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Último dia do Festival Internacional Los Improvisadores, no Teatro Oriente, em Santiago. E  cheio. Com 4 eventos no mesmo dia.

Meio dia, começamos com a Charla (bate papo). O convidado foi Rodrigo Malbrán Contre, diretor e fundador da Escuela Internacional del Gesto y la Imagen LA MANCHA.

Malbrán utilizou o espaço para fazer uma mostra de uma hora e meia, dos diversos estágios que passam os alunos durante os dois anos de formação da sua escola, que tem como base a metodologia de Lecoq. Seus graduandos mostraram cenas de utilização de máscara neutra, clown, commedia dell’ arte e por fim o que ele chama de Os Vinte Movimentos.

O trabalho dos alunos é preciso e rigoroso, a construção de cenas primorosa. O trabalho de Malbrán, que muito influenciou a formação dos improvisadores do Colectivo Teatral Mamut, nessa charla, mais do que didático foi umas das melhores possibilidades de entreterimento desse festival.

Seguiu-se às 16 horas a segunda apresentação do espetáculo Teatruras, do Impromadrid da Espanha.

Ignacio Lopez, Ignacio Soriano, Jorge Rueda e o músico Nacho Mastretta novamente fizeram um espetáculo primoroso na construção de estórias, leve, descontraido, ainda mais agradável com a participação das crianças da plateia. Mais sobre Teatruras no post anterior.

O espetáculo com maior sucesso de público do festival, seguiu-se a noite com Súper Escena, do Colectivo Teatral Mamut.

Com Monica Moya, Nico Belmar e Sergio Panqueque Molina, o Colectivo Teatral Mamut mostra a seu público chileno, um espetáculo de improvisação inspirado no cinema.

São propostas três cenas, em três estilos cinematográficos distintos. Os temas são sugeridos pela plateia. Cada uma dessas cenas se inicia e pára num ponto, na qual somente duas delas são eleitas para terem uma continuação. Depois de mais um pouco de desenvolvimento de cada uma das duas estórias, mais uma delas é eliminada, conhecendo o público somente um dos finais.

Espetáculo muito leve, divertido, bem ambientalizado tanto pela luz como pelo seu músico Francisco “Foco”. Os atores têm uma atuação muito forte pela caracterização de seus personagens e pelo seu carisma com o público. Um espetáculo belíssimo.

Fechou-se o festival com uma enorme festa. Teatro de Gorilas. Cada um dos músicos de suas companhias (Francisco “Foco” Cerda-Mamut, Cristiano Meirelles-Jogando no Quintal, Leonardo Prieto-Complot Escena, Nacho Mastretta-Impromadrid e Sebastian Rodrigues-La Gata Impro) e a banda do Teatro de Gorilas, fizeram a trilha sonora e os efeitos sonoros do espetáculo.

Foram 6 os diretores convidados: Ignacio Soriano (do Impromadrid da Espanha), Rodrigo Bello (do Improcrash da Argentina), Carlos Alberto Urrea Lasprilla (do La Gata Impro da Colômbia), Sergio Panqueque Molina (do Colectivo Teatral Mamut do Chile), Marcio Ballas (do Jogando no Quintal do Brasil) e Frank Totino (do Loose Moose do Canadá).

Os jogadores convidados foram:

– Florian Toperngpong e Nadine Antler da Alemanha.

– Charo Lopes, Luciano Barreda, Luciano Cohen, Marcelo Savignone, Omar Argentino Galván e Pau Farias da Argentina.

– Mateus Bianchim do Brasil.

-Monica Moya e Nico Belmar do Chile.

– Daniel Orrantia, Felipe Ortiz, Juan Gabriel Turbay e Mabel Moreno da Colômbia.

-Jorge Rueda da Espanha.

-José Luis Saldaña, Juan Carlos Medellín e Omar Medina do México.

A oportunidade de ver cenas propostas por aqueles que certamente estavam entre os maiores nomes da improvisação mundial, tornaram esse último espetáculo uma torre de babel de atuações, propostas, divertimento em cena e aprendizagem. Destaco, sem querer absolutamente desmerecer ninguém, o encontro antológico de parte do Sucesos Argentinos (Marcelo Savignone e Omar Argentino) que foi das grandes inspirações da improvisação latino americana com a nova geração de talentosos improvisadores argentinos (Improcrash) em cena nesse espetáculo. Memorável e emocionante.

Ao fim do espetáculo, todas as companhias foram merecidamente chamadas ao palco para serem homenageadas e a noite se seguiu com uma grande festa reunindo público, banda e atores num dos eventos mais fantásticos e audaciosos que a Improvisação mundial já assistiu.

Meus parabéns e muito obrigada a todos os amigos chilenos, a produção (meu especial a Andreia e a Loreto), equipe técnica do teatro, aos queridos amigos Monica, Nico, Panqueque e Francisco “Foco” Cerda do Colectivo Teatral Mamut pela hospitalidade, generosidade e iniciativa tão incrível de reunir as grandes companhias e pensadores da Improvisação Mundial da atualidade.

Meus parabéns  e muitíssimo obrigada também a todos os amigos e mestres Frank Totino, Angélica Rogel, José Luis Saldaña, Juan Carlos Medellín, Leonardo Prieto, Omar Medina, Carlos Alberto Urrea Asprilla, Daniel Orrantia, Felipe Ortiz, Juan Gabriel Turbay, Mabel Moreno, Sebastian Rodrigues, Allan Benatti, Cristiano Meirelles, Ernani Sanchez, Marcio Ballas, Marco Gonçalves, Rhena de Faria, Guilherme Tomé, Mario Escobar Olea, Mateus Bianchim, Charo Lopes, Luciano Barreda, Rodrigo Bello, Luciano Cohen, Marcelo Savignone, Omar Argentino GalvánFlorian Toperngpong, Nadine Antler, Ignacio Lopez, Ignacio Soriano e Jorge Rueda, Nacho Mastretta, Suso33. Vocês tornaram essa semana uma grande festa da improvisação mundial, pelas suas capacidades de viver verdadeiramente os conceitos da improvisação por estarem sempre presentes e afirmarem honesta e generosamente a amizade, aumentando e engrandecendo essa enorme corrente da Impro mundial.

Não devo esquecer dos amigos Adonis Camelato (do Olaria GB) e Rafael Protzner (do UMA Companhia) que compartilharam comigo diversão e aprendizagem.

Vimos atuações surpreendentes e impactantes como X- ha Muerto do Complot Escena e  propostas inovadoras como Corten do Impromadrid, que ao final, destacaram-se nesse festival. Mas nos entusiasmamos com o ritmo jovem, talentoso e coeso do Links do Improcrash. Admiramos a habilidade corporal dos colombianos no TellAraña do La Gata Impro. Nos emocionamos com as atuações solo impressionantes dos genios argentinos Omar Argentino Galván e Marcelo Savignone. Chilenos entusiasmados aplaudiram de pé por quase cinco minutos ao final do espetáculo dos nossos mestres brasileiros do Jogando no Quintal com o Caleidoscópio. Casa quase totalmente cheia de espectadores-fãs que ensurdeceram o Teatro Oriente para ver o espetáculo leve, descontraído e conciso com Colectivo Mamut com o Súper Escena.

Mas por fim, o que se destaca são as possibilidades de intercâmbio de conhecimento, discussões, propostas distintas, novas idéias de concepção, formatos, exercícios, teorias,  que foram pipocando aqui e ali entre uma taça de Sauvignon Blanc, uma cerveja Guayacan, um ceviche, uma salada de palta, um sorvete de lucuman, um poema de Pablo Neruda ou uma simples pausa para curtir o sol brando e o vento fresco. A tão inspiradora cidade de Santiago, se tornou cenário para o desenvolvimento dessas idéias que certamente plantaram a semente que desenvolverá, nesse solo fértil de tantos talentos humildemente ainda ávidos por ainda mais conhecimento e exercício da arte, a revolução proposta por essa grande escola e filosofia de vida que é a Improvisação Teatral.

Que esse post seja, mais que uma mera descrição do que foi esse festival, meus sinceros sentimentos a respeito dos oito dias mais emocionantes e edificantes que vivi desde que decidi me aventurar pelo curioso e instigante mundo da Impro.

Muito obrigada improvisadores de todo o mundo.

O Festival Los Improvisadores prossegue hoje com bastante atividade.

Começamos à tarde com o espetáculo Teatruras do Impromadrid, da Espanha.

Ignacio López, Ignacio Soriano e Jorge Rueda são desafiados pelo Senhor Teatro a mostrarem que tem condições de frequentar aquele espaço. Para isso, tem que passar por provas que ajudam didaticamente o público a conhecer quais são os elementos importantes que compõem um espetáculo de teatro: cenário, luz, personagens, estilos são algumas das cenas propostas cada uma delas, construídas por plataformas pedidas ao público.

No espetáculo, um telão nos apresenta o “Recadero” era chamado para dar explicações e também propor os desafios para os atores.

Contam também com a participação musical do maestro Nacho Mastretta.

Durante o espetáculo a platéia é convidada a participar da peça.

Um espetáculo belíssimo, delicado e com a já conhecida execução impecável do grupo.

Segue-se a noite com o espetáculo Vivo, solo de Marcelo Savignone.

Um cheiro inebriante de Palo Santo (madeira sagrada) e uma música com inspiração parte eletrônica, parte oriental nos convida a adentrar a atmosfera proposta por Marcelo Savignone.

Através de um exercício de extrema concentração e de adentrar-se dentro desse clima que  Marcelo Savignone escolhe uma a uma as máscaras que comporão seus personagens.

Num dado momento, após uma consecutiva viagem por cada um dos seus personagens, construindo estórias baseadas em temas propostos pelo público, Marcelo Savignone abandona sua máscara e mergulha nos seus personagens sobre uma quase penumbra, entrelaçando as estórias e seus personagens.

É um espetáculo de execução impressionante e que nos leva a lugares absolutamente desconhecidos de nós mesmos. Absolutamente inesquecível.

Segue-se a noite, com Stage Time.

Nesse formato se propõe que cada um dos três times, cada time esse composto por jogadores distintos de cada país, iniciem uma cena, que a qualquer momento pode ser interrompida pelo outro time até que se complete sua estória, dentro de um tempo pré estabelecido.

O espetáculo foi apresentado por Mateus Bianchim.

Equipe 1:

Florian Toperngpong, do Die Kaktussen da Alemanha.

José Luis Saldaña, do Complot Escena do México.

Nico Belmár, do Colectivo Teatral Mamut do Chile.

Pau Farias, do Improcrash da Argentina.

Rhena de Faria, do Jogando no Quintal do Brasil.

Equipe 2:

Charo Lopez, do Improcrash da Argentina.

Ignacio López, do Impromadrid da Espanha.

Mabel Moreno, do La Gata Impro da Colômbia.

Omar Argentino Galván, do Improtour da Argentina.

Omar Medina, do Complot Escena do México.

Equipe 3:

Daniel Orrantia, do La Gata Impro da Colômbia.

Luciano Barreda, do Improcrash da Argentina.

Marcio Ballas, do Jogando no Quintal do Brasil.

Monica Moya, do Colectivo Teatral Mamut do Chile.

Rodrigo Bello, do Improcrash da Argentina.

Amanhã no último dia do Festival, Charla (com Rodrigo Malbán e Frank Totino), Teatruras do Impromadrid, Super Escena do Colectivo Teatral Mamut e encerra-se o festival com o Teatro de Gorilas (com seis diretores de cenas).

Mais um dia impressionante no Festival Internacional Los Improvisadores, no Teatro Oriente em Santiago.

A noite começou com Corten, do Impromadrid da Espanha.

Um cronômetro marca em um enorme telão que cobre todo o fundo do palco, o tempo que os geniais espanhóis terão que improvisar estórias, baseadas em sugestões dadas pelo público. Durante a execução das cenas, os atores gritam Corten: as luzes se acendem e eles definem com a plateia os destinos de seus personagens.

Concepção moderna de cenário, que ainda conta com a improvisação de Suso33 que pinta o cenário durante a construção das cenas.

O espetáculo conta também com a improvisação musical do genial Nacho Mastretta, tocando clarinete e teclado e construindo cenas junto com o grupo.

No espetáculo de ontem, o figurinista do espetáculo, dando cor aos personagens criados foi Omar Argentino Galván, que inclusive já havia feito uma crônica sobre a estreia desse espetáculo em Madrid. É dele também, mas uma de suas incríveis notas, publicada hoje, descrevendo sua experiência com esse festival.

Já conhecidos pela sua habilidade de construção de narrativas e pela sofisticação da concepção de espetáculos, Jorge Rueda, Ignacio Soriano e Ignacio Lopez, construiram um espetáculo refinado, de extremo bom gosto, de execução impecável. Absolutamente inesquecível.

A noite se segue, dando lugar para o espetáculo Más Menos.

O espetáculo foi apresentado pelo brasileiro Mateus Bianchim.

Nesse espetáculo três equipes de quatro jogadores dos vários países convidados, realizavam uma grande cena dividida em três partes.

Após a execução da primeira, no formato e com recursos decididos por cada grupo, com plataformas solicitadas para o público, o público decide se querem assistir a continuação das cenas, dizendo Más (se querem continuar a ver) ou Menos (se não quiserem mais ver as cenas).

As três equipes:

Equipe 1:

Angélica Rogel, do Complot Escena do México.

Carlos Alberto Urrea Lasprilla, do La Gata Impro da Colômbia.

Jorge Rueda, do Impromadrid da Espanha.

Marco Gonçalves, do Jogando no Quintal do Brasil.

Equipe 2:

Juan Carlos Medellín, do Complot Escena do México.

Marcio Ballas, do Jogando no Quintal do Brasil.

Nadine Antler, do Die Kaktussen da Alemanha.

Nico Belmár, do Colectivo Teatral Mamut do Chile.

Equipe 3:

Allan Benatti, do Jogando no Quintal do Brasil.

Charo Lopez, do Improcrash da Argentina.

Felipe Ortiz, do La Gata Impro da Colômbia.

Sergio Panqueque Molina, do Colectivo Teatral Mamut do Chile.

Por fim, somente com camisas 10 em cena, tivemos más para todas elas e vimos as três cenas completas.

Hoje, é um dia com muitas atividades!

Teremos Teatruras , espetáculo infantil do Impromadrid; Vivo, espetáculo solo de Marcelo Savignone e à noite Stage Time com a participação de jogadores de todas as equipes do mundo.

Ontem foi dia de Brasil no Festival Los Improvisadores, no Teatro Oriente, Santiago, Chile.

Apresentou-se Caleidoscópio, do Jogando no Quintal. Allan Benatti, Marco Gonçalves, Marcio Ballas, Rhena de Faria, Cristiano Meirelles e Ernani Sanchez (iluminação) fizeram um trabalho belíssimo, como de costume, nos orgulhando muitíssimo brasileiros, nesse festival.

Para quem não conhece seu formato, o espetáculo inicia com pequenos depoimentos de lembranças vividas nas vidas pessoais de cada um dos improvisadores. Cada estória leva a perguntar para plateia plataformas que vem também de suas vivências pessoais. As cinco plataformas colhidas do público servirão de inspiração para a criação de cinco estórias, que em meio ao espetáculo se entrelaçam.

Mais uma vez me impressionou a beleza das estórias contadas, o poder da criação de imagens, o carisma que ganha facilmente o público e por fim a capacidade de contruir a interligação das estórias de forma tão concisa e ao mesmo tempo tão suave.

A noite se seguiu com o espetáculo Mosaico.

Formato de improvisação em que são solicitadas plataformas ao público que serão utilizadas como inspiração para todas as diversas cenas criadas por grupos distintos de atores que estarão em cena, sob direção de Sergio Panqueque Molina, do Colectivo Teatral Mamut. Foram pedidos uma frase, um lugar, um sentimento, um objeto e algo que caracterizava uma cultura.

Foram convidados 20 jogadores de distintos países.

Alemanha: Nadine Antler e Florian Toperngpong (Die Kaktussen).

Argentina: Omar Argentino Galván (Improtour), Pau Farias e Rodrigo Bello (Improcrash).

Brasil: Guilherme Tomé (É Tudo Improviso e Olaria GB), Marcio Ballas (Jogando no Quintal e É Tudo Improviso), Mateus Bianchim e Rhena de Faria (Jogando no Quintal).

Chile: Mali (Los Improvisadores), Mario Escobar Olea, Monica Moya e Nico Belmár (Colectivo Teatral Mamut e Los Improvisadores).

Colômbia: Daniel Orrantia, Juan Gabriel Turbay e Mabel Moreno (La Gata Impro).

Espanha: Ignácio Lopez e Ignacio Soriano (Impromadrid).

México: Angélica Rogel, José Luis Saldaña e Juan Carlos Medellín (Complot Escena).

 

Hoje é dia de Corten, do Impromadrid da Espanha e Más Menos com participação de integrantes do mundo todo.

Mateus Bianchim é um ser livre. Dotado de uma capacidade de desprendimento e de busca pelos seus sonhos, acompanhei desde que o conheci, suas diversas decisões de mudanças corajosas em busca do seu sonho de aprendizado e de trabalhar com excelência no universo da Improvisação Teatral. Muitas pessoas podem falar de desejar serem livres, mas creio que tive a oportunidade real de conhecer quem de fato vai buscá-la além de todos os limites. Nessa entrevista também livre e polêmica, expõe seus pensamentos sobre a improvisação sob seu olhar bastante crítico.

1) Gostaria que vc começasse resumindo os trabalhos nos quais vc está envolvido hoje. Farei um pequeno resumo para te apresentar.

Moro em Belo Horizonte e agora faço parte de projetos da UMA Companhia, respeitada como poucas no cenário da impro Brasileiro. Acabamos de estreiar o espetáculo “Dos Gardenias Social Club” que é um long-form inspirado no Bolero, na casa de baile e nas relações possíveis nesse lugar.

Fora isso, participarei da temporada do Match de Improvisação, também da UMA e estou na direção do IMPROLIVRE, baseado na oficina que tive com Frank Totino, e que apresentamos em bares de belô.
2) O que é Improvisação Teatral? Quais são os princípios em que se embasa?

A Impro é um solo fértil e amplo. Ela se trata de teatro; e o teatro, e a arte, estão além dos limites que a tevê ou o mercado infelizmente impõe. A impro pode dar minas de ouro e ali se projetarem várias pessoas em busca do que já está pronto; uma Serra Pelada. Mas também tem outros lugares onde se pode plantar, arando e fertilizando o solo, jogando sementes e errando a época da colheita, até achar um fruto bom e duradouro pra se deliciar e se vender. Acima de tudo se deliciar e fazer deliciar.
3) Como surgiu a Improvisação na sua carreira?

Fui integrante da Imprópria Cia Teatral, éramos todos (ou quase) formados em Artes Cênicas na Universidade Federal de Ouro Preto/MG. Lá tivemos contato com a Mariana Muniz, que é a fundadora da LPI em BH, que agora é a UMA. Ela desviou nosso caminho pra sempre em direção à Impro!
4) Quem são os Improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?

Minha improvisação se inspira no cotidiano. Procuro não mais me espelhar no trabalho que os outros fazem, mas também não me preocupo se isso acontecer. Acho que o Brasil tem bons improvisadores, mas que ainda estão engatinhando e descobrindo o que estão fazendo.

5) Quais companhias no mundo você acredita que hoje fazem os trabalhos mais incríveis?

Acho que os que estão há algum tempo na estrada, e que não precisaram mais se vender, nos apresentam uma maturidade que vai além da virtuose. Mas o mundo é grande.

6) O que mais tem te trazido interesse em Improvisação hoje? Jogos de Improvisação ou espetáculos mais long form?

Pra mim os jogos estão mostrando cada vez mais que se limitam a jogos mesmo, onde o privilégio é mostrar o quanto se é esperto e rápido, coisa que acho dispensável até no processo de educação infantil.
Eu busco poesia em cena, nas minhas oficinas eu procuro trabalhar isso, a sensibilidade das relações, uma obra completa e interessante de se ver com a vantagem da espontaneidade do improviso, da verdade de cada ator aberta em flor, exposta.
E quando falo de espontaneidade, falo da questão mais animalesca da coisa e não dessa “primeira idéia” que vem sido utilizada na impro brasileira.
7) Qual é o princípio da Improvisação que é hoje mais motivo de investimento e pesquisa hoje no mundo?
O mercado exige que você venda. O que mais vende são espetáculos de impro-cômica, explorando a rapidez da piada e a satisfação de desejos sádicos de uma platéia burguesa. Eu não vendo mais improvisação.

O que pesquiso e se pesquisa a fundo no vasto mundo, é a emancipação do ser-ator e do ser-público através de uma metodologia libertária que é a do Keith Johnstone. Mas essa liberdade permite que o sistema a subverta, como ele faz com movimentos sociais desde sempre (transformar o punk em moda, por exemplo), e que vem tendo a complacência de “atores” que desejam o poder da fama e do dinheiro.

8) Quais são as dificuldades executivas de um grupo no mercado da  Improvisação? Como o UMA Companhia tem conseguido se estabelecer nesse mercado? Quais são as perspectivas e projetos do seu grupo?

Nenhum grupo que fiz parte teve facilidade em ganhar dinheiro com teatro. Eu fui dirigido pelo Chico de Assis do Arena e ele me disse uma vez que ator pra ter dinheiro precisa ter um três oitão na cintura dentro de um banco. Existe um consumo, mas você tem que se submeter ao desejo do consumidor. E me submeter não é coisa que quero fazer se puder não fazer. Existem leis e editais, mas são poucos e privilegiam poucos. Eu gosto muito de usar o exemplo do Simioni, do LUME. Eu tive aulas com ele e vi uma apresentação de um espetáculo belíssimo solo dele em Ouro Preto. No final, quando perguntado se ele poderia fazer aquele espetáculo, que pesquisava uma coisa muito íntima, difícil de ser entendida, sem ele ser “o” Simioni, ele disse que com certeza não. Ou seja, a pesquisa só é viável para quem tem nome: ou quem se submeteu e cansou de se submeter (mas esse perderá seu público em pouco tempo) ou para os que não desistiram de seus sonhos e agora tem público cativo.

9) Para onde vai a Impro (o futuro)?
Cada vez mais e mais pessoas vão se interessar e fazer Impro, assistir, pesquisar. Somos muito novos no conhecimento dessa linguagem, vejo grandes nomes que estão aí há 30 anos!!! É um território muito amplo para se fazer, para se buscar, quem tem verdade e gosta do que faz durará.

Nesse final de semana, Mateus dará uma oficina de Improvisação em São Paulo. Informações seguem no cartaz abaixo.

Abaixo a participação de Mateus no Mr. Impro (Micetro), espetáculo de Improvisação formato de Keith Johnstone, promovido no Improfestin do Chile en 2009, jogando Irmãos Siameses. Com participação de David Sanin Gaviria do Acción Impro, Angélica Rogel do Complot/ Escena e Monica Moya do Colectivo Teatral Mamut. Apresentação de Mario Escobar Olea do Bassusseder/ Soloy Simple Teatro  e direção de Shawn Kinley do Loose Moose.

Flávio Lobo é polivalente. Além de professor de biologia é professor de Improvisação na Cia. do Teatro Contemporâneo e está à frente do Grupo Alcatéia de Improvisação, bicampeão carioca e atual campeão brasileiro, título esse recentemente conquistado no Campeonato Brasileiro de Improvisação que ocorreu no último fim de semana no Rio de Janeiro. Flávio também é responsável pela notícia de improvisação com o resumo desse campeonato exclusivo para esse blog.
1) Improvisando: Gostaria que vc começasse resumindo os trabalhos nos quais vc está envolvido hoje.
Atualmente ministro aulas de improvisação no curso livre e no curso profissionalizante da Cia de Teatro Contemporâneo. Também trabalho no Colégio Eduardo Guimarães como professor de ciências, biologia e improvisação teatral onde ministro aulas de improvisação para as classes especiais (O EG é uma escola inclusiva) e realizo uma pesquisa sobre como a improvisação pode auxiliar no ensino formal. 

Estou a frente do Grupo Alcateia de Improvisação, atual campeão Carioca e Brasileiro de improvisação onde trabalho como ator e treinador e é produzido por Fabiola Mozine. O Grupo está preparando dois espetáculos um de cenas curtas e outro no formato de cenas longas improvisadas. Ambos para estreiar em 2011 na cena carioca.

2) Improvisando:  O que é Improvisação Teatral? Quais são os princípios em que se embasa?
Para  mim a improvisação teatral é um ótimo treinamento para qualquer ator, e até mesmo para qualquer pessoa, pois seus fundamentos como a escuta, o cavalheirismo e a aceitação são princípios básicos para que se construa boas relações em cena e na vida. Criar cenas, assim como conviver em grupo é algo muito difícil e requer muita conexão entre seus componentes para que tudo ocorra bem.
3) Improvisando: Como surgiu a Improvisação na sua carreira?
A improvisação vai surgir na minha vida na década de 90 onde eu fazia uma peça chamada Terror na Praia. A ideia desse espetáculo surgiu quando a produtora Mariah Martinez assistiu a um show de impro na França e , mesmo sem entender nada, achou bacana uma disputa teatral onde a platéia atirava chinelinhos de borracha nos atores (na verdade era nos juízes) em uma disputa teatral.
No Terror, que tinha como base o teatro circo da década de 50, tinhamos uma peça principal com o gênero terror seguido de um ato variado com esquetes, mágicos e malabaristas. O espetáculo era quase todo improvisado a partir de um roteiro básico, pois tanto a peça, quanto o ato variado mudava a cada semana. Durante o ato variado, o ápice era uma disputa do “pior esquete”. Dois grupos de atores disputavam uma cena onde o público jogava chinelos de espuma naquelas que achavam a pior. Esta seria a escolhida da semana e encenada na íntegra na semana seguinte. O Terror foi uma grande escola embora não tivesse quase nada do Impro de verdade.
Em 2003 a atriz e diretora Gabriela Duvivier veio da Europa trazendo em sua bagagem as técnicas de Keith Johnstone. Ela ofereceu uma oficina e formou um grupo de atores. Foi meu primeiro contato real com teatroesporte e dessa oficina surgiu o “Teatro do Nada” uma das primeiras companhias cariocas de improvisação, que está na cena até hoje. Quando o “Nada” se formou eu estáva envolvido em pesquisas sobre o impro, tinha acabado de ler o “Impro for Storytellers” e muito empolgado. Assim resolvi fazer encontros, com auxílio da produtora Fabiola Mozine,  onde divulgávamos e treinávamos as técnicas, gratuitamente para quem quisesse participar. Nessa época fui convidado a fazer parte do espetáculo “Nada Contra” do “Teatro do Nada”, como Juiz Técnico e comecei a trabalhar na Cia de Teatro Contemporâneo, onde Iniciamos as primeiras versões do Campeonato Carioca de Improvisação.
Nesse meio tempo, até hoje, participei de inúmeras oficinas e workshops de improvisadores que passaram por aqui como Ana Paula Novellino (Teatro do Nada), Ricardo Behrens (LPI Argentina), Fernando Caruso (Z.E. Zenas Emprovisadas), Matheus Bianchim (Imprópria Cia Teatral), Omar Argentino (Improtour), Edson Duavy (Anônimos da Silva), Pedro Borges ( Improváveis – Portugal) e Bobbi Block (Groove and Tongue – Philadelphia)  e também ministrei oficinas no Rio, São João del Rey – MG e Villa Velha – ES.
4) Improvisando: A sua trajetória profissional é diversificada. Se bem compreendi você vem da área das ciências (biologia). Como sua formação influenciou na sua atuação. E quanto da improvisação contribuiu na sua carreira?
A improvisação no geral e o impro em particular é uma técnica onde o ator deve trabalhar com o máximo de conhecimento que possa contribuir com a cena. Adoro estudar. Sou formado em biologia, professor, ator, jogador de RPG, colecionador de quadrinhos desde adolescente e um devorador de livros e filmes, em suma, o típico “NERD”. Logo o Impro, para mim é uma evolução natural. Tento levar para os jogos de impro os detalhes adquiridos por minha vivência, assim como tento levar o Impro para a sala de aula. Acho que é uma boa troca e os resultados em ambas as áreas de atuação é extremamente satisfatório.
5) Improvisando: Quem são os Improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?
São muitos. Hoje em dia eu citaria Keith Johnstone (que eu conheço apenas pela obra), Ricardo Behrens, Omar Argentino, Allan Benatti e Edson Duavy.
6) Improvisando: Quais companhias no mundo você acredita que hoje fazem os trabalhos mais incríveis?
Não saberia lhe responder sobre as melhores companhias do mundo. Pois as conheço apenas pela literatura e alguns vídeos do youtube. Porém no Brasil, daquelas que eu vi atuando, as melhores companhias que estão na cena hoje em dia na minha opinião são, independente da ordem: “Uma Companhia” (MG), “Jogando no Quintal” (SP),  e claro o “Grupo Alcateia” (RJ). No campeonato Brasileiro de improvisação me impressionaram também o jogo dos “Protótipos” e do Sustentáculos (SP) e dos “Risologistas” (PR).
7) Improvisando: O que mais tem te trazido interesse em Improvisação hoje? Jogos de Improvisação ou espetáculos mais long form?
Estou trabalhando com o Alcateia as duas vertentes.Gosto muito dos jogos de improviso. Mas acho que eles acabam limitando a improvisação pelo excesso de regras (que é bom para iniciantes). A tendência natural dos improvisadores mais experientes é buscar formatos mais longos e livre de amarras onde se prioriza a dramaturgia e o aprofundamento das relações entre os personagens.
8.) Improvisando: Quais princípios em que se embasa a Improvisação que é hoje são mais motivos de investigação e pesquisa?
A noção de ciclo de espectativas, que está relacionada diretamente com o conhecimento no assunto sobre o qual se fala durante a improvisação. A escuta e a aceitação – fundamentais para a construção de cenas em grupo e as noções teatrais de memória emotiva, memória afetiva e construção de personagem. Fundamentais para uma cena mais longa.

9) Improvisando: Para onde vai a Impro (o futuro)?

A impro é uma fonte inesgotável de pesquisa. Acredito que pode se originar inúmeros formatos de espetáculos e no futuro acho que muitas empresas utilizarão as técnicas para o treinamento de seus funcionários e professores as utilizarão para facilitar a aquisição de conhecimento por parte dos alunos. Além do mais é um formato teatral totalmente aberto e muitos grupos a utilizarão para formatar seus espetáculos. E é claro surgirão os campeonatos, encontros e festivais de improvisação, fonte permanente de troca de conhecimento entre os entendidos e os neófitos.

Na seqüência, vídeos do Alcatéia em ação, contra o Anônimos da Silva no Brasileiro do último ano e contra o Ilimitada no Campeonato Carioca de Improvisação.