Tag Archive: Ricardo Behrens


Hoje no Festival Internacional Los Improvisadores foi dia de TellAraña do La Gata Impro e Match de Improvisação.

Começamos com o espetáculo do grupo La Gata Impro chamado TellAraña.

Num cenário que lembra uma sala de estar, um sofá, um lustre, um vaso de planta, um mancebo, duas cadeiras e um banquinho. Nesse clima aconchegante, o grupo La Gata Impro (Felipe Ortiz, Carlos Alberto Urrea Lasprilla, Juan Gabriel Turbay, Camilo Rodrigues, Daniel Orrantia, Sebastian Rodrigues e Mabel Moreno) entra despretensiosamente no palco, cumprimentando a plateia e estabelecendo com ela uma diálogo cotidiano, na qual sem perceber, vão colhendo plataformas cotidianas que serão utlizadas para criar suas estorias. Essas estorias são interligadas durante o espetáculo, permeado de elementos de realismo fantástico. No início do espetáculo, os objetos de cena saem um a um, deixando o palco livre e esses objetos vão entrando pouco a pouco em cena, complementando o cenário de cada uma delas dentro do seu contexto.

Segue-se o Match de Improvisação.

O match de improvisação é um formato de jogos de improvisação criado por Robert Gravel e Yvon Leduc no Canadá, baseando suas técnicas nas investigações do mestre Keith Johnstone. Após várias experiências com improvisação entre um grupo de atores do Teatro Experimental de Montreal, surge a idéia de uma peça teatral que, como um esporte, fosse único e irreproduzível em cada representação. Em 1977 então se cria um espetáculo desportivo-teatral baseado no Hockey de gelo que com regras apropriadas e dentro de um marco adequado, cria um estado de competição. A LPI (Liga Profissional de Improvisação) de Ricardo Behrens, foi responsável pela popularização no gênero entre os españo hablantes.

O jogo se estabelece entre 2 equipes, em suas regras oficiais composta de 3 jogadores e 3 jogadoras e um técnico. Um árbitro e dois auxiliares cuidam para que o jogo transcorra dentro das normas. Cada partida tem duração de 90 minutos (3 tempos de 30 minutos, com intervalos de 1o minutos entre cada um dos tempos). Cada jogo de improvisação proposto pelo juiz deve delimitar o tema proposto para a improvisação, sendo essas:

1)Natureza da Improvisação:

Comparada: cada equipe joga o mesmo tema separadamente.

Mista: jogadores de ambos os times participaram do tema proposto.

2) Título da Improvisação

3) Número de jogadores

4) Duração da Improvisação

5) Estilo

Existem diversas normas a serem cumpridas e faltas são apitadas quando infringidas tais regras. A contagem de pontos se baseia no voto popular e pontos são perdidos à contagem das infrações cometidas por cada equipe.

O Match teve apresentaçào de Mario Escobar Olea, um dos fundadores do Colectivo Teatral Mamut,  improvisador-professor chileno que esteve nos últimos seis meses no Brasil, trabalhando com companhias como Jogando no Quintal e Barbixas.

O juiz da noite foi Hector Rafael Altamirano, juiz personagem de Omar Argentino Galván, auxiliado por Monica Moya (Colectivo Teatral Mamut) e Mali, ambas do Los Improvisadores.

Os dois times, azul e vermelho, eram composto por seleções de jogadores variados do mundo todo.

O time vermelho era composto por:

Juan Alberto Urrea Lasprilla, do La Gata Impro da Colômbia

José Luis Saldaña, do Complot Escena do México

Guilherme Tomé, do Olaria GB e do É Tudo Improviso, do Brasil

Luciano Barreda, do Improcrash da Argentina

Sergio Molina Panqueque, do Colectivo Teatral Mamut e do Los Improvisadores, do Chile

Ignacio Soriano, do Impromadrid da Espanha.

O time azul foi assim composto:

Juan Gabriel Turbay, do La Gata Impro da Colômbia

Jorge Rueda, do Impromadrid da Espanha

Charo Lopes, do Improcrash da Argentina

Nico Belmar, do Colectivo Teatral Mamut e do Los Improvisadores do Chile

Omar Medina, do Complot Escena do México

Marcio Ballas, Jogando no Quintal e É Tudo Improviso do Brasil.

Além da melhor das seleções de jogadores, com distintas características, a melhor das qualidades técnicas, o espetáculo se torna ainda muito mais atrativo, com as atuações do Mestre de Cerimônias e o trio de arbitragem. Destaque também para Francisco “Foco” Cerda, que é o músico improvisador que faz toda a diferença improvisando junto com as cenas do match.

Sagrou-se campeã a equipe azul com 8 a 4.

Hoje é dia de estreia de espetáculo com X-ha Muerto do Complot Escena do México e Cage Match.

Anúncios

Continuando meu overview pelas novas safras da Improvisação Brasileira, entrevisto hoje Rafael Lohn. Diretor do terceiro colocado do Campeonato Brasileiro de Improvisação, o Grupo Protótipo, Rafa Lohn é outro polivalente na improvisação.

Abaixo, permito que ele próprio conte de sua trajetória na Improvisação e a história do seu grupo.

BIOGRAFIA

Minha veia racional e minha veia artística sempre andaram juntas e foi praticamente natural sair do colégio para cursar simultaneamente Cinema (FAAP) e Matemática Aplicada (USP).
O caminho da matemática me levou para o mundo da lógica, informática e cultura nerd. Sempre enxerguei a matemática, assim como o cinema, como uma linguagem. Uma linguagem elegante, bela e que também tem espaço para a criatividade e inspiração.
O caminho do Cinema incluiu muitos filmes e também muito trabalho com fotografia. Participei de exposições e festivais e estudei com grandes fotógrafos como o René Burri e  o Ralph Gibson.
Além da minha formação na FAAP, estudei na Academia de Cinema de Praga (FAMU). Lá me aprofundei na cinematografia da Europa Oriental, análise de roteiro, estrutura narrativa e direção. Pude trabalhar com diversos diretores e tive oficinas fenomenais como a de direção de atores com a Lenore DeKoven. Também lá dei uma série de aulas de Cinema Brasileiro.
O engraçado é que eu rapidamente virei o ‘louco’ entre os matemáticos e o ‘nerd’ entre os cineastas. Tal qual o ditado ‘em terra de cego quem tem um olho é rei’, sempre que encontrava um emprego de um ‘lado’ o meu ‘outro lado’ chamava a atenção. É o caso do Cineboteco aonde fui contratado cuidar do conteúdo e acabei diretor de tecnologia. Enfim, abri minha própria empresa de desenvolvimento de software para atender tanto o Cineboteco como outros clientes.
Uma outra frente foi trabalhar com adolescentes. Passei muitos anos com o CISV, fui monitor de acampamentos em diversos países do mundo e, aqui no Brasil, dou aulas de cinema em colégios.
Minha vida de improviso começou por acaso, em um curso de Clown com o Márcio Ballas. Depois de dois anos com ele veio o curso do Ricardo Behrens e foi então que decidi montar meu próprio grupo de Improviso. Daí começou a jornada de aprender buscando diversas oficinas (Marcio Ballas, Rhena de Faria, Mariana Muniz, Ricardo Behrens, Bete Dorgam, Patch Adams, Pablo Pundik, Gustavo Ángel, Catalina Hincapie, Hacho Badaracco, Ariel Frost, Leandro Calado, Omar Galvan, Mario Escobar, Luis Louie, Frank Totino …) assistir tudo quanto é espetáculo, devorar toda literatura que encontrava e passar tudo isto para toda gente que foi aparecendo no grupo! De brinde, naquele ano fui contratado para filmar o trabalho do Jogando no Quintal e pude estudar o trabalho deles.
Depois deste um ano, o grupo estabilizou com a cara que temos hoje e, com algum conhecimento acumulado, começamos a trilhar o nosso caminho do Prótotipo. Desde 2007 nos apresentamos mensalmente e para este ano queremos mais!
Improvisando:  Gostaria que vc começasse resumindo os trabalhos nos quais vc está envolvido hoje.
Eu dirijo e me apresento com o Grupo Protótipo de Improvisação. Ainda no improviso, dou oficinas para grupos e empresas e estou pesquisando um novo espetáculo para o grupo.
Também tenho uma empresa de  desenvolvimento de software, Partisan e sou professor de Cinema no colégio Móbile.
Improvisando: O que é Improvisação Teatral? Quais são os princípios em que se embasa?
Improvisação Teatral é o desenvolvimento espontâneo de histórias. Os fundamentos da Impro são a escuta e a aceitação. Escuta e aceitação do outro, do ambiente e de si. Que é uma forma de dizer que a criação é natural, basta que você a perceba e não a bloqueie. Com isso em mãos, o resto é refinamento.
Improvisando:  Como surgiu a Improvisação na sua carreira?
Em 2004 minha irmã estava tendo aula de trapézio no Galpão do Circo. Ela ficou sabendo de um workshop de Clown que o Marcio Ballas ia dar e fez minha ficha de inscrição de brincadeira, ela sempre brincou que eu era palhaço.
Eu fiz o tal workshop e adorei. Emendei na turma regular do Marcio e fiquei um tempão. Aliás, fiquei até ele me expulsar! Chegou um dia que ele me falou que eu já conhecia todo repertório dele que tava na hora de eu ir embora. Aproveitei a deixa para ir atrás de outros cursos. Não lembro, mas deve ter sido nesta época que estudei com a Bete Dorgam.
Em 2006 o Jogando no Quintal trouxe para o Brasil o Ricardo Behrens da LPI. Eu fiz uma oficina com ele e foi a revelação. Quero fazer improviso! Juntamos os interessados que fizeram a oficina, outros alunos do Marcio, alguns amigos e, com a vontade de montar uma LPI no Brasil, começamos a nos reunir.
Simultaneamente, ou seja, quando o Ricardo Behrens estava no Brasil, eu dei uma baita sorte que eu tinha recém terminado minha graduação em Cinema e o Márcio me ligou pedindo que eu filmasse o treino que o Ricardo daria para o Jogando. Quando entreguei o DVD do workshop para o Jogando eles gostaram e me pediram para filmá-los todo mês. Topei! Além de assistir a pencas de apresentações do Jogando, acompanhei alguns treinos, aquecimentos, discussões, camarins.. E, tendo que preparar os DVDs, vi e revi todo o material diversas vezes. Foi uma época em que aprendi muito, Um privilégio mesmo. Passei um ano inteiro gravando.
Este mesmo ano que passei gravando, comecei o processo de pesquisa e aprendizado do grupo. Começamos nos reunindo em um salão de festas, logo depois migramos para a, gentilmente cedida, sede do Jogando. Quando resolvemos aumentar o número de encontros passamos a alugar um espaço na Vila Madalena e, depois de um ano, inauguramos nossa própria sede.
Foi um período bem louco. Eu tinha minha experiência de Clown e um workshop do Ricardo e logo estava dando treino para os diversos sub-grupos da nossa turma. Eram 5 treinos por semana! Tinha muita gente. Devem ter passado umas 40 e tantas pessoas pelo grupo.
Por sorte, o Jogando no Quintal trouxe muita gente bacana para dar treino para eles e eles foram muito generosos conosco. Aproveitamos todo mundo que apareceu em SP e treinamos com gente do Accion Impro, do ImproMadrid, da LPI Argentina, a Mariana Muniz.. Também treinamos com o Marcio e com a Rhena.
Com a bagagem de acompanhar o Jogando, este monte de oficinas, diversos livros e muita tentativa e erro, em março de 2007 começamos a nos apresentar em público. Aí o nosso NEI (Núcleo de Estudos de Improviso) deu luz ao Grupo Protótipo.
Improvisando: A sua trajetória profissional é bastante polivalente. De que forma o cinema, a informática e as exatas influenciam seu exercício como Improvisador? De que forma a Improvisação o influencia nas demais carreiras?
Depois de tantas apresentações e tantos treinos, me sinto muito tranqüilo em situações novas. O trabalho de escuta, foco no presente, memória.. está cada vez mais internalizado e passei a confiar de que minha mente vai prestar atenção e irá resgatar a informação necessária na hora certa. E, incrível, funciona. O humor também ficou mais refinado e ágil, o que ajuda com os clientes e alunos. Mas a principal influência hoje da Impro na minha vida é que dedico cada vez mais tempo a ela e, portanto, menos as outras coisas.
O mundo das exatas trouxe para o Protótipo (temos mais membros de exatas no grupo) um grande enfoque em entender tudo o que fazemos. O que funciona, o que faz com que funcione, o que podemos variar e ainda manter funcionando.. Nós teorizamos muito! Lembro que láááá no comecinho do grupo, quando a Rhena veio nos ver, ela achou curioso que nós entendíamos muito e isto era um problema. Pois entender o que funciona, não é o suficiente, tem de praticar, e nossa prática estava muito aquém da nossa compreensão. Ela falou algo como ‘é como se vocês já entendessem tudo de jazz e agora querem começar tocando Miles Davis ao invés de praticar marchinhas’. Ela tinha razão. Mas nossa cabeçudice ajudou bastante a traçar o caminho dos  treinos, ajudou a descobrir o que precisamos desenvolver e como fazê-lo.
O Cinema contribuiu de diversas formas. A principal foi um bom conhecimento de estrutura narrativa. É algo que me ajuda muito em cena e é onde contribuo mais. É também algo que trabalho bastante com o Protótipo pois na minha visão a história e como ela é contada é a medida do sucesso de uma cena. Também estudei direção, e ainda especificamente direção de atores, o que sem dúvida ajudou a dirigir o grupo e construir o espetáculo.
Por fim, eu valorizo cenas que tenham repertório e o Cinema foi algo que aprofundou muito o meu. Obviamente já era um apreciador do ‘cult’ antes de entrar na faculdade.. Hoje o grupo me alopra: estudei cinema em Praga e conheço cinema Tcheco, Polonês, Húngaro, Estoniano… Claro que não adianta citá-los em cena, mas conhecer tanta diversidade de histórias e pessoas me ajuda a enriquecer as cenas que participo.
Improvisando:  Quem são os Improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?
O Ricardo Behrens além de ser o padrinho do grupo, é um improvisador fenomenal. Sem dúvida um mestre que nos estimula bastante.
Mesmo anos depois, continuo impressionado com a qualidade das cenas que vi do ImproMadrid. O Omar Argentino me deixou boquiaberto com sua apresentação solo as duas vezes que vi. O Colectivo Teatral Mamut também foi deslumbrante.
O Jogando no Quintal inspira a poder viver de Improviso no Brasil.
Também volta e meia volto a fonte e re-devoro o Impro do Keith Johnstone.
Improvisando:  Quais companhias no mundo você acredita que hoje fazem os trabalhos mais incríveis?
Além dos excelentes ImproMadrid e Mamut tenho que destacar o Acción Impro. Eles não apenas dominam os jogos como fazem um incrível long form dramático, o Triptico.
Eu também admiro como o Jogando no Quintal, além de conseguir juntar Clown e Impro, desenvolveu um espetáculo que vai além dos jogos e é extremamente envolvente.
Improvisando:  O que mais tem te trazido interesse em Improvisação hoje? Jogos de Improvisação ou espetáculos mais long form?
Long form! No momento é mais desafiador e permite resultados magníficos. É um reflexo da minha paixão por histórias. Os jogos são divertidos mas muitas vezes sacrificam a história. Na verdade, nesta comparação, o importante é que prefiro histórias à jogos independemente da duração das cenas. O nosso começo de trabalho com long form no Protótipo me deixou muito animado. Temos uma criação nascendo…
Improvisando:  Quais princípios em que se embasa a Improvisação que é hoje são mais motivos de investigação e pesquisa?
Nosso grupo é muito verbal e devemos trabalhar mais o uso do nosso corpo, composição do espaço e uma maior sutileza no que desenvolvemos. Me fascina o quanto podemos transmitir com olhares, gestos ou mesmo um texto que é cotidiano mas expõe toda uma dinâmica entre os personagens. Também, com o long form em mente, pesquisamos um novo ritmo de cena e maior profundidade nos personagens e suas relações.
Improvisando: Para onde vai a Impro (o futuro)?
Meu palpite é que atual onda que tornou o improviso bastante popular ainda deve continuar um pouco. O que é ótimo. Temos cada vez mais gente brincando e aprendendo. Assim a tendência é que tanto o público quanto os grupos se tornem cada vez mais exigentes e, em um círculo virtuoso, tenhamos cada vez mais espetáculos novos, diferentes e melhores!
Improvisando:  Quais são as dificuldades executivas de um grupo novo no mercado da Improvisação? Como o Protótipo tem conseguido se estabelecer nesse mercado? Quais são as perspectivas e projetos do seu grupo?
A maior dificuldade é atrair o público. Divulgar teatro me parece difícil como um todo, divulgar sem verba um elenco de desconhecidos então…é dureza. O boca-a-boca para grupos de improviso é algo que funciona bem: normalmente quem gosta volta com novos amigos, mas, sozinho, é relativamente lento. Um detalhe que ainda me impressiona é a quantidade de gente que não arrisca assistir nenhum espetáculo de improviso com medo de ser obrigado a se expor.
Acho um mérito incrível do Improvável como eles conseguiram romper a barreira da divulgação com vídeos semanais de alta qualidade, convidados e um belo site.
O Protótipo nos primeiros anos foi cautelosamente se apresentando uma vez por mês e com uma produção caseira. Este ano resolvemos nos dedicar e aparecer ainda mais. Fizemos no 1o semestre uma temporada semanal e agora estamos no 2o semestre de volta em cartaz com mais apresentações semanais. Além do aumento do número de apresentações buscamos e realizamos mais oficinas e eventos corporativos. Também participamos do Campeonato Brasileiro de Impro que foi uma ótima oportunidade de conhecer, conviver e jogar com muita gente muito boa e gente muito boa gente (e trazer o bronze!). Enfim um ano em que tivemos uma maior visibilidade o que ajudou a consolidar e divulgar a nossa imagem.
Também investimos em novo cenário, figurino, site… Para o próximo ano pretendemos melhorar ainda mais toda produção e, creio, não escaparemos de um investimento real em divulgação. Certamente aumentaremos o número de oficinas e eventos e, além de continuar com o nosso espetáculo, há uma vontade de estrear um novo!
Começar a buscar leis de incentivo e patrocinadores também está nos planos, alguém aí está interessado?
O Grupo Protótipo está em cartaz no Teatro Bella, na rua Rui Barbosa, 399 , São Paulo, todas às sextas feiras 22h até dia 17/12.
Abaixo uma intervenção do grupo na semana de recepção do IME/ USP.

Qual não minha feliz surpresa de encontrar um comentário carinhoso do mestre Ricardo Behrens no seu facebook pessoal.

Logo depois, ainda encontrei o seu post no blog Impro News do LPI Match da Argentina.

Nota a Ricardo Behrens en el Blog de Lala Bradshaw

Quem ainda não viu a entrevista do Ricardo Behrens, ela é imperdível.

Ricardo Behrens: difundindo a linguagem do march pelo mundo da Improvisação Teatral.

O que posso dizer simplesmente:

Muchas gracias, maestro!

Flávio Lobo é polivalente. Além de professor de biologia é professor de Improvisação na Cia. do Teatro Contemporâneo e está à frente do Grupo Alcatéia de Improvisação, bicampeão carioca e atual campeão brasileiro, título esse recentemente conquistado no Campeonato Brasileiro de Improvisação que ocorreu no último fim de semana no Rio de Janeiro. Flávio também é responsável pela notícia de improvisação com o resumo desse campeonato exclusivo para esse blog.
1) Improvisando: Gostaria que vc começasse resumindo os trabalhos nos quais vc está envolvido hoje.
Atualmente ministro aulas de improvisação no curso livre e no curso profissionalizante da Cia de Teatro Contemporâneo. Também trabalho no Colégio Eduardo Guimarães como professor de ciências, biologia e improvisação teatral onde ministro aulas de improvisação para as classes especiais (O EG é uma escola inclusiva) e realizo uma pesquisa sobre como a improvisação pode auxiliar no ensino formal. 

Estou a frente do Grupo Alcateia de Improvisação, atual campeão Carioca e Brasileiro de improvisação onde trabalho como ator e treinador e é produzido por Fabiola Mozine. O Grupo está preparando dois espetáculos um de cenas curtas e outro no formato de cenas longas improvisadas. Ambos para estreiar em 2011 na cena carioca.

2) Improvisando:  O que é Improvisação Teatral? Quais são os princípios em que se embasa?
Para  mim a improvisação teatral é um ótimo treinamento para qualquer ator, e até mesmo para qualquer pessoa, pois seus fundamentos como a escuta, o cavalheirismo e a aceitação são princípios básicos para que se construa boas relações em cena e na vida. Criar cenas, assim como conviver em grupo é algo muito difícil e requer muita conexão entre seus componentes para que tudo ocorra bem.
3) Improvisando: Como surgiu a Improvisação na sua carreira?
A improvisação vai surgir na minha vida na década de 90 onde eu fazia uma peça chamada Terror na Praia. A ideia desse espetáculo surgiu quando a produtora Mariah Martinez assistiu a um show de impro na França e , mesmo sem entender nada, achou bacana uma disputa teatral onde a platéia atirava chinelinhos de borracha nos atores (na verdade era nos juízes) em uma disputa teatral.
No Terror, que tinha como base o teatro circo da década de 50, tinhamos uma peça principal com o gênero terror seguido de um ato variado com esquetes, mágicos e malabaristas. O espetáculo era quase todo improvisado a partir de um roteiro básico, pois tanto a peça, quanto o ato variado mudava a cada semana. Durante o ato variado, o ápice era uma disputa do “pior esquete”. Dois grupos de atores disputavam uma cena onde o público jogava chinelos de espuma naquelas que achavam a pior. Esta seria a escolhida da semana e encenada na íntegra na semana seguinte. O Terror foi uma grande escola embora não tivesse quase nada do Impro de verdade.
Em 2003 a atriz e diretora Gabriela Duvivier veio da Europa trazendo em sua bagagem as técnicas de Keith Johnstone. Ela ofereceu uma oficina e formou um grupo de atores. Foi meu primeiro contato real com teatroesporte e dessa oficina surgiu o “Teatro do Nada” uma das primeiras companhias cariocas de improvisação, que está na cena até hoje. Quando o “Nada” se formou eu estáva envolvido em pesquisas sobre o impro, tinha acabado de ler o “Impro for Storytellers” e muito empolgado. Assim resolvi fazer encontros, com auxílio da produtora Fabiola Mozine,  onde divulgávamos e treinávamos as técnicas, gratuitamente para quem quisesse participar. Nessa época fui convidado a fazer parte do espetáculo “Nada Contra” do “Teatro do Nada”, como Juiz Técnico e comecei a trabalhar na Cia de Teatro Contemporâneo, onde Iniciamos as primeiras versões do Campeonato Carioca de Improvisação.
Nesse meio tempo, até hoje, participei de inúmeras oficinas e workshops de improvisadores que passaram por aqui como Ana Paula Novellino (Teatro do Nada), Ricardo Behrens (LPI Argentina), Fernando Caruso (Z.E. Zenas Emprovisadas), Matheus Bianchim (Imprópria Cia Teatral), Omar Argentino (Improtour), Edson Duavy (Anônimos da Silva), Pedro Borges ( Improváveis – Portugal) e Bobbi Block (Groove and Tongue – Philadelphia)  e também ministrei oficinas no Rio, São João del Rey – MG e Villa Velha – ES.
4) Improvisando: A sua trajetória profissional é diversificada. Se bem compreendi você vem da área das ciências (biologia). Como sua formação influenciou na sua atuação. E quanto da improvisação contribuiu na sua carreira?
A improvisação no geral e o impro em particular é uma técnica onde o ator deve trabalhar com o máximo de conhecimento que possa contribuir com a cena. Adoro estudar. Sou formado em biologia, professor, ator, jogador de RPG, colecionador de quadrinhos desde adolescente e um devorador de livros e filmes, em suma, o típico “NERD”. Logo o Impro, para mim é uma evolução natural. Tento levar para os jogos de impro os detalhes adquiridos por minha vivência, assim como tento levar o Impro para a sala de aula. Acho que é uma boa troca e os resultados em ambas as áreas de atuação é extremamente satisfatório.
5) Improvisando: Quem são os Improvisadores que te inspiram na realização do seu trabalho?
São muitos. Hoje em dia eu citaria Keith Johnstone (que eu conheço apenas pela obra), Ricardo Behrens, Omar Argentino, Allan Benatti e Edson Duavy.
6) Improvisando: Quais companhias no mundo você acredita que hoje fazem os trabalhos mais incríveis?
Não saberia lhe responder sobre as melhores companhias do mundo. Pois as conheço apenas pela literatura e alguns vídeos do youtube. Porém no Brasil, daquelas que eu vi atuando, as melhores companhias que estão na cena hoje em dia na minha opinião são, independente da ordem: “Uma Companhia” (MG), “Jogando no Quintal” (SP),  e claro o “Grupo Alcateia” (RJ). No campeonato Brasileiro de improvisação me impressionaram também o jogo dos “Protótipos” e do Sustentáculos (SP) e dos “Risologistas” (PR).
7) Improvisando: O que mais tem te trazido interesse em Improvisação hoje? Jogos de Improvisação ou espetáculos mais long form?
Estou trabalhando com o Alcateia as duas vertentes.Gosto muito dos jogos de improviso. Mas acho que eles acabam limitando a improvisação pelo excesso de regras (que é bom para iniciantes). A tendência natural dos improvisadores mais experientes é buscar formatos mais longos e livre de amarras onde se prioriza a dramaturgia e o aprofundamento das relações entre os personagens.
8.) Improvisando: Quais princípios em que se embasa a Improvisação que é hoje são mais motivos de investigação e pesquisa?
A noção de ciclo de espectativas, que está relacionada diretamente com o conhecimento no assunto sobre o qual se fala durante a improvisação. A escuta e a aceitação – fundamentais para a construção de cenas em grupo e as noções teatrais de memória emotiva, memória afetiva e construção de personagem. Fundamentais para uma cena mais longa.

9) Improvisando: Para onde vai a Impro (o futuro)?

A impro é uma fonte inesgotável de pesquisa. Acredito que pode se originar inúmeros formatos de espetáculos e no futuro acho que muitas empresas utilizarão as técnicas para o treinamento de seus funcionários e professores as utilizarão para facilitar a aquisição de conhecimento por parte dos alunos. Além do mais é um formato teatral totalmente aberto e muitos grupos a utilizarão para formatar seus espetáculos. E é claro surgirão os campeonatos, encontros e festivais de improvisação, fonte permanente de troca de conhecimento entre os entendidos e os neófitos.

Na seqüência, vídeos do Alcatéia em ação, contra o Anônimos da Silva no Brasileiro do último ano e contra o Ilimitada no Campeonato Carioca de Improvisação.

Ricardo Behrens é ator, diretor e mestre formado pelo Conservatório Nacional de Arte Dramática de Buenos Aires em 1990. Tem também formação profissional como músico, estudando teoria e solfejo, clarinete e piano no Conservatório Nacional de Música, e tendo uma extensa carreira como cantor lírico naquele país.

Desde o começo da sua atividade teatral se dedicou a técnicas de Improvisação Teatral Contemporânea e de Gêneros Puros (escola de Jacques Lecoq). Foi selecionado como clown pelo ‘Cirque du Soleil‘.

Teve como mestres:
Escola Lecoq: Cristina Moreira
Clown: Raquel Solcolowicz, Hernan Gené e Guillermo Landin.
Tango: Dinzel y Rivarola
Mímica: Lerchundi-Escobar
Rítmo Musical: Rubén Ramos.
Improvisação Teatral: Silvie Potvin, Joane (de Lamirande) Bloom, Silviel Gagnon (da Ligue Nationale d’Improvisation do Canadá) e com o mestre francês Claude Bazin (da LIFI – Ligue d’Improvisation Francaise).
Na Europa estudou na Alemanha, Espanha, Estados Uidos, França, Eslovênia e Itália.

Tem trabalhado como ator e diretor em mais de 30 obras de teatro de texto em vários países e diversos programas de televisão argentinos.

É pioneiro na investigação da Improvisação Teatral e das técnicas de Keith Johnstone, Robert Gravel e Viola Spolin no idioma espanhol. Se especializou na investigação e na prática dessas técnicas desde 1988. Cria uma metodologia própria e desde 1998 começa a realizar trabalhos em empresas e instituições, aprimorando a capacidade do trabalho em equipe. É fundador da Liga Profisssional de Improvisação Internacional (LPI) e do Match de Improvisação em lingua espanhola (1988).

No âmbito teatral tem dado cursos de improvisação teatral, match de impro e clown na Alemanha, Espanha, Argentina, México, Colômbia, Peru, Equador, Chile e Brasil. A partir de seu trabalho e da fundação da Escola Internacionalde Improvisação LPI se criaram as Ligas Profissionais de Improvisação nesses países. Por sua trajetória é reconhecido internacionalmente por Yvon Leduc (autor do Match de Improvisação®) e corrdena a disciplina na  América Latina através da LPI Internacional.

Com um currículo impressionante desses, tivemos o prazer recentemente em recebê-lo ao Brasil para uma participação da gravação do É Tudo Improviso, na rede Bandeirantes. Nessa oportunidade também participou como jogador convidado do espetáculo Improvável da Cia. Barbixas de Humor e também ministrou workshops para alguns grupos de improvisação.

Nessa passagem relâmpago pelo Brasil, Ricardo Behrens gentilmente concedeu alguns minutos entre suas inúmeras atividades, para responder algumas perguntas para esse blog.

Improvisando: Eu gostaria de saber um pouquinho de como foi seu contato com a improvisação.

Ricardo Behrens: Então, no ano de 1988, na Argentina, começaram minhas primeiras experiências com teatro. Eu tinha uma experiência de dois anos com clown e aí soube de um casting, uma audição para um espetáculo que se chamava Match de Improvisação, que era um espetáculo dirigido por Claude Bazin, que é um diretor francês. Ele teve contato lá na França com o Match de Improvisação, e ele havia dado algumas aulas na Argentina e havia selecionado alguns alunos e faltava completar o elenco. Então, entrei por meio dessa audição, sem saber muito o que era e nem o que ia acontecer.
Então ele nos treinou durante um tempo, muito intensivo, mostrou para gente vídeos da França, porque era a primeira coisa de improvisação que se fazia na Argentina, com certeza, e em espanhol eu acho que era também uma das primeiras experiências, então não havia muitas referências sobre como era um trabalho com improvisação. Para nós o Match era a improvisação, não separávamos o que era Match do que era improvisação.
Então, eu entrei pela audição, fiquei treinando com ele e depois uns jogadores do Canadá foram para a Argentina e treinaram a gente também, e fizemos as primeiras quatro apresentações com a sala muito cheia e foi um grande sucesso naquele momento, como um início do improviso, de algo novo que não era conhecido lá.
Havia algumas experiências com improviso na Argentina, eu mesmo já tinha feito num lugar chamado Paracultural. O Centro Paracultural era um centro alternativo durante a ditadura militar. Mas não eram muitas as experiências, e essas estavam mais ligadas à técnica do clown, de alguma maneira com improvisações, mas não como técnica de improvisação sozinha. Então, a partir daí comecei a trabalhar, mas estava trabalhando como ator e aprendendo muito e conhecendo muito sobre o tema. Segundo meu ponto de vista, aquele era um grupo um pouco heterogêneo, então no ano seguinte se desfez e se formou um outro grupo, e assim foram duas temporadas. Depois de um break, retomamos as atividades em 92 e aí eu já estava dirigindo. Durante alguns anos tive uma sociedade como co-diretores, aí depois disso por uma série de  algumas divergências artísticas, sobretudo com respeito à estética de improvisação e à estética do Match também, cada um seguiu seu próprio caminho.
Aí já entro no que acredito em improvisação. Eu acredito que um espetáculo de improvisação parece algo óbvio, mas às vezes não é algo óbvio. A improvisação é o mais importante, nem os indivíduos nem os egos, eu acho que tem que deixar tudo isso de lado para fazer uma boa improvisação, colocar-se a serviço da improvisação. Então, um pouco essa foi a divergência. Eu ponho a improvisação em primeiro plano, priorizo fazer boas histórias e fazer uma boa improvisação em qualquer formato. Todo o restante pode ser algo que contribua para esta idéia principal, que ajude esta idéia principal a existir. Se o foco se transforma, vai para outro lado, a improvisação fica relegada, perde-se a essência.   A gente tem que apostar em fazer boas improvisações, boas histórias, isso sim deve ser o protagonista.
O que mais? Bem, depois continuei com a formação da LPI (Liga Profissional de Improvisação).  A partir daí comecei a desenvolver o Match, com os critérios dos criadores do show. Sempre com relação ao Match há amor e ódio entre os jogadores, improvisadores.  Eu tenho uma teoria de que o Match não transitou muito como formato, muitas vezes as regras são amenizadas um pouco para que os improvisadores se sintam melhor, então se transforma em algo menos exigente para o improvisador. Para improvisar, por exemplo, os clichês são permitidos, as provocações de riso, os árbitros não cobram muitas faltas. Ou seja, os árbitros assim como se fala no futebol (não sei como se fala aqui) mas lá na Argentina se diz que os árbitros “sacan los partidos”.  Muitas vezes se fala também que isso está a serviço do espetáculo, que as faltas não são cobradas a serviço do espetáculo. Mas eu acredito que no Match as faltas fazem parte do espetáculo e têm, o que é muito importante, um conceito pedagógico para o público. O público vai entendendo a mecânica do improviso através das faltas, através do gesto, do que o árbitro fala, através do que aconteceu na improvisação em relação a falta que o árbitro cobra. Então se isso é menos rigoroso, o público sabe menos da improvisação, se perde um pouco o critério pedagógico do Match.
Também há outro conceito dentro Match, que todo esporte tem, que é o conceito de justiça que, muitas vezes, também é deixado de lado. É, finalmente, não sei se você teve a oportunidade de ver algum torneio de Match?

Improvisando: A gente teve a oportunidade de brincar um pouco num torneio amador de Match como conclusão do curso extensivo do Allan Benatti

Ricardo Behrens: Ah, você experimentou um pouco de match? Ah, legal. Então, a competição existe, e em níveis internacionais existe muito, mas há um discurso dúbio: por um lado existe a competição de “ah, eu quero ganhar de qualquer jeito”, por outro, falam para o árbitro “ei, não cobra tanta falta!” porque o principal é isso do espetáculo. E, por outro lado também, as equipes querem ganhar e levar o troféu para casa, então se o árbitro não cobra falta, o critério de justiça perde um pouco o sentido. O jogo se transforma em um vale-tudo, eu falo que se transforma em Match-Catch. O Catch é sem regra, cada um faz o que quer: se quer bloquear o adversário, bloqueia, se quer fazer faltas técnicas, pode fazer, pois o formato permite. Mas o formato do Match se preocupa mais em fazer com que a técnica do improviso esteja presente no jogo, não permitindo fazer qualquer coisa para vencer. Eu participei em muitos torneios que os árbitros não cobravam nada, que as regras não importavam muito, inclusive que não contava com uma regra consensual entre todas as companhias, então isso se transforma em um terreno que ninguém sabe o que vai acontecer lá e assim começam a fazer qualquer coisa para ganhar. Então, é nesse sentido que eu considero complicada a coisa do árbitro não cobrar nada, para entre aspas “privilegiar o espetáculo”.  O árbitro tem que administrar o espetáculo, mas também tem que ser justo com as equipes. Eu arbitrei, por exemplo, uma partida em que um time, era um disputa de terceiro lugar, e o time quase não pôde falar na última improvisação, porque o outro time falava e depois falava um outro e falava outro e outro, então se aí o árbitro não cobrar falta, ele está sendo cúmplice dessa situação, e vai ser uma atuação injusta que leva ao terceiro lugar. Porque o público também muitas vezes vota, tem um outro critério de votação. Então, o árbitro é um pouco o termômetro, equilibra um pouco as coisas. Eu acho legal que o árbitro esteja presente e marque a linha para os jogadores.  Inclusive muitos profissionais na hora de competir e levar o troféu esquecem das regras éticas da improvisação. Todo mundo fala das regras, mas na hora do Match, de uma etapa decisiva, todo mundo esquece. Então, eu acho bom que o árbitro marque a linha.

Improvisando: Em termos gerais, depois de bastante tempo e experiência, o que você hoje entende por improvisação? O que significa para você hoje?

Ricardo Behrens: Hoje, improvisação, primeiro tem a ver com uma visão sobre a vida, eu acho, uma visão filosófica, que tem a ver com a técnica, de aceitação de propostas, de conexão positiva com as propostas, de avançar na história. Eu acho que esses são elementos que são aplicáveis em muitos âmbitos da vida, então vira algo filosófico, eu acho. Também comprovo isso com meus alunos na Argentina, vejo como eles começam o ano e como terminam o ano e sua evolução como jogadores e como pessoas também… Então, mudam muitas, muitas coisas. Muitos são jovens, de 18, 19 ,20 anos, então também vejo como esse crescimento da idade é acompanhado também com a técnica e também com o próprio desenvolvimento. Então, em primeiro lugar eu acho que tem uma ligação direta com a vida, sem que seja uma religião, não? (risos). Mas eu acho muito, muito ligado.
Também em meu trabalho em empresas, eu posso ver como as pessoas gostam de incorporar isso a diversas atividades.
Depois, por outro lado, vejo o que é o espetáculo, o que é a improvisação como espetáculo, que eu acho que já a esta altura deve ser considerado como um gênero, que em quase todos os países da América Latina e América Ibérica ainda estão lutando por um lugar. Felizmente em vários países estão surgindo programas de televisão, isso ajuda a legitimar o gênero, como se populariza, então, todo mundo fica sabendo do que se trata, ainda que não conheça, digamos, as sutilezas do gênero, coisas que são menos populares. Mas eu acho que é bom porque ajuda com que todo mundo saiba do que se trata quando se fala de improvisação.
Então, vejo esta outra possibilidade, que é a possibilidade de espetáculo, da arte em si mesma. E, depois o interior disso tudo, isso que conhecemos somente nós, os improvisadores.
Os diferentes formatos. Eu estou há vários anos pesquisando muito o que é o  Long form, já há vários espetáculos de Long Form na Argentina e vários que já percorreram vários países, como por exemplo, “Improluchas”, como “El Círculo”, um espetáculo que eu dirigi na Argentina. Com “ El Círculo” estivemos no último Festival Iberoamericano, depois estivemos aqui, no Brasil. Com “Improluchas” estivemos na Espanha, em 2005. ” Improluchas” tem um formato que não é um catch, porque é um long form, mas são personagens que estão vestidos com seus figurinos, que têm sua personalidade, sua forma de pensar e, além disso, são quatro personagens e um árbitro, que também é um personagem, e eles mantêm os personagens durante todo o espetáculo, com seu figurino e com seu comportamento, e aí é construída toda uma história com uma hora de duração, depois no final um público vota em um ganhador. Este formato eu fiz em 2004, em 2005 estivemos com ele em Madrid. Bem, long form é um gênero, dentro do gênero, digamos que é algo que é menos popular, mas que é muito interessante para nós, improvisadores, porque nos sentimos com outro tempo, com outra relação, com outra profundidade na construção do personagem,  com outra possibilidade de aprofundar a relação com os outros personagens, muito mais teatral para os atores de formação que nos sentimos mais dentro de um espetáculo de teatro. A improvisação em geral tem essa coisa de rapidez e de velocidade, que às vezes complica e se transforma em algo superficial, tem que ter cuidado para não se transformar em algo superficial, mas para isso existem os diferentes formatos.

Improvisando: Dentro disso que você está me falando, te agrada mais hoje em dia os longforms? Pergunto isso porque você vem de uma formação de Match …

Ricardo Behrens: Eu gosto muito porque como ator me permite colocar para fora mais o ator e menos o improvisador, o improvisador rápido, a rapidez mental, vai por outro caminho, por uma coisa mais literal, mais comprometida nesse sentido também…  A minha pesquisa vai muito a partir de Harold, a partir do livro Truth in Comedy, de (Charna) Halpern, que fala muito de Harold, da maneira como o usam nos Estados Unidos. Os formatos que fiz partem disso, mas depois já vou para outro lado, para a dramaturgia fragmentada, a união de várias histórias, que tem um pouco de Harold. Mas o Harold tem mais monólogo, canções, segue por seus códigos. Acredito que todos os long form têm algo de Harold, é parte do que todos usamos.

Improvisando: A improvisação como técnica tem vários princípios em que se baseia. Pensando inclusive na possibilidade de um público mais leigo, para que conheçam melhor os fundamentos desse gênero, tenho perguntado para cada improvisador o que ele acredita que é fundamental na improvisação. Quais conceitos são os fundamentais na sua visão?

Ricardo Behrens: O fundamental que todos nós improvisadores conhecemos é a aceitação de uma proposta, a construção de uma história coletiva, a construção a partir da aceitação, a adaptação a partir da proposta do outro. Isto significa pegar a proposta do outro de uma maneira positiva, como se fosse própria, defendê-la como se fosse própria e adicionar-lhe coisas como se fosse própria. O trabalho em equipe, o trabalho coletivo passa a ser fundamental. Acredito que se torna fundamental também afastar-se do ego também: se a pessoa aceita proposta do outro como se fosse sua própria, aí a pessoa já está se afastando do ego, é a construção.
Que outro princípio básico? Acho que é isso aí basicamente, a idéia de que não há erro, isso de que todo erro pode ser ressignificado e ser aproveitado para algo, acho que é basicamente isso.

Improvisando: Sei que você é um dos precursores da improvisação na América Latina, mas algum improvisador ou companhia de improvisação te influenciou? Quem hoje você acredita que faz um trabalho parecido com o que você gosta?

Ricardo Behrens: Olha, eu sou muito velinho (risos), fui um dos primeiros improvisadores…

Improvisando: Sim, certamente você é um pioneiro…  Então, quem hoje faz um trabalho de que você gosta…

Ricardo Behrens: Sim, então muitos dos improvisadores que agora estão fazendo coisas foram alunos meus, então… Claro que há gente que eu gosto como trabalha, como o Oski Guzmán na Argentina, ele trabalhou comigo, fomos colegas já. Bem, vejamos de cada país, que eu acho que são mais. No Chile, está o “Panqueque” (do Colectivo Teatral Mamut e do los Improvisadores), também Claudio Espinosa (do LosPleimovil). Bem no Brasil, Márcio BallasCésar (Gouvêa) (do  É Tudo Improviso e do Jogando no Quintal). Agora tenho mais contato com Barbixas, que é muito bom, com códigos muito interessantes, uma busca muito interessante, com um entendimento muito forte entre eles, o que é importante para o grupo. Vejamos, que outro país? Colômbia, Gustavo Miranda (do Accion Impro) e há também o grupo La Gata. Na Espanha, em Madrid tem o Jorge Rueda (do Impromadrid) e também tem o pessoal do Jamming, o pessoal de Por Casualidad. No Uruguai há o pessoal da LPI Uruguai, que também está fazendo algumas coisas. No Peru há o Pataclaun e o Ketó. No Equador um grupo está fazendo match com Hugo Espinoza e também tem Raquel Rodriguez. No México também tem a LIMI, Liga de Mexicana de Improvisação (de Juan Carlos Vives e Ricardo Esquerra) . Acho que tem muitos grupos e novos grupos que estão em formação e que também prometem muito… E é bom que haja jovens que estejam aí montando seus grupos. Um pouco nossa escola na Argentina promove isso, promove que depois de dois anos conosco, os alunos se juntem e formem seus grupos, façam suas apresentações, se deparem com a coisa da produção e de ver o que acontece. Acho interessante essa ideia, que haja muita gente fazendo improviso e vai surgir, como em todos os gêneros, coisas que são excelentes, coisas que são mais ou menos, e coisas ruins. Mas isso acontece também no teatro e em qualquer arte e, então, falamos de um gênero que está em movimento e que está vivo.

Improvisando: Falando no movimento da improvisação… Você estava falando um pouco da TV, da importância da televisão para a improvisação na América Latina. Vários países começaram a ter um espaço de televisão. Qual a dificuldade de transferir um espetáculo, e essa linguagem do espetáculo de teatro, para a televisão? Onde está esta dificuldade e de que forma a improvisação na televisão pode ser boa ou não para o desenvolvimento do gênero?

Ricardo Behrens: A maior dificuldade, eu acredito, pelo que estou vendo, é comunicar ao pessoal de televisão do que se trata, ou seja, a comunicação. Porque o pessoal de televisão está acostumado a outra coisa, então não entende qual é o jogo. Porque a televisão, pelo menos na Argentina, tem bastante improvisação, mas improvisação ruim, ou seja improvisação de coisas feitas assim de qualquer jeito, então não entendem como a improvisação pode ser uma arte. Porque eles estão improvisando todo o tempo, mas de uma maneira horrível. Então aí está a dificuldade: como comunicar que a improvisação é algo em si mesmo? Como explicar a questão da construção da história, dos jogos? Como fazer com que tanto o diretor como a produção e o canal entendam do que se trata? Ao conseguir isso, então, na minha opinião, as coisas começam a ficar mais fáceis. Acho muito interessante o que está acontecendo agora, porque acho que estão encontrando aí a chave da comunicação. Não sei se eu cheguei num momento já avançado da coisa, não sei como foi a princípio, mas evidentemente há um entendimento aí. Isso gera algo muito interessante que tem a ver quase com o teatro. É gerado um clima teatral e isso eu acho fundamental. O fato de o público estar ali ao vivo é gerado o clima teatral… Participando do programa de improviso pude ver que não está tão distante de uma apresentação de teatro. Entretanto, depois é preciso ver também o que acontece com o improvisador na televisão. Eu na Argentina trabalhei em vários programas de televisão e entrei em contato com a câmera e essas coisas. Mas, claro, às vezes os códigos do teatro não são os códigos da TV. É preciso ver como fazer para transferi-los para a televisão e que fiquem bons.

Improvisando: Como o grande propagador do Match na América Latina gostaria que você falasse um pouco sobre esse trabalho. Como se difundiu e surgiram vários grupos? Até me lembrei de mais um grupo de que você não falou, que é o do Match de Improvisação na Venezuela. Como tem se dado essa integração entre os grupos de Match? Como é gerenciado?

Ricardo Behrens: Não, na verdade, nós começamos com uma idéia de difusão de Match a partir da LPI para que o Match chegasse a outros lugares, porque muitas vezes havia entraves, não sabiam como era a questão legal para fazer isso, então a partir do registro autoral que temos na Argentina, posso passar por este registro e isso facilitar as coisas, somente por isso. O que vejo na América Latina é que não há muitos grupos que sustentem o Match como um espetáculo. Na América Latina não tem. Na França e nos países de língua francesa (na Bélgica, Suíça, Canadá) há ligas que funcionam. Mas na América Latina o que acontece é que a dificuldade de fazer teatro leva a reduzir os grupos, a ter grupos menores. Porque é mais fácil de administrar e de divulgar. Então, é difícil sustentar o Match porque demanda uma estrutura maior. Bem, o trabalho que eu fiz foi o de formação na Argentina, depois dei aula no Chile, comecei o primeiro grupo de improvisação no Chile que é o Lospleimovil. Depois também dei aulas na Colômbia, eles também tinham uma experiência prévia com Gigio Giraldo, tanto o pessoal do Acción Impro como o do La Gata. Então depois fui dar aulas no Teatro Nacional, e se formou a partir dessas aulas o primeiro Campeonato Nacional na Colômbia, depois foi realizado no Primeiro Iberoamericano que foi em 2004, aí participamos como companhia. No Equador também, fui o primeiro a dar cursos e foi a primeira experiência com improvisação no Equador. Também dei aulas no Peru para dois grupos já vinham trabalhando, a princípio juntos e naquele momento estavam trabalhando separados, que são o Ketó e o Pataclaun, eu dei aulas na escola do Ketó. Bem, aqui no Brasil, eu tive a primeira experiência no ano de 2001, em Marília e Bauru, dei aulas lá, e nessa época não havia nada de improvisação. Depois em 2005, estive trabalhando com Jogando no Quintal que foi um dos primeiros grupos junto com o Teatro do Nada (de Claudio Amado) do Rio. Bem no México trabalhei dando aulas durante três meses viajando por todo o país, lá trabalhei para empresas e com workshop para particulares também. Enfim, circulei em vários países, deixando a sementinha para que continuem o movimento.

Improvisando: Queria aproveitar então esse comentário que você estava falando anteriormente sobre os movimentos da Improvisação na França, para fazer uma colocação de um improvisador (Ian Parizot)  de um grupo francês (Eux – Compagnie d’ Improvisation). Ele comentou algo curioso a respeito do Catch, que é a essência da improvisação francesa, porque o catch foi fundado lá. E ele acha que houve um prejuízo na formação dos improvisadores franceses como contadores de estórias, com a questão do jogo. E ele tinha essa dúvida com relação aos grupos da América Latina porque ele conhece pouco a improvisação na América Latina. E como o Match é uma coisa bem difundida na América Latina, os festivais latino americanos tem normalmente os campeonatos de Match (recentemente está havendo mais espetáculos de longform) ele teve essa impressão de que talvez a América Latina também tivesse prejuízo na formação dos improvisadores que constroem mais estórias por causa da questão do jogo, do tiro… Entretanto, eu talvez acha que houve uma certa confusão entre formato de jogo e formato de match…

Ricardo Behrens: Ele diz que constroem mais estória ou que não constroem?

Improvisando: A questão dele estava relacionada ao fato de que nos formatos desportivos se constrói menos estórias e que ele acha que o formato de Match como o carro chefe da improvisação latino americana, talvez trouxesse a mesma problemática que ele vê na França, de haver bons jogadores de tiro, mas não muito bons improvisadores contadores de estórias…

Ricardo Behrens: Ah, de jogos… Mas uma coisa é o formato de jogos e outra é o formato de Match. O Match justamente é voltado para a estória. Ou seja, totalmente. Os formatos de jogos não, os formatos de jogos podem ir para outros lados, em que não se constroem histórias e está tudo bem. O Match (e por isso eu acho que é bom como começo, como uma escola de improviso fazer o Match) obriga o jogador a construir uma estória, mesmo livre, sem gênero, totalmente livre e aí vemos realmente a improvisação pura porque não há nenhuma sinalização para a plateia, por exemplo, vamos fazer uma estória de telenovela. No Match você tem a improvisação livre, a improvisação sem gênero, sem pauta de jogo, sem nada, há liberdade total. Então, eu acho que é bom para a formação do improvisador porque adquire a técnica pura, depois a partir daí pode passar para o long form, pode ir a jogos, pode ir aonde quiser.

Improvisando: Então, por fim, respondendo à pergunta do Ian: você acha que houve essa interferência? A base de difusão da Improvisação na América Latina com o Match, acabou gerando mais jogadores, que fazem mais tiro do que improvisadores?

Ricardo Behrens: Não, não acho não. Acho que tem jogadores, em geral tem jogadores contadores de estória. Todos os grupos que citei aqui, são todos grupos que contam histórias, então não acho isso. E o Match justamente, mais uma vez, não é um formato de jogos…

Improvisando: Acho que há aí uma confusão entre o Match ser realizado em formato de torneio, com disputa de jogos. Na verdade ele incentiva a criação de história…

Ricardo Behrens: Incentiva, certo?

Improvisando: Sim acho que é o que eu entendi. Na verdade, na pequena convivência que tive com a base teórica do Match, também tive essa compreensão. Que os jogos no Match exigem muito a capacidade de contar uma boa estória…

Ricardo Behrens: E eu volto à questão do árbitro também. Quando o árbitro vê que não é construída uma estória, ele cobra uma falta, ele cobra a conclusão, se a improvisação é conjunta, se o jogo é demorado, se não se define, se não se avança na história, então…promove a estória.

Improvisando: Por fim, a última coisa que eu gostaria de conversar é sobre o futuro da improvisação. Porque eu acho que está tendo uma difusão maior, está tendo mais intercâmbio, inclusive com os Festivais e os Campeonatos de Match. Então daqui pra frente o que você acha que vai acontecer com a Improvisação? Você estava falando que a improvisação está tendendo a ser um gênero na América Latina…

Ricardo Behrens: Eu acho muito o bom o futuro, mas também acho que os grupos têm que pesquisar, têm que ir além do conhecido e testar, experimentar e arriscar. Aí nesse sentido está também o crescimento do gênero. Se ficamos fazendo as mesmas coisas que funcionam porque o público vai, eu acho que pode ficar medíocre. Tem que pensar em avançar na pesquisa.

Seguem alguns vídeos de Ricardo Behrens. Em entrevista ao  Canal 7 da Argentina, durante o Mundial de Match em Buenos Aires,  no programa É Tudo Improviso e no Improvável com os Barbixas.

Já começou o segundo Match de Improvisação do Festival IberoAmericano de Bogotá. Ele ocorrerá todos os dias, às 21h até o dia 4 de abril na Zona Verde CUR, Coliseo Cubierto Polideportivo do Compensar Ciudad Teatro.

O match de improvisação é um formato de jogos de improvisação criado por Robert Gravel e Yvon Leduc no Canadá, baseando suas técnicas nas investigações do mestre Keith Johnstone. Após várias experiências com improvisação entre um grupo de atores do Teatro Experimental de Montreal, surge a idéia de uma peça teatral que, como um esporte, fosse único e irreproduzível em cada representação. Em 1977 então se cria um espetáculo desportivo-teatral baseado no Hockey de gelo que com regras apropriadas e dentro de um marco adequado, cria um estado de competição. A LPI (Liga Profissional de Improvisação) de Ricardo Behrens, foi responsável pela popularização no gênero entre os españo hablantes.

O jogo se estabelece entre 2 equipes, em suas regras oficiais composta de 3 jogadores e 3 jogadoras e um técnico. Um árbitro e dois auxiliares cuidam para que o jogo transcorra dentro das normas. Cada partida tem duração de 90 minutos (3 tempos de 30 minutos, com intervalos de 1o minutos entre cada um dos tempos). Cada jogo de improvisação proposto pelo juiz deve delimitar o tema proposto para a improvisação, sendo essas:

1)Natureza da Improvisação:

Comparada: cada equipe joga o mesmo tema separadamente.

Mista: jogadores de ambos os times participaram do tema proposto.

2) Título da Improvisação

3) Número de jogadores

4) Duração da Improvisação

5) Estilo

Existem diversas normas a serem cumpridas e faltas são apitadas quando infringidas tais regras. A contagem de pontos se baseia no voto popular e pontos são perdidos à contagem das infrações cometidas por cada equipe.

As equipes que competirão nessa edição do Festival IberoAmericano de Bogotá 2010 são:

Colectivo Teatral Mamut (Chile)

Colectivo Teatral Mamut foi formado no ano de 2004 por Sérgio Domínguez, Juanita Urrejola, Nicolás Belmar, Mónica Moya e Mario Escobar. Francisco “Foco” Cerda acompanha com sua música desde sempre. Desde sua fundação até hoje, Mamut investiga profundamente a Improvisação como um espetáculo em si mesmo, e como ferramenta libertadora de espontaneidade e criatividade nas pessoas. Ao mesmo tempo, investiga os estilos teatrais como a Mimica, Clown e a Comedia del Arte.  Equipe de grande tradição na Improvisação Teatral Chilena, ano passado foi um dos anfitriões do Improfestin. Parte de sua equipe esse ano ganhou destaque pela participação do primeiro formato televisivo de improvisação teatral no Chile, no programa Los Improvisadores do canal Viax.

Complot/Escena (México)

Complot/ Escena é uma companhia de teatro multidisciplinar e independente. Ao longo de sua trajetória, desde sua fundação no ano de 2000, tem desenvolvido seu trabalho cênico profissional em dois principais tipos: improvisação e teatro de texto. A companhia em sua maioria é formada por artistas egressos do Colégio de Literatura Dramatica e Teatro de UNAM, e seus espetáculos tem como intenção não somente divertir, mas ter também uma boa dose de crítica social através do seu discurso.  Conta hoje com 7 diferentes espetáculos de impro estrelados, e o Improlucha é um dos trabalhos mais difundidos.

Improcrash! (Argentina)

Companhia argentina de improvisação. Seus atores tem formações variadas, participaram de diversos festivais de improvisação teatral. Tem trabalhado diversos formatos de improvisação e criou, em seu espetáculo, um novo conceito que envolve novas tecnologias sonoras e visuais.

Acción Impro (Colômbia)


Acción Impro nasceu há 10 anos quando Adriana Ospina, Catalina Hincapié, David Sanín, Gustavo Miranda e Ricardo España decidiram fazer um workshop de improvisação em suas carreiras de teatro na Universidade Antioquia. A partir daí começaram a investigar a técnica de impro, nova no país e criar espetáculos próprios para apresentar em diferentes teatros e bares da cidade. Hoje Acción Impro tem seu próprio teatro no Parque del Poblado, onde todas às quintas e sábados apresentam algum dos seus 7 espetáculos improvisados e seu novo trabalho La Escala Humana (não improvisado).

Abaixo um vídeo de uma das duplas de Catch que competiu no FESTIM 10 em Madrid no mês passado.

La Gata Impro (Colômbia)

Tradicional companhia de Improvisação Teatral, fundada em 1995 na Colômbia, foi a primeira daquele país. Trabalha com vários formatos de improvisação teatral desportiva e não desportiva e participou de diversos festivais de improvisação teatral em todo o mundo.

Jogand0 no Quintal (Brasil)


Uma das primeiras companhias de improvisação do Brasil, o Jogando no Quintal caminha para seu oitavo ano e é espelho para a nova safra de improvisadores brasileiros. O espetáculo que dá nome à companhia, é um jogo de improvisação de clowns . Hoje a equipe trabalha ainda com mais dois espetáculos de improvisação não desportivos, o Caleidoscópio e o Mágico de Nós. Já se apresentaram em diversos festivais internacionais, sagrando-se campeão da última edição do campeonato de Match do Festival IberoAmericano de Bogotá em 2008.

Os jogos serão:

Dia 29 de março Brasil (Jogando no Quintal) X Chile (Colectivo Teatral Mamut).

Dia 30 de março México (Complot/ Escena) X Colômbia (Acción Impro).

Dia 31 de março México (Complot/ Escena) X Argentina (Improcrash!).

Dia 1 de abril Brasil (Jogando no Quintal) X Colômbia (La Gata Impro).

Dia 2 de abril Colômbia (Acción Impro) X Chile (Colectivo Teatral Mamut).

Dia 3 de abril Argentina (Improcrash!) X Colômbia (La Gata Impro).

Dia 4 de abril FINAL.

Fica a nossa torcida para os mestres do Jogando no Quintal, que no Match de Improvisação do Festival IberoAmericano de Bogotá são o Brasil.

Marco Gonçalves é plural. Músico, palhaço e improvisador. Atualmente é o palhaço atleta Fonseca do Jogando no Quintal, acabou de cumprir a primeira temporada do programa É Tudo Improviso da Band (aguardando resoluções para uma continuação do programa na grade horária da emissora) e faz parte do elenco rotativo do espetáculo Improvável da Cia. Barbixas de Humor. Nessa entrevista, gentilmente concedida entre suas correrias de apresentações, treinamentos e reuniões, Marco Gonçalves fala um pouco de suas filosóficas impressões a respeito da Improvisação e da vida.

Pode-se saber mais de Marco através do seu twitter. Também, para quem tem uma formação básica de improvisação ou clown, ele iniciará um curso extensivo de Impro no Quintal de Criação às segundas feiras a partir de 12 de abril.

Improvisando: Gostaria que você iniciasse contando um pouco dos caminhos que o trouxeram para a Improvisação Teatral. Sua biografia.

Marco Gonçalves: A verdade é que tenho alguns curriculuns espalhados por aí. Eu digo isso realmente pela lista de coisas que eu fiz. Como estudei pouco o teatro, eu muitas vezes  inventei coisas que eu fiz para conseguir pegar um emprego, para pagar aulas de música. Na verdade minha formação qual é: eu estudo música desde pré adolescente, com professor particular. Na pré adolescência e adolescência eu estudei música de uma forma bem firme na sina de ser um músico mesmo. Daí fiz publicidade mas parei no primeiro semestre. Tinha aquele desejo de ser um criador e tinha a ilusão de que a faculdade de publicidade ia propiciar isso. Descobri na faculdade que não era essa a pegada da publicidade que nela a criação era uma coisa bem pontual e direcionada. Aí me dediquei a ser músico profissional. Saí do Rio Grande do Sul para vir estudar música aqui em São Paulo no Conservatório e não passei. A verdade é que não tava bem preparado, tecnicamente não estava preparado. Bem próximo das provas pro Conservatório descobri que (esse é um dado importante lá na frente eu acho)  não era isso o que eu queria fazer, porque eu não tinha prazer em estudar aquilo. Tinha prazer em trampar em tocar, mas ir pra casa e ficar treinando a parte técnica era uma coisa que não gostava.

Com relação ao palhaço e a Improvisação, entre meus primeiros professores, eu já encontrei meu mestre que é o Marcio Ballas.  Comecei a fazer aula no Galpão do Circo, com uma bolsa conseguida com muita cara de pau. Disse: “Quero muito estudar palhaço, você me dá uma bolsa?” E o Marcio, muito generoso, me deu uma bolsa. Comecei a fazer bastante aula de palhaço com o Marcio e tinha, nos momentos da aula, meus momentos mais bonitos da minha semana em São Paulo. Esperava a semana inteira para vivenciar a aula de palhaço. Sinceramente tinha um pouco de confiança de que aquilo era meu assunto. Fui fazendo outras coisas na vida porque precisava de dinheiro: trabalhei com música para ganhar dinheiro, dava aula em escolhinha para criança de música. Descobri que seria palhaço pela necessidade, precisava fazer grana com isso, o que é bem pouco romântico. Essa é  a parte pouco romântica. Também não tinha família aqui, então entrei numa imersão: andava de palhaço pela Vila Madalena, levava meu nariz no bolso achando que a qualquer momento poderia sacar, como se fosse uma arma.

Eu já tinha uma admiração pelo Jogando no Quintal, eu já tinha assistido e pensava: é isso que eu quero fazer. Aí trabalhei num grupo amador, que por coincidência foi onde conheci a Rhena (de Faria) e a Lu Lopes, que passaram por lá, já profissionais.  Era o Sarau do Charles.

Eu tinha muitos sonhos. Quando me tornei palhaço eu pensava: eu quero ser do Doutores da Alegria para brincar com as criancinhas ou quero ser do Cirque de Soleil. Era o que eu queria muito, muito, muito. E o Marcio sacando minha vontade e usando da sua generosidade, começou a me convidar para acompanhá-lo como músico-palhaço. Tinha uma participação bem pequena, ia lá e tocava, era bem músico mesmo. Pra um músico eu era ruim, mas pra palhaço eu era pior ainda.

A verdade é que os palhaços não sabem fazer nada direito no Brasil. É uma coisa bem brasileira. O prazer de fazer as coisas que é bom para um palhaço, às vezes podem impedir que você se desenvolva. Você sabe mesmo usar sua habilidade? Às vezes não. Mas num palhaço isso cabe. Os palhaços gringos eles tem essa coisa da técnica, os americanos e os europeus, a gente não. A gente não sabe fazer nada. E somos palhaços incríveis.

Eu fui aprendendo a tocar sendo palhaço, não maduro. Aí fui ganhando espaço. E o Marcio (eu vou falar muitas vezes do Marcio porque na verdade ele é minha escola) tinha uma coisa muito legal comigo.  Ele me chamava para as apresentações e dizia assim: Rouba a cena, hein? Quero ver você roubar sua cena. Eu vivia também essa generosidade com o Alessandro (o Charles).

Aí entrei no Jogando, quando o Manjericão (Eugênio La Salvia) foi gravar um curta. Eu fui lá, entrei e nunca mais saí. E achei uma família, uma coisa maior até que o trabalho. É a família que não tinha aqui presente.

Mas falando de sala, e minhas primeiras vivências foi de palhaço, um dos  primeiros palhaços que admirei foi  o Paulo (Federal). E via os treinamentos de  improvisação dele. E eu achava que  eu não consegueria fazer isso. Até porque quando se está do lado dos heróis, você pensa: não serei um herói.

Com o tempo a banda, dentro do espetáculo, começou a ganhar  um tamanho muito grande, e a gente começou a fazer palhaço fora do Jogando. Com a Banda Gigante, que é a banda do Jogando no Quintal, que começou a ter um espetáculo paralelo. Daí comecei a experimentar o que é ser um palhaço e ter o foco, porque no Jogando eu só apoiava. Daí vem a segunda grande pessoa na minha vida que é a Lu Lopes: a gente passou a fazer música como palhaço, o que era incrível. E eu ainda namorava  a coisa de jogar.

Pra encurtar a estória, fiz a banda Gigante alguns anos, e aí num determinado momento, a banda começou a ganhar um caráter de  não ser exatamente o que eu queria. Tocar na banda do Jogando não era mais exatamente o que eu queria. Eu comecei a ter uma demanda de criação. Que pra mim é o assunto do improvisador. A escola de improvisação gera ferramentas para algumas coisas. E eu comecei a ter uma demanda de criação: comecei a não dormir para escrever, comecei a querer mais espaço na Banda, no Jogando, queria mais, queria mais. E era uma coisa que não era vaidade batendo, era uma demanda. Aí decidi que ia ser um ator.

Comecei a estudar improvisação e descobri que é uma coisa que me leva pra sala. Eu vou pra uma sala estudar improvisação e fico horas, sem problemas, amo fazer isso. Estudei com toda essa turma aí, com o Ricardo Behrens, com a Mariana Muniz. Estudei com todo mundo que o Marcio e o Jogando trouxe, recentemente o Shawn (Kinley).

Veio então o Caleidoscópio, e foi aí que experimentei minha primeira criação de um espetáculo. Isso tudo é o que está aos olhos do mundo.

Internamente, que pra mim é o mais importante. Aquilo que sempre me encantou e que o palhaço sempre me propôs que é a busca da liberdade, estou vivendo agora num momento de profunda paixão e amor por essa ferramenta que é pedir um tema, escutar e mandar ver.

A minha escola se confunde com a estória com o Jogando. E hoje com os Barbixas. Eu sou um cara muito da espiritualidade. Eu tive alguns mestres de uma outra área, que falavam muito pra mim: você tem que enxergar o mestre nas coisas do mundo. Eu enxergo nos Barbixas grandes mestres mas não porque eles tem essa postura, ou porque a gente estabeleceu uma relação, mas porque eles criaram uma coisa importante que é o Improvável. Eles trouxeram a mim isso e a um grande público. E eu vivo com eles também hoje essa coisa a que sou grato eternamente.

Falar do meu curriculo, que já tá acabando, é falar de gratidão. Gratidão por onde eu passei, a um monte de gente.

Improvisando: O que para você significa a Improvisação Teatral?

Marco Gonçalves: O que é Improvisação teatral é uma pergunta profunda e difícil. Eu considero uma coisa que me rege, é uma linguagem que consegue colocar a espontaneidade na frente. A espontaneidade é o que rege esse trabalho. Estou dizendo muito mais de sensação. Enfim, mas é algo que tenho prazer em fazer. Vou falar uma frase feita que traduz o que é a improvisação para mim: “Produzir vibrações, rotações, girações, danças, palcos, gravitações, inventar novas metas, e setas que vão disparar novos corações”. Isso pra mim me fala da improvisação hoje.

E também outra coisa que me fala do que é improvisação é o sentido que as mandalas tem. É um trabalho muito preparado e termina no desapego para abrir espaço para outra coisa. E enxergar nesse movimento o sentido da coisa e não o produto em si. A gente produz um número de cenas muito grande e a maioria são geniais e elas se vão.

Enfim, improvisação teatral pra mim é uma coisa que toca os mistérios da vida.

Improvisando: E quais são os princípios da Improvisação que você considera importantes?

Marco Gonçalves: Fundamental são alguns. Como diz a Rhena, escuta, aceitação são coisas profundas. Sou obrigado a repetir. Mas uma coisa que a própria Rhena me trouxe na relação próxima que a gente tem, é que quando a gente fica tratando da improvisação como ferramenta e como jogo, talvez a gente siga estritamente o que as escolas falam (escuta, aceitação). Fica uma coisa puramente técnica. Pra mim o buraco é mais embaixo e a Rhena me chama a atenção pra isso. Ela tem uma imaginação muito grande para a loucura, não a patologia, a doença, mas aquele olhar que é capaz de traduzir de uma forma muito diferente uma coisa que é lugar comum. Eu sempre tento ver a improvisação muito mais como uma arte que como uma linguagem técnica.  Nesse sentido, isso é uma coisa fundamental para o palhaço: o que você está falando para o mundo, aí?

Acho que estou querendo aliar um conceito que é a aceitação, escuta e um desejo de voar, uma certa loucura.

Lembrei agora do Chacovachi, que não foi um mestre, foi um dos professores que passou por aqui. Ele é um mestre para todo mundo, mas pessoal não. Ele diz: “El Payaso tiene que ter hambre”. O palhaço tem que ter sangue “nozoio”, que não necessariamente é ter uma agressividade, pode ser uma coisa bem infantil, ingênua, inocente. Mas é quente, potente, uma combustão.

É isso: escuta, aceitação e combustão.

Mas também tem outra coisa que é: “Quem está improvisando?”

A real é que escutar, aceitar, estar com o corpo pronto, saber jogar os jogos, saber a proposta coletiva de cada grupo e de cada espetáculo é fundamental mas são FERRAMENTAS. O conteúdo que você trará para a cena é uma coisa importante e ao mesmo tempo só pode ser gerado com organicidade, ou seja: quem você é, o que pensa, o que sente e como sente constrói sua fantasia. O que você lê, assiste ou o que te inspira como espectador geram bagagem para criar. O formato Improvável dá espaço para os comediantes, o Jogando para os palhaços, o Tríptico da Colômbia dá espaço a excelentes atores .

Improvisando: Gostaria que você falasse um pouco dessa conexão entre o clown e o improviso. E também da relação entre improviso e a música, que é a sua origem.

Marco Gonçalves: A música me ajudou muito. Conceitos que a música tem como muito fundamentais como linguagem, como ferramentas muito conhecidas, são fundamentais no improviso. Por exemplo, você não enaltece a escuta, ela é uma ferramenta tão básica na música: você não aprecia música sem escuta, você não dança sem escuta e não toca bem com um colega sem escuta, você não aprende a tocar um instrumento sem escuta. A escuta na música é uma perna para um jogador de futebol. Por isso, escutar os colegas era uma coisa muito orgânica pra mim. Quando entrei na escola da improvisação, a escuta já estava ali comigo.

Uma outra coisa que considero importante, a qual o Marcio é bem cuidadoso com esse aspecto na cena é o timing. O Marcio tem muito controle sobre o gráfico da cena: um começo que deixa ela clara, uma apresentação da situação e dos personagens, uma inclinação, um problema, e de repente uma aceleração, uma virada e um fim. A música respeita, seja improvisada ou ensaiada, um gráfico. A música tem uma parte A, B, refrão, AB e um refrão no final.

A música me ajudou no improviso, na escuta e no timing.

O palhaço já me ajuda um pouco a viver, mais que a trabalhar. Fica um pouco fácil fazer uma criação excêntrica, interessante aos olhos do público, quando você vivenciou isso. Só o palhaço tem essa levada, ele é a loucura, ele é o personagem. A gente não faz o palhaço a gente é o palhaço. A gente não é melhor ou pior que nada, a gente simplesmente é.

Quando eu estou fazendo, por exemplo, o Improvável (que é um espetáculo de tiro, de piada), muitas vezes estou fazendo essa piada com o lugar comum. Mas quando estou em cena eu invariavelmente uso o palhaço, mexo no dimer da intensidade mais ou menos.

Por exemplo: O que não fazer numa sorveteria? Eu me reporto a aquele lugar e penso no que espontaneamente seria gostoso fazer. Aí eu junto um pouco com a estória dos meninos que é elaborar uma piada com isso e mato. Pego a matéria prima e coloco o olhar de palhaço em tudo.

O que eu não deveria fazer está casado com o que eu poderia fazer e é proibido. Que é a base do Cenas Improváveis e no programa (É Tudo Improviso) é o Cenas Absurdas.

Outro exemplo: O que não se fazer num velório? Uma mente livre, uma mente não ressentida, que é a mente de um palhaço, uma mente desapegada de padrões e regras,  não faz muita força para  pensar o que não fazer. Ele simplesmente vai lá e faz. Ele cumprimenta o morto, vai lá tira uma com o morto. É como já falei com minha mãe e com meu pai. Na ocasião a gente vai se divertir na brincadeira, vamos beber o morto.

Improvisando: Quem são os Improvisadores que o inspiram na realização do seu trabalho?

Marco Gonçalves: Poxa, aí vem muitas coisas na cabeca. E vem um desejo de ser político…

Improvisando: Eu penso em termos de referência…

Marco Gonçalves: Hum… Paulo Federal, Marcelo Savignone, Marcio Ballas (sempre), Rhena de Faria. Fora do improviso, esses dias vi o Pedro Cardoso, achei arrebatador. Dos mexicanos, o José (Luis Saldaña), acho sensacional. Mas de todos, o último que me impressionou mais foi o Marcelo Savignone porque ele é o cara que toca, canta. Ele é desesperador, ele é multi, você conversa o cara, ele conta que  estuda diariamente horas, e é um maluco.

Enfim, eu deixaria essas pessoas, mas isso vale pra hoje. Respeitando o agora.

Improvisando: E com relação às companhias teatrais?

Marco Gonçalves: Todas. De improvisação, eu gosto de todas. Das ruins e das boas.

Pode parecer uma prepotência, mas tenho muito respeito por quem trabalha. Gosto dos Barbixas, Jogando no Quintal, . Em termos de Brasil ainda tem o pessoal de Belo Horizonte, o Imprópria, o Protótipo. Eu tenho muito respeito por você.

Improvisando: Eu não pertenço a nenhuma companhia…

Marco Gonçalves: Mas não digo em termos institucionais, eu tenho respeito por quem tá dando um gás pelo assunto. Quem tá afirmando a Improvisação.

Falando do programa, por exemplo,tentar pegar essa linguagem e torná-la mais popular. Deixar mais gente afim de fazer. Isso poderia ficar como um desejo individual do Marcio, que quer a improvisação no Brasil, ou os Barbixas. Mas é um desejo de muitos, uma força que se espalha.

Fora isso  Impromadrid, Complot/Escena, Loose Moose, LPI Argentina.Vou acabar esquecendo alguém, enfim…

Improvisando: Gostaria que você falasse um pouco com relação a seu interesse em formatos de improvisação. Você hoje tem uma preferência entre formatos longos ou formatos desportivos de improvisação?

Marco Gonçalves: Eu acho tudo importante. Os espetáculos que tem como base jogos de improviso e espetáculos de long form que tenha uma premissa e a improvisação. É que em termos de jogos já existe o Improvável, o Jogando, outras trupes, o programa e acaba meio que virando lugar comum.

O long form acaba virando um desafio hoje em dia. A gente tem pretensões muito altas: não quer ter uma estória boa porque é improvisada, mas uma estória que seja digna de ser encenada várias vezes.

Fora de cena é bacana você ser bem pé no chão, mostrar que o que estou fazendo qualquer um que queira muito poderia fazer. Mas quando digo muito, queira muito mesmo, se dedique.

Em cena acho essa coisa da pretensão bem legal. Às vezes a gente tem uma coisa no long form, em que a gente desafia um ao outro, causando uma sensação ímpar na platéia. Imagina criar uma atmosfera, uma estória que tenha uma trama que de repente possa ser sensual para a platéia. Uma arte transformadora que pode te levar a outro lugar.

Hoje os espetáculos de jogos buscam a piada, um lirismo e na verdade, já tem bastante missão só nisso.

O horizonte do long form é outro. Talvez ele me seja mais atraente, mas ele nao é melhor que o curto, talvez ele até seja um pouco pior. Pro grande público ele talvez seja menos divertido. O público tá afim de ver um desafio mais cirúrgico.

O long form só está mais atraente, mais sedutor pra mim hoje em dia.

Improvisando: Em termos futuros, o que você espera da Improvisação?

Marco Gonçalves: De forma prática,  um número maior de grupos fazendo, uma disseminação mesmo. Eu acho que vai acabar acontecendo, tomara a Deus. Com isso, irão surgir novas formas de fazer, grupos com identidade cada vez mais única, com trabalhos cada vez mais autorais. Isso do ponto de vista comercial.

Do ponto de vista filosófico, que é o que me pega mesmo.  Eu sinto que tem uma coisa que amarga a vida um pouco que é a própria diversão que é trocada pela obrigação. E a vida cheia de obrigações é dificil . Ela é dificil para qualquer um. Mesmo para aquele que gosta, que faz determinadas coisas porque gosta de cumprir aquela obrigação.  Mas tem outras possibilidades e é esse que é o barato.

Não estou falando que a improvisação tenha a ver com descompromisso. A improvisação tem a ver com dar vazão a espontaneidade. E a espontaneidade é o contrário da obrigação. E quando você gera mais espaço para dar vazão a essa espontaneidade, você tem uma ferramenta prática, potente e verdadeira e não uma falácia. Você ouve: temos que melhorar o mundo. Mas como se faz isso?

Mas respondendo à sua pergunta, quando eu vejo meu pai altamente envolvido com a piada, não porque riu, pelo interesse na piada em si…  As pessoas me ligam, me procuram, projetando um desejo de fazer a mesma coisa. Tenho recebido muito email,  muito twitter dizendo: você poderia ter feito aquilo tal hora. Eu procuro responder: então vamos fazer, eu quero fazer isso com você. Esse convite tem a ver com um chamado: vamos brincar!  Isso pra mim tem a ver com a missão da improvisação. Que passe a trazer essa força da espontaneidade com o tempo.

A seguir, Marco Gonçalves em 3 momentos incríveis: Improvável, É Tudo Improviso e Jogando no Quintal.