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Último dia do Festival Internacional Los Improvisadores, no Teatro Oriente, em Santiago. E  cheio. Com 4 eventos no mesmo dia.

Meio dia, começamos com a Charla (bate papo). O convidado foi Rodrigo Malbrán Contre, diretor e fundador da Escuela Internacional del Gesto y la Imagen LA MANCHA.

Malbrán utilizou o espaço para fazer uma mostra de uma hora e meia, dos diversos estágios que passam os alunos durante os dois anos de formação da sua escola, que tem como base a metodologia de Lecoq. Seus graduandos mostraram cenas de utilização de máscara neutra, clown, commedia dell’ arte e por fim o que ele chama de Os Vinte Movimentos.

O trabalho dos alunos é preciso e rigoroso, a construção de cenas primorosa. O trabalho de Malbrán, que muito influenciou a formação dos improvisadores do Colectivo Teatral Mamut, nessa charla, mais do que didático foi umas das melhores possibilidades de entreterimento desse festival.

Seguiu-se às 16 horas a segunda apresentação do espetáculo Teatruras, do Impromadrid da Espanha.

Ignacio Lopez, Ignacio Soriano, Jorge Rueda e o músico Nacho Mastretta novamente fizeram um espetáculo primoroso na construção de estórias, leve, descontraido, ainda mais agradável com a participação das crianças da plateia. Mais sobre Teatruras no post anterior.

O espetáculo com maior sucesso de público do festival, seguiu-se a noite com Súper Escena, do Colectivo Teatral Mamut.

Com Monica Moya, Nico Belmar e Sergio Panqueque Molina, o Colectivo Teatral Mamut mostra a seu público chileno, um espetáculo de improvisação inspirado no cinema.

São propostas três cenas, em três estilos cinematográficos distintos. Os temas são sugeridos pela plateia. Cada uma dessas cenas se inicia e pára num ponto, na qual somente duas delas são eleitas para terem uma continuação. Depois de mais um pouco de desenvolvimento de cada uma das duas estórias, mais uma delas é eliminada, conhecendo o público somente um dos finais.

Espetáculo muito leve, divertido, bem ambientalizado tanto pela luz como pelo seu músico Francisco “Foco”. Os atores têm uma atuação muito forte pela caracterização de seus personagens e pelo seu carisma com o público. Um espetáculo belíssimo.

Fechou-se o festival com uma enorme festa. Teatro de Gorilas. Cada um dos músicos de suas companhias (Francisco “Foco” Cerda-Mamut, Cristiano Meirelles-Jogando no Quintal, Leonardo Prieto-Complot Escena, Nacho Mastretta-Impromadrid e Sebastian Rodrigues-La Gata Impro) e a banda do Teatro de Gorilas, fizeram a trilha sonora e os efeitos sonoros do espetáculo.

Foram 6 os diretores convidados: Ignacio Soriano (do Impromadrid da Espanha), Rodrigo Bello (do Improcrash da Argentina), Carlos Alberto Urrea Lasprilla (do La Gata Impro da Colômbia), Sergio Panqueque Molina (do Colectivo Teatral Mamut do Chile), Marcio Ballas (do Jogando no Quintal do Brasil) e Frank Totino (do Loose Moose do Canadá).

Os jogadores convidados foram:

– Florian Toperngpong e Nadine Antler da Alemanha.

– Charo Lopes, Luciano Barreda, Luciano Cohen, Marcelo Savignone, Omar Argentino Galván e Pau Farias da Argentina.

– Mateus Bianchim do Brasil.

-Monica Moya e Nico Belmar do Chile.

– Daniel Orrantia, Felipe Ortiz, Juan Gabriel Turbay e Mabel Moreno da Colômbia.

-Jorge Rueda da Espanha.

-José Luis Saldaña, Juan Carlos Medellín e Omar Medina do México.

A oportunidade de ver cenas propostas por aqueles que certamente estavam entre os maiores nomes da improvisação mundial, tornaram esse último espetáculo uma torre de babel de atuações, propostas, divertimento em cena e aprendizagem. Destaco, sem querer absolutamente desmerecer ninguém, o encontro antológico de parte do Sucesos Argentinos (Marcelo Savignone e Omar Argentino) que foi das grandes inspirações da improvisação latino americana com a nova geração de talentosos improvisadores argentinos (Improcrash) em cena nesse espetáculo. Memorável e emocionante.

Ao fim do espetáculo, todas as companhias foram merecidamente chamadas ao palco para serem homenageadas e a noite se seguiu com uma grande festa reunindo público, banda e atores num dos eventos mais fantásticos e audaciosos que a Improvisação mundial já assistiu.

Meus parabéns e muito obrigada a todos os amigos chilenos, a produção (meu especial a Andreia e a Loreto), equipe técnica do teatro, aos queridos amigos Monica, Nico, Panqueque e Francisco “Foco” Cerda do Colectivo Teatral Mamut pela hospitalidade, generosidade e iniciativa tão incrível de reunir as grandes companhias e pensadores da Improvisação Mundial da atualidade.

Meus parabéns  e muitíssimo obrigada também a todos os amigos e mestres Frank Totino, Angélica Rogel, José Luis Saldaña, Juan Carlos Medellín, Leonardo Prieto, Omar Medina, Carlos Alberto Urrea Asprilla, Daniel Orrantia, Felipe Ortiz, Juan Gabriel Turbay, Mabel Moreno, Sebastian Rodrigues, Allan Benatti, Cristiano Meirelles, Ernani Sanchez, Marcio Ballas, Marco Gonçalves, Rhena de Faria, Guilherme Tomé, Mario Escobar Olea, Mateus Bianchim, Charo Lopes, Luciano Barreda, Rodrigo Bello, Luciano Cohen, Marcelo Savignone, Omar Argentino GalvánFlorian Toperngpong, Nadine Antler, Ignacio Lopez, Ignacio Soriano e Jorge Rueda, Nacho Mastretta, Suso33. Vocês tornaram essa semana uma grande festa da improvisação mundial, pelas suas capacidades de viver verdadeiramente os conceitos da improvisação por estarem sempre presentes e afirmarem honesta e generosamente a amizade, aumentando e engrandecendo essa enorme corrente da Impro mundial.

Não devo esquecer dos amigos Adonis Camelato (do Olaria GB) e Rafael Protzner (do UMA Companhia) que compartilharam comigo diversão e aprendizagem.

Vimos atuações surpreendentes e impactantes como X- ha Muerto do Complot Escena e  propostas inovadoras como Corten do Impromadrid, que ao final, destacaram-se nesse festival. Mas nos entusiasmamos com o ritmo jovem, talentoso e coeso do Links do Improcrash. Admiramos a habilidade corporal dos colombianos no TellAraña do La Gata Impro. Nos emocionamos com as atuações solo impressionantes dos genios argentinos Omar Argentino Galván e Marcelo Savignone. Chilenos entusiasmados aplaudiram de pé por quase cinco minutos ao final do espetáculo dos nossos mestres brasileiros do Jogando no Quintal com o Caleidoscópio. Casa quase totalmente cheia de espectadores-fãs que ensurdeceram o Teatro Oriente para ver o espetáculo leve, descontraído e conciso com Colectivo Mamut com o Súper Escena.

Mas por fim, o que se destaca são as possibilidades de intercâmbio de conhecimento, discussões, propostas distintas, novas idéias de concepção, formatos, exercícios, teorias,  que foram pipocando aqui e ali entre uma taça de Sauvignon Blanc, uma cerveja Guayacan, um ceviche, uma salada de palta, um sorvete de lucuman, um poema de Pablo Neruda ou uma simples pausa para curtir o sol brando e o vento fresco. A tão inspiradora cidade de Santiago, se tornou cenário para o desenvolvimento dessas idéias que certamente plantaram a semente que desenvolverá, nesse solo fértil de tantos talentos humildemente ainda ávidos por ainda mais conhecimento e exercício da arte, a revolução proposta por essa grande escola e filosofia de vida que é a Improvisação Teatral.

Que esse post seja, mais que uma mera descrição do que foi esse festival, meus sinceros sentimentos a respeito dos oito dias mais emocionantes e edificantes que vivi desde que decidi me aventurar pelo curioso e instigante mundo da Impro.

Muito obrigada improvisadores de todo o mundo.

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O Festival Los Improvisadores prossegue hoje com bastante atividade.

Começamos à tarde com o espetáculo Teatruras do Impromadrid, da Espanha.

Ignacio López, Ignacio Soriano e Jorge Rueda são desafiados pelo Senhor Teatro a mostrarem que tem condições de frequentar aquele espaço. Para isso, tem que passar por provas que ajudam didaticamente o público a conhecer quais são os elementos importantes que compõem um espetáculo de teatro: cenário, luz, personagens, estilos são algumas das cenas propostas cada uma delas, construídas por plataformas pedidas ao público.

No espetáculo, um telão nos apresenta o “Recadero” era chamado para dar explicações e também propor os desafios para os atores.

Contam também com a participação musical do maestro Nacho Mastretta.

Durante o espetáculo a platéia é convidada a participar da peça.

Um espetáculo belíssimo, delicado e com a já conhecida execução impecável do grupo.

Segue-se a noite com o espetáculo Vivo, solo de Marcelo Savignone.

Um cheiro inebriante de Palo Santo (madeira sagrada) e uma música com inspiração parte eletrônica, parte oriental nos convida a adentrar a atmosfera proposta por Marcelo Savignone.

Através de um exercício de extrema concentração e de adentrar-se dentro desse clima que  Marcelo Savignone escolhe uma a uma as máscaras que comporão seus personagens.

Num dado momento, após uma consecutiva viagem por cada um dos seus personagens, construindo estórias baseadas em temas propostos pelo público, Marcelo Savignone abandona sua máscara e mergulha nos seus personagens sobre uma quase penumbra, entrelaçando as estórias e seus personagens.

É um espetáculo de execução impressionante e que nos leva a lugares absolutamente desconhecidos de nós mesmos. Absolutamente inesquecível.

Segue-se a noite, com Stage Time.

Nesse formato se propõe que cada um dos três times, cada time esse composto por jogadores distintos de cada país, iniciem uma cena, que a qualquer momento pode ser interrompida pelo outro time até que se complete sua estória, dentro de um tempo pré estabelecido.

O espetáculo foi apresentado por Mateus Bianchim.

Equipe 1:

Florian Toperngpong, do Die Kaktussen da Alemanha.

José Luis Saldaña, do Complot Escena do México.

Nico Belmár, do Colectivo Teatral Mamut do Chile.

Pau Farias, do Improcrash da Argentina.

Rhena de Faria, do Jogando no Quintal do Brasil.

Equipe 2:

Charo Lopez, do Improcrash da Argentina.

Ignacio López, do Impromadrid da Espanha.

Mabel Moreno, do La Gata Impro da Colômbia.

Omar Argentino Galván, do Improtour da Argentina.

Omar Medina, do Complot Escena do México.

Equipe 3:

Daniel Orrantia, do La Gata Impro da Colômbia.

Luciano Barreda, do Improcrash da Argentina.

Marcio Ballas, do Jogando no Quintal do Brasil.

Monica Moya, do Colectivo Teatral Mamut do Chile.

Rodrigo Bello, do Improcrash da Argentina.

Amanhã no último dia do Festival, Charla (com Rodrigo Malbán e Frank Totino), Teatruras do Impromadrid, Super Escena do Colectivo Teatral Mamut e encerra-se o festival com o Teatro de Gorilas (com seis diretores de cenas).

Mais um dia incrível no Festival Los Improvisadores, no Teatro Oriente em Santiago, Chile.

Fomos presenteados no dia de ontem com a estreia do espetáculo X-Ha Muerto do Complot Escena, do México.

O espetáculo utiliza como norteador a tradição mexicana de cultuar a memória dos mortos. Diante da morte, os familiares costumam realizar uma reverência em que apresentam pertences que caracterizavam muito o ente que faleceu e se confraternizam.A premissa utilizada no espetáculo é a de que se fale de uma pessoa muito especial, contando de sua vida e de sua morte através de depoimentos pessoais dos familiares e conhecidos.

O espetáculo começa com uma balada muito bonita, tocada com violão solo por Leonardo Prieto.

Segue-se a entrada do protagonista, que vai falar um pouco quem é ele, e depois dele se seguem, um a um os outros que prestam depoimentos de situações vividas cronologicamente em sua vida com o protagonista, por inspirações de frases sugeridas pelo público.

José Luis Saldaña, Omar Medina, Juan Carlos Medellín e Angélica Rogel, tem performances inesquecíveis e irreparáveis.

O lirismo, a dramaticidade teatral e a capacidade de adentrar-se aos personagens e contar as estórias foram emocionantes.

Complot Escena mostra sua face menos cômica e muito mais reflexiva e introspectiva. Uma performance memorável, certamente a melhor de todas as apresentações até esse momento do Festival e digna do unânime entusiasmo de todos aqueles que presenciaram esse espetáculo.

Segue-se a noite do festival com o Cage Match.

Formato americano de improvisação. Nele, ontem quatro equipes de países diferentes foram desafiados a propor uma cena com plataformas e números de jogadores por eles determinados, que deve se encerrar em 20 minutos, onde quer que ela tenha chegado.

O mestre de cerimônias foi Marcio Ballas (Jogando no Quintal e É Tudo Improviso).

As equipes:

Impromadrid da Espanha (Jorge Rueda, Ignacio López e Ignacio Soriano), acompanhados do músico Nacho Mastretta.

Improcrash da Argentina (Charo Lopes, Pau Farias, Rodrigo Bello e Luciano Barreda) acompanhados de Francisco “Foco” Cerda, músico do Colectivo Teatral Mamut.

La Gata Impro, da Colômbia (Carlos Alberto Urrea Asprilla, Felipe Ortiz, Mabel Moreno, Daniel Orrantia e Juan Gabriel Turbay), acompanhados do músico Sebastián Rodriguez.

Colectivo Teatral Mamut (Sergio Panqueque Molina, Monica Moya e Nico Belmár), acompanhados do músico Francisco “Foco” Cerda.

Sagrou-se campeão o Colectivo Teatral Mamut, por voto popular.

Novo formato, novas experiências, tudo muito enriquecedor aqui direto do Chile.

Hoje é um dia especial para nós do Brasil. É dia de Caleidoscópio, do Jogando no Quintal.

Mais à noite, Mosaico.

Omar Galván estreia aquilo que vou chamar no meu blog de coluna de Artigos de Improvisação.

Já inúmeras vezes citado nesse blog, um dos maiores inspiradores de grande parte dessa geração de improvisadores brilhantes, Omar acumula mais de 16 anos de pesquisa e ensino na Improvisação Teatral, e já percorre todo o mundo com o seu Solo de Impro há 10 anos.

Trato aqui de expor minha opinião pessoal. Sua forma de perceber a Improvisação, ensiná-la e fazê-la enquanto arte, não somente humorística mas poética, crítica, onírica e filosófica, fazem dele certamente o mais impressionante improvisador que já vi em cena e em sala de aula.

Falaremos dele mais a frente, quando gentilmente concede uma entrevista, contando suas experiências pelo mundo da Improvisação e pelo mundo todo em si, conhecendo ainda mais pessoas, mais culturas, mais visões da Improvisação, engrandecendo ainda mais seu já tão vasto currículo e repertório.

Abaixo o link diretamente para seu site, com sua “Nota de Improtour”, para que possam lê-la e mais ainda ler as suas demais notas que eu sempre cito e recomendo.

Nota de Improtour: La Excepción Paulista

E logo a seguir, minha tradução na íntegra sobre um pedido que fiz de uma nota sobre sua recente passagem no Brasil, em que fez seu Solo de Impro, acompanhou a gravação do Programa É Tudo Improviso, deu workshops a alunos e aos atores do Jogando no Quintal, Barbixas e É Tudo Improviso e ainda jogou com os Barbixas, Marco Gonçalves e Marcio Ballas o espetáculo Improvável. Passou também pelo Rio de Janeiro, onde também deu workshops e fez seu solo de Impro na Cia. Teatro Contemporâneo.

Nesse artigo, traça um panorama da Improvisação paulista.

Mais uma vez, por essas e tantas coisas que pude aprender, muito, muito obrigada, muchas gracias, mestre Omar Argentino.

A exceção paulista

Existe uma regra jamais escrita no mundo da Impro, em algum ou alguns momentos (meses, anos, décadas) os grupos de uma mesma cidade, devem se dar mal ou muito mal entre si.

Seja por divisões conflitivas, por usurpação de “direitos de autor”, por somas de mal entendidos, por dinheiro desviado, por encontro de egos, ou pela razão que seja, é uma constante em ambas as costas do Atlântico.
Às regras correspondem exceções, e nesse microcosmos de Improvisadores, São Paulo parece ser a exceção. Jogando no Quintal e Barbixas são duas das companhias de improvisação mais exitosas na atualidade latinoamericana, convivem em uma cidade populosa e podem ser exemplo de amizade entre grupos que longe de competir, se complementam. Situação semelhante soubem alcançar o Impromadrid e Jamming na capital da Espanha.
O resultado dessa relação fraternal beneficia o trabalho de um e de outro, o trabalho se multiplica, o que não causa estranheza em ver um Jogando jogar Improvável, dos Barbixas, ou vice-versa.
Com esse ambiente me encontrei na última vez em São Paulo, em minha visita anterior (2008) os Barbixas ainda estavam mais próximos do laboratório que do sucesso atual. No final desse ano, os vídeos dos Barbixas superam as cento e cinquenta milhões de visualizações no youtube. Sim, cento e cinquenta milhões.
Eu tive o prazer de treinar e jogar com os dois grupos paulistas, em todas as oportunidades com mais de quatrocentos espectadores em sala. Inclusive meu Solo de Impro, produzido duas vezes pelo Jogando, encheu pequenas salas com uma divulgação quase exclusivemente virtual.
Os precursores Jogando eram exclusivamente Impro em forma de “clown”; com “Caleidoscopio” deixam o código do nariz vermelho e compõem um dos espetáculos mais belos da Improvisação deste continente. Barbixas é uma potência, precisa e preciosa máquina de “one liners”, se divertem e divertem com um produto cuidadíssimo; produto que é base e apoio para que, ainda portas adentro, investigar outras formas.

Talentosos improvisadores e gente sensível ao mesmo tempo. Não vão por ai se gabando de sua popularidade altíssima, de seus êxitos televisivos, nem de quem teria sido o primeiro esse ou aquele. Contagiam, somam, giram, aprendem, compartilham.

Como o crescimento implica bifurcação, outros grupos e subgrupos em São Paulo dão seus primeiros passos, aproveitando com alegreia e legitimidade a luz as duas companhias fortes vão dando à difusão da técnica.
Prometi a Lala, produtora, fã de Impro, amiga, investigadora incansável, uma nota sobre a atualidade da Impro no Brasil; sirvam essas linhas como minha impressão pessoal sobre a atualidade da Impro em São Paulo.
Em algumas horas, me fará uma reportagem para outro Blog de Impro. Está aqui, no Festival Los Improvisadores do Chile, junto aos Jogando… os Barbixas, por sua vez, terminam o ano de avião em avião fazendo espetáculos por todo Brasil, e em pouco mais de um mês improvisarão em Amsterdã, talvez com algum Jogando de convidado.
Aviões, gente e companhias cruzando-se, cada um com seu estilo, busca e preferência. A Impro vai, e os colegas brasileiros são exemplo acima e abaixo desse cenário, presumo tranquilo de sua amizade.

Omar no Jogando no Quintal

Omar antes de jogar o Improvável

Em seu Solo de Impro

Omar, Panqueque e Monica Moya (ambos do Colectivo Mamut) em divulgação do Festival Los Improvisadores

Hoje no Festival Internacional Los Improvisadores foi dia de TellAraña do La Gata Impro e Match de Improvisação.

Começamos com o espetáculo do grupo La Gata Impro chamado TellAraña.

Num cenário que lembra uma sala de estar, um sofá, um lustre, um vaso de planta, um mancebo, duas cadeiras e um banquinho. Nesse clima aconchegante, o grupo La Gata Impro (Felipe Ortiz, Carlos Alberto Urrea Lasprilla, Juan Gabriel Turbay, Camilo Rodrigues, Daniel Orrantia, Sebastian Rodrigues e Mabel Moreno) entra despretensiosamente no palco, cumprimentando a plateia e estabelecendo com ela uma diálogo cotidiano, na qual sem perceber, vão colhendo plataformas cotidianas que serão utlizadas para criar suas estorias. Essas estorias são interligadas durante o espetáculo, permeado de elementos de realismo fantástico. No início do espetáculo, os objetos de cena saem um a um, deixando o palco livre e esses objetos vão entrando pouco a pouco em cena, complementando o cenário de cada uma delas dentro do seu contexto.

Segue-se o Match de Improvisação.

O match de improvisação é um formato de jogos de improvisação criado por Robert Gravel e Yvon Leduc no Canadá, baseando suas técnicas nas investigações do mestre Keith Johnstone. Após várias experiências com improvisação entre um grupo de atores do Teatro Experimental de Montreal, surge a idéia de uma peça teatral que, como um esporte, fosse único e irreproduzível em cada representação. Em 1977 então se cria um espetáculo desportivo-teatral baseado no Hockey de gelo que com regras apropriadas e dentro de um marco adequado, cria um estado de competição. A LPI (Liga Profissional de Improvisação) de Ricardo Behrens, foi responsável pela popularização no gênero entre os españo hablantes.

O jogo se estabelece entre 2 equipes, em suas regras oficiais composta de 3 jogadores e 3 jogadoras e um técnico. Um árbitro e dois auxiliares cuidam para que o jogo transcorra dentro das normas. Cada partida tem duração de 90 minutos (3 tempos de 30 minutos, com intervalos de 1o minutos entre cada um dos tempos). Cada jogo de improvisação proposto pelo juiz deve delimitar o tema proposto para a improvisação, sendo essas:

1)Natureza da Improvisação:

Comparada: cada equipe joga o mesmo tema separadamente.

Mista: jogadores de ambos os times participaram do tema proposto.

2) Título da Improvisação

3) Número de jogadores

4) Duração da Improvisação

5) Estilo

Existem diversas normas a serem cumpridas e faltas são apitadas quando infringidas tais regras. A contagem de pontos se baseia no voto popular e pontos são perdidos à contagem das infrações cometidas por cada equipe.

O Match teve apresentaçào de Mario Escobar Olea, um dos fundadores do Colectivo Teatral Mamut,  improvisador-professor chileno que esteve nos últimos seis meses no Brasil, trabalhando com companhias como Jogando no Quintal e Barbixas.

O juiz da noite foi Hector Rafael Altamirano, juiz personagem de Omar Argentino Galván, auxiliado por Monica Moya (Colectivo Teatral Mamut) e Mali, ambas do Los Improvisadores.

Os dois times, azul e vermelho, eram composto por seleções de jogadores variados do mundo todo.

O time vermelho era composto por:

Juan Alberto Urrea Lasprilla, do La Gata Impro da Colômbia

José Luis Saldaña, do Complot Escena do México

Guilherme Tomé, do Olaria GB e do É Tudo Improviso, do Brasil

Luciano Barreda, do Improcrash da Argentina

Sergio Molina Panqueque, do Colectivo Teatral Mamut e do Los Improvisadores, do Chile

Ignacio Soriano, do Impromadrid da Espanha.

O time azul foi assim composto:

Juan Gabriel Turbay, do La Gata Impro da Colômbia

Jorge Rueda, do Impromadrid da Espanha

Charo Lopes, do Improcrash da Argentina

Nico Belmar, do Colectivo Teatral Mamut e do Los Improvisadores do Chile

Omar Medina, do Complot Escena do México

Marcio Ballas, Jogando no Quintal e É Tudo Improviso do Brasil.

Além da melhor das seleções de jogadores, com distintas características, a melhor das qualidades técnicas, o espetáculo se torna ainda muito mais atrativo, com as atuações do Mestre de Cerimônias e o trio de arbitragem. Destaque também para Francisco “Foco” Cerda, que é o músico improvisador que faz toda a diferença improvisando junto com as cenas do match.

Sagrou-se campeã a equipe azul com 8 a 4.

Hoje é dia de estreia de espetáculo com X-ha Muerto do Complot Escena do México e Cage Match.

Hoje tivemos mais dois espetáculos geniais no Festival Internacional Los Improvisadores em Santiago no Chile.

Começamos o dia com Links, do Improcrash da Argentina.

Espetáculo do Improcrash tem a sua cara: jovem, rápido, interligado e com grande qualidade técnica e de conexão entre os jogadores. Enquanto Luciano Barreda estava em uma mesa lateral, provido de um computador com conexão à internet e diversos recursos de sonoplastia eletrônica, Paula Farias, Charo Lopes, Rodrigo Bello e seu convidado Omar Argentino (que é criador da concepção do espetáculo) pedem à platéia palavras, frases e sentimentos diversos, que vão dar origem a buscas por vídeos no youtube, que servirão de inspiração de construção de cenas.

Os vídeos os inspiram, e pela intervenção improvisacional de Luciano, interligam-se à cena, não somente legendando-a como também se tornando mais um jogador participando da cena proposta. Utilizando de diversos recursos de humor, excelente interação entre os jogadores e uma enorme capacidade de criar links internos entre as cenas propostas.

O espetáculo tem uma proposta muito moderna, atual e tem execução irrepreensível.

O segundo espetáculo da noite foi o Teatro de Gorilas. Espetáculo criado por Keith Johnstone, um dos formatos do Internacional Theatresports Institute, Teatro de Gorilas é um espetáculo de diretores.

Uma banda de improvisação musical inicia o espetáculo, animada por um saxofonista que é também mestre de cerimônia. Ele aquece a plateia cantando uma canção e convocando o Gorila, que levará o vencedor do campeonato para viajar com ele. Destaco a banda que consegue trazer uma música animada, não perdendo a capacidade de ser extremamente sofisticada.

Cada um dos jogadores desafiados da noite: Omar Medina (Complot Escena/ México), Omar Argentino (Improtour/ Argentina), Ignácio Lopez (Impromadrid/ Espanha), Felipe Ortiz (La Gata/ Colômbia), Monica Moya (Colectivo Mamut/ Chile) e Marcio Ballas (Jogando no Quintal/ Brasil), propõe dois jogos e os dirige para os demais competidores e são avaliados pela plateia como jogos bons ou ruins. Os jogos bons são premiados com banana e os jogos ruins são punidos com um castigo (improvisar cena desafio, por exemplo).

Jogos muitos variados, com diversas propostas absolutamente diferentes (desde uma cena de excluir um jogador da cena até um musical improvisado), diversas oportunidades de desafiar os convidados dentro de suas características e expandir o intercâmbio de conhecimento.

No dia de hoje se sagrou campeão Felipe Ortiz, do La Gata Impro da Colômbia,  vencedor do Teatro de Gorilas.

Mas quem ganhou mesmo, mais uma vez, foi a Improvisação Teatral.

Amanhã é dia de Tell Araña do La Gata Impro e o Match de Improvisação nesse link, já explicado teoricamente por esse blog, entre jogadores selecionados de todo o mundo.

Segundo dia do Festival Los Improvisadores no Teatro Oriente em Santiago, Chile.

Hoje somos presentedos com três espetáculos de Impro.

O primeiro deles é o infantil Macedônia, do Improcrash da Argentina.

Usando roupas esportivas coloridas em duplas, os quatro integrantes (Charo Lopes, Paula Farias, Rodrigo Bello e Luciano Barrreda) entram ao som de uma música eletrônica que nos lembra um jogo de vídeo game, dançando uma coreografia que lembra muito a dinâmica desse tipo de jogo. Logo depois, cada um deles, entra com uma plataforma, que é solicitada ao público, caracterizado de um personagem, que geram cada uma das cenas. Na última cena, crianças são chamadas ao palco para construirem junto com o elenco uma estória improvisada.

O espetáculo é bastante dinâmico tem um ritmo bastante ágil e alegre, cada um dos personagens contruído por cada integrante consegue ganhar a atenção das crianças, que ficam entretidas e concentradas o tempo todo. Um belo e divertido espetáculo infantil.

O segundo espetáculo do dia é o Solo de Impro, de Omar Argentino Galván.

Uma cartola, um chapéu e uma gravata nos esperam no saguão do teatro, penduradas em um mancebo de madeira. Nele, colamos diversas frases e palavras que ajudarão um dos maiores gênios da improvisação mundial a escrever seu solo de impro.

Sob a inspiração  do músico improvisador convidado do dia, Omar começa a tecer sua colcha de retalhos levando a interligar suas estórias através do efeito borboleta. Sendo a segunda vez que assisto, destaco o estilo Cortazar, que finaliza o espetáculo de forma lírica, onírica e sempre impressionante.

O terceiro espetáculo da noite foi o Jam Session.

Apresentado por Nadine Antler (do Die Kaktussen) e Carlos Alberto Urrea (La Gata Impro), improvisadores de 6 países propõem exercícios de improvisação para cada um dos demais colegas de improvisação gerando um intercâmbio de experiências e aprendizado. Alemanha, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e México, representados por Die Kaktussen (Florian Toperngpon), Improcrash (Paula Farias e Luciano Barreda), Jogando no Quintal (Marcio Ballas e Rhena de Faria), Colectivo Mamut (Monica Moya e Nico Belmar) e Improvisadores (Maly) , La Gata Impro (Daniel Orrantia, Juan Gabriel Turbay, Mabel Moreno e Felipe Ortiz) e Complot Escena (José Luis Saldaña e Omar Medina).

Destaque para Marcio Ballas (que se destacou no exercício de eliminação de atores mantendo a mesma estória) exercício proposto por Nico Belmar. Destaque duplo para Felipe Ortiz, pela atuação no surdo-mudo proposto por Tope e na proposta do jogo Todos juntos yá, que integrou todos os participantes ajudando o protagonista José Luis Saldaña a construir uma estória de aventura enquanto apoiadores de cena.

E esse foi só o segundo dia desse festival. Amanhã tem Links (com Improcrash) e Teatro de Gorilas (com todos os participantes do festival).

Mateus Bianchim é um ser livre. Dotado de uma capacidade de desprendimento e de busca pelos seus sonhos, acompanhei desde que o conheci, suas diversas decisões de mudanças corajosas em busca do seu sonho de aprendizado e de trabalhar com excelência no universo da Improvisação Teatral. Muitas pessoas podem falar de desejar serem livres, mas creio que tive a oportunidade real de conhecer quem de fato vai buscá-la além de todos os limites. Nessa entrevista também livre e polêmica, expõe seus pensamentos sobre a improvisação sob seu olhar bastante crítico.

1) Gostaria que vc começasse resumindo os trabalhos nos quais vc está envolvido hoje. Farei um pequeno resumo para te apresentar.

Moro em Belo Horizonte e agora faço parte de projetos da UMA Companhia, respeitada como poucas no cenário da impro Brasileiro. Acabamos de estreiar o espetáculo “Dos Gardenias Social Club” que é um long-form inspirado no Bolero, na casa de baile e nas relações possíveis nesse lugar.

Fora isso, participarei da temporada do Match de Improvisação, também da UMA e estou na direção do IMPROLIVRE, baseado na oficina que tive com Frank Totino, e que apresentamos em bares de belô.
2) O que é Improvisação Teatral? Quais são os princípios em que se embasa?

A Impro é um solo fértil e amplo. Ela se trata de teatro; e o teatro, e a arte, estão além dos limites que a tevê ou o mercado infelizmente impõe. A impro pode dar minas de ouro e ali se projetarem várias pessoas em busca do que já está pronto; uma Serra Pelada. Mas também tem outros lugares onde se pode plantar, arando e fertilizando o solo, jogando sementes e errando a época da colheita, até achar um fruto bom e duradouro pra se deliciar e se vender. Acima de tudo se deliciar e fazer deliciar.
3) Como surgiu a Improvisação na sua carreira?

Fui integrante da Imprópria Cia Teatral, éramos todos (ou quase) formados em Artes Cênicas na Universidade Federal de Ouro Preto/MG. Lá tivemos contato com a Mariana Muniz, que é a fundadora da LPI em BH, que agora é a UMA. Ela desviou nosso caminho pra sempre em direção à Impro!
4) Quem são os Improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?

Minha improvisação se inspira no cotidiano. Procuro não mais me espelhar no trabalho que os outros fazem, mas também não me preocupo se isso acontecer. Acho que o Brasil tem bons improvisadores, mas que ainda estão engatinhando e descobrindo o que estão fazendo.

5) Quais companhias no mundo você acredita que hoje fazem os trabalhos mais incríveis?

Acho que os que estão há algum tempo na estrada, e que não precisaram mais se vender, nos apresentam uma maturidade que vai além da virtuose. Mas o mundo é grande.

6) O que mais tem te trazido interesse em Improvisação hoje? Jogos de Improvisação ou espetáculos mais long form?

Pra mim os jogos estão mostrando cada vez mais que se limitam a jogos mesmo, onde o privilégio é mostrar o quanto se é esperto e rápido, coisa que acho dispensável até no processo de educação infantil.
Eu busco poesia em cena, nas minhas oficinas eu procuro trabalhar isso, a sensibilidade das relações, uma obra completa e interessante de se ver com a vantagem da espontaneidade do improviso, da verdade de cada ator aberta em flor, exposta.
E quando falo de espontaneidade, falo da questão mais animalesca da coisa e não dessa “primeira idéia” que vem sido utilizada na impro brasileira.
7) Qual é o princípio da Improvisação que é hoje mais motivo de investimento e pesquisa hoje no mundo?
O mercado exige que você venda. O que mais vende são espetáculos de impro-cômica, explorando a rapidez da piada e a satisfação de desejos sádicos de uma platéia burguesa. Eu não vendo mais improvisação.

O que pesquiso e se pesquisa a fundo no vasto mundo, é a emancipação do ser-ator e do ser-público através de uma metodologia libertária que é a do Keith Johnstone. Mas essa liberdade permite que o sistema a subverta, como ele faz com movimentos sociais desde sempre (transformar o punk em moda, por exemplo), e que vem tendo a complacência de “atores” que desejam o poder da fama e do dinheiro.

8) Quais são as dificuldades executivas de um grupo no mercado da  Improvisação? Como o UMA Companhia tem conseguido se estabelecer nesse mercado? Quais são as perspectivas e projetos do seu grupo?

Nenhum grupo que fiz parte teve facilidade em ganhar dinheiro com teatro. Eu fui dirigido pelo Chico de Assis do Arena e ele me disse uma vez que ator pra ter dinheiro precisa ter um três oitão na cintura dentro de um banco. Existe um consumo, mas você tem que se submeter ao desejo do consumidor. E me submeter não é coisa que quero fazer se puder não fazer. Existem leis e editais, mas são poucos e privilegiam poucos. Eu gosto muito de usar o exemplo do Simioni, do LUME. Eu tive aulas com ele e vi uma apresentação de um espetáculo belíssimo solo dele em Ouro Preto. No final, quando perguntado se ele poderia fazer aquele espetáculo, que pesquisava uma coisa muito íntima, difícil de ser entendida, sem ele ser “o” Simioni, ele disse que com certeza não. Ou seja, a pesquisa só é viável para quem tem nome: ou quem se submeteu e cansou de se submeter (mas esse perderá seu público em pouco tempo) ou para os que não desistiram de seus sonhos e agora tem público cativo.

9) Para onde vai a Impro (o futuro)?
Cada vez mais e mais pessoas vão se interessar e fazer Impro, assistir, pesquisar. Somos muito novos no conhecimento dessa linguagem, vejo grandes nomes que estão aí há 30 anos!!! É um território muito amplo para se fazer, para se buscar, quem tem verdade e gosta do que faz durará.

Nesse final de semana, Mateus dará uma oficina de Improvisação em São Paulo. Informações seguem no cartaz abaixo.

Abaixo a participação de Mateus no Mr. Impro (Micetro), espetáculo de Improvisação formato de Keith Johnstone, promovido no Improfestin do Chile en 2009, jogando Irmãos Siameses. Com participação de David Sanin Gaviria do Acción Impro, Angélica Rogel do Complot/ Escena e Monica Moya do Colectivo Teatral Mamut. Apresentação de Mario Escobar Olea do Bassusseder/ Soloy Simple Teatro  e direção de Shawn Kinley do Loose Moose.