela nos apresentou a linguagem, o treinamento, e dirigiu o Match de Improvisação. No meu caso, foi uma experiência cheia de altos e baixos, já que eu de cara me defrontei com muitos bloqueios. Mas eu resolvi agarrar o boi pelo chifre, já que tem muitas coisas que me atraem na impro. A impro vicia, não? A sensação de que se pode tudo (ainda que saibamos que não é bem assim…), de que se pode celebrar um encontro a cada cena… Isso é mágico!
Considero, também, que em 2009 a impro surgiu na minha vida por uma segunda vez, quando eu fiz uma oficina com o canadense Shawn Kinley. Na época eu morava no Chile, estudava a impro junto ao Colectivo Mamut, e acho que o encontro com o Shawn mudou todas as minhas perspectivas a respeito dessa linguagem.

4) Recentemente Allan Benatti comentava comigo a dúvida que tinha com relação à escassez de mulheres no Improviso. A que você acha que se deve essa constatação? Quais as contribuições diferentes que a mulher pode trazer para a Impro?

Bom, é uma pergunta curiosa, porque no começo do nosso grupo, éramos 10 atores, dos quais 7 eram mulheres. Quando participamos do nosso primeiro festival internacional, a convite do Jogando no Quintal, vários grupos comentavam o quão feminino era o nosso grupo! No Fimpro, que realizamos em 2008, e depois no Improfestin (Chile), tive contato com inúmeros outros grupos, e pude perceber que, de fato, a impro ainda é uma linguagem predominantemente masculina, e eu penso muito sobre isso. A questão de gênero é algo que me toca profundamente, tenho inclusive uma simpatia muito forte por algumas pensadores e artistas que atuam no campo do feminismo. E, nesse sentido, me coloco sempre a pergunta sobre qual seria uma expressão feminina na impro. Às vezes eu acho que, puxa, temos toda uma história do teatro construída por homens… os diretores, dramaturgos, encenadores, atores… Daí me questiono até que ponto a inserção das mulheres na produção cênica não se fez, também, por uma via masculina. Como se nós tivéssemos entrado para um jogo com as regras já mais ou menos estabelecidas, e não nos restasse muito a não ser seguir essas regras. Claro que falando assim a coisa parece muito rígida, e eu sei que os processos, sobretudo os artísticos, são mais dinâmicos…

Mas nesse campo entra a impro… a maioria imensa das cenas que eu assisto e que tratam, por exemplo, dos padrões de comportamento sexual, o fazem sob uma ótica masculina. E, quando há uma inversão, sinto que trata-se simplesmente de uma inversão que tem como ponto de partida o discurso anterior, ou seja, é uma inversão apenas caricatural, ilustrativa.

E isso me inquieta muito… No primeiro semestre de 2010, inclusive, comecei a desenvolver um trabalho de investigação nesse sentido, aqui em Belo Horizonte, com várias meninas interessadas no tema… 4 atrizes improvisadoras, dentre as quais 2 são palhaças, e uma bailarina. Os encontros foram poucos (a famosa agenda…), mas a vontade de ver qual é ainda é muita.
5) Quem são os improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?
Todos os meninos da UMA Companhia, por seguirmos juntos apesar da falta de recursos; o Assis Vidigal, parceiro na UMA, pela inteligência e generosidade; a Angélica Rogel, do Complot Escena, pela delicadeza forte, pela inteligência dramatúrgica; O Marcio Ballas, do Jogando, e o Panqueque, do Colectivo Mamut, pela eterna capacidade de me surpreender e me fazer sorrir; o Gustavo Miranda, do Acción Impro, pela versatilidade; o Marcelo Savignone, pela inteligência e pela técnica e, finalmente, o Shawn Kinley, mestre em todos os sentidos!
6) Quais companhias no mundo você acredita que hoje fazem os trabalhos mais incríveis?
Atualmente eu ando muito encantada com o trabalho do grupo Complot Escena. Acho que eles têm um domínio técnico incrível, e utilizam essa potencialidade sem abrir mão da diversão e da subversão da própria técnica. Poderia também citar grupos como Loose Moose e Second City, mas acho que prefiro escolher uma inspiração mais acessível, rs.
7) O que mais tem te trazido interesse na Improvisação hoje? Jogos de Improvisação ou Espetáculos mais LongForm?

Long Form. Os espetáculos de jogo – que ainda são a maioria nos repertórios dos grupos da América Latina – me cansaram um pouco, fico com a sensação de que é quase tudo muito igual. Acho que há muitos grupos acomodados com a grande receptividade do público para com essa modalidade. Eu até acho positivo, gosto muito do trabalho de diversos grupos, continuo achando um fenômeno muito significativo para o teatro. Mas no meu caso, já estou a fim de investigar outros matizes da impro…

8) Pra onde vai a Impro? (o futuro)

Acho que ela já está num caminho muito bacana… vejo muita gente se apropriando da técnica e fazendo dela um ponto de partida para investigações de outra ordem, e eu acho que é isso que vai manter essa linguagem viva e sempre interessante!

9) Quais são as dificuldades executivas de um grupo no mercado da  Improvisação? Como a UMA Companhia tem conseguido se estabelecer nesse mercado? Quais são as perspectivas e projetos do seu grupo?

No caso de Belo Horizonte, somos o único grupo que realiza uma pesquisa contínua no campo da improvisação. E acho que, pela nossa formação, e também por nossos anseios artísticos, sempre tentamos nos inserir no mercado teatral em sentido amplo. Nunca pensamos em criar um mercado (de produção ou de público) específico para a impro, o que tem suas vantagens e desvantagens, porque nos vemos num não-lugar criativo e também mercadológico: não realizamos um teatro “comercial” o bastante para termos sempre casa cheia e vivermos de bilheteria, tampouco um teatro “experimental” o suficiente para conseguirmos manter o trabalho do grupo via leis de incentivo.

De qualquer forma, o que eu posso dizer a respeito da realidade do mercado relaciona-se mais com o cenário das artes cênicas do que especificamente da improvisação teatral.

Acho que as políticas públicas para a cultura no Brasil ainda engatinham. No caso de Minas Gerais, engatinham usando patinete: são tímidas e inconstantes. Acho que falta conscientização da classe artística a respeito do potencial mercadológico da produção cultural, e falta também competência aos gestores públicos para perceber que o investimento na cultura gera empregos, circulação de capital, além de uma imensa gama de valores agregados, tudo isso com um baixo impacto ambiental. Paralelamente à escassez de recursos, a demanda por financiamento tem crescido muito… Tudo isso dificulta bastante o nosso trabalho.

No caso específico da impro, eu não disponho de dados concretos para fazer uma análise do mercado da improvisação no Brasil. Acho que poucos grupos conseguem sobreviver do trabalho com a impro atualmente no Brasil.

Nós temos quatro anos de trajetória, e até hoje, posso afirmar que pagamos para fazer o que fazemos. Fizemos neste segundo semestre uma temporada de um mês [sexta a domingo] em um teatro daqui de BH, começamos com uma média super pequena de público e encerramos a temporada com casa lotada. No fim das contas, só conseguimos cobrir as despesas com teatro, divulgação, direção, produção…

Além disso, custeamos um investimento constante em nossa formação: oficinas, participação em festivais nacionais e internacionais (ressalte-se que 4 membros do grupo realizam pesquisas acadêmicas a respeito da impro).

E ainda pagamos aluguel de espaço para ensaiar e financiamos com nosso próprio esforço e dinheiro nossos dois longforms.

A realização do Dos Gardenias Social Club só foi possível porque fomos aprovados em um edital da Cia Clara, de BH, que nos ofereceu local de ensaio e de apresentação, além do material de divulgação.

Conseguimos um apoio de R$2.000,00 e realizamos, na cara de pau, uma vaquinha virtual, pedindo aos amigos que contribuíssem. A vaquinha nos rendeu a grata surpresa de R$1000,00, e com isso pagamos o cenário. Então, com R$3000,00, somados à imensurável dedicação de improvisadores, professores de dança, iluminadores e músicos (que também trabalharam sem receber nada, nem ajuda de custos), conseguimos erguer um trabalho do qual eu tenho muito orgulho… não apenas pelo resultado, mas pelo que significa, hoje, trabalhar com teatro e com impro no Brasil.

Estamos trabalhando incessantemente para reverter este quadro, e temos ótimas perspectivas para o ano de 2011. Evoé, impro!

Mateus Bianchim é um ser livre. Dotado de uma capacidade de desprendimento e de busca pelos seus sonhos, acompanhei desde que o conheci, suas diversas decisões de mudanças corajosas em busca do seu sonho de aprendizado e de trabalhar com excelência no universo da Improvisação Teatral. Muitas pessoas podem falar de desejar serem livres, mas creio que tive a oportunidade real de conhecer quem de fato vai buscá-la além de todos os limites. Nessa entrevista também livre e polêmica, expõe seus pensamentos sobre a improvisação sob seu olhar bastante crítico.

1) Gostaria que vc começasse resumindo os trabalhos nos quais vc está envolvido hoje. Farei um pequeno resumo para te apresentar.

Moro em Belo Horizonte e agora faço parte de projetos da UMA Companhia, respeitada como poucas no cenário da impro Brasileiro. Acabamos de estreiar o espetáculo “Dos Gardenias Social Club” que é um long-form inspirado no Bolero, na casa de baile e nas relações possíveis nesse lugar.

Fora isso, participarei da temporada do Match de Improvisação, também da UMA e estou na direção do IMPROLIVRE, baseado na oficina que tive com Frank Totino, e que apresentamos em bares de belô.
2) O que é Improvisação Teatral? Quais são os princípios em que se embasa?

A Impro é um solo fértil e amplo. Ela se trata de teatro; e o teatro, e a arte, estão além dos limites que a tevê ou o mercado infelizmente impõe. A impro pode dar minas de ouro e ali se projetarem várias pessoas em busca do que já está pronto; uma Serra Pelada. Mas também tem outros lugares onde se pode plantar, arando e fertilizando o solo, jogando sementes e errando a época da colheita, até achar um fruto bom e duradouro pra se deliciar e se vender. Acima de tudo se deliciar e fazer deliciar.
3) Como surgiu a Improvisação na sua carreira?

Fui integrante da Imprópria Cia Teatral, éramos todos (ou quase) formados em Artes Cênicas na Universidade Federal de Ouro Preto/MG. Lá tivemos contato com a Mariana Muniz, que é a fundadora da LPI em BH, que agora é a UMA. Ela desviou nosso caminho pra sempre em direção à Impro!
4) Quem são os Improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?

Minha improvisação se inspira no cotidiano. Procuro não mais me espelhar no trabalho que os outros fazem, mas também não me preocupo se isso acontecer. Acho que o Brasil tem bons improvisadores, mas que ainda estão engatinhando e descobrindo o que estão fazendo.

5) Quais companhias no mundo você acredita que hoje fazem os trabalhos mais incríveis?

Acho que os que estão há algum tempo na estrada, e que não precisaram mais se vender, nos apresentam uma maturidade que vai além da virtuose. Mas o mundo é grande.

6) O que mais tem te trazido interesse em Improvisação hoje? Jogos de Improvisação ou espetáculos mais long form?

Pra mim os jogos estão mostrando cada vez mais que se limitam a jogos mesmo, onde o privilégio é mostrar o quanto se é esperto e rápido, coisa que acho dispensável até no processo de educação infantil.
Eu busco poesia em cena, nas minhas oficinas eu procuro trabalhar isso, a sensibilidade das relações, uma obra completa e interessante de se ver com a vantagem da espontaneidade do improviso, da verdade de cada ator aberta em flor, exposta.
E quando falo de espontaneidade, falo da questão mais animalesca da coisa e não dessa “primeira idéia” que vem sido utilizada na impro brasileira.
7) Qual é o princípio da Improvisação que é hoje mais motivo de investimento e pesquisa hoje no mundo?
O mercado exige que você venda. O que mais vende são espetáculos de impro-cômica, explorando a rapidez da piada e a satisfação de desejos sádicos de uma platéia burguesa. Eu não vendo mais improvisação.

O que pesquiso e se pesquisa a fundo no vasto mundo, é a emancipação do ser-ator e do ser-público através de uma metodologia libertária que é a do Keith Johnstone. Mas essa liberdade permite que o sistema a subverta, como ele faz com movimentos sociais desde sempre (transformar o punk em moda, por exemplo), e que vem tendo a complacência de “atores” que desejam o poder da fama e do dinheiro.

8) Quais são as dificuldades executivas de um grupo no mercado da  Improvisação? Como o UMA Companhia tem conseguido se estabelecer nesse mercado? Quais são as perspectivas e projetos do seu grupo?

Nenhum grupo que fiz parte teve facilidade em ganhar dinheiro com teatro. Eu fui dirigido pelo Chico de Assis do Arena e ele me disse uma vez que ator pra ter dinheiro precisa ter um três oitão na cintura dentro de um banco. Existe um consumo, mas você tem que se submeter ao desejo do consumidor. E me submeter não é coisa que quero fazer se puder não fazer. Existem leis e editais, mas são poucos e privilegiam poucos. Eu gosto muito de usar o exemplo do Simioni, do LUME. Eu tive aulas com ele e vi uma apresentação de um espetáculo belíssimo solo dele em Ouro Preto. No final, quando perguntado se ele poderia fazer aquele espetáculo, que pesquisava uma coisa muito íntima, difícil de ser entendida, sem ele ser “o” Simioni, ele disse que com certeza não. Ou seja, a pesquisa só é viável para quem tem nome: ou quem se submeteu e cansou de se submeter (mas esse perderá seu público em pouco tempo) ou para os que não desistiram de seus sonhos e agora tem público cativo.

9) Para onde vai a Impro (o futuro)?
Cada vez mais e mais pessoas vão se interessar e fazer Impro, assistir, pesquisar. Somos muito novos no conhecimento dessa linguagem, vejo grandes nomes que estão aí há 30 anos!!! É um território muito amplo para se fazer, para se buscar, quem tem verdade e gosta do que faz durará.

Nesse final de semana, Mateus dará uma oficina de Improvisação em São Paulo. Informações seguem no cartaz abaixo.

Abaixo a participação de Mateus no Mr. Impro (Micetro), espetáculo de Improvisação formato de Keith Johnstone, promovido no Improfestin do Chile en 2009, jogando Irmãos Siameses. Com participação de David Sanin Gaviria do Acción Impro, Angélica Rogel do Complot/ Escena e Monica Moya do Colectivo Teatral Mamut. Apresentação de Mario Escobar Olea do Bassusseder/ Soloy Simple Teatro  e direção de Shawn Kinley do Loose Moose.

Florencia Infante  es actriz egresada de la Escuela de Actuacion de Montevideo en el año 2004.  Desde el año 2005 comienza a trabajar intensivamente en la improvisación.

Es fundadora de Improvisacion Teatro Club del Uruguay, grupo que integra desde el 2005, actualmente llamado Impronta.

Ha participado de diferentes festivales internacionales de improvisación.

Es una de las directoras de la EIU, primera Escuela de Improvisacion Uruguay.

Desde el año 2005 integra Improvisación Teatro Club del Uruguay, con el que realiza por 2 años el espectaculo Sopa Instantanea (al estilo de Harold). Luego de esto, el grupo comienza a investigar las tecnicas deportivas, como Match de Improvisación, teniendo la oportunidad de participar en el Mundial de Impro de Buenos Aires 2007. En esa epoca la compañía cambia su nombre a IMPRONTA Teatro.

En el 2007 dirigió IMPROCALYPSIS un formato de foro, con el que la compañía realiza 3 temporadas en Montevideo.

El el 2008 se estrena en Uruguay Match, generando un éxito imposible de imaginar, y el Espectáculo continua hasta finales del 2009.

Actualmente el grupo esta investigando nuevamente en el Long Form, con el nuevo espectaculo, llamado Sinapsis, que se estrenara en junio en Montevideo.

En el 2010, se estrenaran en total 3 espectaculos nuevos de la compañía, de los cuales 2 son bajo su direccion.

Florencia Infante é atriz formada na Escuela de Actuacion de Montevideo em 2004. Desde o ano de 2005 começa a trabalhar intensamente com a Improvisação.

É fundadora do Improvisacion Teatro Club del Uruguay, grupo o qual integra desde 2005, e que atualmente se chama Impronta.

Tem participado de diferentes festivais internacionais de Improvisação.

É uma das diretoras do EIU primeira (Escuela de Improvisacion del Uruguay).

Com o Improvisación Teatro Clube del Uruguay realiza por 2 anos o espetáculo Sopa Instantânea (no estilo Harold). Após, o grupo começa a investigar as técnicas desportivas, como Match de Improvisação, tendo a oportunidade de participar do Mundial de Impro de Buenos Aires em 2007. Nessa época a companhia muda seu nome para Impronta Teatro.

Em 2007 dirigiu Improcalypsis, um formato de fórum, com o qual a companhia realiza e temporadas em Montevideo.

Em 2008 estréia o Match no Uruguai, com um êxito impossível de imaginar e o espetáculo continua até o final de 2009.

Atualmente o grupo está investigando novamente o LongForm, com o novo espetáculo chamado Sinapsis, que estreia em junho em Montevideo.

Em 2010, estreiam um total de 3 espetáculos novos da companhia, dos quais 2 são de sua direção.

1) Improvisando: ¿Qué es para usted la Improvisación Teatral? ¿Cuáles son sus conceptos más importantes?

Improvisando: O que é para você a Improvisação Teatral? Quais são seus conceitos mais importantes?

Florencia: Cuando comencé con la improvisación, simplemente la consideraba una herramienta. Un plus a lo que uno es como actor. Hoy por hoy la improvisación para mi ha pasado a ser un modo de vida. Ademas de formar parte de una compañía que ensaya de lunes a viernes soy  docente de improvisación para niños, adolescentes y adultos, lo cual hace que mi vida este abocada a esta actividad casi al 100%.

Los conceptos mas importantes me parecen los de el trabajo en equipo, la valorizacion del individuo pero como parte de un colectivo, rescatando al ser humano, dentro y fuera del salon de clases; esto me parece que lo hace sano: no debo ser como en la vida que tengo que destacarme SOLO yo para poder obtener un buen trabajo, etc; aca con este concepto creo que se rescata la  conciencia por el otro.

La escucha y la aceptación, que si bien son conceptos basicos de la impro, nunca dejan de sorprenderme. Tengo alumnos que me dicen que dia a dia se sorprenden con el poder de la acepatacion y la escucha. Y lo mejor es que a veces, sin darnos cuenta, empezamos a aplicar estos conceptos en la vida, y los maestros dejamos de ser maestros para ser terapeutas.

Pienso que no hay conceptos únicos y que dia a dia se siguen construyendo más.

Veo al improvisador como alguien que se tira en paracaídas al vacio,  y a la vez, es el propio paracaídas. Es un salto al vacio permanente.

Florencia: Quando comecei com a Improvisação, simplesmente a considerava uma ferramenta. Um ponto positivo para um ator. Hoje Improvisação para mim passou a ser um modo de vida. Além de fazer parte de uma companhia que ensaia de segunda a sexta feira, eu sou docente de Improvisação para crianças, adolescentes e adultos, o qual fazem que a minha vida esteja condenada a essa atividade quase a 100%.

Os conceitos que considero mais importantes são o trabalho em equipe, a valorização do indivíduo mas como parte de um coletivo, resgatando o ser humano, dentro e fora da sala de aula; e acho isso saudável: não devo ser como na vida em que  tenho que me destacar SOZINHO para obter um bom trabalho, etc; aqui esse conceito acredito que recupera a consciência do outro.

A escuta e a aceitação, apesar de serem conceitos básicos da Impro, nunca deixam de me surpreender. Yenho alunos que me dizem que dia a dia se surpreendem com o poder da aceitação e da escuta. E o melhor é que, às vezes, sem nos darmos conta, começamos a aplicar esses conceitos na vida, e os mestres deixamos de ser mestres para ser terapeutas.

Penso que não existam conceitos únicos e que dia a dia se constróem mais.

Vejo o improvisador como alguém que se atira de paraquedas no vazio, e no entanto, é seu próprio paraquedas. É um salto ao vazio permanente.

2) Improvisando: ¿Cuando la improvisación comenzó en su carrera?

Improvisando: Quando a Improvisação começou na sua carreira?

Florencia: Yo hago teatro desde los 14 años, y realmente nunca habia tenido contacto con la improvisación de manera profunda hasta el año 2005 en mi formación como actriz.

Y la verdad, fue una experiencia muy interesante, hacer una carrera en las artes dramaticas, y por el otro lado hacer improvisación todos los dias después de esas clases de tragedia griega o Shakespeare. Era muy raro!

En esos tiempos creo que fue cuando mi cabeza exploto, ya que realemente empezamos a trabajar con el grupo en improvisación pero integrando las otras areas. Y ese trabajo fue muy rico. A la inversa no suele suceder.

Desde ese momento hasta ahora ha sido el motor de mi carrera, incluso la docente, ya que creo que todos los seres humanos deberian poder probar el poder liberador y sanador de la improvisación; el abanico infinito de posibilidades que brinda.

Creo que los actores que hacemos esto de forma profesional somos unos verdaderos afortunados…

Florencia: Faço teatro desde os 14 anos, e realmente nunca havia tido contato com a improvisação de maneira profunda desde o ano de 2005 em minha formação como atriz.

E realmente foi uma experiência muito interessante fazer uma carreira nas artes dramáticas, e por outro lado fazer improvisação todos os dias depois de todas essas aulas de tragédia grega ou Shakespeare. Era muito estranho!

Naquela época eu acho que foi quando minha cabeça explodiu, já que realmente começamos a trabalhar com o grupo em improvisação, mas integrando as outras áreas. E esse trabalho foi muito rico. Por outro lado raramente acontece.

Desde então até agora tem sido o motor da minha carreira, inclusive a docência, ja que acredito que todos os seres humanos deveria poder provar o poder libertador e curador da improvisação; a infinita gama de possibilidades que proporciona.

Creio que nós atores que fazemos fazemos isso de forma profissional somos uns verdadeiros afortunados…

3) Improvisando:  Su espectáculo más conoscido (Sinapsis) se basa en Harold. ¿Quién vio me dijo que el espectáculo tiene un lenguaje muy poético y la inspiración en la contacto-improvisación. ¿De dónde surgio la elección del formato? Es una peculiaridad del grupo El Teatro Físico?

Improvisando: Seu espetáculo mas conhecido (Sinapsis) se baseia em Harold. Quem vio me disse que o espetáculo tem uma linguagem muito poética e inspirada no contato-improvisação. De onde surgiu a escolha do formato? É uma peculiaridade do seu grupo o teatro físico?

Florencia: Sinapsis es fruto de una investigación grupal que aun esta en permanente cambio. Veniamos de largas temporadas de improvisaciones deportivas, y queriamos enfrentarnos a algo mas poetico, a poner el cuerpo y no solo la palabra en la escena.

Asi fue que bajo la direccion de Danna Liberman, empezamos a investigar sobre lo sonoro, lo espacial… pasabamos horas con instrumentos o con mascaras, sin saber bien que era lo que iba a suceder. Fue un espectaculo muy cuidado. Hoy por hoy seguimos trabajando en el.

Creo que todos los grupos reflejan un proceso de lo que sea, en sus espectáculos; y Sinapsis es sin duda, una suma de necesidades de un colectivo.

Buscamos sin ser pretenciosos, la verdad, la escucha, el cuerpo presente, seguir los verdaderos impulsos, tener sonoridad como grupo.. la verdad es un trabajo riquisimo. No pretendemos que eso se vea, que seamos maravillosos, pero si buscamos ser fieles a este momento y entregarnos al cien porciento a este nuevo viaje.

La eleccion del formato creo que fue lo unico poco estudiado. Habiamos empezado nuestra carrera como improvisadores con ese estilo, y como era todo un volver al origen, rapidamente surgio esa opcion.

Si bien el teatro fisico no es una peculiaridad del grupo, si lo trabajamos con rigor y seguimos mucho al teatro de Lecoq.

Florencia: Sinapsis é fruto de uma investigação do grupo que ainda está em permanente mudança. Vínhamos de longas temporadas de improvisações desportivas e queríamos enfrentar algo mais poético, a por o corpo e não somente a palavea no palco.

Foi assim que, sob a direção de Danna Liberman, começamos a investigar o sonoro, o espacial… passávamos horas com  instrumentos ou com máscaras, sem saber bem que era que ia acontecer. Foi um espetáculo muito cuidado. Hoje ainda trabalhando nele.

Acredito que todos os grupos refletam um processo do que é, em seus espetáculos; e Sinapsis é, sem dúvida, uma soma de necessidades de um coletivo.

Buscamos sem ser pretenciosos, a verdade, a escuta, o corpo presente, seguir os verdadeiros impulsos, ter a sonoridade como grupo… a verdade é um trabalho riquíssimo. Não pretendemos que isso se veja, que sejamos maravilhosos, mas sim buscamos ser fiéis a esse momento e nos entregamos em cem por cento a essa nova viagem.

A escolha do formato acredito que foi o único pouco estudado. Havíamos começado nossa carreira como improvisadores com esse estilo, e como era toda uma volta à origem, rapidamente surgiu essa opção.

Apesar do teatro físico não ser uma peculiaridade do grupo, trabalhamos com rigor e seguimos muito o teatro Lecoq.


4) Improvisando: ¿Cómo esta la improvisación en el Uruguay?

Improvisando: Como está a Improvisação no Uruguai?

Florencia: Es sin lugar a dudas un fenomeno. Es un movimiento que esta surgiendo muy fuerte, y nosotros tenemos una responsabilidad muy grande porque somos pocos lo que improvisamos aca .

El ideal para mi seria que en un furturo no muy lejano, la red de personas que estan en esto, fuera mucho mas grande, para poder tambien, generar cosas mas grandes, como festivales o mundiales.

Tambien hay que entrenar a la gente. Aquí el publico era muy tradicional, pero desde hace un tiempo, esta recibiendo muy bien las nuevas propuestas teatrales, entre ellas, la impro.

Creo que va muy bien.

Espero que ponto aparezcan mas compañias para retroalimentarnos!

Florencia: É sem dúvida um fenômenos. É um movimento que está surgindo muito forte, e nós temos uma responsabilidade muito grande porque somos poucos que improvisamos aqui.

O ideal para mim seria que em um futuro muito distante, a rede de pessoas que estão nisso, se torne muito maior, para poder também gerar coisas maiores, como festivais ou mundiais.

Também tem que treinar as pessoas. Aqui o público era muito tradicional, mas faz um tempo que tem recebido muito bem as novas propostas teatrais, entre elas, a impro.

Acredito que vá muito bem.

Espero que rapidamente apareçam mais companhias para retroalimentarmos!

5) Improvisando: ¿Quiénes son los Improvisadores que inspiran usted a llevar a cabo su trabajo?

Improvisando: Quem são os improvisadores que a inspiram na realização de seu trabalho?

Florencia: Por suerte desde que comenzamos esta aventura tuvimos grandes maestros.

El grupo en si mismo se basa mucho en Lecoq, lo leemos mucho y nos identificamos con el concepto de individuo autonomo creador; ser un colectivo de artistas completos y cada uno diferente del otro.

En lo personal seria difícil nombrar a un solo improvisador, porque por suerte estamos rodeados de grandes genios que todo el tiempo nos enriquecen con sus trabajos.

Marcio Ballas es un pilar importantisimo en mi vida, como amigo y como gran profesional que es. Ya que nombre a Brasil, no puedo dejar de nombrar a César Gouvêa, al que admiro profundamente.

Pero las compañias de Colombia, Acción Impro; de Mexico, Complot Escena, Jogando no Quintal de Brasil; Mamut de Chile,  siempre estan inspirando a que uno quiera hacer lo que ellos hacen.

Florencia: Por sorte, desde que começamos essa aventura tivemos grandes mestres.

O grupo em sim mesmo se baseia muito em Lecoq, lemos muito e nos identificamos com o conceito do indivíduo criador autônomo; ser um coletivo de artistas completos e cada um diferente do outro.

Pessoalmente seria difícil nomear somente um improvisador, porque por sorte estamos rodeados de grandes gênios que todo o tempo nos enriquecem com seus trabalhos.

Marcio Ballas é um pilar importantíssimo em minha vida, como amigo e grande profissional que é. Já que falei de Brasil, não posso deixar de nomear César Gouvêa, que admiro profundamente.

Mas as companhias da Colômbia, Acción Impro; do México, Complot Escena; Jogando no Quintal do Brasil; Mamut do Chile, sempre estão inspirando a que alguém queira fazer o que eles fazem.

6) Improvisando: ¿Qué más ha traído su interés en la improvisación de hoy? Juegos de improvisación o los LongForm?

Improvisando: O quem mais tem atraído seu interesse na improvisação de hoje? Jogos de improvisação ou longform?

Florencia: Los dos formatos son iguales de ricos e interesantes. En este momento, por ejemplo, se da que estamos en simultaneo investigando las dos a fondo.

Con el long form, me permito mas la busqueda de la verdad, de la honestidad como actriz. Lo encuentro hasta mas poetico si se quiere,mas curativo, mas mio,  aunque hagamos comedia. Es como la sensación de construir una pintura entre todos, en una hora de espectaculo.

Con el sport es diferente, porque si bien uno lo entrena la velocidad y plasticidad que requiere,  es en otro carril de ritmo. Estas mas exigido y jugando mas al limite. Siempre con alegria. Pero mas al limite. O al menos yo juego asi, jajaja, realmente lo vivo como la palabra lo indica: deportivo.

Florencia: Os formatos são igualmente ricos e interessantes. Nesse momento, por exemplo, estamos investigando simultaneamente os dois a fundo.

Com o longform, me permito mais a busca da verdade, da honestidade como atriz. Encontro algo mais poético se quero, mais curativo, mais meu, ainda que façamos comédia. É como a sensação de construir uma pintura, entre todos, na hora do espetáculo.

Com o esporte é diferente, porque enquanto ele treina a velocidade e a plasticidade que exige, está em outra pista de ritmo. Está mais exigido e jogando mais ao limite. Sempre com alegria. Mas no limite. Ao menos eu jogo assim, hahaha, realmente vivo como a palavra o indica: desportivo.

7) Improvisando: ¿Cuál es el principio de la improvisación que ahora más se está estudiando e investigando?

Improvisando: Qual é o princípio da improvisação que agora mais está se estudando e investigando?

Florencia: La verdad en escena.

Shawn Kinley nos hablo de eso, y la verdad hizo un click importante.

Florencia: A verdade em cena.

Shawn Kinley nos falou disso, e realmente foi um click importante.

8) Improvisando: ¿Dónde estará el impro? (el futuro)?

Improvisando: Para onde vai a Impro? (o futuro)

Florencia: Yo creo que esto es como una bola de nieve que crece y crece. En Uruguay nosotros fuimos los primeros en hacer esto y nadie entendia nada, nadie creia que era improvisación, fue muy loco. Ahora aca hay mucha gente interesada en esto. Incluso en Abril comenzamos con la EIU, que es la primera escuela de improvisación del uruguay, la cual dirijo con Danna Liberman y Enrico Greco.

A nivel mundial tambien es impresionante, es un fenomeno. Puedo nombrar el caso de los Barbixas, que por medio de Internet llegaron al mundo entero, todos los que hacemos impro sabemos quienes son.

La verdad, antes en el inicio todo era el caos, pero del caos sale la creación. Y creo que ahora estamos en la generacion que va a introducir, al menos en mi pais, otra forma de hacer teatro. Bien distinta, pero igual de poderosa.

Florencia: Acredito que isso é como uma bola de neve que cresce e cresce. No Uruguai nós fomos os primeiros a fazer isso e ninguém entendia nada, ninguém acreditava que era improvisação, foi muito louco. Agora aqui tem muita gente interessada nisso. Aliás em Abril começamos com a EIU, que é a primeira escola de improvisação do Uruguai, a qual dirijo com Danna Liberman e Enrico Greco.

A nível mundial, também é impressionante, é um fenômeno.Posso nomear o caso dos Barbixas, que por meio da Internet chegaram ao mundo inteiro, todos os que fazemos impro sabemos quem são.

A verdade, antes no início todos era o caos, mas do caos sai a criação. E acredito que agora estamos na geração que vai introduzir, ao menos em meu país, outra forma de fazer teatro. Bem diferente, mas igualmente poderosa.

Com mucho gusto, soy grata a Florencia por su amabilidad en participar de ese blog e la felicito por su nuevo espectaculo Imprevisto e su recien nominación al premio Florencio como actriz de reparto por la obra “Romeo y Julieta Mutantes”. Sigue el video de Florencia en release de “Imprevisto“.

Muito feliz, sou grata a Florencia por sua gentileza em participar desse blog e a cumprimento por seu novo espetáculo Imprevisto e sua recém nominação ao prêmio Florencio como atriz coadjuvante pela obra “Romeu e Julieta Mutantes”. Segue o vídeo de Florencia no release de “Imprevisto.

Já começou o segundo Match de Improvisação do Festival IberoAmericano de Bogotá. Ele ocorrerá todos os dias, às 21h até o dia 4 de abril na Zona Verde CUR, Coliseo Cubierto Polideportivo do Compensar Ciudad Teatro.

O match de improvisação é um formato de jogos de improvisação criado por Robert Gravel e Yvon Leduc no Canadá, baseando suas técnicas nas investigações do mestre Keith Johnstone. Após várias experiências com improvisação entre um grupo de atores do Teatro Experimental de Montreal, surge a idéia de uma peça teatral que, como um esporte, fosse único e irreproduzível em cada representação. Em 1977 então se cria um espetáculo desportivo-teatral baseado no Hockey de gelo que com regras apropriadas e dentro de um marco adequado, cria um estado de competição. A LPI (Liga Profissional de Improvisação) de Ricardo Behrens, foi responsável pela popularização no gênero entre os españo hablantes.

O jogo se estabelece entre 2 equipes, em suas regras oficiais composta de 3 jogadores e 3 jogadoras e um técnico. Um árbitro e dois auxiliares cuidam para que o jogo transcorra dentro das normas. Cada partida tem duração de 90 minutos (3 tempos de 30 minutos, com intervalos de 1o minutos entre cada um dos tempos). Cada jogo de improvisação proposto pelo juiz deve delimitar o tema proposto para a improvisação, sendo essas:

1)Natureza da Improvisação:

Comparada: cada equipe joga o mesmo tema separadamente.

Mista: jogadores de ambos os times participaram do tema proposto.

2) Título da Improvisação

3) Número de jogadores

4) Duração da Improvisação

5) Estilo

Existem diversas normas a serem cumpridas e faltas são apitadas quando infringidas tais regras. A contagem de pontos se baseia no voto popular e pontos são perdidos à contagem das infrações cometidas por cada equipe.

As equipes que competirão nessa edição do Festival IberoAmericano de Bogotá 2010 são:

Colectivo Teatral Mamut (Chile)

Colectivo Teatral Mamut foi formado no ano de 2004 por Sérgio Domínguez, Juanita Urrejola, Nicolás Belmar, Mónica Moya e Mario Escobar. Francisco “Foco” Cerda acompanha com sua música desde sempre. Desde sua fundação até hoje, Mamut investiga profundamente a Improvisação como um espetáculo em si mesmo, e como ferramenta libertadora de espontaneidade e criatividade nas pessoas. Ao mesmo tempo, investiga os estilos teatrais como a Mimica, Clown e a Comedia del Arte.  Equipe de grande tradição na Improvisação Teatral Chilena, ano passado foi um dos anfitriões do Improfestin. Parte de sua equipe esse ano ganhou destaque pela participação do primeiro formato televisivo de improvisação teatral no Chile, no programa Los Improvisadores do canal Viax.

Complot/Escena (México)

Complot/ Escena é uma companhia de teatro multidisciplinar e independente. Ao longo de sua trajetória, desde sua fundação no ano de 2000, tem desenvolvido seu trabalho cênico profissional em dois principais tipos: improvisação e teatro de texto. A companhia em sua maioria é formada por artistas egressos do Colégio de Literatura Dramatica e Teatro de UNAM, e seus espetáculos tem como intenção não somente divertir, mas ter também uma boa dose de crítica social através do seu discurso.  Conta hoje com 7 diferentes espetáculos de impro estrelados, e o Improlucha é um dos trabalhos mais difundidos.

Improcrash! (Argentina)

Companhia argentina de improvisação. Seus atores tem formações variadas, participaram de diversos festivais de improvisação teatral. Tem trabalhado diversos formatos de improvisação e criou, em seu espetáculo, um novo conceito que envolve novas tecnologias sonoras e visuais.

Acción Impro (Colômbia)


Acción Impro nasceu há 10 anos quando Adriana Ospina, Catalina Hincapié, David Sanín, Gustavo Miranda e Ricardo España decidiram fazer um workshop de improvisação em suas carreiras de teatro na Universidade Antioquia. A partir daí começaram a investigar a técnica de impro, nova no país e criar espetáculos próprios para apresentar em diferentes teatros e bares da cidade. Hoje Acción Impro tem seu próprio teatro no Parque del Poblado, onde todas às quintas e sábados apresentam algum dos seus 7 espetáculos improvisados e seu novo trabalho La Escala Humana (não improvisado).

Abaixo um vídeo de uma das duplas de Catch que competiu no FESTIM 10 em Madrid no mês passado.

La Gata Impro (Colômbia)

Tradicional companhia de Improvisação Teatral, fundada em 1995 na Colômbia, foi a primeira daquele país. Trabalha com vários formatos de improvisação teatral desportiva e não desportiva e participou de diversos festivais de improvisação teatral em todo o mundo.

Jogand0 no Quintal (Brasil)


Uma das primeiras companhias de improvisação do Brasil, o Jogando no Quintal caminha para seu oitavo ano e é espelho para a nova safra de improvisadores brasileiros. O espetáculo que dá nome à companhia, é um jogo de improvisação de clowns . Hoje a equipe trabalha ainda com mais dois espetáculos de improvisação não desportivos, o Caleidoscópio e o Mágico de Nós. Já se apresentaram em diversos festivais internacionais, sagrando-se campeão da última edição do campeonato de Match do Festival IberoAmericano de Bogotá em 2008.

Os jogos serão:

Dia 29 de março Brasil (Jogando no Quintal) X Chile (Colectivo Teatral Mamut).

Dia 30 de março México (Complot/ Escena) X Colômbia (Acción Impro).

Dia 31 de março México (Complot/ Escena) X Argentina (Improcrash!).

Dia 1 de abril Brasil (Jogando no Quintal) X Colômbia (La Gata Impro).

Dia 2 de abril Colômbia (Acción Impro) X Chile (Colectivo Teatral Mamut).

Dia 3 de abril Argentina (Improcrash!) X Colômbia (La Gata Impro).

Dia 4 de abril FINAL.

Fica a nossa torcida para os mestres do Jogando no Quintal, que no Match de Improvisação do Festival IberoAmericano de Bogotá são o Brasil.

Rhena de Faria tem sangue e alma de artista. É filha de artista plástico e  livreira-tradutora-escritora, ainda irmã do escritor Santiago Nazarian. Nasceu em Olinda, na casa onde hoje mora Alceu Valença, mas veio para São Paulo ainda bem criança. Começou a estudar comunicação na FAAP com 19 anos, mas abandonou a faculdade pelo grupo teatral TAPA. Também ministrou aulas de sapateado por dez anos, ofício que ensinou a atores e grupos como Bonecos Urbanos, Circo Navegador e TAPA.  Em 1996, mudou de rumos ao começar a estudar Geografia na USP. Mas 2 anos depois acabou se descobrindo mesmo no picadeiro.

Trabalhou com Circo Escola Picadeiro e com a Família Medeiros.  Participou de Oficinas do Odin Teatret com seu diretor Eugenio Barba. Também com Leo Bassi, Ricardo Puccetti e Léris Colombaioni.

Com Silvia Leblon fez inúmeros espetáculos como dupla Blanche & Spirulina.

Mademoiselle Blanche

 

Participou do documentário Palhaço – O Ser em Transgressão. Em  2009  participou do filme “O Contador de Histórias” premiado com o selo da UNESCO.

É palhaça atleta do Jogando no Quintal desde 2004, e além desse espetáculo, dentro da Companhia participou de outros espetáculos como a concepção e atuação juntamente com Marcio Ballas no espetáculo de palhaços “O Eterno Retorno”, que teve pré estréia na Colômbia e dirigiu o solo de Cesar Gouvêa In Memorian, ambos em 2007.

Eterno Retorno no Improfestin Chile

 

Ainda dentro do Jogando no Quintal, participa da Seleção Brasileira de Impro e do espetáculo Caleidoscópio (direção e dramaturgia Marcio Ballas), um dos primeiros espetáculos long form do Brasil.

Caleidoscópio no Improfestin Chile

 

Seleção Brasileira do Jogando no Quintal Mundial do Peru

 

No ano de 2009,  fez a sonoplastia e direção do espetáculo solo “Sobre Tomates, Tamancos e Tesouras”, dramaturgia concebida junto com Andrea Macera (solista do espetáculo). O espetáculo teve excelentes críticas, inclusive como espetáculo recomendado pela revista Bravo de junho/2009.

Tive felicidade de estar em dois workshops de improvisação dessa incrível professora, sendo cada uma delas uma experiência excepcional . E é com essa alma inspirada e doce de palhaça, dançarina, dramaturga, diretora e uma das mais talentosas improvisadoras do mundo, que conversei um pouquinho sobre as impressões da Improvisação Teatral.

Improvisando:  Gostaria que vc começasse resumindo os trabalhos nos quais vc está envolvida hoje.

Rhena: Sou palhaça atleta do espetáculo “Jogando no Quintal – Jogo de Improvisação de palhaços” (é assim mesmo que a gente se nomeia: palhaços-atletas!)

Integro o novo espetáculo de Improvisação do grupo Jogando no Quintal chamado “Caleidoscópio”, nosso primeiro long-form, dirigido por Marcio Ballas.

Junto com a seleção brasileira do Jogando no Quintal conquistei o Terceiro Lugar no Match de Improvisação entre países, disputado em Lima, no Peru (2009), e o Primeiro Lugar no mundial de Match de Improvisação em Bogotá, na Colômbia (2008).

Improvisando: O que é Improvisação Teatral? Quais são os princípios em que se embasa?

Rhena: Improvisação Teatral para mim é a arte do jogo, a arte de estar aberto às possibilidades. Eu diria que os princípios mais básicos da Improvisação são a ESCUTA e a ACEITAÇÃO. Para mim, sem dúvida são o bê-a-bá, a lição número 1. Depois com a maturidade, um improvisador pode até desconstruir estes princípios. Mas num primeiro momento eles são fundamentais para que se crie uma cultura comum de jogo entre os atores.

Improvisando:  Como surgiu a Improvisação na sua carreira?

Rhena: Surgiu junto com o meu trabalho de palhaça, no final de 2000. Ser palhaça é entre outras coisas, viver em cena o aqui e o agora. É ser permeável ao meu público e a tudo o que ele me dá. E isto também é improvisar, porque trata da vivência de uma relação verdadeira, como na vida. Agora a improvisação como técnica, mais aprofundadamente, eu só fui descobrir quando fui convidada a integrar o Jogando no Quintal, em 2004. Entrei no Jogando no Quintal porque já era palhaça e boa parte dos integrantes conhecia o meu trabalho. Mas foi com o Jogando no Quintal que passei a ter contato com outros grupos, com mestres da Improvisação, e a me aprofundar em todos os seus princípios.

Improvisando:  Sabemos que o Jogando tem uma vertente singular na Impro em todo mundo, que é a aplicação de técnicas de Clown junto ao Improviso. De que maneiras se encontram o Clown e a Impro? Em que aspectos elas se diferenciam?

Rhena: Embora o palhaço crie relações reais com o público, e os improvisadores por meio de personagens, criem relações fictícias entre eles, ainda assim, nos dois casos é preciso reacionar a estes jogos com prontidão e verdade. Ambos fazem um teatro vivo diretamente relacionado às suas inquietações mais imediatas. E ambos os trabalhos são, sobretudo, trabalhos autorais.

O desafio de fazer Impro com o clown consiste na tentativa de conciliar algo que é de natureza generosa – no caso a Improvisação, com uma figura que é naturalmente egoísta – no caso o palhaço. E não se trata de ver generosidade como algo “bonzinho” e egoismo como algo “nocivo”. É muito mais simples: o improvisador serve  a cena, está a serviço de algo maior do que ele. Já o palhaço serve em primeiro lugar ao que lhe dá prazer, ao que lhe entretém e lhe diverte. Por isso ele é capaz de sacrificar uma estória em andamento em prol de uma boa piada, na tentiva de ganhar o público. Daí o seu egoismo. Acho que o Jogando existe há tanto tempo porque juntar estas duas coisas com facilidade é uma meta inalcançável.

Improvisando: Quem são os Improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?

Rhena: O argentino Marcelo Savignone, que faz um trabalho impressionante de improvisação com máscaras balinesas.

O colombiano Gustavo Miranda Angel, do grupo Acción Impro, pela presença de espírito e humor genial e que ele tem.

Gosto muito do Omar Argentino Galvan também, porque é um cara extremamente poético e inteligente. Um cara que faz um solo de Impro bastante verbal, como se fosse uma espécie de contador de estórias.
Improvisando: Quais companhias no mundo você acredita que hoje fazem os trabalhos mais incríveis?

Rhena: O grupo Acción Impro, de Medellin-Colômbia, que posui um dos espetáculos de longo formato mais bonitos que eu já vi: Tríptico. São bons atores, sempre se desafiam criando coisas novas, além de representarem para mim um ideal de grupo.

Gosto muito também do grupo espanhol Impromadrid, sempre poético e sofisticado em suas improvisações.

E citaria também os mexicanos do grupo Complot Escena. Me agradam suas idéias, são simples e carismáticos.
Improvisando: O que mais tem te trazido interesse em Improvisação hoje? Jogos de Improvisação ou espetáculos mais long form?

Já não me atraio por jogos de improvisação hoje em dia. O que me prende ao espetáculo Jogando no Quintal é muito mais o desafio de fazer impro entre palhaços e pela relação incrivelmente revolucionária que o espetáculo estabelece com o público, do que propriamente o desafio dos jogos. Prefiro os espetáculos de longo formato, os chamados long-forms. Eles me dão a possibilidade de criar boas estórias e, sobretudo, de me aprofundar nas relações entre os personagens, coisa que os jogos curtos não possibilitam.
Improvisando:  Qual é o princípio da Improvisação que é hoje mais motivo de investimento e pesquisa hoje no mundo?

Rhena: O que vejo como trajetória comum de pesquisa entre todos os grupos que conheço, não é um princípio, e sim, um formato: um início de vida por meio de jogos curtos de desafio que culmina, depois de anos de prática, na vontade e na necessidade quase vital de fazer um long-form. Então estas companhias partem para aquilo que consideram um desafio maior: criar estrórias de longa duração ou estórias únicas que durem todo o espetáculo. Quando isto aconteceu com o Accion Impro, da Colômbia, eles criaram “Triptico”. A LPI, da Argentina, criou o espetáculo “Circulo”. A LPI de Belo Horizonte, dirigida por Mariana Muniz, criou  “Sobre Nós”, o Colectivo Teatral Mamut, do Chile, criou o “Efecto Impro”, o Jogando no Quintal criou  “Caleidoscópio”. E com tantos outros grupos se passou o mesmo.
Improvisando:  Para onde vai a Impro (o futuro)?

Rhena: Acho que a Impro caminha para sair da marginalidade e se firmar como mais um gênero teatral. Acho que os espetáculos de Impro que fazem sucesso no Brasil têm impulsionado novos grupos a fazerem Impro também. E aos poucos a quantidade de grupos de improvisação vai aumentando, no Brasil e no mundo.

A seguir vídeos de Rhena de Faria com a Seleção do Jogando e como Mademoiselle Blanche no Jogando no Quintal.