Tag Archive: Omar Argentino Galvan


Último dia do Festival Internacional Los Improvisadores, no Teatro Oriente, em Santiago. E  cheio. Com 4 eventos no mesmo dia.

Meio dia, começamos com a Charla (bate papo). O convidado foi Rodrigo Malbrán Contre, diretor e fundador da Escuela Internacional del Gesto y la Imagen LA MANCHA.

Malbrán utilizou o espaço para fazer uma mostra de uma hora e meia, dos diversos estágios que passam os alunos durante os dois anos de formação da sua escola, que tem como base a metodologia de Lecoq. Seus graduandos mostraram cenas de utilização de máscara neutra, clown, commedia dell’ arte e por fim o que ele chama de Os Vinte Movimentos.

O trabalho dos alunos é preciso e rigoroso, a construção de cenas primorosa. O trabalho de Malbrán, que muito influenciou a formação dos improvisadores do Colectivo Teatral Mamut, nessa charla, mais do que didático foi umas das melhores possibilidades de entreterimento desse festival.

Seguiu-se às 16 horas a segunda apresentação do espetáculo Teatruras, do Impromadrid da Espanha.

Ignacio Lopez, Ignacio Soriano, Jorge Rueda e o músico Nacho Mastretta novamente fizeram um espetáculo primoroso na construção de estórias, leve, descontraido, ainda mais agradável com a participação das crianças da plateia. Mais sobre Teatruras no post anterior.

O espetáculo com maior sucesso de público do festival, seguiu-se a noite com Súper Escena, do Colectivo Teatral Mamut.

Com Monica Moya, Nico Belmar e Sergio Panqueque Molina, o Colectivo Teatral Mamut mostra a seu público chileno, um espetáculo de improvisação inspirado no cinema.

São propostas três cenas, em três estilos cinematográficos distintos. Os temas são sugeridos pela plateia. Cada uma dessas cenas se inicia e pára num ponto, na qual somente duas delas são eleitas para terem uma continuação. Depois de mais um pouco de desenvolvimento de cada uma das duas estórias, mais uma delas é eliminada, conhecendo o público somente um dos finais.

Espetáculo muito leve, divertido, bem ambientalizado tanto pela luz como pelo seu músico Francisco “Foco”. Os atores têm uma atuação muito forte pela caracterização de seus personagens e pelo seu carisma com o público. Um espetáculo belíssimo.

Fechou-se o festival com uma enorme festa. Teatro de Gorilas. Cada um dos músicos de suas companhias (Francisco “Foco” Cerda-Mamut, Cristiano Meirelles-Jogando no Quintal, Leonardo Prieto-Complot Escena, Nacho Mastretta-Impromadrid e Sebastian Rodrigues-La Gata Impro) e a banda do Teatro de Gorilas, fizeram a trilha sonora e os efeitos sonoros do espetáculo.

Foram 6 os diretores convidados: Ignacio Soriano (do Impromadrid da Espanha), Rodrigo Bello (do Improcrash da Argentina), Carlos Alberto Urrea Lasprilla (do La Gata Impro da Colômbia), Sergio Panqueque Molina (do Colectivo Teatral Mamut do Chile), Marcio Ballas (do Jogando no Quintal do Brasil) e Frank Totino (do Loose Moose do Canadá).

Os jogadores convidados foram:

– Florian Toperngpong e Nadine Antler da Alemanha.

– Charo Lopes, Luciano Barreda, Luciano Cohen, Marcelo Savignone, Omar Argentino Galván e Pau Farias da Argentina.

– Mateus Bianchim do Brasil.

-Monica Moya e Nico Belmar do Chile.

– Daniel Orrantia, Felipe Ortiz, Juan Gabriel Turbay e Mabel Moreno da Colômbia.

-Jorge Rueda da Espanha.

-José Luis Saldaña, Juan Carlos Medellín e Omar Medina do México.

A oportunidade de ver cenas propostas por aqueles que certamente estavam entre os maiores nomes da improvisação mundial, tornaram esse último espetáculo uma torre de babel de atuações, propostas, divertimento em cena e aprendizagem. Destaco, sem querer absolutamente desmerecer ninguém, o encontro antológico de parte do Sucesos Argentinos (Marcelo Savignone e Omar Argentino) que foi das grandes inspirações da improvisação latino americana com a nova geração de talentosos improvisadores argentinos (Improcrash) em cena nesse espetáculo. Memorável e emocionante.

Ao fim do espetáculo, todas as companhias foram merecidamente chamadas ao palco para serem homenageadas e a noite se seguiu com uma grande festa reunindo público, banda e atores num dos eventos mais fantásticos e audaciosos que a Improvisação mundial já assistiu.

Meus parabéns e muito obrigada a todos os amigos chilenos, a produção (meu especial a Andreia e a Loreto), equipe técnica do teatro, aos queridos amigos Monica, Nico, Panqueque e Francisco “Foco” Cerda do Colectivo Teatral Mamut pela hospitalidade, generosidade e iniciativa tão incrível de reunir as grandes companhias e pensadores da Improvisação Mundial da atualidade.

Meus parabéns  e muitíssimo obrigada também a todos os amigos e mestres Frank Totino, Angélica Rogel, José Luis Saldaña, Juan Carlos Medellín, Leonardo Prieto, Omar Medina, Carlos Alberto Urrea Asprilla, Daniel Orrantia, Felipe Ortiz, Juan Gabriel Turbay, Mabel Moreno, Sebastian Rodrigues, Allan Benatti, Cristiano Meirelles, Ernani Sanchez, Marcio Ballas, Marco Gonçalves, Rhena de Faria, Guilherme Tomé, Mario Escobar Olea, Mateus Bianchim, Charo Lopes, Luciano Barreda, Rodrigo Bello, Luciano Cohen, Marcelo Savignone, Omar Argentino GalvánFlorian Toperngpong, Nadine Antler, Ignacio Lopez, Ignacio Soriano e Jorge Rueda, Nacho Mastretta, Suso33. Vocês tornaram essa semana uma grande festa da improvisação mundial, pelas suas capacidades de viver verdadeiramente os conceitos da improvisação por estarem sempre presentes e afirmarem honesta e generosamente a amizade, aumentando e engrandecendo essa enorme corrente da Impro mundial.

Não devo esquecer dos amigos Adonis Camelato (do Olaria GB) e Rafael Protzner (do UMA Companhia) que compartilharam comigo diversão e aprendizagem.

Vimos atuações surpreendentes e impactantes como X- ha Muerto do Complot Escena e  propostas inovadoras como Corten do Impromadrid, que ao final, destacaram-se nesse festival. Mas nos entusiasmamos com o ritmo jovem, talentoso e coeso do Links do Improcrash. Admiramos a habilidade corporal dos colombianos no TellAraña do La Gata Impro. Nos emocionamos com as atuações solo impressionantes dos genios argentinos Omar Argentino Galván e Marcelo Savignone. Chilenos entusiasmados aplaudiram de pé por quase cinco minutos ao final do espetáculo dos nossos mestres brasileiros do Jogando no Quintal com o Caleidoscópio. Casa quase totalmente cheia de espectadores-fãs que ensurdeceram o Teatro Oriente para ver o espetáculo leve, descontraído e conciso com Colectivo Mamut com o Súper Escena.

Mas por fim, o que se destaca são as possibilidades de intercâmbio de conhecimento, discussões, propostas distintas, novas idéias de concepção, formatos, exercícios, teorias,  que foram pipocando aqui e ali entre uma taça de Sauvignon Blanc, uma cerveja Guayacan, um ceviche, uma salada de palta, um sorvete de lucuman, um poema de Pablo Neruda ou uma simples pausa para curtir o sol brando e o vento fresco. A tão inspiradora cidade de Santiago, se tornou cenário para o desenvolvimento dessas idéias que certamente plantaram a semente que desenvolverá, nesse solo fértil de tantos talentos humildemente ainda ávidos por ainda mais conhecimento e exercício da arte, a revolução proposta por essa grande escola e filosofia de vida que é a Improvisação Teatral.

Que esse post seja, mais que uma mera descrição do que foi esse festival, meus sinceros sentimentos a respeito dos oito dias mais emocionantes e edificantes que vivi desde que decidi me aventurar pelo curioso e instigante mundo da Impro.

Muito obrigada improvisadores de todo o mundo.

Mais um dia impressionante no Festival Internacional Los Improvisadores, no Teatro Oriente em Santiago.

A noite começou com Corten, do Impromadrid da Espanha.

Um cronômetro marca em um enorme telão que cobre todo o fundo do palco, o tempo que os geniais espanhóis terão que improvisar estórias, baseadas em sugestões dadas pelo público. Durante a execução das cenas, os atores gritam Corten: as luzes se acendem e eles definem com a plateia os destinos de seus personagens.

Concepção moderna de cenário, que ainda conta com a improvisação de Suso33 que pinta o cenário durante a construção das cenas.

O espetáculo conta também com a improvisação musical do genial Nacho Mastretta, tocando clarinete e teclado e construindo cenas junto com o grupo.

No espetáculo de ontem, o figurinista do espetáculo, dando cor aos personagens criados foi Omar Argentino Galván, que inclusive já havia feito uma crônica sobre a estreia desse espetáculo em Madrid. É dele também, mas uma de suas incríveis notas, publicada hoje, descrevendo sua experiência com esse festival.

Já conhecidos pela sua habilidade de construção de narrativas e pela sofisticação da concepção de espetáculos, Jorge Rueda, Ignacio Soriano e Ignacio Lopez, construiram um espetáculo refinado, de extremo bom gosto, de execução impecável. Absolutamente inesquecível.

A noite se segue, dando lugar para o espetáculo Más Menos.

O espetáculo foi apresentado pelo brasileiro Mateus Bianchim.

Nesse espetáculo três equipes de quatro jogadores dos vários países convidados, realizavam uma grande cena dividida em três partes.

Após a execução da primeira, no formato e com recursos decididos por cada grupo, com plataformas solicitadas para o público, o público decide se querem assistir a continuação das cenas, dizendo Más (se querem continuar a ver) ou Menos (se não quiserem mais ver as cenas).

As três equipes:

Equipe 1:

Angélica Rogel, do Complot Escena do México.

Carlos Alberto Urrea Lasprilla, do La Gata Impro da Colômbia.

Jorge Rueda, do Impromadrid da Espanha.

Marco Gonçalves, do Jogando no Quintal do Brasil.

Equipe 2:

Juan Carlos Medellín, do Complot Escena do México.

Marcio Ballas, do Jogando no Quintal do Brasil.

Nadine Antler, do Die Kaktussen da Alemanha.

Nico Belmár, do Colectivo Teatral Mamut do Chile.

Equipe 3:

Allan Benatti, do Jogando no Quintal do Brasil.

Charo Lopez, do Improcrash da Argentina.

Felipe Ortiz, do La Gata Impro da Colômbia.

Sergio Panqueque Molina, do Colectivo Teatral Mamut do Chile.

Por fim, somente com camisas 10 em cena, tivemos más para todas elas e vimos as três cenas completas.

Hoje, é um dia com muitas atividades!

Teremos Teatruras , espetáculo infantil do Impromadrid; Vivo, espetáculo solo de Marcelo Savignone e à noite Stage Time com a participação de jogadores de todas as equipes do mundo.

Ontem foi dia de Brasil no Festival Los Improvisadores, no Teatro Oriente, Santiago, Chile.

Apresentou-se Caleidoscópio, do Jogando no Quintal. Allan Benatti, Marco Gonçalves, Marcio Ballas, Rhena de Faria, Cristiano Meirelles e Ernani Sanchez (iluminação) fizeram um trabalho belíssimo, como de costume, nos orgulhando muitíssimo brasileiros, nesse festival.

Para quem não conhece seu formato, o espetáculo inicia com pequenos depoimentos de lembranças vividas nas vidas pessoais de cada um dos improvisadores. Cada estória leva a perguntar para plateia plataformas que vem também de suas vivências pessoais. As cinco plataformas colhidas do público servirão de inspiração para a criação de cinco estórias, que em meio ao espetáculo se entrelaçam.

Mais uma vez me impressionou a beleza das estórias contadas, o poder da criação de imagens, o carisma que ganha facilmente o público e por fim a capacidade de contruir a interligação das estórias de forma tão concisa e ao mesmo tempo tão suave.

A noite se seguiu com o espetáculo Mosaico.

Formato de improvisação em que são solicitadas plataformas ao público que serão utilizadas como inspiração para todas as diversas cenas criadas por grupos distintos de atores que estarão em cena, sob direção de Sergio Panqueque Molina, do Colectivo Teatral Mamut. Foram pedidos uma frase, um lugar, um sentimento, um objeto e algo que caracterizava uma cultura.

Foram convidados 20 jogadores de distintos países.

Alemanha: Nadine Antler e Florian Toperngpong (Die Kaktussen).

Argentina: Omar Argentino Galván (Improtour), Pau Farias e Rodrigo Bello (Improcrash).

Brasil: Guilherme Tomé (É Tudo Improviso e Olaria GB), Marcio Ballas (Jogando no Quintal e É Tudo Improviso), Mateus Bianchim e Rhena de Faria (Jogando no Quintal).

Chile: Mali (Los Improvisadores), Mario Escobar Olea, Monica Moya e Nico Belmár (Colectivo Teatral Mamut e Los Improvisadores).

Colômbia: Daniel Orrantia, Juan Gabriel Turbay e Mabel Moreno (La Gata Impro).

Espanha: Ignácio Lopez e Ignacio Soriano (Impromadrid).

México: Angélica Rogel, José Luis Saldaña e Juan Carlos Medellín (Complot Escena).

 

Hoje é dia de Corten, do Impromadrid da Espanha e Más Menos com participação de integrantes do mundo todo.

Omar Galván estreia aquilo que vou chamar no meu blog de coluna de Artigos de Improvisação.

Já inúmeras vezes citado nesse blog, um dos maiores inspiradores de grande parte dessa geração de improvisadores brilhantes, Omar acumula mais de 16 anos de pesquisa e ensino na Improvisação Teatral, e já percorre todo o mundo com o seu Solo de Impro há 10 anos.

Trato aqui de expor minha opinião pessoal. Sua forma de perceber a Improvisação, ensiná-la e fazê-la enquanto arte, não somente humorística mas poética, crítica, onírica e filosófica, fazem dele certamente o mais impressionante improvisador que já vi em cena e em sala de aula.

Falaremos dele mais a frente, quando gentilmente concede uma entrevista, contando suas experiências pelo mundo da Improvisação e pelo mundo todo em si, conhecendo ainda mais pessoas, mais culturas, mais visões da Improvisação, engrandecendo ainda mais seu já tão vasto currículo e repertório.

Abaixo o link diretamente para seu site, com sua “Nota de Improtour”, para que possam lê-la e mais ainda ler as suas demais notas que eu sempre cito e recomendo.

Nota de Improtour: La Excepción Paulista

E logo a seguir, minha tradução na íntegra sobre um pedido que fiz de uma nota sobre sua recente passagem no Brasil, em que fez seu Solo de Impro, acompanhou a gravação do Programa É Tudo Improviso, deu workshops a alunos e aos atores do Jogando no Quintal, Barbixas e É Tudo Improviso e ainda jogou com os Barbixas, Marco Gonçalves e Marcio Ballas o espetáculo Improvável. Passou também pelo Rio de Janeiro, onde também deu workshops e fez seu solo de Impro na Cia. Teatro Contemporâneo.

Nesse artigo, traça um panorama da Improvisação paulista.

Mais uma vez, por essas e tantas coisas que pude aprender, muito, muito obrigada, muchas gracias, mestre Omar Argentino.

A exceção paulista

Existe uma regra jamais escrita no mundo da Impro, em algum ou alguns momentos (meses, anos, décadas) os grupos de uma mesma cidade, devem se dar mal ou muito mal entre si.

Seja por divisões conflitivas, por usurpação de “direitos de autor”, por somas de mal entendidos, por dinheiro desviado, por encontro de egos, ou pela razão que seja, é uma constante em ambas as costas do Atlântico.
Às regras correspondem exceções, e nesse microcosmos de Improvisadores, São Paulo parece ser a exceção. Jogando no Quintal e Barbixas são duas das companhias de improvisação mais exitosas na atualidade latinoamericana, convivem em uma cidade populosa e podem ser exemplo de amizade entre grupos que longe de competir, se complementam. Situação semelhante soubem alcançar o Impromadrid e Jamming na capital da Espanha.
O resultado dessa relação fraternal beneficia o trabalho de um e de outro, o trabalho se multiplica, o que não causa estranheza em ver um Jogando jogar Improvável, dos Barbixas, ou vice-versa.
Com esse ambiente me encontrei na última vez em São Paulo, em minha visita anterior (2008) os Barbixas ainda estavam mais próximos do laboratório que do sucesso atual. No final desse ano, os vídeos dos Barbixas superam as cento e cinquenta milhões de visualizações no youtube. Sim, cento e cinquenta milhões.
Eu tive o prazer de treinar e jogar com os dois grupos paulistas, em todas as oportunidades com mais de quatrocentos espectadores em sala. Inclusive meu Solo de Impro, produzido duas vezes pelo Jogando, encheu pequenas salas com uma divulgação quase exclusivemente virtual.
Os precursores Jogando eram exclusivamente Impro em forma de “clown”; com “Caleidoscopio” deixam o código do nariz vermelho e compõem um dos espetáculos mais belos da Improvisação deste continente. Barbixas é uma potência, precisa e preciosa máquina de “one liners”, se divertem e divertem com um produto cuidadíssimo; produto que é base e apoio para que, ainda portas adentro, investigar outras formas.

Talentosos improvisadores e gente sensível ao mesmo tempo. Não vão por ai se gabando de sua popularidade altíssima, de seus êxitos televisivos, nem de quem teria sido o primeiro esse ou aquele. Contagiam, somam, giram, aprendem, compartilham.

Como o crescimento implica bifurcação, outros grupos e subgrupos em São Paulo dão seus primeiros passos, aproveitando com alegreia e legitimidade a luz as duas companhias fortes vão dando à difusão da técnica.
Prometi a Lala, produtora, fã de Impro, amiga, investigadora incansável, uma nota sobre a atualidade da Impro no Brasil; sirvam essas linhas como minha impressão pessoal sobre a atualidade da Impro em São Paulo.
Em algumas horas, me fará uma reportagem para outro Blog de Impro. Está aqui, no Festival Los Improvisadores do Chile, junto aos Jogando… os Barbixas, por sua vez, terminam o ano de avião em avião fazendo espetáculos por todo Brasil, e em pouco mais de um mês improvisarão em Amsterdã, talvez com algum Jogando de convidado.
Aviões, gente e companhias cruzando-se, cada um com seu estilo, busca e preferência. A Impro vai, e os colegas brasileiros são exemplo acima e abaixo desse cenário, presumo tranquilo de sua amizade.

Omar no Jogando no Quintal

Omar antes de jogar o Improvável

Em seu Solo de Impro

Omar, Panqueque e Monica Moya (ambos do Colectivo Mamut) em divulgação do Festival Los Improvisadores

Hoje no Festival Internacional Los Improvisadores foi dia de TellAraña do La Gata Impro e Match de Improvisação.

Começamos com o espetáculo do grupo La Gata Impro chamado TellAraña.

Num cenário que lembra uma sala de estar, um sofá, um lustre, um vaso de planta, um mancebo, duas cadeiras e um banquinho. Nesse clima aconchegante, o grupo La Gata Impro (Felipe Ortiz, Carlos Alberto Urrea Lasprilla, Juan Gabriel Turbay, Camilo Rodrigues, Daniel Orrantia, Sebastian Rodrigues e Mabel Moreno) entra despretensiosamente no palco, cumprimentando a plateia e estabelecendo com ela uma diálogo cotidiano, na qual sem perceber, vão colhendo plataformas cotidianas que serão utlizadas para criar suas estorias. Essas estorias são interligadas durante o espetáculo, permeado de elementos de realismo fantástico. No início do espetáculo, os objetos de cena saem um a um, deixando o palco livre e esses objetos vão entrando pouco a pouco em cena, complementando o cenário de cada uma delas dentro do seu contexto.

Segue-se o Match de Improvisação.

O match de improvisação é um formato de jogos de improvisação criado por Robert Gravel e Yvon Leduc no Canadá, baseando suas técnicas nas investigações do mestre Keith Johnstone. Após várias experiências com improvisação entre um grupo de atores do Teatro Experimental de Montreal, surge a idéia de uma peça teatral que, como um esporte, fosse único e irreproduzível em cada representação. Em 1977 então se cria um espetáculo desportivo-teatral baseado no Hockey de gelo que com regras apropriadas e dentro de um marco adequado, cria um estado de competição. A LPI (Liga Profissional de Improvisação) de Ricardo Behrens, foi responsável pela popularização no gênero entre os españo hablantes.

O jogo se estabelece entre 2 equipes, em suas regras oficiais composta de 3 jogadores e 3 jogadoras e um técnico. Um árbitro e dois auxiliares cuidam para que o jogo transcorra dentro das normas. Cada partida tem duração de 90 minutos (3 tempos de 30 minutos, com intervalos de 1o minutos entre cada um dos tempos). Cada jogo de improvisação proposto pelo juiz deve delimitar o tema proposto para a improvisação, sendo essas:

1)Natureza da Improvisação:

Comparada: cada equipe joga o mesmo tema separadamente.

Mista: jogadores de ambos os times participaram do tema proposto.

2) Título da Improvisação

3) Número de jogadores

4) Duração da Improvisação

5) Estilo

Existem diversas normas a serem cumpridas e faltas são apitadas quando infringidas tais regras. A contagem de pontos se baseia no voto popular e pontos são perdidos à contagem das infrações cometidas por cada equipe.

O Match teve apresentaçào de Mario Escobar Olea, um dos fundadores do Colectivo Teatral Mamut,  improvisador-professor chileno que esteve nos últimos seis meses no Brasil, trabalhando com companhias como Jogando no Quintal e Barbixas.

O juiz da noite foi Hector Rafael Altamirano, juiz personagem de Omar Argentino Galván, auxiliado por Monica Moya (Colectivo Teatral Mamut) e Mali, ambas do Los Improvisadores.

Os dois times, azul e vermelho, eram composto por seleções de jogadores variados do mundo todo.

O time vermelho era composto por:

Juan Alberto Urrea Lasprilla, do La Gata Impro da Colômbia

José Luis Saldaña, do Complot Escena do México

Guilherme Tomé, do Olaria GB e do É Tudo Improviso, do Brasil

Luciano Barreda, do Improcrash da Argentina

Sergio Molina Panqueque, do Colectivo Teatral Mamut e do Los Improvisadores, do Chile

Ignacio Soriano, do Impromadrid da Espanha.

O time azul foi assim composto:

Juan Gabriel Turbay, do La Gata Impro da Colômbia

Jorge Rueda, do Impromadrid da Espanha

Charo Lopes, do Improcrash da Argentina

Nico Belmar, do Colectivo Teatral Mamut e do Los Improvisadores do Chile

Omar Medina, do Complot Escena do México

Marcio Ballas, Jogando no Quintal e É Tudo Improviso do Brasil.

Além da melhor das seleções de jogadores, com distintas características, a melhor das qualidades técnicas, o espetáculo se torna ainda muito mais atrativo, com as atuações do Mestre de Cerimônias e o trio de arbitragem. Destaque também para Francisco “Foco” Cerda, que é o músico improvisador que faz toda a diferença improvisando junto com as cenas do match.

Sagrou-se campeã a equipe azul com 8 a 4.

Hoje é dia de estreia de espetáculo com X-ha Muerto do Complot Escena do México e Cage Match.

Segundo dia do Festival Los Improvisadores no Teatro Oriente em Santiago, Chile.

Hoje somos presentedos com três espetáculos de Impro.

O primeiro deles é o infantil Macedônia, do Improcrash da Argentina.

Usando roupas esportivas coloridas em duplas, os quatro integrantes (Charo Lopes, Paula Farias, Rodrigo Bello e Luciano Barrreda) entram ao som de uma música eletrônica que nos lembra um jogo de vídeo game, dançando uma coreografia que lembra muito a dinâmica desse tipo de jogo. Logo depois, cada um deles, entra com uma plataforma, que é solicitada ao público, caracterizado de um personagem, que geram cada uma das cenas. Na última cena, crianças são chamadas ao palco para construirem junto com o elenco uma estória improvisada.

O espetáculo é bastante dinâmico tem um ritmo bastante ágil e alegre, cada um dos personagens contruído por cada integrante consegue ganhar a atenção das crianças, que ficam entretidas e concentradas o tempo todo. Um belo e divertido espetáculo infantil.

O segundo espetáculo do dia é o Solo de Impro, de Omar Argentino Galván.

Uma cartola, um chapéu e uma gravata nos esperam no saguão do teatro, penduradas em um mancebo de madeira. Nele, colamos diversas frases e palavras que ajudarão um dos maiores gênios da improvisação mundial a escrever seu solo de impro.

Sob a inspiração  do músico improvisador convidado do dia, Omar começa a tecer sua colcha de retalhos levando a interligar suas estórias através do efeito borboleta. Sendo a segunda vez que assisto, destaco o estilo Cortazar, que finaliza o espetáculo de forma lírica, onírica e sempre impressionante.

O terceiro espetáculo da noite foi o Jam Session.

Apresentado por Nadine Antler (do Die Kaktussen) e Carlos Alberto Urrea (La Gata Impro), improvisadores de 6 países propõem exercícios de improvisação para cada um dos demais colegas de improvisação gerando um intercâmbio de experiências e aprendizado. Alemanha, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e México, representados por Die Kaktussen (Florian Toperngpon), Improcrash (Paula Farias e Luciano Barreda), Jogando no Quintal (Marcio Ballas e Rhena de Faria), Colectivo Mamut (Monica Moya e Nico Belmar) e Improvisadores (Maly) , La Gata Impro (Daniel Orrantia, Juan Gabriel Turbay, Mabel Moreno e Felipe Ortiz) e Complot Escena (José Luis Saldaña e Omar Medina).

Destaque para Marcio Ballas (que se destacou no exercício de eliminação de atores mantendo a mesma estória) exercício proposto por Nico Belmar. Destaque duplo para Felipe Ortiz, pela atuação no surdo-mudo proposto por Tope e na proposta do jogo Todos juntos yá, que integrou todos os participantes ajudando o protagonista José Luis Saldaña a construir uma estória de aventura enquanto apoiadores de cena.

E esse foi só o segundo dia desse festival. Amanhã tem Links (com Improcrash) e Teatro de Gorilas (com todos os participantes do festival).

Cheguei hoje à tarde para acompanhar pessoalmente o Festival Los Improvisadores em Santiago no Chile, uma parceria do canal Viax (e seu exitoso programa Los Improvisadores) e o Colectivo Teatral Mamut.

Logo que cheguei à tarde, acompanhei a reunião das equipes na Sala Chucre Manzur, sede do Colectivo Teatral Mamut. Enorme festa da Improvisação Mundial o encontro das equipes do Colectivo Teatral Mamut/ Chile, Improcrash e Omar Galvan/ Argentina, Complot Escena/ Mexico, Companhia Die Kaktussen/ Alemanha e La Gata Impro/ Colombia. Durante essa tarde foram apresentados para a organização do evento e discutido os formatos dos jogos que serão propostos a todas as equipes, sempre no horário das 22h todos os dias, além de espetáculos das próprias companhias, workshops e discussões técnicas que constam abaixo no programa do evento.

Logo mais à noite assisti o primeiro evento do festival. O espetáculo Mr. Impro, do formato Micetro, proposto por Keith Johnstone e licenciado pelo Internacional Theatresports Institute. O espetáculo é amplamente conhecido e popularizado no Chile pelo próprio time do Colectivo Teatral Mamut como um dos 9 espetáculos propostos pela companhia.

O festival inicia com a abertura do apresentador do programa Los Improvisadores, Juan Jose Gurruchaga, anunciando todos os participantes, o que é acompanhado de uma manifestação empolgada, semelhante as que vejo no Brasil depois do boom da improvisação teatral no Brasil. O Teatro Oriente, com cerca de 700 lugares em sua plateia baixa praticamente estava tomado de fãs, em sua maioria adolescentes, fanáticos por seus atores e pelo programa, grande sucesso do canal Viax no Chile e que popularizou a improvisação chilena entre seu público.

Gurruchaga convoca Mario Escobar Olea, para ser o apresentador do Mr. Impro. Nesse formato, os jogadores foram numerados de 1 a 14 (Los Improvisadores, Jogando no Quintal, La Gata Impro, Improcrash, Complot Escena e Die Kaktussen) e sob a batuta da direção de Omar Argentino e Monica Moya, jogaram diversos jogos de improvisação. Os diretores selecionavam aleatoriamente os jogadores por número e a quantidade de jogadores era definida conforme o jogo (Freeze, Troca de Personagens, Estilos, Musica Homenagem, entre outros). O público elegia através de palmas, notas de 1 a 5, para aquele grupo que participou da improvisação. Os grupos com notas menores eram eliminados da competição.

Ao final, permaneceram Carlos Alberto (La Gata), Tope – Florian Toperngpong (Die Kaktussen) e Sergio Panqueque (Complot Escena). Jogaram cada um, um pequeno solo de Impro, com tema título, sorteado de frases propostas pela plateia. Todos os três fizeram excelentes solos, corporais, com boas estorias, entretanto se saiu vitorioso, Sergio Panqueque.

Muito bom ator, carismático com seu publico com sua boa dose de clown, Panqueque representou muito bem sua casa e foi amplamente apoiado por sua legião de fãs. Apesar de um formato de eliminação por nota de grupo nem sempre causar eliminações justas, os três últimos competidores ficaram ao final com justiça. E mais ainda com justiça, Panqueque se saiu vencedor, coroando o momento de entusiasmo da improvisação teatral no Chile.

Gentil, ao final, Panqueque passa o cetro e coroa a Tope, improvisador alemão que com muita destreza e também carisma, também ganhou o público pelo esforço em improvisar em inglês.

O festival está incrível e só está começando. Farei um diário de bordo contando cada um dos detalhes desse festival nesse blog. Amanhã Macedônia (espetáculo infantil do La Gata Impro), Solo de Impro (Omar Argentino Galván) e Jam Session (com diversos jogadores do mundo).

Seguem fotos do palco e algumas das fotos do espetáculo.

Palco aguardando o início do espetáculo

Entrada dos Los Improvisadores no palco, seguido da manifestação entusiasmada do público.

Mario Escobar Olea, o apresentador do espetáculo.

Os diretores da noite: Omar Argentino Galván e Monica Moya

Apresentação dos jogadores

Jogadores aguardando instruções para o primeiro jogo da noite.

On stage: Mexico (Omar Medina), Brasil (Marcio Ballas), Argentina (Charo Lopez) e Alemanha (Nadine Antler). Direção: Monica Moya.

Continuando meu overview pelas novas safras da Improvisação Brasileira, entrevisto hoje Rafael Lohn. Diretor do terceiro colocado do Campeonato Brasileiro de Improvisação, o Grupo Protótipo, Rafa Lohn é outro polivalente na improvisação.

Abaixo, permito que ele próprio conte de sua trajetória na Improvisação e a história do seu grupo.

BIOGRAFIA

Minha veia racional e minha veia artística sempre andaram juntas e foi praticamente natural sair do colégio para cursar simultaneamente Cinema (FAAP) e Matemática Aplicada (USP).
O caminho da matemática me levou para o mundo da lógica, informática e cultura nerd. Sempre enxerguei a matemática, assim como o cinema, como uma linguagem. Uma linguagem elegante, bela e que também tem espaço para a criatividade e inspiração.
O caminho do Cinema incluiu muitos filmes e também muito trabalho com fotografia. Participei de exposições e festivais e estudei com grandes fotógrafos como o René Burri e  o Ralph Gibson.
Além da minha formação na FAAP, estudei na Academia de Cinema de Praga (FAMU). Lá me aprofundei na cinematografia da Europa Oriental, análise de roteiro, estrutura narrativa e direção. Pude trabalhar com diversos diretores e tive oficinas fenomenais como a de direção de atores com a Lenore DeKoven. Também lá dei uma série de aulas de Cinema Brasileiro.
O engraçado é que eu rapidamente virei o ‘louco’ entre os matemáticos e o ‘nerd’ entre os cineastas. Tal qual o ditado ‘em terra de cego quem tem um olho é rei’, sempre que encontrava um emprego de um ‘lado’ o meu ‘outro lado’ chamava a atenção. É o caso do Cineboteco aonde fui contratado cuidar do conteúdo e acabei diretor de tecnologia. Enfim, abri minha própria empresa de desenvolvimento de software para atender tanto o Cineboteco como outros clientes.
Uma outra frente foi trabalhar com adolescentes. Passei muitos anos com o CISV, fui monitor de acampamentos em diversos países do mundo e, aqui no Brasil, dou aulas de cinema em colégios.
Minha vida de improviso começou por acaso, em um curso de Clown com o Márcio Ballas. Depois de dois anos com ele veio o curso do Ricardo Behrens e foi então que decidi montar meu próprio grupo de Improviso. Daí começou a jornada de aprender buscando diversas oficinas (Marcio Ballas, Rhena de Faria, Mariana Muniz, Ricardo Behrens, Bete Dorgam, Patch Adams, Pablo Pundik, Gustavo Ángel, Catalina Hincapie, Hacho Badaracco, Ariel Frost, Leandro Calado, Omar Galvan, Mario Escobar, Luis Louie, Frank Totino …) assistir tudo quanto é espetáculo, devorar toda literatura que encontrava e passar tudo isto para toda gente que foi aparecendo no grupo! De brinde, naquele ano fui contratado para filmar o trabalho do Jogando no Quintal e pude estudar o trabalho deles.
Depois deste um ano, o grupo estabilizou com a cara que temos hoje e, com algum conhecimento acumulado, começamos a trilhar o nosso caminho do Prótotipo. Desde 2007 nos apresentamos mensalmente e para este ano queremos mais!
Improvisando:  Gostaria que vc começasse resumindo os trabalhos nos quais vc está envolvido hoje.
Eu dirijo e me apresento com o Grupo Protótipo de Improvisação. Ainda no improviso, dou oficinas para grupos e empresas e estou pesquisando um novo espetáculo para o grupo.
Também tenho uma empresa de  desenvolvimento de software, Partisan e sou professor de Cinema no colégio Móbile.
Improvisando: O que é Improvisação Teatral? Quais são os princípios em que se embasa?
Improvisação Teatral é o desenvolvimento espontâneo de histórias. Os fundamentos da Impro são a escuta e a aceitação. Escuta e aceitação do outro, do ambiente e de si. Que é uma forma de dizer que a criação é natural, basta que você a perceba e não a bloqueie. Com isso em mãos, o resto é refinamento.
Improvisando:  Como surgiu a Improvisação na sua carreira?
Em 2004 minha irmã estava tendo aula de trapézio no Galpão do Circo. Ela ficou sabendo de um workshop de Clown que o Marcio Ballas ia dar e fez minha ficha de inscrição de brincadeira, ela sempre brincou que eu era palhaço.
Eu fiz o tal workshop e adorei. Emendei na turma regular do Marcio e fiquei um tempão. Aliás, fiquei até ele me expulsar! Chegou um dia que ele me falou que eu já conhecia todo repertório dele que tava na hora de eu ir embora. Aproveitei a deixa para ir atrás de outros cursos. Não lembro, mas deve ter sido nesta época que estudei com a Bete Dorgam.
Em 2006 o Jogando no Quintal trouxe para o Brasil o Ricardo Behrens da LPI. Eu fiz uma oficina com ele e foi a revelação. Quero fazer improviso! Juntamos os interessados que fizeram a oficina, outros alunos do Marcio, alguns amigos e, com a vontade de montar uma LPI no Brasil, começamos a nos reunir.
Simultaneamente, ou seja, quando o Ricardo Behrens estava no Brasil, eu dei uma baita sorte que eu tinha recém terminado minha graduação em Cinema e o Márcio me ligou pedindo que eu filmasse o treino que o Ricardo daria para o Jogando. Quando entreguei o DVD do workshop para o Jogando eles gostaram e me pediram para filmá-los todo mês. Topei! Além de assistir a pencas de apresentações do Jogando, acompanhei alguns treinos, aquecimentos, discussões, camarins.. E, tendo que preparar os DVDs, vi e revi todo o material diversas vezes. Foi uma época em que aprendi muito, Um privilégio mesmo. Passei um ano inteiro gravando.
Este mesmo ano que passei gravando, comecei o processo de pesquisa e aprendizado do grupo. Começamos nos reunindo em um salão de festas, logo depois migramos para a, gentilmente cedida, sede do Jogando. Quando resolvemos aumentar o número de encontros passamos a alugar um espaço na Vila Madalena e, depois de um ano, inauguramos nossa própria sede.
Foi um período bem louco. Eu tinha minha experiência de Clown e um workshop do Ricardo e logo estava dando treino para os diversos sub-grupos da nossa turma. Eram 5 treinos por semana! Tinha muita gente. Devem ter passado umas 40 e tantas pessoas pelo grupo.
Por sorte, o Jogando no Quintal trouxe muita gente bacana para dar treino para eles e eles foram muito generosos conosco. Aproveitamos todo mundo que apareceu em SP e treinamos com gente do Accion Impro, do ImproMadrid, da LPI Argentina, a Mariana Muniz.. Também treinamos com o Marcio e com a Rhena.
Com a bagagem de acompanhar o Jogando, este monte de oficinas, diversos livros e muita tentativa e erro, em março de 2007 começamos a nos apresentar em público. Aí o nosso NEI (Núcleo de Estudos de Improviso) deu luz ao Grupo Protótipo.
Improvisando: A sua trajetória profissional é bastante polivalente. De que forma o cinema, a informática e as exatas influenciam seu exercício como Improvisador? De que forma a Improvisação o influencia nas demais carreiras?
Depois de tantas apresentações e tantos treinos, me sinto muito tranqüilo em situações novas. O trabalho de escuta, foco no presente, memória.. está cada vez mais internalizado e passei a confiar de que minha mente vai prestar atenção e irá resgatar a informação necessária na hora certa. E, incrível, funciona. O humor também ficou mais refinado e ágil, o que ajuda com os clientes e alunos. Mas a principal influência hoje da Impro na minha vida é que dedico cada vez mais tempo a ela e, portanto, menos as outras coisas.
O mundo das exatas trouxe para o Protótipo (temos mais membros de exatas no grupo) um grande enfoque em entender tudo o que fazemos. O que funciona, o que faz com que funcione, o que podemos variar e ainda manter funcionando.. Nós teorizamos muito! Lembro que láááá no comecinho do grupo, quando a Rhena veio nos ver, ela achou curioso que nós entendíamos muito e isto era um problema. Pois entender o que funciona, não é o suficiente, tem de praticar, e nossa prática estava muito aquém da nossa compreensão. Ela falou algo como ‘é como se vocês já entendessem tudo de jazz e agora querem começar tocando Miles Davis ao invés de praticar marchinhas’. Ela tinha razão. Mas nossa cabeçudice ajudou bastante a traçar o caminho dos  treinos, ajudou a descobrir o que precisamos desenvolver e como fazê-lo.
O Cinema contribuiu de diversas formas. A principal foi um bom conhecimento de estrutura narrativa. É algo que me ajuda muito em cena e é onde contribuo mais. É também algo que trabalho bastante com o Protótipo pois na minha visão a história e como ela é contada é a medida do sucesso de uma cena. Também estudei direção, e ainda especificamente direção de atores, o que sem dúvida ajudou a dirigir o grupo e construir o espetáculo.
Por fim, eu valorizo cenas que tenham repertório e o Cinema foi algo que aprofundou muito o meu. Obviamente já era um apreciador do ‘cult’ antes de entrar na faculdade.. Hoje o grupo me alopra: estudei cinema em Praga e conheço cinema Tcheco, Polonês, Húngaro, Estoniano… Claro que não adianta citá-los em cena, mas conhecer tanta diversidade de histórias e pessoas me ajuda a enriquecer as cenas que participo.
Improvisando:  Quem são os Improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?
O Ricardo Behrens além de ser o padrinho do grupo, é um improvisador fenomenal. Sem dúvida um mestre que nos estimula bastante.
Mesmo anos depois, continuo impressionado com a qualidade das cenas que vi do ImproMadrid. O Omar Argentino me deixou boquiaberto com sua apresentação solo as duas vezes que vi. O Colectivo Teatral Mamut também foi deslumbrante.
O Jogando no Quintal inspira a poder viver de Improviso no Brasil.
Também volta e meia volto a fonte e re-devoro o Impro do Keith Johnstone.
Improvisando:  Quais companhias no mundo você acredita que hoje fazem os trabalhos mais incríveis?
Além dos excelentes ImproMadrid e Mamut tenho que destacar o Acción Impro. Eles não apenas dominam os jogos como fazem um incrível long form dramático, o Triptico.
Eu também admiro como o Jogando no Quintal, além de conseguir juntar Clown e Impro, desenvolveu um espetáculo que vai além dos jogos e é extremamente envolvente.
Improvisando:  O que mais tem te trazido interesse em Improvisação hoje? Jogos de Improvisação ou espetáculos mais long form?
Long form! No momento é mais desafiador e permite resultados magníficos. É um reflexo da minha paixão por histórias. Os jogos são divertidos mas muitas vezes sacrificam a história. Na verdade, nesta comparação, o importante é que prefiro histórias à jogos independemente da duração das cenas. O nosso começo de trabalho com long form no Protótipo me deixou muito animado. Temos uma criação nascendo…
Improvisando:  Quais princípios em que se embasa a Improvisação que é hoje são mais motivos de investigação e pesquisa?
Nosso grupo é muito verbal e devemos trabalhar mais o uso do nosso corpo, composição do espaço e uma maior sutileza no que desenvolvemos. Me fascina o quanto podemos transmitir com olhares, gestos ou mesmo um texto que é cotidiano mas expõe toda uma dinâmica entre os personagens. Também, com o long form em mente, pesquisamos um novo ritmo de cena e maior profundidade nos personagens e suas relações.
Improvisando: Para onde vai a Impro (o futuro)?
Meu palpite é que atual onda que tornou o improviso bastante popular ainda deve continuar um pouco. O que é ótimo. Temos cada vez mais gente brincando e aprendendo. Assim a tendência é que tanto o público quanto os grupos se tornem cada vez mais exigentes e, em um círculo virtuoso, tenhamos cada vez mais espetáculos novos, diferentes e melhores!
Improvisando:  Quais são as dificuldades executivas de um grupo novo no mercado da Improvisação? Como o Protótipo tem conseguido se estabelecer nesse mercado? Quais são as perspectivas e projetos do seu grupo?
A maior dificuldade é atrair o público. Divulgar teatro me parece difícil como um todo, divulgar sem verba um elenco de desconhecidos então…é dureza. O boca-a-boca para grupos de improviso é algo que funciona bem: normalmente quem gosta volta com novos amigos, mas, sozinho, é relativamente lento. Um detalhe que ainda me impressiona é a quantidade de gente que não arrisca assistir nenhum espetáculo de improviso com medo de ser obrigado a se expor.
Acho um mérito incrível do Improvável como eles conseguiram romper a barreira da divulgação com vídeos semanais de alta qualidade, convidados e um belo site.
O Protótipo nos primeiros anos foi cautelosamente se apresentando uma vez por mês e com uma produção caseira. Este ano resolvemos nos dedicar e aparecer ainda mais. Fizemos no 1o semestre uma temporada semanal e agora estamos no 2o semestre de volta em cartaz com mais apresentações semanais. Além do aumento do número de apresentações buscamos e realizamos mais oficinas e eventos corporativos. Também participamos do Campeonato Brasileiro de Impro que foi uma ótima oportunidade de conhecer, conviver e jogar com muita gente muito boa e gente muito boa gente (e trazer o bronze!). Enfim um ano em que tivemos uma maior visibilidade o que ajudou a consolidar e divulgar a nossa imagem.
Também investimos em novo cenário, figurino, site… Para o próximo ano pretendemos melhorar ainda mais toda produção e, creio, não escaparemos de um investimento real em divulgação. Certamente aumentaremos o número de oficinas e eventos e, além de continuar com o nosso espetáculo, há uma vontade de estrear um novo!
Começar a buscar leis de incentivo e patrocinadores também está nos planos, alguém aí está interessado?
O Grupo Protótipo está em cartaz no Teatro Bella, na rua Rui Barbosa, 399 , São Paulo, todas às sextas feiras 22h até dia 17/12.
Abaixo uma intervenção do grupo na semana de recepção do IME/ USP.
Flávio Lobo é polivalente. Além de professor de biologia é professor de Improvisação na Cia. do Teatro Contemporâneo e está à frente do Grupo Alcatéia de Improvisação, bicampeão carioca e atual campeão brasileiro, título esse recentemente conquistado no Campeonato Brasileiro de Improvisação que ocorreu no último fim de semana no Rio de Janeiro. Flávio também é responsável pela notícia de improvisação com o resumo desse campeonato exclusivo para esse blog.
1) Improvisando: Gostaria que vc começasse resumindo os trabalhos nos quais vc está envolvido hoje.
Atualmente ministro aulas de improvisação no curso livre e no curso profissionalizante da Cia de Teatro Contemporâneo. Também trabalho no Colégio Eduardo Guimarães como professor de ciências, biologia e improvisação teatral onde ministro aulas de improvisação para as classes especiais (O EG é uma escola inclusiva) e realizo uma pesquisa sobre como a improvisação pode auxiliar no ensino formal. 

Estou a frente do Grupo Alcateia de Improvisação, atual campeão Carioca e Brasileiro de improvisação onde trabalho como ator e treinador e é produzido por Fabiola Mozine. O Grupo está preparando dois espetáculos um de cenas curtas e outro no formato de cenas longas improvisadas. Ambos para estreiar em 2011 na cena carioca.

2) Improvisando:  O que é Improvisação Teatral? Quais são os princípios em que se embasa?
Para  mim a improvisação teatral é um ótimo treinamento para qualquer ator, e até mesmo para qualquer pessoa, pois seus fundamentos como a escuta, o cavalheirismo e a aceitação são princípios básicos para que se construa boas relações em cena e na vida. Criar cenas, assim como conviver em grupo é algo muito difícil e requer muita conexão entre seus componentes para que tudo ocorra bem.
3) Improvisando: Como surgiu a Improvisação na sua carreira?
A improvisação vai surgir na minha vida na década de 90 onde eu fazia uma peça chamada Terror na Praia. A ideia desse espetáculo surgiu quando a produtora Mariah Martinez assistiu a um show de impro na França e , mesmo sem entender nada, achou bacana uma disputa teatral onde a platéia atirava chinelinhos de borracha nos atores (na verdade era nos juízes) em uma disputa teatral.
No Terror, que tinha como base o teatro circo da década de 50, tinhamos uma peça principal com o gênero terror seguido de um ato variado com esquetes, mágicos e malabaristas. O espetáculo era quase todo improvisado a partir de um roteiro básico, pois tanto a peça, quanto o ato variado mudava a cada semana. Durante o ato variado, o ápice era uma disputa do “pior esquete”. Dois grupos de atores disputavam uma cena onde o público jogava chinelos de espuma naquelas que achavam a pior. Esta seria a escolhida da semana e encenada na íntegra na semana seguinte. O Terror foi uma grande escola embora não tivesse quase nada do Impro de verdade.
Em 2003 a atriz e diretora Gabriela Duvivier veio da Europa trazendo em sua bagagem as técnicas de Keith Johnstone. Ela ofereceu uma oficina e formou um grupo de atores. Foi meu primeiro contato real com teatroesporte e dessa oficina surgiu o “Teatro do Nada” uma das primeiras companhias cariocas de improvisação, que está na cena até hoje. Quando o “Nada” se formou eu estáva envolvido em pesquisas sobre o impro, tinha acabado de ler o “Impro for Storytellers” e muito empolgado. Assim resolvi fazer encontros, com auxílio da produtora Fabiola Mozine,  onde divulgávamos e treinávamos as técnicas, gratuitamente para quem quisesse participar. Nessa época fui convidado a fazer parte do espetáculo “Nada Contra” do “Teatro do Nada”, como Juiz Técnico e comecei a trabalhar na Cia de Teatro Contemporâneo, onde Iniciamos as primeiras versões do Campeonato Carioca de Improvisação.
Nesse meio tempo, até hoje, participei de inúmeras oficinas e workshops de improvisadores que passaram por aqui como Ana Paula Novellino (Teatro do Nada), Ricardo Behrens (LPI Argentina), Fernando Caruso (Z.E. Zenas Emprovisadas), Matheus Bianchim (Imprópria Cia Teatral), Omar Argentino (Improtour), Edson Duavy (Anônimos da Silva), Pedro Borges ( Improváveis – Portugal) e Bobbi Block (Groove and Tongue – Philadelphia)  e também ministrei oficinas no Rio, São João del Rey – MG e Villa Velha – ES.
4) Improvisando: A sua trajetória profissional é diversificada. Se bem compreendi você vem da área das ciências (biologia). Como sua formação influenciou na sua atuação. E quanto da improvisação contribuiu na sua carreira?
A improvisação no geral e o impro em particular é uma técnica onde o ator deve trabalhar com o máximo de conhecimento que possa contribuir com a cena. Adoro estudar. Sou formado em biologia, professor, ator, jogador de RPG, colecionador de quadrinhos desde adolescente e um devorador de livros e filmes, em suma, o típico “NERD”. Logo o Impro, para mim é uma evolução natural. Tento levar para os jogos de impro os detalhes adquiridos por minha vivência, assim como tento levar o Impro para a sala de aula. Acho que é uma boa troca e os resultados em ambas as áreas de atuação é extremamente satisfatório.
5) Improvisando: Quem são os Improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?
São muitos. Hoje em dia eu citaria Keith Johnstone (que eu conheço apenas pela obra), Ricardo Behrens, Omar Argentino, Allan Benatti e Edson Duavy.
6) Improvisando: Quais companhias no mundo você acredita que hoje fazem os trabalhos mais incríveis?
Não saberia lhe responder sobre as melhores companhias do mundo. Pois as conheço apenas pela literatura e alguns vídeos do youtube. Porém no Brasil, daquelas que eu vi atuando, as melhores companhias que estão na cena hoje em dia na minha opinião são, independente da ordem: “Uma Companhia” (MG), “Jogando no Quintal” (SP),  e claro o “Grupo Alcateia” (RJ). No campeonato Brasileiro de improvisação me impressionaram também o jogo dos “Protótipos” e do Sustentáculos (SP) e dos “Risologistas” (PR).
7) Improvisando: O que mais tem te trazido interesse em Improvisação hoje? Jogos de Improvisação ou espetáculos mais long form?
Estou trabalhando com o Alcateia as duas vertentes.Gosto muito dos jogos de improviso. Mas acho que eles acabam limitando a improvisação pelo excesso de regras (que é bom para iniciantes). A tendência natural dos improvisadores mais experientes é buscar formatos mais longos e livre de amarras onde se prioriza a dramaturgia e o aprofundamento das relações entre os personagens.
8.) Improvisando: Quais princípios em que se embasa a Improvisação que é hoje são mais motivos de investigação e pesquisa?
A noção de ciclo de espectativas, que está relacionada diretamente com o conhecimento no assunto sobre o qual se fala durante a improvisação. A escuta e a aceitação – fundamentais para a construção de cenas em grupo e as noções teatrais de memória emotiva, memória afetiva e construção de personagem. Fundamentais para uma cena mais longa.

9) Improvisando: Para onde vai a Impro (o futuro)?

A impro é uma fonte inesgotável de pesquisa. Acredito que pode se originar inúmeros formatos de espetáculos e no futuro acho que muitas empresas utilizarão as técnicas para o treinamento de seus funcionários e professores as utilizarão para facilitar a aquisição de conhecimento por parte dos alunos. Além do mais é um formato teatral totalmente aberto e muitos grupos a utilizarão para formatar seus espetáculos. E é claro surgirão os campeonatos, encontros e festivais de improvisação, fonte permanente de troca de conhecimento entre os entendidos e os neófitos.

Na seqüência, vídeos do Alcatéia em ação, contra o Anônimos da Silva no Brasileiro do último ano e contra o Ilimitada no Campeonato Carioca de Improvisação.

Gustavo Miranda Ángel atua desde que tinha oito anos de idade em mais de cinqüenta produções. Fundador do Acción Impro e ator do Fundación Prolírica de Antioquia com quem representou importantes papéis nas temporadas anuais de Opereta e Zarzuela de Medellín. Ele também trabalhou para a Asociación Lírica Zoraida Salazar – Dionisio Riol e como artista convidado na temporada da Opereta de Cali. Além de sua experiência como um improvisador e treinador em mais seis países, tem atuado de várias produções e comerciais de televisão local, nacional e internacional. Ele tem participado de filmes de curta e médiametragens colombianos geralmente no papel principal e é locutor de voz para comerciais para rádio e televisão, especializado em vozes atuadas e dublagem de vozes para espetáculos e vídeos.

La Opereta

 

La Escala Humana

Entre nós, brasileiros, é conhecido por sua excelência como ator e como treinador de Improvisação Teatral, admirado por grandes nomes da Improvisação Teatral Brasileira.

Nessa entrevista, gentilmente concedida via email, Gustavo Miranda divide suas impressões a respeito da improvisação teatral, perspectivas atuais e futuras e suas visões particulares da técnica, tudo com uma lucidez, uma clareza e uma didática que somente grandes mestres poderiam ter.

Improvisando: Gostaria que fizesse um pequeno resumo das atividades em que se encontra envolvido hoje.

Gustavo Miranda: Soy Gustavo Miranda, Maestro en Artes Representativas de la Universidad de Antioquia. Fundador de la compañía Acción Impro, con la que trabajo desde hace 10 años. Actualmente además de actuar, dirijo y produzco espectáculos para mi compañía, he participado en festivales de improvisación en Argentina, México, España, Ecuador, Chile, Brasil y Colombia. Estoy haciendo una investigación en otros formatos de improvisación donde sea más importante la creación del personaje. Estoy dictando un taller de impro llamado “La Otra Percepción de la Improvisación” que estrené en Brasil en el 2008 y que recientemente hice en Chile. Presento un programa de televisión (nada relacionado con impro) y hago publicidad en radio.

Sou Gustavo Miranda, Mestre em Artes Cênicas na Universidade de Antioquia. O fundador da companhia Acción Impro, com quem trabalho há 10 anos. Atualmente, além de atuar, eu dirijo e produzo espetáculos com a minha companhia, participei de festivais de improvisação na Argentina, México, Espanha, Equador, Chile, Brasil e Colômbia. Estou fazendo pesquisa em outros formatos de improvisação em que a criação do personagem é o mais importante. Eu estou ensinando uma oficina de improvisação “A Outra Percepção da Improvisação”, que estreiei no Brasil em 2008 e recentemente fiz no Chile. Eu apresento um programa de televisão (nada relacionado a impro) e faço publicidade em rádio.

Improvisando: O que é a improvisação teatral? Em quais princípios ela se baseia?
Gustavo Miranda: La improvisación teatral es el medio, el puente que conecta la imaginación y creatividad del actor con la puesta en escena, es el método natural para llegar a una acción dramática y por consiguiente a uma situación y a una estructura dramáticas. La Impro, por otro lado, es la improvisación como resultado en sí misma, convirtiéndose así en la puesta en escena, sin puentes, sin textos ni ensayos. Esto técnicamente hablando, pero si respondo esta pregunta basado en mi posición personal, diría que la Impro es una filosofía de vida, los conceptos de aceptación, escucha, trabajo en equipo, juego y diversión son tan útiles en la vida que por momentos la impro cobra más importância fuera de escena. La impro te da la posibilidad de crear y no repetir, de ponerte a riesgo constantemente y por si fuera poco, de pasar momentos inolvidables y muy, muy divertidos.

O teatro de improviso é o meio, a ponte que liga a imaginação e a criatividade do ator com a encenação, é o caminho natural para alcançar a ação dramática e, consequentemente, a uma situação e uma estrutura dramáticas. A Impro, por outro lado, é a improvisação como um resultado em si mesmo, tornando-se a encenação, sem pontes, sem textos nem ensaios. Isso tecnicamente falando, mas se eu responder a essa questão com base na minha posição pessoal, eu diria que o Impro é uma filosofia de vida, os conceitos de aceitação, escuta, trabalho em equipe, jogos e diversão são tão úteis na vida que às vezes o impro, por momentos, reivindica mais importância fora de cena. A improvisação te dá a capacidade de criar e não repetir, de te por em risco constantemente e além de tudo, passar momentos memoráveis e muito, muito divertidos.

Improvisando:  Como a Impro foi introduzida dentro da sua carreira?

Gustavo Miranda: Yo estudiaba teatro en la universidad y un maestro que llegó de Itália nos dio un taller de Impro a mi y a un grupo de 20 personas más, más adelante vino una compañía Argentina llamada “Sucesos Argentinos” que llevaba muchos años investigando la Impro, recibimos un entrenamiento aún más detallado y un apoyo económico de parte de ellos, a partir de esse momento, cinco de los veinte que comenzamos los talleres seguimos trabajando constantemente la técnica, entrenamos durante un año seguido y comenzamos a presentarnos con gran éxito en nuestra ciudad, luego comenzamos a viajar a diferentes países y conocimos otras compañías, hasta que nos convertimos en una empresa, ahora la compañía nuevamente está integrada por más de veinte personas, entre artistas, personal operativo y administrativo, tenemos un teatro y una academia de Impro y nos proyectamos como la compañía joven de teatro con más proyección em nuestro país. Finalmente me convertí en actor – improvisador, una combinación muy buena que me ha traído exelentes resultados, recientemente Acción Impro montó su primera obra de texto (La Escala Humana), después de 9 años improvisando le dimos al público un montaje sin nada de improvisación, el resultado fue increíble. http://www.accionimpro.com/app/webroot/laescalahumana/escala_humana.html

Estudava teatro na faculdade e um professor que chegou da Itália nos deu uma oficina de Impro a mim e um grupo de 20 pessoas, depois veio uma empresa Argentina chamados “Sucesos Argentinos” que estava há muitos anos investigando o Impro, recebemos um treinamento ainda mais detalhado e apoio financeiro deles, e a partir desse momento, cinco dos vinte que começamos a Oficina seguimos trabalhando constantemente a técnica, treinamos por um ano seguido e começamos a nos apresentar com grande sucesso em nossa cidade, então começamos a viajar para diferentes países e conhecemos outras empresas, até que nos tornamos uma empresa, agora a companhia novamente está composta por mais de vinte pessoas, entre artistas, pessoal operacional e administrativo, temos um teatro e uma academia de Impro e nos projetamos como a companhia jovem de teatro com mais projecção em nosso país. Finalmente eu me tornei um ator-improvisador, uma combinação muito boa que me trouxe excelentes resultados, recentemente o Acción Impro montou sua primeira peça de texto (La escala Humana), depois de 9 anos improvisando, demos ao público uma montagem sem qualquer de improvisação, o resultado foi incrível. http://www.accionimpro.com/app/webroot/laescalahumana/escala_humana.html

Improvisando: Quem são os improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?

Gustavo Miranda: Por ser una técnica tan reciente, es muy difícil tener ídolos en la Impro tan rápido, sin embargo hay improvisadores muy talentosos a los que personalmente admiro, por ejemplo Omar Argentino Galván o Marcelo Savignone, originalmente improvisadores de “Sucesos Argentinos”, de mis primeros entrenadores, actualmente realizan investigaciones de Impro com máscaras, solos de impro, formatos dramáticos, entre otros.

Por ser uma técnica tão recente, é muito difícil ter ídolos na Impro tão rápido, contudo há improvisadores muito talentosos a quem eu pessoalmente admiro, por exemplo, Omar Argentino Galván, Marcelo Savignone, originalmente improvisadores do “Sucesos Argentinos”, os meus primeiro treinadores, atualmente realizando pesquisas de Impro com máscaras, solos de impro, formatos dramáticos, entre outros.

Improvisando: Quais companhias teatrais fazem os trabalhos os quais vc mais admira hoje?
Gustavo Miranda: Me gusta mucho el trabajo de Impro Madrid de España, hacen un tipo de improvisación muy tranquila e inteligente. Me gusta también Complot Escena de México y la fusión de clown e improvisador que se da en Jogando No Quintal de Brasil.

Gosto muito do trabalho do ImproMadrid da Espanha, fazem um tipo de improvisação muito tranquila e inteligente. Gosto também do Complot/ Escena do México e da fusão do Clown e Improviso que se dá no Jogando no Quintal do Brasil.

Improvisando:  O que mais o atrai hoje em dia? Jogos de improvisação ou espetáculos
longform?

Gustavo Miranda: Entre esos dos prefiero los espectáculos long form, pero lo que realmente me atrae actualmente en la impro es la búsqueda de la verdad escénica, la construcción de personajes y la teatralidad de las puestas.

Entre esses dois eu prefiro os espetáculos longform, mas o que realmente me atrai na improvisação é a busca da verdade cênica, a construção de personagens e a teatralidade das cenas.

Improvisando:  Quais são os princípios de Improvisação que no atual momento são mais motivo de pesquisa e aplicação?

Gustavo Miranda: Los principios básicos de la impro son la aceptación, la escucha, la atención, la espontaneidad y la acción reacción, esto siempre estará en la impro como base, además como entrenamiento para todo aquel que quiera acercarse a la técnica, por eso creo que difícilmente pasarán de moda. Sin embargo hay otros conceptos que siempre han estado implícitos como la diversión y la honestidad en escena, creo que estos dos elementos están tomando mucha fuerza, al punto de desplazar conceptos como “no hay error” con el que fundamentamos muchos improvisadores nuestro entrenamiento al inicio, ahora estamos buscando ser verdaderos y buscar siempre pasarla bien en escena. Otro principio que está tomando mucha fuerza es la creación del personaje y su relación (estatus) con los otros y con la situación. Y por último un elemento que ha estado siempre en la impro y al que cada vez más las compañías experimentadas le ponen más cuidado, la estructura dramática y construcción de historias.

Os princípios básicos da improvisação são de aceitação, escuta, atenção, a espontaneidade e a ação e reação, isso sempre estará na Impro como base, além disso como treinamento para quem queira se aproximar da técnica, por isso creio que dificilmente sairão de moda. No entanto, existem outros conceitos que sempre têm estado implícitos como a diversão e a honestidade em cena, creio que estes dois elementos estão tomando muita força, a ponto de mudar conceitos tais como “nenhum erro” com o que fundamentamos  muitos improvisadores nosso treinamento no início, agora estamos buscando ser verdadeiros e buscamos transmití-la bem em cena. Outro princípio que está tomando muita força é a criação do personagem e sua relação (status) com os outros e com a situação. E, finalmente, um elemento que sempre tem estado na  improvisação e que as companhias mais experientes vão ter mais cuidado, a estrutura dramática e a construção das estórias.

Improvisando: Para onde caminha a Impro? (o futuro)

Gustavo Miranda: En general el mundo creo que está dando un giro desde hace años a los espectáculos long form, por lo que he visto y he realizado, la impro no humor también es importante en la búsqueda de cada compañía, especialmente las que llevan más de cinco años. Recientemente vi en Chile a Marcelo Savignone (improvisador argentino) con un espectáculo de impro donde solo está él con su músico y una docena de máscaras balinesas, un trabajo impecable de creación de personaje y con una gran veracidad en la escena que me gustó mucho, creo que hacia allá va la impro, o al menos parte de ella. Yo particularmente como dije en la anteriormente, busco una impro donde el actor tenga la posibilidad de construir personajes, historias y estructuras más teatrales, con credibilidad y sin importar el género, puede ser humor o drama, lo importante es que el público sienta que lo que vio fue una obra de teatro improvisada.

Em geral, o mundo creio que está dando uma volta desde anos aos espetáculos longform, pelo que tenho visto e feito, a impro sem humor também é importante busca de cada companhia, especialmente aqueles que chegam a mais de cinco anos . Eu vi recentemente no Chile, Marcelo Savignone (improvisador argentino) num espetáculo de impro onde ele está sozinho com seu músico e uma dúzia de máscaras de Bali, um trabalho fantástico de construção de personagem e com uma grande veracidade em cena que eu gostei muito, creio que por ali a improvisação está indo, ou pelo menos parte dela. Eu particularmente, como disse anteriormente, busco uma impro, onde o ator tenha a possibilidade de criar personagens, histórias e estruturas mais teatrais, com credibilidade e sem importar o gênero, pode ser humor ou drama, o importante é que o público sinta que o que viu foi uma obra de teatro improvisado.

Seguem-se três vídeos:

Um espetáculo chamado Comfama, uma sátira de programa de TV Cambio Extremo e o trailer do novo espetáculo La Escala Humana.